(2Sm 1,1-4.11-12.19.23-27; Sl 79[80]; Mc 3,20-21) 2ª Semana do Tempo Comum
“Quando souberam disso, os parentes de
Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si”
Mc 3,20.
“A
seção de Marcos que começamos a ler é toda dominada pelo confronto entre os
discípulos, a multidão, os adversários, os parentes. Marcos gosta muito de
construir as suas narrações com um procedimento em camadas: começa uma
narração, interrompe-a para contar outra; depois retoma a narração interrompida
e conclui-a. Com este procedimento a narração que serve de moldura ilumina o
que está no centro e vice-versa (cf. Mc 3,20-21.22-30.31-35). [Compreender a
Palavra:] A cena é situada numa casa, porventura a de Pedro. Em casa, lugar de
familiaridade, Jesus instrui os discípulos (cf. Mc 7,17; 9,28.33). Também as
multidões se reúnem (cf. Mc 2,1.15). A multidão já foi definida ‘o pano de
fundo da atividade de Jesus’. A insistência e a obsessão das pessoas ao redor
de Jesus são tão fortes que o Mestre e os discípulos ‘nem sequer podiam comer’
(Mc 6,51). Neste ponto entram em cena os parentes de Jesus, com toda
probabilidade vindos de Nazaré, decididos a acabar com a atividade de Jesus,
levando-O para casa. Com efeito tinha-se espalhado de que estava fora de Si.
Também esta expressão é de difícil compreensão: indica um equilíbrio instável
que suscita surpresa (cf. Gn 27,33); espanto (cf. Gn 45,26); medo (cf. Ex
23,27); preocupação (cf. 1Sm 4,13); inquietação (cf. Dn 2,1-3); terror (1Rs
9,8). Tudo o que Jesus faz (uma ação cheia de autoridade: cf. Mc 1,27) suscita
admiração e ao mesmo tempo um juízo condenatório” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite