Sábado, 27 de junho de 2026

(Lm 2,2.10-14.18-19; Sl 73[74]; Mt 8,5-17) 12ª Semana do Tempo Comum.

“Quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando” Mt 8,5.

“Um traço característico da ação de Jesus foi a sua solidariedade com os pobres e sofredores. O Evangelho recorre à figura do Servo de Javé, descrita por Isaías, para compreender este aspecto do ser de Jesus. Referindo-se a este Servo, o profeta constatava: ‘Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e assumiu nossas doenças’. Tomou o lugar dos sofredores, aceitando expiar-lhes as culpas e pecados, já que a doença era interpretada como uma forma de punição divina devida a alguma ofensa feita a Deus. A isto se dá o nome de sacrifício vicário. A ação de Jesus espelha-se na solidariedade do Servo. Existe, porém, uma diferença entre ambos. Jesus cuidou de eliminar tudo quanto massacrava o ser humano, privando-o de sua dignidade. Sua ação libertadora visava restaurar a humanidade, oprimida pelas doenças e enfermidades, e seus respectivos preconceitos, em suma, o ser humano oprimido pelo mal. Assim, a ação de Jesus foi mais efetiva do que o sacrifício vicário do Servo. A solidariedade do Mestre colocou-o em contato com toda a sorte de pessoas atribuladas: o soldado romano, a cuja casa predispôs-se a ir, para curar-lhe o servo, embora ambos fossem pagãos; a sogra de Pedro, cuja mão tocou, para curá-la da febre, embora o preconceito dos rabinos contra as mulheres impedisse tal gesto; os possessos, endemoniados e enfermos, aos quais curou com uma palavra cheia de poder. – Pai, a solidariedade de Jesus com os doentes e sofredores foi exemplar. Faze-me também ser solidário com quem necessita ser libertado de suas opressões (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Sexta, 26 de junho de 2026

(2Rs 25,1-12; Sl 136[137]; Mt 8,1-4) 12ª Semana do Tempo Comum.

“Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo:

‘Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. Mt 8,2.

“O leproso encontrava-se em circunstâncias nada aprazíveis. Os leprosos eram considerados, no povo judeu, como estigmatizados por Deus, como castigo de seus pecados. A lepra era denominada, na Bíblia, como ‘açoite de Deus’. Socialmente, os leprosos não podiam aproximar-se de ninguém, nem lhes era permitido residir nas cidades. Porém aqui temos um ensinamento que pode ser de utilidade para a nossa vida espiritual. Primeiramente, salienta-se o atrevimento do leproso, movido pelo desejo ardente de ser curado. Sabe que não lhe é lícito aproximar-se de Jesus; no entanto, não leva em consideração essa proibição; ele está intuindo que aquele profeta de Israel pode curá-lo, e tudo cai e tudo cede do seu veemente desejo de saúde. Assim, aproxima-se de Jesus, e adota uma posição de acordo com o pedido que quer apresentar. São Mateus diz que ‘prostou-se’ (v. 2); São Marcos afirma que ‘suplicando-lhe de joelhos’ (Marcos 1,40), enquanto São Lucas é ainda mais expressivo e diz que colocou ‘lançou-se com o rosto por terra’ (Lucas 5,12), conforme a atitude comum dos orientais. O leproso não podia aproximar-se de ninguém, mas ninguém que se sentisse sadio poderia tampouco aproximar-se dele e menos ainda tocá-lo. No entanto, Jesus aproxima-se, toca-o e cura. Segundo a lei, socialmente, Jesus ficava contaminado. Mas como poderia contaminar-se por lepra ele que era capaz de curá-la, como poderia contaminar-se ele que a limpava? A oração do leproso: o leproso começa reconhecendo sua necessidade: está doente, seriamente doente. O primeiro passo para aproximar-se de Deus é o reconhecimento da própria miséria, da própria fraqueza, da impotência do eu; desse eu tão mergulhado na miséria do egoísmo, de todo tipo de pecado; desse eu, tão imperiosamente necessitado de limpeza, de purificação, de santificação. Reconhecer-se a si mesmo naquilo que alguém é e naquilo de que necessita, sentir-se pobre de si mesmo, destruído em si próprio, é o pré-requisito para o Espírito de Deus inicie sua obra em nós. Reconhecendo sua necessidade, o leproso aproxima-se do Senhor e adota perante ele uma posição, uma atitude de humildade, de fé e de confiança ilimitada. O leproso terá reconhecido em Jesus o Filho de Deus, o Messias prometido a Israel, ou pelo menos terá visto nele um dos profetas do povo de Deus, dotado de poderes sobrenaturais. Nós temos a fé na sua divindade, já o reconhecemos, pois o Pai dignou-se dá-lo a conhecer a nós. Sabemos também que Jesus se comove diante de qualquer apresentação de fé e de dor, tanto em nossos dias quanto no passado; agora como naquele tempo, tanto conosco quanto com o leproso” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 25 de junho de 2026

(2Rs 24,8-17; Sl 78[79]; Mt 7,21-29) 12ª Semana do Tempo Comum.

“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus,

mas o que põe em prática a vontade do meu Pai que está nos céus” Mt 7,21.

“’Senhor, Senhor’, palavras que aparentam piedade, porém, citadas por Jesus, condenam os doutores da mentira. Eles seduzem o povo com falsas aparências de piedade, enquanto, no íntimo, buscam fins interesseiros. Os falsos mestres precisavam ser desmascarados. Não agiam conforme a vontade do Pai. Profetizavam suas próprias palavras. Teatralizavam cenas com demônios e à revelia faziam muitos milagres. Ouviam a Palavra de Deus, porém não a praticavam. Foram por Jesus comparados a homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína. Esta ruína impede o entrar no Reino dos Céus. Fazer a vontade de Deus é senha aberta e escancarada para alguém nele entrar. A parte mais difícil foi feita e cumprida por Jesus, quando na cruz morreu em favor de todos os pecadores. Quis o Pai que as pessoas cressem nele e praticassem a sua Palavra. Estes são também comparados a um homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. Deus é esta rocha: ‘Só Ele é a minha rocha e a minha salvação, e o meu alto refúgio: não serei jamais abalado’ (Sl 62,6). Este Deus foi aquele que enviou Jesus. Foi rejeitado pelos seus, mas ‘veio a ser a principal pedra, angular’ (Mt 21,42). Prefigurou salvação quando o povo de Israel no deserto bebeu ‘de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo’ (1Cor 10,4). – Quero agora te louvar, te entregar o meu viver, mostrar como é bom vir a te conhecer. Levar tua Palavra, de ti testemunhar. Cantar a liberdade que só Tu tens pra dar. Amém (Arnaldo Hoffmann Filho – Meditações para o dia a dia [2015] Vozes).

  Pe. João Bosco Vieira Leite