(At 13,13-25; Sl 88[89]; Jo 13,16-20) 4ª Semana da Páscoa.
“Conforme prometera, da descendência de
Davi Deus fez surgir para Israel um salvador, que é Jesus” At 13,23.
“A
partir de agora, no Livro dos Atos dos Apóstolos, Lucas nomeia somente Paulo
como protagonista da missão. Quando Barnabé entra em cena, assume sempre um
lugar de segundo plano. Na dupla intervenção do Apóstolo na sinagoga de
Antioquia da Pisídia (cf. At 13,13-41 e 46-47) encontramos um exemplo típico de
sua estratégia missionária e do conteúdo da sua pregação aos judeus nas
sinagogas (cf. At 9,20; 13,5). Destes dois discursos a leitura de hoje propõe a
parte inicial do primeiro. Paulo dirige-nos não só aos ‘homens de Israel’, mas
também a todos os que ‘temem a Deus’ (v. 16). [Compreender a Palavra:]
Escutamos hoje a primeira parte do discurso inaugural do ministério de Paulo.
Pronunciou-o na sinagoga de Antioquia da Pisídia (na Turquia atual), aonde tinha
chegado vindo de Perge. Uma caminhada de cerca de quinhentos quilômetros
através das zonas montanhosas do Tauro, enfrentando incômodos vários e perigos.
Talvez por essa razão João Marcos não o acompanhou, bem como aos outros, e
regressou a Jerusalém. Também Paulo, como Jesus (Lc 4,16-32), começa sua
pregação no âmbito da liturgia da sinagoga de sábado. Será um hábito na
atividade do Apóstolo o fato de anunciar, onde fosse possível, o anúncio de
Jesus Cristo dirigindo-se à comunidade hebraica presente nos vários lugares.
Com hábil retórica, Paulo avalia atentamente a sensibilidade dos seus ouvintes
e começa com uma síntese da história da Salvação que narra todas as obras
realizadas por Deus a favor de Israel, desde as origens até o rei Davi, a cuja
descendência está ligada a promessa de um salvador. Esse salvador é Jesus de
Nazaré, do qual deu testemunho João Batista, o precursor. O Nazareno é por isso
apresentado como o vértice da longa história de Israel, como salvador enviado
por Deus para cumprir as suas promessas. A lógica seguida por Paulo, e que
culminará no anúncio do ‘Kerygma’ que escutaremos amanhã, é muito simples:
aquele que Deus vos prometera como remate da Sua especial relação convosco,
aquele que desde sempre esperais é Jesus de Nazaré, do qual vos estou falando.
Deus vem ao nosso encontro e permite que O encontremos, não fora da nossa vida,
da nossa história, das nossas aspirações e dos nossos desejos, mas precisamente
neles e a partir deles. Paulo sabe-o bem e por isso, para anunciar Jesus enquanto
Messias de modo a que isso possa ser acolhido, apela à sensibilidade e às
expectativas dos seus ouvintes hebreus. É um anúncio inteligente que não é
estratégia publicitária, mas capacidade de discernir a ação de Deus na História
e de respeitar as pessoas às quais se dirige” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma
- Páscoa] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite