Segunda, 16 de fevereiro de 2026

(Tg 1,1-11; Sl 118[119]; Mc 8,11-13) 6ª Semana do Tempo Comum.

“Os fariseus vieram e começaram a discutir com Jesus. E, para pô-lo à prova, pediam-lhe um sinal do céu”

Mc 8,11

“Um sinal vindo diretamente do céu era a exigência dos fariseus para darem crédito a Jesus. Os feitos prodigiosos que ele tinha realizado, até então, não foram suficientes para convencê-los. Haveria algo ainda mais espetacular que pudesse ser feito, de modo a força-los à conversão? A presença dos adversários de Jesus era problemática. Tinham vindo com a clara intenção de discutir com o Mestre, a fim de pô-lo à prova. Portanto, faltava-lhes um mínimo de boa vontade para acolher o testemunho de Jesus, com imparcialidade, e dar-lhe crédito. O sinal do céu, que esperavam, deveria consistir numa intervenção espetacular vinda diretamente do céu, logo, de Deus, de modo a não pairar nenhuma dúvida a respeito da identidade messiânica do Mestre. O pedido dos fariseus foi capicioso. Eles conheciam muito bem o modo de agir de Jesus, e como detestava fazer exibição de poder. Portanto, pediram-lhe algo que, de antemão, sabiam que não iria realizar. Dai puderam concluir que o Mestre não lhe apresentou o sinal comprobatório de sua messianidade. Por conseguinte, declararam ser falso testemunho dele. Jesus foi peremptório em recusar-se a lhes dar qualquer tipo de sinal. Para gente como os seus adversários, não seria dado nenhum sinal. Se não eram capazes de perceber o Reino de Deus acontecendo por meio de sinais realizados na Terra, não seria um sinal formidável, vindo do céu, que haveria de convencê-los. – Pai, dá-me sensibilidade para reconhecer a messianidade de teu filho Jesus manifestada no bem que ele fez ao povo e no seu modo simples de ser (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

6º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Eclo 15,16-21; Sl 118[119]; 1Cor 2,6-10; Mt 5,17-37)*

1. O trecho do evangelho de hoje contem muita riqueza e recomendações de Jesus. Para não cair no lugar comum, gostaria de reter-me nessa pequena parábola de Jesus que Mateus insere em seu texto nos vv. 25-26. Aqui se faz alusão ao juízo de Deus, já com a vinda de Jesus, mas que será decisivo no fim da história.

2. Esse tema, dentro da teologia se chama “Novíssimos”, e trata das últimas coisas, definitivas e irreversíveis; aquelas que acontecem uma só vez, mas duram, em seus efeitos, pela eternidade: morte, juízo, inferno e paraíso. Tempos atrás era uma realidade bem presente na mente dos cristãos.

3. Igrejas antigas traziam alguma menção dessa realidade em suas pinturas. Era uma lembrança silenciosa, mas contínua, orientando o nosso pensamento para as coisas últimas e para o eterno. Agora, parecem temas proibidos de ser tratados. Em boa parte do tempo vivemos despreocupados, ignorando o que nos espera, como estultos.

4. Se você tivesse de enfrentar, na semana que vem, um processo e um julgamento num tribunal, do qual depende, suponhamos, a posse da casa em que você mora, que emoção, que medo e que preparação durante a espera! Pois bem, a eternidade que nos espera é logo ali, se levarmos em conta a fluidez do tempo.   

5. Se não nos estarrecemos diante deste pensamento é porque não conseguimos medir a importância desta palavra ‘eternidade’. O pensamento secular entende que falar de eternidade é ‘alienante’ porque desviaria do compromisso com este mundo e com a vida (uma coisa não anula a outra), e nós nos deixamos muitas vezes impressionar e intimidar pelo pensamento secular, nos deixamos ‘secularizar’.  

6. O diretor James Cameron imortalizou no cinema a história do Titanic, o célebre transatlântico em viagem para a América, a bordo do qual se festejava durante a noite, e do qual se dizia que nem Deus o teria afundado. Mas sabemos que jaz ainda em algum lugar no fundo do oceano Atlântico.  

7. O que devemos fazer para evitar a mesma sorte na viagem bem mais importante da eternidade? A Palavra de Deus, com efeito, não fere, mas cura, não assusta, mas consola, não ameaça, mas é misericordiosa.

8. Nesta pequena parábola, simples e compreensível, Jesus coloca em cena dois homens que estão indo ao tribunal resolver uma contenda: um deles não tem razão e sabe disso e o outro tem razão e sabe tê-la. Somos um dos dois homens e, portanto, ouçamos bem o que nos é dito.

9. Nós, com efeito, estamos indo de encontro ao juízo e estamos indo com o próprio Juiz. Ele, Jesus Cristo, está em caminho conosco; durante o ‘caminho’, isto é, nesta vida, não é juiz, mas amigo. Na parábola é chamado ‘adversário’ somente no sentido de que está à nossa frente, com sua palavra e com nossa consciência, e nos convence do pecado.

10. O que nos resta é colocar-nos de acordo, anteciparmos o juízo nós mesmos. Ou seja, resolvendo nossas intrigas. Se te desagrada o mesmo que a Deus, se condenas agora o que Deus condena, tu entras no seu juízo, o fazes teu, te colocas do lado do Juiz e deixas o banco dos réus.

11. Concretamente, trata-se de reconhecer o pecado, de dizer como Davi: ‘Reconheço meu pecado [...]’; o que nos cabe fazer é arrepender-nos e confessá-lo a Deus através da Igreja, porque assim nos falou Jesus, no Evangelho, para obter o perdão dos pecados.

12. Escolhi esse olhar sobre o texto por causa da quaresma que se aproxima. A confissão sacramental é o meio ordinário para ‘colocar-nos de acordo’ com Deus, para ‘reconciliar-se’, ou reconciliar-nos; há pessoas que se confessam até demais; quase por hábito, faltando, por vezes, certas disposições internas para a mudança necessária.

13. Mas há pessoas que não se confessam há meses e talvez anos e comungam tranquilamente em cada missa. Isto não é colocar-se de acordo com ele pelo caminho, mas brincar pelo caminho. ‘Não vos iludais – escrevia São Paulo aos Gálatas – de Deus não se zomba. O que o homem semear, isso colherá’ (cf. Gl 6,7).

* com base em texto de Raniero Cantalamessa  

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 14 de fevereiro de 2026

(1Rs 12,26-32; 13,33-34; Sl 105[106]; Mc 8,1-10) 5ª Semana do Tempo Comum.   

“Tenho compaixão desta multidão, porque já faz três dias que estão comigo e não tem nada para comer” Mc 8,2.

“Jesus repete o maravilhoso milagre, realizado anteriormente, de multiplicar uns poucos pães e peixes, para dar de comer a uma multidão. De novo, manifesta-se aqui, por um lado, a adesão das pessoas simples à pessoa do Salvador e, por outro lado, a compassiva misericórdia do Senhor que não resiste ver sofrer aquela gente. O seguimento de Jesus Cristo obriga-nos a resoluções duras, sacrificadas. Existem cristãos que seguem Jesus Cristo enquanto seus interesses materiais não sofrem decréscimo. Mas, quando a lei de Deus ou o cumprimento de seus deveres religiosos exige deles algum sacrifício ou alguma perda material, deixam de seguir Jesus.  Daí que haja muitos apóstolos que não se entregam por completo ao apostolado, por medo de que isso redunde em prejuízo de seus interesses materiais. Esquecem-se de que o Senhor é dono de tudo e que ele prometeu que, aos eu buscam o Reino de Deus e sua justiça, tudo o mais ser-lhe-á dado por acréscimo. Atualmente, como nos tempos de Jesus Cristo, existe uma multidão incontável que tem fome de pão, de alimento para seu sustento, para sua vida. Jesus sentiu compaixão por aqueles famintos e os socorreu milagrosamente. Você deve sentir compaixão das pessoas que estão famintas, de toda essa multidão de pessoas que nada têm para levar à boca, alimento para acalmar sua fome, roupa decente para cobrir e defender seu corpo, moradia ou casa para poder viver humanamente. Por certo você não tem condições de recorrer a meios milagrosos e ninguém lhe pede isso, mas exige-se, sim, de você que faça o que possa fazer; se você ao menos pode acalmar a fome de um só que seja, faça-o. Quanto mais justiça você puser em sua vida, menos injustiça haverá no mundo” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite