Sábado, 02 de maio de 2026

(At 13,44-52; Sl 97[98]; Jo 14,7-14) 4ª Semana da Páscoa.

“Disse Filipe: ‘Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!’” Jo 14,8.

“O diálogo com os discípulos torna-se mormente delicado quando Filipe, falando em nome dos demais, pede a Jesus: ‘Senhor, mostra-nos o Pai, e isto nos basta!’ Pedido ousado, se considerarmos que a piedade bíblica excluía qualquer possibilidade de alguém ver Deus e permanecer vivo. Por isso, todos os relatos de manifestação de Deus – teofania – revelam que a pessoa que contempla a glória divina fica tomado de pavor, diante da possibilidade de morrer. Como, então, os discípulos de Jesus ousavam querer ver o Pai? O Mestre procura leva-los a pensar a questão de maneira correta, numa perspectiva nova. Os discípulos esperavam uma teofania, no melhor estilo das teofanias do Antigo Testamento. Jesus, porém, intervém com algo muito mais simples. Coloca-se a si próprio como mediação da visão do Pai: ‘Quem me viu, viu o Pai! Você não acredita que estou no Pai e que o Pai está em mim?’. A visão do Pai era a coisa mais desejada pelos discípulos. Bastaria dar um salto de qualidade para descobrir, na pessoa de Jesus, o rosto do Pai. E, para isso, era mister nutrir por Jesus fé idêntica à dedicada ao Pai. Sem uma fé verdadeira eles estriam privados da visão do Pai, ou continuariam a querer vê-lo, mas de maneira totalmente incorreta. A única forma de ver Deus Pai consiste contemplá-lo na pessoa de Jesus. – Pai, que eu saiba reconhecer na pessoa de Jesus, expressão consumada do teu amor misericordioso por todos os que desejam estar perto de ti (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 01 de maio de 2026

(At 13,26-33; Sl 02; Jo 14,1-6) 4ª Semana da Páscoa.

“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou prepara um lugar para vós...” Jo 14,2.

Jesus já anunciou a seus apóstolos as diferentes etapas da Paixão e não lhes escondeu que inclusive um deles será instrumento da traição. Porém, a fim de que não se aflijam demasiadamente e se desorientem, afirma-lhes: ‘Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim’ (v. 1). Jamais teremos direito ao desânimo; a herança que nos deixou Jesus é o otimismo e a alegria; assim, nem o desânimo, nem a desconfiança, nem o pessimismo, nem a tristeza devem aninhar-se no seu coração, a ponto de impedir-lhe o trabalho na vida espiritual ou em sua atividade apostólica. Nosso apoio está em Cristo que é Deus; ele é nossa esperança dele receberemos a ajuda de que necessitamos. Não existem horas cinzentas com Cristo; tendo-o por amigo, tudo muda e os horizontes iluminam-se. Os amigos desejam estar sempre juntos e fazerem-se mutuamente felizes. Se Jesus é nosso amigo, também não quer ficar separado de nós por muito tempo; precisando voltar para o Pai, adverte-nos que não se separa de nós por muito tempo, mas que ele nos precede para ‘preparar-nos um lugar’. O pensamento do lugar que nos espera, gozando da companhia de Jesus, tem de dar forças e coragem, para suportar os contratempos da vida e aspirar às alegrias do céu” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 30 de abril de 2026

(At 13,13-25; Sl 88[89]; Jo 13,16-20) 4ª Semana da Páscoa.

“Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um salvador, que é Jesus” At 13,23.

“A partir de agora, no Livro dos Atos dos Apóstolos, Lucas nomeia somente Paulo como protagonista da missão. Quando Barnabé entra em cena, assume sempre um lugar de segundo plano. Na dupla intervenção do Apóstolo na sinagoga de Antioquia da Pisídia (cf. At 13,13-41 e 46-47) encontramos um exemplo típico de sua estratégia missionária e do conteúdo da sua pregação aos judeus nas sinagogas (cf. At 9,20; 13,5). Destes dois discursos a leitura de hoje propõe a parte inicial do primeiro. Paulo dirige-nos não só aos ‘homens de Israel’, mas também a todos os que ‘temem a Deus’ (v. 16). [Compreender a Palavra:] Escutamos hoje a primeira parte do discurso inaugural do ministério de Paulo. Pronunciou-o na sinagoga de Antioquia da Pisídia (na Turquia atual), aonde tinha chegado vindo de Perge. Uma caminhada de cerca de quinhentos quilômetros através das zonas montanhosas do Tauro, enfrentando incômodos vários e perigos. Talvez por essa razão João Marcos não o acompanhou, bem como aos outros, e regressou a Jerusalém. Também Paulo, como Jesus (Lc 4,16-32), começa sua pregação no âmbito da liturgia da sinagoga de sábado. Será um hábito na atividade do Apóstolo o fato de anunciar, onde fosse possível, o anúncio de Jesus Cristo dirigindo-se à comunidade hebraica presente nos vários lugares. Com hábil retórica, Paulo avalia atentamente a sensibilidade dos seus ouvintes e começa com uma síntese da história da Salvação que narra todas as obras realizadas por Deus a favor de Israel, desde as origens até o rei Davi, a cuja descendência está ligada a promessa de um salvador. Esse salvador é Jesus de Nazaré, do qual deu testemunho João Batista, o precursor. O Nazareno é por isso apresentado como o vértice da longa história de Israel, como salvador enviado por Deus para cumprir as suas promessas. A lógica seguida por Paulo, e que culminará no anúncio do ‘Kerygma’ que escutaremos amanhã, é muito simples: aquele que Deus vos prometera como remate da Sua especial relação convosco, aquele que desde sempre esperais é Jesus de Nazaré, do qual vos estou falando. Deus vem ao nosso encontro e permite que O encontremos, não fora da nossa vida, da nossa história, das nossas aspirações e dos nossos desejos, mas precisamente neles e a partir deles. Paulo sabe-o bem e por isso, para anunciar Jesus enquanto Messias de modo a que isso possa ser acolhido, apela à sensibilidade e às expectativas dos seus ouvintes hebreus. É um anúncio inteligente que não é estratégia publicitária, mas capacidade de discernir a ação de Deus na História e de respeitar as pessoas às quais se dirige” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma - Páscoa] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite