(At 13,44-52; Sl 97[98]; Jo 14,7-14) 4ª Semana da Páscoa.
“Disse Filipe: ‘Senhor, mostra-nos o
Pai, isso nos basta!’” Jo
14,8.
“O
diálogo com os discípulos torna-se mormente delicado quando Filipe, falando em
nome dos demais, pede a Jesus: ‘Senhor, mostra-nos o Pai, e isto nos basta!’
Pedido ousado, se considerarmos que a piedade bíblica excluía qualquer
possibilidade de alguém ver Deus e permanecer vivo. Por isso, todos os relatos
de manifestação de Deus – teofania – revelam que a pessoa que contempla a
glória divina fica tomado de pavor, diante da possibilidade de morrer. Como,
então, os discípulos de Jesus ousavam querer ver o Pai? O Mestre procura
leva-los a pensar a questão de maneira correta, numa perspectiva nova. Os
discípulos esperavam uma teofania, no melhor estilo das teofanias do Antigo
Testamento. Jesus, porém, intervém com algo muito mais simples. Coloca-se a si
próprio como mediação da visão do Pai: ‘Quem me viu, viu o Pai! Você não
acredita que estou no Pai e que o Pai está em mim?’. A visão do Pai era a coisa
mais desejada pelos discípulos. Bastaria dar um salto de qualidade para
descobrir, na pessoa de Jesus, o rosto do Pai. E, para isso, era mister nutrir
por Jesus fé idêntica à dedicada ao Pai. Sem uma fé verdadeira eles estriam
privados da visão do Pai, ou continuariam a querer vê-lo, mas de maneira
totalmente incorreta. A única forma de ver Deus Pai consiste contemplá-lo na
pessoa de Jesus. – Pai, que eu saiba reconhecer na pessoa de Jesus,
expressão consumada do teu amor misericordioso por todos os que desejam estar
perto de ti” (Pe.
Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] -
Paulinas).
Pe.
João Bosco Vieira Leite