(Gl 3,7-14; Sl 110[111]; Lc 11,15-26) 27ª Semana do Tempo Comum.
“E a Escritura, prevendo que Deus
justificaria as nações pagãs pela fé, anunciou, muito antes, a Abraão:
‘Em ti serão abençoadas todas as
nações’” Gl 3,8.
“Paulo
encontra nas Escrituras do Antigo Testamento uma confirmação do Evangelho que
anuncia. Abraão, o pai do povo de Israel, não podia esperar da mulher Sara um
filho, mas ele acreditou na promessa que o Senhor lhe tinha feito, acreditou no
poder criativo de Deus que não tem limites. Filhos de Abraão e participantes da
sua bênção são aqueles que creem (cf. vv. 6-9). Quem pelo contrário vive
esforçando-se por merecer justiça diante de Deus, fazendo as obras que a Lei
prescreve, permanece debaixo da maldição (cf. vv. 13-14). Mas em Cristo a
bênção de Abraão chega aos crentes (cf. vv. 13-14). [Compreender a Palavra:] Na
Bíblia ‘ser justificado’ significa ter sido colocado numa relação justa com
Deus. É reconhecer que os nossos esforços não bastam para nos tirar das areias
movediças em que nos precipitámos; pelo contrário, pioram a situação. Só é
justo quem diz ‘sim’ a Deus, reconhecendo-O e acolhendo-O como seu Senhor.
Abraão foi reconhecido justo pela sua fé, não pelas obras da Lei. Paulo cita o
Livro do Gênesis (cf. 15,6) e o profeta Habacuc (cf. 2,4), onde se diz que o
justo terá a vida pela sua fé. A própria fé, todavia, não é um mérito por
qualquer obra, nem é obra humana. Quem quiser ser justo pelas obras da Lei deve
cumprir toda Lei, com todas as suas prescrições, mas isso é impossível. Por
isso, todos os que se referem a Lei segundo Dt 27,26, estão debaixo da
maldição. O único modo de libertar-se dessa maldição consiste em libertar-se do
peso da Lei mosaica, seguindo por outro caminho: o caminho percorrido pelo
próprio Cristo. É esta a boa notícia anunciada por Paulo” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite