Sábado, 18 de julho de 2026

(Mq 2,1-5; Sl 9B[10]; Mt 12,14-21) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Cobiçam campos e tomam-nos com violência, cobiçam casas e roubam-nas.

Oprimem o dono e a sua casa, o proprietário e seus bens” Mq 2,2.

“As palavras do profeta constituem a primeira parte de um díptico dirigido aos poderosos, que exercem com arbítrio e violência o seu poder (cf. Mq 2,6-11). O discurso, cujo texto hebraico nem sempre é claro, compõe-se de três unidades: a denúncia verdadeira e própria do pecado, introduzida num modo já conhecido ‘Ai!’ (v. 1-2); o anúncio do castigo anunciado pelo Senhor 9v. 3); e as suas consequências, apresentadas sob a forma de provérbio e de lamentação (vv. 4,5). [Compreender a Palavra:] O quadro inicial, que descreve a atuação dos poderosos, é extraordinariamente eficaz na sua brevidade. Miquéias não apresenta somente uma acusação de arbítrio e de prepotência, mas revela, com perspicácia, a perversão que se apodera daqueles que se tornam escravos do poder que exercem. A ânsia de possuir e de manifestar o poder não lhes dá tréguas, mas também de noite eles meditam o mal, todo o seu tempo é dominado por um sentimento que transtorna todas as relações e conduz à injustiça. A denúncia é, no entanto, introduzida pelo ‘Ai!’, uma expressão que denuncia quer a ameaça, quer a lamentação sobre quem faz o mal, para que o possa reconhecer antes que seja tarde. O próprio mal, de fato, voltar-se-á contra os violentos: todos os que meditam sobre a iniquidade dia e noite, iludem-se pensando que ficarão sem castigo. Também o Senhor medita, e o Seu projeto de castigo comportará para os violentos a perda de tudo aquilo que têm e a experiência amarga e dramática de ver que lhe tiram aquilo que desde sempre possuíram” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Sexta, 17 de julho de 2026

(Is 38,1-6.21-22.7-8; Sl Is 38; Mt 12,1-8) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Ora, eu vos digo, aqui está quem é maior que o templo” Mt 12,6.

“Para um judeu da época de Jesus Cristo nada existia no mundo que fosse maior e mais importante que o templo de Jerusalém. Para os judeus, o templo era o símbolo do conjunto das tradições e prescrições de ordem religiosa e patriótica; em certo sentido, era a própria nação. Vem Jesus e diz que o templo, com tudo o que ele significava, não era tudo, nem sequer o melhor. Existe algo maior e melhor que o próprio templo, que a observância exterior e estrita dos preceitos levíticos e rituais. Indubitavelmente, devemos saber interpretar acertadamente as palavras do Senhor como procuraremos fazer a seguir. Mas também é certo que o ensinamento básico de Jesus é que o espírito é melhor que a letra, que o amor com o qual se cumpre a lei é superior à própria lei, que não é a lei que santifica por si, mas a vida que colocamos na lei” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite 

 

Quinta, 16 de julho de 2026

(Zc 2,14-17; Sl Lc 1; Mt 12,46-50) N. Sra. do Carmo

“A minha alma engrandece ao Senhor, e alegrou o meu espírito em Deus, meu salvador” Lc 1,46-47.

“Os primeiros eremitas do Carmelo que em meio às suas celas construíram um oratório dedicado a Santa Maria, honravam a Mãe de Deus como modelo perfeito de sua vida contemplativo-apostólica. Desde então, foi a bem-aventurada Virgem do Monte Carmelo considerada modelo e sinal luminoso de íntima comunhão com Deus, de penetração amorosa dos mistérios divinos: o que está em plena sintonia com o Evangelho que tantas vezes a apresenta em oração. Na anunciação do Anjo, na visita a Isabel, no nascimento de Jesus, no templo quando oferece o Filho, e quando o encontra entre os doutores da lei, nas bodas de Caná como aos pés da cruz e no cenáculo, aparece Maria sempre em oração. Está à escuta da palavra de Deus ou canta seus louvores, medita, ‘guardando-as em seu coração’ (Lc 2,19), todas as coisas que via e ouvia de Jesus; ou lhe acena com dedicada discrição as necessidades do próximo, ou ainda invoca sobre a Igreja nascente o Espírito Santo. Representa ao vivo, sua atitude orante, o ideal do Carmelo que, seguindo seu exemplo, põe a oração no centro da própria vida como meio essencialmente de união com Deus e de apostolado fecundo. Por este motivo está o Carmelo totalmente repleto de Maria e voltado constantemente para ela como Mãe, modelo, guia da vida de oração. Mas o aspecto da oração de Nossa Senhora particularmente considerado e amado pelo Carmelo é o que assumiu aos pés da cruz, quando Jesus agonizante a proclama mãe dos homens, dizendo a João, e nele a todos os homens: ‘Eis tua mãe’ (Jo 19,27). Naquele momento atinge a oração de Maria o vértice da oferta sacrificial. Oferece ao Pai o amadíssimo Filho pela salvação dos novos filhos confiados ao seu amor materno. À oferta do Filho, une a sua intimamente associada à paixão. Revivermos a oração de Maria significa acompanhar a nossa pessoa unida à da Mãe bendita e do divino Filho. Eis a oração que, como a de Maria, atrai o Espírito Santo sobre a Igreja, obtém graça e salvação para toda a humanidade e glória a Deus” (Gabriel de Sta. Maria Madalena, OCD – Intimidade Divina – Loyola)

 Pe. João Bosco Vieira Leite