Quarta, 30 de setembro de 2026

(Jó 9,1-12.14-16; Sl 87[88]; Lc 9,57-62) 26ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus’” Lc 9,60.

“A segunda imagem do ‘seguir’ culmina na frase provocante de Jesus: ‘Deixa os mortos enterrarem seus mortos’. Em Israel, sepultar o pai falecido era um sagrado dever. Jesus certamente não quer incitar ninguém a subtrai-se a tal dever. A sua palavra tem sentido simbólico. Muitas pessoas não encontram o seu próprio caminho, o caminho que Deus lhes havia destinado, porque dependem ainda demais de seu pai. Ainda não enterraram seu pai. Ainda se deixam determinar por ele. Seguir o caminho de Jesus significa libertar-se de todas as amarras familiares. O Reino de Deus é mais importante do que o relacionamento com o pai. Quando Deus reina no coração humano, já não se trata mais de cumprir as expectativas do pai terrestre. O caminho de Jesus leva para a liberdade. E ele nos mostra o que, afinal, é decisivo. Sepultar o pai, enervar-se em discussões sobre a herança, tudo isso é a morte em comparação com a vida que Jesus abre por sua palavra e seu exemplo” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola). 

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 29 de setembro de 2026

(Dn 7,9-10.13-14; Sl 137[138]; Jo 1,47-51) Santos Miguel, Gabriel e Rafael.  

“E Jesus continuou: ‘Em verdade, em verdade, eu vos digo, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” Jo 1,51.

[Bento XVI por ocasião da ordenação episcopal a seis novos bispos:] “O Bispo deve ser um orante, alguém que intercede pelos homens junto de Deus. Quanto mais o fizer, tanto mais compreende também as pessoas que lhe estão confiadas e pode tornar-se para elas um anjo um mensageiro de Deus, que as ajuda a encontrar a sua verdadeira natureza, a si mesmas, e a viver a ideia que Deus tem delas. Tudo isso se torna ainda mais claro se olharmos agora para as figuras dos três Arcanjos cuja festa a Igreja celebra hoje. Antes de tudo está Miguel. Encontramo-lo na Sagrada Escritura sobretudo no Livro de Daniel, na Carta do Apóstolo São Judas e no Apocalipse. Deste Arcanjo tornam-se evidentes nestes textos duas funções. Ele defende a causa da unicidade de Deus contra a soberba do dragão, da ‘serpente antiga’, como diz João. É a perene tentativa da serpente de fazer crer aos homens que Deus deve desaparecer, para que eles se possam tornar grandes; que Deus é um obstáculo para a nossa liberdade e que por isso devemos desfazer-nos dele. Mas o dragão não acusa só Deus. O Apocalipse chama-o também ‘o acusador dos nossos irmãos, que os acusava de dia e de noite diante de Deus’ (12,10). Quem põe Deus de lado, não enobrece o homem, mas priva-o da sua dignidade. Então o homem torna-se um produto defeituoso da evolução. Quem acusa Deus, acusa também o homem. A fé em Deus defende o homem em todas as suas debilidades e insuficiências: o esplendor de Deus resplandece sobre cada indivíduo. É tarefa do Bispo, como homem de Deus, fazer espaço para Deus no mundo contra as negações e defender assim a grandeza do homem. E o que se poderia dizer e pensar de maior sobre o homem a ser o próprio Deus que se fez homem? A outra função de Miguel, segundo a Escritura, é a de protetor do Povo de Deus (cf. Dn 10,21; 12,1). Queridos amigos, sede verdadeiramente ‘anjos da guarda’ das Igrejas que vos serão confiadas! Ajudai o povo de Deus, que deveis preceder o discernimento dos espíritos: a acolher o bem e a recusar o mal, a permanecer e tornar-se sempre mais, em virtude da esperança da fé, pessoas que amam em comunhão com Deus-Amor” (Bento XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo – Vol. IV – Mokai)

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 28 de setembro de 2026

(Jó 1,6-22; Sl 16[17]; Lc 9,46-50) 26ª Semana do Tempo Comum.

“Houve entre os discípulos uma discussão para saber qual deles seria o maior” Lc 9,46.

“Jesus conhecia perfeitamente o interior dos corações de seus discípulos; conhecia o que pensavam e o que sentiam; era-lhe patente o que eles planejavam e tramavam em seu íntimo. São Lucas afirma explicitamente que Jesus intuiu seus pensamentos. As ideias excessivamente terrena, que os apóstolos tinham do Messias, fazia-lhes desejar os primeiros postos de maior honra e proveito em seu Reino. Para dar-lhes a conhecer as verdadeiras características do Reino de Deus, apresenta-lhes precisamente a pergunta inquietante que os torturava: ‘Quem é o maior do Reino de Deus?’ E como eles não se atrevessem a responder, serve-se da presença de uma criança para dar-lhes a resposta. O exemplo da criança é uma parábola em ação; o simbolismo parabólico ou o sentido da ação parabólica de Jesus deve ser procurado não tanto na pessoa da criança, quanto no gesto de Jesus que acolhe a criança, o desamparado, o necessitado de proteção, que é exatamente o caso da criança; isto é, não se refere aqui à humildade, mas ao fato de apequenar-se no âmbito social e ante os postos de dignidade e de comando, visto que no ambiente judaico da antiguidade a criança era considerada quase sem valor; o pensamento, ao invés, está na atitude que se há de ter em relação aos postos de responsabilidade. O que Jesus faz com o mínimo da humanidade é o que os seus discípulos devem fazer uns com os outros. A medida da grandeza cristã é dada pela prática da caridade fraterna; Jesus põe a humildade não tanto em um desprezo a si mesmo, e sim na caridade, no serviço aos irmãos. Mostram-se duas ideias: é maior aquele que reconhece sua grande indigência diante de Deus; é maior aquele que ama ao mais humilde” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite