Quinta, 8 de janeiro de 2026

 (1Jo 4,19—5,4; Sl 71[72]; Lc 4,14-22) Semana da Epifania.

“Então começou a dizer-lhes: ‘Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabaste de ouvir’” Lc 4,21.

“Jesus resume a sua missão na proclamação do ano de acolhimento, do ‘ano da graça’. O ‘ano da graça’ é o ‘jubileu’ judaico. Nesse ano sempre ocorria após quarenta e nove anos, os israelitas tinham de libertar escravos, perdoar todas as dívidas e deixar as terras sem cultivo. São maravilhosas imagens para a atuação de Jesus. Onde Jesus aparece, escravos são libertados, isto é, pessoas internamente escravizadas conseguem romper as cadeias de suas angústias e dependências, reencontrando a sua dignidade humana” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).  

Pe. João Bosco Vieira Leite


Quarta, 07 de janeiro de 2026

(1Jo 4,11-18; Sl 71[72]; Mc 6,45-52) Semana da Epifania.

“Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: ‘Coragem, sou eu!

Não tenhais medo!’” Mc 6,50.

“Uma tentação que costuma afligir-nos em determinadas ocasiões é a do desânimo: quando as coisas não saem bem, quando nossos desejos que julgamos legítimos não são satisfeitos, quando acontecem dificuldades e obstáculos de toda a espécie, quando nos parece que não somos aceitos pelos outros, pelo menos na amplitude que nos parece merecermos, ou então, quando simplesmente nada nos acontece, apodera-se de nós o pessimismo, o tédio, o descontentamento, que nem nós mesmos sabemos explicar. Nestes casos tudo perde o encanto, os horizontes escurecem, o ânimo abate-se, as forças nos abandonam: é nesses momentos, mais do que nunca, que devemos recorrer à oração” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite


Terça, 6 de janeiro de 2026

(1Jo 4,7-10; Sl 71[72]; Mc 6,34-44) Semana da Epifania.

“Depois Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes” Mc 6,41.

“A Galileia tinha, desde há muito tempo, uma péssima tradição de desequilíbrios sociais. O episódio da vinha de Nabot, sucedido num passado longínquo, estava ainda bem vivo na mente do povo. Mudaram-se os tempos, porém, a ganância de concentrar os bens nas mãos de poucos permaneceu inalterada. O milagre da partilha dos pães foi na contramão desta mentalidade, visando incentivar a criação de uma sociedade diferente, na qual os bens deste mundo fossem partilhados entre todos. Fato notável é que a lição da partilha teve como ponto de partida a pobreza e não a abundância de bens. Poderia ter acontecido assim: uma pessoa rica, possuidora de muitos recursos, ter-se se servido deles para alimentar a multidão faminta. Ou mesmo Jesus, recorrendo ao poder recebido do Pai, ter milagrosamente feito aparecer uma montanha de pães com os quais todos se pudessem saciar. Nada disto! Tratava-se, sim, de cada um repartir com o próximo o pouco que lhe cabia, a começar com aquele jovem que possuía ‘cinco pães e dois peixes’. Quem não acreditava na força do Reino, perguntou-se o que seria isto para ‘cinco mil pessoas?’ Mas aqueles cujos corações o Reino lançou raízes, tudo se passou de maneira diferente. A partilha começa no pouco, pois quem tem muito (fruto da cobiça e da ganância) dificilmente se disporá a repartir e a mostrar-se misericordioso com o próximo. – Pai, preserva-me da cobiça e da ganância que me impedem de ser generosos com meu semelhante. E abre meu coração para a partilha e a misericórdia (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

  


Segunda, 05 de janeiro de 2026

(1Jo 3,22—4,6; Sl 02; Mt 4,12-17.23-25) Semana da Epifania.

“Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino

e curando todo tipo de doença em enfermidade do povo” Mt 4,23.

“Jesus aparece aqui, com em tantas outras ocasiões que nos menciona o evangelho, percorrendo toda a Galileia, acompanhado por seus discípulos e por outras pessoas simples, que o seguiam atraídas pelo magnetismo de sua palavra. A ‘boa nova’ é o sentido originário da palavra ‘evangelho’. Seu objetivo é a chegada iminente do Reino de Deus. O evangelho do Reino de Deus é universal: prega-se a todos os homens de todos os tempos e lugares e para todas as circunstâncias da vida. Nada pode escapar à influência do evangelho. Não caiamos no pernicioso erro de querer acomodar o evangelho à vida do homem e do mundo, em lugar de acomodar nossa vida e a do mundo às leis do evangelho” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite


Epifania do Senhor

(Is 60,1-6; Sl 71[72]; Ef 3,2-3.5-6; Mt 2,1-12) *

1. Quando a festa da Epifania foi introduzida no calendário litúrgico, Santo Agostinho, em um dos seus sermões, ilustrava o conteúdo e a relação dessa festa com o Natal, dizendo que aquele que há pouco nascera e havia se revelado aos judeus, representados pelos pastores, começa a revelar-se também aos pagãos, representados pelos magos. E assim fazia de dois povos um povo só. Assim celebramos a universalidade da Igreja.

2. Feita essa apresentação do sentido da festa, voltemo-nos sobre o evangelho e recolhamos algo para a nossa vida. Nessa narrativa de Mateus se misturam elementos históricos, teológicos e simbólicos.

3. Primeiramente destaco as três reações diversas ao anúncio do nascimento de Jesus: Herodes se perturba com tal notícia. Saber detalhes sobre tal nascimento não lhe vem com um desejo da verdade, mas para eliminar um possível concorrente.

4. Ele representa a pessoa que já fez sua escolha. Entre a vontade de Deus e a sua, ele claramente escolhe a sua. Não se trata de um ódio de Deus ou coisa parecida. A pessoa resolve eliminar qualquer coisa que perturbe o estado das coisas em que se encontra. Santo Agostinho chama amor a si mesmo que pode levar ao desprezo de Deus.

5. Para defender o posto em que ocupa, sabemos o que fazem os ditadores da história. Herodes continua entre nós. Temos os sacerdotes e os escribas, que sabem exatamente o que buscam saber Herodes e os Magos. Mas eles mesmo não se movem. No dizer de Agostinho são como indicadores na estrada, que apontam a direção, mas não se movem.

6. Aqui vem simbolizado um comportamento que também nos diz respeito. Sabemos bem que coisa comporta seguir a Cristo, onde se ‘esconde’ em nossos tempos, sabemos até dizê-lo aos outros, mas nos falta a coragem e a radicalidade de colocar em prática o que sabemos. Um perigo para todos nós batizados.    

7. Mas vejamos a atitude dos protagonistas da festa de hoje: os Magos. Eles nos instruem não com palavras, mas com fatos, com ação. Deus se manifestou a eles a partir de seu mundo particular, ao interno de suas experiências, se os considerarmos como sábios que prescrutavam os céus. Deus tem seus modos de se revelar.

8. Eles não se colocaram dúvidas, se colocaram ao caminho; deixam suas seguranças. Numa simplicidade assustadora, dizem que viram sua estrela e vieram adorá-lo. Viram e vieram. E aqui está a grande lição desses anônimos ‘pregadores’ bíblicos.

9. Se tivessem calculado todos os perigos e contratempos da viagem, talvez não o tivessem feito. Eles agiram como agem alguns quando recebem uma inspiração de Deus. São eles também “filhos de Abraão segundo a fé”.

10. Eles veem para “adorar” o menino. Em sua realidade cultural significava tributar a maior honra possível, reconhecer sua soberania absoluta. Um gesto reservado ao soberano. O curioso é que é a 1ª vez que tal verbo vem colocado em relação a Cristo, o que significa um reconhecimento da sua divindade.

11. Assim, eles não estão em busca de mais conhecimento, mas de exprimir sua devoção e submissão a Deus. A adoração é um sentimento religioso por ser redescoberto em toda sua força e beleza, particularmente num tempo em que a palavra, o verbo adorar, se tornou tão banal em nosso linguajar é completamente destituído de sensibilidade religiosa.

12. Daqui a pouco também nos colocaremos de joelhos para adorá-lo na Eucaristia, também em espírito e verdade, no profundo do coração. Não nos falta oportunidade.

13. Por último coloco em relevo esse gesto dos Magos profundamente carregado de simbolismo. Depois de reconhecer e adorar o Menino, eles voltam por outro caminho. O verdadeiro encontro com Cristo deve determinar mudanças. Não podemos voltar para nossas casas pela mesma estrada que viemos, isto é, sem que algo tenha mudado dentro de nós, quem sabe certas convicções e propósitos.

14. Assim a Palavra nos coloca diante de uma escolha: a de Herodes, a dos Sacerdotes ou a dos Magos. A quem queremos nos assemelhar em nossa vida? Diz o texto que os Magos sentiram “uma alegria muito grande”. Começamos com Agostinho, concluo com ele: “Também nós fomos convocados a adorar a Cristo na verdade que resplende do Evangelho, como da estrela no céu; também nós, reconhecendo e louvando Cristo rei e sacerdote, morto por nós, o temos honrado como com ouro, incenso e mirra. Nos falta somente testemunhá-lo, tomando um novo caminho, retornando por um caminho diferente daquele que viemos”.  

* com base em texto de Raniero Cantalamessa.  

Pe. João Bosco Vieira Leite


Sábado, 03 de janeiro de 2026

(1Jo 2,29—3,3,6; Sl 97[98]; Jo 1,29-34) Tempo do Natal.

“No dia seguinte, João viu Jesus aproximar-se dele e disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo’” Jo 1,29.

“A proclamação de João Batista: ‘Eis o Cordeiro de Deus’ sublinha a função salvadora de Jesus, presente desde o início de seu ministério. Como pano de fundo desta imagem de Jesus-Cordeiro de Deus está a tradição do êxodo, suporte de toda a teologia bíblica. Dois textos do evangelho joanino aludem à imagem enunciada pelo Batista. O primeiro é o discurso eucarístico no qual, ao falar em ‘comer a minha carne e beber o meu sangue’, Jesus referia-se a si mesmo como o cordeiro imolado na cruz, à semelhança do cordeiro sacrificado por ocasião da Páscoa. Na ceia pascal, os judeus comem a carne do cordeiro, recordando a libertação do Egito. No passado, o sangue do cordeiro, aspergido nos frontais das casas, indicava pertença ao povo eleito, e o livrava do castigo divino. O que o cordeiro pascal representou para o antigo Israel, Jesus representa para o verdadeiro Israel, cuja origem foi seu serviço obediente ao Pai. O segundo corresponde à cena da cruz, quando Jesus foi traspassado pela lança. O evangelista recorda ter sido a tarde do dia em que faziam os preparativos para a Páscoa o momento em que, com golpe de lança, um soldado transpassou o peito de Jesus, sem lhe quebrar nenhum osso. Ou seja, na hora da imolação do cordeiro para a celebração da páscoa nas famílias, seguindo o rito como o cordeiro deveria ser sacrificado. Portanto, imolado na cruz, Jesus cumpriu o papel de Cordeiro de Deus ‘que tira o pecado do mundo’. – Pai, que eu possa acolher a salvação realizada por teu Filho Jesus, o qual veio abolir todo pecado deste mundo, que o meu pecado também seja abolido!” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite 


Sexta, 02 de janeiro de 2026

(1Jo 2,22-28; Sl 97[98]; Jo 1,19-28) Tempo do Natal.

“Permaneça dentro de vós aquilo que ouvistes desde o princípio. Se o que ouvistes desde o princípio permanecer em vós, permanecereis com o Filho e com o Pai” 1Jo 2,24.

“Este breve trecho da Primeira Carta de São João trata do dever de quem foi iluminado, de evitar os anticristos (1Jo 2,18-19). Os motivos podem ser resumidos deste modo: o anticristo é aquele que nega a seriedade da Encarnação (vv. 22-23); a vida verdadeira só é possível na fidelidade à tradição (vv. 24-26); esta foi concedida no momento da unção inicial e coincide com os dons do Espírito (vv. 27-28). Permanecer no Espírito, permite ficar com Cristo e possuir o Pai [Compreender a Palavra:] Depois de ter apresentado a separação da comunidade de quantos não aceitam o verdadeiro conhecimento de Cristo como sinal da última hora (vv. 2,18-19), o autor passa a descrever a verdadeira natureza do anticristo: é alguém que não consegue abrir-se à jubilosa verificação de que em Jesus de Nazaré reside a realidade do Messias, enviado pelo Pai, e portanto se obstina numa atitude de negação; por conseguinte, não consegue professar a autodoação do Pai no Filho (vv. 22-23). A fé, pelo contrário, é uma abertura acolhedora da plenitude da autocomunicação de Deus. No seu ingresso na comunidade, os crentes receberam uma ‘unção de consagração’ que os tornou receptivos ao dom de Deus; a fidelidade a esta habilitação inicial leva-los-á a aprofundar coerentemente as consequências da graça recebida (vv. 24-27). ‘O Espírito vos encaminhará para toda a verdade’, afirma Jo 16,13, dum modo seguro e convincente. O último fruto da ‘unção’, mantida e aprofundada, será o encontro confiante com o Senhor no dia da Sua vinda: não teremos receio de sermos confundidos por Ele na Sua vinda na carne (v. 28)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Advento - Natal] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite