(Dt 30,15-20; Sl 01 Lc 9,22-25) Quinta-feira depois das Cinzas.
“Pois quem quiser salvar a sua vida vai
perde-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará”
Lc 9,24.
“A
conclusão da caminhada terrena de Jesus escondia um sentido dificilmente
compreensível para os discípulos. O horizonte messiânico no qual se moviam e
com o qual interpretavam a pessoa do Mestre impedia-os de compreender, em
profundidade, o que o fato requeria. Para ser entendida, em sintonia com o
pensar de Jesus, era preciso fazer uma violenta inversão de valores. O esquema
tradicional era insuficiente para explica-la. Na lógica de Jesus, ou seja, na
lógica do Reino, a perda é penhor de salvação, ao passo que a salvação,
entendida à maneira do mundo, é fator de perda. Dai ser possível esperar que,
da humilhação de Jesus resulte exaltação, do abandono por parte dos amigos e
conhecidos provenha a solidariedade do Pai, do sofrimento redunde a mais plena
alegria, e a morte seja superada pela ressurreição. O contraste entre o projeto
de Jesus e a mentalidade de seus discípulos era flagrante. Não lhes passava
pela cabeça a possibilidade de existir um Messias cuja glória fosse alcançada
em meio a sofrimentos e, muito menos, num contexto de morte violenta. Só a fé
na ressurreição pode nos levar a dar crédito às palavras de Jesus. Com ela, o
Pai deu seu aval às palavras do Filho, assegurando-lhes sua veracidade. Jesus
provou ser impossível experimentar a misericórdia do pai sem abrir mão das
ambições mundanas. Só quem é capaz de renunciar-se a si mesmo como ele,
experimentará a salvação. – Pai, dá-me a firme disposição de renunciar
a todos os meus projetos pessoais, para abraçar unicamente o projeto de Jesus,
mesmo devendo passar por sofrimentos” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso
de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).
Pe.
João Bosco Vieira Leite