Segunda, 06 de julho de 2026

(Os 2,16-18.21-22; Sl 144[145; Mt 9,18-26) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Eu te desposarei para sempre; eu te desposarei conforme as sanções da justiça

conforme as práticas da misericórdia”. Os 2,21.

“A primeira parte do Livro de Oseias (caps. 1-3) baseia-se na experiência familiar do profeta. Um dos textos mais comovedores da Escritura é este oráculo em que a voz de Deus ressoa no coração da esposa infiel para a seduzir de novo, fazer-lhe reencontrar a frescura do primeiro amor e enchê-la de bens. No texto está condensada toda a força do amor esponsal de Deus que, ferido pela traição do seu Povo, todavia não desiste, até que não tenha reconquistado a Amada. [Compreender a Palavra:] Oseias recebe de Deus ordem para amar tenazmente a esposa infiel. Neste episódio, JHWH revela o Seu coração de enamorado, tão inflamado de paixão a ponto de ir contra a Lei que prescrevia a morte de adúltera. Este Deus enamorado do homem utiliza os tons da sedução para reconduzir Israel aos tempos do primeiro amor, da libertação do Egito, e sobretudo, da caminhada no deserto, onde o povo estava sozinho com seu Deus e nada se intrometia para o distrair do colóquio do amor. Os frutos prometidos da sedução divina são novos esponsais (cf. v. 18), em que o esposo será visto como amante (‘Chamar-me-ás ‘meu marido’, isto é ‘meu homem’) e não já Dono (‘meu Baal’). O nome ‘Baal’ era também o título do deus cananeu que, rivalizando com o Senhor em amor, subjugava com ele os seus devotos. O enxoval da noiva serão ‘justiça, direito, amor e misericórdia’ (vv. 21-22), tanto que a realidade do amor reencontrado será uma nova criação expressão pelo verbo hebraico ‘eras (cf. v. 21: o verbo, segundo São Jerônimo, indica as primeiras núpcias, as núpcias de uma virgem), e será um encontro apaixonado com Deus (é o que significa o verbo ‘yada’, ‘conhecer’)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite