Sexta, 18 de setembro de 2026

(1Cor 15,12-20; Sl 16[17]; Lc 8,1-3) 24ª Domingo do Tempo Comum.   

“Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa-nova do Reino de Deus.

Os doze iam com ele” Lc 8,1.

“Lucas gosta da proposição ‘syn’, ‘com’. Estamos a caminho com Jesus, ele nos leva consigo no caminho da transformação. Jesus quer nos formar de acordo com a sua própria imagem. Lucas mostra isso sobretudo nos Atos dos Apóstolos. O tema do viajar caracteriza a atividade dos discípulos de Jesus. Os apóstolos viajam pelo império romano para levar adiante a mensagem de Jesus. Na força do espírito de Jesus, e repletos dele, eles levam a salvação de Deus aos homens. Se Jesus andou da Galileia até Jerusalém a fim de cumprir o seu destino e com isso as promessas de Deus, os discípulos de Jesus viajam de Jerusalém a Roma, a capital do Império romano. O centro do mundo é iluminado pela alegre mensagem de Jesus. A história de Jesus só se realiza plenamente quando o mundo inteiro estiver compenetrado pelo espírito de Jesus. A reação do povo aos discípulos de Jesus é semelhante à sua reação a Jesus. Todos têm a impressão de que nos discípulos o próprio Deus os visita. Quando Paulo, em Listra, cura um paralítico, o povo pensa que os deuses desceram em forma humana (At 14,11s). E quando Paulo sacode uma víbora que o mordeu e a joga no fogo sem ela lhe fazer mal, os nativos de Malta pensam: ‘É um deus!’ (At 28,6)” (Anselm Grün – Jesus, Modelo do ser humano – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 17 de setembro de 2026

(1Cor 15,1-11; Sl 117[118]; Lc 7,36-50) 24ª Semana do Tempo Comum.

“Então, os convidados começaram a pensar: ‘Quem é este que até perdoa pecados?

Mas Jesus disse à mulher: ‘Tua fé te salvou. Vai em paz!’” Lc 7,50.

“Lucas escreveu muita coisa sobre pecadores (cf. Lc 15), e mencionou muitas vezes o perdão dos pecados como o aspecto central da salvação (At 2,38). Isso, porém, não exprime uma imagem pessimista do ser humano. Em si, o ser humano não é ruim. Ele tem um núcleo bom. Frequentemente, porém, ele vive se desconectando consigo mesmo e com sua própria verdade. Pecador é aquele que não realiza a sua vida, que não acerta o alvo e, por isso, condena e rejeita a si mesmo. Quando muda de rumo e se deixa batizar em nome de Jesus, ele há de experimentar o perdão dos seus pecados, e de receber o Espírito Santo. Ele há de experimentar uma incondicional confirmação da sua existência, e dentro de si uma força que o preservará de sempre de novo cair nos mesmos padrões de uma vida errada. Essa é uma mensagem que os gregos sabiam apreciar muito bem. Para eles tratava-se, sempre de novo, da questão do caminho certo. Como encontrarei o meu caminho? Qual é o caminho que leva à vida? O pecado leva-nos por caminhos errados, não alcançamos a meta. O encontro com Jesus abre-nos um caminho em que nossa vida vai dar certo. No encontro com Jesus libertamo-nos dos fracassos da história da nossa vida, e ficamos repletos do Espírito Santo. O Espírito Santo nos torna capazes de viver de outra maneira, de viver segundo o modelo de vida de Jesus. Segundo o evangelho de Lucas, Jesus não expiou pela sua morte os nossos pecados, nem os limpou por ablução. Ele prometeu de uma maneira nova o perdão de Deus, confirmando-o e selando-o com a sua vida. Nisso consiste a Boa Nova de Lucas: o próprio Jesus nos abre os olhos, de sorte que podemos ver nós mesmos e o mundo de outra maneira. Nesse auto entendimento consiste a conversão, o novo pensar, a nova visão que Jesus nos intermediou. Não precisamos operar a nossa conversão pela nossa própria força para andarmos por outros caminhos, para agirmos de outra maneira, iluminados por essa nova visão. Não precisamos de um programa penoso de ajuda para a vida, como hoje é oferecida em numerosos livros. O próprio Espírito Santo nos impele para andarmos pelo ‘novo caminho’, o caminho para a verdadeira vida. Dará certo a vida daquele que consente em enveredar pelo caminho novo que Jesus abriu” (Anselm Grün – Jesus, Modelo do ser humano – Loyola).  

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Quarta, 16 de setembro de 2026

(1Cor 12,31—13,13; Sl 32[33]; Lc 7,31-35) 24ª Semana do Tempo Comum.

“Pois veio João Batista, que não comia nem bebia vinho, e vós dissestes: ‘Ele está com um demônio’” Lc 7,33.

“O mundo todo interpreta-o mal e distorcidamente. Para ele, tudo é mau e mesmo as próprias ações dos santos mal interpretadas, uma vez que quando o fato em si não só é bom, mas aparece como bom, suspeita-se pelo menos das intenções pelas quais se faz o ato bom. O evangelho pede-lhe que sempre pense bem de todos e que, quando não puder justificar o ato em si, deve pelos menos justificar as intenções com as quais se realizou o ato. Não deve você pensar mal de ninguém e nunca: porque ninguém o constituiu juiz de seu irmão; isso é algo que Deus se reserva para si mesmo e do qual não faz partícipe nenhuma criatura; porque, para julgar alguém, é preciso e é indispensável o conhecimento total e adequado tanto da pessoa que realiza o ato, quanto das intenções e motivos que a impulsionam para agir, como também o critério que se formou das coisas e, em particular, do fato realizado. E você nada disso pode saber nem conhecer. Portanto, a mais indispensável prudência exige de você que se abstenha de emitir qualquer julgamento sobre os atos de seu próximo. Se você não é capaz de julgar-se a si mesmo, porque desconhece toda a amplitude da responsabilidade que lhe compete, muito menos poderá conhecer a parte de responsabilidade que tem seu próximo nos atos que realiza” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite