(Ef 3,14-21; Sl 32[33]; Lc 12,49-53) 29ª Semana do Tempo Comum.
“...que ele faça habitar, pela fé,
Cristo em vossos corações; que estejais enraizados e fundados no amor” Ef 3,17.
“’Por
isso’ (assim começa o v. 14), ou seja, pelo desígnio salvífico contemplado nos
capítulos precedentes, o autor eleva uma oração de intercessão (vv. 14-19) e de
louvor a Deus (vv. 20-21), artífice da salvação da Humanidade em virtude da sua
liberalidade gratuita. Conclui-se assim a primeira parte da Carta aos Efésios
(caps. 1-3), de forma correspondente ao seu começo, também ele articulado numa
oração de intercessão (cf. Ef 1,15-19) e de bênção (cf. Ef 1,3-14).
[Compreender a Palavra:] A oração tem um forte sentido trinitário. O ‘Pai’ é
origem do projeto de salvação (v. 14) e termo da oração de louvor reconhecido e
adorante (vv. 20-21). Não fica a ser um poder estranho aos nossos problemas,
antes torna-nos participantes da plenitude da Sua vida e do Seu amor. Esses
bens são-nos comunicados por ‘Cristo’ e pelo ‘Espírito’. Por meio da fé, Eles
habitam no nosso ‘homem interior’ (v. 16) – nos ‘corações’ (v. 17) –,
expressões respectivamente helenista e hebraica, para indicar o centro da
pessoa humana, a consciência, o núcleo originário da identidade. A nossa pessoa
é assim abrangida por Cristo e pelo seu Espírito, que estabelecem conosco uma
verdadeira e própria relação interpessoal. A fé é uma profunda comunhão entre
nós e Deus, na qual o próprio Deus Se comunica a nós, e Se torna presente em
nós. A oração é expressão desta comunhão: ela não tende para um Deus longínquo,
mas exprime a própria vida do Senhor uno e trino, que nos é comunicada” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite