(Ef 2,19-22; Sl 18[19ª]; Lc 6,12-19) Santos Simão e Judas.
“Ao amanhecer, chamou seus discípulos e
escolheu doze dentre eles, aos quais chamou de apóstolos” Lc 6,13.
“Simão
recebe um apelido que varia nas quatro listas: enquanto Mateus e Marcos o
qualificam de ‘cananeu’, Lucas o define como ‘zelota’. Na verdade, os dois
qualificativos são equivalentes, já que significam o mesmo: na língua hebraica,
o verbo ‘qanà’’ significa ser ‘zeloso, apaixonado’ e pode muito bem referir-se
a Deus, uma vez que é zeloso do povo por Ele (cf. Ex 20,5), ou então dos homens
que ardem de ciúmes ao servir ao Deus único com dedicação plena, como Elias
(cf. 1Rs 19,10). É bastante provável, portanto, que este Simão, se não pertence
especificamente ao movimento nacionalista dos zelotas, se caracterizava ao
menos por um ardente ciúme pela identidade judia, quer dizer, por Deus, seu
povo e pela Lei Divina. Se isto é assim, Simão coloca-se na antípoda de Mateus,
que, na qualidade de publicano, provinha de uma atividade considerada
completamente impura. Sinal evidente de que Jesus chama os seus discípulos e
colaboradores de religiões e estratos sociais variados, sem exclusão alguma. A
Ele interessavam as pessoas, não as categorias sociais ou as etiquetas! E a
beleza está em que, no grupo de seus seguidores, todos, embora diferentes,
conviviam, superando as dificuldades que podemos imaginar: o próprio Jesus era
o motivo de coesão, em que todos se encontravam unidos. Isto constitui uma
lição para nós, pois frequentemente tendemos a evidenciar as diferenças e até
as oposições, esquecendo-nos de que em Jesus Cristo nos é dada a força para
superar os nossos conflitos. Tampouco devemos esquecer que o grupo dos Doze constitui
uma prefiguração da Igreja, em que devem encontrar espaço todos os carismas,
povos, raças, todas as qualidades humanas que encontram sua composição e a sua
unidade na comunhão com Jesus”
(Bento XVI – Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Jesus – Planeta).
Pe.
João Bosco Vieira Leite