Quinta, 30 de abril de 2026

(At 13,13-25; Sl 88[89]; Jo 13,16-20) 4ª Semana da Páscoa.

“Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um salvador, que é Jesus” At 13,23.

“A partir de agora, no Livro dos Atos dos Apóstolos, Lucas nomeia somente Paulo como protagonista da missão. Quando Barnabé entra em cena, assume sempre um lugar de segundo plano. Na dupla intervenção do Apóstolo na sinagoga de Antioquia da Pisídia (cf. At 13,13-41 e 46-47) encontramos um exemplo típico de sua estratégia missionária e do conteúdo da sua pregação aos judeus nas sinagogas (cf. At 9,20; 13,5). Destes dois discursos a leitura de hoje propõe a parte inicial do primeiro. Paulo dirige-nos não só aos ‘homens de Israel’, mas também a todos os que ‘temem a Deus’ (v. 16). [Compreender a Palavra:] Escutamos hoje a primeira parte do discurso inaugural do ministério de Paulo. Pronunciou-o na sinagoga de Antioquia da Pisídia (na Turquia atual), aonde tinha chegado vindo de Perge. Uma caminhada de cerca de quinhentos quilômetros através das zonas montanhosas do Tauro, enfrentando incômodos vários e perigos. Talvez por essa razão João Marcos não o acompanhou, bem como aos outros, e regressou a Jerusalém. Também Paulo, como Jesus (Lc 4,16-32), começa sua pregação no âmbito da liturgia da sinagoga de sábado. Será um hábito na atividade do Apóstolo o fato de anunciar, onde fosse possível, o anúncio de Jesus Cristo dirigindo-se à comunidade hebraica presente nos vários lugares. Com hábil retórica, Paulo avalia atentamente a sensibilidade dos seus ouvintes e começa com uma síntese da história da Salvação que narra todas as obras realizadas por Deus a favor de Israel, desde as origens até o rei Davi, a cuja descendência está ligada a promessa de um salvador. Esse salvador é Jesus de Nazaré, do qual deu testemunho João Batista, o precursor. O Nazareno é por isso apresentado como o vértice da longa história de Israel, como salvador enviado por Deus para cumprir as suas promessas. A lógica seguida por Paulo, e que culminará no anúncio do ‘Kerygma’ que escutaremos amanhã, é muito simples: aquele que Deus vos prometera como remate da Sua especial relação convosco, aquele que desde sempre esperais é Jesus de Nazaré, do qual vos estou falando. Deus vem ao nosso encontro e permite que O encontremos, não fora da nossa vida, da nossa história, das nossas aspirações e dos nossos desejos, mas precisamente neles e a partir deles. Paulo sabe-o bem e por isso, para anunciar Jesus enquanto Messias de modo a que isso possa ser acolhido, apela à sensibilidade e às expectativas dos seus ouvintes hebreus. É um anúncio inteligente que não é estratégia publicitária, mas capacidade de discernir a ação de Deus na História e de respeitar as pessoas às quais se dirige” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma - Páscoa] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 29 de abril de 2026

(At 12,24—13,5; Sl 66[67]; Jo 12,44-50) 4ª Semana da Páscoa.

“Se alguém ouvir as minhas palavras e não as observar, eu não o julgo, porque não vim para julgar o mundo,

mas para salvá-lo” Jo 12,47.

“Ainda mais uma vez – e já são tantas – Jesus dá testemunho de que ele não fala por si, mas porque ‘o Pai que me enviou, ele mesmo prescreveu o que devo dizer e o que devo ensinar’ (. 49). Daí que ‘aquele que crê em mim, crê não em mim, mas naquele que me enviou, e aquele que me vê, vê aquele que me enviou’ (vv. 44-45). A estreita união de Jesus com o Pai se repete até a exaustão, mas isso nos deve colocar no mais profundo da alma que Jesus sempre corresponde ao Pai, à missão que lhe deu. Assim entendemos as afirmações de Jesus: ‘Aquele que crê em mim, crê não em mim, mas naquele que me enviou’ (v. 44); ‘Aquele que me vê, vê aquele que me enviou’ (v. 45); ‘Eu vim como luz ao mundo; assim, aquele que crê em mim não ficará nas trevas’ (v. 46). O homem rejeita institivamente as trevas e busca desesperadamente a luz; daí segue-se que deve ser verdadeiramente horrível a situação daquele que vive no erro e ao seu derredor não descobre nenhum clarão da luz da verdade. O cristão, ao invés, é filho da luz e nada na luz e com a segurança que a luz lhe dá. A afirmação que Jesus de que é a Luz que veio ao mundo, a fim de que não ande nas trevas, o cristão a aplica a si mesmo. Assim, o cristão não encontra questionamentos que o incomodem ou, se os encontra, tem ao seu alcance a luz, que é a palavra iluminadora de Jesus que se derrama sobre esses questionamentos. Por isso Jesus acrescenta: ‘Se alguém ouve as minhas palavras e não as guarda, eu não o condenarei (...), a palavra que anunciei julgá-lo-á no último dia’ (vv. 47.48). Porém Jesus adverte-nos: ‘não vim para condenar o mundo, mas para salvá-lo’ (v. 47). Já anteriormente o havia dito Nicodemos: ‘Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele’ (João 3,17)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 28 de abril de 2026

(At 11,19-26; Sl 86[87]; Jo 10,22-30) 4ª Semana da Páscoa.

“Os judeus que rodeavam-no e disseram: ‘Até quando nos deixarás em dúvida?

Se tu és o Messias, dize-nos abertamente’” Jo 10,24.

“O modo de proceder de Jesus bem como os seus ensinamentos deixavam desconcertados os seus adversários. Embora realizasse gestos religiosos, suficientes para revelar sua plena comunhão com o Pai, e falasse de maneira até então desconhecida, permanecia uma incógnita a seu respeito. Os judeus que tinham tudo para reconhece-lo como o Messias, permaneciam na incerteza. Por isso, ficavam à espera de que Jesus lhes ‘dissesse abertamente’ que ele era. A postura assumida pelos adversários impedia-os de compreender a verdadeira identidade messiânica de Jesus. Movidos pela suspeita, pela malevolência e pela crítica mordaz, jamais conseguiriam chegar à resposta desejada. Daí a tendência a acusar Jesus de blasfemo e imputar-lhe toda sorte de desvios teológicos e políticos. Em contraste com os adversários estavam os discípulos. Estes, sim, colocavam-se numa atitude humilde de escuta, atentos às palavras do Mestre, buscando desvendar-lhes seu sentido mais profundo. Dispuseram-se a segui-lo, para serem instruídos não só por suas palavras, mas também por seus gestos concretos de misericórdia, para com os mais necessitados. A comunhão de vida com o Mestre permitia-lhes descobrir sua condição de Messias, o enviado do Pai. A incógnita sobre Jesus permanece para quem se posiciona diante dele como adversário. Quem se faz discípulo, não tem dificuldade de reconhece-lo como Messias. – Pai, dá-me um coração de discípulo que se deixa guiar docilmente pelo Mestre Jesus, tornando-se, assim, apto para reconhecer sua condição de Messias de Deus (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite