Sexta, 10 de julho de 2026

(Os 14,2-10; Sl 50[51]; Mt 10,16-23) 14ª Semana do Tempo Comum.

“A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘deuses nossos’

a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia”. Os, 14,4.

“A conclusão do Livro de Oseias está representada por uma espécie de liturgia penitencial, na qual se desenrola um diálogo entre Deus e Israel: o convite divino à conversão; a resposta com a qual Israel rejeita os ídolos e se entrega à misericórdia do Senhor; a restituição da paz e da serenidade ao povo reconciliado com Deus. A frase final (v. 10), acrescento de um redator a encerrar todo o livro, é uma meditação sapiencial acerca da importância do ensinamento moral nela contido. [Compreender a Palavra:] Ressoa no texto mais uma vez o apelo divino: ‘Israel, converte-te ao Senhor teu Deus’ (cf. v. 2). O verbo ‘sub’, ‘regressar’, indica quer a mudança de rota, o regresso físico, quer a conversão moral, que é um verdadeiro e próprio regresso ao Senhor. Note-se o adjetivo possessivo ‘teu’: não se trata de uma conversão acadêmica, mas de um regresso a uma pessoa que chama e espera. A expressão do arrependimento de Israel comporta, por isso, por um lado, a renúncia ao deus Assur, a adoração dos ídolos, o uso de instrumentos de guerra (os cavalos); e por outro, a opção de oferecer sacrifícios espirituais ao Deus verdadeiro, que é misericórdia (cf. v.4). O perdão e o amor fazem o milagre: Israel é restituído à salvação e o profeta abunda em imagens naturais para exprimir a nova exuberância: o lírio; a oliveira; o trigo; a videira. JHWH é o orvalho vivificante para quem confia n’Ele, é como um cipreste sempre verde, cujo vigor nunca murchará” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite