Sábado, 01 de agosto de 2026

(Jr 26,11-16.24; Sl 68[69]; Mt 14,1-12) 17ª Semana do Tempo Comum.

“E mandou cortar a cabeça de João no cárcere” Mt 14,10.

“A voz austera do Batista ressoou no palácio de Herodes como se fosse uma chicotada que queria açoitar a imoralidade da conduta do rei e, ao condenar o procedimento do rei, dava a conhecer, bem às claras, que também deveriam sentir-se tocados por aquela voz que repreendia todas as situações injustas e imorais, que se alimentavam naquela corte. A fidelidade do profeta não considerou as categorias sociais, mais ainda, começou pelo chefe ou cabeça, pela autoridade, em uma corajosa demonstração de liberdade evangélica; nada pode calar aquela voz denunciante da imortalidade e da injustiça. João era profeta e falava como profeta e vivia como profeta e teve de morrer como profeta. Você não poderá afastar-se de sua missão profética por dificuldades de nenhuma espécie, nem por sofrimentos, humilhações e amarguras de qualquer espécie. Se você é profeta de Cristo, como Cristo é Profeta do Pai, à semelhança dele que chegou até a morte e morte de cruz, deverá estar disposto a chegar aos braços da cruz redentora, sabendo que nem tudo termina na cruz, mas sim na luz da ressurreição. Assim, você deverá denunciar profeticamente, com sua palavra e sobretudo com seu modo concreto de vida, qualquer injustiça e imoralidade. João Batista denunciou o adultério e o escândalo; muitas vezes você deverá denunciar a injustiça e a imoralidade. Sua presença no mundo, por ser a presença de um autêntico profeta, deve desacomodar o mundo não por agressividade, mas por seu exemplo, fazendo com que sua atitude seja uma contínua reprovação para o mundo e seus princípios. Herodes sentiu remorsos pelo crime que cometeu ao mandar decapitar o Batista; por isso, quando lhe chegou a notícia e a fama de Jesus, seu próprio remorso fê-lo crer que Deus tinha vigado seu crime, ressuscitando João Batista. O pecado carrega consigo o castigo do remorso, que força e dilacera a consciência pecadora; com o remorso desaparecem a tranquilidade e a paz. Procurar-se-á muitas vezes silenciar a voz da consciência, mas o aguilhão do remorso causará sempre indisposição e amargura” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite  

Sexta, 31 de julho de 2026

(Jr 26,1-9; Sl 68[69]; Mt 13,54-58) 17ª Semana do Tempo Comum.

“Dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados.

E diziam: ‘De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres?’” Mt 13,54.

“As interrogações levantadas pelo povo de Nazaré, a respeito de Jesus, já tinham, de antemão, uma resposta. Tendo Jesus saído do meio deles, era impossível que tivesse poderes divinos, como sua sabedoria e seus milagres deixavam transparecer. Não dava para combinar o fato de Jesus ser um nazareno e, ao mesmo tempo, ter sido autorizado a realizar as obras de Deus. Com isto os nazarenos não negavam que Deus pudesse intervir na história humana. Afinal, ele interviera continuamente na história de Israel, a partir da libertação do Egito por intermédio de Moisés. Os conterrâneos de Jesus estavam recusando-se a aceitar que Deus estivesse agindo a partir da família deste jovem de Nazaré. Isto não se enquadrava nos esquemas de esperança messiânica da época, segundo os quais, embora sendo homem, o Messias não assumira as condições que Jesus apresentava. Faltavam-lhe grandeza e dignidade! Sua condição de filho de carpinteiro e de homem do povo depunham contra ele. Em suma, não tinham gabarito nem credenciais para a missão que estavam realizando.  O pecado dos nazarenos consistiu em querer enquadrar Deus em seus curtos esquemas mentais. Como em Jesus Cristo Deus agiu à revelia das esperanças em voga, eles perderam a chance de acolher o Messias. Procuram longe, aquele que estava bem preso! – Pai, livra-me da tentação de querer enquadra-te em meus mesquinhos esquemas. Que eu saiba reconhecer e respeitar o teu modo de agir (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite  

 

Quinta, 30 de julho de 2026

(Jr 18,1-6; Sl 145[146]; Mt 13,47-53) 17ª Semana do Tempo Comum.

“Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos

e jogam fora os que não prestam” Mt 13,48.

“A parábola da rede parece repetir, mesmo no vocabulário, a do trigo e do joio. Mas enquanto esta última coloca o acento sobre o tempo presente do crescimento, o Evangelho de hoje olha para o futuro, está interessado mais no vaso dos peixes do que na sua captura (os verbos antes estão no particípio passado e depois no indicativo). [Compreender a Palavra:] Através da parábola da rede, mais uma vez o Senhor mostra a dinâmica do Reino, distinguindo-se entre o tempo da História, em que todos os homens, bons e maus, convivem como os diversos peixes no mesmo mar, e o tempo do juízo final, quando se der a separação uns dos outros, com o fim trágico dos maus. A particular acentuação do juízo negativo pretendia eliminar qualquer equívoco na insistente e surpreendente pregação de Jesus sobre a misericórdia de Deus, que podia levar a duvidar da existência de um juízo final. Jesus Cristo projeta uma imagem nova de Deus e do seu Reino, a qual embora criando uma distanciação do ensino religioso da época, permanece no rasto da continuidade e da felicidade divinas: a misericórdia de Deus não anula a distinção entre o bem e o mal. Eis então que a mensagem de Jesus acerca do Reino pede uma renovação, antes de tudo da parte dos anunciadores (escribas/discípulos). O grande tesouro é Cristo e é Ele que ilumina todo o antigo e o novo, Ele que deve ser anunciado e transmitido, permanecendo fiéis à sua Pessoa que encerra em Si todas as novidades capazes de explicar e realizar as antigas promessas” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite  

Quarta, 29 de julho de 2026

(1Jo 4,7-16; Sl 33[34]; Jo 11,19-27) Santos Marta, Maria e Lázaro.

“Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa” Jo 11,20.

“Em Jo 11,2 Maria é caracterizada como aquela ‘que ungira o Senhor com óleo perfumado e lhe enxugara os pés com os cabelos’. Trata-se, portanto, de uma antecipação daquilo que será contado só depois, no capítulo 12. Marta chama a irmã Maria pra vir junto de Jesus. Esta logo se levanta e lança chorando aos pés do mestre. Maria é aquela que acredita sem palavras. Ela sente o amor de Jesus pelo amigo dele e irmão dela. Chorando ela se sabe unida a Jesus e ao seu destino fatal” (Anselm Grüm – Jesus: Porta para a Vida – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite  

 

Terça, 28 de julho de 2026

(Jr 14,17-22; Sl 78[79]; Mt 13,36-43) 17ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram:

‘Explica-nos a parábola do joio!’” Mt 13,36.

“A parábola do joio e do trigo soou misteriosa aos ouvidos dos discípulos. Foi preciso que, a sós, Jesus os ajudasse a compreender o significado do ensinamento nela contido. A explicação que lhes foi oferecida corresponde a uma espécie de vocabulário onde cada elemento é interpretado. Um aspecto importante da explanação de Jesus consiste em estabelecer a nítida distinção entre os filhos do Reino e os filhos do Maligno. Os filhos do Reino são os que acolhem a Palavra de Deus e, embora pressionados pelos inimigos, mantêm-se fiéis, pautando sua vida pela vontade de Deus. A perseverança é conseguida, a duras penas, com a força do Espírito. Eles conhecem bem o preço da fidelidade! Já ‘os filhos do maligno’ são os que, fechando os ouvidos de Jesus, seguem os impulsos das próprias paixões ou se deixam levar por quem está na contramão de Deus. Sua malignidade manifesta-se de muitas formas, entre elas, no combate sem descanso aos que optaram pelo Reino de Deus. O drama é que nem sempre podemos identificar, à primeira vista, quem é ‘o filho do Reino’ e quem é ‘o filho do Maligno’. As aparências enganam! Existem lobos travestidos de cordeiros. Nem sempre é fácil desmascará-los. A parábola aconselha-nos a esperar o final dos tempos, quando ficará patente quem está a serviço do bem e quem está a serviço do mal. – Pai, que as pressões dos filhos do Maligno jamais sejam suficientemente fortes para me levar a renunciar à minha condição de filho do Reino. Quero estar sempre a teu serviço (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite  

Segunda, 27 de julho de 2026

(Jr 13,1-11; Sl Dt 32; Mt 13,31-35) 17ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: ‘O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega

e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado’” Mt 13,33.

“Esta parábola tomada da vida familiar da Palestina também se refere ao Reino de Deus em você e nos outros. Você também pode chegar a ser fermento que acabe com seus maus exemplos, com sua vida egoísta e acomodada, às vezes até injusta e sensual. Esta parábola nos fala claramente de eficácia da doutrina do evangelho. Como o levedo fermenta toda a mesa, a doutrina de Jesus Cristo fermentou as almas, os costumes, os critérios, os sentimentos, a vida do homem. Para que a doutrina de Jesus Cristo possa fermentar sua própria alma, é preciso que primeiro você afaste de si mesmo o velho fermento do pecado, como o chama São Paulo: ‘o fermento da malícia e da iniquidade’ que como o levado penetra na massa, as palavras e os exemplos de Jesus penetrem em você pela serena meditação. Indubitavelmente, a pregação evangélica da palavra de Deus é também levedo capaz de transformar todo homem. O Reino de Deus tem em si mesmo força e vigor para fermentar cristãmente o mundo onde nos encontramos; isto é, se na parábola anterior do grão de semente de mostarda o Reino é-nos mostrado com vigor suficiente para estender-se pelo mundo todo, nesta fala-se de vigor interno do Reino, capaz em si mesmo força e vigor para fermentar cristãmente o mundo onde nos encontramos. Porém o Reino será fermento em você por você; você é chamado(a) a ser fermento em seu ambiente, ali onde a Providência o/a houver colocado; não levedura que corrompa, mas que faça crescer a massa e fermente com o evangelho” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite  

17º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(1Rs 3,5.7-12; Sl 118[119]; Rm 8,28-30; Mt 13,44-52) *   

1. As duas parábolas correm o risco de serem tomadas como duas pequenas narrativas de fatos da vida, mas quem compreende seu significado, se sentirá inquieto pelo resto da vida. O que queria de fato dizer Jesus?

2. Mais ou menos isto: essa é a hora decisiva da história. Eis que o Reino de Deus se faz presente entre nós. Aquilo que os patriarcas esperaram, que os profetas desejaram ver, mas não viram: Deus que vem salvar o seu povo, resgatá-lo do pecado e da morte, e introduzi-lo em sua intimidade.

3. Tudo isso, na realidade, Jesus vai traduzir por “evangelho”, “Boa Nova”, aquela tanto esperada. Concretamente se trata da sua vinda à terra. O tesouro escondido, a pérola preciosa, não é outra coisa senão o próprio Jesus.

4. É como se Jesus com essas parábolas quisesse dizer: a salvação veio a vocês gratuitamente, por iniciativa de Deus, tomem uma decisão, não deixem escapar. Como acontece com certos artigos de luxo, que por tempo limitado entram em especial oferta.

5. É como se Jesus quisesse provocar uma espécie de “não perca a oportunidade. Há um tesouro que lhe espera, uma pérola preciosa. Não deixe passar…”. O Reino é a única coisa que nos pode salvar do risco supremo da vida que é perder o motivo pelo qual estamos nesse mundo.

6. Vivemos em uma sociedade que vive de seguros. Há seguros contra tudo que possa nos acontecer. Em algumas nações tornou-se uma espécie de mania. Entre eles está o mais importante e frequente que é o seguro de vida. Não estou aqui colocando em questão o seu valor.

7. Mas se refletimos um momento, de que coisa estamos nos assegurando? Da morte? Certamente que não. Asseguramos que, em caso de morte, alguém receberá uma indenização.

8. O reino dos céus é também um seguro de vida e contra a morte, mas uma asseguração real, que beneficia não só a quem fica, mas também a quem parte. “Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”, disse Jesus. E sabemos que não são palavras vazias.

9. Assim logo entendemos as exigências que esse Reino traz consigo: para adquiri-lo é preciso estar disposto, se necessário, a algum sacrifício. Não para pagar o preço do tesouro ou da pérola, que por definição, não têm preço, mas para ser digno dele.

10. Esse reino não pode ser colocado em pé de igualdade com qualquer outra realidade. “Não se pode servir a dois senhores”, dirá Jesus. Isso seria despreza-lo ou trai-lo. Eu sei que essa compreensão cria em nós uma tremenda responsabilidade.

11. Antes de concluirmos, há um aspecto que esquecemos nessas duas parábolas. Em cada uma delas há, na realidade, não um ator, mas dois. Tem aquele que vai, vende, compra, e o outro está escondido, subtendido. O proprietário do terreno, que não se deu conta que em seu terreno havia um tesouro e o vende; tem um homem ou uma mulher que possuía a pérola preciosa, e não se tinha dado conta do seu valor e a vende ao comprador.

12. A pergunta que devemos nos colocar é simples: a qual dos dois atores nós assemelhamos? Será que não vendemos a nossa fé por uma ideologia, por preguiça, por acharmos interessantes, quem sabe, mostrar-nos gnóstico, superiores aos outros.

13. Para muitos batizados, a última preocupação de sua vida é o Reino de Deus, possa ele significar o próprio Deus, a Igreja, a fé. Quão perigosa é essa atitude, nos diz o evangelho.

14. Mas não quero concluir com essa nota triste. Vejam que não nos é dito na parábola que alguém vendeu tudo que possuía e saiu em busca de um tesouro escondido. Sabemos bem como terminam as histórias que começam assim. Um que perde tudo que tinha e não encontra nenhum tesouro. Histórias de ilusões…

15. Primeiro é preciso encontrar o tesouro, nos diz a parábola, para depois ter a força e a alegria de vender tudo para conquista-lo. Ou seja, quando encontramos a Jesus de maneira nova, pessoal, convicta, nos veremos plenos de alegria como esses “buscadores” de que nos fala o evangelho. Amém.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

  Pe. João Bosco Vieira Leite  

Sábado, 25 de julho de 2026

(2Cor 4,7-15; Sl 125[126]; Mt 20,20-28) São Tiago Apóstolo.

“Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos” Mt 20,24.

“No espaço de tempo que transcorreu entre o momento em que Tiago manifestou as suas ambições – não inteiramente nobres – e o seu martírio, tem lugar um longo processo interior. O próprio zelo do Apóstolo, dirigido contra aqueles samaritanos que não tinham querido receber Jesus ‘por dar a impressão de ir para Jerusalém’ (Lc 9,53), transformar-se-á mais tarde em ânsia de almas. Pouco a pouco, sem perder a própria personalidade, Tiago irá aprendendo que o zelo pelas coisas de Deus não pode ser áspero nem violento, e que a única ambição que vale a pena é a glória de Deus. Conta São clemente de Alexandria que, quando o Apóstolo era levado ao tribunal onde iria ser julgado, foi tal a inteireza que o seu acusador se aproximou dele para pedir perdão. São Tiago refletiu... Depois, abraçou-o dizendo: ‘A paz esteja contigo’; e os dois receberam a palma do martírio. Ao meditarmos hoje sobre a vida do Apóstolo, serve-nos de grande ajuda considerarmos os seus defeitos, bem como os dos outros Onze que o Senhor tinha escolhido. Não eram poderosos, nem sábios, nem simples. Vemo-los às vezes ambiciosos, discutidores, com pouca fé. Mas, a par dessas deficiências e falhas, tinham uma alma e um coração grandes. São Tiago será o primeiro Apóstolo mártir. Tanto pôde a graça divina naquele coração generoso, que o levou a enveredar por caminhos bem diversos dos que ele tinha sonhado e pedido. O Mestre sempre foi paciente com Tiago e com todos, e contou com o tempo para ensiná-los e formá-los com uma sábia pedagogia divina. ‘Observemos – escreve João Crisóstomo – com a maneira de o Senhor os interrogar equivale a uma exortação e a um aliciante. Não diz: ‘Podeis suportar a morte? Sois capazes de derramar o vosso sangue?’. As suas palavras são: ‘Podeis beber o cálice?’ E, para animá-los a dar o passo, acrescenta: ‘... que eu irei beber?’. Deste modo, a consideração de que se tratava do mesmo cálice que o Senhor iria beber havia de estimulá-los a uma resposta mais generosa. E chama à sua Paixão ‘batismo’, mostrando assim que os seus sofrimentos haviam de ser causa de uma grande purificação para o mundo inteiro’. O Senhor também nos chamou a cada um de nós. Não nos deixemos invadir pelo desalento se alguma vez as nossas fraquezas e defeitos se tornam patentes. Se recorrermos a Jesus, Ele nos dará ânimos para seguirmos adiante com humildade, mais fielmente. O Senhor tem paciência também conosco, e conta com o tempo” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 24 de julho de 2026

(Jr 3,14-17; Sl Jr 31; Mt 13,18-23) 16ª Semana do Tempo Comum.

“A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto.

Um dá cem, outro sessenta e outro trinta” Mt 13,23.

“O sucesso do reino depende de muitos fatores entre os quais a disposição interna da pessoa que escuta a mensagem. As diferentes disposições dos ouvintes foram comparadas, parabolicamente, com a diversidade de solos nos quais cai a semente ao ser semeada. Some-se a isto as múltiplas forças externas que põem em risco a semente. O Evangelho as identifica com o Maligno, as tribulações, as perseguições, as preocupações mundanas e a fascinação das riquezas. Embora não seja dito, mesmo a semente plantada em terra boa viu-se às voltas com fatores contrários. Para sobrepuja-los e tornar-se frutuosa, foi preciso enfrenta-los. Isto por que, onde quer que irrompa o Reino, este tende a atrair toda sorte de oposição. Uma situação inacreditável! A disposição interna de cada pessoa torna-se patente na medida em que deve enfrentar as tentações que se abatem sobre ela. Quando a Palavra de Deus é acolhida num coração generoso, não há tribulação suficientemente forte para dele arrebatá-la. A pessoa revestida da fortaleza que vem do Espírito será capaz de superá-la e de produzir frutos para o Reino. Pelo contrário, quando a Palavra cai no coração de uma pessoa acomodada ou pouco disposta a passar pela provação da fé, um pequeno contratempo levará tudo a perder.; - Pai, que o teu Espírito Santo me revista de fortaleza, e me predisponha a enfrentar todos os contratempos da vida para produzir os frutos que esperas de mim” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 23 de julho de 2026

(Jr 2,1-3.7-8.12-13; Sl 35[36]; Mt 13,10-17) 16ª Semana do Tempo Comum.

“Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vosso ouvidos ouvem” Mt 13,16.

“Nosso coração não está endurecido; sente as coisas de Deus e escuta sua palavra. Por isso somos felizes e por isso a graça do Senhor pode fazer em nós maravilhas, se nós correspondermos com generosidade a suas instâncias. Somos na verdade os filhos da predileção. Quantos teriam correspondido melhor que nós, se tivessem recebido as graças das quais nós fomos objeto e termo! Por isso, nós não devemos considerar-nos melhores que os outros, pois não sabemos, em nenhum caso, como teriam correspondido os outros e, no entanto, é para nós muito conhecida a pequena correspondência de nossa parte à graça” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 22 de julho de 2026

(Ct 3,1-4; Sl 62[63]; Jo 20,1-2.11-18) Maria Madalena

“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada,

quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo” Jo 20,1.

“Ao cabo de vinte séculos, continuam a comover-nos a delicadeza, a fidelidade e o amor de Maria Madalena por Jesus. São João narra-nos no Evangelho da Missa como esta mulher se dirigiu ao sepulcro logo que lho permitiu o descanso sabático, ‘quando ainda estava escuro’, em busca do Corpo morto do Senhor. Ele tinha-a libertado do Maligno, a graça frutificara no seu coração, e ela seguira fielmente o Mestre em alguma das suas viagens apostólicas e servira-o generosamente com os seus bens. Nos momentos terríveis da crucifixão, permaneceu no Calvário, bem perto d’Aquele que a tinha curado dos seus males. E quando depositaram Jesus no sepulcro, continuou por ali, fazendo-lhe companhia, como talvez já tenhamos feito com o corpo de uma pessoa amada. Testemunha-o São Mateus: ‘E Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, de fronte ao túmulo’ (Mt 27,61). Passado o sábado, ‘ao amanhecer do primeiro dia da semana’ (cf. Mt 28,1), dirigiu-se com outras santas mulheres ao lugar onde se encontrava o corpo de Jesus, afim de embalsama-lo. Mas o Senhor já não está ali: tinha ressuscitado! Viu a pedra retirada e o sepulcro vazio. ‘Correu, pois, e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhe: Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram’. Pedro e João foram correndo ao sepulcro. São João conta-nos que aquele momento foi definitivo na sua vida: ‘viu e creu’ (cf. Jo 20,8). Os dois ‘voltaram novamente para casa’, mas Maria ficou ali, chorando a ausência do Corpo do Mestre. Com uma tristeza indescritível, sem ainda acreditar na ressurreição, persevera, não quer afastar-se do lugar onde viu pela última vez o Corpo adorável do Senhor. Consideramos hoje ‘ a intensidade do amor que ardia no coração daquela mulher, que não se afastou do sepulcro do Senhor mesmo quando os discípulos se retiraram. Procurava Aquele a quem não tinha encontrado, procurava-o chorando e, inflamada no fogo do seu amor, ardia em desejos de encontrar Aquele que julgava terem tirado. E assim aconteceu que foi a única que o viu naquele momento; porque, na verdade, o que dá força às boas obras é a perseverança nelas’ (São Gregório Magno). Não deixemos nós de procurar sempre Jesus, mesmo nos momentos em que – se o Senhor o permite – o desalento e a escuridão penetrem na lama. Não esqueçamos nunca que Ele sempre está muito perto, porque, como diz o Apóstolo, ‘Dominus prope este! – o Senhor me acompanha de perto. Caminharei com Ele, portanto, bem seguro, já que o Senhor é meu Pai..., e com a sua ajuda cumprirei a sua amável Vontade, ainda que me custe’ (Josemaria Escrivá)” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 21 de julho de 2026

(Mq 7,14-15.18-20; Sl 84[85]; Mt 12,46-50) 16ª Semana do Tempo Comum.

“Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar

todos os nossos pecados” Mq 7,19.

“A liturgia de hoje propõe as últimas palavras do Livro de Miquéias caracterizadas por um tom de súplica confiante e de louvor dirigidos ao Senhor. A profecia assume assim a tonalidade de uma oração que o profeta eleva em nome de todo o povo, melhor identificando-se com ele (utiliza a primeira pessoa do plural). Deus é invocado primeiro como um pastor (vv. 14-15), e depois pela Sua extraordinária e única capacidade de perdoar (vv. 18-20). [Compreender a Palavra:] Para a compreensão deste curto trecho podemos partir da invocação do versículo 15: ‘Mostrai-nos prodígios’. Refere-se a saída do Egito e, como aconteceu então, Miqueias suplica ao Senhor que atue ainda em favor de Israel. São duas as formas com as quais deverá manifestar-se essa intervenção divina: o seu profeta pede que JHWH seja o pastor do povo e lhe conceda o Seu perdão. A figura do pastor, frequentemente atribuída a Deus no Antigo Testamento (cf. Sl 22; Ez 34), evoca os cuidados atentos e solícitos, a conservação da unidade do rebanho de outro modo disperso, a defesa da vida das ovelhas, mesmo à custa da própria vida (por sinal, uma imagem utilizada por Jesus em Jo 10 e por conseguinte retomada em seguida, por toda a tradição cristã). A benevolência do pastor toma a forma do perdão que revela, mais do que qualquer outra coisa, quem é o Deus de Israel, e que marca a diferença de qualquer outra divindade. O perdão é o prodígio maior por ser capaz de extirpar o mal do coração do homem” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 20 de julho de 2026

(Mq 6,1-4.6-8; Sl 49[50]; Mt 12,38-42) 16ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu-lhes: ‘Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado,

a não ser o sinal de Jonas” Mt 12,39.

“As palavras de Jesus são duras e têm um alvo certo: a liderança religiosa de sua época. A maneira genérica como fala pode dar a impressão de que ele esteja englobando todas as pessoas, indistintamente, na sua acusação. A verdade é que a denúncia tinha um alvo certo. A acusação – ‘geração má e adúltera’ – tinha conotação teológica mais que morais. No Antigo Testamento, as relações entre Javé e Israel eram entendidas a partir de imagens esponsais. Isto por que, a palavra ‘aliança’, empregada no contexto do pacto entre Javé e Israel, era também usada para designar o matrimônio do homem com a mulher. Por isso, quando Israel caía na idolatria, correndo atrás de divindades estrangeiras, os profetas classificavam esta atitude como prostituição e adultério. Era a forma mais acintosa de romper a aliança com seu Deus. Quando Jesus denunciou as lideranças religiosas como ‘geração má e adúltera’, queria dizer que tinham se afastado do Deus verdadeiro para entregar-se às falsas imagens de Deus. No caso dos mestres da Lei e dos fariseus, seu pecado consista em se fecharem para Jesus – o enviado de Deus –, resistindo a acolher sua palavra, até chegar à perseguição aberta. Recusando a atender o pedido das lideranças religiosas, Jesus nega-se a entrar no jogo delas. Já lhes tinham sido dados sinais suficientes. Quando estiverem dispostos a abrir-se para a verdade, serão capazes de compreendê-los. – Pai, dá-me simplicidade de coração para reconhecer que Jesus é teu Filho, enviado ao mundo para nos salvar. E que jamais eu exija sinais além dos que já realizou” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

16º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Sb 12,13.16-19; Sl 85[86]; Rm 8,26-27; Mt 13,24-43) *

1. Se fala muito, em nossa sociedade insatisfeita de todas as conquistas técnicas e de seu consumismo, de um retorno ao sagrado, de um novo desejo de contato com o absoluto, particularmente entre os jovens. A oração é o sinal revelador desta busca.

2. Gostaria de conduzir a nossa reflexão a partir da 2ª leitura de nossa celebração que nos permite abordar melhor esse tema. Se pudéssemos descobrir que coisas diz o Espírito em seus “gemidos inexprimíveis”, descobríamos o segredo da oração. Talvez dessa expressão paulina possamos recolher alguma luz.

3. O Espírito que reza em nós, secretamente e sem barulho de palavras, é o mesmo Espírito que nos traz luz ao debruçarmo-nos sobre as Escrituras, pois foi Ele mesmo que a inspirou, tanto quanto as orações que nela encontramos. Elas são para nós expressões desses gemidos “inexprimíveis” do Espírito.

4. Partindo desse princípio, um cristão, para aprender a rezar, deve buscar a escola da oração bíblica. Certamente não poderíamos aqui voltarmo-nos sobre todas as orações que encontramos nela, como a oração de Abraão, de Moisés, dos profetas, os salmos...

5. Vamos direto a oração mais importante de todas que é a oração de Jesus. Se descobrirmos como o Espírito rezava em Jesus, descobriremos como reza em nós, ou menos, como quer que nós rezemos. O Espírito Santo continua em nós a oração de Jesus, que atravessa séculos, através dos cristãos.

6. Sabemos que toda a oração de Jesus iniciava com um grito filial: Pai! Essa é a fonte da Sua oração, um grito de brotava dos seus lábios num ato de alegria, agradecimento ou em meio ao sofrimento. Quando o Espírito vem a nós, não faz outra coisa senão continuar esse grito filial: “Deus enviou ao nosso coração o Espírito do seu Filho que grita: Abbà, Pai!” (Rm 8,17).

7. A oração cristã é um grito ou diálogo do filho com o próprio pai: livre, confiante, sem complexos. Nada de ‘humilhante’, como dizia Nietzsche. O Espírito infunde no fiel um sentimento de ser um filho amado por Deus. Algo que às vezes, se revela de modo imprevisto. Deus é grande, onipotente e ao mesmo tempo um pai, meu pai.

8. Esse sentimento, ainda que forte, não dura muito. Logo chega o tempo de dizermos “Pai nosso”, sem sentirmos nada de particular, e até mesmo nos vem uma impressão de gritarmos ao nada. Quando isso nos ocorre, precisamos lembrar que não rezamos sozinhos, o Espírito reza em nós e por nós.

9. “Aquele que penetra o íntimo dos corações, sabe qual é a intenção do Espírito”. Pode ser que não nos sintamos satisfeitos ou preenchidos, mas Deus, que nos escuta, sabe da nossa busca, fidelidade e abandono. Beethoven chegou a compor a IX Sinfonia sem nada escutar ou sentir. Sua obra prima. Por vezes a aridez faz isso com a nossa oração.

10. Paulo nos lembra que a oração é graça, ela está dentro de nós. Não recebemos somente o mandamento da oração, mas o próprio dom do Espírito, um filão secreto que devemos constantemente redescobrir. A fonte está em nós. Precisamos limpar no coração o barulho, a dispersão, o ativismo frenético. Isso requer tempo, trabalho, busca, persistência.

11. Ainda que muitas vezes soframos com as tentações constantes e não possamos viver toda a exigência moral que nos pede o Evangelho, de evitar o pecado, mas isso não nos impede de rezar, de pedir aquilo que por nós mesmos não podemos.

12. A oração é o respiro da alma. Como alguém que está preste a desmaiar se pede o esforço de respirar de modo profundo, pausado. Assim rezamos, em meio as tentações ou mesmo prestes a deixar-se vencer pela dificuldade e pelo cansaço, rezamos, fazemos respiros profundos de oração.

13. Muitos já experimentaram o quanto um momento dedicado a oração no seu dia faz a diferença e aprenderam a defender tal momento de tantas outras obrigações diárias que sempre parecem mais urgentes. E se por acaso não soubermos o que dizer ou rezar, pede ao Espírito que venha em nosso socorro. Ou melhor, que Ele reze em nós com seus “gemidos inexprimíveis”.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 18 de julho de 2026

(Mq 2,1-5; Sl 9B[10]; Mt 12,14-21) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Cobiçam campos e tomam-nos com violência, cobiçam casas e roubam-nas.

Oprimem o dono e a sua casa, o proprietário e seus bens” Mq 2,2.

“As palavras do profeta constituem a primeira parte de um díptico dirigido aos poderosos, que exercem com arbítrio e violência o seu poder (cf. Mq 2,6-11). O discurso, cujo texto hebraico nem sempre é claro, compõe-se de três unidades: a denúncia verdadeira e própria do pecado, introduzida num modo já conhecido ‘Ai!’ (v. 1-2); o anúncio do castigo anunciado pelo Senhor 9v. 3); e as suas consequências, apresentadas sob a forma de provérbio e de lamentação (vv. 4,5). [Compreender a Palavra:] O quadro inicial, que descreve a atuação dos poderosos, é extraordinariamente eficaz na sua brevidade. Miquéias não apresenta somente uma acusação de arbítrio e de prepotência, mas revela, com perspicácia, a perversão que se apodera daqueles que se tornam escravos do poder que exercem. A ânsia de possuir e de manifestar o poder não lhes dá tréguas, mas também de noite eles meditam o mal, todo o seu tempo é dominado por um sentimento que transtorna todas as relações e conduz à injustiça. A denúncia é, no entanto, introduzida pelo ‘Ai!’, uma expressão que denuncia quer a ameaça, quer a lamentação sobre quem faz o mal, para que o possa reconhecer antes que seja tarde. O próprio mal, de fato, voltar-se-á contra os violentos: todos os que meditam sobre a iniquidade dia e noite, iludem-se pensando que ficarão sem castigo. Também o Senhor medita, e o Seu projeto de castigo comportará para os violentos a perda de tudo aquilo que têm e a experiência amarga e dramática de ver que lhe tiram aquilo que desde sempre possuíram” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Sexta, 17 de julho de 2026

(Is 38,1-6.21-22.7-8; Sl Is 38; Mt 12,1-8) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Ora, eu vos digo, aqui está quem é maior que o templo” Mt 12,6.

“Para um judeu da época de Jesus Cristo nada existia no mundo que fosse maior e mais importante que o templo de Jerusalém. Para os judeus, o templo era o símbolo do conjunto das tradições e prescrições de ordem religiosa e patriótica; em certo sentido, era a própria nação. Vem Jesus e diz que o templo, com tudo o que ele significava, não era tudo, nem sequer o melhor. Existe algo maior e melhor que o próprio templo, que a observância exterior e estrita dos preceitos levíticos e rituais. Indubitavelmente, devemos saber interpretar acertadamente as palavras do Senhor como procuraremos fazer a seguir. Mas também é certo que o ensinamento básico de Jesus é que o espírito é melhor que a letra, que o amor com o qual se cumpre a lei é superior à própria lei, que não é a lei que santifica por si, mas a vida que colocamos na lei” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite 

 

Quinta, 16 de julho de 2026

(Zc 2,14-17; Sl Lc 1; Mt 12,46-50) N. Sra. do Carmo

“A minha alma engrandece ao Senhor, e alegrou o meu espírito em Deus, meu salvador” Lc 1,46-47.

“Os primeiros eremitas do Carmelo que em meio às suas celas construíram um oratório dedicado a Santa Maria, honravam a Mãe de Deus como modelo perfeito de sua vida contemplativo-apostólica. Desde então, foi a bem-aventurada Virgem do Monte Carmelo considerada modelo e sinal luminoso de íntima comunhão com Deus, de penetração amorosa dos mistérios divinos: o que está em plena sintonia com o Evangelho que tantas vezes a apresenta em oração. Na anunciação do Anjo, na visita a Isabel, no nascimento de Jesus, no templo quando oferece o Filho, e quando o encontra entre os doutores da lei, nas bodas de Caná como aos pés da cruz e no cenáculo, aparece Maria sempre em oração. Está à escuta da palavra de Deus ou canta seus louvores, medita, ‘guardando-as em seu coração’ (Lc 2,19), todas as coisas que via e ouvia de Jesus; ou lhe acena com dedicada discrição as necessidades do próximo, ou ainda invoca sobre a Igreja nascente o Espírito Santo. Representa ao vivo, sua atitude orante, o ideal do Carmelo que, seguindo seu exemplo, põe a oração no centro da própria vida como meio essencialmente de união com Deus e de apostolado fecundo. Por este motivo está o Carmelo totalmente repleto de Maria e voltado constantemente para ela como Mãe, modelo, guia da vida de oração. Mas o aspecto da oração de Nossa Senhora particularmente considerado e amado pelo Carmelo é o que assumiu aos pés da cruz, quando Jesus agonizante a proclama mãe dos homens, dizendo a João, e nele a todos os homens: ‘Eis tua mãe’ (Jo 19,27). Naquele momento atinge a oração de Maria o vértice da oferta sacrificial. Oferece ao Pai o amadíssimo Filho pela salvação dos novos filhos confiados ao seu amor materno. À oferta do Filho, une a sua intimamente associada à paixão. Revivermos a oração de Maria significa acompanhar a nossa pessoa unida à da Mãe bendita e do divino Filho. Eis a oração que, como a de Maria, atrai o Espírito Santo sobre a Igreja, obtém graça e salvação para toda a humanidade e glória a Deus” (Gabriel de Sta. Maria Madalena, OCD – Intimidade Divina – Loyola)

 Pe. João Bosco Vieira Leite 

Quarta, 15 de julho de 2026

(Is 10,5-7.13-16; Sl 93[94]; Mt 11,25-27) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai,

senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” Mt 11,27.

“Esta breve afirmação de São Mateus é considerada sua mais valiosa assertiva; é uma confissão clara e determinante da divindade do Filho; trata-se aqui de um conhecimento ontológico: o Pai conhece o Filho e o Filho conhece o Pai ontologicamente; ambos, portanto, são iguais quanto à natureza, na plenitude da divindade. Mas Deus não quis que as relações divinas da Trindade ficassem de todo ocultas à criatura; na medida em que essa criatura está capacitada para recebe-lo, Deus quis fazê-la partícipe de segredos divinos; e é o Filho o encarregado de fazer-nos essa revelação do Pai e do Espírito. Todavia não confundamos: não é um simples conhecimento da existência do Pai e do Espírito, mas um conhecimento de como é o Pai, de sua natureza divina, de como é para nós, de como está disposto a tratar-nos, se nós o aceitamos em seu Espírito. Tudo isto no-lo ensina somente o Filho, somente ele no-lo pode revelar, pois somente ele o conhece em plenitude e em profundidade, somente ele o conhece como Verbo e como Filho; isto é (segundo o nosso modo grosseiro de explicar-nos), conceitualmente e experimentalmente. E o Filho de fato no-lo revelou; deu-nos a conhecer o Pai, disse-nos como é bom o nosso Pai celestial, como ama seus filhos e se preocupa com eles, como os santifica por seu Espírito e os eleva por sua graça. E nós fomos os felizes afortunados, que recebemos esse conhecimento, essa revelação. Graças, Senhor, por tua bondade; porém, faz-me tremer a responsabilidade que essa predileção comporta. Quando o Senhor concede um dom, pedirá contas do mesmo. Como poderia eu responder ao Senhor, neste momento, sobre tudo quanto me tem concedido?” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Terça, 14 de julho de 2026

(Is 7,1-19; Sl 47[48]; Mt 11,20-24) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres que se realizaram no meio de vós tivessem sido feitos em Tiro e Sidônia, há muito tempo elas teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinzas”

Mt 11,21.

“A indignação de Jesus contra Corozaim, Betsaida e Cafarnaum evoca a revolta dos antigos profetas, decepcionados com a dureza de coração de seus contemporâneos. ‘Ai de ti...’ é uma expressão fortíssima. No imaginário bíblico, ela remete às lamentações, obrigatórias por ocasião dos funerais, quando se pranteava a morte de alguém. Por conseguinte, no horizonte das invectivas de Jesus estão o castigo, a morte e a condenação. Qual o motivo da dureza de Jesus? É que percebia, na atitude dos habitantes das cidades impenitentes, sinais palpáveis de má vontade em relação aos milagres que ele realizava, e, por extensão, às suas palavras. A maior parte de seus milagres tinha sido realizada nas cidades situadas às margens do lago da Galileia. Não eram poucas as pessoas que davam testemunho a seu respeito, e espalhavam por todo canto a sua fama. Mesmo de longe vinha gente para ser curada por ele. E todos eram devidamente acolhidos e atendidos. Ninguém voltava para casa sem ter sido beneficiado. Todas as doenças e enfermidades eram curadas, os espíritos impuros expulsos, os pecados perdoados e a dignidade humana restaurada. Não reconhecer na ação dele a presença do Reino, e até, preparar-lhe armadilhas para terem com que acusá-lo, só podia ser motivo de severa censura. Foi isto que Jesus fez, quando lançou invectivas contra essas cidades impenitentes. Um detalhe: sua verdadeira intenção era movê-las à penitência. – Pai, que eu seja movido à conversão e à penitência pelo testemunho de Jesus, o qual me atrai para ti (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite 

Segunda, 13 de julho de 2026

(Is 1,10-17; Sl 49[50]; Mt 10,34—11,1) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente e deixai de fazer o mal!” Is 1,16.

“Com o convite a escutar a Palavra do Senhor, dirigido aos chefes e ao povo, abre-se a segunda parte do ‘rib’ profético (litígio judiciário), que ocupa todo o primeiro capítulo de Isaias. Nos versículos 11-15 domina o vocabulário cultural, com a lista de uma série de atos realizados pelos israelitas (sacrifícios, vir e trazer ofertas, solenidades...), ao passo que os versículos finais estão centrados no imperativo moral exigido por Deus (purificai-vos, deixai de fazer o mal...) que, opondo-se à iniciativa do povo, anuncia a verdadeira justiça. [Compreender a Palavra:] O apelo à escuta, endereçado aos destinatários da acusação, tem a finalidade de promover uma resposta sua, a fim de que o ‘rib’ possa chegar à reconciliação pela qual começou. As palavras dirigem-se ‘aos chefes de Sodoma e ao povo de Gomorra’, cujas cidades são julgadas pecadoras por excelência por terem pecado contra a regra sagrada da hospitalidade, e sublinham que o caminho da salvação, que se concretiza no perdão concedido pelo Senhor, passa através do reconhecimento da própria condição de serem pecadores e necessitados de acolhimento. Tudo o que o profeta proclama é Palavra do Senhor, é a voz que devem obedecer o povo e os seus chefes: a estes, em particular, compete restabelecer a justiça. Isaías anuncia uma instrução acerca do mal e do bem (‘Deixai de praticar o mal e aprendei a fazer o bem’: vv. 16-17): existe um mal que se deve rejeitar, porque os sacrifícios estão associados à injustiça e tornaram-se perversos, e há um bem a promover, uma mudança de conduta que se explicita em ações concretas de justiça (para com os que com elas têm direito), as quais tornam agradável o justo sacrifício oferecido a Deus” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite 

15º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 55,10-11; Sl 64[65]; Rm 8,18-23; Mt 13,1-23)

1. Sabemos que a palavra de Deus colhida na Sagrada Escritura é, de um lado viva e operante, mas do outro corre o risco de permanecer estéril se aquele que escuta não a acolhe de alma aberta e com a firme vontade de observá-la. Isso por si só já resumiria o longo texto que nos é proposto.

2. A parábola do semeador se nos apresenta como um suplemento para que tomemos consciência deste princípio e que você se decida, se for preciso, pela sua plena atuação.

3. Com efeito, a parábola nos recorda, através da imagem do semeador, que o confronto com a palavra de Deus, lançada na alma de quem crê, pode assumir quatro atitudes ou comportamentos:

4. Tem a atitude de quem a recebe de maneira puramente passiva, sem nenhum interesse e, por isto, logo a esquece (semente caída à beira do caminho).

5. Tem a atitude de quem, mesmo a recebendo com alegria e com interesse, ao chegar a primeira dificuldade a deixa e vai em busca de outros apoios (semente caída em terreno pedregoso).

6. Tem a atitude de quem, depois de tê-la recebido com alegria e interesse, consegue observá-la por um certo tempo, mas logo, cansado de uma longa resistência e fascinado pelos bens deste mundo, a deixa sufocar (semente caída entre os espinhos).

7. Enfim, tem a atitude de quem, depois de tê-la recebido, a vive de maneira plena, sem nostalgias, sem hesitações e sem criar paraísos artificiais (semente caída em terra boa).

8. Que tipo de escutador da palavra de Deus é você não cabe a mim individuá-lo. Nem pretendo, nem tenho autoridade para entrar na alma, no cérebro ou coração de vocês. A responsabilidade da resposta diz respeito a cada um. E desejo que, no responder, seja sincero, honesto e desinteressado.

9. Recomendo percorrer o vocabulário sobre a natureza e escuta da Palavra de Deus que nos oferece o salmo 119, por vezes tratada pelo termo “Lei”. Referindo-se a sua natureza, diz que ela é para o ser humano palavra de amor, vida, esperança, luz, sabedoria, guia, conforto, alimento, libertação.

10. No que diz respeito ao modo de escutá-la, o salmista exorta a deseja-la, estima-la, acolhê-la, segurá-la firme, ama-la, recordá-la, fixa-la no coração, meditá-la, observá-la, ir atrás dela e testemunhá-la. Como podemos ver, há muito o que fazer com um texto assim extremamente comprometedor e fechado a qualquer forma de hesitação.

11. Só assim podemos ser classificados entre os que escutam a Palavra de Deus, que na ótica da parábola do semeador, mostra ser um terreno bom e fecundo.

12. Esta é a única via a seguir para que o Senhor não repita, ainda que a nível muito mais alto e espiritual, o lamento que uma jovem da Idade Média dirigia ao seu amado: “Eu o amo mais que tudo no mundo, mas, para ele, não vale nem piedade, nem cortesia, nem afeto. Assim, eu me encontro desiludida e traída”.

13. A você não importa que Deus, por não ser escutado como se deve, fique mais uma vez desiludido e traído em seu amor?

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Sábado, 11 de julho de 2026

(Is 6,1-8; Sl 92[93]; Mt 10,24-33) 14º Semana do Tempo Comum.

“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” Mt 10,28a.

“O evangelista Mateus reúne aqui, estruturadas na base da palavra-chave ‘Não temais’, repetidas quatro vezes, frases respeitantes a um contexto de perseguição. Como na vida apostólica, também no seu êxito a sorte dos discípulos está conformada à do Mestre: a coerência da fé pode pedir a renúncia a si mesmo. No entanto, o horizonte derradeiro não está limitado à vida do corpo: há algo que não pode ser tirado pela violência, nem pela morte e, sobretudo, pode-se contar com um amor que abraça todo o mundo. [Compreender a Palavra:] Não se trata apenas de imitação, mas de plena partilha, na comunhão, da vida de Jesus Mestre e Senhor. Se o dono da casa foi identificado com Belzebu, ‘Senhor das moscas’ (segundo uma possível interpretação), deturpação de ‘Baal-zebúb’ (‘dono da casa’), os seus servos e familiares não poderão esperar melhor. A pregação de Jesus fora marcada pela prudência, reservando ao círculo restrito dos discípulos, pelo contrário, deverão falar em público e com franqueza, chegando, se necessário, a sacrificar a vida física com a confiança de que a vida eterna será preservada graças aos cuidados amorosos de Deus. A fidelidade ao Evangelho e a coragem do testemunho serão a medida do juízo: quem tiver reconhecido Jesus diante dos homens será reconhecido por Ele diante do Pai. Note-se como Jesus distingue dos discípulos falando de Si mesmo em relação a um ‘Pai’, a que chama ‘meu’, deixando entrever que tem com Ele uma relação absolutamente singular” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 10 de julho de 2026

(Os 14,2-10; Sl 50[51]; Mt 10,16-23) 14ª Semana do Tempo Comum.

“A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘deuses nossos’

a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia”. Os, 14,4.

“A conclusão do Livro de Oseias está representada por uma espécie de liturgia penitencial, na qual se desenrola um diálogo entre Deus e Israel: o convite divino à conversão; a resposta com a qual Israel rejeita os ídolos e se entrega à misericórdia do Senhor; a restituição da paz e da serenidade ao povo reconciliado com Deus. A frase final (v. 10), acrescento de um redator a encerrar todo o livro, é uma meditação sapiencial acerca da importância do ensinamento moral nela contido. [Compreender a Palavra:] Ressoa no texto mais uma vez o apelo divino: ‘Israel, converte-te ao Senhor teu Deus’ (cf. v. 2). O verbo ‘sub’, ‘regressar’, indica quer a mudança de rota, o regresso físico, quer a conversão moral, que é um verdadeiro e próprio regresso ao Senhor. Note-se o adjetivo possessivo ‘teu’: não se trata de uma conversão acadêmica, mas de um regresso a uma pessoa que chama e espera. A expressão do arrependimento de Israel comporta, por isso, por um lado, a renúncia ao deus Assur, a adoração dos ídolos, o uso de instrumentos de guerra (os cavalos); e por outro, a opção de oferecer sacrifícios espirituais ao Deus verdadeiro, que é misericórdia (cf. v.4). O perdão e o amor fazem o milagre: Israel é restituído à salvação e o profeta abunda em imagens naturais para exprimir a nova exuberância: o lírio; a oliveira; o trigo; a videira. JHWH é o orvalho vivificante para quem confia n’Ele, é como um cipreste sempre verde, cujo vigor nunca murchará” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 9 de julho de 2026

(Os 11,1-4.8-9; Sl 79[80]; Mt 10,7-15) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Se alguém não vos receber nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade

e sacudi a poeira dos vossos pés” Mt 10,14.

“Com maneiras tipicamente orientais, o Senhor fala com seus discípulos sobre a conduta que devem observar no exercício de seu apostolado. O evangelista São Lucas é bem mais explícito e dá maiores detalhes. A saudação oriental consiste em desejar a paz. São Mateus escreve: ‘Entrando em uma casa, saudai-a: Paz a esta casa’ (v. 12). No conceito semita, a paz é uma palavra que expressa todo tipo de bens espirituais e temporais. Em nível do evangelho não basta desejar a paz, os bens tanto espirituais quanto temporais; é preciso também procurá-la, colocando como nossa contribuição tudo o que for necessário para a construção da paz e a consecução desses bens para nosso próximo. A paz é o que o apóstolo vem trazer. Jesus veio trazer a paz, conforme cantaram os anjos na gruta de Belém: ‘Paz aos homens’. Quando, depois de ressuscitado, aparecia aos apóstolos, a saudação que costumava dar-lhes era: ‘A paz esteja convosco’, que atualmente a liturgia acolheu para que os filhos do Pai saúdem-se mutuamente. Sem dúvida alguma, aquele que não traz a paz, não pode ser considerado apóstolo de Cristo; aquele que não prega a paz, aquele que não constrói a paz, aquele que não oferece a paz é inútil que se diga e se apresente como apóstolo de Cristo; é, portanto, lobo voraz disfarçado em pele de ovelha. ‘Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores’ (Mateus 7,15)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 08 de julho de 2026

(Os 10,1-3.7-8.12; Sl 104[105]; Mt 10,1-7) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’” Mt 10,7.

“Jesus escolheu os doze apóstolos ou enviados; o nome do apóstolo era usual entre os rabinos; assim, o sumo sacerdote comunicava-se com as diferentes comunidades judaicas por meio dos enviados ou apóstolos que, ocasionalmente, eram simples portadores das cartas e de vez em quando iam munidos de poderes especiais, delgados do sumo sacerdote. Nós cumprimos ambas as funções: somos portadores da carta de Jesus Cristo para a humanidade, que é o evangelho, e somos participantes dos poderes de Jesus que nos confere nossa inserção na sua tríplice missão sacerdotal, profética e régia. Antes de mais nada, o apóstolo é um homem cheio e transbordante daquele do qual é enviado. Mas posso considerar-me apóstolo de Cristo, se não o levo no mais profundo da alma e não me anime constantemente o desejo vívido de fazê-lo conhecido e amado por todos os que comigo convivem. O que não arde não incendeia. O apostolado é o transbordamento da vida interior. Diz o Senhor que o Reino dos céus está próximo, não tanto no tempo, quanto na vivência de cada um de nossos atos, vividos sob sua influência e em sua perspectiva. Somos nós que devemos fazê-lo próximo e presente, dando à nossa vida sentido escatológico. Não vivemos para este mundo, por mais que estejamos neste mundo: ‘Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi’ (João 15,19): ‘eles não são do mundo, como também não sou do mundo’ (João 17,16). Se, pois, não somos do mundo, não podemos viver para o mundo, mas para o futuro do Reino de Deus” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 07 de julho de 2026

(Os 8,4-7.11-13; Sl 113B[115]; Mt 9,32-38) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas

como ovelhas que não têm pastor” Mt 9,36

“Em suas andanças, Jesus esteve sempre muito atento às pessoas e às suas necessidades. O sofrimento da humanidade mantinha-o em contínuo alerta. Sua reação natural era a de ir ao encontro dos sofredores, revelando a solidariedade de Deus para com eles. Quando as multidões exclamavam estupefatas – ‘Nunca se viu coisa semelhante em Israel’ –, estavam reagindo diante do testemunho de misericórdia de Jesus. E esse testemunho era algo, até então, desconhecido. Mas também quando os fariseus acusavam-no de ‘expulsar os demônios pelo poder do príncipe dos demônios’, mostravam-se incapazes de compreender como alguém podia ser tão misericordioso e cheio de compaixão. Por não conseguirem discernir o dedo de Deus na ação de Jesus, optavam por acusa-lo de conluio com Satanás. A preocupação com as multidões casadas e abatidas levava o Mestre a desejar que o Pai enviasse muitas outras pessoas para cuidar delas. Como ele, os operários da messe deveriam caracterizar-se pela capacidade de compadecer-se do sofrimento alheio, sendo, efetivamente, solidários com os sofredores. Era necessário que muitas outras pessoas se interessassem pelo rebanho. Portanto, muitos deveriam compartilhar a missão de Jesus.  – Pai, faze-me compassivo diante do sofrimento de tantos irmãos e irmãs, movendo-me a ser, efetivamente, solidário com eles (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 06 de julho de 2026

(Os 2,16-18.21-22; Sl 144[145; Mt 9,18-26) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Eu te desposarei para sempre; eu te desposarei conforme as sanções da justiça

conforme as práticas da misericórdia”. Os 2,21.

“A primeira parte do Livro de Oseias (caps. 1-3) baseia-se na experiência familiar do profeta. Um dos textos mais comovedores da Escritura é este oráculo em que a voz de Deus ressoa no coração da esposa infiel para a seduzir de novo, fazer-lhe reencontrar a frescura do primeiro amor e enchê-la de bens. No texto está condensada toda a força do amor esponsal de Deus que, ferido pela traição do seu Povo, todavia não desiste, até que não tenha reconquistado a Amada. [Compreender a Palavra:] Oseias recebe de Deus ordem para amar tenazmente a esposa infiel. Neste episódio, JHWH revela o Seu coração de enamorado, tão inflamado de paixão a ponto de ir contra a Lei que prescrevia a morte de adúltera. Este Deus enamorado do homem utiliza os tons da sedução para reconduzir Israel aos tempos do primeiro amor, da libertação do Egito, e sobretudo, da caminhada no deserto, onde o povo estava sozinho com seu Deus e nada se intrometia para o distrair do colóquio do amor. Os frutos prometidos da sedução divina são novos esponsais (cf. v. 18), em que o esposo será visto como amante (‘Chamar-me-ás ‘meu marido’, isto é ‘meu homem’) e não já Dono (‘meu Baal’). O nome ‘Baal’ era também o título do deus cananeu que, rivalizando com o Senhor em amor, subjugava com ele os seus devotos. O enxoval da noiva serão ‘justiça, direito, amor e misericórdia’ (vv. 21-22), tanto que a realidade do amor reencontrado será uma nova criação expressão pelo verbo hebraico ‘eras (cf. v. 21: o verbo, segundo São Jerônimo, indica as primeiras núpcias, as núpcias de uma virgem), e será um encontro apaixonado com Deus (é o que significa o verbo ‘yada’, ‘conhecer’)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

14º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Zc 9,9-10; Sl 144[145]; Rm 8,9.11-13; Mt 11,25-30)*

1. Ao final do Evangelho de hoje Jesus nos convida a imitar a sua humildade. Olhando, de um modo geral os evangelhos, no que entendemos por humildade, Jesus não se encaixa de modo exato. Ele estava bastante convencido de não ter pecado. Se proclama Mestre e Senhor. Se disse maior que Abraão, que Moisés, Jonas, Salomão. De que humildade Ele está falando?

2. Esse seu convite nos leva a ver que a humildade não consiste necessariamente em ser pequeno e pobre, porque alguém pode ser insignificante e arrogante ao mesmo tempo. Não consiste em sentir-se pequeno e sem valor, porque tal sensação pode ser resultado de um complexo de inferioridade ou baixa estima que leva a depressão e a autoagressão e não a humildade.

3. Não consiste também em declarar-se pequeno, porque muitos se declaram de não valer nada, sem acreditar verdadeiramente no que dizem, ou mesmo porque esse modo de falar faz parte da própria cultura.    

4. A humildade consiste no fazer-se pequeno por amor, para elevar o outro. É essa a humildade de Jesus. Enquanto Deus, se despojou de tudo, assumindo a nossa humanidade para nos salvar. Nesse sentido ele tem toda razão de dizer: “Aprendei de mim, que sou humilde”.

5. Humilde mesmo, só Deus, porque na posição em que se encontra, não pode elevar-se acima de si, porque não há nada acima d’Ele. Só pode descer, abaixar-se. E é o que faz todo o tempo: criando o mundo, se abaixa; inspirando a Bíblia, faz como um pai que se adapta ao balbuciar para ensinar a criança a falar. A história da salvação é uma história de descida e da humilhação de Deus.

6. Essa ideia fascinava Francisco de Assis, que convidava constantemente seus irmãos a “olhar a humildade de Deus”. No seu “Canto das Criaturas” faz da água o símbolo da humildade. Ela é humilde porque entregue a si mesma, sempre desce, até atingir o ponto mais baixo possível. Ela sempre escolhe o último lugar, ao contrário do vapor, que sempre se eleva (orgulho).

7. Há quem acuse o Evangelho de Jesus de ter introduzido no mundo a “doença” da humildade, opondo a essa o ideal da “vontade de poder” (Nietzsche). Mas já assistimos bastante os frutos desta inversão. A humildade não só não deprime o ser humano, mas o torna autêntico, verdadeiro.

8. A humildade é a verdade. É interessante perceber que a palavra homem e humildade derivam de “humus”, solo. O humilde é aquele que tem os pés na terra, é radicado no solo, que não se deixa levar pelas opiniões e pelas modas, que não exalta a si mesmo. Diz como Paulo: “Que coisa tenho que não tenha recebido? E se a recebi porque me comporto como se não fosse assim?”.

9. Devemos reconhecer que a humildade não nos é natural. Nos agrada, mas nos outros, não em nós mesmos. A quem diga que 75% do espírito humano é constituído de orgulho e vaidade. Até mesmo a psicologia reconhece o valor terapêutico da humildade.

10. O Evangelho não é contra querer ser grande ou o primeiro. O que ressalta o evangelho é a via para realizar esta aspiração legítima. Essa não consiste no elevar-se sobre os outros, reduzindo-os a escravos ou admiradores, mas no elevar os outros, servindo-os, ajudando-os a crescer. Como faz um pai com seus filhos, para que se tornem até maiores que ele mesmo.

11. Aqui não há vencedores, e um bando de vencidos, mas um caminho que eleva a todos. A competitividade selvagem é substituída pela solidariedade. É a via mais digna do ponto de vista humano. Humildade não significa colocar-se sob os pés de outro ou mesmo não reagir às injustiças. O verdadeiro humilde sabe também lutar pela verdade, porque é livre em si mesmo.

12. Assim Jesus se alegra em nosso Evangelho por que Deus revela tais coisas aos pequeninos, que aqui não é o contrário de ‘inteligentes’, mas o contrário de ‘soberbos’. O Evangelho não condena a sabedoria, mas o orgulho. Também agimos assim: a quem gostamos de contar os nossos segredos? A pessoas humildes, discretas, capazes de escutar e calar.

13. Se a humildade é assim bela, devemos esforçar-nos para sermos um pouco mais humildes. Um meio que nos faz crescer na humildade e saber aceitar qualquer observação que nos faça o outro, sem de imediato deprimir-nos ou contra-atacar sem antes termos considerado se a observação era justa ou não. Ninguém se torna humilde sem aceitar alguma humilhação...

14. Precisamos aprender a ser o primeiro a estender a mão, ou acenar um sorriso depois de uma briga entre marido e mulher, um pedido de desculpa entre colegas de trabalho, ou mesmo entre adversários políticos, tudo isto torna serena a atmosfera, desmonta os ressentimentos, torna tudo mais simples. O verdadeiro vencedor é quem se antecipa num ato de humildade...

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 04 de julho de 2026

(Am 9,11-15; Sl 84[85]; Mt 9,14-17) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Também não se coloca vinho novo em odres velhos, senão os odres se perdem.

Mas vinho novo se coloca em odres novos, e assim os dois se conservam” Mt 9,17.

“O evangelho fala-nos várias vezes do homem novo e do homem velho. A doutrina do evangelho é uma doutrina nova, um espírito novo; se formos odres velhos, gastos, sem força, não poderemos captar a novidade do Espírito do Senhor. Por isso, a Igreja nos convida, várias vezes também, a pedir que o Espírito Santo renove a face da terra, renove nosso espírito, renove nossa mente e nosso coração. Não nos esqueçamos de que na linguagem bíblica veterotestamentária, a palavra ‘coração’ expressa os pensamentos do homem e é esse o sentido do tão repetido pedido dos salmos: - Purifica, Senhor, meu coração, isto é, purifica meus pensamentos, meu modo de pensar, meus critérios, minha visão de mundo. A vida de Deus é uma vida nova, que o cristão recebe para fazer dele um homem novo; e com o homem novo poderemos construir novos céus e a nova terra, que serão o sacramento, o sinal e o instrumento do futuro Reino de Deus” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Sexta, 03 de julho 2026

(Ef 2,19-22; Sl 116[117]; Jo 20,24-29) São Tomé, apóstolo.

“Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!” Jo 20,28.

“Quando Tomé viu e ouviu Jesus, exprimiu em poucas palavras o que senti no seu coração: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ exclama comovido até o mais fundo do seu ser. É um ato simultâneo de fé, de entrega e de amor. Confessa abertamente que Jesus é Deus e reconhece-o como seu Senhor. Jesus respondeu-lhe: ‘Tu creste, Tomé, porque me viste; bem-aventurados os que não viram e creram’. E comenta João Paulo II: ‘Esta é a fé que nós devemos renovar, na esteira de incontestáveis gerações cristãs que ao longo de dois mil anos confessaram a Cristo, Senhor invisível, chegando até o martírio. Devemos fazer nossas, como muitos outros fizeram suas, as palavras de Pedro na sua primeira Epístola: Este Jesus, vós não o vistes, mas o amais, vós também agora credes n’Ele sem o ver; e, crendo, exultais com uma alegria inefável (1Pd 1,8). Esta é a autêntica fé: entrega absoluta às coisas que não se vêm, mas são capazes de satisfazer e enobrecer toda uma vida’. A partir daquele momento, Tomé foi outro homem, graças em boa parte à caridade fraterna que os demais Apóstolos tiveram com Ele. A sua fidelidade ao Mestre, que pareça impossível naqueles dias de trevas, foi para sempre firme e incondicional. Essas suas palavras têm-no servido muitas vezes para fazer um ato de fé – Meu Senhor e meu Deus! – ao passarmos diante de um Sacrário ou no momento da Consagração na Santa Missa. A sua figura é hoje para nós um motivo de confiança no Senhor, que vela por nós constantemente, e um motivo de esperança em relação aos que temos mais perto de nós, se por vontade divina passam por momentos de desconcerto na sua fidelidade a Deus. Nessa situação, o nosso alento e a graça divina farão milagres. Pedimos hoje ao Senhor com a Liturgia: ‘Concedei-nos, Deus todo poderoso, celebrar com alegria a festa de São Tomé, para que sejamos sempre sustentados por sua proteção e tenhamos a vida pela fé no nome de Jesus Cristo, que o Apóstolo reconheceu como Senhor’. A Virgem, que estava naqueles dias tão perto dos Apóstolos, deve ter seguido atentamente a evolução da alma de Tomé. Talvez tenha sido Ela quem impediu que o Apóstolo se afastasse definitivamente. Nós confiamos-lhe hoje a nossa fidelidade ao Senhor e a daqueles que de alguma maneira Deus colocou sob os nossos cuidados. Virgem fiel..., rogai por eles..., rogai por mim!” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante)

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 02 de julho de 2026

(Am 7,10-17; Sl 18[19]; Mt 9,1-8) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham,

Jesus disse ao paralítico: ‘Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!’” Mt 9,2.

“A grandeza da fé do paralítico, estendido no leito, chamou a atenção de Jesus. O texto diz que o Mestre viu a fé daqueles homens. Só é possível ver a fé de alguém, quando manifestada nas suas ações. As providências tomadas pelo paralítico para estar na presença de Jesus devem ter sido formidáveis, pois chamou-lhes a atenção. Esta confiança ilimitada explica a iniciativa do Mestre: dedicar-lhe, imediatamente, perdoados os pecados e, assim, reconciliá-lo com Deus. Segundo se acreditava na época, as doenças eram consequência dos pecados. O perdão era, por conseguinte, o primeiro, o primeiro passo para a cura, por cortar o mal pela raiz. Só, então, teria sentido propiciar ao paralítico a cura física. A ação taumatúrgica de Jesus recriava o ser humano a partir do seu interior, atingindo os níveis mais profundos, ali onde se processa a comunhão entre a criatura e o Criador. A restauração dos laços rompidos entre ambos permitia ao ser humano refazer-se, até chegar aos níveis exteriores. A cura acontece de dentro para fora. Quando o exterior é curado, é porque o interior já deve ter sido totalmente refeito. A cura do paralítico foi possível por causa da sua confiança inabalável em Jesus. Esta é a fé que se exige de quem pretende ser curado por ele. Mas, a partir de dentro! – Pai, que minha fé ilimitada em teu Filho Jesus seja penhor de perdão e cura. Que o poder de Jesus me cure a partir do meu interior (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite