Sábado, 28 de março de 2026

(Ez 37,21-28; Sl Jr 31; Jo 11,45-56) 5ª Semana da Quaresma.  

“E não só pela narração, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos” Jo 11,52.

“A reação dos judeus perante a ressurreição de Lázaro é dupla e contrastante: ‘’muitos’ professam a fé em Jesus; ‘outros’, pelo contrário, decretam a sua morte. A sessão do Sinédrio retoma a típica conjura contra o justo perseguido descrito nos profetas e nos salmos (cf. Is 53; Sl 31,17). Caifás coloca uma proposta oportunista; o evangelista descobre uma profecia acerca do valor salvífico da morte de Jesus. Entretanto o Filho de Deus, dominando os acontecimentos, retira-se para o deserto esperando a ‘hora’ da sua oferta total conforme o plano do Pai. [Compreender a Palavra:] O grupo influente dos fariseus juntamente com os sacerdotes convoca uma reunião do Sinédrio (a assembleia máxima oficial, político religiosa da época) para tomar finalmente uma decisão sobre ‘este homem’. Os ‘muitos milagres’ que Ele realiza são vistos como sinais de ameaça contra o poder instituído e contra a frágil tranquilidade política sob a ocupação romana. Jesus deve ser por isso eliminado. A acusação já não é blasfêmia, nem as suas ações ilegais como a violação da lei do sábado, mas atinge já o campo político. Caifás interpreta o desejo geral e o seu argumento é claro: se Jesus é possuído pelo demônio ou se foi mandado por Deus, isso pouco importa. Uma coisa só é certa: ‘É melhor para nós morrer um só homem pelo povo do que perecer a nação inteira’ (v. 30). Por outras palavras: inocenta ou culpado, Jesus deve ser sacrificado à razão de Estado. O ‘bem comum’ está acima da justiça para com o indivíduo. Mas são João lê a história numa luz superior e vê nas palavras de Caifás, pronunciadas enquanto Sumo Sacerdote, uma verdadeira profecia: Jesus morrerá, mas a sua morte dá vida a um novo povo que acolherá juntamente homens de todas as raças, culturas e nações; pela sua morte, a salvação será acessível a todos. Assim, na decisão do Sinédrio emerge misteriosamente o desígnio do Pai que deseja reunir os seus filhos dispersos no seu Filho crucificado” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 27 de março de 2026

(Jr 20,10-13; Sl 17[18]; Jo 10,31-42) 5ª Semana da Quaresma. 

“Os judeus responderam: ‘Não queremos te apedrejar por causa das obras boas, mas por causa de blasfêmia, porque, sendo apenas um homem tu te fazes Deus!’” Jo 10,33.

“Embora, Jesus jamais tivesse afirmado ‘Eu sou Deus!’, seus adversários acusavam-no de, sendo apenas um homem, pretender passar por Deus. E chegavam a esta conclusão, não por causa de uma declaração peremptória de Jesus, e sim pelo modo como ele falava e agia. Suas palavras tinham uma autoridade desconhecida, e pareciam ir de encontro a tudo quanto, até então, era ensinado como Palavra de Deus. Esta liberdade diante de uma tradição religiosa revelava, no pensar dos inimigos, que Jesus estava pretendendo ocupar o lugar de Deus. Quanto aos sinais que realizava, eram de tal modo portentosos que só das mãos de Deus poderia provir. Quem, a não ser Deus, pode curar os doentes, ressuscitar os mortos, transformar a água em vinho? Este poder criador é prerrogativa divina. Essas falsas acusações foram rebatidas com dois argumentos. O primeiro foi tirado das Escrituras, precisamente do Salmo que, referindo-se aos juízes deste mundo, declara: ‘Vocês são deuses!’. Eles, ao julgar, exercem um poder divino. Se as Escrituras fazem tal declaração, é possível aplica-la também a Jesus. O segundo é tirado da própria pregação do Mestre. Suas palavras extas foram ‘Eu sou o Filho de Deus’. Esta consciência de ser Filho era o pano de fundo de tudo quanto fazia e ensinava. Sem isto, suas palavras cairiam no vazio e seriam sem sentido. Ele é, sim, o Filho santificado e enviado ao mundo para fazer as obras do Pai. E elas são as primeiras a testemunhar em seu favor. – Pai, reforça minha fé em Jesus, em cujas palavras e ensinamentos ti fazes presente na história humana (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 26 de março de 2026

(Gn 17,3-9; Sl 104[105]; Jo 8,51-59) 5ª Semana da Quaresma.

“Jesus respondeu: ‘Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou’” Jo 8,59.

“A origem e o destino de Jesus foram motivo de controvérsia com os judeus. Por um lado, o Mestre proclamava: ‘Se alguém guarda a minha palavra, jamais verá a morte’. Por outro, afirmava: “Antes que Abraão existisse, Eu sou’. Seus adversários raciocinavam de maneira aparentemente lógica. Os personagens mais veneráveis do povo, como Abraão e os profetas, morreram. Acreditava-se na volta do profeta Elias, que fora arrebatado ao céu numa carruagem de fogo. Não se tinha, porém, notícia de alguém que não iria experimentar a morte.  Com Jesus, não haveria de ser diferente. Quanto à sua origem, era suficiente considerar sua idade bastante jovem – ‘Ainda não tens cinquenta anos...’ – para se dar conta da falsidade de sua afirmação. Este modo de pensar estava em total descompasso com a real intenção de Jesus. Referindo-se à morte, pensava em algo muito mais radical que a pura morte física. Suas palavras abririam caminho para a vida eterna, na comunhão plena com o Pai, para além das vicissitudes desta vida terrena. Ao referir-se à sua origem, não estava pensando no seu nascimento carnal, historicamente determinável, e sim na sua vida prévia, no seio do Pai. Neste sentido, pode-se dizer anterior ao patriarca Abraão, por possuir uma existência eterna. Os inimigos de Jesus eram demasiado terrenos para compreender esta linguagem. – Pai, coloca-me em sintonia com as palavras e o modo de pensar de teu Filho Jesus, para que eu possa compreender seus ensinamentos, sem deturpá-los (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite