Sábado, 25 de julho de 2026

(2Cor 4,7-15; Sl 125[126]; Mt 20,20-28) São Tiago Apóstolo.

“Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos” Mt 20,24.

“No espaço de tempo que transcorreu entre o momento em que Tiago manifestou as suas ambições – não inteiramente nobres – e o seu martírio, tem lugar um longo processo interior. O próprio zelo do Apóstolo, dirigido contra aqueles samaritanos que não tinham querido receber Jesus ‘por dar a impressão de ir para Jerusalém’ (Lc 9,53), transformar-se-á mais tarde em ânsia de almas. Pouco a pouco, sem perder a própria personalidade, Tiago irá aprendendo que o zelo pelas coisas de Deus não pode ser áspero nem violento, e que a única ambição que vale a pena é a glória de Deus. Conta São clemente de Alexandria que, quando o Apóstolo era levado ao tribunal onde iria ser julgado, foi tal a inteireza que o seu acusador se aproximou dele para pedir perdão. São Tiago refletiu... Depois, abraçou-o dizendo: ‘A paz esteja contigo’; e os dois receberam a palma do martírio. Ao meditarmos hoje sobre a vida do Apóstolo, serve-nos de grande ajuda considerarmos os seus defeitos, bem como os dos outros Onze que o Senhor tinha escolhido. Não eram poderosos, nem sábios, nem simples. Vemo-los às vezes ambiciosos, discutidores, com pouca fé. Mas, a par dessas deficiências e falhas, tinham uma alma e um coração grandes. São Tiago será o primeiro Apóstolo mártir. Tanto pôde a graça divina naquele coração generoso, que o levou a enveredar por caminhos bem diversos dos que ele tinha sonhado e pedido. O Mestre sempre foi paciente com Tiago e com todos, e contou com o tempo para ensiná-los e formá-los com uma sábia pedagogia divina. ‘Observemos – escreve João Crisóstomo – com a maneira de o Senhor os interrogar equivale a uma exortação e a um aliciante. Não diz: ‘Podeis suportar a morte? Sois capazes de derramar o vosso sangue?’. As suas palavras são: ‘Podeis beber o cálice?’ E, para animá-los a dar o passo, acrescenta: ‘... que eu irei beber?’. Deste modo, a consideração de que se tratava do mesmo cálice que o Senhor iria beber havia de estimulá-los a uma resposta mais generosa. E chama à sua Paixão ‘batismo’, mostrando assim que os seus sofrimentos haviam de ser causa de uma grande purificação para o mundo inteiro’. O Senhor também nos chamou a cada um de nós. Não nos deixemos invadir pelo desalento se alguma vez as nossas fraquezas e defeitos se tornam patentes. Se recorrermos a Jesus, Ele nos dará ânimos para seguirmos adiante com humildade, mais fielmente. O Senhor tem paciência também conosco, e conta com o tempo” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante).

Pe. João Bosco Vieira Leite