Quarta, 15 de abril de 2026

(At 5,17-26; Sl 33[34]; Jo 3,16-21) 2ª Semana da Páscoa.              

“De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo,

mas para que o mundo seja salvo por ele” Jo 3,17.

“Nos versículos que se seguem, João desenvolve com maior clareza ainda o mistério da vinda de Jesus. Jesus não vem para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Em Jesus se manifestou a sua intenção de curar o homem, de tirá-lo de sua perdição, de salvá-lo, de libertá-lo da dependência, de reergue-lo e de restituir-lhe a sua forma original, aquela que, no ato da criação, estava no plano de Deus para cada um individualmente. Quem crê em Jesus já está vivendo a salvação, a sua vida está no caminho certo, as suas feridas perderam a força peçonhenta e mortífera. Deus não julga. Mas quem não crê em Jesus já está julgado; ele próprio se excluiu da vida verdadeira. Porque a vida verdadeira só pode ser encontrada em Jesus. Isso não quer dizer, naturalmente, que só se salva aquele que confessa Jesus em palavras e sinais externos, como afirmam equivocamente certos fundamentalistas. João está longe desse pensamento estreito. João quer nos dizer positivamente que essa vida verdadeira está à disposição em Jesus. Quem não crê em Jesus não entendeu o que significa viver verdadeiramente. Mas a fé é mais do que a confissão meramente exterior. Há mesmo pessoas que recusam Jesus externamente porque, para eles, o seu nome está ligado a todos aqueles preconceitos que foram se acumulando no decorrer da vida em seu interior. Outros não aceitam Jesus porque cresceram em outras religiões. Mas em seu íntimo talvez intuam mesmo assim que é esse Jesus que Deus doa a vida eterna. Os budistas também falam na verdadeira vida que se situa totalmente no presente momento. Em sua alma intuem algo daquilo que Jesus quis transmitir-nos: que devemos abrir os olhos para ver o essencial. Jesus quer mostrar-nos o mistério da vida. Ele nos revela Deus e, em Deus, a realidade autêntica que está por trás de o que é visível. Crer significa, sobretudo, ver o que é, ver sem preconceitos, ver o que há por trás das coisas, reconhecer em Deus o fundamento de todo o ser, ver Deus como o amor que se manifestou em Jesus” (Anselm Grun – Jesus, porta para a vida – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 14 de abril de 2026

(At 4,32-37; Sl 92[93]; Jo 3,7-15) 2ª Semana da Páscoa.

“O vento sopra onde quer, e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai.

Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito” Jo 3,8.

“Quem se faz discípulo do Ressuscitado deve dispor-se a viver a aventura do Espírito. Esta exigência está contida na afirmação enigmática de Jesus: ‘O vento sopra onde quer, você ouve o barulho, porém, não se sabe de onde vem nem para onde vai. A mesma coisa acontece com quem nasceu do Espírito’. Este alerta é fundamental para quem foi iniciado no processo de discipulado. Tornar-se discípulo de Jesus comporta colocar-se à inteira disposição do Espírito. Só assim, irá precaver contra a tentação de querer aprisionar o Espírito e colocar Deus dentro dos próprios limites humanos. Opção empobrecedora, pois impede o ser humano de deixar desabrochar toda a riqueza de dons que lhe foi confiada por Deus. Fechando-se dentro de seus próprios limites, o discípulo tende a acomodar-se, a não ser criativo, e a contentar-se com o pouco, a deixar-se abater pelas críticas, pelas incompreensões e pelos sucessos. Soprando onde e como quer, o Espírito proporciona ao discípulo o dinamismo incomum, a ponto de se admirar com os próprios feitos. Embora pequeno e frágil, não temerá realizar grandes empresas. Tornar-se-á forte diante das contrariedades da vida, o ponto de superá-las todas, e destemido em se tratando de dar testemunho do Ressuscitado. Mostrar-se-á, também, possuidor de uma sabedoria, antes desconhecida; e manterá viva a chama da fé e da esperança, quando o fracasso bater à sua porta. Basta deixar-se conduzir pelo Espírito! – Pai, lança-me, cada dia, na aventura do Espírito, que me tira do comodismo e do abatimento e me faz superar meus próprios limites (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 13 de abril de 2026

(At 4,23-31; Sl 02; Jo 3,1-8) 2ª Semana da Páscoa.

“Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce do alto, não pode ver o Reino de Deus’” Jo 3,3.

“Nascer de novo é nascer para a vida do Espírito. É este um nascimento muito novo e diferente; ininteligível para os critérios da ‘carne’. Por isso, não o entendia Nicodemos, que raciocinava só com sua mente e não com espírito. Jesus fala de uma vida nova que ele nos trouxe: a vida da graça, que se manifesta nas virtudes da fé, esperança e caridade. Nicodemos, de início, não entendeu o que ouvia; mas seu coração foi dispondo-se e, pouco a pouco, entendeu o que Jesus lhe ensinava. Jesus não desprezou Nicodemos, nem levou em conta sua timidez, seu respeito humano; acolheu-o com amabilidade e falou longamente com ele. Porém Jesus não desfigura a verdade e a sublimidade de seus ensinamentos perante Nicodemos, ainda que previsse que iria escandalizar-se. Em sua missão evangelizadora, você não deve desfigurar ou mutilar o ideal cristão, para que se assustem; ao invés disso, desde o primeiro instante, você tem de apresentar o evangelho em toda a sua pureza e integridade, ainda que algum fraco de espírito possa assustar-se. O evangelho sempre acaba entusiasmando” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite