Sábado, 28 de fevereiro de 2026

(Dt 26,16-19; Sl 118[119]; Mt 5,46-48) 1ª Semana da Quaresma.

“Portanto, sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” Mt 5,48.

“No Evangelho de hoje escutamos uma outra antítese do discurso do Sermão da Montanha referido por São Mateus, a última da série (cf. Mt 5,20-48): é certamente uma das mais exigentes porque pede o amor do inimigo. Só vivendo como filhos do Pai que está nos Céus é possível dilatar a medida do próprio coração, superar o que é somente sensato e conveniente, e viver um novo tipo de amor. [Compreender a Palavra:] antes do mais convém precisar que em nenhum texto do Antigo Testamento foi ordenado odiar os inimigos, embora, de fato, algumas passagens pareçam encorajar essa atitude (Dt 7,2; 20,16; Sl 139,21). Provavelmente São Mateus, acrescentando as palavras ‘odiarás o teu inimigo’ queria entender como próximo somente os israelitas, como era normal algumas interpretações rabínicas. A verdade é que, ordenado ou não, o ódio dos inimigos é algo muito espontâneo e bem testemunhado também na história de Israel. Jesus pede aos discípulos a atitude exatamente oposta: amar os inimigos e orar pelos que perseguem, isto é, oferecer o bem em troca do mal que se recebeu. Estabelece-se assim a semelhança entre modo de agir e o de Deus que manda o sol e a chuva sobre bons e maus, não fazendo distinção alguma entre os homens. Este agir do Pai é que é pedido a cada cristão. Quem é o filho? Aquele que se assemelha a seu pai. O cristão, no Batismo, recebe o Espírito de Deus, o Espírito prometido pelo Filho. Só em força deste dom é que é possível não limitar-se a retribuir o que se recebe não ultrapassando a lógica da contabilidade ao fazer o bem, mas viver um tipo de amor que se assemelhe ao do Pai. É mesmo isto que exige a conclusão da antítese, que é também a conclusão de toda a série de antíteses começada no versículo 21: ‘Sede perfeitos, como vosso Pai celeste é perfeito’” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite