Quinta, 11 de junho de 2026

(At 11,21-26; 13,1-3; Sl 97[98]; Mt 10,7-13) São Barnabé, apóstolo.

“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’” Mt 10,7-13.

“Barnabé significa ‘filho da exortação’ (At 4,36) e ‘filho da consolação’, e é o sobrenome de um judeu levita originário de Chipre. Depois de estabelecer-se em Jerusalém, foi um dos primeiros a abraçar o cristianismo após a ressurreição do Senhor. Com grande generosidade vendeu um campo de sua propriedade e entregou dinheiro obtido aos apóstolos, para as necessidades da Igreja (c. At 4,37). Foi o fiador da conversão de Saulo diante da comunidade cristã de Jerusalém, que, todavia, desconfiava do antigo perseguidor (cf. At 9,27). Enviado para Antioquia da Síria, foi buscar Paulo em Tarso, onde se retirara, e passou um ano inteiro com ele, dedicando-se à evangelização desta importante cidade, em cuja igreja Barnabé era conhecido como profeta e doutor (cf. At 13,1). No momento das primeiras conversões de pagãos, Barnabé entendeu que havia chegado a hora de Saulo, que se retirara para Tarso, sua cidade. E ali foi busca-lo. Neste momento importante é como se tivesse devolvido Paulo à Igreja: presenteou-a, neste sentido, mais uma vez, com o Apóstolo do Povo. Da Igreja de Antioquia, Barnabé foi enviado como missionário junto a Paulo, para realizar o que se considera a primeira viagem missionária do apóstolo. Na verdade, tratou-se de uma viagem missionária de Barnabé, já que era ele o verdadeiro responsável, a quem Paulo se uniu como colaborador, chegando às regiões de Chipre e da Anatólia centro-meridional, na atual Turquia, nas cidades de Atalia, Perge, Antioquia de Pisídia, Icônio, Listra e Derbe (cf. At 13,14). Com Paulo participou em seguida do Concílio de Jerusalém, onde, depois de um exame profundo da questão, os apóstolos, juntamente com os anciãos, decidiram eliminar da identidade cristã a prática da circuncisão (cf. At 15,1-35). Só assim, ao final, tornaram possível, oficialmente, a Igreja dos pagãos, uma Igreja sem circuncisão: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo”. (Bento XVI – Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Jesus – Planeta).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 10 de junho de 2026

(1Rs 18,20-39; Sl 15[16]; Mt 5,17-19) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus

e que és tu que convertes os seus corações!” 1Rs 18,37.

“Jezebel, a cruel princesa fenícia, esposa de Acab, propagandista do culto de Baal e de Asera, projeta exterminar os profetas do Senhor (cf. 1Rs 18,3-4). Elias, paradoxalmente acusado de ser ‘a ruína de Israel’, reenvia a acusação contra Acab e a sua família, porque pelo fato de ter ‘abandonado os preceitos do Senhor’ é que veio a verdadeira ruína moral e material da nação (cf. 1Rs 18,17-18). E lança um desafio: Elias, diante de todo o povo dará testemunho da verdade do seu Deus contra as vãs veleidades dos profetas de Baal. [Compreender a Palavra:] O célebre desafio no monte Carmelo (promontório montanhoso a norte do país) entre Elias e os profetas de Baal é causado por uma provação das consciências: ‘Até quando oscilareis para os dois lados?’ (à letra: ‘Até quando saltareis de um ramo para o outro?’; poderia também ser traduzido para ‘Até quando estareis presos a duas amarras?’). Não se seguirão ao mesmo tempo Deus e Baal, o Senhor e os ídolos, Deus e mamona. O povo não responde à provocação, não compreende. Por que é que teria de escolher? Por quê esta tragicidade? É muito mais cômodo procurar tirar vantagens de ambas as partes: o cuidado paterno de JHWH, libertador dos inimigos, e a prosperidade esperada de Baal, presumível ‘dono’ da fecundidade da terra, dos rebanhos e dos homens. Por um lado o mundo da fé, por outro o mundo da magia. A narração do desafio entre as divindades, certamente muito longe da sensibilidade religiosa, prolonga-se assumindo tons hilariantes ao descrever a auto excitação dos profetas pagãos, e a ironia com que Elias finge partilhar as justificações do falhanço deles. O texto culmina na oração angustiosa do profeta, na descida do fogo do Céu e na confissão coral do povo: ‘O Senhor é o verdadeiro Deus! O Senhor é o verdadeiro Deus!’ (v. 39)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).     

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Terça, 09 de junho de 2026

(1Rs 17,7-16; Sl 4; Mt 5,13-16) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre o monte” Mt 5,13-14.

“Jesus, como mestre, ensina sobre a natureza e inteireza da fé e sobre a integridade do amor. A fé, segundo Ele, postula um comportamento cuja natureza é a do sal e da luz. Como sal, deve ela conservar e dar sabor aos alimentos. Caso não faça isto, assevera, ‘não servirá para nada a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens’. Paralelamente, Ele se refere à fé comparando-a com uma cidade ‘situada no cimo de um monte’ ou uma candeia que ‘não é colocada debaixo de uma vasilha’. A luz tem por finalidade iluminar ‘a todos que estão em casa’ e uma cidade no cimo de um monte ‘não pode esconder-se’, mas poderá ser vista por todos os transeuntes. Assim é a fé dos crentes e a caridade de seus seguidores. Como sal, têm força para salgar; como luz, brilho para iluminar; como cidade, servem como acolhida ou como alvo para os inimigos. Em outras palavras, a fé e o amor cristãos são frágeis em sua natureza, podendo ser atingidos por todos, mas fortes com obrigação de testemunho por aqueles que os professam. Não é assim que nos sentimos ao professar nossa fé e nos esforços do nosso amor criativo? Quantas vezes é ridicularizada pelos transeuntes a alegria de nossa fé, e quantas vezes nos sentimos alvos de zombaria na integridade do nosso amor pelos outros! Embora a prática do dia-a-dia da fé e do amor nos ensina que assim é, não podemos, por fidelidade a Cristo e ao Evangelho, recolher a luz da fé para debaixo de uma vasilha ou deixar que o sal do amor perca sua força transformadora dentro da realidade do mundo. Amor e fé valem pelo que são, mesmo que seus frutos sejam ridicularizados e rejeitados pelos outros. – Senhor Deus, grande e bom, queremos, em primeiro lugar, agradecer-vos pelos dons da fé e da caridade; e, depois, pedir-vos coragem e constância no testemunho que somos chamados a dar. Amém (Neylor J. Tonin – Graças a Deus [1995] – Vozes).  

Pe. João Bosco Vieira Leite