Sábado, 18 de abril de 2026

(At 6,1-7; Sl 32[33]; Jo 6,16-21) 2ª Semana da Páscoa.

“Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria,

e nós os encarregaremos dessa tarefa” At 6,3.

“Uma viúva pode também hoje, em muitas ocasiões, viver uma situação existencial e dolorosa. Nos tempos antigos, como se sabe, sofrimentos e preocupações eram agudizados pela estrutura predominantemente masculina da sociedade: uma mulher sem o amparo do marido ficava à mercê de tudo e de todos. A comunidade cristã deve enfrentar o problema da ajuda às viúvas de língua grega. Um problema de tipo econômico, mas provavelmente também cultural e de integração entre as duas componentes da primeira comunidade: a judeu-palestina e a helenista. [Compreender a Palavra:] As tensões no interior da comunidade cristã de Jerusalém, causadas pela insuficiente atenção às necessidades das viúvas de língua grega, requerem uma intervenção resolutiva: daí a escolha de algumas pessoas capazes para atender às necessidades dessas pessoas que, como é fácil de compreender, vêm na sua maioria da mesma proveniência cultural de quem está em apuros. Entre essas pessoas é sublinhada a presença de Estevão e de Filipe (cf. At 8,5-8.26-40). As características interiores são julgadas pelos doze requisitos essenciais nestes colaboradores, em particular a plenitude do Espírito e a sabedoria ética (v. 3), características de resto muito superiores às necessárias para um puro serviço assistencial. A escolha dos diáconos acontece num quadro de grande sucesso de adesão à fé cristã que culmina em Jerusalém com a conversão em massa dos funcionários do culto judaico. Também este trecho sublinha uma das diretrizes caras em Lucas: a difusão da Palavra de Deus enquanto sinal da consolidação da comunidade cristã. Ela aparece como prossecução ideal e efetiva do Israel histórico sob o perfil da relação com Deus” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

  Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 17 de abril de 2026

(At 5,34-42; Sl 26[27]; Jo 6,1-15) 2ª Semana da Pascoa.

“Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus” Jo 6,4.

“O milagre da partilha do pão está inserido num contexto pascal. Seu simbolismo ajuda-nos a compreendê-lo. O Evangelho observa que ‘a páscoa, a festa dos judeus, estava perto’. A páscoa era a festa principal do calendário judaico. Recordava a libertação da escravidão egípcia e a entrada na Terra Prometida. Este episódio era considerado como a experiência fundante do povo de Israel, pois nele Deus se revelara como protetor e libertador do povo eleito. Outros elementos recordam a experiência do antigo Israel: o fato de Jesus se encontrar às margens do mar da Galileia e ter subido a uma alta montanha, onde se sentou com os discípulos. O Mar vermelho e o Monte Sinai são, aqui, evocados. O lugar deserto, onde se encontravam os ouvintes do Mestre, bem como a carência de alimentos e a posterior providência de Jesus para saciar a multidão também têm a ver com o fato de outrora. Tendo como pano de fundo esta ambientação pascal, a cena evangélica significa que é missão do Ressuscitado ser o guia da comunidade cristã a caminho da Terra Prometida – a casa do Pai. O povo congregado em torno de Jesus é chamado a ser um povo de irmãos e irmãs para as quais a partilha solidária é uma exigência irrenunciável. Mesmo sendo muitos, ninguém será vítima do abandono ou da fome. Aqui, o egoísmo não pode ter vez! A Páscoa de Jesus convida-nos, pois, a renovar nossa condição de povo de Deus. – Pai, que a Páscoa de Jesus renove em mim a consciência de pertencer a teu povo, cuja existência deve se pautar pela caridade e pela partilha solidária (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).    

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 16 de abril de 2026

(At 5,27-33; Sl 33[34]; Jo 3,31-36) 2ª Semana da Páscoa.

“De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus dá o Espírito sem medida” Jo 3,34.

“Jesus afirmou que ‘a boca fala do que lhe transborda do coração’ (Mateus 12,34). Se se tem a Deus no coração, falar-se-á de Deus; se alguém se preocupa com as coisas do Senhor, falará das coisas do Senhor; ao invés, como adverte este evangelho, ‘Aquele que vem da terra (...) fala das coisas terrenas’ (v. 31). ‘Com efeito, aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus’ (v. 34). Deus enviou você como verdadeiro discípulo de Jesus; portanto, sua boca deve estar cheia da palavra do Senhor, e para que sua boca esteja cheia dessas palavras é preciso que você tenha o seu coração anteriormente cheio da palavra de Deus. Qual é o apreço que você tem pela palavra de Deus? Você se cansa de ouvir a palavra de Deus? Você se preparar para transmiti-la? Gostar das coisas de Deus deve levar você a gostar de falar das coisas de Deus. Frequentemente os cristãos descuidam desse ponto, e as conversas que se ouvem em suas reuniões nada têm de construtivo e evangelizador; inclusive, em não poucas ocasiões, as conversas dos cristãos pouco têm de edificante. No entanto, o apóstolo Tiago adverte-nos severamente que ‘se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia a sua língua e engana o seu coração, então é vã a sua religião’ (Tiago 1,26). De modo muito particular, você deve cuidar de suas palavras, quando está transmitindo a mensagem da salvação, os ensinamentos do evangelho; o respeito que merece a palavra de Deus exige que se transmita com palavras respeitosas, dignas, educadas e cultas, cheias do Espírito de Deus, que não pode apreciar palavras incultas, mal soantes ou chulas. Não imite esses exemplos que, às vezes, você poderá receber inclusive de pessoas que parecem gozar de prestígio e serem cultas; não as imite nisso, pois nisso não são dignas de imitação, e sim de repreensão. E não diga isso já é costume em determinados ambientes, porque respondo a você que tal procedimento não deve ser permitido em nenhum ambiente cristão, como são os ambientes que você deve frequentar. Finalmente afirma o Senhor Jesus que ‘aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus’ (v. 34). Então se você não fala as palavras de Deus – e não me venha dizer que os palavrões e as anedotas atrevidas são palavras de Deus – você dá a entender com clareza que não é enviado por Deus e que não fala em nome de Deus, mas em seu próprio nome e, nesse caso, você não merece credibilidade nenhuma” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite