Quarta, 04 de fevereiro de 2026

(2Sm 24,2.9-17; Sl 31[32]; Mc 6,1-6) 4ª Semana do Tempo Comum.

“Mas depois que o povo foi recenseado, Davi sentiu remorso e disse ao Senhor: ‘Cometi um grande pecado ao fazer o que fiz. Mas perdoa a iniquidade do teu servo, porque procedi como um grande insensato’” 2Sm 24,10.

“A narração articula o desenrolar do recenseamento do povo de Israel em três momentos, cada um dos quais move-se em redor da figura de Davi. Depois de ter dado ordens para o recenseamento seguir em frente (v. 2) e de ter recebido o resultado (v. 9), o soberano dá-se conta de ter cometido um abuso de poder (v. 10). Perante o anúncio do castigo (vv. 11-13), escolhe entregar-se nas mãos do Senhor (v. 14). A peste irrompe do norte do país, chegando a Jerusalém (vv. 15-16), até o Senhor remover (v. 16), e Davi confessa, de novo, a sua culpa. [Compreender a Palavra:] Nos tempos bíblicos fazer um recenseamento era considera um gesto sagrado, que se devia, por isso, fazer com algumas precauções de tipo religioso (cf. Ex 30,12-13). Já que só Deus é o Senhor do seu Povo, controlar e contar o número de pessoas da comunidade cabe unicamente a Ele: proceder à contagem dos recursos humanos e bélicos – embora isso possa parecer estranho aos nossos olhos – é julgado, por isso, um gesto despótico do rei. Depois de ter sido realizado o recenseamento, Davi dá-se conta de haver pecado. À gravidade da culpa corresponde um castigo correspondente: uma calamidade irá reduzir drasticamente a população de Israel. A peste ocasiona perdas muito grandes, mas Deus comove-se e o flagelo cessa quando a mão do anjo está sobre Jerusalém, em cujo território será edificado o Templo. Uma vez mais, a sinceridade de Davi diante das suas responsabilidades resgata o mal cometido, atestando a profunda religiosidade do rei” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 03 de fevereiro de 2026

(2Sm 18,9-10.14.24-25.30—19,3; Sl 85[86]; Mc 5,21-43) 4ª Semana do Tempo Comum.

“... e pediu com insistência: ‘Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!’” Mc 5,23.

“No evangelho de hoje damos um passo adiante: o poder de Jesus manifesta-se inclusive perante a morte, que se submete a sua palavra imperativa; a ressurreição da filha de Jairo significa o poder de Jesus sobre a vida humana. Por um lado, vemos Jairo orando com as devidas condições que a oração exige: - ora com humildade: o evangelho diz ‘lançou-se-lhe aos pés’ (v. 22), prostrando-se diante de Jesus; - ora com perseverança: o evangelho diz ‘rogando-lhe com insistência’ (v. 23); - ora com fé no poder de Jesus: ‘Vem, impõe-lhe as mãos para que se salve’ (v. 23). No entanto, a oração de Jairo não é de todo perfeita, pois sua fé não é total; pensa que Jesus não pode curar à distância, com a simples ordem de sua palavra, mas que necessita da presença e do contato físico; foi preciso que Jesus o auxiliasse e assim, quando deram a notícia a Jairo de que não precisava mais incomodar o Mestre, pois sua filha tinha morrido, Jesus disse-lhe: ‘Não temas; crê somente’ (v. 36). Às vezes pensamos que no mundo precisamos de muitas coisas, muitos bens, muitas comodidades, que julgamos serem verdadeiras necessidades, de muita preparação, muito cultura, muito dinheiro, muito trabalho. Na realidade diz-nos o Senhor que o que realmente necessitamos é de muita fé; estamos indigentes de fé, falta-nos a fé, despreocupamo-nos com a fé. Repita com frequência esta simples e breve oração: ‘Senhor, concede-me a fé e concede-me suficiente fé’” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Segunda, 02 de fevereiro de 2026

(Ml 3,1-4; Sl 23[24]; Hb 2,14-18; Lc 2,22-40) Apresentação do Senhor.

“Quando se completaram os dias para a purificação da mãe do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresenta-lo ao Senhor” Lc 2,22.

“Dentro do culto israelita, as noções de purificação e santificação são muito próximas e se completam. A purificação retira todo obstáculo que impede de aproximar-se de Deus; e a santificação é a preparação para esse encontro com Deus, ou o resultado desse encontro. Depois do nascimento de um filho homem, a mulher fica impura durante sete dias, devendo abster-se de relações sexuais por mais de trinta dias. Ao fim dos quarenta dias, há um rito de purificação, como nos relata o evangelista Lucas. O objetivo deste rito é remover a impureza para que seja possível que a mulher possa participar das atividades do culto. Observa-se que a pureza é conseguida através de um rito, e tem uma perspectiva muito mais material do que moral. No entanto, ao longo do tempo, os profetas e os salmistas vão acentuando que a purificação precisa incluir um aspecto moral. Esta verdade culmina em Jesus, Ele mesmo proclamando que a fonte da pureza está na coerência da palavra e das práticas, e não apenas no rigor em cumprir leis. A Sagrada Família observa as regras de pureza legal e Jesus, em seu ministério, não as destitui, mas aponta para o valor da pureza do coração. Esse é o aspecto principal, o de assemelhar-se a Deus. A caridade brota de um coração puro. Ser santo como Deus é santo. Atos concretos de misericórdia, humildade, compaixão, bondade, dignidade, deixam transparecer a santidade humana; um coração pronto para servir continuamente, através de uma disponibilidade que precisa ser trabalhada diariamente e contar, sem dúvida, com essa intimidade com o sagrado, por meio da oração. – Senhor, que eu encontre motivos para buscar todos os dias a santidade e a pureza de coração a fim de ser um sinal de sacralidade dentro dos apelos profanos do mundo ou o rigor de suas leis que nem sempre cuidam da alma, mas apenas das estruturas. Amém! (Patrícia de Morais Mendes de Sousa – Meditações para o dia a dia [2017] – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite