Terça, 28 de julho de 2026

(Jr 14,17-22; Sl 78[79]; Mt 13,36-43) 17ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram:

‘Explica-nos a parábola do joio!’” Mt 13,36.

“A parábola do joio e do trigo soou misteriosa aos ouvidos dos discípulos. Foi preciso que, a sós, Jesus os ajudasse a compreender o significado do ensinamento nela contido. A explicação que lhes foi oferecida corresponde a uma espécie de vocabulário onde cada elemento é interpretado. Um aspecto importante da explanação de Jesus consiste em estabelecer a nítida distinção entre os filhos do Reino e os filhos do Maligno. Os filhos do Reino são os que acolhem a Palavra de Deus e, embora pressionados pelos inimigos, mantêm-se fiéis, pautando sua vida pela vontade de Deus. A perseverança é conseguida, a duras penas, com a força do Espírito. Eles conhecem bem o preço da fidelidade! Já ‘os filhos do maligno’ são os que, fechando os ouvidos de Jesus, seguem os impulsos das próprias paixões ou se deixam levar por quem está na contramão de Deus. Sua malignidade manifesta-se de muitas formas, entre elas, no combate sem descanso aos que optaram pelo Reino de Deus. O drama é que nem sempre podemos identificar, à primeira vista, quem é ‘o filho do Reino’ e quem é ‘o filho do Maligno’. As aparências enganam! Existem lobos travestidos de cordeiros. Nem sempre é fácil desmascará-los. A parábola aconselha-nos a esperar o final dos tempos, quando ficará patente quem está a serviço do bem e quem está a serviço do mal. – Pai, que as pressões dos filhos do Maligno jamais sejam suficientemente fortes para me levar a renunciar à minha condição de filho do Reino. Quero estar sempre a teu serviço (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite  

Segunda, 27 de julho de 2026

(Jr 13,1-11; Sl Dt 32; Mt 13,31-35) 17ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: ‘O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega

e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado’” Mt 13,33.

“Esta parábola tomada da vida familiar da Palestina também se refere ao Reino de Deus em você e nos outros. Você também pode chegar a ser fermento que acabe com seus maus exemplos, com sua vida egoísta e acomodada, às vezes até injusta e sensual. Esta parábola nos fala claramente de eficácia da doutrina do evangelho. Como o levedo fermenta toda a mesa, a doutrina de Jesus Cristo fermentou as almas, os costumes, os critérios, os sentimentos, a vida do homem. Para que a doutrina de Jesus Cristo possa fermentar sua própria alma, é preciso que primeiro você afaste de si mesmo o velho fermento do pecado, como o chama São Paulo: ‘o fermento da malícia e da iniquidade’ que como o levado penetra na massa, as palavras e os exemplos de Jesus penetrem em você pela serena meditação. Indubitavelmente, a pregação evangélica da palavra de Deus é também levedo capaz de transformar todo homem. O Reino de Deus tem em si mesmo força e vigor para fermentar cristãmente o mundo onde nos encontramos; isto é, se na parábola anterior do grão de semente de mostarda o Reino é-nos mostrado com vigor suficiente para estender-se pelo mundo todo, nesta fala-se de vigor interno do Reino, capaz em si mesmo força e vigor para fermentar cristãmente o mundo onde nos encontramos. Porém o Reino será fermento em você por você; você é chamado(a) a ser fermento em seu ambiente, ali onde a Providência o/a houver colocado; não levedura que corrompa, mas que faça crescer a massa e fermente com o evangelho” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite  

17º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(1Rs 3,5.7-12; Sl 118[119]; Rm 8,28-30; Mt 13,44-52) *   

1. As duas parábolas correm o risco de serem tomadas como duas pequenas narrativas de fatos da vida, mas quem compreende seu significado, se sentirá inquieto pelo resto da vida. O que queria de fato dizer Jesus?

2. Mais ou menos isto: essa é a hora decisiva da história. Eis que o Reino de Deus se faz presente entre nós. Aquilo que os patriarcas esperaram, que os profetas desejaram ver, mas não viram: Deus que vem salvar o seu povo, resgatá-lo do pecado e da morte, e introduzi-lo em sua intimidade.

3. Tudo isso, na realidade, Jesus vai traduzir por “evangelho”, “Boa Nova”, aquela tanto esperada. Concretamente se trata da sua vinda à terra. O tesouro escondido, a pérola preciosa, não é outra coisa senão o próprio Jesus.

4. É como se Jesus com essas parábolas quisesse dizer: a salvação veio a vocês gratuitamente, por iniciativa de Deus, tomem uma decisão, não deixem escapar. Como acontece com certos artigos de luxo, que por tempo limitado entram em especial oferta.

5. É como se Jesus quisesse provocar uma espécie de “não perca a oportunidade. Há um tesouro que lhe espera, uma pérola preciosa. Não deixe passar…”. O Reino é a única coisa que nos pode salvar do risco supremo da vida que é perder o motivo pelo qual estamos nesse mundo.

6. Vivemos em uma sociedade que vive de seguros. Há seguros contra tudo que possa nos acontecer. Em algumas nações tornou-se uma espécie de mania. Entre eles está o mais importante e frequente que é o seguro de vida. Não estou aqui colocando em questão o seu valor.

7. Mas se refletimos um momento, de que coisa estamos nos assegurando? Da morte? Certamente que não. Asseguramos que, em caso de morte, alguém receberá uma indenização.

8. O reino dos céus é também um seguro de vida e contra a morte, mas uma asseguração real, que beneficia não só a quem fica, mas também a quem parte. “Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”, disse Jesus. E sabemos que não são palavras vazias.

9. Assim logo entendemos as exigências que esse Reino traz consigo: para adquiri-lo é preciso estar disposto, se necessário, a algum sacrifício. Não para pagar o preço do tesouro ou da pérola, que por definição, não têm preço, mas para ser digno dele.

10. Esse reino não pode ser colocado em pé de igualdade com qualquer outra realidade. “Não se pode servir a dois senhores”, dirá Jesus. Isso seria despreza-lo ou trai-lo. Eu sei que essa compreensão cria em nós uma tremenda responsabilidade.

11. Antes de concluirmos, há um aspecto que esquecemos nessas duas parábolas. Em cada uma delas há, na realidade, não um ator, mas dois. Tem aquele que vai, vende, compra, e o outro está escondido, subtendido. O proprietário do terreno, que não se deu conta que em seu terreno havia um tesouro e o vende; tem um homem ou uma mulher que possuía a pérola preciosa, e não se tinha dado conta do seu valor e a vende ao comprador.

12. A pergunta que devemos nos colocar é simples: a qual dos dois atores nós assemelhamos? Será que não vendemos a nossa fé por uma ideologia, por preguiça, por acharmos interessantes, quem sabe, mostrar-nos gnóstico, superiores aos outros.

13. Para muitos batizados, a última preocupação de sua vida é o Reino de Deus, possa ele significar o próprio Deus, a Igreja, a fé. Quão perigosa é essa atitude, nos diz o evangelho.

14. Mas não quero concluir com essa nota triste. Vejam que não nos é dito na parábola que alguém vendeu tudo que possuía e saiu em busca de um tesouro escondido. Sabemos bem como terminam as histórias que começam assim. Um que perde tudo que tinha e não encontra nenhum tesouro. Histórias de ilusões…

15. Primeiro é preciso encontrar o tesouro, nos diz a parábola, para depois ter a força e a alegria de vender tudo para conquista-lo. Ou seja, quando encontramos a Jesus de maneira nova, pessoal, convicta, nos veremos plenos de alegria como esses “buscadores” de que nos fala o evangelho. Amém.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

  Pe. João Bosco Vieira Leite