Segunda, 23 de fevereiro de 2026

(Lv 19,1-2.11-18; Sl 18[19]; Mt 25,31-46) 

1ª Semana da Quaresma.

“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos,

então se assentará em seu trono glorioso” Mt 25,31.

“A primeira semana da Quaresma começa com a lembrança da segunda vinda de Jesus no final dos tempos, para julgar o mundo. Na primeira vinda, no dia do Natal, Jesus veio salvar o homem; para isso lhe deixou todos os meios necessários para chegar à salvação. Porém, na segunda vinda, aparecerá como Juiz, e a cada um dos homens pedirá contas do uso que tenha feito dos meios de salvação. Naquele momento, Jesus será reconhecido como Rei e Senhor de todo o universo, como Salvador e Redentor dos homens; então, toda a humanidade não terá outra alternativa senão reconhecer que Jesus foi a luz do mundo e que suas palavras foram palavras de vida eterna. Todos os homens dobrarão os joelhos perante ele e alguns o reconhecerão como seu salvador e outros, como seu juiz. A você compete elegê-lo como Salvador ou como Juiz. Jesus, no evangelho de hoje, diz o que você tem que fazer para isso” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

I Domingo da Quaresma – Ano A

(Gn 2,7-9; 3,1-7; Sl 50[51]; Rm 5,12-19; Mt 4,1-11)*

1. A página do Evangelho que nos vem proposta neste 1º domingo da quaresma, se coloca num contexto bem preciso: o deserto; e tem um conteúdo bem definido: as tentações. É oportuno esclarecermos esses dois termos.

2. O ‘deserto’ na tradição bíblica, é um tema ‘ambivalente’. No Antigo Testamento, de fato, se entrelaçam duas teologias do deserto. Primeiramente temos o deserto como o lugar do encontro com Deus, da intimidade com Ele, do diálogo contemplativo. Quase um prolongamento do Paraíso perdido. Aqui o Senhor chama o seu povo para fazer-lhe escutar sua palavra, para estabelecer com ele a sua Aliança.

3. Mas há também o deserto inóspito, árido, duro, onde tudo fala de morte. É o ante Éden. Domínio dos demônios. Lugar onde acontece o enfrentamento com o Adversário. Assim, o deserto aparece como terra de bênção e de maldição ao mesmo tempo. Oásis e desafio.

4. A ‘tentação’ não é desgraça e nem mesmo, genericamente, incitamento ao mal. Se trata de uma força em ação. Uma força que age com intenção precisa de quebrar, separar. O verbo grego e o seu equivalente hebraico que nós traduzimos com “tentar”, significa literalmente “provar”, uma coisa ou uma pessoa para testar a sua resistência, checar a sua consistência. Como quem prova a resistência de um tecido.

5. Na narrativa de Mateus, o Tentador por excelência busca separar Jesus do projeto do Pai, ou seja, da estrada de um Messias sofredor, humilhado, rejeitado, para levá-lo a um caminho de facilidade, de sucesso e de poder. O diálogo se desenvolve a golpes de citações da Sagrada Escritura.

6. Por traz dessas propostas do Tentador se escondem as várias esperanças messiânica do seu tempo. Um messianismo concebido como esperança terrena, limitado aos bens econômicos, reduzindo a salvação a um projeto material.

7. Um messianismo marcado pelo espetáculo, acontecimentos milagrosos que eliminam qualquer dúvida, e evita a difícil estrada da fé. E por fim o messianismo do poder, da política, da ação revolucionária. Não o do amor e da liberdade, mas do domínio e da força, talvez até para a maior glória de Deus!  

8. Jesus rejeita decididamente tais sugestões e reafirma sua vontade de seguir a via estabelecida por Deus, mesmo que não coincida com as esperanças dos seus contemporâneos. Deixa claro que o ser humano é bem mais que seu estômago e que seus horizontes não podem ser confiscados pela busca exclusiva de interesses econômicos ou do prazer. Que deve aprender a ter fome e sede de Deus.

9. Que a estrada da fé passa através dos silêncios de Deus, da dúvida, das contradições. Que a fé não se alimenta de milagres, mas de paciência, de espera, de coragem. É necessário desfazer-se dos ídolos, unificar, centrar a vida no essencial. Não deixar-se seduzir pelo efêmero.

10. Toda a vida de Jesus será atravessada, contrastada pelas tentações. O tentador estará travestido pelas multidões, pelos chefes do povo, por certos grupos e até mesmo por seus discípulos. Ele terá sempre que reafirmar e esclarecer o significado do seu messianismo em meio a incompreensões, lacerações, solidão.

11. Essa página de Mateus ganha um profundo significado teológico quando se projeta sobre ela a ‘passagem’ de Israel pelo deserto e as várias tentações enfrentadas. Cristo, aqui, é o novo Israel que vence onde o antigo povo de Deus fracassou. Com Jesus, o povo da nova Aliança pode entrar na Terra prometida da salvação.

12. A própria Igreja deve confrontar-se continuamente com essa página do Evangelho para verificar a autenticidade de sua missão e purificar a própria imagem de todas as incrustações que a deformam ou a tornam opaca. Assim como cada cristão deve recuperar o sentido genuíno da própria responsabilidade e presença no mundo.

13. Um dia Ele multiplicará pães para uma multidão faminta; não o fará através de pedras, mas de um gesto de partilha. Tempos depois será exaltado, glorioso, não sobre a parte mais alta do Templo, mas sobre a cruz para salvar aos outros, pois não deseja salvar a própria vida. E um pouco antes o veremos de joelho, não diante de Satanás, mas dos apóstolos para lavar-lhes os pés e lembrar-lhes que a verdadeira grandeza está no serviço.

14. Em uma palavra, Jesus nos recorda que quando pronunciamos o nome de Deus, devemos o ligar imediatamente com a Sua vontade. Pois esse nome não pode ser invocado como suporte de nossos projetos mesquinhos, das nossas pequenas cobiças terrenas, ainda que mascaradas de “para uma boa causa”, e travestidas de motivações religiosas.

* Com base em texto de Alessandro Pronzato   

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Sábado, 21 de fevereiro de 2026

(Is 58,9-14; Sl 85[86]; Lc 5,27-32) Sábado depois das Cinzas.

“Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão” Lc 5,32.

“A proximidade de Jesus com os cobradores de impostos e os pecadores era mal vista pelos fariseus e mestres da Lei. Por malevolência, faziam juízos apressados a respeito dele, de forma a leva-los a perder a credibilidade, tanto diante dos discípulos quanto diante das multidões que o procuravam. Não existe melhor meio de ‘queimar’ alguém, do que levantar suspeitas sobre a sua vida moral. No fundo, este era o ponto visado pelos adversários de Jesus: quem se mistura com os pecadores, assim pensavam, só pode ser do mesmo calibre deles. Entretanto, conviver com os pecadores e excluídos fazia parte da pedagogia de Jesus, a fim de levá-los a converter-se ao Reino. A solidariedade com os pecadores não se estendia aos pecados que cometiam. Era preciso também alertá-los para que banissem de suas vidas tudo quanto os afastava de Deus. Jesus acreditava, com todas as forças de seu coração, na possibilidade de conversão do coração humano. Por isso, empregava todos os meios disponíveis para atrair os pecadores para Deus, mesmo ocorrendo o risco de ser vítima da maledicência de seus adversários. Menosprezando as críticas alheias, importava mostrar aos pecadores a possibilidade de uma vida fundada na misericórdia e na justiça. O caminho escolhido por Jesus foi o da solidariedade, que revela como cada um de nós é tratado por Deus. – Pai, estou certo de que, mesmo sendo pecador, sou amado por ti, e posso contar com a tua solidariedade, que me descortina a misericórdia e a justiça como jeito novo de ser (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 20 de fevereiro de 2026

(Is 58,1-9; Sl 50[51]; Mt 9,14-15) Sexta-feira depois das Cinzas.

“Disse-lhes Jesus: ‘Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles?

Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão’” Mt 9,15.

“Os discípulos de Jesus não são dispensados da prática do jejum, mas este não constitui para eles uma componente decisiva para a sua sequela. O jejum é colocado em relação com a sorte que espera o seu Mestre: quando Cristo esposo for tirado à sua Igreja, então jejuarão. Mais do que preocupar-se com o jejum ritual, é importante viver a dimensão festiva da presença do Senhor. [Compreender a Palavra:] O Evangelho já nos habituou muitas vezes à imagem de Jesus enquanto esposo, já a partir das tradições ligadas a João Batista (cf. Jo 3,29-30). Virá um momento em que Jesus será tirado à Sua comunidade (cf. Mt 26,11), mas ainda é o tempo do esposo, no qual Cristo está presente no meio dos Seus discípulos. O pano de fundo da Paixão não é eliminado, mas há um tempo em que o jejum ritual está excluído, Jesus é a novidade e esta não pode ser lida com os instrumentos velhos da tradição antiga: Ele é o ‘vinho novo’, do novo banquete nupcial que deve guardado em ‘odres novos’. A novidade do Evangelho deve ser acolhida com um coração aberto e disponível” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

  Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 19 de fevereiro de 2026

(Dt 30,15-20; Sl 01 Lc 9,22-25) Quinta-feira depois das Cinzas.

“Pois quem quiser salvar a sua vida vai perde-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará”

Lc 9,24.

“A conclusão da caminhada terrena de Jesus escondia um sentido dificilmente compreensível para os discípulos. O horizonte messiânico no qual se moviam e com o qual interpretavam a pessoa do Mestre impedia-os de compreender, em profundidade, o que o fato requeria. Para ser entendida, em sintonia com o pensar de Jesus, era preciso fazer uma violenta inversão de valores. O esquema tradicional era insuficiente para explica-la. Na lógica de Jesus, ou seja, na lógica do Reino, a perda é penhor de salvação, ao passo que a salvação, entendida à maneira do mundo, é fator de perda. Dai ser possível esperar que, da humilhação de Jesus resulte exaltação, do abandono por parte dos amigos e conhecidos provenha a solidariedade do Pai, do sofrimento redunde a mais plena alegria, e a morte seja superada pela ressurreição. O contraste entre o projeto de Jesus e a mentalidade de seus discípulos era flagrante. Não lhes passava pela cabeça a possibilidade de existir um Messias cuja glória fosse alcançada em meio a sofrimentos e, muito menos, num contexto de morte violenta. Só a fé na ressurreição pode nos levar a dar crédito às palavras de Jesus. Com ela, o Pai deu seu aval às palavras do Filho, assegurando-lhes sua veracidade. Jesus provou ser impossível experimentar a misericórdia do pai sem abrir mão das ambições mundanas. Só quem é capaz de renunciar-se a si mesmo como ele, experimentará a salvação. – Pai, dá-me a firme disposição de renunciar a todos os meus projetos pessoais, para abraçar unicamente o projeto de Jesus, mesmo devendo passar por sofrimentos (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 18 de fevereiro de 2026

(Jl 2,12-18; Sl 50[51]; 2Cor 5,20—6,2; 6,1-6.16-18) Quarta-feira de Cinzas.

“Ficai atento para não praticar a vossa justiça na frente dos homens só para serdes vistos por eles.

Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus” Mt 6,1.

“A prática quaresmal da esmola, da oração e do jejum tem a finalidade de sintonizar-nos com a vontade do Pai, de forma a preparar-nos, da melhor maneira possível, para a celebração da Páscoa. As três práticas de piedade visam refazer nossa amizade com o Pai, enquanto discípulos de Jesus. Têm como objetivo tornar-nos agradáveis a ele. De onde a importância de serem vividas segundo as orientações dadas pelo Mestre Jesus. Existem maneiras incorretas de dar esmolas, rezar e jejuar. Portanto, vazias e inúteis. Isto acontece com quem se serve destes atos para fazer exibição de piedade, pretendendo passar por santos aos olhos dos outros. Mas, também, com quem dá esmola de maneira mecânica, sem comprometer-se com o gesto de dar, com quem transforma a oração num amontoado de palavras, sem interioridade nem unção; com quem jejua para cumprir um preceito, embora desconheça o valor de seu gesto. O reverso de medalha corresponde à forma efetiva de agradar a Deus. Neste caso, a esmola será expressão da misericórdia que existe no coração de quem se faz solidário com a carência alheia; a oração consistirá mais em escutar do que em falar; o jejum corresponderá a um esforço sincero de controlar os próprios instintos e paixões, de forma a não desviarem o ser humano do caminho de Deus. A melhor forma de agradar a Deus será pôr em prática tudo isto no humilde escondimento. – Pai, durante o tempo da Quaresma, buscarei ser agradável a ti, manifestando esta minha disposição por meio da esmola, da oração e do jejum feitos de maneira correta (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 17 de fevereiro de 2026

(Tg 1,12-18; Sl 93[94]; Mc 8,14-21) 6ª Semana do Tempo Comum.

“Tendo olhos, vós não vedes e, tendo ouvidos, não ouvis?” Mc 8,18.

“Jesus fala-lhes – metaforicamente – do fermento, e os discípulos entendem materialmente como fermento do pão. Por isso põem-se a comentar entre si que não tinham trazido provisões. Quantas vezes entendemos mal as palavras do Senhor, entendemo-las em sentido material e descuidamos de seu sentido espiritual! Quantas necessidades temos de estudar e aprofundar a palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. O Senhor censurou aos discípulos a má interpretação de sua admoestação e esclarece-lhes que não fala do pão material. Porventura não fez ele dois milagres, multiplicando o pão, para dar-lhes de comer, quando necessitavam dele? Não se preocupem agora tampouco. Todavia existem duas coisas que lhes quer ensinar: 1. Que saibam superar as preocupações de ordem material, com a virtude teologal da esperança em Deus, que procura suprir as necessidades dos seus filhos, como ele fez com eles nessas duas ocasiões... 2. Que não sejam como os fariseus, que não aceitavam sua missão divina; mas que, ao invés, reconheçam sua messianidade, confirmada por sinais milagrosos...” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

  Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Segunda, 16 de fevereiro de 2026

(Tg 1,1-11; Sl 118[119]; Mc 8,11-13) 6ª Semana do Tempo Comum.

“Os fariseus vieram e começaram a discutir com Jesus. E, para pô-lo à prova, pediam-lhe um sinal do céu”

Mc 8,11

“Um sinal vindo diretamente do céu era a exigência dos fariseus para darem crédito a Jesus. Os feitos prodigiosos que ele tinha realizado, até então, não foram suficientes para convencê-los. Haveria algo ainda mais espetacular que pudesse ser feito, de modo a força-los à conversão? A presença dos adversários de Jesus era problemática. Tinham vindo com a clara intenção de discutir com o Mestre, a fim de pô-lo à prova. Portanto, faltava-lhes um mínimo de boa vontade para acolher o testemunho de Jesus, com imparcialidade, e dar-lhe crédito. O sinal do céu, que esperavam, deveria consistir numa intervenção espetacular vinda diretamente do céu, logo, de Deus, de modo a não pairar nenhuma dúvida a respeito da identidade messiânica do Mestre. O pedido dos fariseus foi capicioso. Eles conheciam muito bem o modo de agir de Jesus, e como detestava fazer exibição de poder. Portanto, pediram-lhe algo que, de antemão, sabiam que não iria realizar. Dai puderam concluir que o Mestre não lhe apresentou o sinal comprobatório de sua messianidade. Por conseguinte, declararam ser falso testemunho dele. Jesus foi peremptório em recusar-se a lhes dar qualquer tipo de sinal. Para gente como os seus adversários, não seria dado nenhum sinal. Se não eram capazes de perceber o Reino de Deus acontecendo por meio de sinais realizados na Terra, não seria um sinal formidável, vindo do céu, que haveria de convencê-los. – Pai, dá-me sensibilidade para reconhecer a messianidade de teu filho Jesus manifestada no bem que ele fez ao povo e no seu modo simples de ser (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

6º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Eclo 15,16-21; Sl 118[119]; 1Cor 2,6-10; Mt 5,17-37)*

1. O trecho do evangelho de hoje contem muita riqueza e recomendações de Jesus. Para não cair no lugar comum, gostaria de reter-me nessa pequena parábola de Jesus que Mateus insere em seu texto nos vv. 25-26. Aqui se faz alusão ao juízo de Deus, já com a vinda de Jesus, mas que será decisivo no fim da história.

2. Esse tema, dentro da teologia se chama “Novíssimos”, e trata das últimas coisas, definitivas e irreversíveis; aquelas que acontecem uma só vez, mas duram, em seus efeitos, pela eternidade: morte, juízo, inferno e paraíso. Tempos atrás era uma realidade bem presente na mente dos cristãos.

3. Igrejas antigas traziam alguma menção dessa realidade em suas pinturas. Era uma lembrança silenciosa, mas contínua, orientando o nosso pensamento para as coisas últimas e para o eterno. Agora, parecem temas proibidos de ser tratados. Em boa parte do tempo vivemos despreocupados, ignorando o que nos espera, como estultos.

4. Se você tivesse de enfrentar, na semana que vem, um processo e um julgamento num tribunal, do qual depende, suponhamos, a posse da casa em que você mora, que emoção, que medo e que preparação durante a espera! Pois bem, a eternidade que nos espera é logo ali, se levarmos em conta a fluidez do tempo.   

5. Se não nos estarrecemos diante deste pensamento é porque não conseguimos medir a importância desta palavra ‘eternidade’. O pensamento secular entende que falar de eternidade é ‘alienante’ porque desviaria do compromisso com este mundo e com a vida (uma coisa não anula a outra), e nós nos deixamos muitas vezes impressionar e intimidar pelo pensamento secular, nos deixamos ‘secularizar’.  

6. O diretor James Cameron imortalizou no cinema a história do Titanic, o célebre transatlântico em viagem para a América, a bordo do qual se festejava durante a noite, e do qual se dizia que nem Deus o teria afundado. Mas sabemos que jaz ainda em algum lugar no fundo do oceano Atlântico.  

7. O que devemos fazer para evitar a mesma sorte na viagem bem mais importante da eternidade? A Palavra de Deus, com efeito, não fere, mas cura, não assusta, mas consola, não ameaça, mas é misericordiosa.

8. Nesta pequena parábola, simples e compreensível, Jesus coloca em cena dois homens que estão indo ao tribunal resolver uma contenda: um deles não tem razão e sabe disso e o outro tem razão e sabe tê-la. Somos um dos dois homens e, portanto, ouçamos bem o que nos é dito.

9. Nós, com efeito, estamos indo de encontro ao juízo e estamos indo com o próprio Juiz. Ele, Jesus Cristo, está em caminho conosco; durante o ‘caminho’, isto é, nesta vida, não é juiz, mas amigo. Na parábola é chamado ‘adversário’ somente no sentido de que está à nossa frente, com sua palavra e com nossa consciência, e nos convence do pecado.

10. O que nos resta é colocar-nos de acordo, anteciparmos o juízo nós mesmos. Ou seja, resolvendo nossas intrigas. Se te desagrada o mesmo que a Deus, se condenas agora o que Deus condena, tu entras no seu juízo, o fazes teu, te colocas do lado do Juiz e deixas o banco dos réus.

11. Concretamente, trata-se de reconhecer o pecado, de dizer como Davi: ‘Reconheço meu pecado [...]’; o que nos cabe fazer é arrepender-nos e confessá-lo a Deus através da Igreja, porque assim nos falou Jesus, no Evangelho, para obter o perdão dos pecados.

12. Escolhi esse olhar sobre o texto por causa da quaresma que se aproxima. A confissão sacramental é o meio ordinário para ‘colocar-nos de acordo’ com Deus, para ‘reconciliar-se’, ou reconciliar-nos; há pessoas que se confessam até demais; quase por hábito, faltando, por vezes, certas disposições internas para a mudança necessária.

13. Mas há pessoas que não se confessam há meses e talvez anos e comungam tranquilamente em cada missa. Isto não é colocar-se de acordo com ele pelo caminho, mas brincar pelo caminho. ‘Não vos iludais – escrevia São Paulo aos Gálatas – de Deus não se zomba. O que o homem semear, isso colherá’ (cf. Gl 6,7).

* com base em texto de Raniero Cantalamessa  

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 14 de fevereiro de 2026

(1Rs 12,26-32; 13,33-34; Sl 105[106]; Mc 8,1-10) 5ª Semana do Tempo Comum.   

“Tenho compaixão desta multidão, porque já faz três dias que estão comigo e não tem nada para comer” Mc 8,2.

“Jesus repete o maravilhoso milagre, realizado anteriormente, de multiplicar uns poucos pães e peixes, para dar de comer a uma multidão. De novo, manifesta-se aqui, por um lado, a adesão das pessoas simples à pessoa do Salvador e, por outro lado, a compassiva misericórdia do Senhor que não resiste ver sofrer aquela gente. O seguimento de Jesus Cristo obriga-nos a resoluções duras, sacrificadas. Existem cristãos que seguem Jesus Cristo enquanto seus interesses materiais não sofrem decréscimo. Mas, quando a lei de Deus ou o cumprimento de seus deveres religiosos exige deles algum sacrifício ou alguma perda material, deixam de seguir Jesus.  Daí que haja muitos apóstolos que não se entregam por completo ao apostolado, por medo de que isso redunde em prejuízo de seus interesses materiais. Esquecem-se de que o Senhor é dono de tudo e que ele prometeu que, aos eu buscam o Reino de Deus e sua justiça, tudo o mais ser-lhe-á dado por acréscimo. Atualmente, como nos tempos de Jesus Cristo, existe uma multidão incontável que tem fome de pão, de alimento para seu sustento, para sua vida. Jesus sentiu compaixão por aqueles famintos e os socorreu milagrosamente. Você deve sentir compaixão das pessoas que estão famintas, de toda essa multidão de pessoas que nada têm para levar à boca, alimento para acalmar sua fome, roupa decente para cobrir e defender seu corpo, moradia ou casa para poder viver humanamente. Por certo você não tem condições de recorrer a meios milagrosos e ninguém lhe pede isso, mas exige-se, sim, de você que faça o que possa fazer; se você ao menos pode acalmar a fome de um só que seja, faça-o. Quanto mais justiça você puser em sua vida, menos injustiça haverá no mundo” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

     

Sexta, 13 de fevereiro de 2026

(1Rs 11,29-32; 12,19; Sl 80[81]; Mc 7,31-37) 5ª Semana do Tempo Comum.

“Muito impressionados, diziam: ‘Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar’”

Mc 7,37.

“Havia um rei que era sempre aconselhado por um ministro seu, que lhe dizia: ‘Tudo Deus sabe e o que faz sempre é bom’. Um dia o rei cortou um dedo. Angustiado, perguntou ao seu ministro: ‘Por que isso aconteceu comigo?’ ‘Tudo Deus sabe e o que faz sempre é bom’, respondeu o ministro. O rei ficou irritado, pois não era nada bom perder um dedo e decidiu castigar o ministro, predendo-o na cadeia. Numa manhã, o rei, que sempre saia para caçar com o ministro, decidiu ir sozinho, mantendo preso o seu ministro. Porém, na floresta, ele foi capturado por homens que queriam oferecê-lo em sacrifício. Então ele foi banhado e preparado para isso. Quando no último momento, investigando seu corpo, viram que estava incompleto, faltando um dedo e não podendo oferecê-lo em sacrifício, resolveram soltá-lo. Sentindo-se aliviado, o rei voltou ao seu palácio e, soltando seu ministro, disse: ‘Agora entendo o que você queria dizer com ‘Tudo Deus sabe e o que Ele faz é bom’. E contou-lhe toda a aventura que havia passado, só não havia entendido por que o Senhor havia deixado seu ministro ser preso injustamente. ‘Tudo o que Deus faz é bom’, repetiu o ministro. ‘Eu vou caçar com vossa majestade na floresta; se eu o tivesse acompanhado, teria sido oferecido em sacrifício, pois eu tenho todos os meus dedos’. A fé nos faz observar os fatos e reconhecer que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8,28). Como é bom observar as belezas e mistérios da natureza tanto do micro como do macrocosmo e podermos louvar e reconhecer o quanto Deus faz tudo bem, especialmente quando enviou Jesus, nosso Salvador. – Bondoso Deus e Pai, agradecemos por todos os teus cuidados, mesmo quando não compreendemos. Continue agindo como autor e consumador da nossa fé, para percebermos melhor as tuas ações, sendo autênticos pertencentes ao teu Reino. Amém (Ismar Lambrecht Pinz – Meditações para o dia a dia [2015] Vozes).    

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 12 de fevereiro de 2026

(1Rs 11,4-13; Sl 105[106]; Mc 7,24-30) 5ª Semana do Tempo Comum.

“A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio” Mc 7,26.

“No exercício de seu ministério, encontra-se Jesus fora dos limites de Israel; logo, em território pagão. Que motivos teve para abandonar sua pátria dirigir-se para terras estranhas? À primeira vista, não parece ter sido por causa da pregação do Evangelho. A maneira rude com que ele tratou a mulher, vinda a seu encontro para pedir a cura da filhinha endemoniada, deixa entrever uma certa indisposição para estender aos pagãos os benefícios do Reino. Teria Jesus tido a intenção de estar, por um tempo, longe de seu povo no meio do qual havia sido vítima de hostilidade, para dedicar-se à formação de seus discípulos? Em todo caso, em território estrangeiro não corria o risco de ser assediado pelas multidões, ávidas de milagres. Antes, passaria por desconhecido! A presença da mulher sírio-fenícia parece ter desmontado os planos de Jesus. Tendo ouvido falar dele, ela foi lançar-se-lhe aos pés, suplicando a cura da filha. Exatamente como acontecia com o povo da Galileia e adjacências! O diálogo travado com Jesus deixa entrever que estava sendo importuna. O Mestre não parecia disposto a ajuda-la. A firmeza da mulher desesperada fê-la sair vitoriosa do confronto. Sua réplica à recusa de Jesus em ajuda-la foi uma demonstração clara de sua fé profunda. O Mestre viu-se como que forçado a dobrar-se diante da lógica da resposta da mulher e atender-lhe o pedido. Jesus acabou deixando seus planos em segundo lugar. – Pai, cria em meu coração uma fé profunda como a da mulher pagã que demonstrou total confiança em Jesus. Por isso, foi atendida por ele (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 11 de fevereiro de 2026

(1Rs 10,1-10; Sl 36[37]; Mc 7,14-23) 5ª Semana do Tempo Comum.

“Ele disse: ‘O que sai do homem, isso é que torna impuro’” Mc 7,20.

“Jesus enfrenta, primeiro com a multidão (vv. 14-16) e depois com os discípulos (vv. 17-23), um problema do interesse da tradição desse tempo, ou seja, a questão do puro e do impuro, daquilo que nos torna bons ou maus diante de Deus. Para Jesus é decisivo não aquilo que entra na pessoa, como os alimentos, mas o que sai do coração, como as más intenções. Estas, com efeito, fazem desviar o homem da sua relação com Deus e com os irmãos. [Compreender a Palavra:] Nas comunidades cristãs primitivas era muito sentido o problema de tomar refeições juntamente com cristãos provenientes do judaísmo (estes julgavam que estavam ainda em vigoras regras alimentares da tradição judaica) e do paganismo (cf. At 10,1-11.18; Gl 2,11-14). Lembrando o ensinamento do Senhor Jesus mediante a escuta atenta da sua Palavra (v. 14), os cristãos, guiados pelos Apóstolos, os quais também tinham dificuldade em compreender a novidade do Evangelho (v. 18; cf. At 11,1-18), chegaram à conclusão de que pertencer ao Povo de Deus não requeria práticas externas particulares, mas sim a conversão do coração. É no coração, enquanto centro das decisões e dos afetos, no íntimo da consciência, que cada pessoa amadurece o tipo de relação que deve estabelecer com Deus (acolhimento ou não do seu Reino, do Seu ‘senhorio’) e em caminho pode encontrar os outros” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 10 de fevereiro de 2026

(1Rs 8,22-23.27-30; Sl 83[84]; Mc 7,1-13) 5ª Semana do Tempo Comum.   

“Teus olhos estejam abertos noite e dia sobre esta casa, sobre o lugar do qual disseste: ‘Aqui estará o meu nome!’ Ouve a oração que o teu servo te faz neste lugar. Ouve as súplicas de teu servo e de teu povo Israel quando aqui orarem. Escuta-os do alto da tua morada, no céu, escuta-os e perdoa!” 1Rs 29-30.

“Como Moisés intercedia pelo povo hebreu (cf. Ex 17,8-16), assim agora Salomão se coloca como intermediário entre o ‘altar do Senhor’ e ‘toda a assembleia de Israel’. Ele reconhece a fidelidade de Deus à Aliança, a proximidade do seu Povo (é capaz de O escutar) e o seu afastamento (não pode ser retido). E sublinha quer a disponibilidade de Israel para caminhar ‘de todo o coração’ pelos caminhos traçados por Deus, quer a necessidade de confiar continuamente na misericórdia divina, depois do pecado. [Compreender a Palavra:] O Templo é o testemunho concreto de fidelidade do Senhor ao compromisso de permanecer no meio do seu Povo (‘Aí estará o meu nome’: v. 29). E, no entanto, a casa construída pela mão do homem não pode reter Deus, porque a Sua morada está também ‘no céu’. É o que o povo hebreu irá compreender no Exílio: Israel, não podendo já encontrar-se com o seu Senhor no Templo, agora destruído e incendiado, pode tornar-se ele mesmo Templo do Senhor que ‘os céus e os mais altos céus não podem abranger’ (v. 27), na medida em que vive como povo da Aliança. Desta convicção nasce a oração angustiada de Salomão, que invoca aquele perdão que só o Senhor pode conceder: o perdão é a disponibilidade de Deus em acolher ainda Israel como parceiro da Aliança, não obstante a infidelidade e a traição; e em recriar o seu coração, para que possa avançar pelo caminho indicado pelos Mandamentos” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 09 de fevereiro de 2026

(1Rs 8,1-7.9-13; Sl 131[132]; Mc 6,53-56) 5ª Semana do Tempo Comum.

“Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus” Mc 6,54.

“Assim que Jesus chegava em algum lugar, sua presença era logo notada. Com o Mestre não se detinha numa única cidade ou povoado, as multidões acorriam aos lugares para onde calculavam que ele estivesse se dirigindo. E, logo que o reconheciam, apresentavam-lhe os doentes para serem por ele curados. Jesus tornou-se conhecido pelo modo bondoso com que acolhia a todos e pelo carinho especial que devotava aos sofredores e oprimidos. No trato com o povo, nada de gestos severos ou de atitudes arrogantes. Antes, caracterizava-se por demonstrar uma misericórdia sem limites – misericórdia própria de Deus – ao se encontrar com as multidões. Pelo contrário, mostrava-se intransigente com os opressores do povo simples, não admitindo que fosse vítima dos desmandos dos grandes, quer políticos quer religiosos. As antenas do Mestre estavam sempre ligadas para captar o menor sinal de desrespeito aos seus protegidos. Portanto, Jesus era conhecido como aquele que fazia o bem e como aquele que se colocava como defensor do povo. Em ambas as situações, era movido pela misericórdia. Essa misericórdia que o levava a curar os enfermos, levava-o também a enfrentar, sem medo, os tiranos de qualquer espécie. Compreende-se, assim, por que o povo corria atrás do Mestre. – Pai, que a misericórdia seja o traço característico do meu modo de ser no trato com os meus semelhantes, de maneira que eu possa atrair, como Jesus, muitas pessoas para ti (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

5º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 58,7-10; Sl 111[112]; 1Cor 2,1-5; Mt 5,13-16) *

1. No domingo anterior, na abertura do Sermão da Montanha com as Bem-aventuranças, Mateus propunha uma pobreza de espírito, que chamávamos de pobreza material positiva, em nossa reflexão.

2. Mas há uma outra face da pobreza: a pobreza material negativa, condição social imposta, ou sofrida. Em outras palavras, a pobreza a ser combatida ou aliviada. Estamos falando de solidariedade e o Evangelho nos ajuda a perceber nosso papel a partir da imagem da Luz.

3. Mas que significa essa luz e seu resplendor? Brilhar pela inteligência, cultura, riqueza, popularidade? Não, Jesus fala de uma outra luz. Não tanto daquela que emana das ideias e que estão fechadas nos livros, mas bem mais daquela que emana das ações e fala com a vida. “Brilhe a vossa luz”, isto é, “vejam as vossas boas obras.

4. O autor da 1ª leitura pensa de modo prático e conclui: “Então, brilhará a tua luz como aurora...”. Enfim, toda boa ação é luz, mas de modo especial é aquilo que fazemos para socorrer o próximo, os pobres. A primeira forma de solidariedade é perceber, dar-se conta dos pobres. Deixar penetrar em nós uma sã inquietação diante da miséria no mundo.

5. O maior pecado contra os pobres talvez seja a indiferença, fazer de conta que não vê. É o que Jesus reprova no chamado ‘rico epulão’ da parábola de Lázaro. De certa forma buscamos nos proteger da pobreza de tantos e alguma coisa nos chega através dos meios de comunicação.

6. Vemos os pobres moverem-se, agitarem-se, gritarem através das várias telas, dos jornais, das revistas missionárias, mas esse grito chega a nós como de muito longe. Não nos penetra o coração. Estamos protegidos deles. Aparentemente.

7. Comumente nos habituamos a tudo, até mesmo da miséria do outro. Não nos impressiona tanto, a damos como inevitável e como algo adquirido. Mas se nos colocamos por um instante da parte de Deus, e buscarmos ver as coisas como Ele vê, a coisa muda de figura.

8. Ele é como um pai de família que tem sete filhos e, a cada refeição, assiste a mesma cena: dois dos filhos, sozinhos, monopolizam quase tudo aquilo que está à mesa, deixando os outros cinco de estômago vazio. Pode um pai permanecer insensível a uma coisa parecida?

9. Jesus se identificou com os pobres e por isso os cristãos conferem ao problema dos pobres uma dimensão nova, não só sociológica, mas teológica. “Aquilo que fizestes por um desses pequeninos, foi a mim que fizeste!”

10. Mas o ponto mais importante, principalmente para os pobres, é como traduzir na prática o nosso interesse por eles. Eles não precisam de nossos bons sentimentos, mas de fatos. Esses só tranquilizam a nossa má consciência. Tudo o que nós crentes e não crentes devemos fazer de concreto é amá-los e socorre-los. E também evangeliza-los, levando-lhes a “boa nova” de que Deus está com eles. Desde a entrada de Jesus no mundo, eles são os primeiros destinatários...

11. Amar o pobre significa antes de tudo respeitar-lhe e reconhecer a sua dignidade. Na ausência de outros títulos e distinções, resta-lhes a dignidade de ser humano. E daqui vem a nossa obrigação de socorrê-los em suas necessidades como bem nos lembra São Tiago em sua carta: de nada adianta compadecer-nos se nada fazemos. A compaixão, como a fé, sem obras é morta.

12. Mas não basta a simples esmola, pois sabemos da fome no mundo e assim temos uma mobilização planetária para essas realidades. E nessas relações internacionais o Santo Padre se move juntos às lideranças mundiais para eliminar ou reduzir o injusto e escandaloso abismo que existe entre pobres e ricos no mundo.

13. Jesus sempre mostrou sua preocupação pelo pão, alimentando as multidões que o seguiam para escutar sua Palavra. Ele mesmo se fez pão. Pois não só de pão vive o pobre, mas também de esperança e de toda Palavra que sai da boca de Deus. Não uma palavra reduzida em formato sociológico ou de luta de classe. Mas daquela Palavra que lhes afirma que, apesar de tudo, para eles haverá sempre a possibilidade daquilo que ao rico ou insensível, pode ser difícil: o Reino de Deus.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 07 de fevereiro de 2026

(1Rs 3,4-13; Sl 118[119]; Mc 6,30-34) 4ª Semana do Tempo Comum.

“Os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado” Mc 6,30.

“A volta dos apóstolos para junto de Jesus, após terem cumprido a missão recebida, corresponde ao término de uma etapa importante da formação dos discípulos. A ação missionaria deles foi uma espécie de ensaio prático do que haveria de ser sua futura missão. O reencontro com o Mestre serviria para avaliar o trabalho realizado. Por isso, relataram-lhe tudo quanto tinham feito e ensinado. Era importante receber as observações do Mestre, para terem a certeza de estar trilhando o caminho correto. A missão dos apóstolos era, em tudo, semelhante à de Jesus. Como ao Mestre, cabia-lhes anunciar a chegada do Reino de Deus e conclamar o povo à conversão. Os milagres realizados indicavam que o Reino estava acontecendo na vida do povo, em forma de libertação. Sobretudo, era significativo o poder de libertar as pessoas da pressão dos espíritos impuros. Com a chegada do Reino, elas já estavam fadadas a serem escravas de quem quer que fosse. Os apóstolos foram instruídos a imitar o Mestre também em outros aspectos. Quanto à pobreza, deveriam dar prova de total confiança na providência divina. Quanto à coragem diante das dificuldades, não deveriam desistir da missão, caso fossem rejeitados. Quanto ao estar sempre a caminho, deveriam evitar fixar-se num só lugar. Após terem realizado, a contento, a missão recebida, puderam repousar um pouco com o Mestre. – Pai, dá-me as disposições necessárias para eu realizar bem a missão recebida de Jesus, tendo-o sempre como modelo (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 06 de fevereiro de 2026

(Eclo 47,2-13; Sl 17[18]; Mc 6,14-29) 4ª Semana do Tempo Comum.

“... de todo o coração louvava o Senhor, mostrando que amava a Deus, seu Criador” Eclo 47,10.

“O ‘Elogio dos antepassados’ do livro de Bem Sirá (caps. 44-50) reserva à lembrança de Davi e de Salomão uma atenção particular. As outras menções dos soberanos de Judá (Ezequias e Josias) são muito sintéticas. No texto de hoje, para além da escolha (v. 2), não invalidada, mas confirmada no perdão de seus pecados (v. 11), o autor celebra essencialmente a fé e a oração de Davi, segredo da sua força (vv. 3-5), dos seus sucessos militares (vv. 6-7) e sobretudo da sua atividade litúrgica (vv. 8-10). [Compreender a Palavra:] síntese de tipo poético, o elogio de Bem Sirá propõe essencialmente uma reflexão ética sapiencial: Davi é o eleito que Deus escolheu para Si, precisamente como reservava para Si a melhor parte do sacrifício (cf. Lv 3,9-17). Não é somente o jovem que pela fé derrotou o gigante Golias, o herói celebrado pela aclamação popular, mas é sobretudo a citarista, o suave cantor dos salmos; segundo a imagem que dele dá o Livro das Crônicas: o organizador do culto (1Cr 16,4-5). Na leitura de hoje não encontramos nenhuma menção dos episódios dramáticos da vida de Davi, nem da hostilidade de Saul, nem da rebelião de Absalão: só um aceno às suas misérias morais (v. 11a) precede a anotação da dignidade real (v. 11b). Dele derivará, para sempre, não tanto a dinastia de que é fundador e protótipo, mas sim a obra litúrgica e a exemplaridade religiosa” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 05 de fevereiro de 2026

(1Rs 2,1-4.10-12; Sl 1Cr 29; Mc 6,7-13) 4ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus chamou os doze e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros” Mc 6,7.

“Para Jesus, o exercício da missão apostólica deveria ser dinâmico. O objetivo consistia em anunciar a todos, sem exceção, a Boa Nova da salvação e fazer chegar até eles os benefícios do Reino.  As instruções de Jesus por ocasião do envio missionário tentavam garantir a agilização da missão. Nada de munir-se de apetrechos, visando assegurar a subsistência e um certo bem-estar. Era desnecessário prover-se de comida e dinheiro, ou carregar uma mochila. Duas mudas de roupa seriam supérfluas. Bastava a que traziam no corpo. Só duas coisas eram permitidas: levar um bastão e calçar as sandálias. Por quê? O bastão serviria para proteger-se dos animais ferozes que poderiam encontrar ao longo do caminho. As sandálias eram necessárias porque, se caminhassem descalços, logo estariam com os pés feridos e, por consequência, não poderiam seguir adiante e levar a cabo a missão. A simplicidade apostólica levaria os apóstolos a darem testemunho de confiança na providência divina, em cujas mãos se colocavam. Poderiam estar certos de que, em suas andanças, sempre experimentariam a bondade do Senhor do Reino, expressa na hospitalidade generosa de seus ouvintes. Neste contexto, até mesmo a rejeição serviria de estímulo para não se acomodarem, obrigando os apóstolos a sempre seguirem em frente. – Pai, ajuda-me a superar toda tentação de acomodar-me, pois como apóstolo do teu Reino, tenho de estar, continuamente, a caminho (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 04 de fevereiro de 2026

(2Sm 24,2.9-17; Sl 31[32]; Mc 6,1-6) 4ª Semana do Tempo Comum.

“Mas depois que o povo foi recenseado, Davi sentiu remorso e disse ao Senhor: ‘Cometi um grande pecado ao fazer o que fiz. Mas perdoa a iniquidade do teu servo, porque procedi como um grande insensato’” 2Sm 24,10.

“A narração articula o desenrolar do recenseamento do povo de Israel em três momentos, cada um dos quais move-se em redor da figura de Davi. Depois de ter dado ordens para o recenseamento seguir em frente (v. 2) e de ter recebido o resultado (v. 9), o soberano dá-se conta de ter cometido um abuso de poder (v. 10). Perante o anúncio do castigo (vv. 11-13), escolhe entregar-se nas mãos do Senhor (v. 14). A peste irrompe do norte do país, chegando a Jerusalém (vv. 15-16), até o Senhor remover (v. 16), e Davi confessa, de novo, a sua culpa. [Compreender a Palavra:] Nos tempos bíblicos fazer um recenseamento era considera um gesto sagrado, que se devia, por isso, fazer com algumas precauções de tipo religioso (cf. Ex 30,12-13). Já que só Deus é o Senhor do seu Povo, controlar e contar o número de pessoas da comunidade cabe unicamente a Ele: proceder à contagem dos recursos humanos e bélicos – embora isso possa parecer estranho aos nossos olhos – é julgado, por isso, um gesto despótico do rei. Depois de ter sido realizado o recenseamento, Davi dá-se conta de haver pecado. À gravidade da culpa corresponde um castigo correspondente: uma calamidade irá reduzir drasticamente a população de Israel. A peste ocasiona perdas muito grandes, mas Deus comove-se e o flagelo cessa quando a mão do anjo está sobre Jerusalém, em cujo território será edificado o Templo. Uma vez mais, a sinceridade de Davi diante das suas responsabilidades resgata o mal cometido, atestando a profunda religiosidade do rei” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 03 de fevereiro de 2026

(2Sm 18,9-10.14.24-25.30—19,3; Sl 85[86]; Mc 5,21-43) 4ª Semana do Tempo Comum.

“... e pediu com insistência: ‘Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!’” Mc 5,23.

“No evangelho de hoje damos um passo adiante: o poder de Jesus manifesta-se inclusive perante a morte, que se submete a sua palavra imperativa; a ressurreição da filha de Jairo significa o poder de Jesus sobre a vida humana. Por um lado, vemos Jairo orando com as devidas condições que a oração exige: - ora com humildade: o evangelho diz ‘lançou-se-lhe aos pés’ (v. 22), prostrando-se diante de Jesus; - ora com perseverança: o evangelho diz ‘rogando-lhe com insistência’ (v. 23); - ora com fé no poder de Jesus: ‘Vem, impõe-lhe as mãos para que se salve’ (v. 23). No entanto, a oração de Jairo não é de todo perfeita, pois sua fé não é total; pensa que Jesus não pode curar à distância, com a simples ordem de sua palavra, mas que necessita da presença e do contato físico; foi preciso que Jesus o auxiliasse e assim, quando deram a notícia a Jairo de que não precisava mais incomodar o Mestre, pois sua filha tinha morrido, Jesus disse-lhe: ‘Não temas; crê somente’ (v. 36). Às vezes pensamos que no mundo precisamos de muitas coisas, muitos bens, muitas comodidades, que julgamos serem verdadeiras necessidades, de muita preparação, muito cultura, muito dinheiro, muito trabalho. Na realidade diz-nos o Senhor que o que realmente necessitamos é de muita fé; estamos indigentes de fé, falta-nos a fé, despreocupamo-nos com a fé. Repita com frequência esta simples e breve oração: ‘Senhor, concede-me a fé e concede-me suficiente fé’” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Segunda, 02 de fevereiro de 2026

(Ml 3,1-4; Sl 23[24]; Hb 2,14-18; Lc 2,22-40) Apresentação do Senhor.

“Quando se completaram os dias para a purificação da mãe do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresenta-lo ao Senhor” Lc 2,22.

“Dentro do culto israelita, as noções de purificação e santificação são muito próximas e se completam. A purificação retira todo obstáculo que impede de aproximar-se de Deus; e a santificação é a preparação para esse encontro com Deus, ou o resultado desse encontro. Depois do nascimento de um filho homem, a mulher fica impura durante sete dias, devendo abster-se de relações sexuais por mais de trinta dias. Ao fim dos quarenta dias, há um rito de purificação, como nos relata o evangelista Lucas. O objetivo deste rito é remover a impureza para que seja possível que a mulher possa participar das atividades do culto. Observa-se que a pureza é conseguida através de um rito, e tem uma perspectiva muito mais material do que moral. No entanto, ao longo do tempo, os profetas e os salmistas vão acentuando que a purificação precisa incluir um aspecto moral. Esta verdade culmina em Jesus, Ele mesmo proclamando que a fonte da pureza está na coerência da palavra e das práticas, e não apenas no rigor em cumprir leis. A Sagrada Família observa as regras de pureza legal e Jesus, em seu ministério, não as destitui, mas aponta para o valor da pureza do coração. Esse é o aspecto principal, o de assemelhar-se a Deus. A caridade brota de um coração puro. Ser santo como Deus é santo. Atos concretos de misericórdia, humildade, compaixão, bondade, dignidade, deixam transparecer a santidade humana; um coração pronto para servir continuamente, através de uma disponibilidade que precisa ser trabalhada diariamente e contar, sem dúvida, com essa intimidade com o sagrado, por meio da oração. – Senhor, que eu encontre motivos para buscar todos os dias a santidade e a pureza de coração a fim de ser um sinal de sacralidade dentro dos apelos profanos do mundo ou o rigor de suas leis que nem sempre cuidam da alma, mas apenas das estruturas. Amém! (Patrícia de Morais Mendes de Sousa – Meditações para o dia a dia [2017] – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

4º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Sf 2,3; 3,12-13; Sl 145[146]; 1Cor 1,26-31; Mt 5,1-12) *

1. Neste domingo iniciamos o famoso Sermão da Montanha, com as chamadas bem-aventuranças. Elas começam com a célebre frase: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus”. Tal expressão de Jesus deve ser entendida em toda a sua extensão.

2. Pobreza é uma palavra ambivalente. Pode significar duas coisas diametralmente opostas: a pobreza como condição social imposta, que desumaniza, a qual devemos sempre combater; e a pobreza como escolha livre, como estilo de vida. Aqui vamos refletir sobre esse segundo aspecto, da pobreza positiva.

3. Na Bíblia, não se fala da pobreza material como uma escolha de vida antes da vinda de Cristo. Ao máximo se fala do dever de socorrer os pobres, nunca de fazer-se voluntariamente pobre. Por quê? Simples, poque ainda não tinha vindo o Reino do Céu!

4. Não existia ainda aquele motivo superior, aquele bem infinitamente maior, pelo qual seria racional renunciar, se necessário, a todos os outros bens, ou mesmo a um olho, uma mão e à vida mesmo. Jesus provoca essa inversão de todos os valores.

5. É a riqueza que não passa, que a traça não corrói, que não pode ser roubada; que não se deixa a outros, mas que se leva consigo; é o ‘tesouro escondido’, a ‘pérola preciosa’ pela qual vale a pena vender tudo para possuí-la. O Reino dos Céus, em outras palavras, é Deus mesmo.

6. Esse Reino do Céu provocou uma mudança radical e abriu novos horizontes, gerando um impacto parecido com a descoberta de um novo continente ao final do século XV. Os velhos valores do mundo – dinheiro, poder, prestígio – sofrem mudanças, relativizam-se, e são até renegados, por causa da chegada do Reino.

7. Nessa inversão de valores, os pobres saem em vantagem, pois não têm nada a perder e estão prontos a acolher a novidade sem temer as mudanças. Estão mais dispostos a acreditar naquilo que canta Maria em seu Magnificat: “Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes, sacia de bens os famintos, despede os ricos sem nada...”.

8. Maria canta como se tudo já tivesse acontecido. No entanto, ao longo da história não testemunhamos nenhuma mudança do tipo. Ao contrário, os poderosos seguem em seus tronos. Mas olhando as coisas com certa distância, sabemos que muito dessa prepotência de alguns, simplesmente foi esvaziada com o tempo. Algumas revoluções não são tão visíveis.

9. Há aspectos da realidade que não colhemos a olho nu, mas com a ajuda de uma luz especial. Ela nos é oferecida pelo Evangelho, particularmente pelas bem-aventuranças. Ela nos dá uma imagem diferente do mundo, convidando-nos a olhar o que está em baixo ou um pouco além da fachada. Distinguir o que fica do que passa.

10. Mas não se trata só de observar, mas de praticar. Para além dessa escolha livre que alguns ainda fazem de uma pobreza e simplicidade de vida, é possível sempre praticar a sobriedade, a moderação, dizer não ao desperdício, ao consumismo, ao luxo ostensivo que é um insulto a tanta gente pobre.

11. Não é a abundância de bens materiais que por si só exclui do Reino, mas o mau uso: quando não se pensa nos outros. Jesus fala da experiência da alegria do coração não só no outro mundo, mas neste em que vivemos. Francisco de Assis conjugou em sua vida essa perfeita alegria e fraternidade universal. Ter tudo sem nada possuir.

12. Coisas demais, necessidades inúteis e artificiais causam dependência e nos tornam incapazes de qualquer renúncia, e adaptação a mudanças. Sufocam os valores mais profundos e nos tornam escravos das necessidades. A felicidade não consiste em poder satisfazer todas as necessidades, mas de ter menos necessidades possíveis a satisfazer.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 31 de janeiro de 2026

(2Sm 12,1-7.10-17; Sl 50[51]; Mc 4,35-41) 3ª Semana do Tempo Comum.

“Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: ‘Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?’” Mc 4,41.

“Depois do ensino em parábolas (cf. Mc 4,1-34), abre-se no Evangelho de Marcos uma sequência de textos sobre a atividade e sobre os milagres de Jesus (4-35—6,6a). O tema da ‘barca’ – introduzido no versículo 4,1 e particularmente relevante no texto da liturgia hodierna (a palavra aparece quatro vezes no texto grego, nos vv. 36 e 37) – unifica toda a seção, até ao capítulo 8,26. Jesus domina as forças do mar, tal como o Senhor Deus, no Antigo Testamento, imperava sobre as águas do mar Vermelho (cf. Ex 14) e do rio Jordão (cf. Js 3; Sl 73,13-14; etc.). [Compreender a Palavra:] A narração da tempestade acalmada apresenta-se, não só como o relato de um episódio da vida pública de Jesus, mas presta-se também a uma rica interpretação simbólica. É evidente, antes do mais, todo o significado eclesiológico da imagem da ‘barca’, sobre a qual os discípulos passam para a outra margem juntamente com Jesus, e são evidentes os valores simbólicos do ‘sono’ do Mestre (figura da ausência pascal d’Aquele que ressuscitará e fará ressuscitar dos mortos). Além disso, o ‘mar’, no conceito bíblico, é a morada dos poderes do mal, sobre o qual só Deus exerce o Seu poder. Na autoridade de Jesus sobre as forças da Natureza manifesta-se o domínio de Deus sobre os elementos da Criação, e também a Sua vitória sobre tudo o que é demoníaco. Basta que Jesus repreenda o vento e imponha silêncio às águas para que volte a bonança. Jesus torna consciente os Seus discípulos de que o medo demonstra a sua falta de fé n’Ele. Jesus é não só o seu Mestre, mas também Aquele ‘ao qual até o vento e mar lhe obedecem’. Trata-se de uma teofania que enche os discípulos de temor reverencial” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 30 de janeiro de 2026

(2Sm 11,1-10.13-17; Sl 50[51]; Mc 4,26-34) 3ª Semana do Tempo Comum.

“Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo,

mas ele não sabe como isso acontece” Mc 4,24.

“Quando Jesus proclamava o Reino de Deus, seus ouvintes eram tentados a ligar esse Reino a feitos grandiosos. A opressão a que estavam submetidos, havia séculos, fizeram-nos alimentar um anseio de libertação urgente. A pregação de Jesus veio de encontro a este anseio. O povo queria ver a libertação acontecer por meio de fatos concretos. O primeiro deles seria o fim da dominação romana e do sistema de privilégios acobertado por ela. Aguardavam, pois, a implantação de uma sociedade sem excluídos. Jesus, porém, dava mostras de não estar interessado em se envolver numa briga com os romanos. Contentava-se em conclamar o povo para a fraternidade, promovendo uma batalha sem tréguas contra toda a forma de egoísmo. Além disso, ao curar as doenças do povo e exorcizar os possessos buscava tirar as pessoas da marginalização, religiosa e social, a que estavam relegadas, recuperando-as para a plena participação. A parábola do grão que cresce fora do controle do agricultor chama a atenção para a eficácia do Reino que age de maneira escondida nos meandros da história humana. Desta forma, Jesus questionava seus ouvintes, desafiando-os a terem uma sensibilidade mais apurada para o que estava acontecendo. Estando bem atentos, haveriam de se dar conta de que a opressão estava sendo minada em seus alicerces, e que o tão sonhado mundo novo da fraternidade já havia despontado. – Pai, dá-me sensibilidade para perceber teu Reino acontecendo no meio de nós, aí onde lutamos para a construção de uma sociedade mais humana e fraterna (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 29 de janeiro de 2026

(2Sm 7,18-19.24-29; Sl 131[132]; Mc 4,21-25) 3ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus dizia ainda: ‘Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes,

também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais” Mc 4,24.

“Essa norma, que Jesus aqui nos assinala, além de ser sumamente justa e equitativa, tem uma aplicação muito prática para a nossa vida cristã. Somos muito exigentes para com os outros, muito severos com seus atos e sua maneira de agir, exigimos deles o que nós não somos capazes de dar; supomos neles intenções e mobilidades, que nunca imaginaram, causando com isso frequentes e graves desgostos ao nosso próximo. Pelo contrário, assim como somos exigentes com os outros, somos tolerantes conosco mesmos; nós sabemos dissimular facilmente; encontramos justificativas para inocentar nossa maneira de proceder. Jesus indica-lhes a norma com a qual você será julgado: se quiser indulgência para você, seja compassivo com os outros; se quiser compreensão, cuide de entender os outros; se quiser que o/a perdoem, comece você mesmo a perdoar; se quiser ser amado(a), ame você primeiro” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 28 de janeiro de 2026

(2Sm 7,4-17; Sl 88[89]; Mc 4,1-20) 3ª Semana do Tempo Comum.

“Escutai! O semeador saiu para semear” Mc 4,3.

“O texto compõe-se de duas partes, cada uma das quais inclui duas unidades paralelas: os versículos 1-2 (A) descrevem as circunstâncias do ensinamento de Jesus; ao passo que nos versículos 3-9 (B) é exposta a parábola, com o estilo repetitivo da retórica semítica. Na segunda parte (vv. 10-13: A’), as circunstâncias exteriores mudam: Jesus, sozinho com os Doze, expõe os motivos do ensinamento em parábolas e sucessivamente (vv. 14-20: B’) explica-lhes o significado da parábola do semeador. [Compreender a Palavra:] Para compreender o ensinamento de Jesus é necessário não só escutar com atenção, como dispor-se acolhê-lo com atitudes adequadas. Isto ilustra a parábola: o fruto depende das condições da terra que recebe a semente. Jesus interpela e desafia os Seus ouvintes dizendo: ‘Que tem ouvidos para ouvir, ouça’, porque Ele explica ‘aos de fora’, isto é, aos que não estão ‘convosco’ (os que O seguiam e aos Doze); tudo é exposto em enigmas: por outras palavras, não comprometer-se não permite compreender e, portanto, torna impossível a conversão e o perdão” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 27 de janeiro de 2026

(2Sm 6,12-15.17-19; Sl 23[24]; Mc 3,31-35) 3ª semana do Tempo Comum.

“Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram:

‘Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura’” Mc 3,32.

“A procura de Jesus, por parte de sua mãe e irmãos, à primeira vista prece ter sido inconveniente e inútil. Inconveniente, por ter acontecido numa hora em que o Mestre estava rodeado por muita gente. Afastar-se, naquele momento, significava interromper o ensinamento dirigido ao povo. Inútil, por que, para ele, os laços de sangue tinham pouca importância. Logo, não havia motivo para dar-lhes um tratamento especial. Entretanto, as coisas não foram bem assim. A chegada da mãe e dos irmãos de Jesus serviu-lhe de motivo para dar um ensinamento de extrema importância: o relacionamento entre os discípulos do Reino teria como ponto de referência a prática da vontade do Pai. Esta seria a maneira pela qual deveria articular-se o novo povo de Deus, para além de parentescos sanguíneos ou da pertença a este ou aquele povo. Doravante, a submissão à vontade do Pai, explicitada nas palavras do Filho, seria a forma de vincular-se ao Reino. É incorreto interpretar as palavras de Jesus como uma forma de desprezo aos seus familiares. Se assim fosse, estaria indo na contramão da mais elementar piedade bíblica, a qual incluía o respeito aos genitores como algo quase sagrado, e da cultura judaica, fortemente alicerçada nas relações familiares. Portanto, a procura de sua mãe e de seus irmãos foi de grande utilidade para Jesus, pois motivou-o a ensinar que os laços sanguíneos devem ser submetidos a algo muito mais radical e abrangente: a fidelidade a Deus. – Pai, ensina-me a pautar minha vida pela fidelidade à tua vontade, para que eu faça parte de tua família, fundada pela ação de Jesus” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 26 de janeiro de 2026

(2Tm 1,1-8; Sl 95[96]; Lc 10,1-9) Santo Timóteo e Tito, bispos.

“... curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’” Lc 10,9.

“O discípulo é um caminhante que prepara o caminho por onde o Senhor há de passar: o anúncio dos caminhantes é a paz: Jesus Cristo é a paz. O Reino de Deus chegou com a missão dos discípulos que expandem sua atividade; a todos hão de anunciar a boa notícia de que ‘o Reino de Deus está próximo’ (v. 09). Você não deve considerar o Reino de Deus como algo distante, ou como algo que não pertença a você, como algo com que você não tenha nada a ver. O Reino de Deus está próximo, muito perto de você, está dentro de você mesmo; o Reino de Deus não é uma atitude externa, ou uma série de obras, ou de costumes aos quais devemos conformar-nos; o Reino de Deus no qual reina verdadeiramente o amor: o amor a Deus e o amor ao próximo. Este amor conscientemente vivido e eficientemente manifesto será razão de ser e o motivo de todas as nossas ações externas, que nele alcançarão valor e mérito. O Reino de Deus é também algo seu, não é alheio a você; não pode você adotar em relação ao Reino de Deus uma atitude de quem dele pode prescindir; não é algo que nada tenha a ver com você ou que não deva interessa-lo. O Reino de Deus é estabelecer em seu coração uma união vital com Deus; união vital que abranja toda a vida, que se projete em toda a vida, em todas as circunstâncias da vida” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

3º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 8,23—9,3; 1 Cor 1,10-13.17; Mt 4,12-23) *

1. Mateus nos introduz brevemente no início do ministério de Jesus e conclui com essas palavras: “Jesus andava por toda Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo”

2. Cerca de 1/3 do Evangelho se ocupa das curas que Jesus realizou em sua breve vida pública. É impossível eliminar esses milagres ou dar-lhes uma explicação natural, sem desestabilizar o Evangelho e torna-lo incompreensível.

3. Os milagres do Evangelho têm características inconfundíveis. Não são realizados para impressionar ou exaltar a aquele que os realiza. Comumente Jesus ordena guardar segredo, para evitar entusiasmos excessivos e, muitas vezes após realizar um milagre ele se esconde, fazendo desparecer assim seus vestígios.

4. Não são poucos os que buscam e se deixam encantar de certos personagens capazes de realizar levitações, de fazer aparecer e desparecer objetos, e outras coisas do gênero. A que serve esse tipo de milagre, se é que podemos chamar como tal? A ninguém, ou só a quem o pratica, para fazer discípulos ou para fazer dinheiro.

5. Jesus opera milagres por um motivo muito simples: por compaixão, porque ama as pessoas e se comove até às lágrimas, ao ver seu sofrimento. Realiza milagres para ajudar as pessoas a reconhecerem a presença do Reino de Deus e para crerem.

6. Realiza curas, enfim, para anunciar que Deus é o Deus da vida e que ao fim, juntamente com a morte, também a doença será vencida, e não haverá mais “luto nem pranto”. Não só Jesus cura, mas ordena aos seus apóstolos que façam o mesmo. Em seu envio, duas coisas vão associadas: pregar o Evangelho e curar os enfermos.

7. E assim foi ao longo da história da Igreja. Os cristãos não se contentaram em apenas pregar o Evangelho, mas buscaram aliviar os sofrimentos humanos fundando obras assistenciais de todo tipo: leprosários, hospitais, particularmente nos países de missão.

8. Mas poderíamos questionar: era isso que entendia Jesus aos enviá-los? Não falava de impor as mãos para curar? É verdade, e isso ocorreu por um tempo. Pouco a pouco, o dom de poder realizar curas cessou para ser reconhecido só em certos santos taumatúrgicos, isto é, realizadores de prodígios, como S. Antônio de Pádua, ou mesmo em certos santuários.

9. Hoje, assistimos um certo “despertar do Espírito” em alguns grupos de linha carismáticas, onde o dom da cura se faz presente, ainda que quem o exercita não seja necessariamente um santo, ou o mais santo entre os demais. Em Mt 7,21-23, o próprio Jesus reprova aqueles que profetizaram, realizaram milagres, mas cujo viver não corresponde ao poder recebido.

10. O ser humano tem dois meios para procurar superar suas enfermidades: a natureza e a graça. Natureza indica inteligência, a ciência, a medicina, a técnica; a graça indica o recorrer diretamente a Deus, através da fé, da oração e dos sacramentos. Entre ambos, natureza e fé, está Deus, porque também a engenhosidade humana vem d’Ele.

11. Há quem busque a magia, em supostos poderes de alguém, que não se baseia nem na ciência nem na fé. Por vezes nos encontramos diante do charlatanismo ou pior, na ação do inimigo de Deus. Muitos acabam economicamente e psicologicamente destruídos. Em tudo isso se exige bastante discernimento e prudência. Muitas ilusões e sentimentos não muito claros se infiltram nesse terreno.

12. O fato de não se alcançar uma cura não nos deve levar a conclusões precipitadas do tipo: ausência de fé ou mesmo de ser menos amado por Deus. Os médicos calculam hoje que S. Francisco, ao morrer, tinha doenças diversas e todas graves.

13. A força de Deus não se manifesta só de um modo – eliminando o mal ou a doença – mas também na capacidade de suportar ou conviver, e por vezes na própria alegria de levar em si a própria cruz de Cristo. Ele redimiu também pelo sofrimento e pela morte. O sofrimento não é sinal de pecado, mas instrumento de redenção. Mesmo aqui Deus faz seus santos.

14. Há muitos que para além desses personagens carismáticos da nossa Igreja, buscam a cura na Eucaristia, e como aquela mulher do Evangelho, buscam não apenas tocar em seu manto, mas receber todo o seu corpo e sangue. Buscam o sacramento dos enfermos. Seja qual for a sua enfermidade, aqui rezamos uns pelos outros para que o Senhor nos levante.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.   

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 24 de janeiro do 2026

(2Sm 1,1-4.11-12.19.23-27; Sl 79[80]; Mc 3,20-21) 2ª Semana do Tempo Comum

“Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si”

Mc 3,20.

“A seção de Marcos que começamos a ler é toda dominada pelo confronto entre os discípulos, a multidão, os adversários, os parentes. Marcos gosta muito de construir as suas narrações com um procedimento em camadas: começa uma narração, interrompe-a para contar outra; depois retoma a narração interrompida e conclui-a. Com este procedimento a narração que serve de moldura ilumina o que está no centro e vice-versa (cf. Mc 3,20-21.22-30.31-35). [Compreender a Palavra:] A cena é situada numa casa, porventura a de Pedro. Em casa, lugar de familiaridade, Jesus instrui os discípulos (cf. Mc 7,17; 9,28.33). Também as multidões se reúnem (cf. Mc 2,1.15). A multidão já foi definida ‘o pano de fundo da atividade de Jesus’. A insistência e a obsessão das pessoas ao redor de Jesus são tão fortes que o Mestre e os discípulos ‘nem sequer podiam comer’ (Mc 6,51). Neste ponto entram em cena os parentes de Jesus, com toda probabilidade vindos de Nazaré, decididos a acabar com a atividade de Jesus, levando-O para casa. Com efeito tinha-se espalhado de que estava fora de Si. Também esta expressão é de difícil compreensão: indica um equilíbrio instável que suscita surpresa (cf. Gn 27,33); espanto (cf. Gn 45,26); medo (cf. Ex 23,27); preocupação (cf. 1Sm 4,13); inquietação (cf. Dn 2,1-3); terror (1Rs 9,8). Tudo o que Jesus faz (uma ação cheia de autoridade: cf. Mc 1,27) suscita admiração e ao mesmo tempo um juízo condenatório” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 23 de janeiro de 2026

(1Sm 24,3-21; Sl 56[57]; Mc 3,13-19) 2ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele” Mc 3,13.

“A frase evangélica – ‘Chamou para junto de si os que ele mesmo quis’ – pode ser objeto de mal-entendidos. À primeira vista, podemos ser levados a tomá-la como expressão de um voluntarismo do Mestre, cujo querer se impunha. Pode-se suspeitar, igualmente, dos critérios usados na escolha de seus ‘queridos’. Ou julgar como esquisitice o seu gesto, quando se pensa que, segundo o costume da época, os discípulos é que escolhiam os próprios mestres, e não vice-versa. No entanto, considerando o conjunto da cena, descobrimos que o sentido da afirmação é bem outro. Diferentemente dos demais mestres, a intenção de Jesus era formar um grupo de companheiros de missão, e não ter discípulos no estilo dos rabinos. Daí, a necessidade de ser dele a iniciativa da escolha, considerando o relacionamento interpessoal estabelecido entre eles. Em todo caso, fica difícil determinar os critérios que Jesus usou na escolha. Analisando com atenção o elenco dos apóstolos, deparamo-nos com nomes de pessoas do povo, gente simples, sem projeção social. Com o passar do tempo, cada qual iria revelar sua personalidade, e mostrar-se como pessoas que estavam longe da perfeição. Escolhendo gente pouco expressiva, Jesus se espelhava no modo de agir de Deus, ao longo da história da salvação. Para realizar seus grandes feitos, o Pai havia contado com mediações humanas precárias. O mesmo acontecia com Jesus! – Pai, apesar da minha fraqueza, sei que contas comigo para o serviço do teu Reino. Vem em meu auxílio, para que eu seja um instrumento útil em tuas mãos. (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 22 de janeiro de 2026

(1Sm 18,6-9; 19,1-7; Sl 55[56]; Mc 3,7-12) 2ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus se retirou para a beira do mar junto com os seus discípulos. Muita gente da Galileia o seguia” Mc 3,7.

“O Senhor queria formar seus discípulos mais profunda e amplamente que o povo em geral; seus apóstolos deviam ser não somente os confidentes, mas também os depositários de sua doutrina e de sua palavra. Por isso, formou-os com cuidado especial e com maior esmero, tanto que logo disse a eles que já tinha revelado todos os segredos, nada mais tinha a dizer-lhes, pois tudo que o Pai recomendara, já lhes tinha dito. [...] Jesus quer retirar-se com você para conversar, para manifestar-lhe suas intimidades e participar-lhe seus planos e projetos apostólicos; isso exigirá que você também se retire com Jesus para a oração e a contemplação, a fim de colocar numa mesma sintonia com ele e assim poder converter você verdadeiramente em seu apóstolo” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite