Segunda, 25 de maio de 2026

(Gn 3,9-15.20; Sl 86[87]; Jo 19,25-34) Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja.

“Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, este é o teu filho’.

Depois disse ao discípulo: ‘Esta é a tua mãe’. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo”

Jo 26-27.

“Com essas palavras, Jesus finaliza sua comunicação oficial com os homens antes da Morte – as quatro outras serão de sua intimidade com Deus. Quem as ouve são Maria Madalena, representando a via da penitência; Maria, mulher de Cléofas, a dos que vão progredindo na vida espiritual; Maria Santíssima e São João, a da perfeição. Consideremos um breve comentário de Santo Ambrósio sobre este trecho: ‘Outros descreveram o transtorno do mundo na Paixão do Senhor; o céu coberto de trevas, ocultando o Sol e o bom ladrão recebido no Paraíso, depois de sua confissão piedosa; São João escreveu o que os outros calaram: como, cravado na Cruz, considerado vencedor da morte, Jesus chamou sua Mãe e tributou a Ela a reverência de seu amor filial [...]. E, se perdoar o ladrão é um ato de piedade, muito mais é homenagear a Mãe com tanto afeto [...]. Cristo, do alto da Cruz, fazia seu testamento, distribuindo entre sua Mãe e seu discípulo os deveres do seu carinho’. É arrebatador constatar como Jesus, numa atitude de grandioso afeto e nobreza, encerrou oficialmente seu relacionamento com a humanidade, na qual Se encarnara para redimi-la. Do auge da dor, expressou o carinho de um Deus por sua Mãe Santíssima, e concedeu o prêmio para o discípulo que abandonara seus próprios pais para segui-Lo: o cêntuplo nesta terra (cf. Mt 19,29). É perfeita e exemplar a presteza com que São João assume a herança deixada pelo Divino Mestre: ‘E dessa hora em diante, o discípulo a levou para a sua casa’ (Jo 19,27). São João desce do Calvário protegendo, mas sobretudo, protegido pela Rainha do Céu e da Terra. É o prêmio de quem procura adorar Jesus no extremo do seu martírio” (Mons. João Scognamiglio Clá Dias – “O Inédito sobre os Evangelhos” – Libreria Editrice Vaticana).   

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Pentecostes – Dia – Ano A

(At 2,1-11; Sl 103[104]; 1Cor 12,3-7.12-13; Jo 20,19-23) *

1. Hoje celebramos a importante solenidade de Pentecostes. Se, num certo sentido, todas as solenidades litúrgicas da Igreja são grandes, maior é o Pentecostes, porque, chegando ao quinquagésimo dia, assinala o cumprimento do acontecimento da Páscoa, da Morte e Ressurreição do Senhor Jesus, através da dádiva do Espírito do Ressuscitado.

2. Na liturgia do Pentecostes, na narração dos Atos dos Apóstolos sobre o nascimento da Igreja, corresponde o salmo 103 que rezamos: um louvor de toda a Criação, que exalta o Espírito Criador que fez tudo com sabedoria. O que a Igreja nos quer dizer é isto:

3. O Espírito criador de todas as coisas, e o Espírito Santo que Cristo fez descer do Pai sobre a comunidade dos discípulos são um só e único: criação e redenção pertencem-se reciprocamente e constituem, em profundidade, um único Mistério de amor e de salvação.

4. A segunda leitura e o Evangelho mostram-nos esta ligação. O Espírito Santo é Aquele que nos faz reconhecer em Cristo o Senhor, levando-nos a pronunciar a profissão de fé da Igreja: “Jesus é o Senhor”. Senhor é o título atribuído a Deus no Antigo Testamento, título que na leitura da Bíblia tomava o lugar do seu Nome impronunciável.

5. A expressão “Jesus é o Senhor” pode ser lida nos dois sentidos. Significa: Jesus é Deus e, contemporaneamente: Deus é Jesus. O Espírito Santo ilumina esta reciprocidade: Jesus tem dignidade divina, e Deus tem o rosto humano de Jesus.

6. Deus mostra-se em Jesus e, assim, oferece-nos a verdade sobre nós mesmos. Deixar-se iluminar no profundo desta palavra é o acontecimento de Pentecostes.

7. O Evangelho nos oferece uma imagem maravilhosa para esclarecer a ligação entre Jesus, o Espírito Santo e o Pai: o Espírito Santo é representado como sopro de Jesus Cristo ressuscitado. João retoma aqui uma imagem da narração da criação, Deus que sopra nas narinas do homem o sopro da vida.

8. O sopro de Deus é vida. Ora, o Senhor inspira na nossa alma o novo Sopro de vida, o Espírito Santo, a sua Essência mais íntima, e deste modo recebe-nos na Família de Deus.

9. Uma outra imagem presente em nossa liturgia está relacionada também à 1ª leitura: o Espírito Santo anima a Igreja. Ela não deriva da vontade humana. Ela, ao contrário, é o Corpo de Cristo, animado pelo Espírito Santo. As imagens do vento e do fogo, utilizadas por Lucas para representar a vinda do Espírito Santo, são uma forte referência ao Sinai.

10. Ali, Deus havia estabelecido a sua Aliança com Israel, no quinquagésimo dia após a saída do Egito. Assim o acontecimento de Pentecostes é representado como um novo Sinai, como o dom de um novo pacto, não só para Israel, mas para todos os povos da terra. O Espírito comunica e difunde o amor que tudo abraça.

11. Com isto, nos é dito algo muito importante: que a Igreja é católica desde o primeiro momento, que a sua universalidade não é fruto da inclusão sucessiva de diversas comunidades. Desde o início a Igreja é una, católica e apostólica: esta é a sua verdadeira natureza e como tal, deve ser reconhecida. Ela é santa, não graças à capacidade dos seus membros, mas porque é o próprio Deus, com seu Espírito, que a cria, purifica e santifica sempre.

12. Por fim, o evangelho confia-nos essa alegria dos discípulos de verem o Senhor. O Amigo perdido está novamente presente. Ele não vem de um lugar qualquer, mas sim da noite da morte; Ele a atravessou! Essa alegria que Ele oferece não é uma alegria qualquer, mas sim o próprio júbilo, dom do Espírito Santo.

13. Sim, é bonito viver, porque sou amado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Hoje, no Pentecostes, esta expressão é destinada também a nós, porque na fé podemos vê-lo; na fé, Ele vem ao meio de nós e mostra também a nós as mãos e o lado, e nós alegramo-nos com isto. Por isso, queremos rezar: “Senhor, mostra-te! Concede-nos o dom da Tua presença e teremos a dádiva mais bonita: a Tua alegria! Amém!” 

* Com base em texto de Bento XVI.   

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 23 de maio de 2026

(At 28,16-20.30-31; Sl 10[11]; Jo 21,20-25) 7ª Semana da Páscoa.

“Jesus fez ainda muitas outras coisas, mas, se fossem escritas todas, penso que não caberiam no mundo

os livros que deveriam ser escritos” Jo 21,25.

“O capítulo 21 termina de uma maneira estranha: ‘É este discípulo que testemunha essas coisas e as escreveu, e nós sabemos que o seu testemunho é conforme a verdade. Jesus fez ainda muitas outras coisas; se as escrevessem uma a uma, o mundo inteiro não poderia, penso eu, conter os livros que se escreveriam’ (21,24-25). Não precisamos ler tudo o que se escreveu sobre Jesus. Basta meditar sempre de novo as palavras que o discípulo amado nos transmitiu no evangelho de João. Elas nos querem abrir os olhos para o que é essencial. Não se trata de saber muito, importa, isso sim, entender. Não se trata de contar a história de Jesus em sua ordem cronológica. Importa ver nele o revelador que afasta o véu que cobre tudo, para que entremos na realidade, concordando com o maravilhoso, como diz Peter Schellenbaum. Fundir-se com a realidade, estar de acordo com o que é real, continua Schellenbaum, leva a um novo sentir da vida, uma nova experiência direta, à vida verdadeira, pois muitas vezes estamos mortos, presos em obsessões recorrentes (SCHLLENBAUM, 2001, P. 306s)” (Anselm Grun – Jesus, porta para a vida – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Sexta, 22 de maio de 2026

(At 25,13-21; Sl 102[103]; Jo 21,15-19) 7ª Semana da Páscoa.

“... e, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: ‘Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?’

Pedro respondeu; ‘Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo’. Jesus disse: ‘Apascenta os meus cordeiros’” Jo 21,15.

“Encerrando o evangelho, João quer colocar-nos, na figura de Pedro, diante da pergunta: até que pontos o nosso amor a Jesus é autêntico? E ele quer lembrar-nos que existe dentro de nós o desejo do amor desapegado e sincero. Amar Jesus é a reação adequada às palavras de Jesus, aos sinais operados em nosso meio, à sua morte e Ressurreição. Esse amor é a condição para Pedro receber a incumbência: ‘Apascenta as minhas ovelhas!’ (21,17). Com a palavra ‘poimane’ (apascenta), o texto grego alude ao pastor (poimen) do capítulo 10 do evangelho de João. Só quem responde com amor à revelação de Jesus é capaz de tornar-se pastor dos outros, um pastor disposto a dar a sua vida, como Jesus. O amor é a porta pela qual precisamos passar, para podermos entender o mistério de Jesus e encontrar nele a verdadeira vida, a vida em sua plenitude” (Anselm Grun – Jesus, porta para a vida – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 21 de maio de 2026

(At 22,30; 23,6-11; Sl 15[16]; Jo 17,20-26) 7ª Semana da Páscoa.

“Pai santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra”

Jo 17,20.

“A oração de Jesus não apenas contempla o círculo imediato de discípulos, mas se alarga até ‘os que haverão de crer’. Aqui se faz uma discreta alusão à responsabilidade dos discípulos, para os quais Jesus mostrou-se um Mestre zeloso. A iminência da morte do Mestre perturbaria os discípulos, com o risco de dispersá-los. Sem sua presença física, poderia parecer-lhes sem sentido manter-se unidos em comunidade. Cada qual poderia voltar para a própria casa e dar vazão ao saudosismo. De certa forma, as palavras de Jesus os previnem contra essa tentação. Com sua partida para a casa do Pai, caberia aos discípulos a missão de dar testemunho de sua fé e atrair novos seguidores do Mestre. Deveriam manifestar, em relação aos que haveriam de crer, o mesmo desvelo de que foram objeto por parte de Jesus. A palavra de Deus ser-lhes-ia anunciada, consagrando-os na verdade. Seriam protegidos para não caírem nas ciladas do Maligno. Enfim, ser-lhes-ia mostrado o caminho que conduz à verdadeira vida na casa do Pai. Em última análise, a tarefa dos discípulos seria a de continuar a missão de Jesus, com a mesma dinâmica – convidando outras pessoas para abraçar a salvação –, no mesmo contexto conflitivo no meio do mundo carregado de ódio –, com a mesma disposição – fidelidade absoluta ao Pai, por serem consagrados na verdade. – Pai, faze-me assumir com muita disposição a tarefa de continuar a missão de Jesus, para que muitas outras pessoas abracem a salvação que nos ofereces (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 20 de maio de 2026

(At 20,28-38; Sl 67[68]; Jo 17,11-19) 7ª Semana da Páscoa.

“Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um”

Jo 17,11.

“O paradoxo da condição dos crentes consiste no fato de que, permanecendo no mundo, se encontram a viver num contexto no qual as tensões são inevitáveis. Aconteceu assim também com Jesus. Quando estava com os discípulos, guardava-os (v. 12); agora pede ao Pai na oração que os guarde por sua vez (vv. 11-15). Como o Pai ‘enviou’ o seu Filho, assim Jesus ‘envia’ os Seus discípulos, e como o Filho ‘Se consagra a Si mesmo’ pelos discípulos, assim pede ao Pai que ‘também eles sejam consagrados na verdade’ (cf. vv. 17-19) [Compreender a Palavra:] Jesus pede ao Pai pelos Seus discípulos, presentes e futuros. Com uma atenção precisa: o evangelista João não sublinha a distinção entre os primeiros e os segundos, está deveras interessado em recordar a estreita ligação que existe entre os dois grupos. O primeiro grupo (formado pelos discípulos que viveram com Jesus) é o modelo do segundo (os discípulos que hão de vir) e o segundo deriva do primeiro (mediante o anúncio da Palavra). A perspectiva é clara: é um convite à comunidade para que se encontre e viva na linha do primeiro grupo de Apóstolos. Um tema, depois, diz respeito tanto aos primeiros como aos segundos: a oposição do mundo e ao mundo. É uma oposição que deve ser vista corretamente: como Jesus, também os discípulos estão separados do mundo (têm uma origem diversa) e, embora rejeitados, permanecem no mundo e são enviados ao mundo. É mesmo esta lógica de ‘serem para’ que faz dos discípulos uma realidade estranha ao mundo, ou seja, estranha à lógica da posse, da autoconservação. Toda a existência de Cristo esteve na linha da doação, da entrega, não centrada em Si mesmo mas no Pai e aberta a todos. É a vida a que são chamados os discípulos com a certeza de que Cristo, com Seu estilo de vida, venceu o mundo” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma - Páscoa] – Paulus).    

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 19 de maio de 2026

(At 20,17-27; Sl 67[68]; Jo 17,1-11) 7ª Semana da Páscoa.

“Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro,

e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo” Jo 17,3.

“A grande oração de oblação e a intercessão do Salvador na hora do seu sacrifício: é a oração-testamento de Jesus. É esta a oração do Jesus pós-Pascal que demonstra a atitude do Senhor para com os seus que aqui ficaram e que aceitaram a mensagem que ele veio trazer. Nesta oração, Jesus pede ao Pai que seus discípulos cheguem à vida eterna e esclarece que a vida eterna consiste em conhecer o Pai; mas entendendo o verbo ‘conhecer’ em sentido bíblico. Na Bíblia, o conhecimento não procede de uma atitude puramente intelectual, mas de uma experiência, uma vivência, uma presença de Deus no mais recôndito da alma, que acaba necessariamente no amor. Esse conhecimento, esse amor que constitui a felicidade da vida eterna, o amor ao Pai e a seu enviado Jesus Cristo, e isto é o que Jesus pede ao Pai para os seus. Amar a Deus Pai e amar a seu Filho único, Jesus Cristo, amá-los com a sinceridade de um coração, que se entrega plenamente, sem guardar nada para si; amar a Deus, como diz Jesus no evangelho: ‘de todo coração, de toda alma e de todo teu espírito’ (Mateus 22,37)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 18 de maio de 2026

(At 19,1-8; Sl 67[68]; Jo 16,29-33) 7ª Semana da Páscoa.

“Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações.

Mas tende coragem! Eu venci o mundo!” Jo 16,33.

“O mundo, entendido como força de oposição a Jesus e empecilho para a realização de sua obra, está em contínuo conflito com o Filho de Deus. Em todo o seu ministério houve uma luta ininterrupta com o mundo. Desde o início, este procurou desconhecer a Palavra revelada por Jesus. Também cultivou um terrível ódio contra ele, porque desmascarava a malícia de suas obras. O mundo maquinou a morte de Jesus, arregimentando todos os inimigos e tentando convencê-los de que o Mestre era blasfemo e inimigo da nação. Ademais, o mundo assumiu a postura ridícula de reconhecer o imperador romano como rei, porque isto lhe convinha para confirmar a sentença capital contra o enviado de Deus. O mundo encarna o poder das trevas, da morte, da mentira e do pecado. Por isso, não podia chegar a um acordo com quem era luz e tinha por missão gerar vida e verdade e, assim, fazer a graça divina jorrar sobre toda humanidade. Mas, a cegueira apossou-se do mundo, impedindo-o de chegar à verdade. Sua autossuficiência fê-lo desprezar a oferta divina de salvação, proclamada pelo Filho de Deus. Jesus tem consciência de ter vencido o mundo, embora tivesse de passar pela morte de cruz. Sua vitória resultou da ação conjunta com o Pai. Afinal, ao se levantar contra Jesus, o mundo se insurgia contra o próprio Deus. Seria ingenuidade ter a pretensão de vencê-los! – Pai, fica comigo, assim como estiveste com Jesus, e sê protetor quando se levantarem contra mim as forças hostis a teu Reino. E que eu seja capaz de vencê-las! (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Ascenção do Senhor – Ano A

(At 1,1-11; Sl 46[47]; Ef 1,17-23; Mt 28,16-20)*

1. Iniciamos a nossa reflexão nesta festa com essa fala do anjo na 1ª leitura, dirigida aos discípulos: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.

2. O que entendemos por céu? Quase todos os povos identificam o céu como a morada da divindade. Também a Bíblia usa essa linguagem espacial. Diferentemente de Deus que está “nos céus”, o ser humano está sobre a terra e depois da morte, sob a terra, no reino dos mortos.

3. Com Jesus que ressurge dos mortos e sobe ao céu, essa rígida separação é rompida. Com ele, o 1º ser humano sobe ao céu e com ele nos é dada uma esperança e uma garantia a toda a humidade de subir ao céu.

4. Com a era científica, todos estes significados religiosos atribuídos a palavra céu entraram em crise. O céu é o espaço onde se movem os planetas e o inteiro sistema solar, e nada mais. Há uma antiga piada atribuída a um astronauta soviético, que no retorno de sua viagem do cosmo diz: “Rodei ao longo do espaço e em nenhum lugar encontrei Deus!”.

5. Quando rezamos o “Pai-Nosso” ou mesmo quando a Bíblia usa a palavra céu, trata-se de um adaptara-se ao linguajar popular, mas ao mesmo tempo sabemos que Deus está no céu, na terra, em todos os lugares. Ele que tudo criou, não está “preso” a nenhum desses espaços.

6. Mesmo usando a expressão de que os Santos habitam com Deus no céu, não se trata de um lugar, mas muito mais de um estado. Deus está fora do espaço e do tempo. Quando falamos dele, não faz sentido dizer sobre ou sob, em cima ou em baixo. Isso não significa dizer que Deus não existe, que o paraíso não existe; o que se constata é que nos faltam categorias para poder representa-lo.

7. Assim como não podemos pedir a alguém que nasceu cego que nos descreva que coisa são as cores: o vermelho, o verde, o azul... ele não teria a capacidade explicar nem nós de fazê-lo compreender, porque as cores se percebem com os olhos. Assim somos nós querendo descrever a eternidade que é fora do tempo e do espaço.

8. O que significa, então afirmar que Jesus “subiu aos céus e está sentado à direta do Pai”? Significa afirmar e crer que, também como homem, ele entrou no mundo de Deus; que foi constituído, como diz Paulo na 2ª leitura, Senhor e cabeça de todas as coisas.

9. As palavras do anjo aos apóstolos escondem uma certa reprovação: não é necessário ficar olhando o céu, como tentando descobrir onde Cristo estará, mas viver na espera do seu retorno, prosseguir sua missão, levar o Evangelho aos confins da terra, melhorar a vida aqui em baixo.

10. Ele sobe aos céus, mas sem deixar a terra. Apenas desaparece do nosso campo de visão. Como Ele mesmo nos assegura: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

11. O céu, entendido como lugar de repouso, do prêmio eterno aos que fazem o bem, ganha forma no momento em que Cristo ressurge e sobe aos céus, não a um céu pré-existente que o esperava, mas vai formar e inaugurar o céu para nós, como nos disse dois domingos atrás (cf. Jo 14,2-3).

12. Que faremos no céu? Não será uma experiência monótona? Estar bem e com ótima saúde seria algo monótono? Estar ao lado de quem se ama seria algo monótono? Quando se experimenta um momento de intensa e pura alegria, não nasce em nós o desejo de que esse momento nunca se acabe?

13. Aqui, essas experiências não duram para sempre, porque não há nada que possa satisfazer indefinidamente. Com Deus é diferente. A nossa mente encontrará nele a Verdade e a Beleza que jamais deixaremos de contemplar e o nosso coração o Bem que não nos cansaremos de desfrutar. Eis o céu que desejo para mim e para vocês.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 16 de maio de 2026

(At 18,23-28; Sl 46[47]; Jo 16,23-28)

“Em verdade, em verdade vos digo, se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome ele vo-la dará” Jo 16,23.

“Jesus queixa-se de nossa oração; não sabemos orar; quase não oramos senão quando temos alguma necessidade; pelo contrário, quando tudo corre bem, pensamos que não necessitamos de Deus. E quando alguma coisa vai bem, nem sequer nos ocorre agradecer; como também não nos ocorre a oração de louvor e a oração de disponibilidade ao plano que Deus tenha traçado sobre nós. Com efeito, existem várias espécies de oração: a de petição, pela qual pedimos o que necessitamos; a de purificação, pela qual pedimos o perdão de nossos pecados; a de oferecimento ou oblação, pela qual pedimos ao Senhor que se cumpra em nós sua divina vontade. Esta última é a mais perfeita: colocar-se à disposição de Deus, para que em nós se cumpra sua vontade e Deus possa utilizar-se de nós segundo seus planos, que sempre são a salvação dos homens e a nossa própria santificação” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Sexta, 15 de maio de 2026

(At 18,9-18; Sl 46[47]; Jo 16,20-23) 6ª Semana da Páscoa.

“Também vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará,

e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria” Jo 16,22.

“Depois das palavras enigmáticas de Jesus que ouvimos na liturgia de ontem (cf. Jo 16,16-20), encontramos hoje uma parábola que quer ajudar o crente a compreender o sentido da História que está a viver. Notemos que, nestas poucas linhas, sofrimento e alegria estão juntos, mundo e discípulos são colocados em confronto, o mundo alegra-se e os discípulos entristecem-se. Através da imagem da mulher que dá à luz, Jesus diz-nos que o sofrimento é vencido pela alegria de ter dado um homem ao mundo. [Compreender a Palavra:] Os profetas utilizaram muitas vezes a imagem das dores e das tribulações do parto para acentuar os momentos difíceis vividos pelo povo de Deus (cf. Is 26,17; Jr 4,31; Os 13,13). A esta mesma imagem recorreram para descrever a derrota das nações quando Deus interveio para salvar o seu Povo (cf. Sl 47,7; Is 13,8). São, pois, imagens que recordam o modo como Deus age na História e se relacionam amiúde com o tema do juízo. O Novo Testamento apresenta a mulher do Apocalipse (v. 12), imagem do Povo de Deus, que dá à luz na dor o Menino-Messias: a Criação inteira, segundo Paulo, vive as dores do parto (cf. Rm 8,27). As palavras de Jesus estão radicadas neste vasto mundo de imagens; a acentuação recai, porém, não no sofrimento, mas na alegria da mulher: alegria que faz esquecer as dores do parto, porque nasceu um homem. Também esta mulher, como a mulher do Apocalipse, é imagem do Povo de Deus. Se os cristãos se fixam no sofrimento, sobrestimam um aspecto; se olham apenas para o menino nascido, esquecem o tempo da gestação e do parto, ou seja, do caminho que serve para chegar ao cumprimento. O sofrimento e as dificuldades lidas na justa perspectiva não deixam de ser tais, mas podem assumir um significado salvífico” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma - Páscoa] – Paulus).     

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 14 de maio de 2026

(At 1,15-17.20-26; Sl 112[113]; Jo 15,9-17) São Matias, apóstolo.

“E eu vos disse isso para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena” Jo 15,11.

 “As revelações de Jesus, por ocasião de sua partida para o Pai, visavam despertar alegria no coração dos discípulos e leva-los a enfrentar, de maneira conveniente, os desafios da missão. Seria deplorável deixarem-se abater pela tristeza e pelo pessimismo! A alegria cristã não se reduz a um sentimento superficial e inconsistente. Ela é de origem divina e brota do fundo do coração, pela força do Espírito Santo. É o Pai quem produz a verdadeira alegria do coração do discípulo, que se reconhece amado e chamado a viver em comunhão com ele e com seu Filho Jesus. O discípulo é capaz de alegrar-se mesmo em meio aos sofrimentos e contrariedades. A experiência do Mestre serve-lhe de inspiração. Quando falou em ‘a minha alegria’, Jesus tinha consciência do que isto significava, no contexto de sua vida partilhada de perseguições, por parte dos adversários. Perseguições que culminariam com sua morte de cruz, mas precedida da infidelidade dos discípulos, que o traíram, negaram-no e o abandonaram. Contudo, nada disto foi suficiente para tirar-lhe a alegria de viver. A plenitude da alegria dos discípulos resultaria da disposição a permanecer no amor de Jesus, sendo fiel aos seus mandamentos, como ele fora fiel ao querer do Pai, mesmo tendo de morrer numa cruz. – Pai, completa a alegria que o Espírito Santo faz brotar em mim, pois estou disposto a permanecer unido a ti e a teu Filho, e a ser fiel aos teus mandamentos, apesar das adversidades (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 13 de maio de 2026

(At 17,15.22—18,1; Sl 148; Jo 16,12-15) 6ª Semana da Páscoa.

“Quando, porém, vier o Espírito da verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido;

e até as coisas futuras vos anunciará” Jo 16,13.

“A novidade do Evangelho está precisamente no Deus de Jesus Cristo, um Deus que se interessa pela história humana e lhe oferece gratuitamente uma perspectiva de salvação através da história de um homem morto e ressuscitado. Os fiéis que aceitam ler a sua história à luz da história de Jesus verificam que em todos os tempos houve homens que optaram pela verdade, pela vida, por Cristo. Todos os que aceitam colocar-se nesta perspectiva cabem no âmbito da oração de Jesus: ‘Consagra-os na verdade. Por eles Eu me consagro a Mim mesmo, para que também sejam consagrados na verdade’ (Jo 17,17.19). Esta oração de Jesus segue-se imediatamente a outra: ‘Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno’ (17,15). O chamamento de Jesus separa os discípulos do mundo, mas – embora não sejam do mundo – não os tira do mundo; assim, mediante a palavra deles, também ao mundo chega a proposta do Evangelho. O Espírito da verdade santifica os discípulos, livra-os do fascínio da lógica mundana e, ao mesmo tempo, torna-os missionários. A consagração da verdade, a libertação e a proteção contra o Maligno não são realidades adquiridas de uma vez para sempre, mas requerem uma fidelidade constante” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma - Páscoa] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 12 de maio de 2026

(At 16,22-34; Sl 137[138]; Jo 16,5-11) 6ª Semana da Páscoa.

“E quando vier, ele demonstrará ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento” Jo 6,8.

“O Evangelho sublinha a total oposição existente entre o Espírito Santo e o mundo, entendido como as forças contrárias a Jesus e ao Reino anunciado por ele. Não existe acordo entre ambos. Antes, uma luta sem tréguas. O Espírito Santo desmascarará a atitude insensata de quem rejeita Jesus, numa atitude de aberta incredulidade. Considerando as chances oferecidas, trata-se da culpa injustificável. Tinha tudo para acolher Jesus, na fé, mas acabou por se tornar seu inimigo. Em segundo lugar, no tocante à justiça. Trata-se da veracidade do testemunho de Jesus, Filho de Deus. Nesta condição, coloca-se como juiz do mundo. Recusando-se a aceitar Jesus, o mundo torna-se culpado e merecedor de castigo. Em terceiro lugar, no tocante ao juízo. Quando o mundo pensava ter julgado Jesus, ele é quem estava se colocando sob o peso do julgamento. Na cruz, o Filho foi exaltado pelo Pai, de modo a poder triunfar sobre seus adversários e submetê-los ao juízo divino. Na medida em que o Espírito Santo revelar o verdadeiro significado da morte de Jesus, o mundo estará incorrendo em juízo. É desta forma que o mundo é vencido pelo Espírito de Jesus. – Pai, concede-me o Espírito que me dá forças para enfrentar e vencer o mundo, e manter-me fiel a teu Filho Jesus” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 11 de maio de 2026

(At 16,11-15; Sl 149; Jo 16,5-11) 6ª Semana da Páscoa.

“Uma delas chamava-se Lídia; era comerciante de púrpura, da cidade de Tiatira. Lídia acreditava em Deus e escutava com atenção. O Senhor abriu o seu coração para que aceitasse as palavras de Paulo!” At 16,14.

“A narração traça, sem comentários, o itinerário que conduz o grupo missionário de Tróade para Filipos (vv. 11-12). Aqui Paulo e os outros, segundo uma modalidade pastoral típica do Livro dos Atos dos Apóstolos, procuram antes de mais o contato com os judeus. Mas a comunidade é muito pequena e não existe sequer uma sinagoga. Ei-los então que vão aos lugares onde as pessoas se reúnem para rezar, tomam a palavra e dirigem-se às mulheres. Entre estas encontramos Lídia, à qual o Senhor abre o coração para acolher as palavras dos missionários e a conversão. [Compreender a Palavra:] A narração parece orientar o leitor para figura de Lídia e para o seu Batismo: ela é a primeira convertida, as primícias do mundo greco-macedônio. Os missionários, segundo o exemplo de Jesus (cf. Lc 10,38ss; Jo 4,7ss), ultrapassam os preconceitos rabínicos, dirigem em público a palavra às mulheres. Eles levam o anúncio, mas é o Senhor que abre o coração de Lídia para que possa aderir à mensagem de Paulo. A adesão leva à fé: a mulher é batizada e, como se verificara na conversão do centurião Cornélio (cf. At 10,4ss), também ‘a sua família’ acolhe a proposta cristã. Lídia convida com tal insistência os missionários a hospedarem-se em sua casa, que eles não puderam recusar (‘Obrigou-nos a aceitar’: v. 15). Paulo e Silas serão de novo aceites na sua habitação depois da prisão (At 16,40). Assim, com uma narração rápida e esquemática, Lucas indica ao leitor as grandes etapas da formação de uma comunidade cristã que tem como ponto de referência uma simples mulher cristã de Filipos: fé, batismo ‘doméstico’, acolhimento” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma - Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

6º Domingo da Páscoa – Ano A

(At 8,5-8.14-17; Sl 65[66]; 1Pd 3,15-18; Jo 14,15-21) *

1. Aproximando-nos da festa de Pentecostes, a liturgia começa a preparar-nos para essa celebração. Na 1ª leitura temos a menção ao gesto de confirmação do batismo a partir do dom do Espírito, conforme celebramos em tempos atuais o sacramento do Crisma.

2. Jesus, no Evangelho, fala dessa vinda do Espírito Santo sobre os discípulos, aqui chamado de Defensor, em nossa tradução do grego Paráclito, que seria também Consolador, ou as duas coisas juntas. Aplicados ao Espírito Santo, tais títulos expressam algo já presente na Bíblia.

3. No Antigo Testamento, Deus é o grande consolador do seu povo, afirma Isaías (51,12), que consola seu povo como uma mãe. Paulo utiliza a expressão “Deus de toda a consolação” (Rm 15,4), que em Cristo se encarnou, e é o primeiro consolador ou Paráclito.

4. É Ele que no Evangelho nos convida: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados, eu vos darei descanso” (Mt 11,28). Assim, o Espirito Santo, nesse e em outros aspectos, continua a obra de Cristo e leva à realização as obras comuns da Trindade. Ele não poderia ter outro nome que, Consolador.

5. Por que o Evangelista insiste nessa denominação Consolador/Defensor? Isso tem a ver com a própria experiência da Igreja primitiva, em meio as dificuldades externas e internas, perseguições, processos, e com a vida de cada dia. Ela a experimenta como advogado e defensor divino contra os acusadores humanos.

6. Passada essa fase mais tenebrosa, o acento recai sobre o significado predominante de consolador nas tribulações e angústias da vida. Uma consolação diferente daquela humana. São Boaventura dirá que ela é verdadeira, perfeita e proporcional.

7. Dessa contemplação da realidade consoladora do Espírito Santo podemos recolher algumas consequências práticas. Paulo nos diz que o Paráclito, “o amor de Deus, derramado em nossos corações” (cf. Rm 5,5) não se limita a dar-nos um pouco de consolação, mas nos ensina a arte de consolar: 2Cor 1,2-4.

8. Nesse texto o termo Paráclito retorna por cinco vezes, ora como verbo, ora como substantivo. E traz o essencial para uma teologia da consolação. Se a consolação verdadeira vem de Deus sobre quem está aflito, ela não para no indivíduo que a recebeu, seu objetivo último é que uma vez experimentando essa consolação, saibamos consolar a outros.

9. Consolar como? Com a consolação que recebemos de Deus, não contentando-se em repetir palavras estéreis, mas em clima de oração, com fé na presença do Espírito, uma simples palavra ou um gesto, são capazes de operar milagres. Como quem acompanha um enfermo, sem dizer muito, sendo apenas presença. É Deus quem está consolando através de nós.

10. Em certo sentido, o Espírito Santo necessita de nós para ser Paráclito. Ele quer consolar, defender, exortar; nossas mãos, nossos olhos, nossa boca dão corpo e expressão a essa consolação. Como se a nossa alma desejasse dar um sorriso ou fazer uma carícia a alguém, mas não pode fazer por si mesma, é preciso que os lábios, as mãos, traduzam o desejo.

11. Quando Paulo exorta os tessalonicenses a “consolarem-se uns aos outros” (1Ts 5,11), e como se dissesse: “façam-se paráclitos” uns dos outros. Por isso rezava e lembrava São Francisco de Assis: “Que eu não procure tanto ser consolado, mas consolar; de ser compreendido, mas de compreender, de ser amado, mas de amar...”.

12. Muitos fazem em sua vida essa “ação” de ser Paráclito, inclinando-se sobre doentes terminais, aliviando a solidão dos anciãos, dedicando-se às crianças vítimas de abusos de todo tipo, dentro e fora de casa. Paráclitos são também os que buscam os direitos de minorias ameaçadas ou que se fazem voz de quem não tem voz.

13. Paráclitos devem ser os sacerdotes e religiosos para o povo de Deus, sobretudo do que nos vem da palavra de Deus, da esperança, do perdão sacramental. Paráclitos são ou foram muitas mães, de um modo particular. As mãos da providência chegaram até nós por elas, em consolação, defesa, cuidado. Nosso agradecimento a Deus por elas e que nos venha de novo e sempre Seu Espírito: “Vem Espírito, vem Espírito...”.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 09 de maio de 2026

(At 16,1-10; Sl 99[100]; Jo 15,18-21) 5ª Semana da Páscoa.

“Se fosseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas, porque não sois do mundo,

porque eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia” Jo 15,19.

“O evangelho refere-se ao ‘mundo’ como se fosse uma pessoa. Neste sentido, pode-se falar em ódio e perseguição, bem como amor por parte do mundo. Ou então, que os discípulos foram escolhidos do meio do mundo. Pode ainda referir-se à possibilidade de o mundo guardar a palavra de Jesus e as dos discípulos. O vocábulo ‘mundo’, neste caso, engloba o conjunto das pessoas incrédulas que foram incapazes de reconhecer Jesus como Filho de Deus, enviado pelo Pai com a missão de salvar a humanidade. Mas estas pessoas odiaram-no ferozmente, a ponto de decidirem eliminá-lo sem piedade. Optaram pelas trevas e rejeitaram a luz oferecida por Deus, persistindo no pecado, mesmo diante da abundância das graças divinas. Os discípulos foram arrancados deste mundo. Por causa do nome de Jesus, caminham na contramão do mundo. Esse confronto resulta sempre em ódio e perseguição. O destino do servo não difere daquele do seu Senhor. É por isso que os discípulos deverão contar com toda sorte de adversidade, sem excluir a possibilidade de morrer, como aconteceu com seu Mestre. A palavra ‘mundo’, na linguagem figurada, tem referências bem concretos. No tempo de Jesus, podia significar certas alas do farisaísmo e outros grupos de judeus. Contudo, em cada época e em cada circunstâncias, é preciso reconhecer com que roupagem o ‘mundo’ se apresenta. – Pai, faze-me forte para enfrentar o ódio e a perseguição do mundo, sem abrir mão de minha fidelidade a ti e a teu Reino, a exemplo de Jesus (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 08 de maio de 2026

(At 15,22-31; Sl56[57]; Jo 15,12-17) 5ª Semana da Páscoa.

“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” Jo 15,12.

“Jesus volta para o Pai, mas o mundo necessita de um sinal, de uma prova visível dessa permanência do Filho no Pai. A prova é o amor que os discípulos de Jesus terão entre si; essa será a prova alegre que Jesus ainda vive nos seus discípulos, como vive no Pai pelo amor. Toda a vontade de Jesus resume-se numa única palavra: amar. Somente assim se cumpre a vontade de Deus e a própria vontade do Filho, que outra não é senão a vontade do Pai. Amar é doar-se, saber o que você pode fazer por Cristo que vive em seu próximo, imolar-se por seu próximo, como Cristo imolou-se por você. Por isso Jesus pede que amemos os outros, não como nos pareça, ou nos convenha, mas ‘como eu vos amo’ (v. 12). Amar os outros, como Cristo os ama! Ele deu a vida e deu-se a si mesmo; ele ama o próximo em mim e a partir de mim. Amar como ele é não deixar-se levar pelo egoísmo, mas amar com sacrifício; aquele que ama assim ama como Cristo e identifica-se com ele e nisto se conhece se alguém tem vida espiritual forte, se alguém é cristão de verdade” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 07 de maio de 2026

(At 15,7-21; Sl 95[96]; Jo 15,9-11) 5ª Semana da Páscoa.     

“Eu vos disse isso para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena” Jo 15,11.

“Jesus tinha falado aos seus discípulos de sua ida para o Pai e isto os havia entristecido, e como Jesus não queria vê-los tristes, fala-lhes agora, exortando-os ao gáudio cristão, porque em sua Ascensão ao Pai é que precisamente deve-se fundamentar esse júbilo, uma vez que Jesus vai ao Pai, para esperar ali por todos os discípulos e unir-se a eles, não de modo provisório, mas sim de maneira definitiva. A Escritura tem razão em exortar-nos: ‘Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus’ (Mateus 5,12). ‘Alegrai-vos de que os vossos nomes estejam escritos nos céus’ (Lucas 10,20). Nada nem ninguém pode arrebatar ao cristão a causa da alegria de sua vida, pois sua alegria não se fundamenta em nada temporal ou terreno, em benefícios sociais ou econômicos, mas na segurança de que seu nome esteja escrito no Reino de Deus; e isso ninguém lhe pode arrebatar” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 06 de maio de 2026

(At 15,1-6; Sl 121[122]; Jo 15,1-8) 5ª Semana da Páscoa.

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto, ele o corta;

e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda” Jo 15,1-2.

“Tão diferente que somos, com frutos mais distintos, mas todos unidos à única fonte do bem e da graça: o próprio Deus. E Ele age em nossa vida. Mas por que tanto nos apegamos à beleza das folhagens e desprezamos a importância do fruto? Quanto esforço e tempo desperdiçamos em projetos vazios que nada geram ao bem comum, exceto ilusões de grandeza e falsas realizações! Talvez ainda tenhamos um projeto meio infantil, sonhando com uma vida sem dificuldades e sem sofrimento, esperando tudo magicamente pronto... Pomos nossa fé na ciência e na técnica como se elas existissem por si, confiamos no capital e no mercado como se eles, como mágica, conduzissem a um progresso mais humano e fraterno, independentemente dos valores que devem acompanha-los. O processo humano de evolução, seja social, psicológico, ou religioso, passa por muitas rupturas e superações. E precisa ser assim. Se alguém ajudar uma borboleta a romper o casulo ao fim de sua metamorfose, ela não terá forças para voar, e suas asas atrofiarão. Esse esforço, essa dificuldade e essa dor fazem parte do que a borboleta é de verdade, uma vencedora. O galho que dá fruto precisa ser podado para frutificar mais. A pedagogia de Deus quer nos fazer vencedores também. Não autossuficientes, mas capazes, adultos. Talvez uma dessas maiores rupturas que devemos fazer seja com relação aos projetos que não nos aproximam daquilo que realmente tem valor em nossa vida. Mais que romper o casulo para uma nova vida, mais plena e livre, romper com sonhos egocêntricos e com a segurança de nossa acomodação é muito doloroso, pois gera insegurança. – Ensina-nos, Pai, a enfrentar a vida com coragem e disposição, assumindo nossa responsabilidade de cuidado e proteção da tua obra. Não permitas jamais que nos afastemos de ti, ou que nos achemos autossuficientes. Amém! (Clauzemir Makximovitz – Meditações para o dia a dia [2015] Vozes).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 05 de maio de 2026

(At 14,19-28; Sl 144[145]; Jo 14,27-31) 5ª Semana da Páscoa.

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo.

Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” Jo 14,27.

“Jesus é, por natureza, comunicador de paz. Sem dúvida, não estamos às voltas com uma espécie de paz intimista e sentimental. A paz de Jesus é muito mais do que isto! A paz é um dom de Jesus para seus discípulos, em vista do testemunho que são chamados a dar. Ela visa a ação. Por isso, não pode reduzir-se ao nível do sentimento. A paz de Jesus tem como efeito banir do coração dos discípulos todo e qualquer resquício de perturbação ou de temor que leva ao imobilismo. Possuindo o dom da paz, eles deveriam manter-se imperturbáveis, sem se deixar intimidar diante das dificuldades. Assim pensada, a paz de Jesus consiste numa força divina que não deixa que os discípulos rompam a comunhão com o Mestre. É Jesus mesmo, presente na vida dos discípulos, sustentando-lhes a caminhada, sempre disposto a seguir adiante com alegria, rumo à casa do Pai, apesar das adversidades que deverão enfrentar. A paz do mundo é bem outra coisa. Encontra-se na fuga e na alienação dos problemas da vida. Leva o discípulo a cruzar os braços, numa confiança ingênua em Deus do qual tudo espera, sem exigir colaboração. É uma paz que conduz à morte! O discípulo sensato rejeita a paz oferecida pelo mundo para acolher aquela que Jesus oferece. De posse dela, estará preparado para enfrentar todos os contratempos da vida, sem se deixar abater. – Pai, confirma em mim o dom da paz, recebida de teu Filho Jesus, de forma que, revestido desta fortaleza, eu possa caminhar, sem medo ao teu encontro (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 04 de maio de 2026

 

(At 14,5-18; Sl 113B[115]; Jo 14,21-26) 5ª Semana da Páscoa.

“Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo

e vos recordará tudo o que vos tenho dito” Jo 14,26.

“O relacionamento com Jesus é fonte de amor entre nós. Para que possamos continuar nossa relação pessoal com Jesus, este nos envia o seu Espírito, o Paráclito. Só João chama o Espírito Santo de ‘parakletos’, que é o intercessor, o advogado no tribunal, o auxiliador e mediador, o defensor e conselheiro. Ele é o Espírito da verdade que nos abre os olhos para a presença do Senhor e para Deus, o Pai, que se nos manifesta em Jesus. O Espírito levanta o véu que cobre todas as realidades, permitindo que vejamos as coisas como elas são de fato. Ele nos apoia em nosso caminho do despertar e da conscientização progressiva. Pela assistência do Espírito Santo, Jesus continua conosco. O Espírito torna Jesus presente para nós. Nele, Jesus está conosco e em nós. O maior mistério do Espírito Santo é que Jesus habita em nós. O nosso amor a Jesus só se torna possível por meio do auxiliador. Porque, no Espírito Santo, o amor de Jesus está em nós e no amor dele está o Pai, a fonte de todo amor: ‘Se alguém me ama, observará a minha palavra, e meu Pai o amará; nós viremos a ele e estabeleceremos a nossa morada’ (14,23)” (Anselm Grun – Jesus, porta para a vida – Vozes)

Pe. João Bosco Vieira Leite

5º Domingo da Páscoa – Ano A

(At 6,1-7; Sl 32[33]; 1Pd 2,4-9; Jo 14,1-12) *

1. No Evangelho deste 5º domingo do tempo pascal encontramos uma das afirmações mais fortes e absolutas de todo o Novo Testamento. É a resposta que Jesus a dá a Tomé sobre o como chegar ao Pai: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.

2. Jesus se proclama a meta última de nossa existência e o caminho para atingi-la. Poderíamos desenvolver, sobre essa afirmação, infinitas considerações. Mas dando um pouco de continuidade ao que refletimos no domingo anterior, o que pensar das outras religiões, à luz dessa palavra de Jesus?

3. Poderíamos colocar três perguntas: O que pensa o cristianismo de si mesmo? O que pensa sobre as outras grandes religiões? É possível um diálogo e uma colaboração entre os cristãos e os pertencentes às outras religiões?

4. Antes de tudo, o que o cristianismo pensa de si mesmo. A diferença do judaísmo, de onde nasceu, o cristianismo se proclamou desde o início como religião universal, isto é, não ligada a um povo, uma raça, mas destinada a todas as pessoas, como o próprio Jesus determinou ao enviar seus discípulos por todo o mundo.

5. Não só uma religião aberta a todos, onde todos podem entrar, mas uma religião, que segundo a revelação cristã, todos devem entrar (no sentido de que são chamados), pois está escrito que fora de Jesus, nenhum outro nome pode nos salvar (At 4,12). Ele é apresentado nas Escrituras como “o mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2,5).

6. Tal afirmação se baseia sobre o fato que Jesus é Deus, não um simples enviado ou profeta. Isto faz parte do núcleo essencial da fé cristã. Jesus reivindicou para si esta universalidade de modo absoluto, e ressuscitado dos mortos por Deus Pai, é confirmado nessa sua reinvindicação. Isso é algo que se confirma não de modo teórico, mas de uma certeza que está  dentro de nós; quem conhece a Jesus e entende que ele é verdadeiramente o caminho, a verdade e a vida.

7. Segundo passo: que pensar das outras religiões? O pensamento cristão passou por uma evolução, favorecida pela conquista moderna da tolerância e da liberdade religiosa. O Vaticano II tem um documento próprio (Nostra aetate) onde aprecia cada uma das grandes religiões a partir de sua maior ou menor relação com o cristianismo, naquilo que têm de positivo e sempre com grande respeito.

8. Certamente já ouvimos a afirmação de que “fora da Igreja não há salvação” e que só os que eram batizados podiam salvar-se. Já não somos tão assim categóricos. Reafirmamos tudo sobre Jesus como via ordinária da salvação, mas também somos convictos de que Cristo age também fora dos canais ordinários que são o batismo e a adesão a Igreja.  

9. Aqueles que, sem conhecer o Evangelho, vivem de acordo com os ditames da sua consciência e segundo os princípios da própria religião e ajudam o próximo, podem estar unidos a Cristo mais que tantos batizados que não vivem de fato as exigências do próprio batismo. Deus pode servir-se dessas “sementes da verdade” que se encontram em outras religiões para conduzi-los à salvação. Deus, que quer que todos os seres humanos sejam salvos, encontrará os seus meios...

10. Por fim, é possível o diálogo? Não se trata de cair na falácia de que todas as religiões são igualmente boas e verdadeiras, numa espécie de relativismo religioso que destrói a raiz de toda religião, mas reconhecer a cada uma o direito de ter como verdadeira e definitiva a própria religião.    

11. Há um vasto campo onde as religiões podem contribuir positivamente para o bem da humanidade. Antes de tudo, manter vivo o senso de Deus, da oração e do mistério, num mundo que tende a afundar-se sempre mais no materialismo num sério risco de asfixia espiritual; para resolver questões étnicas, trabalharem juntos pela paz, para salvaguardar a criação, e por uma justa distribuição das riquezas do mundo.

12. Quando se fala das várias religiões, é necessário insistir mais sobre o que une do que o que divide. São João Paulo II abriu um caminho significativo de diálogo entre as religiões em seu pontificado. Criar um espaço para conhecer melhor o outro. O confronto e o diálogo com membros de outras religiões podem ajudar a entender melhor as implicações da nossa própria fé, tanto quanto nossas incoerências.

13. Gandhi, com a sua vida e o ideal da não-violência, ensinou muitas coisas a nós cristãos, pois captou e valorizou um dos pontos mais importantes do Evangelho. Ele dizia que Jesus Cristo o fascinava, mas que os cristãos lhe davam medo. O confronto com outras religiões nos leva, por fim, a sermos mais humildes, não mais arrogantes. E podemos bendizer ao Senhor por viver num tempo onde tal confronto não só é possível, mas é necessário.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 02 de maio de 2026

(At 13,44-52; Sl 97[98]; Jo 14,7-14) 4ª Semana da Páscoa.

“Disse Filipe: ‘Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!’” Jo 14,8.

“O diálogo com os discípulos torna-se mormente delicado quando Filipe, falando em nome dos demais, pede a Jesus: ‘Senhor, mostra-nos o Pai, e isto nos basta!’ Pedido ousado, se considerarmos que a piedade bíblica excluía qualquer possibilidade de alguém ver Deus e permanecer vivo. Por isso, todos os relatos de manifestação de Deus – teofania – revelam que a pessoa que contempla a glória divina fica tomado de pavor, diante da possibilidade de morrer. Como, então, os discípulos de Jesus ousavam querer ver o Pai? O Mestre procura leva-los a pensar a questão de maneira correta, numa perspectiva nova. Os discípulos esperavam uma teofania, no melhor estilo das teofanias do Antigo Testamento. Jesus, porém, intervém com algo muito mais simples. Coloca-se a si próprio como mediação da visão do Pai: ‘Quem me viu, viu o Pai! Você não acredita que estou no Pai e que o Pai está em mim?’. A visão do Pai era a coisa mais desejada pelos discípulos. Bastaria dar um salto de qualidade para descobrir, na pessoa de Jesus, o rosto do Pai. E, para isso, era mister nutrir por Jesus fé idêntica à dedicada ao Pai. Sem uma fé verdadeira eles estriam privados da visão do Pai, ou continuariam a querer vê-lo, mas de maneira totalmente incorreta. A única forma de ver Deus Pai consiste contemplá-lo na pessoa de Jesus. – Pai, que eu saiba reconhecer na pessoa de Jesus, expressão consumada do teu amor misericordioso por todos os que desejam estar perto de ti (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 01 de maio de 2026

(At 13,26-33; Sl 02; Jo 14,1-6) 4ª Semana da Páscoa.

“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou prepara um lugar para vós...” Jo 14,2.

Jesus já anunciou a seus apóstolos as diferentes etapas da Paixão e não lhes escondeu que inclusive um deles será instrumento da traição. Porém, a fim de que não se aflijam demasiadamente e se desorientem, afirma-lhes: ‘Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim’ (v. 1). Jamais teremos direito ao desânimo; a herança que nos deixou Jesus é o otimismo e a alegria; assim, nem o desânimo, nem a desconfiança, nem o pessimismo, nem a tristeza devem aninhar-se no seu coração, a ponto de impedir-lhe o trabalho na vida espiritual ou em sua atividade apostólica. Nosso apoio está em Cristo que é Deus; ele é nossa esperança dele receberemos a ajuda de que necessitamos. Não existem horas cinzentas com Cristo; tendo-o por amigo, tudo muda e os horizontes iluminam-se. Os amigos desejam estar sempre juntos e fazerem-se mutuamente felizes. Se Jesus é nosso amigo, também não quer ficar separado de nós por muito tempo; precisando voltar para o Pai, adverte-nos que não se separa de nós por muito tempo, mas que ele nos precede para ‘preparar-nos um lugar’. O pensamento do lugar que nos espera, gozando da companhia de Jesus, tem de dar forças e coragem, para suportar os contratempos da vida e aspirar às alegrias do céu” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 30 de abril de 2026

(At 13,13-25; Sl 88[89]; Jo 13,16-20) 4ª Semana da Páscoa.

“Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um salvador, que é Jesus” At 13,23.

“A partir de agora, no Livro dos Atos dos Apóstolos, Lucas nomeia somente Paulo como protagonista da missão. Quando Barnabé entra em cena, assume sempre um lugar de segundo plano. Na dupla intervenção do Apóstolo na sinagoga de Antioquia da Pisídia (cf. At 13,13-41 e 46-47) encontramos um exemplo típico de sua estratégia missionária e do conteúdo da sua pregação aos judeus nas sinagogas (cf. At 9,20; 13,5). Destes dois discursos a leitura de hoje propõe a parte inicial do primeiro. Paulo dirige-nos não só aos ‘homens de Israel’, mas também a todos os que ‘temem a Deus’ (v. 16). [Compreender a Palavra:] Escutamos hoje a primeira parte do discurso inaugural do ministério de Paulo. Pronunciou-o na sinagoga de Antioquia da Pisídia (na Turquia atual), aonde tinha chegado vindo de Perge. Uma caminhada de cerca de quinhentos quilômetros através das zonas montanhosas do Tauro, enfrentando incômodos vários e perigos. Talvez por essa razão João Marcos não o acompanhou, bem como aos outros, e regressou a Jerusalém. Também Paulo, como Jesus (Lc 4,16-32), começa sua pregação no âmbito da liturgia da sinagoga de sábado. Será um hábito na atividade do Apóstolo o fato de anunciar, onde fosse possível, o anúncio de Jesus Cristo dirigindo-se à comunidade hebraica presente nos vários lugares. Com hábil retórica, Paulo avalia atentamente a sensibilidade dos seus ouvintes e começa com uma síntese da história da Salvação que narra todas as obras realizadas por Deus a favor de Israel, desde as origens até o rei Davi, a cuja descendência está ligada a promessa de um salvador. Esse salvador é Jesus de Nazaré, do qual deu testemunho João Batista, o precursor. O Nazareno é por isso apresentado como o vértice da longa história de Israel, como salvador enviado por Deus para cumprir as suas promessas. A lógica seguida por Paulo, e que culminará no anúncio do ‘Kerygma’ que escutaremos amanhã, é muito simples: aquele que Deus vos prometera como remate da Sua especial relação convosco, aquele que desde sempre esperais é Jesus de Nazaré, do qual vos estou falando. Deus vem ao nosso encontro e permite que O encontremos, não fora da nossa vida, da nossa história, das nossas aspirações e dos nossos desejos, mas precisamente neles e a partir deles. Paulo sabe-o bem e por isso, para anunciar Jesus enquanto Messias de modo a que isso possa ser acolhido, apela à sensibilidade e às expectativas dos seus ouvintes hebreus. É um anúncio inteligente que não é estratégia publicitária, mas capacidade de discernir a ação de Deus na História e de respeitar as pessoas às quais se dirige” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma - Páscoa] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 29 de abril de 2026

(At 12,24—13,5; Sl 66[67]; Jo 12,44-50) 4ª Semana da Páscoa.

“Se alguém ouvir as minhas palavras e não as observar, eu não o julgo, porque não vim para julgar o mundo,

mas para salvá-lo” Jo 12,47.

“Ainda mais uma vez – e já são tantas – Jesus dá testemunho de que ele não fala por si, mas porque ‘o Pai que me enviou, ele mesmo prescreveu o que devo dizer e o que devo ensinar’ (. 49). Daí que ‘aquele que crê em mim, crê não em mim, mas naquele que me enviou, e aquele que me vê, vê aquele que me enviou’ (vv. 44-45). A estreita união de Jesus com o Pai se repete até a exaustão, mas isso nos deve colocar no mais profundo da alma que Jesus sempre corresponde ao Pai, à missão que lhe deu. Assim entendemos as afirmações de Jesus: ‘Aquele que crê em mim, crê não em mim, mas naquele que me enviou’ (v. 44); ‘Aquele que me vê, vê aquele que me enviou’ (v. 45); ‘Eu vim como luz ao mundo; assim, aquele que crê em mim não ficará nas trevas’ (v. 46). O homem rejeita institivamente as trevas e busca desesperadamente a luz; daí segue-se que deve ser verdadeiramente horrível a situação daquele que vive no erro e ao seu derredor não descobre nenhum clarão da luz da verdade. O cristão, ao invés, é filho da luz e nada na luz e com a segurança que a luz lhe dá. A afirmação que Jesus de que é a Luz que veio ao mundo, a fim de que não ande nas trevas, o cristão a aplica a si mesmo. Assim, o cristão não encontra questionamentos que o incomodem ou, se os encontra, tem ao seu alcance a luz, que é a palavra iluminadora de Jesus que se derrama sobre esses questionamentos. Por isso Jesus acrescenta: ‘Se alguém ouve as minhas palavras e não as guarda, eu não o condenarei (...), a palavra que anunciei julgá-lo-á no último dia’ (vv. 47.48). Porém Jesus adverte-nos: ‘não vim para condenar o mundo, mas para salvá-lo’ (v. 47). Já anteriormente o havia dito Nicodemos: ‘Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele’ (João 3,17)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 28 de abril de 2026

(At 11,19-26; Sl 86[87]; Jo 10,22-30) 4ª Semana da Páscoa.

“Os judeus que rodeavam-no e disseram: ‘Até quando nos deixarás em dúvida?

Se tu és o Messias, dize-nos abertamente’” Jo 10,24.

“O modo de proceder de Jesus bem como os seus ensinamentos deixavam desconcertados os seus adversários. Embora realizasse gestos religiosos, suficientes para revelar sua plena comunhão com o Pai, e falasse de maneira até então desconhecida, permanecia uma incógnita a seu respeito. Os judeus que tinham tudo para reconhece-lo como o Messias, permaneciam na incerteza. Por isso, ficavam à espera de que Jesus lhes ‘dissesse abertamente’ que ele era. A postura assumida pelos adversários impedia-os de compreender a verdadeira identidade messiânica de Jesus. Movidos pela suspeita, pela malevolência e pela crítica mordaz, jamais conseguiriam chegar à resposta desejada. Daí a tendência a acusar Jesus de blasfemo e imputar-lhe toda sorte de desvios teológicos e políticos. Em contraste com os adversários estavam os discípulos. Estes, sim, colocavam-se numa atitude humilde de escuta, atentos às palavras do Mestre, buscando desvendar-lhes seu sentido mais profundo. Dispuseram-se a segui-lo, para serem instruídos não só por suas palavras, mas também por seus gestos concretos de misericórdia, para com os mais necessitados. A comunhão de vida com o Mestre permitia-lhes descobrir sua condição de Messias, o enviado do Pai. A incógnita sobre Jesus permanece para quem se posiciona diante dele como adversário. Quem se faz discípulo, não tem dificuldade de reconhece-lo como Messias. – Pai, dá-me um coração de discípulo que se deixa guiar docilmente pelo Mestre Jesus, tornando-se, assim, apto para reconhecer sua condição de Messias de Deus (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 27 de abril de 2026

(At 11,1-18; Sl 41[42]; Jo 10,11-18) 4ª Semana da Páscoa.

“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” Jo 10,11.

“A comparação do bom Pastor é muito apreciada pelos antigos profetas, inclusive porque alguns deles viviam em ambiente pastoril. Jesus também serviu-se da vida pastoril com frequência, mas propõe, aqui, com clareza e amplidão a parábola do bom pastor. Depois da afirmação solene de que ele é o bom Pastor, afirma Jesus que ‘o bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas’. Jesus deu a sua vida pelos seus, por amor aos seus, em obediência à missão que lhe atribuiu o Pai, para que se forme um só rebanho. Jesus Cristo é o bom Pastor de quem recebem a missão todos os que exercem um cargo pastoral na Igreja. É o bom Pastor que conhece suas ovelhas e as apascenta com a verdade de sua doutrina e de sua graça. Os primeiros cristãos gostavam de representar Jesus Cristo sob a figura do pastor, que leva nos ombros a ovelha que fora buscar longe do redil. Somente nas catacumbas aparece oitenta e oito vezes essa figura. ‘É – como escreve um autor – a figura mais popular e simpática e uma das mais antigas da arte primitiva cristã. Que paz serena deve apoderar-se de seu espírito ao saber que, quando você pecou, Jesus foi buscá-lo e o trouxe em seus ombros para que você continuasse pertencendo ao redil da Igreja!” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

4º Domingo da Páscoa – Ano A

(At 2,14.36-41; Sl 22[23]; 1Pd 2,20-25; Jo 10,1-10) *

1. O Evangelho do 4º Domingo do tempo pascal é a 1ª parte do capítulo 10 de João sobre o bom pastor. Daí o nome de “Domingo do Bom Pastor”. E nesse domingo a Igreja nos convida a fazer dele também um dia de oração pelas vocações sacerdotais e religiosas.

2. O nosso texto se apresenta em quatro tempos, e ao interno de cada um deles se nota uma contraposição entre dois personagens, um bom e um mal. Do personagem bom se diz que: é o pastor das ovelhas, entra no recinto pela porta, conhece as ovelhas, as ovelhas o seguem, ele dá a vida pelas ovelhas.

3. Do personagem negativo se diz que: é ladrão e assaltante, salta pelo muro, é para as ovelhas um estranho, as ovelhas fogem dele, rouba e mata as ovelhas.

4. Sabemos de quem se trata tais personagens: Jesus é o personagem positivo. O uso de tais imagens está relacionada às origens de Israel, um povo nômade de pastores. Isto plasmou sua mentalidade, seus costumes e sua língua. Assim, a relação pastor-ovelha serviu como imagem para exprimir as relações entre o povo e o seu rei, e entre o povo e Deus.

5. Jesus é a realização ideal do pastor perfeito, daquele que busca a ovelha extraviada e dá a vida por suas ovelhas, como profetizara Ezequiel: Deus mesmo cuidará do seu rebanho. Daí, por sua vez, Jesus escolher alguns discípulos para darem continuidade a sua missão. Estes recebem o nome de “Pastores”, os bispos e os sacerdotes, seus colaboradores.

6. Ao tratar do “ladrão” e “estranho”, Jesus pensa, em 1º lugar nos falsos profetas e aos pseudos-messias do seu tempo, que se passam por enviados por Deus, libertadores do povo, quando na realidade mandam as pessoas morrerem por eles. Algo que não é completamente estranho ao nosso tempo, com o fenômeno das seitas. 

7. Quando falamos de seitas, devemos estar atentos para não colocar a todos no mesmo plano. Temos grupos evangélicos e pentecostais protestantes com os quais a Igreja católica, há muito mantém um diálogo ecumênico em nível oficial, o que não é possível com as seitas. 

8. De modo geral, as seitas não partilham pontos essenciais da fé cristã, como a divindade de Cristo e da Trindade; às vezes misturam a doutrina cristã com elementos estranhos e incompatíveis com essa, como por exemplo a reencarnação. Não honram nem respeitam a Mãe de Jesus.

9. Literalmente se tornam “ladrões de ovelhas” quando tentam com todos os meios tirar os fiéis da sua Igreja de origem, muitas vezes com métodos agressivos e polêmicos, manipulando a própria Bíblia a seu favor. Polemizam tudo que diz respeito a Igreja católica, à Virgem Maria, indo na contra mão do próprio evangelho que é amor e respeito pela liberdade do outro.

10. Existem seitas que estão fora do mundo cristão, com novas formações religiosas, que não são agressivas, se apresentam com “vestes de cordeiro” pregam o amor para com todos, pela natureza, na busca do "eu profundo"... Aqui pode se perceber um certo sincretismo religioso, que recolhe elementos de várias religiões.

11. O dano espiritual gerado por elas é que a pessoa de Jesus quase desaparece e com ele a “Vida em abundância” que veio nos trazer. Além do perigo com relação a sanidade mental e à ordem pública. Sem entrarmos aqui em questões financeiras atreladas a certos grupos. Muitas delas acabaram com o fim de seus fundadores, mas não sem terem causado muitos estragos...

12. Talvez estejamos nos perguntando do porquê chegamos a esse assunto. Jesus era muito otimista, em achar que suas ovelhas não seguem estranhos... No entanto a realidade é bem outra. Talvez nós sacerdotes e bispos da Igreja deveríamos bater no peito e recitar um “mea culpa”. Nem sempre fomos capazes de dar continuidade a obra do Cristo Bom Pastor.

13. Muitos findam em seitas por não encontrarem o calor e o suporte humano de uma comunidade, não encontraram a sua paróquia. Assim como é verdade também que aqueles que findam em seitas, muitas vezes vivem à margem da vida da Igreja, sem preocupar-se de conhecer melhor e cultivar a sua fé cristã. Nem sempre a culpa é dos pastores...

14. Finalizo com alguns versos de Dante, bastante diretos e atuais: “Quais razões vos inspiram, cristãos? Não sede como plumas ao vento! Nem toda água é capaz de lavar. Tendes o Velho e o Novo Testamento, e da Igreja, o pastor que os guia. Que mais quereis para o vosso salvamento? Homens sede e não brutos animais” (cf. Paraíso, V,72-80).

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 25 de abril de 2026

(1Pd 5,5-14; Sl 88[89]; Mc 16,15-20) São Marcos Evangelista.

“Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus” Mc 16,19.

“Não se pode descrever o céu, mas podemos antegozá-lo. Não podemos alcançá-lo com nossa mente, mas é difícil não desejá-lo. Se falamos do céu não é para satisfazer nossa curiosidade, mas para reavivar nosso desejo e nossa atração por Deus. Se o recordamos é para não esquecer o anseio último que trazemos no coração. Ir para o céu não é chegar a um lugar, mas entrar para sempre no mistério do amor de Deus. Por fim, Deus já não será alguém oculto e inacessível. Embora nos apareça inacreditável, podemos conhecer, tocar, provar e desfrutar seu ser mais íntimo, sua verdade mais profunda, sua bondade e beleza infinitas. Deus despertará em nós a paixão do amor para sempre. Esta comunhão com Deus não será uma experiência individual. Jesus ressuscitado nos acompanhará. Ninguém vai ao Pai se não for por meio de Cristo. ‘Nele habita toda a plenitude da divindade em forma corporal’ (Cl 2,9). Só conhecendo e desfrutando o mistério contido em Cristo penetraremos no mistério insondável de Deus. Cristo será o nosso ‘céu’. Vendo a ele, ‘veremos’ a Deus. Cristo não será único mediador de nossa felicidade eterna. Inflamados pelo amor de Deus, cada um de nós nos converteremos, à nossa maneira, em ‘céu’ para os outros. A partir de nossa limitação e finitude tocaremos o Mistério infinito de Deus, saboreando-o em suas criaturas. Gozaremos de seu amor insondável, saboreando-o no amor humano. O gozo de Deus nos será dado encarnado no prazer humano. O teólogo húngaro Ladislaus Boros procura sugerir esta experiência indescritível: ‘Sentiremos o calor, experimentaremos o esplendor, a vitalidade, a riqueza transbordante da pessoa que hoje amamos, com a qual desfrutamos e pela qual agradecemos a Deus. Todo o seu ser, a profundeza de sua alma, a grandeza de seu coração, a criatividade, a amplitude, a paixão de sua reação amorosa nos serão presenteados’. Que plenitude alcançará em Deus a ternura, a comunhão e o gozo do amor e da amizade que conhecemos aqui! Com que intensidade nos amaremos então, nós que já nos amamos tanto na terra! Poucas experiências nos permitem antegozar melhor o destino último ao qual somos atraídos por Deus” (José Antonio Pagola – “O Caminho Aberto por Jesus” – Marcos – Vozes)

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 24 de abril de 2026

(At 9,9,1-20; Sl 116[117]; Jo 6,52-59) 3ª Semana da Páscoa.

“Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida” Jo 6,54.

“A última parte do discurso de Jesus sobre o ‘pão da vida’ constitui o seu momento mais intenso. Os judeus (que para João representam os guias espirituais de Israel), habituados a investigar sobre a interpretação da Lei e sobre os discursos de sabedoria, procuram compreender o sentido das palavras do Nazareno: palavras que se tornam cada vez mais nítidas e desconcertantes. Comer o pão que é Jesus, isto é, comer a carne do Filho do homem, une a nossa vida à Sua vida, que é a vida eterna. [Compreender a Palavra:] A identificação do pão como ‘carne’ de Jesus (v. 52), repugnante para os judeus enquanto violação de um dos mais sagrados preceitos da Lei, coloca os interlocutores perante a realidade física de uma morte sacrificial que ultrapassa as prescrições legais, e dá a vida. Os hebreus estavam proibidos de consumir sangue (mesmo o dos animais oferecidos em sacrifício) porque ele representava a vida, e ninguém podia apropriar-se dela a não ser Deus, único dono da vida. O homem tem o usufruto, não a propriedade, da Criação: isto significava abster-se do sangue. Mas em Jesus, Deus vai mais além: a própria vida do Filho, ou seja, o Seu sangue, é colocada nas mãos dos homens, consumada totalmente no dom do amor, que se fez ‘verdadeira comida e verdadeira bebida’ (v. 55). Pela primeira vez, através da linguagem eucarística, é expressa a presença de Jesus no crente, o qual é assim introduzido na dimensão trinitária (v. 56-58)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite