(At 5,17-26; Sl 33[34]; Jo 3,16-21) 2ª Semana da Páscoa.
“De fato, Deus não enviou o seu Filho ao
mundo para condenar o mundo,
mas para que o mundo seja salvo por ele” Jo 3,17.
“Nos
versículos que se seguem, João desenvolve com maior clareza ainda o mistério da
vinda de Jesus. Jesus não vem para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Em Jesus
se manifestou a sua intenção de curar o homem, de tirá-lo de sua perdição, de
salvá-lo, de libertá-lo da dependência, de reergue-lo e de restituir-lhe a sua
forma original, aquela que, no ato da criação, estava no plano de Deus para
cada um individualmente. Quem crê em Jesus já está vivendo a salvação, a sua
vida está no caminho certo, as suas feridas perderam a força peçonhenta e
mortífera. Deus não julga. Mas quem não crê em Jesus já está julgado; ele
próprio se excluiu da vida verdadeira. Porque a vida verdadeira só pode ser
encontrada em Jesus. Isso não quer dizer, naturalmente, que só se salva aquele
que confessa Jesus em palavras e sinais externos, como afirmam equivocamente
certos fundamentalistas. João está longe desse pensamento estreito. João quer
nos dizer positivamente que essa vida verdadeira está à disposição em Jesus.
Quem não crê em Jesus não entendeu o que significa viver verdadeiramente. Mas a
fé é mais do que a confissão meramente exterior. Há mesmo pessoas que recusam
Jesus externamente porque, para eles, o seu nome está ligado a todos aqueles
preconceitos que foram se acumulando no decorrer da vida em seu interior.
Outros não aceitam Jesus porque cresceram em outras religiões. Mas em seu
íntimo talvez intuam mesmo assim que é esse Jesus que Deus doa a vida eterna.
Os budistas também falam na verdadeira vida que se situa totalmente no presente
momento. Em sua alma intuem algo daquilo que Jesus quis transmitir-nos: que
devemos abrir os olhos para ver o essencial. Jesus quer mostrar-nos o mistério
da vida. Ele nos revela Deus e, em Deus, a realidade autêntica que está por
trás de o que é visível. Crer significa, sobretudo, ver o que é, ver sem preconceitos,
ver o que há por trás das coisas, reconhecer em Deus o fundamento de todo o
ser, ver Deus como o amor que se manifestou em Jesus” (Anselm Grun – Jesus,
porta para a vida – Vozes).
Pe.
João Bosco Vieira Leite