15º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 55,10-11; Sl 64[65]; Rm 8,18-23; Mt 13,1-23)

1. Sabemos que a palavra de Deus colhida na Sagrada Escritura é, de um lado viva e operante, mas do outro corre o risco de permanecer estéril se aquele que escuta não a acolhe de alma aberta e com a firme vontade de observá-la. Isso por si só já resumiria o longo texto que nos é proposto.

2. A parábola do semeador se nos apresenta como um suplemento para que tomemos consciência deste princípio e que você se decida, se for preciso, pela sua plena atuação.

3. Com efeito, a parábola nos recorda, através da imagem do semeador, que no confronto com a palavra de Deus, lançada na alma de quem crê, pode assumir quatro atitudes ou comportamentos:

4. Tem a atitude de quem a recebe de maneira puramente passiva, sem nenhum interesse e, por isto, logo a esquece (semente caída à beira do caminho).

5. Tem a atitude de quem, mesmo a recebendo com alegria e com interesse, ao chegar a primeira dificuldade a deixa e vai em busca de outros apoios (semente caída em terreno pedregoso).

6. Tem a atitude de quem, depois de tê-la recebido com alegria e interesse, consegue observá-la por um certo tempo, mas logo, cansado de uma longa resistência e fascinado pelos bens deste mundo, a deixa sufocar (semente caída entre os espinhos).

7. Enfim, tem a atitude de quem, depois de tê-la recebido, a vive de maneira plena, sem nostalgias, sem hesitações e sem criar paraísos artificiais (semente caída em terra boa).

8. Que tipo de escutador da palavra de Deus é você não cabe a mim individuá-lo. Nem pretendo, nem tenho autoridade para entrar na alma, no cérebro ou coração de vocês. A responsabilidade da resposta diz respeito a cada um. E desejo que, no responder, seja sincero, honesto e desinteressado.

9. Recomendo percorrer o vocabulário sobre a natureza e escuta da Palavra de Deus que nos oferece o salmo 119, por vezes tratada pelo termo “Lei”. Referindo-se a sua natureza, diz que ela é para o ser humano palavra de amor, vida, esperança, luz, sabedoria, guia, conforto, alimento, libertação.

10. No que diz respeito ao modo de escutá-la, o salmista exorta a deseja-la, estima-la, acolhê-la, segurá-la firme, ama-la, recordá-la, fixa-la no coração, meditá-la, observá-la, ir atrás dela e testemunhá-la. Como podemos ver, há muito o que fazer com um texto assim extremamente comprometedor e fechado a qualquer forma de hesitação.

11. Só assim podemos ser classificados entre os que escutam a Palavra de Deus, que na ótica da parábola do semeador, mostra ser um terreno bom e fecundo.

12. Esta é a única via a seguir para que o Senhor não repita, ainda que a nível muito mais alto e espiritual, o lamento que uma jovem da Idade Média dirigia ao seu amado: “Eu o amo mais que tudo no mundo, mas, para ele, não vale nem piedade, nem cortesia, nem afeto. Assim, eu me encontro desiludida e traída”.

13. A você não importa que Deus, por não ser escutado como se deve, fique mais uma vez desiludido e traído em seu amor?

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Sábado, 11 de julho de 2026

(Is 6,1-8; Sl 92[93]; Mt 10,24-33) 14º Semana do Tempo Comum.

“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” Mt 10,28a.

“O evangelista Mateus reúne aqui, estruturadas na base da palavra-chave ‘Não temais’, repetidas quatro vezes, frases respeitantes a um contexto de perseguição. Como na vida apostólica, também no seu êxito a sorte dos discípulos está conformada à do Mestre: a coerência da fé pode pedir a renúncia a si mesmo. No entanto, o horizonte derradeiro não está limitado à vida do corpo: há algo que não pode ser tirado pela violência, nem pela morte e, sobretudo, pode-se contar com um amor que abraça todo o mundo. [Compreender a Palavra:] Não se trata apenas de imitação, mas de plena partilha, na comunhão, da vida de Jesus Mestre e Senhor. Se o dono da casa foi identificado com Belzebu, ‘Senhor das moscas’ (segundo uma possível interpretação), deturpação de ‘Baal-zebúb’ (‘dono da casa’), os seus servos e familiares não poderão esperar melhor. A pregação de Jesus fora marcada pela prudência, reservando ao círculo restrito dos discípulos, pelo contrário, deverão falar em público e com franqueza, chegando, se necessário, a sacrificar a vida física com a confiança de que a vida eterna será preservada graças aos cuidados amorosos de Deus. A fidelidade ao Evangelho e a coragem do testemunho serão a medida do juízo: quem tiver reconhecido Jesus diante dos homens será reconhecido por Ele diante do Pai. Note-se como Jesus distingue dos discípulos falando de Si mesmo em relação a um ‘Pai’, a que chama ‘meu’, deixando entrever que tem com Ele uma relação absolutamente singular” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 10 de julho de 2026

(Os 14,2-10; Sl 50[51]; Mt 10,16-23) 14ª Semana do Tempo Comum.

“A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘deuses nossos’

a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia”. Os, 14,4.

“A conclusão do Livro de Oseias está representada por uma espécie de liturgia penitencial, na qual se desenrola um diálogo entre Deus e Israel: o convite divino à conversão; a resposta com a qual Israel rejeita os ídolos e se entrega à misericórdia do Senhor; a restituição da paz e da serenidade ao povo reconciliado com Deus. A frase final (v. 10), acrescento de um redator a encerrar todo o livro, é uma meditação sapiencial acerca da importância do ensinamento moral nela contido. [Compreender a Palavra:] Ressoa no texto mais uma vez o apelo divino: ‘Israel, converte-te ao Senhor teu Deus’ (cf. v. 2). O verbo ‘sub’, ‘regressar’, indica quer a mudança de rota, o regresso físico, quer a conversão moral, que é um verdadeiro e próprio regresso ao Senhor. Note-se o adjetivo possessivo ‘teu’: não se trata de uma conversão acadêmica, mas de um regresso a uma pessoa que chama e espera. A expressão do arrependimento de Israel comporta, por isso, por um lado, a renúncia ao deus Assur, a adoração dos ídolos, o uso de instrumentos de guerra (os cavalos); e por outro, a opção de oferecer sacrifícios espirituais ao Deus verdadeiro, que é misericórdia (cf. v.4). O perdão e o amor fazem o milagre: Israel é restituído à salvação e o profeta abunda em imagens naturais para exprimir a nova exuberância: o lírio; a oliveira; o trigo; a videira. JHWH é o orvalho vivificante para quem confia n’Ele, é como um cipreste sempre verde, cujo vigor nunca murchará” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite