Quinta, 22 de outubro de 2026

(Ef 3,14-21; Sl 32[33]; Lc 12,49-53) 29ª Semana do Tempo Comum.

“...que ele faça habitar, pela fé, Cristo em vossos corações; que estejais enraizados e fundados no amor” Ef 3,17.

“’Por isso’ (assim começa o v. 14), ou seja, pelo desígnio salvífico contemplado nos capítulos precedentes, o autor eleva uma oração de intercessão (vv. 14-19) e de louvor a Deus (vv. 20-21), artífice da salvação da Humanidade em virtude da sua liberalidade gratuita. Conclui-se assim a primeira parte da Carta aos Efésios (caps. 1-3), de forma correspondente ao seu começo, também ele articulado numa oração de intercessão (cf. Ef 1,15-19) e de bênção (cf. Ef 1,3-14). [Compreender a Palavra:] A oração tem um forte sentido trinitário. O ‘Pai’ é origem do projeto de salvação (v. 14) e termo da oração de louvor reconhecido e adorante (vv. 20-21). Não fica a ser um poder estranho aos nossos problemas, antes torna-nos participantes da plenitude da Sua vida e do Seu amor. Esses bens são-nos comunicados por ‘Cristo’ e pelo ‘Espírito’. Por meio da fé, Eles habitam no nosso ‘homem interior’ (v. 16) – nos ‘corações’ (v. 17) –, expressões respectivamente helenista e hebraica, para indicar o centro da pessoa humana, a consciência, o núcleo originário da identidade. A nossa pessoa é assim abrangida por Cristo e pelo seu Espírito, que estabelecem conosco uma verdadeira e própria relação interpessoal. A fé é uma profunda comunhão entre nós e Deus, na qual o próprio Deus Se comunica a nós, e Se torna presente em nós. A oração é expressão desta comunhão: ela não tende para um Deus longínquo, mas exprime a própria vida do Senhor uno e trino, que nos é comunicada” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 21 de outubro de 2026

(Ef 3,2-12; Sl Is 12; Lc 12,39-48) 29ª Semana do Tempo Comum.

“A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!” Lc 12,48b.

“Uma parábola sobre a incerteza da vinda do Senhor (vv. 39-40) oferece a ocasião a Jesus, através de uma pergunta de Pedro (v. 41), de contar uma outra parábola, dirigida especialmente aos responsáveis da comunidade eclesial (vv. 42-48), que em apêndice traz os ditos correlativos. A imagem da vinda do Senhor une os vários textos desta página evangélica. [Compreender a Palavra:] As parábolas não são comparações em que cada pormenor encontra um correspondente real, caso contrário o Filho do homem viria ser comparado com um ladrão! Antes, existe um ponto das parábolas para qual chama a atenção e instaura-se uma comparação eficaz. Na primeira parábola, isto é dado pelo caráter imprevisto da vinda do ladrão: a vinda do Filho do homem será igualmente imprevista (v. 40). Daqui a exigência de permanecerem prontos e vigilantes, exigência que encontra uma expressão particular na fidelidade operosa dos responsáveis da comunidade às tarefas que lhes foram confiadas, como é dito na segunda parábola. Ela traduz-se na solicitude para com os outros membros da casa, que devem ser objeto de atenção e de cuidado, e não de atitudes de poder e de prepotência. A par desta página evangélica podemos ler a percepção de uma vinda de Jesus, cujos tempos não estão à disposição dos discípulos, e seja como for, não estão próximos. Mas, precisamente o aspecto não imediato da vinda de Cristo garante espaço ao desenvolvimento da História e chama os crentes a um testemunho responsável (cf. At 1,6-8)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 20 de outubro de 2026

(Ef 2,12-22; Sl 84[85]; Lc 12,35-38) 29ª Semana do Tempo Comum.

“Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento para lhe abrir imediatamente a porta, logo que ele chegar” Lc 12,36.

“Deus espera, mas não avisa; espera-nos porque é infinitamente bom e misericordioso; no entanto não avisa, a fim de que estejamos em constante preparação para apresentar-nos à sua divina presença, quando ele voltar. O tempo intermediário até a parusia, ou volta triunfante do Senhor, é o tempo que vivemos agora, é o tempo da Igreja; esse tempo exige uma atitude: a de estarmos vigilantes, atentos e preparados, para quando o Senhor vier a nós. A expressão ‘estejam cingidos os vossos rins’ (v. 35) refere-se a ação de erguer as vestes a cingi-las na cintura, a fim de que não atrapalhem no trabalho; as vestes longas e as túnicas amplas, que os orientais usavam, eram uma atrapalhação para a lida diária; por isso as erguiam até a cintura quando deviam dedicar-se ao trabalho. A expressão ‘estejam acesas as vossas lâmpadas’ (v. 35) refere-se com clareza mais que suficiente à atitude de espera e de vigilância com a qual devemos dispor-nos continuamente para a vinda do Senhor e ao espírito de autêntica e verdadeira fé com a qual devemos viver. ‘Os homens esperam seu Senhor’ (v.36) estão vigilantes e preparados para recebe-lo, assim que apareçam os primeiros sinais de que está chegando. Porque o Senhor, com certeza que o Senhor há de voltar e que voltará então já triunfante e glorioso, para julgar o mundo por sua incredulidade. De tudo isso se deduz a necessidade da vigilância e da fidelidade do bom cristão, bom discípulo e servidor de Jesus Cristo” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite