(2Sm 6,12-15.17-19; Sl 23[24]; Mc 3,31-35) 3ª semana do Tempo Comum.
“Havia uma multidão sentada ao redor
dele. Então lhe disseram:
‘Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à
tua procura’” Mc
3,32.
“A
procura de Jesus, por parte de sua mãe e irmãos, à primeira vista prece ter
sido inconveniente e inútil. Inconveniente, por ter acontecido numa hora em que
o Mestre estava rodeado por muita gente. Afastar-se, naquele momento,
significava interromper o ensinamento dirigido ao povo. Inútil, por que, para
ele, os laços de sangue tinham pouca importância. Logo, não havia motivo para
dar-lhes um tratamento especial. Entretanto, as coisas não foram bem assim. A
chegada da mãe e dos irmãos de Jesus serviu-lhe de motivo para dar um
ensinamento de extrema importância: o relacionamento entre os discípulos do
Reino teria como ponto de referência a prática da vontade do Pai. Esta seria a
maneira pela qual deveria articular-se o novo povo de Deus, para além de
parentescos sanguíneos ou da pertença a este ou aquele povo. Doravante, a
submissão à vontade do Pai, explicitada nas palavras do Filho, seria a forma de
vincular-se ao Reino. É incorreto interpretar as palavras de Jesus como uma
forma de desprezo aos seus familiares. Se assim fosse, estaria indo na
contramão da mais elementar piedade bíblica, a qual incluía o respeito aos
genitores como algo quase sagrado, e da cultura judaica, fortemente alicerçada
nas relações familiares. Portanto, a procura de sua mãe e de seus irmãos foi de
grande utilidade para Jesus, pois motivou-o a ensinar que os laços sanguíneos
devem ser submetidos a algo muito mais radical e abrangente: a fidelidade a
Deus. – Pai, ensina-me a pautar minha vida pela fidelidade à tua vontade, para
que eu faça parte de tua família, fundada pela ação de Jesus” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O
Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).
Pe.
João Bosco Vieira Leite