(2Sm 24,2.9-17; Sl 31[32]; Mc 6,1-6) 4ª Semana do Tempo Comum.
“Mas depois que o povo foi recenseado,
Davi sentiu remorso e disse ao Senhor: ‘Cometi um grande pecado ao fazer o que
fiz. Mas perdoa a iniquidade do teu servo, porque procedi como um grande
insensato’” 2Sm
24,10.
“A
narração articula o desenrolar do recenseamento do povo de Israel em três
momentos, cada um dos quais move-se em redor da figura de Davi. Depois de ter
dado ordens para o recenseamento seguir em frente (v. 2) e de ter recebido o
resultado (v. 9), o soberano dá-se conta de ter cometido um abuso de poder (v.
10). Perante o anúncio do castigo (vv. 11-13), escolhe entregar-se nas mãos do
Senhor (v. 14). A peste irrompe do norte do país, chegando a Jerusalém (vv.
15-16), até o Senhor remover (v. 16), e Davi confessa, de novo, a sua culpa.
[Compreender a Palavra:] Nos tempos bíblicos fazer um recenseamento era
considera um gesto sagrado, que se devia, por isso, fazer com algumas
precauções de tipo religioso (cf. Ex 30,12-13). Já que só Deus é o Senhor do
seu Povo, controlar e contar o número de pessoas da comunidade cabe unicamente
a Ele: proceder à contagem dos recursos humanos e bélicos – embora isso possa
parecer estranho aos nossos olhos – é julgado, por isso, um gesto despótico do
rei. Depois de ter sido realizado o recenseamento, Davi dá-se conta de haver
pecado. À gravidade da culpa corresponde um castigo correspondente: uma
calamidade irá reduzir drasticamente a população de Israel. A peste ocasiona
perdas muito grandes, mas Deus comove-se e o flagelo cessa quando a mão do anjo
está sobre Jerusalém, em cujo território será edificado o Templo. Uma vez mais,
a sinceridade de Davi diante das suas responsabilidades resgata o mal cometido,
atestando a profunda religiosidade do rei” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo
Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite