(Os 2,16-18.21-22; Sl 144[145; Mt 9,18-26) 14ª Semana do Tempo Comum.
“Eu te desposarei para sempre; eu te
desposarei conforme as sanções da justiça
conforme as práticas da misericórdia”. Os 2,21.
“A
primeira parte do Livro de Oseias (caps. 1-3) baseia-se na experiência familiar
do profeta. Um dos textos mais comovedores da Escritura é este oráculo em que a
voz de Deus ressoa no coração da esposa infiel para a seduzir de novo,
fazer-lhe reencontrar a frescura do primeiro amor e enchê-la de bens. No texto
está condensada toda a força do amor esponsal de Deus que, ferido pela traição
do seu Povo, todavia não desiste, até que não tenha reconquistado a
Amada. [Compreender
a Palavra:] Oseias recebe de Deus ordem para amar tenazmente a esposa
infiel. Neste episódio, JHWH revela o Seu coração de enamorado, tão inflamado
de paixão a ponto de ir contra a Lei que prescrevia a morte de adúltera. Este
Deus enamorado do homem utiliza os tons da sedução para reconduzir Israel aos
tempos do primeiro amor, da libertação do Egito, e sobretudo, da caminhada no
deserto, onde o povo estava sozinho com seu Deus e nada se intrometia para o
distrair do colóquio do amor. Os frutos prometidos da sedução divina são novos
esponsais (cf. v. 18), em que o esposo será visto como amante (‘Chamar-me-ás
‘meu marido’, isto é ‘meu homem’) e não já Dono (‘meu Baal’). O nome ‘Baal’ era
também o título do deus cananeu que, rivalizando com o Senhor em amor,
subjugava com ele os seus devotos. O enxoval da noiva serão ‘justiça, direito,
amor e misericórdia’ (vv. 21-22), tanto que a realidade do amor reencontrado
será uma nova criação expressão pelo verbo hebraico ‘eras (cf.
v. 21: o verbo, segundo São Jerônimo, indica as primeiras núpcias, as núpcias
de uma virgem), e será um encontro apaixonado com Deus (é o que significa o
verbo ‘yada’, ‘conhecer’)” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite