Sábado, 31 de janeiro de 2026

(2Sm 12,1-7.10-17; Sl 50[51]; Mc 4,35-41) 3ª Semana do Tempo Comum.

“Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: ‘Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?’” Mc 4,41.

“Depois do ensino em parábolas (cf. Mc 4,1-34), abre-se no Evangelho de Marcos uma sequência de textos sobre a atividade e sobre os milagres de Jesus (4-35—6,6a). O tema da ‘barca’ – introduzido no versículo 4,1 e particularmente relevante no texto da liturgia hodierna (a palavra aparece quatro vezes no texto grego, nos vv. 36 e 37) – unifica toda a seção, até ao capítulo 8,26. Jesus domina as forças do mar, tal como o Senhor Deus, no Antigo Testamento, imperava sobre as águas do mar Vermelho (cf. Ex 14) e do rio Jordão (cf. Js 3; Sl 73,13-14; etc.). [Compreender a Palavra:] A narração da tempestade acalmada apresenta-se, não só como o relato de um episódio da vida pública de Jesus, mas presta-se também a uma rica interpretação simbólica. É evidente, antes do mais, todo o significado eclesiológico da imagem da ‘barca’, sobre a qual os discípulos passam para a outra margem juntamente com Jesus, e são evidentes os valores simbólicos do ‘sono’ do Mestre (figura da ausência pascal d’Aquele que ressuscitará e fará ressuscitar dos mortos). Além disso, o ‘mar’, no conceito bíblico, é a morada dos poderes do mal, sobre o qual só Deus exerce o Seu poder. Na autoridade de Jesus sobre as forças da Natureza manifesta-se o domínio de Deus sobre os elementos da Criação, e também a Sua vitória sobre tudo o que é demoníaco. Basta que Jesus repreenda o vento e imponha silêncio às águas para que volte a bonança. Jesus torna consciente os Seus discípulos de que o medo demonstra a sua falta de fé n’Ele. Jesus é não só o seu Mestre, mas também Aquele ‘ao qual até o vento e mar lhe obedecem’. Trata-se de uma teofania que enche os discípulos de temor reverencial” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite