(2Sm 12,1-7.10-17; Sl 50[51]; Mc 4,35-41) 3ª Semana do Tempo Comum.
“Eles sentiram um grande medo e diziam
uns aos outros: ‘Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?’” Mc 4,41.
“Depois
do ensino em parábolas (cf. Mc 4,1-34), abre-se no Evangelho de Marcos uma
sequência de textos sobre a atividade e sobre os milagres de Jesus (4-35—6,6a).
O tema da ‘barca’ – introduzido no versículo 4,1 e particularmente relevante no
texto da liturgia hodierna (a palavra aparece quatro vezes no texto grego, nos
vv. 36 e 37) – unifica toda a seção, até ao capítulo 8,26. Jesus domina as
forças do mar, tal como o Senhor Deus, no Antigo Testamento, imperava sobre as
águas do mar Vermelho (cf. Ex 14) e do rio Jordão (cf. Js 3; Sl 73,13-14;
etc.). [Compreender a Palavra:] A narração da tempestade acalmada apresenta-se,
não só como o relato de um episódio da vida pública de Jesus, mas presta-se
também a uma rica interpretação simbólica. É evidente, antes do mais, todo o
significado eclesiológico da imagem da ‘barca’, sobre a qual os discípulos
passam para a outra margem juntamente com Jesus, e são evidentes os valores
simbólicos do ‘sono’ do Mestre (figura da ausência pascal d’Aquele que
ressuscitará e fará ressuscitar dos mortos). Além disso, o ‘mar’, no conceito
bíblico, é a morada dos poderes do mal, sobre o qual só Deus exerce o Seu
poder. Na autoridade de Jesus sobre as forças da Natureza manifesta-se o
domínio de Deus sobre os elementos da Criação, e também a Sua vitória sobre
tudo o que é demoníaco. Basta que Jesus repreenda o vento e imponha silêncio às
águas para que volte a bonança. Jesus torna consciente os Seus discípulos de
que o medo demonstra a sua falta de fé n’Ele. Jesus é não só o seu Mestre, mas
também Aquele ‘ao qual até o vento e mar lhe obedecem’. Trata-se de uma
teofania que enche os discípulos de temor reverencial” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite