Sexta, 21 de agosto de 2026

(Ez 37,1-14; Sl 106[107]; Mt 22,34-40) 20ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma

e de todo o teu entendimento!’” Mt 22,37.

“O rabino quer pôr à prova o modo de pensar de Jesus e apresenta-lhe uma artimanha para comprometer o Mestre, isto é, a pergunta é hostil e faz-se para tentar o Mestre. O amor a Deus e o amor ao próximo são o resumo de toda a Lei e desses dois preceitos adquirem valor e significado os preceitos restantes. ‘Foi-te mandado amar com todo o coração, com toda alma, com toda a mente. O coração é o centro da vida animal e palpita. A alma é o primeiro princípio da vida e move todos os membros. A mente é a faculdade que avalia, pensando, por assim dizer, a essência e a propriedade das coisas. Tudo isso te foi dado para que possas correr para Deus e estar com ele’ (Santo Agostinho). Jesus Cristo nos exige amor total; não se contenta com parcialidade, exige a totalidade da entrega tanto a Deus, como ao próximo; quer que o amemos não de qualquer maneira, mas ‘com todo teu coração, com toda tua alma e com toda tua mente’” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 20 de agosto 2026

(Ez 36,23-28; Sl 50[51]; Mt 22,1-14) 20ª Semana do Tempo Comum.

“O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho” Mt 22,2.

“A parábola pode ser interpretada também como o caminho da encarnação de cada um individualmente. Essa interpretação individual, que poderíamos chamar também de interpretação à luz da psicologia profunda, que interpreta tudo no nível do sujeito como caminho do indivíduo para Deus, remonta a Orígenes. Ele coloca essa interpretação individual ao lado da eclesial. Ambas têm a sua razão de ser. Orígenes interpreta a parábola como a ‘união do Logos, o noivo, com a alma, a noiva, que se realiza pelo casamento espiritual’ (Luz III, 247). Pelo encontro com o Logos, a alma recebe a imortalidade. O verdadeiro encontro e a união com o Logos acontece na contemplação, ou seja, na visão de Deus pelo Espírito. Interpretando a parábola dessa maneira, ela adquire um significado atual aplicável a cada um de nós, descrevendo o caminho interior da autorrealização e da unificação com Deus. Todos nós somos convidados para a festa nupcial. A nossa vocação cristã não quer dizer apenas que devemos cumprir os mandamentos de Deus, mas que somos convidados a ser um com Deus em Jesus Cristo. O objetivo de nossa vida é a autorrealização pela qual fundimos com o nosso núcleo divino. Quantas vezes passamos pelo convite sem lhe dar a devida atenção! Primeiro, desprezamos o convite que se manifesta em impulsos sutis de nosso coração. Intuímos que a nossa verdadeira vocação consiste em deixarmo-nos cair em Deus para nos tornar um com ele. Mas a voz convidativa de Deus é tão baixinha que não chega a alcançar a nossa consciência. Ou, como lembra a segunda chamada, temos coisas mais importantes a fazer: aumentar o nosso patrimônio, correr atrás do sucesso, cuidar dos negócios do dia-a-dia. Às vezes, sufocamos simplesmente os nossos impulsos internos porque nos desagradam. Eles não nos deixam em paz. Então preferimos anestesia-los pelo acúmulo de atividades ou os calamos, matando-os. É o ego que assassina os servos do rei. O ego não gosta de ser incomodado em suas aspirações egoístas. Mas o rei envia os seus servos outra vez. Tudo o que há em nós é convidado. Os que andam pelas estradas são os pobres. O nosso lado pobre se abre mais facilmente para Deus do que o nosso lado bem-sucedido. Os servos têm ordens de percorrer todo o reino até onde terminam as estradas. Todos os setores de nossa alma, toda a nossa história, até mesmo as zonas periféricas de nosso inconsciente, tudo é convidado a se unir a Deus. Nada fica excluído, nem mesmo o mal. É uma mensagem consoladora. A única condição da parte de Deus é que demos a devida atenção ao convite, que ponhamos tudo o que há em nós em relação com ele. Para mim, a veste nupcial significa que respeito o rei que me convida, que trato com cuidado tudo o que está em mim, por mais pobre e roto que seja, a fim de pô-lo em relação com o casamento. Isso requer atenção e cuidado. Não preciso percebê-lo e revesti-lo com a roupa do amor. Preciso olhar com carinho para tudo o que há em mim e apresenta-lo a Deus. Aí então posso participar do banquete nupcial. Todo o meu ser pode unir-se a Deus. Mas, se eu tratar com desleixo o que sou e tenho, serei expulso da mesa; então, perderei o meu centro de gravidade e meu interior se cobrirá de trevas. Aquilo que não recebeu a devida atenção transforma-se em escuridão que me devora e me dilacera por dentro. É esse o sentido das palavras ‘choro e ranger de dentes’. Se eu não estiver disposto a encarar a minha própria verdade e a oferece-la a Deus, esta me destruirá. A minha vida se transformará em choro e lamentações. O mal em mim se tornará uma fonte de tristeza e de pranto, de desespero e de absurdeza” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).

  Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 19 de agosto de 2026

(Ez 34,1-11; Sl 22[23]; Mt 20,1-16) 20ª Semana do Tempo Comum.

“O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores

para a sua vinha” Mt 20,1.

“Houve Padres da Igreja que interpretassem essa parábola como uma imagem do curso de vida dos indivíduos. Algumas pessoas são cristãs desde o nascimento, outras se convertem logo na juventude, outros só na idade adulta ou provecta. Os Padres da Igreja admoestam, então, aos cristãos da primeira hora a não esmorecer em seu fervor, aos que receberam o batismo mais tarde, eles incutem ânimo e confiança. Cada um deve trilhar o seu próprio caminho e servir a Deus nesse seu caminho pessoal, sem comparar-se com os outros. Para todos, o prêmio será a moeda de prata. Essa moeda única não é só a diária habitual daquele tempo, ela é também o símbolo da unificação com Deus. Nada ultrapassa esse ato de tornar-se uno. É a meta da vida humana. O caminho para alcançar essa meta é mais longo para uns, mais curto para outros. Essa interpretação foi uma tentativa de inserir o sentido da parábola na respectiva época. E qual seria o seu sentido hoje? Vejo-me colocado diante da pergunta: como entendo a minha vida de cristão? É apenas um esforço, um trabalho fatigante, quando a verdadeira vida consiste em ficar parado sem fazer nada? Ou acredito que, pela união com Cristo, a minha vida ganha sentido e fica boa? O desafio que acompanha o trabalho pode ser uma fonte de paz interior para o ser humano, já que lhe dá a sensação de que sua vida tem sentido. Aquele que fica à toa na praça certamente não está feliz com essa situação. Ele se sente supérfluo. Sua vida lhe parece inútil. O ser humano se sente valorizado quando é chamado, convidado, aliciado. Quando me dedico ao trabalho que me é confiado, sem querer comparar-me com os outros, torno-me um comigo mesmo, com Deus e com os homens. Não preciso de mais nada para viver. Mas se eu desviar o olhar do meu trabalho para observar os outros e me comparar com eles, ficarei internamente dividido e descontente” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).

  Pe. João Bosco Vieira Leite