Segunda, 01 de junho de 2026

(2Pd 1,2-7; Sl 90[91]; Mc 12,1-12) 9ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus começou a falar aos sumos sacerdotes, mestres da Lei e anciãos, usando parábolas: ‘Um homem plantou uma vinha, cercou-a, fez um lagar e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou a vinha a alguns agricultores e viajou para longe’” Mc 12,1.

“Depois da expulsão dos vendedores do Templo, Marcos conta o confronto entre Jesus e os sumos sacerdotes, os escribas e anciãos. E no meio desses debates Marcos insere a parábola dos vinhateiros homicidas. Essa história não é tão complexa quanto outras parábolas que podem receber interpretações em vários níveis. Aqui, Jesus está contando seu próprio destino, e os ouvintes sabem muito bem de que está falando: ‘Tinham compreendido que era para eles que ele dissera esta parábola’ (12,12). Jesus começa a parábola com uma descrição do cântico da vinha, do profeta Isaías: ‘Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e construiu uma torre’ (12,1 = Isaías 5,1s). No Antigo Testamento, a vinha é um símbolo recorrente do povo de Israel. Deus mesmo plantou essa vinha. Arrendou-a a vinhateiros. Deve ser uma metáfora que designa os responsáveis pelo povo, os sumos sacerdotes e escribas. Por três vezes Deus manda um servo, para receber dos vinhateiros sua parte da produção da vinha. Os servos representam os profetas que Deus enviou vez por outra a seu povo. Mas, muitas vezes, o povo de Israel acabou matando os profetas. Chega a causar assombro a paciência de Deus para com seu povo. Ele reage de uma maneira bem diferente à infidelidade do que faríamos nós humanos. O próprio Jesus ilustra essa atitude: ‘Só lhe restava seu filho amado. Enviou-o por último, dizendo consigo mesmo: ‘Respeitarão meu filho’’ (12,6). Nessa passagem, Jesus quer mostrar claramente aos adversários a quem estão tentando matar: o filho bem-amado de Deus. Com esse versículo, Marcos interpreta o mistério da encarnação e da morte de Jesus. Deus nos mandou, em Jesus, seu Filho amado. A vinda de Jesus é expressão do amor paciente de Deus. Mas a consideração de Deus é anulada pelas maquinações contrárias dos vinhateiros: ‘Disseram uns aos outros: ‘É o herdeiro. Vinde! Matemo-lo e ficaremos com a herança’’ (12,7). Eles o agarram, o matam e lançam seu corpo fora da vinha, para que os animais o devorem. Segundo a lei judaica, isso é crime de injúria (Grundmann, 323). Com essa parábola, Jesus desvenda a tramoia de seus adversários. É a última tentativa que Jesus faz, ‘para abrir os olhos de seus inimigos: mostrando-lhes todo o alcance de seu intento de mata-lo, Jesus lhes dá a oportunidade de voltarem a si enquanto é tempo e de pararem de conspirar contra ele’ (Iersel, 193). Mas é em vão a tentativa de Jesus. O leitor sabe que hão de mata-lo – desta vez a vítima não é apenas um profeta, mas o filho amado de Deus” (Ansel Grün – Jesus, caminho para a liberdade – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite