(1Cor 8,1-7.11-13; Sl 138[139]; Lc 6,27-38) 23ª Semana do Tempo Comum.
“Pecando, assim, contra os irmãos e
ferindo a consciência deles, que é fraca, é contra Cristo que pecais” 1Cor
8,12.
“Entre
os cristãos de Corinto não faltavam motivos de divisão. Um era dado pela
questão que dizia respeito à permissividade de comer as carnes antes oferecidas
aos ídolos e depois vendidas no mercado. Alguns cristãos pendiam para o sim,
outros para o não, e todos aduziam os seus motivos: alguns sabiam que os ídolos
não existiam e não governam o mundo e, portanto, comer a carne a eles imolada é
insignificante sob o ponto de vista moral; outros pensavam que comer essa carne
constituía recair na idolatria e, por conseguinte, viam nisso agir contra a
consciência. [Compreender a Palavra:] Os princípios com os quais Paulo responde
à pergunta acerca da possibilidade de comer ou não carnes imoladas aos ídolos:
as ideias claras, mesmo no campo religioso, não bastam para a vida; o
verdadeiro conhecimento de Deus e do homem nasce do amor e leva ao amor. A
liberdade cristã não é autonomia abstrata e afirmação individualista do próprio
saber, mas é capaz de viver com os outros, tendo em conta as suas exigências,
os seus condicionalismos, a sua insuperável dignidade. Quantos acham que os
ídolos não existem, porque ‘não há senão um único Deus, o Pai [...] e um só
Senhor Jesus Cristo’ (cf. v. 5) raciocinam bem, mas esquecem que a identidade
cristã consiste, antes de mais, na caridade: faltar à caridade para um cristão
é um contrassenso. O próximo, mesmo se fraco, é sobretudo ‘um irmão por quem
Cristo morreu’ (v. 11) e é sempre amado por Jesus por aquilo que é. Pecar
contra um irmão, ferindo a sua consciência, é pecar ‘contra Cristo’ (v. 12):
não é afirmar a liberdade, mas sim destruir a própria vida, regressar à
situação de morte que caracteriza o paganismo” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite