27º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 5,1-7; Sl 79[80]; Fl 4,6-9; Mt 21,33-43)*

1. A Palavra de Deus se nos apresenta, nesta missa, sob a forma de uma grande imagem: um parreiral. Na 1ª leitura, ouvimos o cântico da vinha de Isaías. No salmo responsorial, ouvimos a oração da vinha. E o Evangelho nos fez ouvir a parábola da vinha e dos vinhateiros.

2. Há duas maneiras de ler esta parábola da vinha: uma leitura histórica ou narrativa, e outra numa interpretação atual. É a segunda que nos interessa, mas não podemos compreendê-la sem uma compreensão histórica.

3. A 1ª leitura deixa claro para nós que se trata da história do povo hebreu. Libertado do Egito e transplantado para a terra prometida, como se transplanta uma parreira. Mas os frutos não vieram. O resumo dessa história está no salmo que se segue. O abandono de Deus se manifestou na queda de Jerusalém e no exílio.

4. Na versão de Jesus são os vinhateiros que se rebelam, não a videira; isto é, os homens, não a terra. Ele não fala de destruição da vinha, mas ela será dada a outro povo. Uma clara alusão ao destino do povo de Israel por recusar os profetas e maltratar “o Filho”.  

5. O povo a quem foi confiado o Reino somos nós, cristãos, que formamos a Igreja. Nós somos agora, em sentido especial, a vinha de Deus. E aqui começa a atualização da parábola.

6. O evangelista João explora essa imagem da videira aplicada a nossa própria relação com Jesus: “Eu sou a videira; vós os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (cf. Jo 15,5-6). Deus não rejeitará mais sua vinha porque esta vinha é Cristo, a Igreja é o corpo de Cristo.

7. Assim, não haverá um terceiro povo de Deus. Mas ainda que haja a promessa de que a Igreja sobreviverá até o fim dos séculos, isso não quer dizer que indivíduos ou grupos que não produzem frutos nela permaneça. Ao longo da história, muitos se perderam no caminho.

8. Assistimos certas mudanças nos povos cristãos do Ocidente, mas a Deus não interessa que fique em pé uma cultura cristã somente pelo fato de ser tradicionalmente cristã; interessa que permaneça a fé em Jesus Cristo, a aceitação de sua Palavra. Se esta faltar como videira, somos já rejeitados, somos galhos secos a serem cortados.

9. E a Palavra de Deus fica ainda mais séria se aplicada a cada um de nós. Fomos enxertados em Cristo no Batismo, ele nos podou e alimentou. Agora tem o direito de vir pedir os frutos. E vem, com efeito, também se nós não percebemos suas visitas. O que queremos ser? Um ramo unido a Cristo, à Sua Palavra, ou um ramo estéril, coberto somente de folha, isto é, um cristão de palavras, não de fatos?

10. A palavra traz o apelo a não nos separarmos da videira. A Eucaristia nos oferece a possibilidade de reativar em nós o nosso Batismo e a circulação daquela linfa que vem da videira. Tomemos como nossa a oração fervorosa da vinha abandonada expressada pelo salmo: “E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus! Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!”

* com base em texto de Raniero Cantalamessa.


Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 03 de outubro de 2026

(Jó 42,1-3.5-6.12-16; Sl 118[119]; Lc 10,17-24) 26ª Semana do Tempo Comum.

“Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: ‘Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra,

porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelastes aos pequeninos.

Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado” Lc 10,21.

“Os discípulos encheram de alegria seus corações; porém, o Senhor adverte-os que devem alegrar-se, não ‘porque os espíritos se submetem a eles’ (v. 20a), mas, antes, porque ‘vossos nomes estão escritos no céu’ (v. 20b), no livro da vida. Porém não somente alegram-se os discípulos, mas também se alegra o Salvador com alegria do Espírito, que mora nele. Pode-se considerar esta parte do evangelho como o hino da alegria. Na amável alegria do Espírito, Jesus dirige-se ao Pai, para dizer-lhe: ‘Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças’ (v. 21). É o hino de louvor de Jesus. Estes versículos poderiam ser um hino da Igreja primitiva, tão conhecido a ponto de ser citado literalmente, e São Lucas inicia o texto de maneira carismática e, assim, é o único a mencionar que Jesus se alegrou no Espírito, porque vê a obra do Pai no mundo. E Deus Pai nos revelou as coisas secretas da alegria do Espírito; deu-nos a conhecer o mistério do seu amor, que é capaz de tornar bem-aventurado e alegrar o coração do homem. Mas nós devemos permanecer sempre em humildade e na pequenez evangélica para continuar, se não merecendo, pelo menos dispondo-nos para continuar recebendo esses segredos do coração de Jesus Cristo, que ele tem reservado para as almas humildes e simples que se entregam sem reservas de tipo algum” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

            

Sexta, 02 de outubro de 2026

(Ex 23,20-23; Sl 90[91]; Mt 18,1-5.10) Santos Anjos da Guarda.

“Pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos para em todos os caminhos te guardarem” Sl 90,11.

“E São Bernardo comenta numa das leituras da Liturgia das Horas de hoje: ‘Estas palavras devem inspirar-te uma grande reverência, infundir-te uma grande devoção e conferir-te uma grande confiança. Reverência pela presença dos Anjos, devoção pela sua benevolência, confiança pela sua proteção. Estão aqui, portanto, e estão junto de ti, não apenas contigo, mas para teu bem. Estão aqui para te protegerem, para te serem úteis. E embora tenham sido enviados porque Deus lhes deu essa ordem, nem por isso devemos estar-lhes menos agradecidos, pois cumprem essa ordem com muito amor e nos auxiliam nas nossas necessidades, que são tão grandes’. ‘Eles te levarão nas suas mãos, para que o teu pé não tropece em pedra alguma’ (Sl 90,2). Sustentam-nos nas suas mãos como um precioso tesouro que Deus lhes confiou. Como os irmãos mais velhos cuidam dos mais novos, assim os Anjos nos assistem até nos introduzirem felizmente na casa paterna. Então terão cumprido a sua missão” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 5 – Quadrante)

Pe. João Bosco Vieira Leite