(Eclo 47,2-13; Sl 17[18]; Mc 6,14-29) 4ª Semana do Tempo Comum.
“... de todo o coração louvava o Senhor,
mostrando que amava a Deus, seu Criador” Eclo 47,10.
“O
‘Elogio dos antepassados’ do livro de Bem Sirá (caps. 44-50) reserva à
lembrança de Davi e de Salomão uma atenção particular. As outras menções dos
soberanos de Judá (Ezequias e Josias) são muito sintéticas. No texto de hoje,
para além da escolha (v. 2), não invalidada, mas confirmada no perdão de seus
pecados (v. 11), o autor celebra essencialmente a fé e a oração de Davi,
segredo da sua força (vv. 3-5), dos seus sucessos militares (vv. 6-7) e
sobretudo da sua atividade litúrgica (vv. 8-10). [Compreender a Palavra:]
síntese de tipo poético, o elogio de Bem Sirá propõe essencialmente uma
reflexão ética sapiencial: Davi é o eleito que Deus escolheu para Si,
precisamente como reservava para Si a melhor parte do sacrifício (cf. Lv
3,9-17). Não é somente o jovem que pela fé derrotou o gigante Golias, o herói
celebrado pela aclamação popular, mas é sobretudo a citarista, o suave cantor
dos salmos; segundo a imagem que dele dá o Livro das Crônicas: o organizador do
culto (1Cr 16,4-5). Na leitura de hoje não encontramos nenhuma menção dos
episódios dramáticos da vida de Davi, nem da hostilidade de Saul, nem da
rebelião de Absalão: só um aceno às suas misérias morais (v. 11a) precede a
anotação da dignidade real (v. 11b). Dele derivará, para sempre, não tanto a
dinastia de que é fundador e protótipo, mas sim a obra litúrgica e a
exemplaridade religiosa” (Giuseppe
Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII]
– Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite