Quinta, 12 de março de 2026

(Jr 7,23-28; Sl 94[95]; Lc 11,14-23) 3ª Semana da Quaresma.

“Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus” Lc 11,20.

A presença do Reino de Deus na história da humanidade revelava-se no poder de Jesus de expulsar os demônios, libertando todo ser humano desse poder opressor. Essa libertação significava a retomada do senhorio de Deus na vida de quem era dominado pelo maligno, possibilitando-lhe, novamente, a vivência do amor e da solidariedade. Jesus personificava o Reino de Deus na medida em que estava todo centrado no Pai, cujas obras buscava realizar. Em suas ações, revelava-se ‘o dedo de Deus’ na ida de tantas pessoas privadas da sua dignidade. Contudo, isto não era evidente! Só quem estava sintonizado com Jesus tinha condições de perceber Deus agindo por meio dele. Caso contrário, corria-se o risco de interpretá-lo mal e fazê-lo objeto de falsas acusações. Foi o que aconteceu quando o acusaram de agir com poder de Belzebu, o chefe dos demônios. Ou quando exigiam dele sinais sempre mais mirabolantes, como prova da autenticidade do seu messianismo. O fato de ser incompreendido não impedia Jesus de seguir adiante. Movia-o somente a consciência de dever ser fiel ao Pai. Por isso, não cessava de dar testemunho do amor que Deus derrama sobre a humanidade. – Pai, transforma-me em instrumento de teu amor misericordioso, a exemplo de Jesus. Por onde eu passar, possa ser testemunha de que o Reino já chegou para nós (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 11 de março de 2026

(Dt 4,1.5-9; Sl 147[147B]; Mt 5,17-19) 3ª Semana da Quaresma.

“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento” Mt 5,17.

“Até que ponto o Evangelho nos liberta? Estamos habituados a pensar em Jesus somente em termos de renovação e cumprimento e que Ele vem dizer-nos que ‘a Lei e os Profetas’ não são abolidos, que os preceitos e ensinamentos que contêm permanecem em todo o seu vigor. De fato, o cumprimento do Evangelho a perfeição do senhorio de Deus, o Reino, jamais poderão significar o cancelamento da Palavra de Deus (= ‘a Lei e os profetas’). Um cristianismo assim não poderia manter-se: seria como se não tivesse alicerces nem raízes. Não, Jesus veio levar à perfeição o que estava contido no Antigo Testamento. Nem sequer o mais pequeno sinal pode ser abolido sem que todo o resto fique destruído. Trata-se de fazer ver como a vida está presente debaixo do pó com que nós cristãos envolvemos os livros das Escrituras. Tudo fala de Cristo, tudo anuncia Cristo: em cada um dos preceitos está a Palavra que salva, em cada página das Escrituras Deus quis manifestar-se aos homens o mistério da Sua vontade de salvação, revelando- Se a Si mesmo. Esta comunhão com o povo hebreu e com Jesus hebreu permite-nos compreender a nossa fé num sentido que amiúde desconhecemos. Então, a perfeição que Cristo veio realizar não pode ser senão a valorização do próprio desígnio divino iniciado em Abraão” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 10 de março de 2026

(Dn 3,25.34-43; Sl 24[25]; Mt 18,21-35) 3ª Semana da Quaresma.

“Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?” Mt 18,33.

“Nós ofendemos a Deus; a gravidade de nossos pecados supera em muito o que possamos ter recebido de nosso próximo. Não nos esquecemos que os pecados que nós cometemos contra Deus têm uma gravidade infinita, visto que a gravidade de uma ofensa se mede não pela pessoa que pratica, mas pela dignidade da pessoa que é ofendida; e neste caso o ofendido é Deus, infinito em santidade e dignidade. Essa nossa dívida para com Deus, expressa na parábola por cifra exorbitante, é uma dívida que nós não podemos cancelar e, por isso, devemos recorrer à infinita misericórdia do Senhor que não olha a imensidade de nossas ofensas, mas o infinito amor que nos tem como filhos. Na parábola, o rei perdoou generosamente a dívida de seu servo e, por sua vez, o servo não quis perdoar a seu companheiro a insignificante dívida que tinha com ele. O servo sem misericórdia condenou-se a si próprio com sua reprovável conduta. Não é, com efeito, justo que, se nós pedirmos perdão de nossos pecados a Deus, perdoemos também nós as ofensas que nosso próximo ter-nos inferido?” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite