Terça, 03 de novembro de 2026

(Fl 2,5-11; Sl 21[22]; Lc 14,15-24) 31ª Semana do Tempo Comum.

“Um homem que estava à mesa disse a Jesus: ‘Feliz aquele que come o pão no Reino de Deus!’” Lc 14,15.

“A exclamação do convidado – ‘Feliz de quem comer o pão no Reino de Deus’ – baseia-se numa concepção da época, segundo a qual este Reino era comparado a um banquete alegre e festivo. Aproveitando esta deixa, Jesus passou a falar do baquete celeste, deixando de lado o banquete humano em que se encontrava, e que lhe servira de pretexto para transmitir ensinamentos oportunos aos presentes. A parábola apresenta dois tipos de convidados para festa do Reino. Os primeiros são pessoas de peso social e econômico. Estes têm muitos motivos para recusar o convite. As preocupações com a compra de uma nova fazenda, o negócio em torno da aquisição de gado, as próprias bodas de casamento são todos motivos considerados válidos para se darem por desculpados e recusarem o convite amigo. Os segundo são os que estão pelas praças e ruas da cidade, vítimas da marginalização social – os pobres, aleijados, cegos e coxos. São convidados a ocupar o espaço desprezado pelo primeiro grupo. Estes são insistentemente motivados a aceitar o convite e se fazerem presentes ao banquete. E a casa ficou repleta pelos que, num primeiro momento, tinham sido esquecidos. Na mira de Jesus estavam os líderes religiosos da época. Pensando ter precedência no Reino, seriam excluídos por pura insensatez. Seu lugar seria ocupado pelos pagãos e pecadores aos quais desprezavam. Estes, sim, teriam o prazer de participar das alegrias do Reino. - Pai, tu me convidas cada dia para participar das alegrias de teu Reino. Que eu saiba acolher teu convite paterno, fazendo-me solidário com os pobres e os deserdados deste mundo” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 02 de novembro de 2026

(Jó 19,1.23-27a; 1Cor 15,20-24a.25-28; Lc 12,35-40) Finados.

“Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó;

e depois que tiverem destruído esta minha pele, na mina carne verei a Deus” Jó 19,25-26.

“Podemos ajudar muito e de diversas formas as almas que se preparam para entrar no Céu e ainda permanecem no Purgatório. Sabemos que ‘a união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo não se interrompe de nenhuma maneira, antes, pelo contrário vê-se fortalecida pela comunicação de bens espirituais’ (Lumen Gentium, 49). [...] A Santa Missa, que possui um valor infinito, é o que temos de mais valioso para oferecer pelas almas do Purgatório. Também podemos oferecer por elas as indulgências que lucramos na terra: as nossas orações, de modo especial o Santo Rosário, o trabalho, a dor, as contrariedades, etc. Esses sufrágios são a melhor maneira de demonstrarmos o amor pelos nossos parentes e amigos e por todos os que nos precederam e esperam o seu encontro com Deus. Os nossos pais ocuparão um lugar privilegiado nessas orações. Por sua vez, as almas do Purgatório também nos ajudam muito nesse intercâmbio de bens espirituais que é a Comunhão dos Santos. ‘As almas benditas do purgatório – Por caridade, por justiça e por egoísmo desculpável – podem tanto diante de Deus! –, lembra-te delas com frequência nos teus sacrifícios e na tua oração. Oxalá que, ao falar nelas, possas dizer: ‘Minhas boas amigas, as almas do purgatório...’’ (Josemaria Escrivá)”. (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante)

Pe. João Bosco Vieira Leite

Todos os Santos

(Ap 7,2-4.9-14; Sl 23[24]; 1Jo 3,1-3; Mt 5,1-12)

1. Falar dos santos é falar de pessoas que são de casa, seja na liturgia ou no coração do crente. Muitos se tornaram afetivamente e efetivamente próximos a quem recorremos por uma intercessão ou mesmo com quem falamos como se estivesse aqui conosco.

2. Há, no entanto, muitos santos que, apesar de terem vivido uma vida de total dedicação a Deus e ao próximo, permanecem no anonimato. É precisamente para dar também a esses santos sem rosto e sem voz a devida honra, que a Igreja instituiu a solenidade de hoje.

3. Especificando ainda mais o significado, A. Pronzato, um sacerdote e escritor italiano, anota: “Hoje é a festa dos santos anônimos, não canonizados e, portanto, sem lugar no calendário. Pessoas humildes, que talvez tenham vivido ao nosso lado, que nos tocaram tantas vezes e que agora estão na luz e na glória. Pessoas, cuja santidade desgastou os trapos da existência comum, da existência cotidiana. Pessoas que não abriram o caminho com milagres, mas que realizaram aquele grande e extraordinário milagre que é a fidelidade silenciosa e diária ao evangelho”.

4. Se isso for verdade, o aniversário de hoje nos leva, sim, a festejar, mas também a refletir sobre o fato de que, para ser santo não é necessário nem o reconhecimento oficial da Igreja, nem o sentimento destinado a algo excepcional. Vale lembrar: santo é aquele que se esforça, dia após dia, para permanecer fiel ao evangelho e todos os apelos a ele ligados.

5. Em particular, aos apelos das bem-aventuranças que o evangelho da missa apropriadamente repropõe e que falam do dever de serem pobres em espírito, mansos, famintos e sedentos de justiça, misericordiosos, puros de coração, construtores da paz, fortes na perseguição e em todo tipo de dor por causa de Cristo.

6. Talvez isso possa parecer pouco para alguns. No entanto, a santidade está aqui. Neste espaço circunscrito que não tem nada de particularmente relevante, mas que delimita bem os limites entre aqueles que o seguem apenas com palavras, levemente, sem nenhum senso de responsabilidade.

7. E se não queremos ser contados entre esses últimos, devemos tomar cuidado com uma tentação generalizada que existe entre os cristãos, como adverte o filósofo francês Gustave Thibon: “Os santos nos são tão mais queridos quanto mais longe eles estão e a uma distância que nos dá o direito de nos considerar dispensados de alcança-los”.

8. A imensa multidão de “santos anônimos” que hoje a liturgia faz desfilar diante dos olhos demonstra exatamente o contrário. Precisamente porque são muitos e sem nome, eles manifestam que a santidade está ao alcance de todos, mesmo ao seu.

9. Por que então, em vez de nos deixarmos seduzir pela tentação da “impossibilidade”, não nos deixamos seduzir pela tentação da “possibilidade”, oferecida pelas bem-aventuranças?

10. Léon Bloy, escritor francês afirmou com seu conhecido vigor: “Há apenas uma tristeza no mundo: a de não ser santo”. A observação é mais um estimulo para que tomemos consciência que ainda falta um nome entre os inúmeros “santos anônimos” e que esse nome pode ser o seu.

Pe. João Bosco Vieira Leite