Sexta, 16 de outubro de 2026

(Ef 1,11-14; Sl 32[33]; Lc 12,1-7) 28ª Semana do Tempo Comum.

“Milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar,

primeiro aos seus discípulos: ‘Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia’” Lc 12,1.

“A hipocrisia era considerada um defeito incompatível com a condição de discípulo do Reino. Daí ter Jesus falado fortemente contra este desvio da personalidade, tão encontrado em certos membros do grupo dos fariseus e dos mestres da Lei. A metáfora do ‘fermento’, aplicada à hipocrisia, é significativa. Como o fermento, ela se infiltra no coração das pessoas, transformando-as por dentro. Da mesma forma que se pode distinguir a massa fermentada da não fermentada, assim também a presença da hipocrisia seria claramente perceptível no modo de proceder dos discípulos. Escondê-la seria impossível. Portanto, os discípulos devem ficar muito atentos à mentalidade hipócrita dos fariseus para não se deixarem ‘fermentar’ por ela, e serem tentados a imitá-los, agindo de forma incompatível com a sua condição. Era grande o perigo de confundir as coisas e transformar as práticas religiosas exteriores em elementos centrais da piedade, esquecendo-se de serem puros de coração e, de fato, totalmente consagrados a Deus. Agindo assim, cairiam na tentação de, como os fariseus e os mestres da Lei, considerar-se homens justos, com o direito de menosprezar os demais, taxando-os de pecadores. Os discípulos corriam o risco de serem contaminados por esta forma de piedade tão perigosa. Seu modelo de vida deveria ser Jesus, o qual vivia em total coerência com o querer do Pai. – Pai, que eu não me deixe encantar por falsos exemplos de piedade. Estejam meus olhos sempre fitos em Jesus, cujo exemplo devo seguir para ser agradável a ti” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 15 de outubro de 2026

(Ef 1,1-10; Sl 97[98]; Lc 11,47-54) 28ª Semana do Tempo Comum.

“Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis

sob seu olhar, no amor” Ef 1,4.

“Começamos hoje a leitura da importante Carta aos Efésios, escutando a primeira parte do seu grandioso hino de abertura, que contempla o projeto salvífico divino em atuação desde a ‘criação do mundo’ (v. 4). É preciso notar que Deus Pai é o único sujeito da atuação divina, de modo que a salvação deve-se verdadeiramente ‘ao desígnio da sua benevolência’ (v. 6), e que Cristo é o mediador exclusivo dela, como é lembrado em cada versículo. Não existe atuação salvífica do Pai que não seja ‘em Cristo’. [Compreender a Palavra:] A nossa existência não é fruto do acaso, mas de um projeto salvífico, originado da incondicional gratuidade de Deus e chamado em toda Carta (tal como na tradição apocalíptica) de ‘mistério’ (v. 9). Em Dn 2, de fato, Deus revela ‘os mistérios’ futuros da Sua vontade ao vidente Daniel. No contexto de hoje, porém, o termo ‘mistério’ é utilizado no singular, e não diz respeito a algo a realizar e conhecido só do vidente, mas algo já realizado, contemplado pela inteira comunidade crente. De fato, o mistério cumpriu-se ‘em Cristo’ e consiste em estarmos associados ao Seu estatuto de Filho (v. 5). Este projeto guiou a própria Criação do mundo, a qual encontra em Cristo o seu cumprimento de sentido (v. 10). Mediante a doação da Sua vida, Cristo realiza também a redenção dos pecados (v. 7), mas tal acontecimento importantíssimo, repetimo-lo, não é a única razão da sua mediação: ao invés, ele está implicado no projeto divino original de nos tornar Seus filhos no Filho” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 14 de outubro de 2026

(Gl 5,18-25; Sl 01; Lc 11,42-46) 28ª Semana do Tempo Comum.

“Ai de vós, porque sois como túmulos que não se veem, sobre os quais os homens andam sem saber” Lc 11,44.

“As censuras que Jesus tinha expressado no evangelho anterior, tornam-se agora específicas e mais concretas. Jesus jamais admoesta, se não for para conseguir a conversão. Não tenha o mau costume de pensar que, quando Deus lhe permite alguma contrariedade ou adversidade, é porque quer castiga-lo(a). na verdade, Deus castiga na outra vida e em algumas ocasiões também nesta; porém, de ordinário, quando Deus admoesta ou contraria alguém, mais que por castigo, é como provação e como estímulo, para que ser converta. O Senhor busca sempre o seu bem. ‘Alias, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos’ (Romanos 8,28). As representações de Jesus aos fariseus visam revelar a maldade deles, que se dissimulava com aparências de bondade e as aparências sem realidade não aceitas por Deus nosso Senhor. O pecado dos fariseus está no empenho escrupuloso por normas insignificantes e no desprezo do que é essencial; em querer aparecer como irreprováveis, para serem honrados e estimados como piedosos. O discípulo de Jesus, no entanto, deve valorizar as coisas segundo sua importância. Não deve desprezar o pequeno por ser pequeno, mas deve concentrar seu esforço no fundamental: a justiça, o amor a Deus, o amor ao irmão. ‘Deixais de lado a justiça e o amor a Deus’. Já no profeta Miquéias encontramos a repreensão ao povo por menos prezar a justiça e a caridade e preferir a santidade legal exterior: ‘Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante de teu Deus’ (Miquéias 6,8). O pecado do escriba, do doutor da lei, está em prescrutar a lei dia e noite, para descobrir aos homens o que eles devem fazer, mas ele pessoalmente não a cumpre, nem ajuda a cumpri-lo aos fracos. Nada existe que dê ao homem o sentimento de superioridade sobre os outros como manipular suas consciências; era isso precisamente o que os fariseus faziam e do que se vangloriavam, impondo a observância de inumeráveis preceitos, que afetavam o exterior da lei, mas não penetravam em seu interior. Apoderaram-se da ‘chave da consciência religiosa’; somente eles opinavam sobre o que devia ser e o que se devia fazer ou deixar de fazer, a ponto de darem mais valor às sentenças e ao corpo doutrinal de seus doutores do que aos próprios livros sagrados, e era tamanha a ascendência que tinham diante do povo simples que ‘nem entravam eles, nem deixavam entrar’ o povo no Reino. A salvação não consiste em saber muito, mas em cumprir o que se sabe; não jogar cargas sobre os ombros dos outros, mas ajudar os ‘pobres’ a carregar a própria carga” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite