Quarta, 01 de abril de 2026

(Is 50,4-9; Sl 68[69]; Mt 26,14-25) Semana Santa

“Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: ‘Senhor, será que sou eu?’” Mt 26,22.

“O fato da traição de Judas nos há de recordar as palavras da Sagrada Escritura: ‘Portanto, quem pensa estar em pé, veja que não caia’ (1Coríntios 10,12). Todos estamos em perigo de cair e todos cairemos, se não estivermos constantemente em oração, para merecermos a ajuda e a graça de Deus. Os apóstolos não se sentiram seguros e ainda que a consciência não os acusasse, todos eles foram apresentando sua preocupante pergunta: ‘Acaso sou eu, Senhor?’ A humildade é que nos pode manter na graça de Deus e afastar-nos do pecado; fugir sempre das ocasiões de pecar, pois aquele que foge do perigo de pecar dificilmente peca. A fuga não é de covardes, mas de prudentes e, se em alguma oportunidade se requer enfrentar o perigo para desafiá-lo, será preciso que o façamos com verdadeira humildade e não com arrogância. Confiando não em nossas forças e capacidades pessoais, mas na proteção amorosa do Senhor que teremos muito cuidado em pedir com insistência na oração” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 31 de março de 2026

(Is 49,1-6; Sl 70[71]; Jo 13,21-33.36-38) Semana Santa.

“Jesus respondeu: ‘É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho’.

Então Jesus molhou um pedaço de pão e o deu a Judas, filho de Simão Iscariotes” Jo 13,26.

“O anúncio da traição foi desconcertante para o grupo de discípulos. Independentemente de qualquer cultura, a traição é sempre um ato abominável. De modo especial, entre pessoas cujas vidas foram postas em comum, e nas quais se deposita toda confiança. Isto explica a surpresa dos discípulos quando Jesus anunciou que um deles haverá de traí-lo. E essa surpresa foi maior, quando o traidor foi identificado com Judas, filho de Simão Iscariotes. O evangelista João dirá várias vezes que se tratava de um ladrão. Logo, alguém de caráter duvidoso, de quem se pode esperar tudo. A traição seria apenas mais uma manifestação da personalidade malsã deste discípulo. Os evangelistas, em geral, referem-se a Judas como alguém que vendeu sua própria consciência ao aceitar entregar o Mestre por um punhado de dinheiro. Entretanto, é possível suspeitar de outras razões desta atitude tresloucada. Será que Judas entendeu, de fato, o projeto de Jesus? Terá sido capaz de abrir mão de seus esquemas messiânicos para aceitar Jesus tal qual se apresentava? Estava disposto a seguir um Messias pobre, manso, amigo dos excluídos e marginalizados, anunciador de um Reino incompatível com a violência e a injustiça? Judas esperava tirar partido do Reino a ser instaurado por Jesus. Vendo frustrado o seu intento, não teria tido escrúpulo de traí-lo? Uma coisa é certa: Judas estava longe de sintonizar com Jesus. Algo parecido acontecia com Pedro, que haveria de negá-lo. Só que este recuou e se converteu à misericórdia do Senhor. – Pai, faze-me viver em sintonia com Jesus, de modo que meus preconceitos não venham a influenciar minha adesão a ele (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 30 de março de 2026

(Is 42,1-7; Sl 26[27]; Jo 12,1-11) Semana Santa.

“Pobres, sempre tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis” Jo 12,8.

“Maria demonstrou a delicadeza de seu amor pelo mestre. Naquele tempo costumava-se ungir a cabeça dos hóspedes em sinal de distinção e respeito. Maria escolhe a essência mais pura e de maior preço para ungir os pés de Jesus e depois derramá-la sobre sua cabeça. Não encontrou coisa melhor e faz a oblação total, não reservando nem só uma gota daquele bálsamo. Quebra o frasco a fim de que todo o perfume se derrame sobre a cabeça de Jesus, quebra o recipiente para que tudo seja para Cristo. Mas Judas não entende de delicadezas e vê com maus olhos a ação de Maria; por isso criticou-a, e pretendeu justificar sua murmuração com as aparências de caridade para com os pobres; mas o evangelista adverte-nos que era a avareza o que o movia a falar. Jesus defende Maria. Sabia que o que a movia era o amor. Jesus assumiu a situação do homem ‘em seu nascimento, em sua vida e, sobretudo, em sua paixão e morte, em que alcançou a máxima expressão da pobreza. Por esta única razão, os pobres merecem uma atenção preferencial, qualquer que seja a situação moral ou pessoal em que se encontrem’ (Documento de Puebla 1141-1142). Nas palavras de Jesus existe não só uma descrição dos fatos (‘pobres sempre tereis convosco’), mas especialmente um chamado ‘ao compromisso autêntico com os outros homens, especialmente com os mais pobres, e pela necessária transformação da sociedade’ (João Paulo II)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria). 

 Pe. João Bosco Vieira Leite