Terça, 12 de maio de 2026

(At 16,22-34; Sl 137[138]; Jo 16,5-11) 6ª Semana da Páscoa.

“E quando vier, ele demonstrará ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento” Jo 6,8.

“O Evangelho sublinha a total oposição existente entre o Espírito Santo e o mundo, entendido como as forças contrárias a Jesus e ao Reino anunciado por ele. Não existe acordo entre ambos. Antes, uma luta sem tréguas. O Espírito Santo desmascarará a atitude insensata de quem rejeita Jesus, numa atitude de aberta incredulidade. Considerando as chances oferecidas, trata-se da culpa injustificável. Tinha tudo para acolher Jesus, na fé, mas acabou por se tornar seu inimigo. Em segundo lugar, no tocante à justiça. Trata-se da veracidade do testemunho de Jesus, Filho de Deus. Nesta condição, coloca-se como juiz do mundo. Recusando-se a aceitar Jesus, o mundo torna-se culpado e merecedor de castigo. Em terceiro lugar, no tocante ao juízo. Quando o mundo pensava ter julgado Jesus, ele é quem estava se colocando sob o peso do julgamento. Na cruz, o Filho foi exaltado pelo Pai, de modo a poder triunfar sobre seus adversários e submetê-los ao juízo divino. Na medida em que o Espírito Santo revelar o verdadeiro significado da morte de Jesus, o mundo estará incorrendo em juízo. É desta forma que o mundo é vencido pelo Espírito de Jesus. – Pai, concede-me o Espírito que me dá forças para enfrentar e vencer o mundo, e manter-me fiel a teu Filho Jesus” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 11 de maio de 2026

(At 16,11-15; Sl 149; Jo 16,5-11) 6ª Semana da Páscoa.

“Uma delas chamava-se Lídia; era comerciante de púrpura, da cidade de Tiatira. Lídia acreditava em Deus e escutava com atenção. O Senhor abriu o seu coração para que aceitasse as palavras de Paulo!” At 16,14.

“A narração traça, sem comentários, o itinerário que conduz o grupo missionário de Tróade para Filipos (vv. 11-12). Aqui Paulo e os outros, segundo uma modalidade pastoral típica do Livro dos Atos dos Apóstolos, procuram antes de mais o contato com os judeus. Mas a comunidade é muito pequena e não existe sequer uma sinagoga. Ei-los então que vão aos lugares onde as pessoas se reúnem para rezar, tomam a palavra e dirigem-se às mulheres. Entre estas encontramos Lídia, à qual o Senhor abre o coração para acolher as palavras dos missionários e a conversão. [Compreender a Palavra:] A narração parece orientar o leitor para figura de Lídia e para o seu Batismo: ela é a primeira convertida, as primícias do mundo greco-macedônio. Os missionários, segundo o exemplo de Jesus (cf. Lc 10,38ss; Jo 4,7ss), ultrapassam os preconceitos rabínicos, dirigem em público a palavra às mulheres. Eles levam o anúncio, mas é o Senhor que abre o coração de Lídia para que possa aderir à mensagem de Paulo. A adesão leva à fé: a mulher é batizada e, como se verificara na conversão do centurião Cornélio (cf. At 10,4ss), também ‘a sua família’ acolhe a proposta cristã. Lídia convida com tal insistência os missionários a hospedarem-se em sua casa, que eles não puderam recusar (‘Obrigou-nos a aceitar’: v. 15). Paulo e Silas serão de novo aceites na sua habitação depois da prisão (At 16,40). Assim, com uma narração rápida e esquemática, Lucas indica ao leitor as grandes etapas da formação de uma comunidade cristã que tem como ponto de referência uma simples mulher cristã de Filipos: fé, batismo ‘doméstico’, acolhimento” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma - Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

6º Domingo da Páscoa – Ano A

(At 8,5-8.14-17; Sl 65[66]; 1Pd 3,15-18; Jo 14,15-21) *

1. Aproximando-nos da festa de Pentecostes, a liturgia começa a preparar-nos para essa celebração. Na 1ª leitura temos a menção ao gesto de confirmação do batismo a partir do dom do Espírito, conforme celebramos em tempos atuais o sacramento do Crisma.

2. Jesus, no Evangelho, fala dessa vinda do Espírito Santo sobre os discípulos, aqui chamado de Defensor, em nossa tradução do grego Paráclito, que seria também Consolador, ou as duas coisas juntas. Aplicados ao Espírito Santo, tais títulos expressam algo já presente na Bíblia.

3. No Antigo Testamento, Deus é o grande consolador do seu povo, afirma Isaías (51,12), que consola seu povo como uma mãe. Paulo utiliza a expressão “Deus de toda a consolação” (Rm 15,4), que em Cristo se encarnou, e é o primeiro consolador ou Paráclito.

4. É Ele que no Evangelho nos convida: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados, eu vos darei descanso” (Mt 11,28). Assim, o Espirito Santo, nesse e em outros aspectos, continua a obra de Cristo e leva à realização as obras comuns da Trindade. Ele não poderia ter outro nome que, Consolador.

5. Por que o Evangelista insiste nessa denominação Consolador/Defensor? Isso tem a ver com a própria experiência da Igreja primitiva, em meio as dificuldades externas e internas, perseguições, processos, e com a vida de cada dia. Ela a experimenta como advogado e defensor divino contra os acusadores humanos.

6. Passada essa fase mais tenebrosa, o acento recai sobre o significado predominante de consolador nas tribulações e angústias da vida. Uma consolação diferente daquela humana. São Boaventura dirá que ela é verdadeira, perfeita e proporcional.

7. Dessa contemplação da realidade consoladora do Espírito Santo podemos recolher algumas consequências práticas. Paulo nos diz que o Paráclito, “o amor de Deus, derramado em nossos corações” (cf. Rm 5,5) não se limita a dar-nos um pouco de consolação, mas nos ensina a arte de consolar: 2Cor 1,2-4.

8. Nesse texto o termo Paráclito retorna por cinco vezes, ora como verbo, ora como substantivo. E traz o essencial para uma teologia da consolação. Se a consolação verdadeira vem de Deus sobre quem está aflito, ela não para no indivíduo que a recebeu, seu objetivo último é que uma vez experimentando essa consolação, saibamos consolar a outros.

9. Consolar como? Com a consolação que recebemos de Deus, não contentando-se em repetir palavras estéreis, mas em clima de oração, com fé na presença do Espírito, uma simples palavra ou um gesto, são capazes de operar milagres. Como quem acompanha um enfermo, sem dizer muito, sendo apenas presença. É Deus quem está consolando através de nós.

10. Em certo sentido, o Espírito Santo necessita de nós para ser Paráclito. Ele quer consolar, defender, exortar; nossas mãos, nossos olhos, nossa boca dão corpo e expressão a essa consolação. Como se a nossa alma desejasse dar um sorriso ou fazer uma carícia a alguém, mas não pode fazer por si mesma, é preciso que os lábios, as mãos, traduzam o desejo.

11. Quando Paulo exorta os tessalonicenses a “consolarem-se uns aos outros” (1Ts 5,11), e como se dissesse: “façam-se paráclitos” uns dos outros. Por isso rezava e lembrava São Francisco de Assis: “Que eu não procure tanto ser consolado, mas consolar; de ser compreendido, mas de compreender, de ser amado, mas de amar...”.

12. Muitos fazem em sua vida essa “ação” de ser Paráclito, inclinando-se sobre doentes terminais, aliviando a solidão dos anciãos, dedicando-se às crianças vítimas de abusos de todo tipo, dentro e fora de casa. Paráclitos são também os que buscam os direitos de minorias ameaçadas ou que se fazem voz de quem não tem voz.

13. Paráclitos devem ser os sacerdotes e religiosos para o povo de Deus, sobretudo do que nos vem da palavra de Deus, da esperança, do perdão sacramental. Paráclitos são ou foram muitas mães, de um modo particular. As mãos da providência chegaram até nós por elas, em consolação, defesa, cuidado. Nosso agradecimento a Deus por elas e que nos venha de novo e sempre Seu Espírito: “Vem Espírito, vem Espírito...”.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite