Quarta, 14 de outubro de 2026

(Gl 5,18-25; Sl 01; Lc 11,42-46) 28ª Semana do Tempo Comum.

“Ai de vós, porque sois como túmulos que não se veem, sobre os quais os homens andam sem saber” Lc 11,44.

“As censuras que Jesus tinha expressado no evangelho anterior, tornam-se agora específicas e mais concretas. Jesus jamais admoesta, se não for para conseguir a conversão. Não tenha o mau costume de pensar que, quando Deus lhe permite alguma contrariedade ou adversidade, é porque quer castiga-lo(a). na verdade, Deus castiga na outra vida e em algumas ocasiões também nesta; porém, de ordinário, quando Deus admoesta ou contraria alguém, mais que por castigo, é como provação e como estímulo, para que ser converta. O Senhor busca sempre o seu bem. ‘Alias, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos’ (Romanos 8,28). As representações de Jesus aos fariseus visam revelar a maldade deles, que se dissimulava com aparências de bondade e as aparências sem realidade não aceitas por Deus nosso Senhor. O pecado dos fariseus está no empenho escrupuloso por normas insignificantes e no desprezo do que é essencial; em querer aparecer como irreprováveis, para serem honrados e estimados como piedosos. O discípulo de Jesus, no entanto, deve valorizar as coisas segundo sua importância. Não deve desprezar o pequeno por ser pequeno, mas deve concentrar seu esforço no fundamental: a justiça, o amor a Deus, o amor ao irmão. ‘Deixais de lado a justiça e o amor a Deus’. Já no profeta Miquéias encontramos a repreensão ao povo por menos prezar a justiça e a caridade e preferir a santidade legal exterior: ‘Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante de teu Deus’ (Miquéias 6,8). O pecado do escriba, do doutor da lei, está em prescrutar a lei dia e noite, para descobrir aos homens o que eles devem fazer, mas ele pessoalmente não a cumpre, nem ajuda a cumpri-lo aos fracos. Nada existe que dê ao homem o sentimento de superioridade sobre os outros como manipular suas consciências; era isso precisamente o que os fariseus faziam e do que se vangloriavam, impondo a observância de inumeráveis preceitos, que afetavam o exterior da lei, mas não penetravam em seu interior. Apoderaram-se da ‘chave da consciência religiosa’; somente eles opinavam sobre o que devia ser e o que se devia fazer ou deixar de fazer, a ponto de darem mais valor às sentenças e ao corpo doutrinal de seus doutores do que aos próprios livros sagrados, e era tamanha a ascendência que tinham diante do povo simples que ‘nem entravam eles, nem deixavam entrar’ o povo no Reino. A salvação não consiste em saber muito, mas em cumprir o que se sabe; não jogar cargas sobre os ombros dos outros, mas ajudar os ‘pobres’ a carregar a própria carga” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 13 de outubro de 2026

(Gl 5,1-6; Sl 118[119]; Lc 11,37-41) 28ª Semana do Tempo Comum.

“O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tivesse lavado as mãos antes da refeição” Lc 11,38.

“A censura velada do fariseu, admirado por ver Jesus sentado à mesa sem ter feito as abluções de praxe, foi devidamente desmascarada. O fato de ter aceitado, de bom grado, o convite para o almoço, não significava que o Mestre estivesse disposto a se submeter a todas as manias de seu anfitrião. De fato, o fariseu não chegou a censurá-lo verbalmente. Jesus, porém, deu-se conta da situação, pelo modo como ele agiu. Aliás, a mentalidade farisaica era assaz conhecida. Daí a iniciativa de denunciar a falta de coerência na prática da pureza ritual, tão valorizada pelos círculos farisaicos. O argumento de Jesus parte da constatação de que existem dois níveis de pureza: interior e exterior, com suas respectivas exigências de purificação. Os fariseus preocupavam-se com a purificação exterior, que se faz com a água e o sabão, cujo efeito é eliminar possíveis impurezas que se apegam ao corpo. A preocupação de Jesus ia na direção oposta: centrava-se no tema da pureza interior. Este nível profundo de impureza resulta do pecado e do egoísmo que se apoderam do coração humano, tornando-o incapaz de se relacionar com Deus. Só a prática da caridade pode tornar o ser humano livre dela. De nada serve purificar o corpo e o prato, nem lavar as mãos antes de sentar-se à mesa, se o coração está cheio de malícia e egoísmo. Importa, antes, purificar o coração. – Pai, purifica de todo pecado e egoísmo o mais íntimo de meu ser, pois eles me tornam incapazes de viver em comunhão contigo e com o meu semelhante” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 12 de outubro de 2026

(Est 5,1-2; Sl 44[45]; Ap 12,1.5.13.15-16; Jo 2,1-11) Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida.

“No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente” Jo 2,1.

“No milagre que nos refere o evangelho de hoje, nas bodas de Caná, Maria Santíssima está presente. É justo que hoje você medite na figura e na missão da Santíssima Virgem Maria. Ela, como mãe solícita e mulher prudente, percebeu a escassez do vinho e quis evitar aos recém-casados a vergonha perante os convidados. Por isso, recorre ao seu Filho, solicitando dele um milagre, se for necessário, e apesar da aparente negativa, ela está confiante na bondade do coração de seu filho Jesus e, assim, ordena aos serventes: ‘Fazei o que ele vos disser’ (v. 5): puramente assim sem discussões, simplesmente: fazei o que ele vos diga. E a caridade de Maria para com os esposos e a confiança de Maria no poder e na bondade de Jesus conseguem o primeiro milagre. Quando Maria está presente, não falta nada; se falta alguma coisa é porque ela não está. O Senhor quer aproximar-se de nós com Maria, porque por intermédio dela manifesta seu amor terno para conosco. A intercessão de Maria é condição querida por Cristo, de quem recebe todo o seu valor; se nos esquecemos disso, perderemos o contato com Cristo. Quem recorre a Maria está certo de conseguir sua proteção, porque é Mãe e uma mãe nunca pode deixar de escutar seu filho, quando este se encontra em alguma necessidade. Quando se ama Maria, ama-se mais intensamente a Cristo; amar a Cristo tal como é significa amá-lo em ambiente mariano, o ambiente de que Jesus se rodeou. E Jesus quer que vamos a ele pelo mesmo caminho que ele seguiu para chegar até nós. ‘A Jesus por Maria’ é lema de que não se deve esquecer nenhum cristão. Maria é modelo de oração: a oração de Maria é confiante e humilde; simplesmente expõe a necessidade do próximo e confia-se à bondade de Jesus. Em nossa oração, devemos imitar Maria e confiar em Jesus; devemos estar convencidos de que Jesus quer nosso bem mais ainda do que nós mesmos o queremos; essa convicção há de fazer brotar uma incondicional confiança em Jesus” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite