(Mq 7,14-15.18-20; Sl 84[85]; Mt 12,46-50) 16ª Semana do Tempo Comum.
“Voltará a compadecer-se de nós,
esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar
todos os nossos pecados” Mq 7,19.
“A
liturgia de hoje propõe as últimas palavras do Livro de Miquéias caracterizadas
por um tom de súplica confiante e de louvor dirigidos ao Senhor. A profecia
assume assim a tonalidade de uma oração que o profeta eleva em nome de todo o
povo, melhor identificando-se com ele (utiliza a primeira pessoa do plural).
Deus é invocado primeiro como um pastor (vv. 14-15), e depois pela Sua
extraordinária e única capacidade de perdoar (vv. 18-20). [Compreender a
Palavra:] Para a compreensão deste curto trecho podemos partir da invocação do
versículo 15: ‘Mostrai-nos prodígios’. Refere-se a saída do Egito e, como
aconteceu então, Miqueias suplica ao Senhor que atue ainda em favor de Israel.
São duas as formas com as quais deverá manifestar-se essa intervenção divina: o
seu profeta pede que JHWH seja o pastor do povo e lhe conceda o Seu perdão. A
figura do pastor, frequentemente atribuída a Deus no Antigo Testamento (cf. Sl
22; Ez 34), evoca os cuidados atentos e solícitos, a conservação da unidade do
rebanho de outro modo disperso, a defesa da vida das ovelhas, mesmo à custa da
própria vida (por sinal, uma imagem utilizada por Jesus em Jo 10 e por
conseguinte retomada em seguida, por toda a tradição cristã). A benevolência do
pastor toma a forma do perdão que revela, mais do que qualquer outra coisa,
quem é o Deus de Israel, e que marca a diferença de qualquer outra divindade. O
perdão é o prodígio maior por ser capaz de extirpar o mal do coração do homem” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite