Quinta, 21 de maio de 2026

(At 22,30; 23,6-11; Sl 15[16]; Jo 17,20-26) 7ª Semana da Páscoa.

“Pai santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra”

Jo 17,20.

“A oração de Jesus não apenas contempla o círculo imediato de discípulos, mas se alarga até ‘os que haverão de crer’. Aqui se faz uma discreta alusão à responsabilidade dos discípulos, para os quais Jesus mostrou-se um Mestre zeloso. A iminência da morte do Mestre perturbaria os discípulos, com o risco de dispersá-los. Sem sua presença física, poderia parecer-lhes sem sentido manter-se unidos em comunidade. Cada qual poderia voltar para a própria casa e dar vazão ao saudosismo. De certa forma, as palavras de Jesus os previnem contra essa tentação. Com sua partida para a casa do Pai, caberia aos discípulos a missão de dar testemunho de sua fé e atrair novos seguidores do Mestre. Deveriam manifestar, em relação aos que haveriam de crer, o mesmo desvelo de que foram objeto por parte de Jesus. A palavra de Deus ser-lhes-ia anunciada, consagrando-os na verdade. Seriam protegidos para não caírem nas ciladas do Maligno. Enfim, ser-lhes-ia mostrado o caminho que conduz à verdadeira vida na casa do Pai. Em última análise, a tarefa dos discípulos seria a de continuar a missão de Jesus, com a mesma dinâmica – convidando outras pessoas para abraçar a salvação –, no mesmo contexto conflitivo no meio do mundo carregado de ódio –, com a mesma disposição – fidelidade absoluta ao Pai, por serem consagrados na verdade. – Pai, faze-me assumir com muita disposição a tarefa de continuar a missão de Jesus, para que muitas outras pessoas abracem a salvação que nos ofereces (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 20 de maio de 2026

(At 20,28-38; Sl 67[68]; Jo 17,11-19) 7ª Semana da Páscoa.

“Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um”

Jo 17,11.

“O paradoxo da condição dos crentes consiste no fato de que, permanecendo no mundo, se encontram a viver num contexto no qual as tensões são inevitáveis. Aconteceu assim também com Jesus. Quando estava com os discípulos, guardava-os (v. 12); agora pede ao Pai na oração que os guarde por sua vez (vv. 11-15). Como o Pai ‘enviou’ o seu Filho, assim Jesus ‘envia’ os Seus discípulos, e como o Filho ‘Se consagra a Si mesmo’ pelos discípulos, assim pede ao Pai que ‘também eles sejam consagrados na verdade’ (cf. vv. 17-19) [Compreender a Palavra:] Jesus pede ao Pai pelos Seus discípulos, presentes e futuros. Com uma atenção precisa: o evangelista João não sublinha a distinção entre os primeiros e os segundos, está deveras interessado em recordar a estreita ligação que existe entre os dois grupos. O primeiro grupo (formado pelos discípulos que viveram com Jesus) é o modelo do segundo (os discípulos que hão de vir) e o segundo deriva do primeiro (mediante o anúncio da Palavra). A perspectiva é clara: é um convite à comunidade para que se encontre e viva na linha do primeiro grupo de Apóstolos. Um tema, depois, diz respeito tanto aos primeiros como aos segundos: a oposição do mundo e ao mundo. É uma oposição que deve ser vista corretamente: como Jesus, também os discípulos estão separados do mundo (têm uma origem diversa) e, embora rejeitados, permanecem no mundo e são enviados ao mundo. É mesmo esta lógica de ‘serem para’ que faz dos discípulos uma realidade estranha ao mundo, ou seja, estranha à lógica da posse, da autoconservação. Toda a existência de Cristo esteve na linha da doação, da entrega, não centrada em Si mesmo mas no Pai e aberta a todos. É a vida a que são chamados os discípulos com a certeza de que Cristo, com Seu estilo de vida, venceu o mundo” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma - Páscoa] – Paulus).    

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 19 de maio de 2026

(At 20,17-27; Sl 67[68]; Jo 17,1-11) 7ª Semana da Páscoa.

“Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro,

e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo” Jo 17,3.

“A grande oração de oblação e a intercessão do Salvador na hora do seu sacrifício: é a oração-testamento de Jesus. É esta a oração do Jesus pós-Pascal que demonstra a atitude do Senhor para com os seus que aqui ficaram e que aceitaram a mensagem que ele veio trazer. Nesta oração, Jesus pede ao Pai que seus discípulos cheguem à vida eterna e esclarece que a vida eterna consiste em conhecer o Pai; mas entendendo o verbo ‘conhecer’ em sentido bíblico. Na Bíblia, o conhecimento não procede de uma atitude puramente intelectual, mas de uma experiência, uma vivência, uma presença de Deus no mais recôndito da alma, que acaba necessariamente no amor. Esse conhecimento, esse amor que constitui a felicidade da vida eterna, o amor ao Pai e a seu enviado Jesus Cristo, e isto é o que Jesus pede ao Pai para os seus. Amar a Deus Pai e amar a seu Filho único, Jesus Cristo, amá-los com a sinceridade de um coração, que se entrega plenamente, sem guardar nada para si; amar a Deus, como diz Jesus no evangelho: ‘de todo coração, de toda alma e de todo teu espírito’ (Mateus 22,37)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite