Quarta, 07 de outubro de 2026

(At 1,12-14; Sl Lc 1; Lc 1,26-38) Bem-Aventurada Virgem Maria do Rosário.

“O anjo entrou onde ela estava e disse: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’” Lc 1,28.

“Ó Virgem caríssima, ainda que eu possuísse a inteligência de um espírito celeste, jamais chegaria a compreender o perfeito abraço com que vos une a si o Pai celeste... Que inteligência não desfalecerá ao contemplar as divinas complacências de que fostes objeto, ó Maria, quando tão intimamente vos unistes a Deus mediante este Filho seu e vosso que se torna o nó de eterna aliança? Intercedei por mim, por todos, ó beatíssima Virgem, que tendes nas mãos a chave dos benefícios divinos! É vosso Jesus esta chave bendita que abre o seio fecundo do Pai celeste. Seu sangue inocente faz chover sobre nós todos os tesouros das graças do céu! E quem mais direito poderá ter sobre este Sangue de bênçãos do que vós que lho destes do vosso próprio? Sua Carne é a vossa; seu Sangue, o vosso, ó Maria! Parece-me que este precioso sangue alegra-se de jorrar aos borbotões na Cruz para vós, sabendo que sois a fonte primeira da qual brotou [J. B. Bossut, A Mãe Dolorosa 1,1 in Nossa Senhora, pp. 351-352]” (Gabriel de Sta. Maria Madalena, OCD – Intimidade Divina – Loyola)

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 06 de outubro de 2026

(Gl 1,13-24; Sl 138[139]; Lc 10,38-42) 27ª Semana do Tempo Comum.

“O Senhor, porém, lhe respondeu: ‘Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas’” Lc 10,41.

“Lucas sabe do perigo de nos desgastarmos ajudando os outros para tranquilizar algum escrúpulo falso. Pensamos, então, que temos de salvar o mundo inteiro. Estamos diante do dilema: a nossa consciência falsa nos impele a ajudar, mas não temos condições para ajudar a todos. Por isso Lucas coloca a história de Maria e Marta como polo oposto a um ideal exagerado de ajuda (Lc 10,38-42). Marta é a mulher hospitaleira, que arregaça as mangas, que cuida mesmo dos hóspedes. A hospitalidade era muito apreciada na Antiguidade. Marta, portanto, faz o que está certo, o que alegra os outros. Mas ela não enxerga o que o hóspede deseja. A sua dura crítica à sua irmã Marta, que simplesmente está sentada aos pés de Jesus, escutando o que ele tem a dizer, mostra que a sua ajuda não é totalmente desinteressada. O seu melindre sugere que ela, com o seu esforço, gostaria de merecer a atenção e ser elogiada pelo visitante. O que ela quer é fazer boa figura, em comparação com outras anfitriãs. Não se preocupa com o encontro do momento, mas com o que vem depois, com a boa fama que ela, por seu modo de agir, quer fundamentar. E talvez esteja preocupada com sua má consciência, que ela gostaria de tranquilizar ajudando os outros. Muitos escondem-se por trás de seus muitos trabalhos – que sem dúvida têm sentido e servem aos outros – para assim se protegerem contra qualquer crítica. Já não querem se deixar questionar, não querem mais escutar o que, afinal, Deus deseja deles” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Segunda, 05 de outubro de 2026

(Gl 1,6-12; Sl 110[111]; Lc 10,25-37) 27ª Semana do Tempo Comum.

“Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: ‘E quem é o meu próximo?’” Lc 10,29.

“Jesus dá-nos o preceito de amar nosso próximo e para que pudéssemos fazer melhor, quer ensinar-nos quem é o nosso próximo; para isso propõe-nos a parábola do samaritano. As relações entre judeus e samaritanos não eram cordiais, como dissemos. Um ódio inveterado separava-os desde há séculos. Ao voltarem os judeus do exílio da Babilônia, tinham começado a reconstrução do templo de Jerusalém e recusado a colaboração dos samaritanos, considerando-os meio idólatras. Desde então tinha-se aberto, entre ambos os povos, um abismo. Os samaritanos tinham construído um templo por contra própria, no monte Garizim, e os judeus evitavam o contato com os samaritanos, a ponto de até evitar a passagem por Samaria, quando iam da Galileia para Jerusalém. Consideravam-nos como pagãos e não os admitiam na categoria de próximo. Jesus, mostrando-nos o samaritano, que se inclina sobre o pobre judeu ferido e abandonado à beira da estrada e cuidando dele como de um irmão, quer ensinar-nos que nosso próximo é não só os amigos e compatriotas, mas também os estrangeiros, ainda que inimigos. E, portanto, também a eles há de estender-se nossa caridade. A caridade cristã não deve excluir ninguém; todos somos igualmente filhos de Deus e consequentemente ‘todo homem é meu irmão’ e se é meu irmão, devo tê-lo como tal, devo ajuda-lo, devo tratá-lo, devo amá-lo como tal. ‘Vós sois todos irmãos’ (Mateus 23,8). Só a caridade de Jesus Cristo pode irmanar os povos e cicatrizar as feridas da pobre humanidade. Quantos sofrimentos já causou o ódio dos povos! Quantas famílias desunidas e separadas porque nelas não vibra a caridade evangélica! Quantos corações humanos nos quais aninha-se a maldade, a vontade contraditória, os maus desejos! Quantos irmãos desunidos por vis interesses materiais! Quantos esposos vivem corporalmente juntos, porém com almas e afetos efetivamente separados. Tudo isso por falta de caridade, por não cumprir o mandamento divino: ‘Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo’ (Jo 15,12)”. (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite