(Gn 49,2.8-10; Sl 71[72]; Mt 1,1-17)
3ª Semana do Advento.
“Livro da origem de
Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão... [...] Jacó gerou José, o esposo
de Maria,
da qual nasceu Jesus,
que é chamado Cristo” Mt 1,1.16.
“À primeira vista,
poderia parecer não ter nenhum sentido dar aqui as gerações de Jesus Cristo, ou
lista dos progenitores ou ascendentes de Jesus Cristo. É o começo com o qual
São Mateus inicia o seu Evangelho, que tem como finalidade demonstrar a origem
humana de Jesus Cristo. Ao longo do seu Evangelho, São Mateus provará, com as
profecias e com os milagres realizados por Jesus, sua natureza divina. Mas era
preciso demonstrar também seu parentesco com os homens, aos quais vinha salvar.
Jesus é colocado num marco histórico, geográfico e étnico; no entanto, já desde
o princípio, Jesus foi perseguido por seu próprio povo. E mais: entre as
personalidades mencionadas na árvore genealógica de Jesus, encontramos algumas
mulheres de origem não israelita, como querendo dar a entender a universalidade
da Redenção. De tudo isso devemos deduzir que a luz da fé sempre deve
iluminar-nos e que precisamos deixar-nos guiar mais pela fé do que pela razão,
mais pelos princípios da história da salvação do que pelas condições da
sociologia humana. Além disso, encontramos mais uma razão pela qual São Mateus
julga prudente colocar os ascendentes do Salvador: Jesus que nos é apresentado
como filho de Maria, nascido sob a paternidade legal de José, é o Cristo, o
Messias profetizado no Antigo Testamento, vindo ao mundo para libertar os
homens dos próprios pecados, e esta é exatamente a primeira preocupação de São
Mateus: demonstrar documentalmente, por sua genealogia, que Jesus era
efetivamente o Messias, o Filho de Davi, prometido no Antigo Testamento. A
expressão ‘Filho de Davi’ era usual para denominar o Messias. Esse versículo
demonstra-nos a geração virginal de Jesus e o papel de pai adotivo que compete
a São José. Com efeito, daí se depreende que José era o esposo de Maria; que
não tem parte alguma na concepção de Jesus; que tem uma responsabilidade legal
e jurídica sobre o filho da esposa. – Vivência: para os pais
de família cristã, São José é o modelo acabado de perfeição pela preocupação
que passou a ter nos cuidados com Jesus e com Maria, pelo amor intenso com o
qual os cercou. Os Santos Padres comprazem-se em chamar o lar de ‘pequena
Igreja’, na qual os pais cumprem os deveres sacerdotais na formação dos filhos,
e os Documentos conciliares do Vaticano II afirmam que ‘visto que os pais deram
a vida aos filhos, têm a gravíssima obrigação de educar a prole e, portanto, é
preciso reconhece-los como os primeiros e principais educadores de seus
filhos’” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do
ano – Ave- Maria).
Pe. João Bosco Vieira Leite