Segunda, 17 de agosto de 2026

(Ez 24,15-24; Sl Dt 32; Mt 19,16-22) 20ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Por que tu me perguntas sobre o que é bom? Um só é o bom.

Se tu queres entrar na vida eterna, observa os mandamentos’” Mt 19,17.

“A pergunta apresentada a Jesus pelo jovem reflete uma tendência do farisaísmo, a de praticar a virtude visando apenas obter a salvação. Esses fariseus eram calculistas, sempre preocupados em acumular méritos diante de Deus. Tendo feito tudo quanto estava a seu alcance, interessava ao jovem saber o que poderia ainda fazer de bom para alcançar a vida eterna. Na qualidade de Messias, talvez Jesus pudesse indicar-lhe obras que rendessem méritos de valor muito maior.  O Mestre, porém, tentou corrigir este modo de pensar. Não se alcança a vida eterna pela prática de coisas boas (‘O que devo fazer de bom’), submetendo-se a um código de regras precisas de comportamento, e sim pela relação com uma pessoa (‘Um só é Bom!’), entendendo-se, com isso, tanto Jesus quanto o Pai. O que é bom deve ser praticado por corresponder à vontade daquele que é Bom. Sem esta obediência, os atos de virtude ficam desprovidos de valor. O jovem é confrontado com a proposta de passar da prática mecânica dos mandamentos para um tipo de relação capaz de transformar-lhe a vida: desfazer-se de tudo e dar aos pobres o valor correspondente para, em seguida, tornar-se seguidor de Jesus. Se o jovem não fosse tão apegado a seus bens, teria tido a chance de experimentar a alegria de conhecer em profundidade, a vontade salvífica de Deus. – Pai, quero estar sempre em comunhão contigo, pois só tu és Bom. Que eu possa, assim, conhecer a tua vontade e colocá-lo em prática, pois este é o caminho da salvação” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria

(Ap 11,19; 12,1.3-6.10; Sl 44[45]; 1Cor 15,20-27; Lc 1,39-56) *  

1. A solenidade da Assunção nos presenteia no evangelho com o texto do Magnificat. Trata-se do canto de Maria, ainda grávida de Jesus, que agradece a Deus pela graça recebida.

2. É curioso, e convém sublinhá-lo, o fato de a Igreja nos oferecer um texto evangélico de uma Maria jovem para nos explicar o que aconteceu depois de sua morte.

3. Diz o dogma que Maria subiu ao céu de corpo e alma. Que foi a primeira dentre todos nós. Sua Assunção é sinal e promessa da nossa. Mas a Assunção não foi apenas um fato que aconteceu em momento determinado. Maria subiu ao céu porque viveu com o olhar posto em Deus.

4. O Magnificat – o canto de Maria, jovem ainda, grávida de seu filho, que se encontra com sua prima Isabel, igualmente grávida – não é apenas uma bela poesia. Trata-se de claro testemunho do estilo de vida de Maria.

5. Aquela jovenzinha de uma aldeia da Galileia tinha a alegria impregnada no corpo. Era uma alegria fruto da fé e da confiança no Deus de seu povo. Para além das aparências, ela sabia ficar acima do cotidiano e olhar para a história com perspectiva.

6. Por isso, Maria sabe que “sua misericórdia (a de Deus) chega a seus fiéis de geração em geração” e que “socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia”. Isso não significa dizer que Maria não tenha passado por momentos cinzentos em sua vida cotidiana.

7. Não deveria dar para muitas alegrias a vida naquelas aldeias das montanhas da Galileia. Lavar, cozinhar, limpar, ajudar nas tarefas do campo, todos os trabalhos de uma mulher agravados pela pobreza em que vivia aquela gente.

8. Naquela situação, a maioria das pessoas permanecia ao rés do chão. Não eram capazes de ver nada além do imediato, do que a vida tem de cinzento, dor, negatividade e morte. Maria – e isto é importante – passou exatamente pelo mesmo, mas olhava para outros horizontes.

9. Olhava para o céu e enxergava o rosto bondoso do Deus que havia sido sempre misericordioso com seu povo e que lhe havia prometido a salvação. Por sua fé, Maria transformou sua vida de cinzenta em algo luminosa.

10. Sua luz continua iluminando a todos nesta festa. Nossa vida, também costuma ficar cinza quando permitimos que nosso olhar fique no rés do chão.

11. A festa de hoje nos recorda que precisamos levantar nosso olhar e colocar nossos horizontes um pouco mais adiante. Devemos olhar nossa vida e a de nossos irmãos com os olhos de Deus, com a perspectiva de Deus. Nós nos surpreenderemos ao descobrir a cor diferente que terá a vida. E aprenderemos a rezar o Magnificat com o prazer e a fé de Maria.

12. Uma proposta de nossa festa: por que não experimento rezar diariamente o Magnificat? Basta fazer um instante de silêncio e permitir que as palavras de Maria se tornem minhas palavras. Que por meio delas, fale, igualmente o meu coração dando graças a Deus por tudo que me concedeu, porque viu a minha humilhação e me fez seu filho. Talvez isso nos ajude a levantar o nosso olhar até o horizonte de Deus.

* Fernando Torres, CMF

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Sábado, 15 de agosto de 2026

(Ez 18,1-10.13.30-32; Sl 50[51]; Mt 19,13-15) 19ª Semana do Tempo Comum.

“Então Jesus disse: ‘Deixai as crianças e não as proibais de virem a mim, porque delas é o Reino dos Céus’”

Mt 19,14.

“Era costume judaico apresentar os filhos aos rabinos, pra que eles os abençoassem, impondo-lhes as mãos; o gesto acompanhado de uma oração bíblica aparece como uma forma de bênção; tudo isso prova o conceito de grandeza moral e taumatúrgica em que as pessoas tinham Jesus. É fácil imaginar a cena das mães aglomerando-se e com gestos e gritos, tão característicos dos orientais, querendo ter a preferência para suas crianças. Os apóstolos não viram com bons olhos o procedimento das crianças, nem das mães, seja porque fossem muitos e poderiam molestar o Mestre, seja pela inoportunidade da presença delas exatamente no momento em que Jesus estava ensinando sua doutrina maravilhosa; o caso é que, com gestos e palavras, começaram a impedir que as crianças se aproximassem do Mestre. O Senhor censurou a atitude dos apóstolos e ordenou que deixassem as crianças aproximaram-se dele; o Senhor descansava no olhar simples das crianças. O apostolado entre as crianças gozou sempre de um profundo interesse, por mais que proceda hoje à revisão da Pastoral da criança. Ilustrar suas inteligências que se abrem para a luz da verdade, colocar a semente do bem naqueles corações que se apresentam como terreno fértil para todos os sentimentos puros e elevados, dar-lhes a conhecer o amor de Deus e sua divina Providência, fazê-los entusiasmar coma figura de Jesus Cristo como seu Salvador e seu melhor amigo... A criança é como a árvore recém-plantada, que exige cuidado e atenção esmerados. Hoje como ontem, Jesus repete-nos: ‘Deixai vir a mim as criancinhas’ (v. 14). Acostumemos nossas crianças a irem ao Sacrário, a frequentarem a recepção dos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia, que ofereçam suas orações ao Senhor sacramentado; recomendemos que, em suas orações, se lembram das necessidades da família, da Igreja, da pátria e do mundo inteiro; será muito difícil que o coração sacratíssimo de Jesus não atenda ao que lhe pedem as almas inocentes” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite