Sexta, 14 de agosto de 2026

(Ez 16,1-15.60.63; Sl Is 12; Mt 19,3-12) 19ª Semana do Tempo Comum.

Mas puseste tua confiança na beleza e te prostituíste graças à tua fama.

E sem pudor te oferecias a qualquer passante” Ez 16,15.

“As relações com Deus são expressas de muitos modos no Antigo Testamento: Deus é um pai que educa seus filhos (cf. Os 11,1-4); é uma mãe que não pode esquecer o fruto das suas entranhas (cf. Is 49,15); é o Bom Pastor que leva as Suas ovelhas ao pasto (cf. Sl 22). Mas a partir do tempo do Oseias, Ele é sobretudo o esposo de Israel. Ezequiel utiliza mesmo esta metáfora para esclarecer a história das relações de JHWH com seu Povo. [Compreender a Palavra:] O motivo principal nesta narração é o de uma enjeitada, da qual o rei se enamora, salva e constitui rainha. A enjeitada (Jerusalém/Israel), tornada rainha, prostitui-se, servindo-se dos presentes de núpcias do Senhor (v. 16). Ezequiel recebe assim a missão de dizer, de forma simbólica, a verdade ao seu povo, dando-lhe a conhecer as suas responsabilidades ao ter abandonado o Senhor para seguir os deuses dos outros povos. O fato de se encontrar agora no exílio é uma consequência da sua contínua rejeição do amor do Senhor. Toda a sua história está marcada pelo amor e pela graça da parte de JHWH, pela indiferença e pela traição da parte do povo. Ezequiel recorda as práticas idolátricas nos montes altos, e o culto estático e orgiástico lá prestado (vv. 15-19). Em particular ataca o sacrifício de crianças a Moloc. Israel foi sempre tentado na sua história a procurar auxílio político no Egito ou nos países da Mesopotâmia. Todavia, isso não evitou o exílio. O povo na sua história desprezou os compromissos solenes assumidos com o Senhor e deve refletir sobre isso. Deus, porém, não se esquece do juramento com o qual se comprometeu com a enjeitada-Jerusalém (v. 8): Ele permanece fiel para sempre à sua Aliança (v. 60). Por conseguinte, o povo deve arrepender-se daquilo que fez e voltar para o Senhor (v. 63)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 13 de agosto de 2026

(Ez 12,1-12; Sl 77[78]; Mt 18,21—19,1) 19ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” Mt 18,22.

“No tempo de Jesus, os rabinos discutiam a respeito de quantas vezes a pessoa ofendida era obrigada a perdoar. Chegava-se ao número máximo de até quatro vezes. Pedro, para mostrar-se generoso, propôs uma quantidade maior: sete vezes. A ‘generosidade’ do apóstolo fazia uma espécie de contraponto com um episódio do Antigo Testamento, no qual, Lamec, descendente de Caim, prometeu vingar-se sete vezes de quem levantasse a mão contra ele. À máxima vingança, Pedro pensava contrapor o máximo perdão. Enganou-se! O discípulo do Reino deve estar disposto a perdoar, não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes, ou seja, sempre. A parábola do servo cruel oferece o fundamento teológico da postura do discípulo: este deve agir de forma idêntica ao agir de Deus. Deus está sempre pronto a perdoar as ofensas dos seres humanos, por maiores que elas sejam. Foi o que fez o senhor do Evangelho. Bastou que o devedor lhe suplicasse clemência, para se ver logo perdoado. A contrapartida do gesto divino deve acontecer em forma de perdão das ofensas recebidas. Quem foi perdoado por Deus deve dispor-se a perdoar. Mas quem age de maneira diferente não pode contar com o perdão divino. Esta foi a sorte do servo cruel que se recusou a perdoar uma pequena dívida de seu companheiro. O discípulo deve espelhar-se no comportamento misericordioso de Deus. – Pai, predispõe meu coração para o perdão, e que eu esteja sempre disposto a perdoar e a querer viver reconciliado com meu semelhante” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 12 de agosto de 2026

(Ez 9,1-7; 10,18-22; Sl 112[113]; Mt 18,15-20) 19ª Semana do Tempo Comum.

“O Senhor disse-lhe: ‘Passa pelo meio da cidade, por Jerusalém, e marca com uma cruz na testa os homens que gemem e suspiram por causa de tantos horrores que nela se praticam’” Ez 9,4.

“Na leitura de hoje estão reunidos dois textos, nos quais se narram duas visões de Ezequiel: o envio de mensageiros que castigam a cidade pecadora, na qual porém um resto de fiéis é preservado (9,17); e a glória do Senhor, que sai do Templo profanado (10,18-22). A primeira cena, de grande violência, é mais difícil de compreender pela nossa sensibilidade. Ambas as visões têm a finalidade de convencer os exilados de que Deus podia permitir a profanação da Cidade Santa e do seu Templo, no qual tinha estabelecido a Sua glória. [Compreender a Palavra:] Ezequiel tinha visto com os seus olhos as destruições feitas pelo exército babilônico nas ruas de Jerusalém no ano de 597 a.C. Agora experimenta, juntamente com muitos outros, os sofrimentos do afastamento dos lugares amados, a solidão do exílio em terra pagã e, com os olhos de Deus, observa aquilo que, por causa da dureza de coração do rei Sedecias, está para se abater sobre a cidade. Por detrás destes fatos está o Senhor. O profeta vê-o em ação, enquanto manda os seus mensageiros – seis homens –, que castigam os culpados, e um sétimo, vestido de linho (sinal da sua proximidade com Deus), que reserva alguns da destruição, marcando-os com a última letra do alfabeto hebraico ‘tau’, que naquele tempo tinha forma de cruz e é a primeira letra da palavra Torá. Trata-se de um resto, como os filhos de Israel preservados pelo anjo do Senhor na noite de Páscoa no Egito (cf. x 12,23,29), como os sete mil que não se ajoelharam diante de Baal no tempo de Elias (cf. 1Rs 19,18), como os discípulos de Isaías (cf. Is 8,16-17). No final da visão, Ezequiel, sacerdote muito ligado ao Templo, assiste a um acontecimento que lhe despedaça o coração: a glória do Senhor afasta-se do santuário e da cidade (cf. Ez 11,22). Aquilo que de novo virá do Senhor, já não poderá vir do velho Templo. Com o chamamento de Ezequiel, o Senhor dá início a uma nova presença entre os deportados” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite