Quarta, 23 de setembro de 2026

(Pr 30,5-9; Sl 118[119]; Lc 9,1-6) 25ª Semana do Tempo Comum.

“... e enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar os enfermos”. Lc 9,2.

“Os discípulos reunidos em volta de Jesus formam uma unidade. Receberam d’Ele a Palavra e agora não podem guardá-la só para si; pelo contrário, é tarefa deles semeá-la no mundo inteiro, para que produza fruto. O Mestre envia os Doze como Ele mesmo fora enviado pelo Pai, dá-lhes a autoridade sobre os demônios e, como sinal disso, o poder de curar as doenças. [Compreender a Palavra:] Os Apóstolos até agora acompanharam Jesus. No texto de hoje, pela primeira vez, estão sozinhos e devem compreender aquilo que viram que Ele fez. É o que sucederá depois da Ascensão, quando o Senhor estiver junto deles de um outro modo. Os Doze devem ir pelo mundo, privando-se daquilo que qualquer viajante normal deveria possuir: o bastão de viagem; a bolsa com provisões; o dinheiro; a roupa suplente. A sua única preocupação deve ser a missão; o Pai, a quem eles servem, providenciará o resto. De fato, mais tarde, terão de admitir que nada lhes faltou (cf. Lc 22,35). Os Apóstolos devem ir pelas casas e lá cumprir a sua missão. A casa deve tornar-se o centro da sua ação. Mas como Jesus fez, também eles não devem deter-se, mas espalhar a Boa Notícia noutro lugar, não devem perder tempo com quem não quer saber deles. Com as cidades que não quiserem acolhê-los, deverão comportar-se como os judeus quando, ao regressarem à sua terra vindos de um território pagão, ‘sacodem o pó dos seus pés’ (cf. v. 5): o pó dos lugares impuros não deve misturar-se com o da Terra Santa. E os Apóstolos partem, anunciam a Boa Notícia de que o tempo da salvação para todos já chegou. Como sinal disso, os doentes são curados” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 22 de setembro de 2026

(Pr 21,1-6.10-13; Sl 118[119]; Lc 8,19-21) 25ª Semana do Tempo Comum.

“A Palavra de Deus é comprovada. Ele é um escudo para os que nele se abrigam” Pr 30,5

“O sábio passa a sua vida procurando a Palavra de Deus. Sabe que JWHW é Criador e, portanto, tudo no mundo deve espelhar a Sua ordem e a Sua justiça. O trecho de hoje enumera uma série de provérbios que dizem respeito, sem uma ordem precisa, às virtudes a praticar, que opõem o justo e o malvado. Um papel importante é dado à atenção ao pobre cujo grito, na Escritura, jamais deixa indiferente o coração de Deus. [Compreender a Palavra:] O discípulo do sábio deve aprender humildemente, todos os dias, a ter discernimento e a distinguir aquilo que é justo aos olhos de Deus. Para o homem sem discernimento, tudo está bem, porque no fundo ele pensa que é ele que estabelece o que é bem e o que é mal. Como de resto fez o primeiro homem, Adão: ‘Aos olhos do homem todos os caminhos parecem retos” (v.2a). Mas deve ser o Senhor a dizer se esses caminhos levam à vida ou à morte: ‘O Senhor é que pesa os corações’ (v. 2b). Há uma maneira concreta de o sábio demonstrar a sua religiosidade para com Deus, honrando o próximo fora do Templo: ‘Praticar a justiça e o direito vale mais do que o sacrifício aos olhos do Senhor’ (v. 3). Este novo culto inclui o abandono do caminho tortuoso do crime, agir com sinceridade para com o próximo, não desejar o mal dele, não ser arrogante” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 21 de setembro de 2026

(Ef 4,1-7.11-13; Sl 18[19ª]; Mt 9,9-13) São Mateus, Apóstolo e Evangelista.

“Jesus viu um homem, chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos e disse-lhe: ‘Segue-me!’

Ele se levantou e seguiu a Jesus” Mt 9,9.

“Continuando com a série de descrições dos doze apóstolos que iniciamos há algumas semanas, hoje nos deteremos em Mateus. A bem verdade, delinear a sua figura é quase impossível, já que as notícias que temos sobre eles são poucas e fragmentárias. Em lugar de sua biografia, podemos traçar seu perfil, de acordo com o que nos conta o Evangelho. Ele sempre aparece na lista dos Doze escolhidos por Jesus (cf. Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13). Seu nome em hebreu significa ‘presente de Deus’. No primeiro Evangelho canônico, que leva a sua assinatura, aparece na lista dos Doze com um qualificativo muito concreto: ‘o cobrador de impostos’ (Mt 10,3). Ele é descrito como uma pessoa que, sentada em seu escritório de cobrador de impostos, é chamada por Jesus para que o siga: ‘Siga-me!’ Ele se levantou e seguiu Jesus’ (Mt 9,9). Marcos (cf. 2,13-17) e Lucas (cf. 5,27-30) também relatam esse chamado quando Mateus estava sentado em seu escritório de arrecadador de impostos, embora o chamem ‘Levi’. Para imaginar a cena descrita em Mateus 9,9 é suficiente recordar o magnífico quadro de Caravaggio, conservado em Roma, na igreja de São Luís dos Franceses. Dos Evangelhos desprende-se outro detalhe biográfico: na passagem que precede este relato do chamado conta-se de um milagre que Jesus realizou em Cafarnaum (cf. Mt 9,1-8; Mc 2,1-12) e alude-se que estava perto do mar da Galileia, quer dizer, do lago de Tiberíades (cf. Mc 2,13-14). Disto se pode deduzir que Mateus exercia a sua função de arrecadador em Cafarnaum, lugar ‘próximo ao mar’ (Mt 4,13), onde Jesus era hóspede habitual na casa de Pedro. Partindo desses escassos dados que se depreendem dos Evangelho, podemos já adiantar um par de reflexões. A primeira é que Jesus acolhe no grupo de seus íntimos um homem que, segundo as ideias em voga em Israel de sua época, era considerado um publicano pecador. Mateus, de fato, não só manejava dinheiro, que era considerado impuro por proceder de gente estranha ao povo de Deus, mas também colaborava com uma autoridade estrangeira odiosamente cobiçosa, que além do mais fixava os tributos de forma arbitrária. Por estes motivos, mais de uma vez os Evangelhos falam de ‘publicanos e pecadores’ (Mt 9,10; Lc 15,1), de ‘publicanos e prostitutas’ (Mt 21,31). Além do mais, veem nos publicanos um exemplo de mesquinhez (cf. Mt 5,46: amam só os que os amam) e mencionam um deles, Zaqueu, como ‘chefe dos cobradores de impostos e muito rico’ (Lc 19,21), enquanto a opinião popular os associava a ‘ladrões, desonestos e adúlteros’ (Lc 18,11). Sendo assim, há um primeiro dado que chama a atenção: Jesus não exclui de ninguém da sua amizade. Ao contrário, precisamente enquanto está à mesa na casa de Mateus-Levi, em resposta a alguém que se mostrava escandalizado pelo fato de que frequentava companhia pouco recomendáveis, pronuncia esta importante declaração: ‘As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só os que estão doentes. Eu não vim para chamar os justos, e sim os pecadores’ (Mc 2,17)” (Bento XVI – Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Jesus – Planeta).

Pe. João Bosco Vieira Leite