Quinta, 06 de agosto de 2026

(Dn 7,9-10.13-14; Sl 96[97]; Mt 17,1-9) Transfiguração do Senhor.

“E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz”

Mt 17,2.

“Pedro, Tiago e João, os mais destacados do grupo dos discípulos, tiveram o privilégio de ‘ver’ a glória do Messias, antecipada na cena da transfiguração. Este estava destinado a ser glorificado por Deus, e revestido de imortalidade divina. O episódio evangélico está todo envolvido pela presença divina. O monte, para o qual Jesus e seus discípulos se dirigiram, simboliza o lugar da presença e da comunicação divinas. Dirigiram-se para o alto monte, porque o ser humano deve elevar-se para contemplar a manifestação da glória divina. O rosto de Jesus, ‘brilhante como o sol’, apontava para a glória dos justos no reino do Pai. Igualmente, o esplendor luminoso de suas vestes. A presença de Moisés e Elias indicava que as Escrituras – Palavra de Deus – estão centradas na pessoa de Jesus. Tudo quanto Deus havia falado a seu povo eleito tinha sido em função do seu filho amado. Moisés e Elias evocavam o monte Sinai, o lugar da manifestação de Deus, onde ambos estiveram. O auge da presença divina revela-se quando uma nuvem luminosa envolveu Jesus, e a voz celeste se faz ouvir: ‘Este é o meu filho amado, que muita coisa me agrada. Escutem o que ele diz!’. Assim, os discípulos estavam em condições de compreender a verdadeira identidade de Jesus, na sua condição humana e divina. Este seria um dado importante para quem haveria de ver o Mestre tornar-se vítima da incompreensão das lideranças religiosas do povo. – Pai, que a transfiguração leve-me a confessar Jesus como teu Filho amado, e a reconhecer que sou chamado a expressar o esplendor divino que trago dentro de mim (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 5 de agosto de 2026

(Jr 31,1-7; Sl Jr 31; Mt 15,21-28) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Diante disso, Jesus lhe disse: ‘Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!’

E desde aquele momento sua filha ficou curada” Mt 15,28.

“É admirável a fé dessa mulher e é também admirável a forma com a qual pede que seja socorrida: humildade, confiança e perseverança. São Marcos acrescenta que a mulher se atirou aos pés do Mestre. Assim deve você orar, com as mesmas disposições de espírito. Com humildade: reconhecendo sua indigência. Todos somos pobres na presença de Deus e todos necessitamos de sua ajuda, uma vez que tudo nos vem dele. Com confiança: sabendo quão imensamente misericordioso é o coração de Deus e que não olha para nossa indignidade, mas se deixa levar pelos impulsos de seu coração de Pai. Com perseverança: Deus olha, antes de mais nada, para a fidelidade de conduta e para coerência de vida. O pedido é arma dos pobres, dos que sabem que nada têm e nada têm direito de exigir ou esperar; reconhecendo-se tão indigente na presença de Deus, o pobre torna-se merecedor dos favores celestes. Por isso devemos esforçar-nos por ser, todos, pobres autênticos na presença do Senhor. Vê-se claramente no evangelho o desejo de chamar a atenção, mais do que sobre o milagre realizado por Jesus, sobre a fé extraordinária daquela mulher pagã em contraposição ao farisaísmo judaico. Finalmente, a falta de fé dos seus próprios patrícios, os nazaretanos, tinha impedido que Jesus fizesse milagres entre os seus e, no entanto, a fé excepcional dessa mulher pagã consegue o milagre do bondoso Jesus. Você também tem em suas mãos a armas para arrancar inclusive milagres da divina Providência” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 04 de agosto de 2026

(Jr 30,1-2.12-15.18-22; Sl 101[102]; Mt 15,1-2.10-14) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste será arrancada’” Mt 15,13.

“São poucos versículos nos quais encontramos Jesus comprometido em três diálogos diferentes: com fariseus e escribas (vv. 1,2); com a multidão (vv. 1-11); com os discípulos (vv. 12-14). O fio condutor é a polêmica sobre as normas de pureza legal, que faz emergir alguns aspectos que distinguem a mensagem cristã da sua raiz judaica. A pureza ritual mostra-se uma preocupação de grande parte da classe dirigente judaica, mas aqui Jesus é muito radical que perante normas da tradição opostas ao mandamento de Deus (v. 3), quer ao propor uma perspectiva completamente diversa (v. 11) e, sobretudo, no juízo terrível sobre os fariseus (vv. 13-14). [Compreender a Palavra:] A diferença clara entre o formalismo religioso, aqui atribuído pelo texto de Mateus aos fariseus e escribas, e o valor substancial da responsabilidade individual é o que mais ressalta no texto. Nele exprime a tensão (já presente noutros lugares do Evangelho segundo Mateus; vejam-se, por exemplo, os caps. 19-22) entre todas as comunidades cristãs para as quais ele foi redigido e o judaísmo do século I d.C. na Palestina. Jesus preocupa-se em fazer compreender, não já a quem o interrogou, mas à multidão indiferenciada daqueles que o seguem, que a impureza legal não depende da transgressão de tradições humanas, impregnadas de formalismo, mas das opções de fundo da própria vontade a favor ou contra a vontade divina. A atenção de Jesus, pelo contrário, está centrada toda no interior da pessoa, naquilo que o homem cultiva em si mesmo e que depois, inevitavelmente, sai e, se for mau, pode contaminá-lo. Seguir fariseus e escribas nos caminhos de uma atenção formalista no campo religioso significa a ruina para o discípulo que os segue ou se deixa conduzir por eles” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite