Sexta, 11 de setembro de 2026

(1Cor 9,16-19.22-27; Sl 83[84]; Lc 6,39-42) 23ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus contou uma parábola aos discípulos: ‘Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco?’”

Lc 6,39.

Falta, muitas vezes, o senso de autocrítica às lideranças eclesiais. São incapazes de reconhecer suas fraquezas e limitações, e se arrogam o direito de ser juízes impiedosos da comunidade. Em geral, são mestres em reconhecer os defeitos alheios e subestimar as virtudes que encontram nos outros. Como é possível exercer bem a liderança nessas circunstâncias? Trata-se de uma situação semelhante à do cego que se predispõe a guiar outro cego. Consequência inevitável: ambos cairão no primeiro buraco que encontrarem. O bom líder tem agudo senso de autocrítica, sabendo detectar seus pontos positivos e seus pontos negativos. Não se recusa a deixar-se corrigir, pois se reconhece carente de ajuda. E quando deve censurar a falta de alguém, age com mansidão e misericórdia, sem querer usurpar o lugar que cabe a Deus. Por isto, está sempre pronto a perdoar e a contemporizar, tendo em vista ganhar para o Pai o irmão ou a irmã faltosos. Portanto, é preciso banir a hipocrisia do meio das lideranças eclesiais, quaisquer que sejam. Estas não podem aparentar o que não são, nem se servir da religião para acobertar suas mazelas. Quanto mais o líder for transparente tanto mais está capacitado para ajudar o próximo. E quanto mais estiver disposto a corrigir suas faltas pessoais, mais condições terá para corrigir as faltas alheias. – Pai, concede-me suficiente autocrítica que me predisponha a corrigir meu semelhante, sem incorrer na malícia dos hipócritas” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 10 de setembro de 2026

(1Cor 8,1-7.11-13; Sl 138[139]; Lc 6,27-38) 23ª Semana do Tempo Comum.

“Pecando, assim, contra os irmãos e ferindo a consciência deles, que é fraca, é contra Cristo que pecais” 1Cor 8,12.

“Entre os cristãos de Corinto não faltavam motivos de divisão. Um era dado pela questão que dizia respeito à permissividade de comer as carnes antes oferecidas aos ídolos e depois vendidas no mercado. Alguns cristãos pendiam para o sim, outros para o não, e todos aduziam os seus motivos: alguns sabiam que os ídolos não existiam e não governam o mundo e, portanto, comer a carne a eles imolada é insignificante sob o ponto de vista moral; outros pensavam que comer essa carne constituía recair na idolatria e, por conseguinte, viam nisso agir contra a consciência. [Compreender a Palavra:] Os princípios com os quais Paulo responde à pergunta acerca da possibilidade de comer ou não carnes imoladas aos ídolos: as ideias claras, mesmo no campo religioso, não bastam para a vida; o verdadeiro conhecimento de Deus e do homem nasce do amor e leva ao amor. A liberdade cristã não é autonomia abstrata e afirmação individualista do próprio saber, mas é capaz de viver com os outros, tendo em conta as suas exigências, os seus condicionalismos, a sua insuperável dignidade. Quantos acham que os ídolos não existem, porque ‘não há senão um único Deus, o Pai [...] e um só Senhor Jesus Cristo’ (cf. v. 5) raciocinam bem, mas esquecem que a identidade cristã consiste, antes de mais, na caridade: faltar à caridade para um cristão é um contrassenso. O próximo, mesmo se fraco, é sobretudo ‘um irmão por quem Cristo morreu’ (v. 11) e é sempre amado por Jesus por aquilo que é. Pecar contra um irmão, ferindo a sua consciência, é pecar ‘contra Cristo’ (v. 12): não é afirmar a liberdade, mas sim destruir a própria vida, regressar à situação de morte que caracteriza o paganismo” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 09 de setembro de 2026

(1Cor 7,25-31; Sl 44[45]; Lc 6,20-26) 23ª Semana do Tempo Comum.    

“Jesus, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: ‘Bem-aventurados vós, os pobres,

porque vosso é o Reino de Deus!’” Lc 6,20.

“As palavras de Jesus dirigem-se os pobres que tem diante de si. Servindo-se da segunda pessoa do plural – vós –, seu discurso destina-se aos que são carentes de bens materiais, vindo até mesmo a passar fome; aos que choram, talvez porque tiveram seus direitos negados a sua dignidade aviltada; aos que são vítimas de calúnia, ódio e perseguição, devendo levar uma vida difícil de privação dos bens necessários para viver dignamente. Portanto, um grupo de pessoas carentes de palavras de esperança. As bem-aventuranças visam infundir ânimo e coragem a quem se encontra nessa situação de penúria. Sobretudo os pobres devem ter certeza de que Deus está do lado deles, e que o Reino lhes pertence. Deus mesmo haverá de saciá-los, consolá-los e ser para eles motivo de alegria. A outra face da moeda é representada pelos ricos, pelos fartos, pelos folgazões e pelos que estão preocupados com a fama, a qualquer preço. Estes também encontram-se diante de Jesus, e são o alvo das invectivas que lhe são lançadas com tanta veemência. É provável que fossem eles a causa da situação de carência dos demais, sem se darem conta. Por isso, são declarados malditos. Falta-lhes sensibilidade, pois em seus corações não há lugar para a misericórdia. Isto justifica a severidade com que serão tratados, se não se converterem urgentemente, fazendo-se atentos aos apelos dos necessitados. – Pai, faze-me solidário com os mais pobres deste mundo, e ensina-me a partilhar, de modo que chegue até eles a esperança e a alegria que Jesus veio nos trazer” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite