(Ct 3,1-4; Sl 62[63]; Jo 20,1-2.11-18) Maria Madalena
“No primeiro dia da semana, Maria
Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada,
quando ainda estava escuro, e viu que a
pedra tinha sido retirada do túmulo” Jo 20,1.
“Ao
cabo de vinte séculos, continuam a comover-nos a delicadeza, a fidelidade e o
amor de Maria Madalena por Jesus. São João narra-nos no Evangelho da Missa como
esta mulher se dirigiu ao sepulcro logo que lho permitiu o descanso sabático,
‘quando ainda estava escuro’, em busca do Corpo morto do Senhor. Ele tinha-a
libertado do Maligno, a graça frutificara no seu coração, e ela seguira
fielmente o Mestre em alguma das suas viagens apostólicas e servira-o
generosamente com os seus bens. Nos momentos terríveis da crucifixão,
permaneceu no Calvário, bem perto d’Aquele que a tinha curado dos seus males. E
quando depositaram Jesus no sepulcro, continuou por ali, fazendo-lhe companhia,
como talvez já tenhamos feito com o corpo de uma pessoa amada. Testemunha-o São
Mateus: ‘E Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, de fronte ao
túmulo’ (Mt 27,61). Passado o sábado, ‘ao amanhecer do primeiro dia da semana’
(cf. Mt 28,1), dirigiu-se com outras santas mulheres ao lugar onde se
encontrava o corpo de Jesus, afim de embalsama-lo. Mas o Senhor já não está
ali: tinha ressuscitado! Viu a pedra retirada e o sepulcro vazio. ‘correu,
pois, e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e
disse-lhe: Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram’. Pedro e
João foram correndo ao sepulcro. São João conta-nos que aquele momento foi
definitivo na sua vida: ‘viu e creu’ (cf. Jo 20,8). Os dois ‘voltaram novamente
para casa’, mas Maria ficou ali, chorando a ausência do Corpo do Mestre. Com
uma tristeza indescritível, sem ainda acreditar na ressurreição, persevera, não
quer afastar-se do lugar onde viu pela última vez o Corpo adorável do Senhor.
Consideramos hoje ‘ a intensidade do amor que ardia no coração daquela mulher,
que não se afastou do sepulcro do Senhor mesmo quando os discípulos se
retiraram. Procurava Aquele a quem não tinha encontrado, procurava-o chorando
e, inflamada no fogo do seu amor, ardia em desejos de encontrar Aquele que
julgava terem tirado. E assim aconteceu que foi a única que o viu naquele
momento; porque, na verdade, o que dá força às boas obras é a perseverança
nelas’ (São Gregório Magno). Não deixemos nós de procurar sempre Jesus, mesmo
nos momentos em que – se o Senhor o permite – o desalento e a escuridão penetrem
na lama. Não esqueçamos nunca que Ele sempre está muito perto, porque, como diz
o Apóstolo, ‘Dominus prope este! – o Senhor me acompanha de perto. Caminharei
com Ele, portanto, bem seguro, já que o Senhor é meu Pai..., e com a sua ajuda
cumprirei a sua amável Vontade, ainda que me custe’ (Josemaria Escrivá)” (Francisco Fernandez-Carvajal
– Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante).
Pe.
João Bosco Vieira Leite