Sexta, 10 de julho de 2026

(Os 14,2-10; Sl 50[51]; Mt 10,16-23) 14ª Semana do Tempo Comum.

“A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘deuses nossos’

a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia”. Os, 14,4.

“A conclusão do Livro de Oseias está representada por uma espécie de liturgia penitencial, na qual se desenrola um diálogo entre Deus e Israel: o convite divino à conversão; a resposta com a qual Israel rejeita os ídolos e se entrega à misericórdia do Senhor; a restituição da paz e da serenidade ao povo reconciliado com Deus. A frase final (v. 10), acrescento de um redator a encerrar todo o livro, é uma meditação sapiencial acerca da importância do ensinamento moral nela contido. [Compreender a Palavra:] Ressoa no texto mais uma vez o apelo divino: ‘Israel, converte-te ao Senhor teu Deus’ (cf. v. 2). O verbo ‘sub’, ‘regressar’, indica quer a mudança de rota, o regresso físico, quer a conversão moral, que é um verdadeiro e próprio regresso ao Senhor. Note-se o adjetivo possessivo ‘teu’: não se trata de uma conversão acadêmica, mas de um regresso a uma pessoa que chama e espera. A expressão do arrependimento de Israel comporta, por isso, por um lado, a renúncia ao deus Assur, a adoração dos ídolos, o uso de instrumentos de guerra (os cavalos); e por outro, a opção de oferecer sacrifícios espirituais ao Deus verdadeiro, que é misericórdia (cf. v.4). O perdão e o amor fazem o milagre: Israel é restituído à salvação e o profeta abunda em imagens naturais para exprimir a nova exuberância: o lírio; a oliveira; o trigo; a videira. JHWH é o orvalho vivificante para quem confia n’Ele, é como um cipreste sempre verde, cujo vigor nunca murchará” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 9 de julho de 2026

(Os 11,1-4.8-9; Sl 79[80]; Mt 10,7-15) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Se alguém não vos receber nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade

e sacudi a poeira dos vossos pés” Mt 10,14.

“Com maneiras tipicamente orientais, o Senhor fala com seus discípulos sobre a conduta que devem observar no exercício de seu apostolado. O evangelista São Lucas é bem mais explícito e dá maiores detalhes. A saudação oriental consiste em desejar a paz. São Mateus escreve: ‘Entrando em uma casa, saudai-a: Paz a esta casa’ (v. 12). No conceito semita, a paz é uma palavra que expressa todo tipo de bens espirituais e temporais. Em nível do evangelho não basta desejar a paz, os bens tanto espirituais quanto temporais; é preciso também procurá-la, colocando como nossa contribuição tudo o que for necessário para a construção da paz e a consecução desses bens para nosso próximo. A paz é o que o apóstolo vem trazer. Jesus veio trazer a paz, conforme cantaram os anjos na gruta de Belém: ‘Paz aos homens’. Quando, depois de ressuscitado, aparecia aos apóstolos, a saudação que costumava dar-lhes era: ‘A paz esteja convosco’, que atualmente a liturgia acolheu para que os filhos do Pai saúdem-se mutuamente. Sem dúvida alguma, aquele que não traz a paz, não pode ser considerado apóstolo de Cristo; aquele que não prega a paz, aquele que não constrói a paz, aquele que não oferece a paz é inútil que se diga e se apresente como apóstolo de Cristo; é, portanto, lobo voraz disfarçado em pele de ovelha. ‘Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores’ (Mateus 7,15)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 08 de julho de 2026

(Os 10,1-3.7-8.12; Sl 104[105]; Mt 10,1-7) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’” Mt 10,7.

“Jesus escolheu os doze apóstolos ou enviados; o nome do apóstolo era usual entre os rabinos; assim, o sumo sacerdote comunicava-se com as diferentes comunidades judaicas por meio dos enviados ou apóstolos que, ocasionalmente, eram simples portadores das cartas e de vez em quando iam munidos de poderes especiais, delgados do sumo sacerdote. Nós cumprimos ambas as funções: somos portadores da carta de Jesus Cristo para a humanidade, que é o evangelho, e somos participantes dos poderes de Jesus que nos confere nossa inserção na sua tríplice missão sacerdotal, profética e régia. Antes de mais nada, o apóstolo é um homem cheio e transbordante daquele do qual é enviado. Mas posso considerar-me apóstolo de Cristo, se não o levo no mais profundo da alma e não me anime constantemente o desejo vívido de fazê-lo conhecido e amado por todos os que comigo convivem. O que não arde não incendeia. O apostolado é o transbordamento da vida interior. Diz o Senhor que o Reino dos céus está próximo, não tanto no tempo, quanto na vivência de cada um de nossos atos, vividos sob sua influência e em sua perspectiva. Somos nós que devemos fazê-lo próximo e presente, dando à nossa vida sentido escatológico. Não vivemos para este mundo, por mais que estejamos neste mundo: ‘Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi’ (João 15,19): ‘eles não são do mundo, como também não sou do mundo’ (João 17,16). Se, pois, não somos do mundo, não podemos viver para o mundo, mas para o futuro do Reino de Deus” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 07 de julho de 2026

(Os 8,4-7.11-13; Sl 113B[115]; Mt 9,32-38) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas

como ovelhas que não têm pastor” Mt 9,36

“Em suas andanças, Jesus esteve sempre muito atento às pessoas e às suas necessidades. O sofrimento da humanidade mantinha-o em contínuo alerta. Sua reação natural era a de ir ao encontro dos sofredores, revelando a solidariedade de Deus para com eles. Quando as multidões exclamavam estupefatas – ‘Nunca se viu coisa semelhante em Israel’ –, estavam reagindo diante do testemunho de misericórdia de Jesus. E esse testemunho era algo, até então, desconhecido. Mas também quando os fariseus acusavam-no de ‘expulsar os demônios pelo poder do príncipe dos demônios’, mostravam-se incapazes de compreender como alguém podia ser tão misericordioso e cheio de compaixão. Por não conseguirem discernir o dedo de Deus na ação de Jesus, optavam por acusa-lo de conluio com Satanás. A preocupação com as multidões casadas e abatidas levava o Mestre a desejar que o Pai enviasse muitas outras pessoas para cuidar delas. Como ele, os operários da messe deveriam caracterizar-se pela capacidade de compadecer-se do sofrimento alheio, sendo, efetivamente, solidários com os sofredores. Era necessário que muitas outras pessoas se interessassem pelo rebanho. Portanto, muitos deveriam compartilhar a missão de Jesus.  – Pai, faze-me compassivo diante do sofrimento de tantos irmãos e irmãs, movendo-me a ser, efetivamente, solidário com eles (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 06 de julho de 2026

(Os 2,16-18.21-22; Sl 144[145; Mt 9,18-26) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Eu te desposarei para sempre; eu te desposarei conforme as sanções da justiça

conforme as práticas da misericórdia”. Os 2,21.

“A primeira parte do Livro de Oseias (caps. 1-3) baseia-se na experiência familiar do profeta. Um dos textos mais comovedores da Escritura é este oráculo em que a voz de Deus ressoa no coração da esposa infiel para a seduzir de novo, fazer-lhe reencontrar a frescura do primeiro amor e enchê-la de bens. No texto está condensada toda a força do amor esponsal de Deus que, ferido pela traição do seu Povo, todavia não desiste, até que não tenha reconquistado a Amada. [Compreender a Palavra:] Oseias recebe de Deus ordem para amar tenazmente a esposa infiel. Neste episódio, JHWH revela o Seu coração de enamorado, tão inflamado de paixão a ponto de ir contra a Lei que prescrevia a morte de adúltera. Este Deus enamorado do homem utiliza os tons da sedução para reconduzir Israel aos tempos do primeiro amor, da libertação do Egito, e sobretudo, da caminhada no deserto, onde o povo estava sozinho com seu Deus e nada se intrometia para o distrair do colóquio do amor. Os frutos prometidos da sedução divina são novos esponsais (cf. v. 18), em que o esposo será visto como amante (‘Chamar-me-ás ‘meu marido’, isto é ‘meu homem’) e não já Dono (‘meu Baal’). O nome ‘Baal’ era também o título do deus cananeu que, rivalizando com o Senhor em amor, subjugava com ele os seus devotos. O enxoval da noiva serão ‘justiça, direito, amor e misericórdia’ (vv. 21-22), tanto que a realidade do amor reencontrado será uma nova criação expressão pelo verbo hebraico ‘eras (cf. v. 21: o verbo, segundo São Jerônimo, indica as primeiras núpcias, as núpcias de uma virgem), e será um encontro apaixonado com Deus (é o que significa o verbo ‘yada’, ‘conhecer’)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

14º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Zc 9,9-10; Sl 144[145]; Rm 8,9.11-13; Mt 11,25-30)*

1. Ao final do Evangelho de hoje Jesus nos convida a imitar a sua humildade. Olhando, de um modo geral os evangelhos, no que entendemos por humildade, Jesus não se encaixa de modo exato. Ele estava bastante convencido de não ter pecado. Se proclama Mestre e Senhor. Se disse maior que Abraão, que Moisés, Jonas, Salomão. De que humildade Ele está falando?

2. Esse seu convite nos leva a ver que a humildade não consiste necessariamente em ser pequeno e pobre, porque alguém pode ser insignificante e arrogante ao mesmo tempo. Não consiste em sentir-se pequeno e sem valor, porque tal sensação pode ser resultado de um complexo de inferioridade ou baixa estima que leva a depressão e a autoagressão e não a humildade.

3. Não consiste também em declarar-se pequeno, porque muitos se declaram de não valer nada, sem acreditar verdadeiramente no que dizem, ou mesmo porque esse modo de falar faz parte da própria cultura.    

4. A humildade consiste no fazer-se pequeno por amor, para elevar o outro. É essa a humildade de Jesus. Enquanto Deus, se despojou de tudo, assumindo a nossa humanidade para nos salvar. Nesse sentido ele tem toda razão de dizer: “Aprendei de mim, que sou humilde”.

5. Humilde mesmo, só Deus, porque na posição em que se encontra, não pode elevar-se acima de si, porque não há nada acima d’Ele. Só pode descer, abaixar-se. E é o que faz todo o tempo: criando o mundo, se abaixa; inspirando a Bíblia, faz como um pai que se adapta ao balbuciar para ensinar a criança a falar. A história da salvação é uma história de descida e da humilhação de Deus.

6. Essa ideia fascinava Francisco de Assis, que convidava constantemente seus irmãos a “olhar a humildade de Deus”. No seu “Canto das Criaturas” faz da água o símbolo da humildade. Ela é humilde porque entregue a si mesma, sempre desce, até atingir o ponto mais baixo possível. Ela sempre escolhe o último lugar, ao contrário do vapor, que sempre se eleva (orgulho).

7. Há quem acuse o Evangelho de Jesus de ter introduzido no mundo a “doença” da humildade, opondo a essa o ideal da “vontade de poder” (Nietzsche). Mas já assistimos bastante os frutos desta inversão. A humildade não só não deprime o ser humano, mas o torna autêntico, verdadeiro.

8. A humildade é a verdade. É interessante perceber que a palavra homem e humildade derivam de “humus”, solo. O humilde é aquele que tem os pés na terra, é radicado no solo, que não se deixa levar pelas opiniões e pelas modas, que não exalta a si mesmo. Diz como Paulo: “Que coisa tenho que não tenha recebido? E se a recebi porque me comporto como se não fosse assim?”.

9. Devemos reconhecer que a humildade não nos é natural. Nos agrada, mas nos outros, não em nós mesmos. A quem diga que 75% do espírito humano é constituído de orgulho e vaidade. Até mesmo a psicologia reconhece o valor terapêutico da humildade.

10. O Evangelho não é contra querer ser grande ou o primeiro. O que ressalta o evangelho é a via para realizar esta aspiração legítima. Essa não consiste no elevar-se sobre os outros, reduzindo-os a escravos ou admiradores, mas no elevar os outros, servindo-os, ajudando-os a crescer. Como faz um pai com seus filhos, para que se tornem até maiores que ele mesmo.

11. Aqui não há vencedores, e um bando de vencidos, mas um caminho que eleva a todos. A competitividade selvagem é substituída pela solidariedade. É a via mais digna do ponto de vista humano. Humildade não significa colocar-se sob os pés de outro ou mesmo não reagir às injustiças. O verdadeiro humilde sabe também lutar pela verdade, porque é livre em si mesmo.

12. Assim Jesus se alegra em nosso Evangelho por que Deus revela tais coisas aos pequeninos, que aqui não é o contrário de ‘inteligentes’, mas o contrário de ‘soberbos’. O Evangelho não condena a sabedoria, mas o orgulho. Também agimos assim: a quem gostamos de contar os nossos segredos? A pessoas humildes, discretas, capazes de escutar e calar.

13. Se a humildade é assim bela, devemos esforçar-nos para sermos um pouco mais humildes. Um meio que nos faz crescer na humildade e saber aceitar qualquer observação que nos faça o outro, sem de imediato deprimir-nos ou contra-atacar sem antes termos considerado se a observação era justa ou não. Ninguém se torna humilde sem aceitar alguma humilhação...

14. Precisamos aprender a ser o primeiro a estender a mão, ou acenar um sorriso depois de uma briga entre marido e mulher, um pedido de desculpa entre colegas de trabalho, ou mesmo entre adversários políticos, tudo isto torna serena a atmosfera, desmonta os ressentimentos, torna tudo mais simples. O verdadeiro vencedor é quem se antecipa num ato de humildade...

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 04 de julho de 2026

(Am 9,11-15; Sl 84[85]; Mt 9,14-17) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Também não se coloca vinho novo em odres velhos, senão os odres se perdem.

Mas vinho novo se coloca em odres novos, e assim os dois se conservam” Mt 9,17.

“O evangelho fala-nos várias vezes do homem novo e do homem velho. A doutrina do evangelho é uma doutrina nova, um espírito novo; se formos odres velhos, gastos, sem força, não poderemos captar a novidade do Espírito do Senhor. Por isso, a Igreja nos convida, várias vezes também, a pedir que o Espírito Santo renove a face da terra, renove nosso espírito, renove nossa mente e nosso coração. Não nos esqueçamos de que na linguagem bíblica veterotestamentária, a palavra ‘coração’ expressa os pensamentos do homem e é esse o sentido do tão repetido pedido dos salmos: - Purifica, Senhor, meu coração, isto é, purifica meus pensamentos, meu modo de pensar, meus critérios, minha visão de mundo. A vida de Deus é uma vida nova, que o cristão recebe para fazer dele um homem novo; e com o homem novo poderemos construir novos céus e a nova terra, que serão o sacramento, o sinal e o instrumento do futuro Reino de Deus” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Sexta, 03 de julho 2026

(Ef 2,19-22; Sl 116[117]; Jo 20,24-29) São Tomé, apóstolo.

“Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!” Jo 20,28.

“Quando Tomé viu e ouviu Jesus, exprimiu em poucas palavras o que senti no seu coração: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ exclama comovido até o mais fundo do seu ser. É um ato simultâneo de fé, de entrega e de amor. Confessa abertamente que Jesus é Deus e reconhece-o como seu Senhor. Jesus respondeu-lhe: ‘Tu creste, Tomé, porque me viste; bem-aventurados os que não viram e creram’. E comenta João Paulo II: ‘Esta é a fé que nós devemos renovar, na esteira de incontestáveis gerações cristãs que ao longo de dois mil anos confessaram a Cristo, Senhor invisível, chegando até o martírio. Devemos fazer nossas, como muitos outros fizeram suas, as palavras de Pedro na sua primeira Epístola: Este Jesus, vós não o vistes, mas o amais, vós também agora credes n’Ele sem o ver; e, crendo, exultais com uma alegria inefável (1Pd 1,8). Esta é a autêntica fé: entrega absoluta às coisas que não se vêm, mas são capazes de satisfazer e enobrecer toda uma vida’. A partir daquele momento, Tomé foi outro homem, graças em boa parte à caridade fraterna que os demais Apóstolos tiveram com Ele. A sua fidelidade ao Mestre, que pareça impossível naqueles dias de trevas, foi para sempre firme e incondicional. Essas suas palavras têm-no servido muitas vezes para fazer um ato de fé – Meu Senhor e meu Deus! – ao passarmos diante de um Sacrário ou no momento da Consagração na Santa Missa. A sua figura é hoje para nós um motivo de confiança no Senhor, que vela por nós constantemente, e um motivo de esperança em relação aos que temos mais perto de nós, se por vontade divina passam por momentos de desconcerto na sua fidelidade a Deus. Nessa situação, o nosso alento e a graça divina farão milagres. Pedimos hoje ao Senhor com a Liturgia: ‘Concedei-nos, Deus todo poderoso, celebrar com alegria a festa de São Tomé, para que sejamos sempre sustentados por sua proteção e tenhamos a vida pela fé no nome de Jesus Cristo, que o Apóstolo reconheceu como Senhor’. A Virgem, que estava naqueles dias tão perto dos Apóstolos, deve ter seguido atentamente a evolução da alma de Tomé. Talvez tenha sido Ela quem impediu que o Apóstolo se afastasse definitivamente. Nós confiamos-lhe hoje a nossa fidelidade ao Senhor e a daqueles que de alguma maneira Deus colocou sob os nossos cuidados. Virgem fiel..., rogai por eles..., rogai por mim!” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante)

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 02 de julho de 2026

(Am 7,10-17; Sl 18[19]; Mt 9,1-8) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham,

Jesus disse ao paralítico: ‘Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!’” Mt 9,2.

“A grandeza da fé do paralítico, estendido no leito, chamou a atenção de Jesus. O texto diz que o Mestre viu a fé daqueles homens. Só é possível ver a fé de alguém, quando manifestada nas suas ações. As providências tomadas pelo paralítico para estar na presença de Jesus devem ter sido formidáveis, pois chamou-lhes a atenção. Esta confiança ilimitada explica a iniciativa do Mestre: dedicar-lhe, imediatamente, perdoados os pecados e, assim, reconciliá-lo com Deus. Segundo se acreditava na época, as doenças eram consequência dos pecados. O perdão era, por conseguinte, o primeiro, o primeiro passo para a cura, por cortar o mal pela raiz. Só, então, teria sentido propiciar ao paralítico a cura física. A ação taumatúrgica de Jesus recriava o ser humano a partir do seu interior, atingindo os níveis mais profundos, ali onde se processa a comunhão entre a criatura e o Criador. A restauração dos laços rompidos entre ambos permitia ao ser humano refazer-se, até chegar aos níveis exteriores. A cura acontece de dentro para fora. Quando o exterior é curado, é porque o interior já deve ter sido totalmente refeito. A cura do paralítico foi possível por causa da sua confiança inabalável em Jesus. Esta é a fé que se exige de quem pretende ser curado por ele. Mas, a partir de dentro! – Pai, que minha fé ilimitada em teu Filho Jesus seja penhor de perdão e cura. Que o poder de Jesus me cure a partir do meu interior (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 01 de julho de 2026

(Am 5,14-15.21-24; Sl 49[50]; Mt 8,28-34) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Livra-me das balbúrdias dos teus cantos, não quero ouvir a toada de tuas liras. Que a justiça seja abundante como água e a vida honesta como torrente perene” Am 5,23-24.

“Prosseguem os oráculos de Amós com a condenação da injustiça de que Israel continua a manchar-se, e com a rejeição de um culto vão, pois é apenas exterior; como fato positivo, o profeta indica o caminho da conversão. O povo, ao invés, parece convencido de que o Senhor está presente (‘JHWH estará conosco’: cf. v. 14) por uma espécie de automatismo, devido a uma Aliança e uma observância da Lei só formais; esta convicção parece avalizada também pela prosperidade do país e vista como sinal da bênção divina. [Compreender a Palavra:] A esperança do profeta é expressa humildemente. Numa atitude penitente, com a consciência de pertencer a um povo pecador. Amós deseja a misericórdia do Senhor, ‘Deus do Universo’ (v.15): talvez tenha compaixão dos ‘sobreviventes’ (v. 15d: este termo pode também traduzir-se por ‘resto’: aparece aqui pela primeira vez, e terá muita importância nos profetas sucessivos). As acusações nos confrontos de Israel versam sobre as práticas idolátricas e sobre a opressão dos pobres: o culto não autêntico é condenado por Amós com palavras ásperas, recordando os diversos tipos de sacrifícios (holocausto, oblações de farinha, sacrifícios de comunhão, a oferta das melhores vítimas) e os ritos tornados solenes pelos Cânticos, qualificados, porém como alarido inaudível. Pelo contrário, afirma o profeta, é preciso ‘detestar o mal e amar o bem’ (v. 15a), isto é, conformar-se intimamente com a vontade de Deus. ‘Procurai’ (v. 14a) com todo o vosso ser o bem amado significa, essencialmente, respeitar e exercer o direito e a justiça, cuja prática é desejada e comparada à água vivificante de nascente” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 30 de junho de 2026

(Am 3,1-8; 4,11-12; Sl 5; Mt 8,23-27) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Porque tendes tanto medo, homens fracos na fé?’ Então, levantando-se,

ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria” Mt 8,26.

“Reprimenda que tantas vezes ter-nos-á dirigido o Senhor ali no fundo de minha consciência e da sua. Temos muito pouca fé, temos olhado muito pouco para ele, desencaminhados por aparências enganosas. Em nossa vida espiritual, repete-se com frequência esta circunstância angustiante, seja diante da dor, de uma dificuldade, de uma tentação... Não temos fé suficiente, somos homens de pouca fé e merecemos a reprimenda do Senhor. Deveríamos rezar com maior frequência o versículo do salmo que diz: ‘Dominais o orgulho do mar, amainais suas ondas revoltas’ (salmo 88,10). Essa nossa fé apoucada nós a projetamos também na vida da Igreja. A barca da Igreja parece que, em determinadas circunstâncias, está enchendo-se de água a ponto de naufragar. Mas isto vem acontecendo há vinte séculos e, apesar de encher-se de água continuamente, nunca chega a naufragar, jamais vai a pique. Mas nós tememos pela Igreja; parece-nos que a Igreja de hoje não é mais a Igreja de ontem, já não é a Igreja de Cristo. Vemos muitas misérias na Igreja; queixamo-nos que as coisas mudaram substancialmente, que já não existe espiritualidade, recolhimento, interioridade, observância, em uma palavra: não existe entrega ao Senhor. Diante de tantos escândalos e tantas deficiências, tememos e angustiamo-nos e clamamos: Senhor! Salva tua Igreja! E ainda que algumas vezes, ou durante algum tempo, Jesus pareça como que adormecido na barca de sua Igreja, não devemos perder a confiança na proteção de seu Espírito, que vela por sua Igreja. Quando Jesus se levantou e mandou aos ventos e às ondas que se acalmassem, sobreveio imediatamente a paz e a tranquilidade. A alma que se lança incondicionalmente nos braços de Deus não conhece o que sejam as angústias espirituais; a paz, a tranquilidade, a serenidade são o clima no qual vive e do qual usufrui” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 29 de junho de 2026

(Am 2,6-10.13-16; Sl 49[50]; Mt 8,18-22) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Então um mestre da Lei aproximou-se e disse: ‘Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás’” Mt 8,19.

“A itinerância de Jesus e o grupo de discípulos que tinha a seu redor despertavam, no coração de muitos, o desejo de agregar-se a eles. Havia, porém, o perigo de faltar-lhes ponderação suficiente para avaliar as duras condições do discipulado. As duas cenas evangélicas sublinham o quanto é necessário refletir, antes de aderir a Jesus. O mestre da Lei era alguém ainda comprometido com Jesus. Por isso, corria o risco de ser apressado e superficial em sua decisão. Foi-lhe pedido maior ponderação, já que as duras exigências do seguimento supunham uma têmpera forte e uma grande capacidade de suportar as carências e incômodos do dia-a-dia. Assim, se evitaria que o seguidor de Jesus debandasse diante das durezas do discipulado. O outro, designado como discípulo, era alguém que já havia aderido a Jesus. Todavia, estava longe de compreender as implicações de sua escolha, entre elas, a relativização dos laços familiares. O Mestre pediu-lhe que fosse mais decidido na opção feita. O seguimento comportava uma total entrega de si, por toda a vida, ao serviço do Reino. Dúvidas, apegos, compromissos paralelos deveriam ser deixados para trás. Quem deseja tornar-se discípulo, deve confrontar-se com as exigências postas pelo próprio Mestre. Só tem sentido fazer-se discípulo se for para assemelhar-se a ele. – Pai, confronta-me, cada dia, com as exigências do discipulado, e reforça minha disposição para enfrenta-las com tua graça (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

São Pedro e São Paulo – Missa do Dia

(At 12,1-11; Sl 33[34]; 2Tm 4,6-8.17-18; Mt 16,13-19) *    

1. Pedro e Paulo tiveram uma presença-chave na Igreja nascente. Ambos são hoje referências imprescindíveis àquilo que deva ser nossa Igreja: a comunidade dos crentes em Jesus. No entanto, Pedro e Paulo foram muito diferentes.

2. Pelas informações que temos e por aquilo que hoje dizem as leituras, Pedro era um homem simples, um pescador. Não podemos supor que tivesse estudos especiais. Fez sua aprendizagem seguindo Jesus pelos caminhos da Palestina. Não lhe foi fácil aprender. Tampouco foi um modelo de fidelidade.

3. Recordemos que nos momentos finais de Jesus, não teve dúvida em dizer que de modo nenhum o conhecia para se salvar do perigo. Mas soube arrepender-se de seus pecados, isso fica claro no Evangelho da Vigília. E Jesus sempre o confirmou como a cabeça dos apóstolos.

4. Depois da ressurreição não temos muitas informações sobre o que realizou. Mas sabemos que ele terminou os seus dias martirizado em Roma, selando com seu próprio sangue, sua fidelidade àquele Jesus que o havia chamado a tornar-se pescador de homens, quando ainda era apenas um pescador de peixes no lago da Galileia.   

5. Paulo não conheceu Jesus em vida. Era um homem de grande formação humana e religiosa. Devia ser oriundo de uma família de classe média, ao menos, visto que tinha a cidadania romana. Parece que era um homem empenhado e que, quando acreditava em algo, ia até o fim.

6. Como fariseu dedicou-se a perseguir os cristãos em defesa da pureza da fé. Mas, quando aconteceu seu encontro com Jesus, passou a considerar com seriedade o Evangelho. E não parou de pregar a boa-nova sempre que teve oportunidade. Se não a tinha, a procurava.

7. Pedro e Paulo tiveram mais de um choque naqueles primeiros tempos da Igreja. Paulo era levado por sua intransigência no modo como se devia organizar a vida da Igreja. Pedro sempre foi um pouco mais amigo das composições e de não criar inimizades uns com os outros. Mas ambos foram e se sentiram membros da mesma comunidade cristã.

8. Pedro e Paulo nos ensinam algo fundamental: a Igreja, a comunidade cristã, é algo muito maior que apenas um grupo de pessoas que se entendem bem entre si. Une-os a fé. No mais pode haver muitas diferenças. E não há outro caminho senão dialogar sabendo que comungamos no mais importante: o evangelho.

9. Na comunidade cristã sempre haverá conflitos e isso é normal. Mas como Pedro e Paulo, estamos unidos por nossa fé em Jesus e somos chamados a nos entender. Para que todos sejamos um, que é o grande testemunho do Evangelho que os cristãos devem oferecer ao mundo.

10. Como resolvo os conflitos em minha comunidade e em minha família? Sinto que, além das diferenças, há algo mais profundo e valioso que nos une? Pedro e Paulo não podem ensinar algo que me auxilie a resolvê-los de uma maneira cristã?

* Fernando Torres, CMF

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 27 de junho de 2026

(Lm 2,2.10-14.18-19; Sl 73[74]; Mt 8,5-17) 12ª Semana do Tempo Comum.

“Quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando” Mt 8,5.

“Um traço característico da ação de Jesus foi a sua solidariedade com os pobres e sofredores. O Evangelho recorre à figura do Servo de Javé, descrita por Isaías, para compreender este aspecto do ser de Jesus. Referindo-se a este Servo, o profeta constatava: ‘Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e assumiu nossas doenças’. Tomou o lugar dos sofredores, aceitando expiar-lhes as culpas e pecados, já que a doença era interpretada como uma forma de punição divina devida a alguma ofensa feita a Deus. A isto se dá o nome de sacrifício vicário. A ação de Jesus espelha-se na solidariedade do Servo. Existe, porém, uma diferença entre ambos. Jesus cuidou de eliminar tudo quanto massacrava o ser humano, privando-o de sua dignidade. Sua ação libertadora visava restaurar a humanidade, oprimida pelas doenças e enfermidades, e seus respectivos preconceitos, em suma, o ser humano oprimido pelo mal. Assim, a ação de Jesus foi mais efetiva do que o sacrifício vicário do Servo. A solidariedade do Mestre colocou-o em contato com toda a sorte de pessoas atribuladas: o soldado romano, a cuja casa predispôs-se a ir, para curar-lhe o servo, embora ambos fossem pagãos; a sogra de Pedro, cuja mão tocou, para curá-la da febre, embora o preconceito dos rabinos contra as mulheres impedisse tal gesto; os possessos, endemoniados e enfermos, aos quais curou com uma palavra cheia de poder. – Pai, a solidariedade de Jesus com os doentes e sofredores foi exemplar. Faze-me também ser solidário com quem necessita ser libertado de suas opressões (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Sexta, 26 de junho de 2026

(2Rs 25,1-12; Sl 136[137]; Mt 8,1-4) 12ª Semana do Tempo Comum.

“Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo:

‘Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. Mt 8,2.

“O leproso encontrava-se em circunstâncias nada aprazíveis. Os leprosos eram considerados, no povo judeu, como estigmatizados por Deus, como castigo de seus pecados. A lepra era denominada, na Bíblia, como ‘açoite de Deus’. Socialmente, os leprosos não podiam aproximar-se de ninguém, nem lhes era permitido residir nas cidades. Porém aqui temos um ensinamento que pode ser de utilidade para a nossa vida espiritual. Primeiramente, salienta-se o atrevimento do leproso, movido pelo desejo ardente de ser curado. Sabe que não lhe é lícito aproximar-se de Jesus; no entanto, não leva em consideração essa proibição; ele está intuindo que aquele profeta de Israel pode curá-lo, e tudo cai e tudo cede do seu veemente desejo de saúde. Assim, aproxima-se de Jesus, e adota uma posição de acordo com o pedido que quer apresentar. São Mateus diz que ‘prostou-se’ (v. 2); São Marcos afirma que ‘suplicando-lhe de joelhos’ (Marcos 1,40), enquanto São Lucas é ainda mais expressivo e diz que colocou ‘lançou-se com o rosto por terra’ (Lucas 5,12), conforme a atitude comum dos orientais. O leproso não podia aproximar-se de ninguém, mas ninguém que se sentisse sadio poderia tampouco aproximar-se dele e menos ainda tocá-lo. No entanto, Jesus aproxima-se, toca-o e cura. Segundo a lei, socialmente, Jesus ficava contaminado. Mas como poderia contaminar-se por lepra ele que era capaz de curá-la, como poderia contaminar-se ele que a limpava? A oração do leproso: o leproso começa reconhecendo sua necessidade: está doente, seriamente doente. O primeiro passo para aproximar-se de Deus é o reconhecimento da própria miséria, da própria fraqueza, da impotência do eu; desse eu tão mergulhado na miséria do egoísmo, de todo tipo de pecado; desse eu, tão imperiosamente necessitado de limpeza, de purificação, de santificação. Reconhecer-se a si mesmo naquilo que alguém é e naquilo de que necessita, sentir-se pobre de si mesmo, destruído em si próprio, é o pré-requisito para o Espírito de Deus inicie sua obra em nós. Reconhecendo sua necessidade, o leproso aproxima-se do Senhor e adota perante ele uma posição, uma atitude de humildade, de fé e de confiança ilimitada. O leproso terá reconhecido em Jesus o Filho de Deus, o Messias prometido a Israel, ou pelo menos terá visto nele um dos profetas do povo de Deus, dotado de poderes sobrenaturais. Nós temos a fé na sua divindade, já o reconhecemos, pois o Pai dignou-se dá-lo a conhecer a nós. Sabemos também que Jesus se comove diante de qualquer apresentação de fé e de dor, tanto em nossos dias quanto no passado; agora como naquele tempo, tanto conosco quanto com o leproso” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 25 de junho de 2026

(2Rs 24,8-17; Sl 78[79]; Mt 7,21-29) 12ª Semana do Tempo Comum.

“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus,

mas o que põe em prática a vontade do meu Pai que está nos céus” Mt 7,21.

“’Senhor, Senhor’, palavras que aparentam piedade, porém, citadas por Jesus, condenam os doutores da mentira. Eles seduzem o povo com falsas aparências de piedade, enquanto, no íntimo, buscam fins interesseiros. Os falsos mestres precisavam ser desmascarados. Não agiam conforme a vontade do Pai. Profetizavam suas próprias palavras. Teatralizavam cenas com demônios e à revelia faziam muitos milagres. Ouviam a Palavra de Deus, porém não a praticavam. Foram por Jesus comparados a homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína. Esta ruína impede o entrar no Reino dos Céus. Fazer a vontade de Deus é senha aberta e escancarada para alguém nele entrar. A parte mais difícil foi feita e cumprida por Jesus, quando na cruz morreu em favor de todos os pecadores. Quis o Pai que as pessoas cressem nele e praticassem a sua Palavra. Estes são também comparados a um homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. Deus é esta rocha: ‘Só Ele é a minha rocha e a minha salvação, e o meu alto refúgio: não serei jamais abalado’ (Sl 62,6). Este Deus foi aquele que enviou Jesus. Foi rejeitado pelos seus, mas ‘veio a ser a principal pedra, angular’ (Mt 21,42). Prefigurou salvação quando o povo de Israel no deserto bebeu ‘de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo’ (1Cor 10,4). – Quero agora te louvar, te entregar o meu viver, mostrar como é bom vir a te conhecer. Levar tua Palavra, de ti testemunhar. Cantar a liberdade que só Tu tens pra dar. Amém (Arnaldo Hoffmann Filho – Meditações para o dia a dia [2015] Vozes).

  Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 24 de junho de 2026

(Is 49,1-6; Sl 138[139]; At 13,22-26; Lc 1,57-66.80) Natividade de João Batista.

“Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho” Lc 1,57.

“Hoje, 24 de junho, a liturgia convida-nos a celebrar a solenidade do Nascimento de São João Batista, cuja vida está toda orientada para Cristo, como a da mãe d’Ele, Maria. João Batista foi o precursor, a ‘voz’ enviada para anunciar o Verbo encarnado. Por isso, comemorar o seu nascimento significa na realidade celebrar Cristo, cumprimento das promessas de todos os profetas, dos quais o Batista foi o maior, chamado para ‘preparar o caminho’ diante do Messias (cf. Mt 11,9-10). Todos os evangelhos iniciam a narração da vida pública de Jesus com a narração do seu batismo no rio Jordão por obra de João. São Lucas situa a entrada em cena do Batista com a moldura histórica solene. Também o meu livro Jesus de Nazaré se inspira no batismo de Jesus no Jordão, acontecimento que teve grande ressonância no seu tempo. De Jerusalém e de todas as partes da Judeia o povo acorria para ouvir João Batista e fazer-se batizar por ele no rio, confessando os próprios pecados (cf. Mc 1,5). A fama do profeta batizador cresceu a tal ponto que muitos perguntavam se era ele o Messias. Mas ele ressalta o evangelista negou-o decididamente: ‘Eu não sou o Messias’ (Jo 1,20). Contudo, ele permanece a primeira ‘testemunha’ de Jesus, tendo recebido a indicação do Céu: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é que batiza do Espírito Santo’ (Jo 1,33). Isto acontece precisamente quando Jesus, tendo recebido o batismo, saiu da água: João viu descer sobre Ele o Espírito como uma pomba. Foi então que ‘conheceu’ a plena realidade de Jesus de Nazaré, e começou a dá-lo a ‘conhecer a Israel’ (Jo 1,31), indicando-o como Filho de Deus e redentor do homem: ‘Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’ (Jo 1,20). De profeta autêntico, João deu testemunho da verdade sem condescendências. Denunciou as transgressões dos Mandamentos de Deus, também quando os protagonistas eram os poderosos. Assim, quando acusou de adultério Herodes e Herodíades, pagou com a vida, selando com o martírio o seu serviço a Cristo, que é a Verdade em Pessoa. Invoquemos a sua intercessão, juntamente com a de Maria Santíssima, para que também nos nossos dias a Igreja saiba manter-se sempre fiel a Cristo e testemunhar com coragem a sua verdade e seu amor a todos” (Bento XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo – Vol. IV – Mokai).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 23 de junho de 2026

(2Rs 19,9-11.14-21.31-36; Sl 47[48]; Mt 7,6.12-14) 12ª Semana do Tempo Comum.  

“Protegerei esta cidade e a salvarei em atenção a mim mesmo e ao meu servo Davi” 2Rs 19,34.

“Esta página da Bíblia, repleta de acontecimentos dolorosos, recorda que depois de haver destruído o poder e a identidade nacional do reino do Norte, os Assírios, em 701 a.C., ameaçaram também Jerusalém. O piedoso rei Ezequiel, ao contrário do ímpio Acaz, seu pai, não se deixa atemorizar pela arrogância humana, mas confia no Deus de Israel e na Palavra que lhe foi anunciada pelo profeta Isaías: Deus é fiel ao Seu amor e às Suas promessas. [Compreender a Palavra:] Para além dos episódios de guerra, ameaças, desafios, assédios, batalhas e derrotas, os fatos narrados não são simplesmente ‘história’, mas História da Salvação e, como tais, são narrados para comunicar um significado religioso: o olhar profético lê na História um enredo de salvação que permanece invisível para quem está privado de olhos de fé. A ótica puramente humana está representada por Senequerib, o soberano assírio que raciocina segundo parâmetros simplesmente militares e por isso acha o seu exército capaz de atacar e exterminar qualquer adversário, pelo que manda dizer Ezequias: ‘Não te deixes enganar pelo teu Deus, em quem confias...’ (2Rs 19,10). O poder bélico representa a arrogância humana, que desafia Deus com a pretensão de se substituir a Ele, e insinua a dúvida, apresentando a dimensão da fé, pelo contrário, lê nos acontecimentos humanos (neste caso, numa epidemia que debilita as forças inimigas), o fato providencial que leva a cumprimento o desígnio do Senhor” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 22 de junho de 2026

(2Rs 17,5-8.13-15.18; Sl 59[60]; Mt 7,1-5) 12ª Semana do Tempo Comum.

“Pois vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes;

e sereis medidos com a mesma medida com que medirdes” Mt 7,2.

“Quão fáceis somos em conceder a nós mesmos o certificado de boa conduta! Quão compreensivos, quão indulgentes, quão bondosos somos com nós mesmos, quão rapidamente descobrimos explicações, justificativas para nós e nossos atos! Pelo contrário, que norma tão diferente e oposta nos rege, quando se trata dos outros! Para ver os defeitos dos outros, somos rápidos; para ver e reconhecer nossas deficiências e nossas falhas, somos praticamente cegos. Algumas vezes Deus permite que cheguem aos nossos ouvidos as críticas que os outros fazem sobre o nosso modo de proceder. Por que não nos questionamos se isso está ocorrendo porque anteriormente tenhamos criticado isso mesmo nos outros? Quem semeia ventos, colhe tempestades; as tempestades contra nós, que às vezes descobrimos, não obedecerão aos ventos que nós mesmos desatamos contra os outros? Queixamo-nos e nos sensibilizamos, e ficamos magoados ao ver que não somos devidamente apreciados ou valorizados, não nos levam em consideração ou nem nos respeitam; e não será isso o fruto dessas mesmas atitudes que tenhamos adotado em relação aos outros?” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

12º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Jr 20,10-13; Sl 68[69]; Rm 5,12-15; Mt 10,26-33) *

1. Ao centro do nosso Evangelho está o esforço de Cristo de libertar-nos do medo. O medo é a nossa condição essencial; ele nos acompanha da infância ao túmulo. A criança tem medo de tantas coisas: de ser abandonado, do escuro, de quem levanta a voz, dos monstros que povoam sua mente para que se comporte...

2. O adolescente tem medo do outro sexo e esse o envolve num complexo de timidez e de inferioridade. O adulto experimenta a angústia do mundo, do futuro, sente sua vulnerabilidade de modo violento e descontrolado. A estes medos tradicionais se juntam aqueles criados pelo próprio progresso: as guerras nucleares, a poluição atmosférica, a IA...

3. O medo é a manifestação do nosso instinto fundamental de conservação. É a reação a uma ameaça à nossa vida, a resposta a um perigo verdadeiro ou possível; do maior medo que é o da morte, aos perigos particulares que ameaçam ou a tranquilidade, ou bem-estar físico, ou nosso mundo afetivo.

4. Em nosso mundo também transitam medos reais e imaginários. As fobias que habitam nosso tempo. Como as doenças, os medos podem ser ou agudos ou crônicos, estes últimos nos acompanharão por toda a vida. O medo, mesmo que crônico, não é um mal em si mesmo. Por vezes é a ocasião em que se revela uma coragem e uma força que se desconhecia.  

5. Só quem conhece o medo, sabe que coisa é a coragem. Este se torna verdadeiramente um mal que consome e não possibilita viver, quando, antes que um estímulo a reagir e motivar a ação, torna-se de desculpa para não agir, qualquer coisa que paralisa. E se transforma em ânsia.

6. A ansiedade se tornou o mal do século e uma das causas principais de enfartos. Vivemos na ansiedade, e por isso não vivemos. A ansiedade é o medo irracional de um algo desconhecido. Um temer sempre, a tudo, um esperar sistematicamente pelo pior e viver sempre com o coração acelerado.

7. Se o perigo não existe, a ânsia o inventa, se existe o aumenta. A pessoa ansiosa sofre sempre o mal duas vezes: primeiramente na previsão e depois na realidade. O que Jesus censura no Evangelho não é tanto o simples medo ou a justa solicitude pelo amanhã, mas a ânsia e o afã: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã, a cada dia basta o seu mal”.

8. O remédio que nos é oferecido pelo Evangelho é a confiança em Deus, crer na providência e no amor do Pai do céu. A verdadeira raiz de todos os medos é aquela de encontrar-se só. O medo da criança, de ser abandonado. Jesus quer nos assegurar que mesmo que todos nos abandonem, Deus não o fará. O seu amor é mais forte que tudo.

9. Próximo fim de semana estaremos celebrando São Pedro e São Paulo. É de Paulo, em sua carta aos Romanos, que recolhemos um conselho prático para vencer o medo. Ele faz uma revisão de todos os perigos que lhe aconteceram na vida. Olha tudo isso à luz da grande certeza de que Deus o ama e conclui triunfalmente: “Mas, em todas essas coisas somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou” (Rm 8,37).

10. Somos convidados a fazer o mesmo. A olhar a nossa vida, presente e passada, trazer à tona os medos que ali se aninharam, o que nos impediu de aceitar-nos e termos confiança em nós mesmos. Os medos são como fantasmas: precisam do escuro para agir. Precisamos trazê-los à luz, dar-lhes nomes, para que se dissolvam ou os redimensionemos.

11. Para além da sua vida pessoal, Paulo vai alargar o seu olhar sobre o mundo que o rodeia com as incógnitas que aterrorizavam os seres humanos na sua época. Muitas coisas nos ameaçam, e nesse vasto universo nos descobrimos como um grão de areia. Confrontando tudo, Paulo dirá: “Se Deus é por nós, quem será contra nós”?

12. Jesus pode nos ajudar de duas formas: tirando o medo do nosso coração ou nos ajudando a vivê-lo de modo novo, mais livres, tornando-nos uma ocasião de graça para nós mesmos e para os outros. Lembremos a experiência que Ele mesmo faz no jardim das Oliveiras.

13. Ele experimenta o medo em seu maior grau, o da morte, justamente para redimir também esse aspecto da condição humana. Além do incentivo de com Ele levantar-nos, alerta-nos de estarmos atentos aos outros, a sermos mais compreensivos; numa palavra, a sermos mais humanos.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 20 de junho de 2026

(2Cr 24,17-25; Sl 88[89]; Mt 6,24-34) 11ª Semana do Tempo Comum.

“Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça,

e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo” Mt 6,33.

“A justiça, falando biblicamente, compreende todas as obras que em si são justas, as obras que fazem com que nossa vida seja justa com a justiça evangélica, justa para os olhos de Deus, que examina o fundo do coração. E isso é o que devemos buscar em nossa vida, isso é o que devemos praticar, a fim de dessa forma, vivendo com justiça, santamente, instauremos o Reino de Deus em nosso mundo. Que bela oportunidade para examinar quais são nossos objetivos, qual é a meta de nossa vida, o que buscamos, desejamos e esperamos. Se o Reino de Deus é Reino de justiça, de verdade, de amor e de paz minhas obras e meus esforços, minhas preocupações e meu tempo devem orientar-se para eliminar tudo quanto possa opor-se ou impedir a justiça, a verdade, o amor, a paz na humanidade, concretamente nos ambientes e na comunidade em que vivo e atuo. Por outro lado, devemos ter fé na Providência de Deus; pois com certeza valemos muito mais que as coisas e os animais, com as quais o Senhor se preocupa. Como, pois, não se preocupará com seus filhos? Se Deus é nosso Pai, conhece e quer remediar as necessidades de seus filhos. Não sejamos ‘homens de pouca fé’ (v. 30)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Sexta, 19 de junho de 2026

(2Rs 11,1-4.9-18.20; Sl 131[132]; Mt 6,19-23) 11ª Semana do Tempo Comum.

“Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” Mt 6,21.

“A opção que o discípulo fez pelo Reino de Deus revela-se no cotidiano de sua existência. Suas escolhas e preferências são um indicador seguro desta opção que norteia todo o seu agir. Desta forma, fecha-se a porta para a hipocrisia, pois o modo de agir do discípulo revelará onde ele colocou o seu coração. Se foi em Deus, o discípulo jamais absolutizará os tesouros terrenos, que podem enferrujar, ser destruídos ou roubados. O apego desmedido aos bens materiais, com os quais se busca segurança, a salvo de qualquer contratempo, não combina com a confiança na Providência divina. É ilusório contar com eles, por que não servem para consolidar a comunhão do discípulo com Deus. Pelo contrário, podem até se tornar um empecilho. O discípulo sensato busca os tesouros celestes. Como se identificam esses tesouros? Não se trata de algo que está posto no céu, fora da nossa realidade. Tesouro celeste é tudo que contribui para aprofundar os laços de Deus e o discípulo do Reino. Correspondem a experiências terrenas, mas que transcendem a história. A misericórdia, a solidariedade, a partilha, o perdão, a reconciliação, e atitudes afins, são os tesouros verdadeiros que o discípulo deve desejar. Ao valorizá-los, ele dá testemunho de onde está colocado o seu coração. Neste caso, estará seguramente posto em Deus, por estar voltado para o próximo. – Pai, dá-me sabedoria suficiente para buscar sempre o tesouro verdadeiro, e assim estar seguro de que em ti coloquei o meu coração (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 18 de junho de 2026

(Eclo 48,1-15; Sl 96[97]; Mt 6,7-15) 11ª Semana do Tempo Comum.

“Apenas Elias foi envolvido no turbilhão, Eliseu ficou repleto do seu espírito” Eclo 13a.

“Como conclusão do ciclo de Elias, a liturgia propõe um texto poético extraído do ‘Elogio dos Antepassados’, última parte do Livro do Bem Sirá (caps. 44-55). O texto evoca, enquanto pertencentes à época dos reis de Israel, as duas figuras proféticas de Elias e do seu discípulo Eliseu, recordando as suas vidas, mortes e ações. A História da Salvação não conhece interrupções. [Compreender a Palavra:] A figura de Elias, ‘como um fogo’, e cuja palavra era ardente (v. 1), emerge nítida da seleção de elementos que, da sua vida, Bem Sirá relembra: o papel de anunciador da seca e da carestia; a ressurreição do filho da viúva de Sarepta; o castigo de reis e de povo; a revelação no Horebe/Sinai; a unção de reis e profetas; a assunção ao céu num carro puxado por cavalos de fogo. Bem Sirá, que escreveu cerca de 180 a.C., empresta a voz à já tradicional expectativa do regresso de Elias no final dos tempos, para restaurar e trazer a paz (cf. Ml 5,23-24), e talvez também para a crença popular hebraica, que faz de Elias uma espécie de ‘santo patrono’ dos moribundos (cf. Mt 27,46-49, a presumível invocação de Elias enquanto auxiliador de Jesus na Cruz). Sem solução de continuidade é elogiado no texto o ministério de Eliseu. Deus não deixa sozinho o seu povo. Bem Sirá recorda o espírito profético indómito desta figura, e sinteticamente alude aos muitos prodígios realizados durante a vida e depois de morto, inclusive à ressurreição de um morto lançado bruscamente sobre o sepulcro do profeta por aqueles que o levavam a sepultar para fugir a um bando de ladrões (cf. 2Rs 13,20-21); de fato, o ciclo de Eliseu (2Rs 2—13) é o mais recheado de milagres de todo o Antigo Testamento” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Quarta, 17 de junho de 2026

(2Rs 2,1.6-14; Sl 30[31]; Mt 6,1-6.16-18) 11ª Semana do Tempo Comum.

“... de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa” Mt 6,4.

“Os discípulos de Jesus foram alertados a respeito das formas indevidas de praticar a religião, de modo especial, o exibicionismo nas práticas religiosas, com o intento de granjear louvores e admiração. Esta preocupação minimiza o que se faz com a intenção de agradar a Deus. A recompensa divina. Tomando três práticas típicas de piedade – a esmola, a oração e o jejum –, Jesus pôs em confronto a maneira incorreta e a correta de praticá-las. A forma incorreta é a atitude dos hipócritas. Estes mandam tocar trombetas quando vão dar esmolas, para chamar a atenção dos passantes; rezam nas sinagogas e nas praças, de maneira ostentatória para serem contemplados em atitude de oração; quando estão jejuando, fazem questão de apresentar um semblante ascético e abatido, dando-se ares de penitentes. A forma correta de viver a piedade é bem outra. Nela o fiel busca ser visto unicamente por Deus. O reconhecimento humano é dispensado, pois não tem valor algum. Basta que o Pai veja a esmola dada de maneira discreta. A oração deve ser feita no recolhimento do quarto, pois só o Pai será testemunha da sinceridade com que é feita. Por ocasião do jejum, aconselhava-se a lavar o rosto e a perfumar a cabeça. Assim, somente o Pai verá o que se passa no coração de quem jejua. Engana-se quem procura agradar a Deus por um caminho diferente daquele indicado por Jesus. – Pai, só te agradam as ações feitas na simplicidade e no escondimento. Que eu procure sempre agradar-te, enveredando por este caminho (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 16 de junho de 2026

(1Rs 21,17-29; Sl 50[51]; Mt 5,43-48) 11ª Semana do Tempo Comum.

“Farei com a tua família como fiz com as famílias de Jeroboão, filho de Nabat, e de Baasa, filho de Aías,

porque provocaste a minha ira e fizeste Israel pecar” 1Rs 21,22.

“O mal cometido não passa despercebido, embora muitas vezes aqueles que o conhecem se tornem cúmplices e até Deus parece calar-se. Aquilo que a Escritura diz no caso do duplo pecado de Davi, com e por causa de Betsabeia vale também para Acab: ‘Deus reprovou o que Davi tinha feito’ (2Sm 11,27). O profeta, verdadeira consciência moral de povo e do rei, tem a missão de enfrentar Acab para o chamar às suas responsabilidades. [Compreender a Palavra:] Tal como Davi, também Acab tinha cometido um duplo pecado para se apoderar do objeto dos seus desejos: causara a morte do homem que representava um obstáculo e apropriara-se dos haveres por ele possuídos: a mulher, no caso de Davi; a vinha no caso de Acab. Em ambos os episódios estamos, pois, perante a mais vil das usurpações no que diz respeito aos mais pobres (cf. a parábola de Natã em 2Sm 12,1-14). Foi algo que aconteceu ao longo dos séculos e continua a acontecer hoje, longe ou perto de nós: um homem poderoso, colocado à frente do povo para o governar e guiar, serve-se disso e abusa da sua autoridade e poder para seu benefício pessoal. Mas a história de Acab é uma espécie de imitação da história de Davi, no entanto, falta-lhe a magnanimidade deste, a determinação no pecado, a grandeza no arrependimento. Acab leva por maus caminhos também o seu povo, peca através de outra pessoa: é a esposa que atua em seu lugar. Perante a censura de Elias, não abre o seu coração, mas sente-se apenas ‘apanhado’ na má ação (v. 20), vendo em Elias um ‘inimigo’ enviado por Deus para o corrigir. O arrependimento está ainda muito longe dele e só o alcança perante a ameaça do castigo (cf. vv. 22-24.27). Todavia, a misericórdia de Deus envolve também este arrependimento tardio, e adia o castigo” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).     

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 15 de junho de 2026

(1Rs 21,1-16; Sl 5; Mt 5,38-42) 11ª Semana do Tempo Comum.

“Eu, porém, vos digo: não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!” Mt 5,39.

“A forma literária, hiperbolicamente excessiva e extremamente admirável, nada mais é que uma forma literária; não deve ser entendida ao pé da letra. O que é preciso é penetrar em seu sentido, que é o que nós procuramos fazer. Que não se deva tomar literalmente essa admoestação, demonstra-o o exemplo do próprio Jesus, que não só não ofereceu a outra face, quando o esbofetearam, mas que censurou e deixou bem claro que reprovava tal atitude: ‘Se falei mal, prova-o; mas se falei bem, por que me bates?’ (João 18,23). Assim, pois, o sentido do ensinamento deste evangelho é o seguinte: não é permitido ao cristão pagar o mal com o mal; não pode praticar o mal contra ninguém, ainda que se lho faça a ele; antes, ao invés, deve responder ao mal com o bem. Como diz o apóstolo Paulo: ‘Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem’ (Romanos 12,21). O cristão deve retribuir com doçura à violência, com desinteresse à avareza, com a renúncia a seus direitos diante de uma exigência injustas. Espírito de benevolência e de caridade, que o leva a não negar sua ajuda a quem a solicite; se o discípulo de Cristo não questionar nada, quando se trata de ajudar ao próximo, então está cumprindo o segundo preceito da lei: ‘Amarás a teu próximo como a ti mesmo’ (Marcos 12,31). É essa a atitude e disposição que o cristão deve ter na intimidade: de perdão e de generosidade” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

11º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Ex 19,2-6; Sl 99[100]; Rm 5,6-11; Mt 9,36—10,8) *

1. Parafraseando uma frase célebre de Jesus e resumindo o nosso evangelho, podemos afirmar: “A Igreja é para o homem, não o homem para a Igreja”. Nosso olhar sobre as palavras e os gestos de Jesus neste texto nos ajudam a entender porque existe a Igreja, os apóstolos com seus sucessores, e qual deve ser a alma de todo apostolado.

2. O texto inicia com esse olhar de Cristo sobre as multidões. Sua compaixão é o coração profundo do Evangelho, a fonte escondida de onde flui a obra da redenção, onde se revela o coração de nosso Deus em seu amor pela humanidade. Ao longo dos evangelhos, só Ele expressa esse tipo de sentimento para as mais diversas pessoas e situações.

3. Ele não esconde sua comoção, não tem medo de deixar-se ver. E essa comoção é o melhor dom que se pode oferecer a quem está à sua frente com sua dor e suas penas: ela diz mais que palavras e discursos. Não é uma compaixão estéril, como vemos a seguir. Não se limita ao plano dos sentimentos e das palavras.

4. O cap. 9 termina com esse convite a rezar ao dono da messe, mas a liturgia emenda logo no capítulo seguinte para nos traduzir na prática a compaixão de Cristo diante da multidão. É aqui que vislumbramos o nascimento da Igreja. Do chamado dos Doze e do consequente envio.

5. Sabemos que doze é uma referência às tribos de Israel. Assim sua intenção e dar início à Igreja, modelando o novo Israel sobre o antigo, a nova aliança sobre a antiga, para dar pleno cumprimento. Ele impõe alguns limites momentâneos à missão, mas sabemos de suas imersões nesses territórios pagãos e interações com outras pessoas não judias.

6. Sua missão primeira diz respeito ao povo escolhido e só depois estende-se aos pagãos. E no mais, os apóstolos ainda não estavam preparados, Pentecostes ainda não havia se dado para vencer neles todas as resistências. Que não eram poucas.

7. Assim Jesus deixa claro que não veio ao mundo para fazer o bem àqueles que encontrou em sua breve vida terrena, mas para fundar uma comunidade que perpetuaria no tempo e dilataria no espaço a sua obra. A escolha de colaboradores estáveis, oficialmente designados (este é o significado do termo ‘apóstolo’), aponta justamente para isto.

8. Aqui se dá início a futura estrutura da sua Igreja. Por isso, rezaremos daqui a pouco, ela é “una, santa, católica e apostólica”: porque fundada sobre os apóstolos. Todo “privilégio” do clero e toda real discriminação em relação à comunidade são excluídos logo ao início: “De graça recebestes, de graça deveis dar!”, conclui o nosso texto. Condividir e servir.

9. O texto deixa claro para o quê os envia, revelando assim a natureza da própria Igreja. E assim podemos ver em sua raiz que a Igreja é para o homem, não o homem para a Igreja. Ela existe para a salvação do ser humano como um todo, alma e corpo. Se objetivamos o céu, a vida com Deus, não o podemos fazer sem dar atenção às necessidades dessa vida.

10. De tudo isso, deveríamos sentir a Igreja como “nossa”, como um dom de Cristo, como a encarnação da sua compaixão pela humanidade, não como qualquer coisa de estranha, uma “super estrutura” que preferiríamos, talvez, que não existisse. O que mantém muitas pessoas distante da Igreja como instituição são, de modo geral, os defeitos, as incoerências, os erros passados ou presentes dos que estão à frente da mesma.

11. Não preciso lembrar a humanidade dos mesmos, ou mesmo que o grupo dos doze não era tão perfeito assim. As escolhas de Jesus não se baseiam naquilo que se é, mas naquilo que se podem tornar com a sua graça, e em seu seguimento. A Jesus não interessa tanto que seus colaboradores sejam perfeitos, mas que tenham um coração capaz de se compadecer como o seu.

12. E isto não diz respeito só aos que estão à frente da Igreja, mas a todos os batizados. Quando essa compaixão, como aquela de Cristo, se traduz em gestos concretos de solidariedade – e cada um naquilo que lhe é possível e que depende dele –, está ali, hoje, um verdadeiro discípulo de Cristo. Ali se realiza, mesmo em pequena parte, o fim para o qual Cristo quis a Igreja. 

* com base em texto de Raniero Cantalamessa

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 13 de junho de 2026

(Is 61,9-11; Sl 1Sm 2; Lc 2,41-51) Imaculado Coração de Maria.

“Jesus desceu então com seus pais para Nazaré e era-lhes obediente. Sua mãe, porém,

conservava no coração todas essas coisas” Lc 2,51.

“Não há como esquecer fatos marcantes na vida de uma pessoa. Com Maria tudo ainda era muito recente: a anunciação, o encontro com Isabel, o recenseamento, o nascimento de Jesus, a visita dos Magos, a circuncisão de Jesus, a apresentação no Templo, Simeão, Ana, a fuga para o Egito e agora, após doze anos, a Festa da Páscoa. Suas lembranças devem ter sido fortíssimas, porém bem guardadas no seu coração. O coração é o lugar que que, sentimentalmente, guardam-se as emoções. Certamente Maria tinha um coração muito forte. Cada detalhe reforçava sua fé e disposição para servir. Mesmo não compreendendo que Jesus cumpria estar na casa de seu Pai (o Templo) ela guardava e ponderava em tudo. Ter um filho como Jesus não era para qualquer um. O texto diz que Ele ‘desceu com eles para Nazaré, e era-lhes submisso’. Um filho obediente e submisso é tudo que os pais querem na vida. Ele foi um filho dedicado. Assim cresceu em ‘sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens’. Quais são as nossas lembranças agradáveis que ocorreram em nossa família? Temos consciência prazerosa do nosso Batismo e Confirmação? Nossa participação na comunidade de fé é relevante? Os dons que recebemos estão a serviço do Senhor? Somos dedicados a este Deus maravilhoso? Não vivemos apenas de sentimentos e lembranças, porém eles fazem parte da nossa história – história essa marcada pela graça e amor divinal. Nossa submissão a Deus deve ser entendida não como um jogo obrigatório e pesado, mas como um desejo sincero em estar na mesma missão que Jesus esteve – servir o Pai com alegria. – Ó Jesus bendito, quero te servir; pelos teus caminhos faze-me seguir. Sem a tua graça não podemos ter força suficiente para o mal vencer. Protetor bondoso, vem nos conduzir; tua paz celeste faze em nós luzir. Amém (Arnaldo Hoffmann Filho – Meditações para o dia a dia [2015] Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 12 de junho de 2026

(Dt 7,6-11; Sl 102[103]; 1Jo 4,7-16; Mt 11,25-30) Sagrado Coração de Jesus.

“Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração,

e vós encontrareis descanso” Mt 11,29.

“Queridos irmãos e irmãs! Celebramos na sexta-feira passada a solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, uma devoção profundamente radicada no povo cristão. Na linguagem bíblica o ‘coração’ indica o centro da pessoa, a sede dos seus sentimentos e das suas intenções. No Coração do Redentor nós adoramos o Amor de Deus pela humanidade, a sua vontade de salvação universal, a sua misericórdia infinita. Portanto, prestar culto ao Sagrado Coração de Cristo significa adorar aquele Coração que, depois de nos ter amado até o fim, foi trespassado por uma lança e do alto da Cruz derramou Sangue e Água, Fonte inexaurível de vida nova. A festa do Sagrado Coração foi também o Dia Mundial pela santificação dos sacerdotes, ocasião propícia para rezar a fim de que os presbíteros nada anteponham ao amor de Cristo. [...] O coração que mais se assemelha ao Coração de Cristo é, sem dúvida, o de Maria, a Mãe Imaculada, e precisamente por isso a liturgia os indica juntos à nossa veneração. Respondendo ao convite feito pela Virgem de Fátima, confiamos ao seu Coração Imaculado, que ontem contemplamos de modo particular, o mundo inteiro, para que experimente o amor misericordioso de Deus e conheça a paz verdadeira” (Bento XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo – Vol. I – Mokai) 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 11 de junho de 2026

(At 11,21-26; 13,1-3; Sl 97[98]; Mt 10,7-13) São Barnabé, apóstolo.

“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’” Mt 10,7-13.

“Barnabé significa ‘filho da exortação’ (At 4,36) e ‘filho da consolação’, e é o sobrenome de um judeu levita originário de Chipre. Depois de estabelecer-se em Jerusalém, foi um dos primeiros a abraçar o cristianismo após a ressurreição do Senhor. Com grande generosidade vendeu um campo de sua propriedade e entregou dinheiro obtido aos apóstolos, para as necessidades da Igreja (c. At 4,37). Foi o fiador da conversão de Saulo diante da comunidade cristã de Jerusalém, que, todavia, desconfiava do antigo perseguidor (cf. At 9,27). Enviado para Antioquia da Síria, foi buscar Paulo em Tarso, onde se retirara, e passou um ano inteiro com ele, dedicando-se à evangelização desta importante cidade, em cuja igreja Barnabé era conhecido como profeta e doutor (cf. At 13,1). No momento das primeiras conversões de pagãos, Barnabé entendeu que havia chegado a hora de Saulo, que se retirara para Tarso, sua cidade. E ali foi busca-lo. Neste momento importante é como se tivesse devolvido Paulo à Igreja: presenteou-a, neste sentido, mais uma vez, com o Apóstolo do Povo. Da Igreja de Antioquia, Barnabé foi enviado como missionário junto a Paulo, para realizar o que se considera a primeira viagem missionária do apóstolo. Na verdade, tratou-se de uma viagem missionária de Barnabé, já que era ele o verdadeiro responsável, a quem Paulo se uniu como colaborador, chegando às regiões de Chipre e da Anatólia centro-meridional, na atual Turquia, nas cidades de Atalia, Perge, Antioquia de Pisídia, Icônio, Listra e Derbe (cf. At 13,14). Com Paulo participou em seguida do Concílio de Jerusalém, onde, depois de um exame profundo da questão, os apóstolos, juntamente com os anciãos, decidiram eliminar da identidade cristã a prática da circuncisão (cf. At 15,1-35). Só assim, ao final, tornaram possível, oficialmente, a Igreja dos pagãos, uma Igreja sem circuncisão: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo”. (Bento XVI – Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Jesus – Planeta).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 10 de junho de 2026

(1Rs 18,20-39; Sl 15[16]; Mt 5,17-19) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus

e que és tu que convertes os seus corações!” 1Rs 18,37.

“Jezebel, a cruel princesa fenícia, esposa de Acab, propagandista do culto de Baal e de Asera, projeta exterminar os profetas do Senhor (cf. 1Rs 18,3-4). Elias, paradoxalmente acusado de ser ‘a ruína de Israel’, reenvia a acusação contra Acab e a sua família, porque pelo fato de ter ‘abandonado os preceitos do Senhor’ é que veio a verdadeira ruína moral e material da nação (cf. 1Rs 18,17-18). E lança um desafio: Elias, diante de todo o povo dará testemunho da verdade do seu Deus contra as vãs veleidades dos profetas de Baal. [Compreender a Palavra:] O célebre desafio no monte Carmelo (promontório montanhoso a norte do país) entre Elias e os profetas de Baal é causado por uma provação das consciências: ‘Até quando oscilareis para os dois lados?’ (à letra: ‘Até quando saltareis de um ramo para o outro?’; poderia também ser traduzido para ‘Até quando estareis presos a duas amarras?’). Não se seguirão ao mesmo tempo Deus e Baal, o Senhor e os ídolos, Deus e mamona. O povo não responde à provocação, não compreende. Por que é que teria de escolher? Por quê esta tragicidade? É muito mais cômodo procurar tirar vantagens de ambas as partes: o cuidado paterno de JHWH, libertador dos inimigos, e a prosperidade esperada de Baal, presumível ‘dono’ da fecundidade da terra, dos rebanhos e dos homens. Por um lado o mundo da fé, por outro o mundo da magia. A narração do desafio entre as divindades, certamente muito longe da sensibilidade religiosa, prolonga-se assumindo tons hilariantes ao descrever a auto excitação dos profetas pagãos, e a ironia com que Elias finge partilhar as justificações do falhanço deles. O texto culmina na oração angustiosa do profeta, na descida do fogo do Céu e na confissão coral do povo: ‘O Senhor é o verdadeiro Deus! O Senhor é o verdadeiro Deus!’ (v. 39)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).     

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Terça, 09 de junho de 2026

(1Rs 17,7-16; Sl 4; Mt 5,13-16) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre o monte” Mt 5,13-14.

“Jesus, como mestre, ensina sobre a natureza e inteireza da fé e sobre a integridade do amor. A fé, segundo Ele, postula um comportamento cuja natureza é a do sal e da luz. Como sal, deve ela conservar e dar sabor aos alimentos. Caso não faça isto, assevera, ‘não servirá para nada a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens’. Paralelamente, Ele se refere à fé comparando-a com uma cidade ‘situada no cimo de um monte’ ou uma candeia que ‘não é colocada debaixo de uma vasilha’. A luz tem por finalidade iluminar ‘a todos que estão em casa’ e uma cidade no cimo de um monte ‘não pode esconder-se’, mas poderá ser vista por todos os transeuntes. Assim é a fé dos crentes e a caridade de seus seguidores. Como sal, têm força para salgar; como luz, brilho para iluminar; como cidade, servem como acolhida ou como alvo para os inimigos. Em outras palavras, a fé e o amor cristãos são frágeis em sua natureza, podendo ser atingidos por todos, mas fortes com obrigação de testemunho por aqueles que os professam. Não é assim que nos sentimos ao professar nossa fé e nos esforços do nosso amor criativo? Quantas vezes é ridicularizada pelos transeuntes a alegria de nossa fé, e quantas vezes nos sentimos alvos de zombaria na integridade do nosso amor pelos outros! Embora a prática do dia-a-dia da fé e do amor nos ensina que assim é, não podemos, por fidelidade a Cristo e ao Evangelho, recolher a luz da fé para debaixo de uma vasilha ou deixar que o sal do amor perca sua força transformadora dentro da realidade do mundo. Amor e fé valem pelo que são, mesmo que seus frutos sejam ridicularizados e rejeitados pelos outros. – Senhor Deus, grande e bom, queremos, em primeiro lugar, agradecer-vos pelos dons da fé e da caridade; e, depois, pedir-vos coragem e constância no testemunho que somos chamados a dar. Amém (Neylor J. Tonin – Graças a Deus [1995] – Vozes).  

Pe. João Bosco Vieira Leite