Quarta, 03 de junho de 2026

(2Tm 1,1-3.6-12; Sl 122[123]; Mc 12,18-27) 9ª Semana do Tempo Comum.

“Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muitos enganados” Mc 12,27.

“Nosso Deus é o Deus dos vivos; é o Deus daqueles que, por reconhecê-lo como Deus, devem viver a vida dele; será esta a única forma de crer em Deus, viver sua própria vida divina. Caso contrário, nossa fé não passará do nível de simples crença, e nunca se poderá proclamá-la como uma verdadeira fé, que antes de mais nada é uma vida. Devemos questionar-nos com frequência se na realidade temos fé. Não importa que sejamos pessoas comprometidas com o Reino de Deus; se não temos a vida de Deus em nós, não temos fé, pelo menos uma fé vivencial, como deve ser a fé autêntica” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 02 de junho de 2026

(2Pd 3,12-15.17-18; Sl 89[90]; Mc 12,13-17) 9ª Semana do Tempo Comum.

“As autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes

para apanharem Jesus em alguma palavra” Mc 12,13.

“A hostilidade contra Jesus uniu os seus adversários. Os enviados para armar-lhe ciladas são partidários da facção farisaica e do partido dos herodianos. Os fariseus eram bem conhecidos por seu apego às prescrições da Lei e por sua postura anti-romana. Embora resistissem aos opressores, de forma não-violenta, recusavam-se, decididamente, a conformar-se com a dominação estrangeira. Por sua vez, os herodianos estavam ligados à casa de Herodes cujos membros exerciam a autoridade em nome do imperador romano. Os fariseus buscaram a ajuda dos herodianos por saberem que estes, embora indiferentes quanto às questões religiosas, tinham interesse em abafar os movimentos populares de caráter messiânico, para evitar problemas com Roma. Por isso, fecharam os olhos às suas divergências ideológicas e optaram fazer um conluio com seus inimigos para garantir a eliminação de Jesus. A questão dirigida ao Mestre – ‘É lícito ou não pagar o tributo a César?’ – era de caráter eminentemente político. Respondendo sim, Jesus entraria no rol dos que se opunham à autoridade romana. Respondendo não, perderia a simpatia do povo, o qual, na certa, o consideraria um traidor, por reconhecer e justificar a opressão estrangeira. Jesus deu-lhes uma resposta admirável: nada impede de dar a César o que lhe pertence, desde que o absoluto de Deus seja respeitado. Deus é a medida de tudo! – Pai, tudo quanto existe no universo te pertence. Ensina-me a subordinar tudo ao teu querer e a considerar-te a medida de tudo” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 01 de junho de 2026

(2Pd 1,2-7; Sl 90[91]; Mc 12,1-12) 9ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus começou a falar aos sumos sacerdotes, mestres da Lei e anciãos, usando parábolas: ‘Um homem plantou uma vinha, cercou-a, fez um lagar e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou a vinha a alguns agricultores e viajou para longe’” Mc 12,1.

“Depois da expulsão dos vendedores do Templo, Marcos conta o confronto entre Jesus e os sumos sacerdotes, os escribas e anciãos. E no meio desses debates Marcos insere a parábola dos vinhateiros homicidas. Essa história não é tão complexa quanto outras parábolas que podem receber interpretações em vários níveis. Aqui, Jesus está contando seu próprio destino, e os ouvintes sabem muito bem de que está falando: ‘Tinham compreendido que era para eles que ele dissera esta parábola’ (12,12). Jesus começa a parábola com uma descrição do cântico da vinha, do profeta Isaías: ‘Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e construiu uma torre’ (12,1 = Isaías 5,1s). No Antigo Testamento, a vinha é um símbolo recorrente do povo de Israel. Deus mesmo plantou essa vinha. Arrendou-a a vinhateiros. Deve ser uma metáfora que designa os responsáveis pelo povo, os sumos sacerdotes e escribas. Por três vezes Deus manda um servo, para receber dos vinhateiros sua parte da produção da vinha. Os servos representam os profetas que Deus enviou vez por outra a seu povo. Mas, muitas vezes, o povo de Israel acabou matando os profetas. Chega a causar assombro a paciência de Deus para com seu povo. Ele reage de uma maneira bem diferente à infidelidade do que faríamos nós humanos. O próprio Jesus ilustra essa atitude: ‘Só lhe restava seu filho amado. Enviou-o por último, dizendo consigo mesmo: ‘Respeitarão meu filho’’ (12,6). Nessa passagem, Jesus quer mostrar claramente aos adversários a quem estão tentando matar: o filho bem-amado de Deus. Com esse versículo, Marcos interpreta o mistério da encarnação e da morte de Jesus. Deus nos mandou, em Jesus, seu Filho amado. A vinda de Jesus é expressão do amor paciente de Deus. Mas a consideração de Deus é anulada pelas maquinações contrárias dos vinhateiros: ‘Disseram uns aos outros: ‘É o herdeiro. Vinde! Matemo-lo e ficaremos com a herança’’ (12,7). Eles o agarram, o matam e lançam seu corpo fora da vinha, para que os animais o devorem. Segundo a lei judaica, isso é crime de injúria (Grundmann, 323). Com essa parábola, Jesus desvenda a tramoia de seus adversários. É a última tentativa que Jesus faz, ‘para abrir os olhos de seus inimigos: mostrando-lhes todo o alcance de seu intento de mata-lo, Jesus lhes dá a oportunidade de voltarem a si enquanto é tempo e de pararem de conspirar contra ele’ (Iersel, 193). Mas é em vão a tentativa de Jesus. O leitor sabe que hão de mata-lo – desta vez a vítima não é apenas um profeta, mas o filho amado de Deus” (Ansel Grün – Jesus, caminho para a liberdade – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite