Sábado, 01 de agosto de 2026

(Jr 26,11-16.24; Sl 68[69]; Mt 14,1-12) 17ª Semana do Tempo Comum.

“E mandou cortar a cabeça de João no cárcere” Mt 14,10.

“A voz austera do Batista ressoou no palácio de Herodes como se fosse uma chicotada que queria açoitar a imoralidade da conduta do rei e, ao condenar o procedimento do rei, dava a conhecer, bem às claras, que também deveriam sentir-se tocados por aquela voz que repreendia todas as situações injustas e imorais, que se alimentavam naquela corte. A fidelidade do profeta não considerou as categorias sociais, mais ainda, começou pelo chefe ou cabeça, pela autoridade, em uma corajosa demonstração de liberdade evangélica; nada pode calar aquela voz denunciante da imortalidade e da injustiça. João era profeta e falava como profeta e vivia como profeta e teve de morrer como profeta. Você não poderá afastar-se de sua missão profética por dificuldades de nenhuma espécie, nem por sofrimentos, humilhações e amarguras de qualquer espécie. Se você é profeta de Cristo, como Cristo é Profeta do Pai, à semelhança dele que chegou até a morte e morte de cruz, deverá estar disposto a chegar aos braços da cruz redentora, sabendo que nem tudo termina na cruz, mas sim na luz da ressurreição. Assim, você deverá denunciar profeticamente, com sua palavra e sobretudo com seu modo concreto de vida, qualquer injustiça e imoralidade. João Batista denunciou o adultério e o escândalo; muitas vezes você deverá denunciar a injustiça e a imoralidade. Sua presença no mundo, por ser a presença de um autêntico profeta, deve desacomodar o mundo não por agressividade, mas por seu exemplo, fazendo com que sua atitude seja uma contínua reprovação para o mundo e seus princípios. Herodes sentiu remorsos pelo crime que cometeu ao mandar decapitar o Batista; por isso, quando lhe chegou a notícia e a fama de Jesus, seu próprio remorso fê-lo crer que Deus tinha vigado seu crime, ressuscitando João Batista. O pecado carrega consigo o castigo do remorso, que força e dilacera a consciência pecadora; com o remorso desaparecem a tranquilidade e a paz. Procurar-se-á muitas vezes silenciar a voz da consciência, mas o aguilhão do remorso causará sempre indisposição e amargura” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite