Terça, 21 de julho de 2026

(Mq 7,14-15.18-20; Sl 84[85]; Mt 12,46-50) 16ª Semana do Tempo Comum.

“Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar

todos os nossos pecados” Mq 7,19.

“A liturgia de hoje propõe as últimas palavras do Livro de Miquéias caracterizadas por um tom de súplica confiante e de louvor dirigidos ao Senhor. A profecia assume assim a tonalidade de uma oração que o profeta eleva em nome de todo o povo, melhor identificando-se com ele (utiliza a primeira pessoa do plural). Deus é invocado primeiro como um pastor (vv. 14-15), e depois pela Sua extraordinária e única capacidade de perdoar (vv. 18-20). [Compreender a Palavra:] Para a compreensão deste curto trecho podemos partir da invocação do versículo 15: ‘Mostrai-nos prodígios’. Refere-se a saída do Egito e, como aconteceu então, Miqueias suplica ao Senhor que atue ainda em favor de Israel. São duas as formas com as quais deverá manifestar-se essa intervenção divina: o seu profeta pede que JHWH seja o pastor do povo e lhe conceda o Seu perdão. A figura do pastor, frequentemente atribuída a Deus no Antigo Testamento (cf. Sl 22; Ez 34), evoca os cuidados atentos e solícitos, a conservação da unidade do rebanho de outro modo disperso, a defesa da vida das ovelhas, mesmo à custa da própria vida (por sinal, uma imagem utilizada por Jesus em Jo 10 e por conseguinte retomada em seguida, por toda a tradição cristã). A benevolência do pastor toma a forma do perdão que revela, mais do que qualquer outra coisa, quem é o Deus de Israel, e que marca a diferença de qualquer outra divindade. O perdão é o prodígio maior por ser capaz de extirpar o mal do coração do homem” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite