(Dt 26,16-19; Sl 118[119]; Mt 5,46-48) 1ª Semana da Quaresma.
“Portanto, sede perfeitos como vosso Pai
celeste é perfeito” Mt
5,48.
“No
Evangelho de hoje escutamos uma outra antítese do discurso do Sermão da
Montanha referido por São Mateus, a última da série (cf. Mt 5,20-48): é
certamente uma das mais exigentes porque pede o amor do inimigo. Só vivendo
como filhos do Pai que está nos Céus é possível dilatar a medida do próprio
coração, superar o que é somente sensato e conveniente, e viver um novo tipo de
amor. [Compreender a Palavra:] antes do mais convém precisar que em nenhum
texto do Antigo Testamento foi ordenado odiar os inimigos, embora, de fato,
algumas passagens pareçam encorajar essa atitude (Dt 7,2; 20,16; Sl 139,21).
Provavelmente São Mateus, acrescentando as palavras ‘odiarás o teu inimigo’
queria entender como próximo somente os israelitas, como era normal algumas
interpretações rabínicas. A verdade é que, ordenado ou não, o ódio dos inimigos
é algo muito espontâneo e bem testemunhado também na história de Israel. Jesus
pede aos discípulos a atitude exatamente oposta: amar os inimigos e orar pelos
que perseguem, isto é, oferecer o bem em troca do mal que se recebeu.
Estabelece-se assim a semelhança entre modo de agir e o de Deus que manda o sol
e a chuva sobre bons e maus, não fazendo distinção alguma entre os homens. Este
agir do Pai é que é pedido a cada cristão. Quem é o filho? Aquele que se
assemelha a seu pai. O cristão, no Batismo, recebe o Espírito de Deus, o
Espírito prometido pelo Filho. Só em força deste dom é que é possível não
limitar-se a retribuir o que se recebe não ultrapassando a lógica da
contabilidade ao fazer o bem, mas viver um tipo de amor que se assemelhe ao do
Pai. É mesmo isto que exige a conclusão da antítese, que é também a conclusão
de toda a série de antíteses começada no versículo 21: ‘Sede perfeitos, como
vosso Pai celeste é perfeito’” (Giuseppe
Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite