Sexta, 06 de março de 2026

(Gn 37,3-4.12-13.17-28; Sl 104[105]; Mt 21,33-43.45-46) 2ª Semana da Quaresma.

“Escutai esta outra parábola: certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou-a a um vinhateiro e viajou para o estrangeiro” Mt 21,33.

“Mais uma vez Jesus fala em parábola, que é uma alegoria completa, visto que cada aspecto tem um significado: o pai é Deus; a vinha é povo eleito de Israel; os servos são os profetas; o filho é Jesus, morto fora das muralhas de Jerusalém; os vinhateiros homicidas são os judeus infiéis; o outro povo ao qual se confiará a vinha são os pagãos. O mesmo evangelista um pouco mais abaixo, declara: ‘Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava’ (Mateus 21,45). Por sua vez, Jesus aqui, mais que repetir a parábola da vinha de Isaías traz (5,1-7), suficientemente conhecida elos israelitas, faz uma aplicação da mesma. Assim como o pai de família fez pela vinha quanto dependia dele, cuidando dela com solicitude extrema, assim também o Senhor cuidou do seu povo Israel, e cuida agora de seu povo cristão com intensa solicitude. Os frutos exigidos pelo Senhor da vinha são a observância da lei e as boas obras: obras de justiça e de caridade, santidade de vida. Um escritor faz a seguinte aplicação dessa parábola: a vinha é a nossa alma plantada por Deus, adornada com sua graça, cuidada com solicitude por meio de suas inspirações e de seus sacramentos. Nós somos os colonos que devemos trabalhar para conseguir o fruto, que são as boas obras. O Senhor envia seus servos que são os seus sacerdotes ou suas inspirações e os próprio acontecimentos da vida, para que nos incitem à produção dos frutos, que são as boas obras e o aperfeiçoamento de nossa vida. Se nós não nos importarmos com essas moções, seremos semelhantes àqueles vinhateiros da parábola e merecermos o castigo por termos desprezado as admoestações de Deus e não termos produzidos os frutos de santidade que o Senhor tem direito de esperar de nós” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 05 de março de 2026

(Jr 17,5-10; Sl 01; Lc 16,19-31) 2ª Semana da Quaresma.

“Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.

Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico” Lc 16,19-20.

“A parábola evangélica é um alerta premente contra o perigo da riqueza e as consequências desastrosas para quem não sabe se servir dela como meio para obter a salvação eterna. A riqueza pode levar à condenação. O rico simboliza aquela pessoa cuja vida limita-se à busca de prazeres: da comida, da bebida, do vestir-se bem, do locupletar-se com bens materiais. Por isso, não demonstra a mínima preocupação com Deus, nem muito menos com seus semelhantes, de modo especial, os pobres e marginalizados. Interessa-lhes, apenas, quem lhes pode proporcionar prazer, e seus companheiros de orgias. Nada, porém, que possa significar amor e ruptura dos esquemas egoísticas. A riqueza estreitava os horizontes do rico da parábola, impedindo-o de ver para além de seu pequeno mundo. O sofrimento do pobre Lázaro, à sua porta, era lhe desconhecido. Sua fama contrastava com a opulência dos banquetes que o rico oferecia. Seu corpo coberto de feridas, dando-lhe um aspecto asqueroso, chocava-se com a bela aparência dos convivas do rico, bem vestidos e adornados. O desfecho da parábola parece lógico: a insensibilidade do rico farreador valeu-lhe a condenação eterna de sofrimentos, pois deixara escapar a única chance de construir sua felicidade eterna, fazendo-se solidário com o sofrimento do próximo. – Pai, não permitas que nada neste mudo me impeça de ver o sofrimento de meu próximo e fazer-me solidário com ele” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 04 de março de 2026

(Jr 18,18-20; Sl 30[31]; Mt 20,17-28) 2ª Semana da Quaresma.

“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e os mestres da Lei. Eles o condenarão à morte” Mt 20,18.

“No Evangelho de Mateus, ao terceiro anúncio da Paixão, encontramos uma voz dissonante. Trata-se da mãe de Tiago e João que faz um pedido especial em favor dos filhos: terem o primeiro lugar. Mas não será isto que Jesus poderá conceder-lhes, e sim a participação na sua Paixão. [Compreender a Palavra:] Jesus anuncia pela terceira vez a terrível sorte que O espera em Jerusalém, revelando dois pormenores muito precisos (vv. 18-19) em relação aos dois anúncios precedentes (Mt 16,21; 17,22-23). Da parte dos discípulos – embora a voz seja a da mãe de Tiago e João – chega um pedido completamente fora de lugar. Não é o primeiro lugar a prioridade que se coloca diante dos discípulos de Cristo, mas sim a completa comunhão com Ele na Paixão. Está fora de lugar também a indignação dos outros dez contra Tiago e João: também a eles o Mestre diz que o serviço que deverão prestar não se modela sobre o dos governantes e dos chefes, os quais dominam e oprimem com a sua autoridade e o seu poder, mas sobre o seu exemplo: Ele ‘não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para a redenção dos homens’ (v. 28). A predição de Jesus revela o Seu conhecimento da já próxima humilhação da morte, mas ao mesmo tempo da certeza da Sua Páscoa de Ressurreição” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite