(Ez 24,15-24; Sl Dt 32; Mt 19,16-22) 20ª Semana do Tempo Comum.
“Jesus respondeu: ‘Por que tu me
perguntas sobre o que é bom? Um só é o bom.
Se tu queres entrar na vida eterna,
observa os mandamentos’” Mt 19,17.
“A
pergunta apresentada a Jesus pelo jovem reflete uma tendência do farisaísmo, a
de praticar a virtude visando apenas obter a salvação. Esses fariseus eram
calculistas, sempre preocupados em acumular méritos diante de Deus. Tendo feito
tudo quanto estava a seu alcance, interessava ao jovem saber o que poderia
ainda fazer de bom para alcançar a vida eterna. Na qualidade de Messias, talvez
Jesus pudesse indicar-lhe obras que rendessem méritos de valor muito maior.
O Mestre, porém, tentou corrigir este modo de pensar. Não se alcança a
vida eterna pela prática de coisas boas (‘O que devo fazer de bom’),
submetendo-se a um código de regras precisas de comportamento, e sim pela
relação com uma pessoa (‘Um só é Bom!’), entendendo-se, com isso, tanto Jesus
quanto o Pai. O que é bom deve ser praticado por corresponder à vontade daquele
que é Bom. Sem esta obediência, os atos de virtude ficam desprovidos de valor.
O jovem é confrontado com a proposta de passar da prática mecânica dos
mandamentos para um tipo de relação capaz de transformar-lhe a vida:
desfazer-se de tudo e dar aos pobres o valor correspondente para, em seguida,
tornar-se seguidor de Jesus. Se o jovem não fosse tão apegado a seus bens,
teria tido a chance de experimentar a alegria de conhecer em profundidade, a
vontade salvífica de Deus. – Pai, quero estar sempre em comunhão contigo, pois
só tu és Bom. Que eu possa, assim, conhecer a tua vontade e colocá-lo em
prática, pois este é o caminho da salvação” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O
Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).
Pe.
João Bosco Vieira Leite