(At 5,34-42; Sl 26[27]; Jo 6,1-15) 2ª Semana da Pascoa.
“Estava próxima a Páscoa, a festa dos
judeus” Jo 6,4.
“O
milagre da partilha do pão está inserido num contexto pascal. Seu simbolismo
ajuda-nos a compreendê-lo. O Evangelho observa que ‘a páscoa, a festa dos
judeus, estava perto’. A páscoa era a festa principal do calendário judaico.
Recordava a libertação da escravidão egípcia e a entrada na Terra Prometida.
Este episódio era considerado como a experiência fundante do povo de Israel,
pois nele Deus se revelara como protetor e libertador do povo eleito. Outros
elementos recordam a experiência do antigo Israel: o fato de Jesus se encontrar
às margens do mar da Galileia e ter subido a uma alta montanha, onde se sentou
com os discípulos. O Mar vermelho e o Monte Sinai são, aqui, evocados. O lugar
deserto, onde se encontravam os ouvintes do Mestre, bem como a carência de
alimentos e a posterior providência de Jesus para saciar a multidão também têm
a ver com o fato de outrora. Tendo como pano de fundo esta ambientação pascal,
a cena evangélica significa que é missão do Ressuscitado ser o guia da
comunidade cristã a caminho da Terra Prometida – a casa do Pai. O povo
congregado em torno de Jesus é chamado a ser um povo de irmãos e irmãs para as
quais a partilha solidária é uma exigência irrenunciável. Mesmo sendo muitos,
ninguém será vítima do abandono ou da fome. Aqui, o egoísmo não pode ter vez! A
Páscoa de Jesus convida-nos, pois, a renovar nossa condição de povo de Deus.
– Pai, que a Páscoa de Jesus renove em mim a consciência de pertencer a
teu povo, cuja existência deve se pautar pela caridade e pela partilha
solidária” (Pe.
Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] -
Paulinas).
Pe.
João Bosco Vieira Leite