Sábado, 24 de janeiro do 2026

(2Sm 1,1-4.11-12.19.23-27; Sl 79[80]; Mc 3,20-21) 2ª Semana do Tempo Comum

“Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si”

Mc 3,20.

“A seção de Marcos que começamos a ler é toda dominada pelo confronto entre os discípulos, a multidão, os adversários, os parentes. Marcos gosta muito de construir as suas narrações com um procedimento em camadas: começa uma narração, interrompe-a para contar outra; depois retoma a narração interrompida e conclui-a. Com este procedimento a narração que serve de moldura ilumina o que está no centro e vice-versa (cf. Mc 3,20-21.22-30.31-35). [Compreender a Palavra:] A cena é situada numa casa, porventura a de Pedro. Em casa, lugar de familiaridade, Jesus instrui os discípulos (cf. Mc 7,17; 9,28.33). Também as multidões se reúnem (cf. Mc 2,1.15). A multidão já foi definida ‘o pano de fundo da atividade de Jesus’. A insistência e a obsessão das pessoas ao redor de Jesus são tão fortes que o Mestre e os discípulos ‘nem sequer podiam comer’ (Mc 6,51). Neste ponto entram em cena os parentes de Jesus, com toda probabilidade vindos de Nazaré, decididos a acabar com a atividade de Jesus, levando-O para casa. Com efeito tinha-se espalhado de que estava fora de Si. Também esta expressão é de difícil compreensão: indica um equilíbrio instável que suscita surpresa (cf. Gn 27,33); espanto (cf. Gn 45,26); medo (cf. Ex 23,27); preocupação (cf. 1Sm 4,13); inquietação (cf. Dn 2,1-3); terror (1Rs 9,8). Tudo o que Jesus faz (uma ação cheia de autoridade: cf. Mc 1,27) suscita admiração e ao mesmo tempo um juízo condenatório” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite