Terça, 01 de setembro de 2026

(1Cor 2,10-16; Sl 144[145]; Lc 4,31-37) 22ª Semana do Tempo Comum.  

“Lucas descreve a libertação dos escravos durante a primeira cura depois de tudo o que Jesus fez e falou na sinagoga de Nazaré. Ele conta, então, que na sinagoga de Cafarnaum havia um ‘possuído por um demônio, um espírito impuro’” (Lc 4,31).

“A palavra ‘demônio’ significa um poder estranho, dominando alguém por meio de sofrimentos, opressão, degeneração, padrões neuróticos, obsessões, ideias fixas. O ser humano pode de tal maneira estar possuído por semelhantes forças ‘que não consegue mais, de forma alguma, ser ele mesmo, perdendo seu poder de falar, sua identidade, sua personalidade, e ficando completamente alheio a si mesmo e ao seu ambiente’ (Venetz, p. 67). Seu pensamento fica perturbado por preconceitos, amarguras, pavores, ciúmes. ‘Cura’ significa, para Lucas, que tal pessoa consegue novamente enxergar com toda a clareza, sendo libertada dos demônios que a escravizam” (Anselm Grün – Jesus, Modelo do ser humano – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 31 de agosto de 2026

(1Cor 2,1-5; Sl 118[119]; Lc 4,16-30) 22ª Semana do Tempo Comum.

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamara libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista;

para libertar os oprimidos...” Lc 4,18.

“Onde Jesus proclama a boa nova da proximidade do Deus bondoso, todos sentem-se livres de sua culpa. Aí os pecadores criam coragem para chegar perto de Jesus, pedindo perdão. Aí eles se sentem incondicionalmente aceitos, apesar de suas culpas. É essa experiência que Lucas faz penetrar no coração dos seus leitores com maravilhosa narrativa da pecadora que teve a coragem de entrar na casa do fariseu, a fim de ungir os pés de Jesus (Lc 7,36-50). Onde Jesus aparece e atua, cria-se um espaço livre em que todos podem novamente respirar aliviados. Deve ser esse o sentido da imagem das roças deixadas sem cultivo. Jesus transmite a ideia de que não devemos continuamente trabalhar em cima de nós mesmos, de que devemos deixar a lavoura de nossa alma descansar também uma vez, na confiança de que Deus há de semear a boa semente. Então, pela graça de Deus, a terra há de render cem vezes mais” (Anselm Grün – Jesus, Modelo do ser humano – Loyola).    

Pe. João Bosco Vieira Leite

22º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Jr 20,7-9; Sl 62[63]; Rm 12,1-2; Mt 16,21-27) *

1. Nossa Liturgia da Palavra se abre com esse trecho do profeta Jeremias. Ele faz um desabafo diante de Deus que o envia a anunciar um tempo de sofrimento para um povo que não o escuta, pois estão acostumados com as palavras dos profetas que acariciam e embalam o povo com previsões de paz e segurança.

2. Nestas condições, o profeta, que fala realmente em nome de Deus, se torna objeto de ironia, a chacota de todos. Falar em nome de Deus se torna uma tarefa desgastante. Ele tenta escapar de tal missão. Mas o profeta não vai desistir, não pode desertar: Deus o seduziu. A Palavra de Deus entrou nele qual fogo devorador que o profeta não pode abafar.

3. Na 2ª leitura, Paulo exorta os cristãos a oferecer-se “em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. E assim chegamos ao Evangelho, onde Jesus nos diz: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. Quem quiser conservar a sua vida vai perde-la... O que adianta alguém ganhar o mundo inteiro se depois vai perder a própria alma?

4. Essas palavras de Cristo, tão austera da cruz, faz tremer as veias e os pulsos de nossa pobre natureza humana. “Renunciar a si mesmo” não são palavras que o nosso tempo goste de ouvir. Talvez fosse melhor ouvir sobre como combater as injustiças do mundo, do que combater e vencer a nós mesmos.

5. Como Jeremias, também nós pregadores gostaríamos de fugir dessa ingrata missão, aparentemente inútil, anunciar ao nosso tempo as palavras que eles não gostam e não querem ouvir. Porque também somos filhos desse mesmo tempo que não quer ouvir falar em cruz.

6. Mas não se trata de simplesmente anunciar a cruz, mas também o de fazer compreender o significado daquele anúncio de Jesus, qual o sentido ela tem para nós, para nossa experiência humana e para o nosso destino.

7. Vivemos numa civilização que recusa e combate a alienação de si mesmo e que propõe, ao invés, o valor supremo da pessoa, a própria realização. O trabalho, o tempo livre, a cultura, toda promoção e emancipação social, tudo é visto em função de uma autorrealização do ser humano. Ele quer vencer, não perder, tanto menos perder sua vida.

8. Enfim, a que somos convidados a renunciar? Não às nossas autênticas possiblidades e aos valores humanos, mas à parte doentia de nós mesmos, o inimigo de Deus e nosso, inimigo que mora em nossa carne: o ser humano egoísta, dominado pela ganância e pela concupiscência, que não é capaz de amar ninguém a não ser a si mesmo e isto ademais, de modo equivocado. O ‘homem velho’, como chama a Bíblia.

9. Dando um passo mais adiante: renúncia por quem e por qual motivo? “Por causa de mim”, diz Jesus, por amor a Deus. Por causa, portanto, de uma escolha, a escolha de Deus em lugar do nosso eu; por causa da esperança que Deus nos oferece além da morte: “que adianta ganhar o mundo inteiro...”.

10. Este caminho estreito que o Evangelho nos traça tem, portanto, Deus como sua meta e prêmio. Mas tem Deus também em seu início. Jesus, com efeito, inaugurou e percorreu pessoalmente este caminho e por isso ‘tomar a cruz’ significa agora ‘ir após ele’, colocar os pés em suas pegadas, segui-lo. Jesus fala da cruz dos discípulos, depois de falar da sua.

11. Ao terceiro dia ressuscitará e também seus discípulos vão ressuscitar. É este evento da morte e ressurreição do Salvador a fonte e o modelo do nosso perder-nos para reencontrar-nos, do nosso morrer para viver.

12. Este evento se repete agora diante dos nossos olhos no sacrifício da missa. Procuremos haurir desse acontecimento a coragem para segui-lo e o propósito de oferecer de verdade a nós “mesmos em sacrifício vivo a Deus”. Senhor, ensina-nos a perder-nos para reencontrar em vós a vida eterna.    

* com base em texto de Raniero Cantalamessa.    

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 29 de agosto de 2026

(Jr 1,17-19; Sl 70[71]; Mc 6,17-29) Martírio de São João Batista.   

“Herodes tinha mandado prender João e coloca-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado” Mc 6,17.

“’E falarei dos teus preceitos diante dos reis, sem me envergonhar. E deleitar-me-ei nos teus mandamentos, que amo’ (Sl 118,46-47). No dia 24 de junho, a Igreja celebrou o nascimento de São João Batista; hoje comemora o seu ‘dies natalis’, o dia da sua morte, ordenada por Herodes. Este rei, como o chama São Marcos, é um dos personagens mais tristes do Evangelho. Foi durante o seu governo que Cristo pregou e se manifestou como o Messias esperado. Também teve oportunidade de conhecer João, incumbido por Deus de mostrar o Messias, e chegou a ouvi-lo com gosto (Mc 6,17-20). Podia ter conhecido Jesus, a quem queria ver pessoalmente, mas cometeu a enorme injustiça de mandar decapitar aquele que poderia tê-lo levado até o Senhor. A imortalidade da sua vida, as suas más paixões, impediram-no de descobrir a Verdade e levaram-no a esse grande crime. Foi tal a cegueira da sua mente e do seu coração que, quando realmente se encontrou cara a cara com o Senhor do céu e da terra (Lc 23,6-9), pretendeu que o entretivesse, a ele e aos amigos, com algum dos seus prodígios. São João pregava a todos: à multidão do povo, aos publicanos, aos soldados (Lc 3,10-14); aos fariseus e saduceus (Mt 3,7-12), e ao próprio Herodes. Com seu exemplo humilde, íntegro e austero, avalizava o seu testemunho sobre o Messias, que já tinha chegado (Jo 1,29; 36-37). João dizia a Herodes: ‘Não te é lícito ter a mulher do teu irmão’ (Mc 6,18). Não temeu os grandes e poderosos, nem se importou com as consequências das suas palavras. Tinha presente na alma a advertência do Senhor ao profeta Jeremias, que a primeira leitura da Missa nos recorda hoje: “Tu, pois cinge os teus rins, levanta-te e diz-lhes tudo o que te mando. Não lhes tenha medo, porque eu farei que não temas a sua presença. Porque eu te converto hoje em cidade fortificada, em coluna de ferro e em muro de bronze sobre toda esta terra, diante dos reis de Judá, dos seus príncipes, dos seus sacerdotes e do seu povo. E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para te livrar” (1,17-19). O Senhor pede-nos também essa fortaleza e coerência, para que saibamos dar na vida diária um testemunho simples por meio do nosso exemplo e da nossa palavra, sem medo nem respeitos humanos” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 28 de agosto de 2026

(1Cor 1,17-25; Sl 32[33]; Mt 25,1-13) 21ª Semana do Tempo Comum.     

“O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo

e saíram ao encontro do noivo” Mt 25,1.

“Os exegetas sempre tentaram explicar o sentido do azeite. Muitos o interpretam como sendo as boas obras que devem juntar-se à fé (representada pelas tochas). Agostinho vê no azeite o símbolo da convicção que deve determinar a ação do cristão. Para ele, o azeite é imagem do amor. Não posso repartir a minha convicção com os outros. As moças prudentes não podem dividir o seu amor com as insensatas. Posso dividir com os outros o meu pão, o vinho, meus bens materiais e espirituais. Mas não posso impingir aos outros a minha convicção. Essa é uma tarefa individual. Por isso, Agostinho entende a parábola como uma advertência: devemos despertar em nós o amor que já está dentro de nós, mas do qual estamos muitas vezes isolados. Uma senhora que tinha refletido sobre o sentido do azeite em sua vida comentou depois num grupo: o azeite serve para requintar as comidas, e com azeite posso ungir o meu corpo. Ela viu nessa parábola a permissão de Jesus para permitir-se certos mimos, para tratar bem a si próprio, para não andar o tempo todo com a consciência pesada. Cada um quer interpretar o azeite à sua maneira, dependendo da própria experiência. E é legítimo que cada um medite sobre a parábola de Jesus, de acordo com o horizonte particular de sua experiência.” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 27 de agosto de 2026

(1Cor 1,1-9; Sl 144[145]; Mt 24,42-51) 21ª Semana do Tempo Comum.

“... neles fostes enriquecido em tudo, em toda palavra e em todo conhecimento, ...” 1Cor 1,5.

“O começo da Primeira Carta aos Coríntios segue o esquema típico da forma epistolar com a apresentação dos remetentes e dos destinatários, a saudação e depois a ação de graças a Deus, pelos dons que concedeu à comunidade dos fiéis. A solenidade da introdução familiariza o ouvinte com a riqueza dos temas e dos assuntos que serão tratados em seguida. No versículo 5, Paulo declara a riqueza espiritual dos Coríntios, aos quais não falta nenhum dos dons da fé, mas ao mesmo tempo exorta-os a permanecerem firmes em Deus, que ele define como ‘fiel’ (v. 9). [Compreender a Palavra:] Na saudação inicial à comunidade de Corinto, o Apóstolo chama a atenção para o contexto de uma Igreja maior, composta por todos aqueles que invocam o Nome do Senhor, porque são chamados a ser santos (v. 2). O relevo sobre a universalidade da fé constitui uma das argumentações mais fortes de Paulo perante as divisões internas na comunidade, devido aos diversos personalismos que provocaram rivalidades e divisões. Depois, quase com ironia, no versículo 5, o Apóstolo louva os Coríntios, porque não lhes falta nenhum dom, sendo já peritos na ‘palavra’ e no ‘conhecimento’. Mas há um crescimento a fazer na linha da ‘irresponsabilidade’ (v. 8) da ‘comunhão’(v. 9), dons que vem diretamente de Deus e que Ele está sempre disposto a conceder a quem permanece fiel na procura sincera da santidade. O adjetivo ‘fiel’, atribuído a Deus, é a nota dominante da teologia desta Carta, já que no centro da fidelidade estão a caridade e a misericórdia utilizada pelo Senhor para conosco (cf. ‘Cor 13)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Quarta, 26 de agosto de 2026

(2Ts 3,6-10.16-18; Sl 127[128]; Mt 23,27-32) 21ª Semana do Tempo Comum.

“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos,

mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão!” Mt 23,27.

“Ao chamar de sepulcros caiados os mestres da Lei e os fariseus, Jesus denunciava um fato de enorme gravidade: estes líderes, que se vangloriavam de serem exemplares na prática dos preceitos religiosos, contaminavam os que entravam em contato com eles. Tratava-se de uma revelação paradoxal! Os túmulos dos judeus eram pintados de branco para evitar que fossem tocados por inadvertência, pois isto resultava numa impureza que impedia a pessoas de participar das atividades religiosas. Este perigo era maior à noite, quando os túmulos ficavam menos visíveis, e obrigava as pessoas aos ritos de purificação. O cuidado com que os túmulos eram pintados e sua eventual suntuosidade exterior não eram suficientes para esconder a putrefação que continham no seu interior. O exterior escondia o que tinham no interior, e este era camuflado pelas aparências externas. A observação de Jesus era de um realismo inquestionável. Assim eram os mestres da Lei e os fariseus. Sua hipocrisia levava-os a se apresentarem externamente como homens virtuosos, quando, na verdade, estavam carregados de vícios e pecados. Resultado: quem se aproximava deles acabava sendo enganado. Não enveredam pelo caminho da virtude, antes acabavam sendo tragados por uma malícia indigna de quem quer ser fiel a Deus. – Pai, torna-me de tal modo transparente que meu íntimo possa ser revelado por meus gestos e atitudes. Livra-me de ser como um sepulcro caiado! (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 25 de agosto de 2026

(2Ts 2,1-3.14-17; Sl 95[96]; Mt 23,23-26) 21ª Semana do Tempo Comum.  

“Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo” Mt 23,26.

“Com linguagem metafórica, Jesus coloca a descoberto a falta de sinceridade dos fariseus. Procuram a exterioridade, as aparências falsas, mas descuidam do interior, do fundo da alma, que é o verdadeiramente válido. Preferem mais aparecer do que ser. Indubitavelmente você não estará com essa teoria, nem mesmo com essa prática, mas procurará, antes de mais nada, ser, para depois aparecer como realmente você é; porque, em poucas palavras, o que vale na presença de Deus não será o que você aparenta, mas sim o que você é, a não ser que você apareça como realmente é. Vivência: Neste evangelho, o Senhor não se refere tanto à limpeza do prato e do corpo, quanto à limpeza pessoal; a ameaça é dirigida contra o cuidado da correção externa na observância da Lei, sem atender às disposições internas que se devem cumprir. Limpeza de coração para servir a Deus, pois, se os homens veem o exterior, Deus penetra o fundo do coração” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 24 de agosto de 2026

(Ap 21,9-14; Sl 144[145]; Jo 1,45-51) São Bartolomeu Apóstolo.

“Jesus viu Natanael, que vinha para ele, e comentou: ‘Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade’” Jo 1,47.

“No elogio de Jesus a Natanael, descobre-se a atração que uma pessoa sincera exerce sobre o coração de Cristo. O Mestre diz do novo discípulo que nele não há ‘dolo nem engano’: é um homem sem falsidade. Não tem como que ‘dois corações e duas pregas no coração, uma para a verdade e outra para a mentira’ (Santo Agostinho). Isso é o que deve poder dizer-se de a cada um de nós, por sermos homens e mulheres íntegros, que procuramos viver com coerência a fé que professamos. O mentiroso, aquele que tem um espírito duplo, aquele que atua com pouca clareza, soa sempre a sino rachado: ‘Lias naquele dicionário os sinônimos de insincero: ‘ambíguo, ladino, dissimulado, matreiro, astuto’... – Fechaste o livro, enquanto pedias ao Senhor que nunca pudessem aplicar-se a ti esses qualificativos, e te propuseste aprimorar ainda mais esta virtude sobrenatural e humana da sinceridade’ (Josemaria Escrivá). Trata-se de uma virtude fundamental para seguir o Senhor, pois Ele é a verdade divina e aborrece toda mentira. Até os inimigos de Cristo terão de reconhecer o seu amor pela verdade: ‘Mestre – dir-lhe-ão numa ocasião –, sabemos que és sincero e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem te prenderes a ninguém, porque não fazes acepção de pessoas’ (Mt 16,22). E ensina-nos que as manifestações das nossas ideias ou pensamentos devem ser feitas conforme a verdade: ‘Seja o vosso falar: Sim, sim; não, não; porque tudo o que passa disto procede do mal’ (Mt 5,37). O demônio, pelo contrário, é o pai da mentira (cf. Jo 8,44), pois tenta constantemente levar os homens ao maior de todos os enganos, que é o pecado. O próprio Jesus, que sempre se mostra compreensivo e misericordioso com todas as fraquezas humanas, lança duríssimas condenações contra a hipocrisia dos fariseus. Por isso podemos imaginar a alegria que lhe causou o encontro com Natanael” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante)

 Pe. João Bosco Vieira Leite

21º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 22,19-23; Sl 137[138]; Rm 11,33-36; Mt 16,13-20)*

1. Dentro de ciclo litúrgico do ano A, já celebramos o nascimento, o batismo, a paixão, a ressurreição, a ascensão de Jesus e testemunhamos algumas de suas obras. E aí nos chega nesta altura do ano que nos perguntemos: quem é, na realidade, esse Jesus que cada assembleia nos fala e do qual sempre falamos?

2. Também durante a sua vida Jesus não formulou a pergunta no início, mas mais tarde, quando os discípulos estavam preparados para dar uma resposta. Mas a primeira pergunta de Jesus é com relação ao que diz o povo, aqueles de fora, aqueles que ouviram falar de Jesus ou o viram, mas não aderiram a ele.

3. Certamente Jesus não tinha necessidade de saber o que pensam as pessoas a respeito dele. A pergunta serve antes para nós, que cremos. Para algo que devemos descobrir em seguida. Para essa pergunta de Jesus podemos pinçar algumas respostas do nosso tempo, nem sempre fáceis de decifrar.

4. As vozes jovens que tanto movimentou os decênios passados, aparece num filme realizado por eles e para eles: “Jesus Cristo Superstar”. Numa humanização total de Cristo! Um Jesus que está entre os homens – isto é correto – mas há algo nele que vai além daquele horizonte, mesmo se não se tem nem os meios nem a vontade de conduzir até lá a pesquisa.

5. Quem é Jesus de Nazaré? Há hoje também quem a esta pergunta, responda como então: um profeta! São os ‘políticos’, alguns marxistas que abandonaram os preconceitos anticristãos, ou simplesmente, pessoas comprometidas com um mundo mais justo. Profeta, entende-se, da história, não de Deus. Um Jesus com o qual se identificou toda uma geração de ideólogos da revolução e da mudança social.

6. Também filósofos e teólogos tentaram responder a essa pergunta. Para alguns filósofos, Jesus foi uma pessoa que realizou completamente todas as possibilidades do ser humano e que pode, por isso, colocar-se como sentido e modelo da existência humana; alguém em quem Deus se tornou presente. Nele “há” Deus, mas não “é” Deus.

7. Se a Cristo realmente importasse o dizer do povo, ele deveria ter parado por ali, dar-se por satisfeito. Mas sua verdadeira intenção vem com a pergunta seguinte: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Dos discípulos que o conheceram de perto, que escutaram suas palavras, Jesus espera uma resposta diferente daquela do povo.

8. Também hoje Jesus não se contenta que nós saibamos o que diz dele a cultura; quer a nossa resposta, de nós que cremos nele e que nele colocamos nossa esperança. A resposta não se deve certamente inventar. Temos aquela que um dia deu Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

9. Nesta está em “germe”, toda a cristologia. Aquela resposta, revivida e aprofundada por todas as gerações cristãs que nos precederam, proclamadas pelos concílios e pelo magistério da Igreja, que chegou até nós, e nós, recitando o credo, não fazemos outra coisa senão repeti-la.

10. Nas suas orações e nos seus ensinamentos a Igreja sempre repete a si mesma esta fé: Jesus não é somente um homem, ou um profeta; é mais do que profeta: é Deus conosco. Esta é, portanto, a resposta da fé à pergunta: Quem é Jesus?

11. As respostas do povo, de ontem e de hoje não representam a fé, representam a “pesquisa”; não vem de cima, mas da Terra, ainda que com interrogações honestas sobre a figura de Jesus. As duas respostas se assemelham ao caminhar dos Magos para Belém e os Magos regressando de Belém: primeiro foram se informando sobre o Menino, depois, o encontrando, o adoraram, considerando-o Deus.

12. Mas a resposta da fé, de tão antiga, pode se tornar insignificante se não a torno minha, se não a interiorizo. É a mim que a pergunta também se dirige. E aqui poderíamos partilhar muitas respostas pessoais que nascem das experiências, como o fizeram os cristãos da primeira geração.

13. Não podemos ignorar que a pesquisa renova a fé e, sobretudo, a encarna. É normal e desejável que nos coloquemos questões a respeito d’Ele, de repensar sua pessoa à luz dos problemas e das exigências sempre novas que afloram na história. Muitos já a fazem para nós. Ainda que as repostas sejam parciais e insuficientes. Muitos não avançam, só tocam na orla do manto. Que Jesus se volte também para eles e os ajudem a descobri-lo totalmente.

14. O silêncio pedido por Jesus ao fim do Evangelho já não vale mais. A nós, seus discípulos, Jesus manda que digamos a todos que ele é o Cristo: e dizê-lo, sobretudo, ao povo que continua a perguntar quem é Jesus de Nazaré.

* com base em texto de Raniero Cantalamessa

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 22 de agosto 2026

(Is 9,1-6; Sl 112[113]; Lc 1,26-38) Bem-aventurada Virgem Maria Rainha.

“O anjo entrou onde ela estava e disse: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’” Lc 1,28.

“Ante vossa glória, ó Maria, não consegue a devoção calar, nem a mente árida formular algo de digno... Até os habitantes do céu, estupefatos, perguntam uns aos outros: ‘Quem é esta que sobe do deserto plena de delícias?... Quem é esta que lá do mundo, onde tudo é cansaço, dor e aflição de espírito, sobe até aqui a superabundar de delícias espirituais?... Subindo do deserto, ó Rainha do mundo, até para os santos Anjos, apareceis encantadora de beleza e a suave em vossas delícias’... A vós, pois, ó fonte de vida, chega-se nossa sedenta! A vós, tesouro de misericórdia, recorre nossa miséria com toda a solicitude! Virgem bendita... revele ao mundo, vossa piedade, aquela graça que achastes junto de Deus! Obtende, com vossas santas preces, perdão para os culpados, cura para os doentes, fortaleza para os débeis, conforto para os aflitos, auxílio e libertação para quem está em perigo. Neste dia de tranquilidade e alegria, nós, vossos pobres servos, vos invocamos, e vosso dulcíssimo nome louvamos! Por vossa intercessão, ó Virgem clementíssima, alcançai-nos a abundância das graças daquele que é vosso Filho, Jesus Cristo Nosso Senhor, Deus bendito sobre todas as coisas, pelos séculos eternos’ (São Bernardo)” (Gabriel de Sta. Maria Madalena, OCD – Intimidade Divina – Loyola)

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 21 de agosto de 2026

(Ez 37,1-14; Sl 106[107]; Mt 22,34-40) 20ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma

e de todo o teu entendimento!’” Mt 22,37.

“O rabino quer pôr à prova o modo de pensar de Jesus e apresenta-lhe uma artimanha para comprometer o Mestre, isto é, a pergunta é hostil e faz-se para tentar o Mestre. O amor a Deus e o amor ao próximo são o resumo de toda a Lei e desses dois preceitos adquirem valor e significado os preceitos restantes. ‘Foi-te mandado amar com todo o coração, com toda alma, com toda a mente. O coração é o centro da vida animal e palpita. A alma é o primeiro princípio da vida e move todos os membros. A mente é a faculdade que avalia, pensando, por assim dizer, a essência e a propriedade das coisas. Tudo isso te foi dado para que possas correr para Deus e estar com ele’ (Santo Agostinho). Jesus Cristo nos exige amor total; não se contenta com parcialidade, exige a totalidade da entrega tanto a Deus, como ao próximo; quer que o amemos não de qualquer maneira, mas ‘com todo teu coração, com toda tua alma e com toda tua mente’” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 20 de agosto 2026

(Ez 36,23-28; Sl 50[51]; Mt 22,1-14) 20ª Semana do Tempo Comum.

“O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho” Mt 22,2.

“A parábola pode ser interpretada também como o caminho da encarnação de cada um individualmente. Essa interpretação individual, que poderíamos chamar também de interpretação à luz da psicologia profunda, que interpreta tudo no nível do sujeito como caminho do indivíduo para Deus, remonta a Orígenes. Ele coloca essa interpretação individual ao lado da eclesial. Ambas têm a sua razão de ser. Orígenes interpreta a parábola como a ‘união do Logos, o noivo, com a alma, a noiva, que se realiza pelo casamento espiritual’ (Luz III, 247). Pelo encontro com o Logos, a alma recebe a imortalidade. O verdadeiro encontro e a união com o Logos acontece na contemplação, ou seja, na visão de Deus pelo Espírito. Interpretando a parábola dessa maneira, ela adquire um significado atual aplicável a cada um de nós, descrevendo o caminho interior da autorrealização e da unificação com Deus. Todos nós somos convidados para a festa nupcial. A nossa vocação cristã não quer dizer apenas que devemos cumprir os mandamentos de Deus, mas que somos convidados a ser um com Deus em Jesus Cristo. O objetivo de nossa vida é a autorrealização pela qual fundimos com o nosso núcleo divino. Quantas vezes passamos pelo convite sem lhe dar a devida atenção! Primeiro, desprezamos o convite que se manifesta em impulsos sutis de nosso coração. Intuímos que a nossa verdadeira vocação consiste em deixarmo-nos cair em Deus para nos tornar um com ele. Mas a voz convidativa de Deus é tão baixinha que não chega a alcançar a nossa consciência. Ou, como lembra a segunda chamada, temos coisas mais importantes a fazer: aumentar o nosso patrimônio, correr atrás do sucesso, cuidar dos negócios do dia-a-dia. Às vezes, sufocamos simplesmente os nossos impulsos internos porque nos desagradam. Eles não nos deixam em paz. Então preferimos anestesia-los pelo acúmulo de atividades ou os calamos, matando-os. É o ego que assassina os servos do rei. O ego não gosta de ser incomodado em suas aspirações egoístas. Mas o rei envia os seus servos outra vez. Tudo o que há em nós é convidado. Os que andam pelas estradas são os pobres. O nosso lado pobre se abre mais facilmente para Deus do que o nosso lado bem-sucedido. Os servos têm ordens de percorrer todo o reino até onde terminam as estradas. Todos os setores de nossa alma, toda a nossa história, até mesmo as zonas periféricas de nosso inconsciente, tudo é convidado a se unir a Deus. Nada fica excluído, nem mesmo o mal. É uma mensagem consoladora. A única condição da parte de Deus é que demos a devida atenção ao convite, que ponhamos tudo o que há em nós em relação com ele. Para mim, a veste nupcial significa que respeito o rei que me convida, que trato com cuidado tudo o que está em mim, por mais pobre e roto que seja, a fim de pô-lo em relação com o casamento. Isso requer atenção e cuidado. Não preciso percebê-lo e revesti-lo com a roupa do amor. Preciso olhar com carinho para tudo o que há em mim e apresenta-lo a Deus. Aí então posso participar do banquete nupcial. Todo o meu ser pode unir-se a Deus. Mas, se eu tratar com desleixo o que sou e tenho, serei expulso da mesa; então, perderei o meu centro de gravidade e meu interior se cobrirá de trevas. Aquilo que não recebeu a devida atenção transforma-se em escuridão que me devora e me dilacera por dentro. É esse o sentido das palavras ‘choro e ranger de dentes’. Se eu não estiver disposto a encarar a minha própria verdade e a oferece-la a Deus, esta me destruirá. A minha vida se transformará em choro e lamentações. O mal em mim se tornará uma fonte de tristeza e de pranto, de desespero e de absurdeza” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).

  Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 19 de agosto de 2026

(Ez 34,1-11; Sl 22[23]; Mt 20,1-16) 20ª Semana do Tempo Comum.

“O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores

para a sua vinha” Mt 20,1.

“Houve Padres da Igreja que interpretassem essa parábola como uma imagem do curso de vida dos indivíduos. Algumas pessoas são cristãs desde o nascimento, outras se convertem logo na juventude, outros só na idade adulta ou provecta. Os Padres da Igreja admoestam, então, aos cristãos da primeira hora a não esmorecer em seu fervor, aos que receberam o batismo mais tarde, eles incutem ânimo e confiança. Cada um deve trilhar o seu próprio caminho e servir a Deus nesse seu caminho pessoal, sem comparar-se com os outros. Para todos, o prêmio será a moeda de prata. Essa moeda única não é só a diária habitual daquele tempo, ela é também o símbolo da unificação com Deus. Nada ultrapassa esse ato de tornar-se uno. É a meta da vida humana. O caminho para alcançar essa meta é mais longo para uns, mais curto para outros. Essa interpretação foi uma tentativa de inserir o sentido da parábola na respectiva época. E qual seria o seu sentido hoje? Vejo-me colocado diante da pergunta: como entendo a minha vida de cristão? É apenas um esforço, um trabalho fatigante, quando a verdadeira vida consiste em ficar parado sem fazer nada? Ou acredito que, pela união com Cristo, a minha vida ganha sentido e fica boa? O desafio que acompanha o trabalho pode ser uma fonte de paz interior para o ser humano, já que lhe dá a sensação de que sua vida tem sentido. Aquele que fica à toa na praça certamente não está feliz com essa situação. Ele se sente supérfluo. Sua vida lhe parece inútil. O ser humano se sente valorizado quando é chamado, convidado, aliciado. Quando me dedico ao trabalho que me é confiado, sem querer comparar-me com os outros, torno-me um comigo mesmo, com Deus e com os homens. Não preciso de mais nada para viver. Mas se eu desviar o olhar do meu trabalho para observar os outros e me comparar com eles, ficarei internamente dividido e descontente” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).

  Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 18 de agosto de 2026

(Ez 28,1-10; Sl Dt 32; Mt 19,23-30) 20ª Semana do Tempo Comum.

“Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”

Mt 19,30.

“O que Jesus ensina é que pode acontecer que aqueles que receberam a graça e o chamado primeiramente não mereçam tanto como os chamados à última hora; não é uma época do chamado, mas a generosidade da resposta o que vai aproximar-nos de Deus, conseguindo-nos a salvação e a santificação; não basta, por outro lado, começar, se não se persevera na prática do bem e da virtude; não basta responder, mas é preciso responder com generosidade às graças recebidas. São Beda ilustra esta frase de Jesus Cristo dessa forma: ‘Presta atenção em Judas, que de apóstolo transformou-se em apóstata, e aprende que muitos que são os primeiros poderão ser os últimos. Presta atenção no bom ladrão que, embora tenha sido crucificado por causa de seus pecados, pela graça da fé, passou a gozar com Jesus Cristo o Paraíso; e aprende que também os últimos podem chegar a ser os primeiros” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

  Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 17 de agosto de 2026

(Ez 24,15-24; Sl Dt 32; Mt 19,16-22) 20ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Por que tu me perguntas sobre o que é bom? Um só é o bom.

Se tu queres entrar na vida eterna, observa os mandamentos’” Mt 19,17.

“A pergunta apresentada a Jesus pelo jovem reflete uma tendência do farisaísmo, a de praticar a virtude visando apenas obter a salvação. Esses fariseus eram calculistas, sempre preocupados em acumular méritos diante de Deus. Tendo feito tudo quanto estava a seu alcance, interessava ao jovem saber o que poderia ainda fazer de bom para alcançar a vida eterna. Na qualidade de Messias, talvez Jesus pudesse indicar-lhe obras que rendessem méritos de valor muito maior.  O Mestre, porém, tentou corrigir este modo de pensar. Não se alcança a vida eterna pela prática de coisas boas (‘O que devo fazer de bom’), submetendo-se a um código de regras precisas de comportamento, e sim pela relação com uma pessoa (‘Um só é Bom!’), entendendo-se, com isso, tanto Jesus quanto o Pai. O que é bom deve ser praticado por corresponder à vontade daquele que é Bom. Sem esta obediência, os atos de virtude ficam desprovidos de valor. O jovem é confrontado com a proposta de passar da prática mecânica dos mandamentos para um tipo de relação capaz de transformar-lhe a vida: desfazer-se de tudo e dar aos pobres o valor correspondente para, em seguida, tornar-se seguidor de Jesus. Se o jovem não fosse tão apegado a seus bens, teria tido a chance de experimentar a alegria de conhecer em profundidade, a vontade salvífica de Deus. – Pai, quero estar sempre em comunhão contigo, pois só tu és Bom. Que eu possa, assim, conhecer a tua vontade e colocá-lo em prática, pois este é o caminho da salvação” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria

(Ap 11,19; 12,1.3-6.10; Sl 44[45]; 1Cor 15,20-27; Lc 1,39-56) *  

1. A solenidade da Assunção nos presenteia no evangelho com o texto do Magnificat. Trata-se do canto de Maria, ainda grávida de Jesus, que agradece a Deus pela graça recebida.

2. É curioso, e convém sublinhá-lo, o fato de a Igreja nos oferecer um texto evangélico de uma Maria jovem para nos explicar o que aconteceu depois de sua morte.

3. Diz o dogma que Maria subiu ao céu de corpo e alma. Que foi a primeira dentre todos nós. Sua Assunção é sinal e promessa da nossa. Mas a Assunção não foi apenas um fato que aconteceu em momento determinado. Maria subiu ao céu porque viveu com o olhar posto em Deus.

4. O Magnificat – o canto de Maria, jovem ainda, grávida de seu filho, que se encontra com sua prima Isabel, igualmente grávida – não é apenas uma bela poesia. Trata-se de claro testemunho do estilo de vida de Maria.

5. Aquela jovenzinha de uma aldeia da Galileia tinha a alegria impregnada no corpo. Era uma alegria fruto da fé e da confiança no Deus de seu povo. Para além das aparências, ela sabia ficar acima do cotidiano e olhar para a história com perspectiva.

6. Por isso, Maria sabe que “sua misericórdia (a de Deus) chega a seus fiéis de geração em geração” e que “socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia”. Isso não significa dizer que Maria não tenha passado por momentos cinzentos em sua vida cotidiana.

7. Não deveria dar para muitas alegrias a vida naquelas aldeias das montanhas da Galileia. Lavar, cozinhar, limpar, ajudar nas tarefas do campo, todos os trabalhos de uma mulher agravados pela pobreza em que vivia aquela gente.

8. Naquela situação, a maioria das pessoas permanecia ao rés do chão. Não eram capazes de ver nada além do imediato, do que a vida tem de cinzento, dor, negatividade e morte. Maria – e isto é importante – passou exatamente pelo mesmo, mas olhava para outros horizontes.

9. Olhava para o céu e enxergava o rosto bondoso do Deus que havia sido sempre misericordioso com seu povo e que lhe havia prometido a salvação. Por sua fé, Maria transformou sua vida de cinzenta em algo luminosa.

10. Sua luz continua iluminando a todos nesta festa. Nossa vida, também costuma ficar cinza quando permitimos que nosso olhar fique no rés do chão.

11. A festa de hoje nos recorda que precisamos levantar nosso olhar e colocar nossos horizontes um pouco mais adiante. Devemos olhar nossa vida e a de nossos irmãos com os olhos de Deus, com a perspectiva de Deus. Nós nos surpreenderemos ao descobrir a cor diferente que terá a vida. E aprenderemos a rezar o Magnificat com o prazer e a fé de Maria.

12. Uma proposta de nossa festa: por que não experimento rezar diariamente o Magnificat? Basta fazer um instante de silêncio e permitir que as palavras de Maria se tornem minhas palavras. Que por meio delas, fale, igualmente o meu coração dando graças a Deus por tudo que me concedeu, porque viu a minha humilhação e me fez seu filho. Talvez isso nos ajude a levantar o nosso olhar até o horizonte de Deus.

* Fernando Torres, CMF

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Sábado, 15 de agosto de 2026

(Ez 18,1-10.13.30-32; Sl 50[51]; Mt 19,13-15) 19ª Semana do Tempo Comum.

“Então Jesus disse: ‘Deixai as crianças e não as proibais de virem a mim, porque delas é o Reino dos Céus’”

Mt 19,14.

“Era costume judaico apresentar os filhos aos rabinos, pra que eles os abençoassem, impondo-lhes as mãos; o gesto acompanhado de uma oração bíblica aparece como uma forma de bênção; tudo isso prova o conceito de grandeza moral e taumatúrgica em que as pessoas tinham Jesus. É fácil imaginar a cena das mães aglomerando-se e com gestos e gritos, tão característicos dos orientais, querendo ter a preferência para suas crianças. Os apóstolos não viram com bons olhos o procedimento das crianças, nem das mães, seja porque fossem muitos e poderiam molestar o Mestre, seja pela inoportunidade da presença delas exatamente no momento em que Jesus estava ensinando sua doutrina maravilhosa; o caso é que, com gestos e palavras, começaram a impedir que as crianças se aproximassem do Mestre. O Senhor censurou a atitude dos apóstolos e ordenou que deixassem as crianças aproximaram-se dele; o Senhor descansava no olhar simples das crianças. O apostolado entre as crianças gozou sempre de um profundo interesse, por mais que proceda hoje à revisão da Pastoral da criança. Ilustrar suas inteligências que se abrem para a luz da verdade, colocar a semente do bem naqueles corações que se apresentam como terreno fértil para todos os sentimentos puros e elevados, dar-lhes a conhecer o amor de Deus e sua divina Providência, fazê-los entusiasmar coma figura de Jesus Cristo como seu Salvador e seu melhor amigo... A criança é como a árvore recém-plantada, que exige cuidado e atenção esmerados. Hoje como ontem, Jesus repete-nos: ‘Deixai vir a mim as criancinhas’ (v. 14). Acostumemos nossas crianças a irem ao Sacrário, a frequentarem a recepção dos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia, que ofereçam suas orações ao Senhor sacramentado; recomendemos que, em suas orações, se lembram das necessidades da família, da Igreja, da pátria e do mundo inteiro; será muito difícil que o coração sacratíssimo de Jesus não atenda ao que lhe pedem as almas inocentes” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 14 de agosto de 2026

(Ez 16,1-15.60.63; Sl Is 12; Mt 19,3-12) 19ª Semana do Tempo Comum.

Mas puseste tua confiança na beleza e te prostituíste graças à tua fama.

E sem pudor te oferecias a qualquer passante” Ez 16,15.

“As relações com Deus são expressas de muitos modos no Antigo Testamento: Deus é um pai que educa seus filhos (cf. Os 11,1-4); é uma mãe que não pode esquecer o fruto das suas entranhas (cf. Is 49,15); é o Bom Pastor que leva as Suas ovelhas ao pasto (cf. Sl 22). Mas a partir do tempo do Oseias, Ele é sobretudo o esposo de Israel. Ezequiel utiliza mesmo esta metáfora para esclarecer a história das relações de JHWH com seu Povo. [Compreender a Palavra:] O motivo principal nesta narração é o de uma enjeitada, da qual o rei se enamora, salva e constitui rainha. A enjeitada (Jerusalém/Israel), tornada rainha, prostitui-se, servindo-se dos presentes de núpcias do Senhor (v. 16). Ezequiel recebe assim a missão de dizer, de forma simbólica, a verdade ao seu povo, dando-lhe a conhecer as suas responsabilidades ao ter abandonado o Senhor para seguir os deuses dos outros povos. O fato de se encontrar agora no exílio é uma consequência da sua contínua rejeição do amor do Senhor. Toda a sua história está marcada pelo amor e pela graça da parte de JHWH, pela indiferença e pela traição da parte do povo. Ezequiel recorda as práticas idolátricas nos montes altos, e o culto estático e orgiástico lá prestado (vv. 15-19). Em particular ataca o sacrifício de crianças a Moloc. Israel foi sempre tentado na sua história a procurar auxílio político no Egito ou nos países da Mesopotâmia. Todavia, isso não evitou o exílio. O povo na sua história desprezou os compromissos solenes assumidos com o Senhor e deve refletir sobre isso. Deus, porém, não se esquece do juramento com o qual se comprometeu com a enjeitada-Jerusalém (v. 8): Ele permanece fiel para sempre à sua Aliança (v. 60). Por conseguinte, o povo deve arrepender-se daquilo que fez e voltar para o Senhor (v. 63)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 13 de agosto de 2026

(Ez 12,1-12; Sl 77[78]; Mt 18,21—19,1) 19ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” Mt 18,22.

“No tempo de Jesus, os rabinos discutiam a respeito de quantas vezes a pessoa ofendida era obrigada a perdoar. Chegava-se ao número máximo de até quatro vezes. Pedro, para mostrar-se generoso, propôs uma quantidade maior: sete vezes. A ‘generosidade’ do apóstolo fazia uma espécie de contraponto com um episódio do Antigo Testamento, no qual, Lamec, descendente de Caim, prometeu vingar-se sete vezes de quem levantasse a mão contra ele. À máxima vingança, Pedro pensava contrapor o máximo perdão. Enganou-se! O discípulo do Reino deve estar disposto a perdoar, não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes, ou seja, sempre. A parábola do servo cruel oferece o fundamento teológico da postura do discípulo: este deve agir de forma idêntica ao agir de Deus. Deus está sempre pronto a perdoar as ofensas dos seres humanos, por maiores que elas sejam. Foi o que fez o senhor do Evangelho. Bastou que o devedor lhe suplicasse clemência, para se ver logo perdoado. A contrapartida do gesto divino deve acontecer em forma de perdão das ofensas recebidas. Quem foi perdoado por Deus deve dispor-se a perdoar. Mas quem age de maneira diferente não pode contar com o perdão divino. Esta foi a sorte do servo cruel que se recusou a perdoar uma pequena dívida de seu companheiro. O discípulo deve espelhar-se no comportamento misericordioso de Deus. – Pai, predispõe meu coração para o perdão, e que eu esteja sempre disposto a perdoar e a querer viver reconciliado com meu semelhante” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 12 de agosto de 2026

(Ez 9,1-7; 10,18-22; Sl 112[113]; Mt 18,15-20) 19ª Semana do Tempo Comum.

“O Senhor disse-lhe: ‘Passa pelo meio da cidade, por Jerusalém, e marca com uma cruz na testa os homens que gemem e suspiram por causa de tantos horrores que nela se praticam’” Ez 9,4.

“Na leitura de hoje estão reunidos dois textos, nos quais se narram duas visões de Ezequiel: o envio de mensageiros que castigam a cidade pecadora, na qual porém um resto de fiéis é preservado (9,17); e a glória do Senhor, que sai do Templo profanado (10,18-22). A primeira cena, de grande violência, é mais difícil de compreender pela nossa sensibilidade. Ambas as visões têm a finalidade de convencer os exilados de que Deus podia permitir a profanação da Cidade Santa e do seu Templo, no qual tinha estabelecido a Sua glória. [Compreender a Palavra:] Ezequiel tinha visto com os seus olhos as destruições feitas pelo exército babilônico nas ruas de Jerusalém no ano de 597 a.C. Agora experimenta, juntamente com muitos outros, os sofrimentos do afastamento dos lugares amados, a solidão do exílio em terra pagã e, com os olhos de Deus, observa aquilo que, por causa da dureza de coração do rei Sedecias, está para se abater sobre a cidade. Por detrás destes fatos está o Senhor. O profeta vê-o em ação, enquanto manda os seus mensageiros – seis homens –, que castigam os culpados, e um sétimo, vestido de linho (sinal da sua proximidade com Deus), que reserva alguns da destruição, marcando-os com a última letra do alfabeto hebraico ‘tau’, que naquele tempo tinha forma de cruz e é a primeira letra da palavra Torá. Trata-se de um resto, como os filhos de Israel preservados pelo anjo do Senhor na noite de Páscoa no Egito (cf. x 12,23,29), como os sete mil que não se ajoelharam diante de Baal no tempo de Elias (cf. 1Rs 19,18), como os discípulos de Isaías (cf. Is 8,16-17). No final da visão, Ezequiel, sacerdote muito ligado ao Templo, assiste a um acontecimento que lhe despedaça o coração: a glória do Senhor afasta-se do santuário e da cidade (cf. Ez 11,22). Aquilo que de novo virá do Senhor, já não poderá vir do velho Templo. Com o chamamento de Ezequiel, o Senhor dá início a uma nova presença entre os deportados” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 11 de agosto de 2026

(Ez 2,8—3,4; 118[119]; Mt 18,1-5.10.12-14) 19ª Semana do Tempo Comum.

“Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças,

não entrareis no Reino dos Céus” Mt 18,3.

“Os discípulos devem ser como as criancinhas, isto é, devem tirar do coração a ambição e a inveja, que levam a desejar os postos de honra. E Jesus não fala precisamente da inocência da criança neste texto, mas do conhecimento que ela tem de sua pequenez e de sua debilidade e falta de poder; o mais humilde será o maior perante o Pai, pouco importa a posição que ocupe e o papel que desempenhe na comunidade. O sentido desse ‘tornar-se como as criancinhas’ inclui a humildade e singeleza de coração; porém, neste texto, entende-se principalmente o apequenar-se em relação à sociedade e perante os postos que impliquem dignidade e poder; isto se deduz da motivação que os apóstolos deram a este ensinamento do Salvador, porque nesse momento cada um deles queria ser o ‘maior’ no Reino. Daí que tornar-se como uma criança seja condição não só para ser grande no Reino, mas para ser admitido nele. Fazer-se criança, tornar-se humilde: no direito antigo, a criança não era pessoa no sentido legal pleno; não só estava sujeita à autoridade dos pais, mas era propriedade deles. O termo ‘criança’, empregado aqui por Jesus, refere-se aos simples que se tornaram seus discípulos, visto que possuíam aquela simplicidade afirmada por Jesus como condição para segui-lo: aquele que não se nega a si mesmo não pode ser discípulo do Mestre. Os apóstolos, ainda homens imperfeitos e ambiciosos, pretendiam ser ‘o maior’ no Reino dos céus, não por ser o Reino dos céus, mas simplesmente por ser ‘o maior’. A resposta de Jesus foi taxativa: ‘Chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse: ‘Em verdade vos declaro, se não vos tornardes como criancinhas, não entreis no Reino dos céus’ (v. 3)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 10 de agosto de 2026

(2Cor 9,6-10; 11[112]; Jo 12,24-26) São Lourenço, diácono e mártir.

“Em verdade, em verdade vos digo, se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto” Jo 12,24.

“Para explicar a força que se encerra na sua morte na cruz, Jesus usa uma imagem simples que todos podem entender. ‘Se o grão de trigo não cai na terra e morrer, ficará só; mas se morrer, produzirá muito fruto’. Se o grão morre, Ele faz germinar e brotar a vida, mas se Ele se encerra em seu pequeno envoltório e guarda para si sua energia vital, permanece estéril. Esta bela imagem nos faz descobrir uma lei que atravessa misteriosamente a vida inteira. Não é uma norma moral. Não é uma lei imposta pela religião. É a dinâmica que torna a vida de quem sofre movido pelo amor. É uma ideia repetida por Jesus em diversas ocasiões: quem se agarra egoisticamente à sua vida a põe a perder. Quem sabe entregá-la com generosidade gera mais vida. Não é difícil comprová-lo. Quem vive exclusivamente para seu bem-estar, seu dinheiro, seu êxito ou sua segurança, acaba vivendo uma vida medíocre e estéril. Sua passagem por este mundo não faz a vida mais humana. Quem se arrisca a viver em atitude aberta generosa, difunde vida, irradia alegria, ajuda a viver. Não há uma maneira mais apaixonante de viver que fazer a vida dos outros mais humana e mais suportável. Como podemos seguir a Jesus se não nos sentimos atraídos por seu modo de viver e de morrer?” (José Antonio Pagola – O Caminho Aberto por Jesus – João – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

19º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(1Rs 19,9.11-13; Sl 84[85]; Rm 9,1-5; Mt 14,22-33)*

1. O Evangelho que escutamos traz uma série de eventos que culmina num retorno à calmaria e a afirmação de que Jesus é o Filho de Deus. A comunidade primitiva conservou a lembrança daquela noite memorável de prodígios, porque nela via traçada, numa espécie de parábola, a própria situação no mundo.

2. Jesus já havia partido e já havia impelido a barquinha da sua Igreja, com Pedro no leme, sobre as ondas, para que iniciasse, sem ele, a travessia do grande mar da história. A Igreja, porém, não tinha caminhado muito nessa nova situação – apenas alguns anos – e já se levantavam os primeiros vagalhões da perseguição. Várias coisas aconteceram.

3. Ouvindo essa narrativa de Mateus, a comunidade tirava sobretudo uma conclusão: o Mestre não está longe nem agora; não nos deixará lutando com as ondas; basta invoca-lo que ele descerá do monte e virá em socorro de sua Igreja. Esta confiança se baseava no fato de que ele tinha ressuscitado e estava vivo.

4. Nesta situação, uma coisa é necessária para não afundar: não perder a confiança, não desanimar no meio das dificuldades, não olhar para baixo ou ao redor, para as ondas que se agitam, mas à frente, para Cristo. Somente quem vacila na fé, ou quem confia nas próprias forças, afunda. Basta que recordemos como foi o caminhar do próprio Pedro.

5. O desfecho do trecho evangélico traçava para a Igreja um modelo concreto: permanecer na barca e proclamar junto com os apóstolos a fé que salva: “verdadeiramente tu és o Filho de Deus”.

6. Até aqui, pode-se dizer, a leitura de nosso Evangelho é feita com os olhos da comunidade primitiva. Mas, e hoje? O que podemos ler nós cristãos nascidos tantos séculos depois? Talvez as mesmas e idênticas coisas que descobriram os primeiros cristãos. Mudou o cenário, até o tamanho da barca, mas as dificuldades são as mesmas e mesmas as escolhas a ser feitas.

7. Talvez um detalhe a ser meditado mais atentamente. Jesus veio quando a noite ia pelo fim, não antes; veio quando a provação estava chegando ao auge, assim como o cansaço; quando tudo nos indicava que se devia resolver com as próprias forças, isso havia bastado para criar uma enorme distância dele.

8. Mas não é um pouco nosso estado de ânimo de hoje? Alguém chegou a dizer até que é bom que seja assim; que nos devemos habituar a ir em frente “como se Deus não existisse” (D. Bonhoeffer), manobrando sozinho os remos na água, no silêncio e na escuridão da noite.

9. Porque a fé verdadeira, se diz, é aquela que se vive assim; aquela que não reduz Deus a tapa-buracos e não lhe pede para fazer-nos caminhar sobre as águas da vida sem molhar os pés.

10. Será verdadeiro também isto, mas o Evangelho não parece nos pedir tanto. Parece antes nos exortar a nos dirigir a ele, a rezar e a implorá-lo: “Mestre, não te importa que pereçamos?” (Mc 4,38). E implorá-lo não por nós, entenda-se, mas por todos os que estão na barca, pela Igreja, a fim de que, depois de reconquistada a calma, ela possa proclamar no mundo a sua fé: “Verdadeiramente tu és o Filho de Deus”.

11. Elias encontrou a Deus no murmúrio de uma leve brisa, nos disse a 1ª leitura, depois que passaram o vento impetuoso e o terremoto; encontrou-o na paz e cobriu o seu rosto para adorá-lo. Também nós estamos aqui para encontrar Nosso Senhor na quietude da assembleia dominical.

12. Não devemos mais cobrir-nos o rosto. É Ele, aliás, que se cobriu o rosto com o véu do pão e do vinho para não ofuscar nossa vista e para poder chegar perto de nós. É o momento que ele nos dá aquela “presença de paz” que repetidamente hoje lhe pedimos no salmo responsorial.

Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 08 de agosto de 2026

(Hab 1,12—2,4; Sl 9A[9]; Mt 17,14-20) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Quem não é correto vai morrer, mas o justo viverá por sua fé” Hab 2,4.

“No século VII a.C., o livro de Habacuc propôs uma penetrante reflexão acerca da justiça divina atuante na História, ou seja, sobre o fato de que o Senhor é Aquele que julga e condena toda forma de opressão. A exemplo de Naum, também Habacuc vê na Babilônia o instrumento da justiça de Deus, mas, desta vez, contra a injustiça de Judá e dos opressores dos pobres (cf. Hab 2,5-20). O excerto de hoje é um diálogo com Deus, composto por interpelações, objeções e expressões de esperança, até ao momento em que Senhor responde, prometendo salvar quem é justo e quem, na fé, busca refúgio em Deus (cf. Hab 2,1-4). [Compreender a Palavra:] Uma profissão de fé apaixonada abre o texto: o Senhor é apresentado em toda a Sua forte confiabilidade. A primeira interrogação vai à raiz da presença do mal culpável na vida humana e pelo escândalo que suscita: um Deus que Se coloca em posição alternativa ao próprio mal, como pode aceitar a prevaricação de quem O rejeita sobre quem tem uma relação positiva com Ele sem reagir? O profeta chama Deus em termos cada vez mais resolutos, delineando a impassibilidade divina diante da relação não natural do poder que se instaura no interior da Humanidade, e à violência consequente, que parece destinada a endoidecer tragicamente, como sucede a qualquer peixe que acabe na rede. Uma resposta da parte do interlocutor divino é esperada pelo profeta, o qual procura colocar-se nas melhores condições para poder registra-la. A reação chega e fala de uma manifestação de Deus que abrirá um novo horizonte de esperança e que terá um valor não transitório. O fio condutor desta afirmação será – o texto hebraico é complexo e intenso ao mesmo tempo – o insucesso de quem tem o espírito inchado de arrogância. Ao lado desta negatividade está a salvação da vida da parte de quem confia no Senhor e na Sua justiça e, consequentemente, é justo em razão da fé que se tem n’Ele. Habacuc não se opõe certamente à tradição do Deuteronômio, segundo o qual a vida é assegurada pela observância dos Mandamentos, mas coloca o discurso num nível diferente, o da fé enquanto base da salvação, que no Novo Testamento Paulo aceitará e reinterpretará muito frutuosamente (cf. Rm 1,17)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 07 de agosto de 2026

(Na 2,1.3; 3,1-3.6-7; Sl Dt 32; Mt 16,24-28) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus disse aos discípulos: ‘Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga’” Mt 16, 24.

“Indubitavelmente, o programa que Jesus traça para seus seguidores é difícil e doloroso: renunciar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo. Renunciar a si mesmo: é vencer as inclinações desordenadas e enfrentar pacientemente as contrariedades de cada dia. A negação de si mesmo supõe deixar para trás os próprios interesses e a própria comodidade, estar preparado para renunciar a todas as coisas antes de perder a graça de Deus. E ainda implica algo mais radical, que chega às profundezas do eu: é sacrificar a própria vontade e tendência à afirmação de si mesmo, para aceitar somente a vontade de Deus. É, pois, pura ilusão querer seguir a Cristo, fazendo o próprio capricho ou a própria vontade em nossa vida. É impossível seguir Jesus sem renunciar ao próprio juízo, buscando-se a si mesmo em tudo, em lugar de buscar a vontade do Pai. Tomar a cruz: porém, toma-la como fez o Mestre, com amor, com entrega, sabendo que não se chega à luz da ressurreição a não ser atravessando a escuridão da morte. No evangelho do dia de ontem, Jesus tinha dito a Pedro que era necessário que o Filho do Homem sofresse e morresse na cruz; no Evangelho de hoje, Jesus dá mais um passo e diz a Pedro que também ele e todos quantos quiserem segui-lo deverão submeter-se à lei da cruz e do sofrimento. Assim Jesus promulgou a lei austera de crucificação da carne e do coração para alcançar a vida. E São Lucas acrescenta que se deve carregar a cruz diariamente, dando a entender que esse estado de aceitação da cruz não há de ser tomado isoladamente, mas de modo permanente e contínuo. Seguir Jesus Cristo: porque caminhar junto com Cristo, ao lado dele, sentindo sua mão sobre a nossa é muito menos penoso. Ir após Jesus Cristo significa segui-lo, imitá-lo, copiar em nossa vida as virtudes de Jesus. O discípulo há de seguir o Mestre em tudo; seguirá seus passos com imitação fiel e fervorosa da vida de Jesus, deixando-se embeber dos sentimentos de Jesus, valorizando as coisas com o critério de Jesus, buscando, sempre e em tudo, a vontade do Pai que está nos céus, o mesmo que Jesus fez, que não veio para fazer sua vontade, mas a vontade do Pai que o enviou” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 06 de agosto de 2026

(Dn 7,9-10.13-14; Sl 96[97]; Mt 17,1-9) Transfiguração do Senhor.

“E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz”

Mt 17,2.

“Pedro, Tiago e João, os mais destacados do grupo dos discípulos, tiveram o privilégio de ‘ver’ a glória do Messias, antecipada na cena da transfiguração. Este estava destinado a ser glorificado por Deus, e revestido de imortalidade divina. O episódio evangélico está todo envolvido pela presença divina. O monte, para o qual Jesus e seus discípulos se dirigiram, simboliza o lugar da presença e da comunicação divinas. Dirigiram-se para o alto monte, porque o ser humano deve elevar-se para contemplar a manifestação da glória divina. O rosto de Jesus, ‘brilhante como o sol’, apontava para a glória dos justos no reino do Pai. Igualmente, o esplendor luminoso de suas vestes. A presença de Moisés e Elias indicava que as Escrituras – Palavra de Deus – estão centradas na pessoa de Jesus. Tudo quanto Deus havia falado a seu povo eleito tinha sido em função do seu filho amado. Moisés e Elias evocavam o monte Sinai, o lugar da manifestação de Deus, onde ambos estiveram. O auge da presença divina revela-se quando uma nuvem luminosa envolveu Jesus, e a voz celeste se faz ouvir: ‘Este é o meu filho amado, que muita coisa me agrada. Escutem o que ele diz!’. Assim, os discípulos estavam em condições de compreender a verdadeira identidade de Jesus, na sua condição humana e divina. Este seria um dado importante para quem haveria de ver o Mestre tornar-se vítima da incompreensão das lideranças religiosas do povo. – Pai, que a transfiguração leve-me a confessar Jesus como teu Filho amado, e a reconhecer que sou chamado a expressar o esplendor divino que trago dentro de mim (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 5 de agosto de 2026

(Jr 31,1-7; Sl Jr 31; Mt 15,21-28) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Diante disso, Jesus lhe disse: ‘Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!’

E desde aquele momento sua filha ficou curada” Mt 15,28.

“É admirável a fé dessa mulher e é também admirável a forma com a qual pede que seja socorrida: humildade, confiança e perseverança. São Marcos acrescenta que a mulher se atirou aos pés do Mestre. Assim deve você orar, com as mesmas disposições de espírito. Com humildade: reconhecendo sua indigência. Todos somos pobres na presença de Deus e todos necessitamos de sua ajuda, uma vez que tudo nos vem dele. Com confiança: sabendo quão imensamente misericordioso é o coração de Deus e que não olha para nossa indignidade, mas se deixa levar pelos impulsos de seu coração de Pai. Com perseverança: Deus olha, antes de mais nada, para a fidelidade de conduta e para coerência de vida. O pedido é arma dos pobres, dos que sabem que nada têm e nada têm direito de exigir ou esperar; reconhecendo-se tão indigente na presença de Deus, o pobre torna-se merecedor dos favores celestes. Por isso devemos esforçar-nos por ser, todos, pobres autênticos na presença do Senhor. Vê-se claramente no evangelho o desejo de chamar a atenção, mais do que sobre o milagre realizado por Jesus, sobre a fé extraordinária daquela mulher pagã em contraposição ao farisaísmo judaico. Finalmente, a falta de fé dos seus próprios patrícios, os nazaretanos, tinha impedido que Jesus fizesse milagres entre os seus e, no entanto, a fé excepcional dessa mulher pagã consegue o milagre do bondoso Jesus. Você também tem em suas mãos a armas para arrancar inclusive milagres da divina Providência” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 04 de agosto de 2026

(Jr 30,1-2.12-15.18-22; Sl 101[102]; Mt 15,1-2.10-14) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste será arrancada’” Mt 15,13.

“São poucos versículos nos quais encontramos Jesus comprometido em três diálogos diferentes: com fariseus e escribas (vv. 1,2); com a multidão (vv. 1-11); com os discípulos (vv. 12-14). O fio condutor é a polêmica sobre as normas de pureza legal, que faz emergir alguns aspectos que distinguem a mensagem cristã da sua raiz judaica. A pureza ritual mostra-se uma preocupação de grande parte da classe dirigente judaica, mas aqui Jesus é muito radical que perante normas da tradição opostas ao mandamento de Deus (v. 3), quer ao propor uma perspectiva completamente diversa (v. 11) e, sobretudo, no juízo terrível sobre os fariseus (vv. 13-14). [Compreender a Palavra:] A diferença clara entre o formalismo religioso, aqui atribuído pelo texto de Mateus aos fariseus e escribas, e o valor substancial da responsabilidade individual é o que mais ressalta no texto. Nele exprime a tensão (já presente noutros lugares do Evangelho segundo Mateus; vejam-se, por exemplo, os caps. 19-22) entre todas as comunidades cristãs para as quais ele foi redigido e o judaísmo do século I d.C. na Palestina. Jesus preocupa-se em fazer compreender, não já a quem o interrogou, mas à multidão indiferenciada daqueles que o seguem, que a impureza legal não depende da transgressão de tradições humanas, impregnadas de formalismo, mas das opções de fundo da própria vontade a favor ou contra a vontade divina. A atenção de Jesus, pelo contrário, está centrada toda no interior da pessoa, naquilo que o homem cultiva em si mesmo e que depois, inevitavelmente, sai e, se for mau, pode contaminá-lo. Seguir fariseus e escribas nos caminhos de uma atenção formalista no campo religioso significa a ruina para o discípulo que os segue ou se deixa conduzir por eles” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 03 de agosto de 2026

(Jr 28,1-17; Sl 118[119]; Mt 14,22-36) 18ª Semana do Tempo Comum.

“E Jesus respondeu: ‘Vem!’ Pedro desce da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus” Mt 14,29.

“De repente, ao reconhecer Jesus, Pedro recobra a sua coragem. Confiando no apoio da proximidade do mestre, ele ousa descer do barco. O barco pode ser a imagem do ego, do qual precisamos sair. Quando o ego é sacudido pelo inconsciente, é necessário sair da própria estreiteza, superando os próprios limites. Mas o barco pode ser também a imagem da comunidade. Na crise mais profunda, não podemos ter certeza de que a comunidade vá sustentar-nos. Nessa hora precisamos descer, para pôr os pés no caminho da confiança. enquanto Pedro mantém os olhos fixos em Jesus, consegue andar sobre a água. O olhar preso em Cristo nos sustenta em meio às incertezas da vida. Mas, quando Pedro dirige o olhar para as ondas, começa a afundar. Enquanto a nossa vida está fixada nos problemas, enquanto enxergamos apenas as vagas, descemos ao fundo. Pedro grita: ‘Senhor, salva-me!’. Com essa descrição do terror de Pedro e com a sua exclamação em forma de prece, Mateus alude ao salmo 69. Nesse salmo, os judeus piedosos – e com eles os cristãos – pedem que Deus os salve da água que chega ‘até a garganta’ e que ameaça leva-los embora. Jesus estende a mão e segura Pedro. A sua advertência não se dirige apenas a Pedro, ela vale para todos os cristãos cuja fé ficou fraca: ‘Homem de pouca fé, porque duvidaste?’ (14,31). É típico do evangelho de Mateus falar em ‘pouca fé’. Com essa expressão, Mateus dirige-se aos seus leitores, cristãos que têm fé, mas uma fé fraca. Ela não resiste às vagas e às tempestades que sacodem os cristãos. Mas, no meio da noite de nossa vida, no meio das tempestades que nos ameaçam está Jesus. Ele quer fortificar a nossa fé. Se confiarmos em Jesus e se permitirmos que ele reconforte a nossa fé, então essa fé será capaz de deslocar montanhas, então poderemos caminhar sobre as águas, então estaremos seguros, mesmo que o chão nos falte debaixo dos pés, que as pessoas nos abandonem, que percamos os bens, que tudo desmorone ao nosso redor” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite

18º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 55,1-3; Sl 144[145]; Rm 8,35.37-39; Mt 14,13-21) *

1. Aqueles que buscam aprofundar-se na leitura da Palavra de Deus, vez por outra encontram algum termo ou palavra que lhes soa estranho, como, por exemplo, evangelhos sinóticos. Que significa? Identificamos como evangelhos sinóticos os três primeiros evangelhos: Mateus, Marcos e Lucas.

2. Se os pudéssemos colocar lado a lado, os perceberíamos como muito semelhantes em seu conteúdo, ainda que não sejam iguais. E que é possível lê-los, olhá-los, paralelamente, ainda que tenham suas exclusividades e os fatos não sigam a mesma cronologia. O quarto Evangelho escapa dessa categoria.

3. Mas a narrativa da multiplicação dos pães pode ser encontrada nos quatro Evangelhos. O texto pontua para nós algumas atitudes de Jesus. Primeiro, que Ele se preocupa, enche-se “de compaixão” de todos eles, de corpo e alma. Para a alma a Palavra, para o corpo a cura e o alimento.

4. Quem dera, podem pensar alguns, pudesse Ele ainda fazer tal milagre em nosso tempo... O milagre segue acontecendo ao longo das estações nos processos internos da natureza, associados ao trabalho humano, que ao nosso olhar se tornou comum, que a ciência explica. Mas quem “ordena” a natureza para que tudo tenha essa regularidade incrível?

5. Certamente o que Jesus faz é uma outra coisa, mas um gesto confirma o outro. Para quem olha as coisas sobre o olhar da fé, Deus continua multiplicando os pães e os peixes como fez Jesus. Por quê, então, o pão continua a faltar na mesa de tantos? O Evangelho nos traz um pouco de luz.

6. Jesus não tem varinha de condão. Não se trata de mágica. Mas pergunta os que eles têm e os convida a repartir o pouco que têm. Sabemos que a produção, em escala mundial, é suficiente para alimentar os milhares de seres humanos existentes.

7. Como podemos acusar a Deus de não fornecer alimento suficiente para todos, quando a cada ano se destroem milhões de reservas alimentares, chamadas de excedentes, para que o preço não abaixe? Sei que as coisas não são tão simples assim. Tem outras questões a serem levadas em conta e além disso muitos governantes irresponsáveis contribuem para manter muitas populações famintas...

8. Parte da responsabilidade recai também sobre os países ricos, aqui representado pelo garoto anônimo, que em outro evangelista, tem os cinco pães e dois peixes. Longe de partilhá-los, são mantidos em seus alforges. É preciso que alguma desgraça aconteça para movê-los em algum gesto de solidariedade.

9. Mas tenhamos presente um outro gesto de Jesus, muito importante: o modo como se descreve a multiplicação dos pães e dos peixes: “ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães e os deu aos seus discípulos...”.

10. As palavras e gestos de Jesus nos remetem sempre a pensar numa outra multiplicação, que é o seu Corpo eucarístico. Nós vamos encontrar em algumas antigas representações da Eucaristia, em pinturas ou afrescos, uma vasilha contendo cinco pães e ao lado dois peixes.

11. Estamos aqui fazendo também essa multiplicação dos pães: o pão da Palavra de Deus. Um milagre que antigamente se dava só pelos livros, e hoje, com toda tecnologia, podemos partilhar, multiplicar. Recolhemos os “pedaços” para aqueles que não vieram participar desse banquete. Que eles possam ter algo para refletir, pensar. Amém.

* com base em texto de Raniero Cantalamessa.  

Pe. João Bosco Vieira Leite