(Ez 34,1-11; Sl 22[23]; Mt 20,1-16) 20ª Semana do Tempo Comum.
“O Reino dos Céus é como a história do
patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores
para a sua vinha” Mt 20,1.
“Houve
Padres da Igreja que interpretassem essa parábola como uma imagem do curso de
vida dos indivíduos. Algumas pessoas são cristãs desde o nascimento, outras se
convertem logo na juventude, outros só na idade adulta ou provecta. Os Padres
da Igreja admoestam, então, aos cristãos da primeira hora a não esmorecer em
seu fervor, aos que receberam o batismo mais tarde, eles incutem ânimo e
confiança. Cada um deve trilhar o seu próprio caminho e servir a Deus nesse seu
caminho pessoal, sem comparar-se com os outros. Para todos, o prêmio será a
moeda de prata. Essa moeda única não é só a diária habitual daquele tempo, ela
é também o símbolo da unificação com Deus. Nada ultrapassa esse ato de
tornar-se uno. É a meta da vida humana. O caminho para alcançar essa meta é
mais longo para uns, mais curto para outros. Essa interpretação foi uma
tentativa de inserir o sentido da parábola na respectiva época. E qual seria o
seu sentido hoje? Vejo-me colocado diante da pergunta: como entendo a minha
vida de cristão? É apenas um esforço, um trabalho fatigante, quando a
verdadeira vida consiste em ficar parado sem fazer nada? Ou acredito que, pela
união com Cristo, a minha vida ganha sentido e fica boa? O desafio que
acompanha o trabalho pode ser uma fonte de paz interior para o ser humano, já
que lhe dá a sensação de que sua vida tem sentido. Aquele que fica à toa na
praça certamente não está feliz com essa situação. Ele se sente supérfluo. Sua
vida lhe parece inútil. O ser humano se sente valorizado quando é chamado, convidado,
aliciado. Quando me dedico ao trabalho que me é confiado, sem querer
comparar-me com os outros, torno-me um comigo mesmo, com Deus e com os homens.
Não preciso de mais nada para viver. Mas se eu desviar o olhar do meu trabalho
para observar os outros e me comparar com eles, ficarei internamente dividido e
descontente” (Anselm
Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).
Pe. João Bosco Vieira Leite