Sexta, 06 de fevereiro de 2026

(Eclo 47,2-13; Sl 17[18]; Mc 6,14-29) 4ª Semana do Tempo Comum.

“... de todo o coração louvava o Senhor, mostrando que amava a Deus, seu Criador” Eclo 47,10.

“O ‘Elogio dos antepassados’ do livro de Bem Sirá (caps. 44-50) reserva à lembrança de Davi e de Salomão uma atenção particular. As outras menções dos soberanos de Judá (Ezequias e Josias) são muito sintéticas. No texto de hoje, para além da escolha (v. 2), não invalidada, mas confirmada no perdão de seus pecados (v. 11), o autor celebra essencialmente a fé e a oração de Davi, segredo da sua força (vv. 3-5), dos seus sucessos militares (vv. 6-7) e sobretudo da sua atividade litúrgica (vv. 8-10). [Compreender a Palavra:] síntese de tipo poético, o elogio de Bem Sirá propõe essencialmente uma reflexão ética sapiencial: Davi é o eleito que Deus escolheu para Si, precisamente como reservava para Si a melhor parte do sacrifício (cf. Lv 3,9-17). Não é somente o jovem que pela fé derrotou o gigante Golias, o herói celebrado pela aclamação popular, mas é sobretudo a citarista, o suave cantor dos salmos; segundo a imagem que dele dá o Livro das Crônicas: o organizador do culto (1Cr 16,4-5). Na leitura de hoje não encontramos nenhuma menção dos episódios dramáticos da vida de Davi, nem da hostilidade de Saul, nem da rebelião de Absalão: só um aceno às suas misérias morais (v. 11a) precede a anotação da dignidade real (v. 11b). Dele derivará, para sempre, não tanto a dinastia de que é fundador e protótipo, mas sim a obra litúrgica e a exemplaridade religiosa” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 05 de fevereiro de 2026

(1Rs 2,1-4.10-12; Sl 1Cr 29; Mc 6,7-13) 4ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus chamou os doze e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros” Mc 6,7.

“Para Jesus, o exercício da missão apostólica deveria ser dinâmico. O objetivo consistia em anunciar a todos, sem exceção, a Boa Nova da salvação e fazer chegar até eles os benefícios do Reino.  As instruções de Jesus por ocasião do envio missionário tentavam garantir a agilização da missão. Nada de munir-se de apetrechos, visando assegurar a subsistência e um certo bem-estar. Era desnecessário prover-se de comida e dinheiro, ou carregar uma mochila. Duas mudas de roupa seriam supérfluas. Bastava a que traziam no corpo. Só duas coisas eram permitidas: levar um bastão e calçar as sandálias. Por quê? O bastão serviria para proteger-se dos animais ferozes que poderiam encontrar ao longo do caminho. As sandálias eram necessárias porque, se caminhassem descalços, logo estariam com os pés feridos e, por consequência, não poderiam seguir adiante e levar a cabo a missão. A simplicidade apostólica levaria os apóstolos a darem testemunho de confiança na providência divina, em cujas mãos se colocavam. Poderiam estar certos de que, em suas andanças, sempre experimentariam a bondade do Senhor do Reino, expressa na hospitalidade generosa de seus ouvintes. Neste contexto, até mesmo a rejeição serviria de estímulo para não se acomodarem, obrigando os apóstolos a sempre seguirem em frente. – Pai, ajuda-me a superar toda tentação de acomodar-me, pois como apóstolo do teu Reino, tenho de estar, continuamente, a caminho (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 04 de fevereiro de 2026

(2Sm 24,2.9-17; Sl 31[32]; Mc 6,1-6) 4ª Semana do Tempo Comum.

“Mas depois que o povo foi recenseado, Davi sentiu remorso e disse ao Senhor: ‘Cometi um grande pecado ao fazer o que fiz. Mas perdoa a iniquidade do teu servo, porque procedi como um grande insensato’” 2Sm 24,10.

“A narração articula o desenrolar do recenseamento do povo de Israel em três momentos, cada um dos quais move-se em redor da figura de Davi. Depois de ter dado ordens para o recenseamento seguir em frente (v. 2) e de ter recebido o resultado (v. 9), o soberano dá-se conta de ter cometido um abuso de poder (v. 10). Perante o anúncio do castigo (vv. 11-13), escolhe entregar-se nas mãos do Senhor (v. 14). A peste irrompe do norte do país, chegando a Jerusalém (vv. 15-16), até o Senhor remover (v. 16), e Davi confessa, de novo, a sua culpa. [Compreender a Palavra:] Nos tempos bíblicos fazer um recenseamento era considera um gesto sagrado, que se devia, por isso, fazer com algumas precauções de tipo religioso (cf. Ex 30,12-13). Já que só Deus é o Senhor do seu Povo, controlar e contar o número de pessoas da comunidade cabe unicamente a Ele: proceder à contagem dos recursos humanos e bélicos – embora isso possa parecer estranho aos nossos olhos – é julgado, por isso, um gesto despótico do rei. Depois de ter sido realizado o recenseamento, Davi dá-se conta de haver pecado. À gravidade da culpa corresponde um castigo correspondente: uma calamidade irá reduzir drasticamente a população de Israel. A peste ocasiona perdas muito grandes, mas Deus comove-se e o flagelo cessa quando a mão do anjo está sobre Jerusalém, em cujo território será edificado o Templo. Uma vez mais, a sinceridade de Davi diante das suas responsabilidades resgata o mal cometido, atestando a profunda religiosidade do rei” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite