(Am 5,14-15.21-24; Sl 49[50]; Mt 8,28-34) 13ª Semana do Tempo Comum.
“Livra-me das balbúrdias dos teus
cantos, não quero ouvir a toada de tuas liras. Que a justiça seja abundante
como água e a vida honesta como torrente perene” Am 5,23-24.
“Prosseguem
os oráculos de Amós com a condenação da injustiça de que Israel continua a
manchar-se, e com a rejeição de um culto vão, pois é apenas exterior; como fato
positivo, o profeta indica o caminho da conversão. O povo, ao invés, parece
convencido de que o Senhor está presente (‘JHWH estará conosco’: cf. v. 14) por
uma espécie de automatismo, devido a uma Aliança e uma observância da Lei só
formais; esta convicção parece avalizada também pela prosperidade do país e
vista como sinal da bênção divina. [Compreender a Palavra:] A esperança do
profeta é expressa humildemente. Numa atitude penitente, com a consciência de
pertencer a um povo pecador. Amós deseja a misericórdia do Senhor, ‘Deus do
Universo’ (v.15): talvez tenha compaixão dos ‘sobreviventes’ (v. 15d: este
termo pode também traduzir-se por ‘resto’: aparece aqui pela primeira vez, e
terá muita importância nos profetas sucessivos). As acusações nos confrontos de
Israel versam sobre as práticas idolátricas e sobre a opressão dos pobres: o
culto não autêntico é condenado por Amós com palavras ásperas, recordando os
diversos tipos de sacrifícios (holocausto, oblações de farinha, sacrifícios de
comunhão, a oferta das melhores vítimas) e os ritos tornados solenes pelos
Cânticos, qualificados, porém como alarido inaudível. Pelo contrário, afirma o
profeta, é preciso ‘detestar o mal e amar o bem’ (v. 15a), isto é, conformar-se
intimamente com a vontade de Deus. ‘Procurai’ (v. 14a) com todo o vosso ser o
bem amado significa, essencialmente, respeitar e exercer o direito e a justiça,
cuja prática é desejada e comparada à água vivificante de nascente” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite