Quinta, 01 de janeiro de 2026

(Nm 6,22-27; Sl 66[67]; Gl 4,4-7; Lc 2,16-21) Santa Maria, Mãe de Deus.

“Os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura”

Lc 2,16.

“O canto angélico faz os pastores partirem para contemplar o menino na manjedoura. Tanto os pastores como Maria são exemplos para a fé com a qual devemos corresponder à visita de Deus aos homens pelo nascimento de Jesus. Os pastores veem o que o anjo lhe prometera. E eles interpretam o que veem pela palavra ouvida. Maria guarda as palavras no seu coração; ela as interpreta, a fim de entender o que aconteceu. Mas não se trata de uma compreensão intelectual, e sim de um movimento da palavra divina dentro do coração, de uma interpretação clara e acertada do agir divino, no nível do sentimento. É assim que devemos ponderar no nosso coração a história do nascimento de Jesus. Devemos deixá-la mover, para cá e para lá, até que a nossa sensibilidade saiba acompanhar a misteriosa oscilação do amor divino, que no nascimento de Jesus invadiu a história, aparecendo visivelmente para nós todos” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).  

Pe. João Bosco Vieira Leite 


Quarta, 31 de dezembro de 2025

(1Jo 2,18-21; Sl 95[96]; Jo 1,1-18) Oitava de Natal.

“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” Jo 1,4.

“Vida e morte são os opostos centrais em João. A questão é como podemos viver realmente. Muitos só vivem na superfície; para eles a vida consiste apenas em trabalhar e comer, em diversão e distração. Mas para João isso é morte. A verdadeira vida só é possível em Deus e a partir de Deus. A nostalgia da vida, de uma vida eterna, de qualidade de vida, está hoje tão forte quanto no tempo da gnose. E como é que a vida pode ser bem sucedida? Em que consiste a verdadeira vida para que mereça ser chamada de vida? João nos mostra que só podemos ser realmente humanos a partir de Deus. E ele identifica o Logos com a vida. Deus é essencialmente aquele que doa a vida e no qual está a própria vida. A experiência de Deus é sempre também experiência da própria vitalidade. Para João, a vida é um fluir. A vida está sempre ligada a uma fonte da qual brota e da qual ganha o seu frescor permanente. Em última análise é a própria fonte de Deus da qual jorra a nossa vida fecundando a nós e ao mundo” (Anselm Grüm – Jesus: Porta para a Vida – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite 


Terça, 30 de dezembro de 2025

(1Jo 2,12-17; Sl 95[96]; Lc 2,36-40) Oitava do Natal

“Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, havia sido casada e vivera sete anos com o marido” Lc 2,36.

“A profetisa Ana completa a plêiade dos justos envolvidos nos eventos em torno do nascimento do Messias Jesus. De Zacarias e Isabel afirmou-se que eram ‘justos diante de Deus e caminhavam irrepreensíveis em todos os mandamentos e ordens do Senhor’. Isabel, ‘cheia do Espírito Santo’, proclamou as glórias da mãe do Salvador. João Batista, ‘desde o ventre materno’, esteve cheio do Espírito do Espírito Santo, destinado a ser ‘profeta do Altíssimo’, cujos caminhos haveria de preparar. Maria reconheceu-se ‘humilde serva do Senhor’, disposta a cumprir em tudo sua santa palavra. Fala-se pouco de José, sendo sublinhada somente sua prontidão em cumprir as leis civis (vai com Maria até Belém para alistar-se no recenseamento), bem como, as leis religiosas (no prazo previsto, vai com sua esposa e seu filho ao templo de Jerusalém realizar os ritos de purificação). Simeão é apresentado como um homem ‘justo e piedoso’, que esperava a realização das promessas divinas feitas a Israel. O Espírito revelou-lhe que não haveria de morrer ‘sem ver o Cristo Senhor’. O mesmo Espírito conduziu-o ao templo para o encontro com o Messias. Ana, por sua vez, é apresentada como uma mulher fiel e temente a Deus. A maior parte de sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor, no templo, com jejuns e orações. Sua piedade foi recompensada com a graça de reconhecer no menino Jesus a realização das esperanças de Israel. – Pai, dá-me a graça de ser piedoso e justo como as pessoas envolvidas no mistério da encarnação de teu Filho Jesus. Sejam elas para mim fonte de perene inspiração” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite 


Segunda, 29 de dezembro de 2025

(1Jo 2,3-11; Sl 95[96]; Lc 2,22-35) Oitava de Natal.

“Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus” Lc 2,28

“Nas completas, a oração da noite, a Igreja canta o hino de despedida do velho Simeão. Também nesse cântico encontramos o duplo significado das palavras. Simeão agradece pelo que lhe sucedeu: na criança que ele carregou nos braços ele viu a Salvação: ‘A luz que ilumina os gentios, a glória de teu povo Israel’ (Lc 2,32). E ao mesmo tempo é o nosso cântico ao fim do dia. Hoje vemos a salvação que Deus nos preparou. Hoje o Cristo nos iluminou, clareando em nós tanto a fé como a carência de fé. A oração de Simeão é um colóquio com Deus no momento da morte. A noite chegando... também ela é para nós uma preparação para a morte. A noite da morte perdeu o seu horror porque em Jesus vimos a salvação, pela qual nossa vida se torna salva e sã. Vimos a Salvação, não apenas no nascimento de Jesus, mas hoje, neste dia. Deus nos deixa contemplar a sua Salvação, quando ele nos toca durante o silêncio ou quando, no encontro com alguém, o mistério divino reluz para nós. Ao olharmos para Jesus revela-se-nos a salvação que hoje nos aconteceu. Tendo visto a Salvação durante o dia, podemos nos entregar de noite, tranquilamente, nos braços amorosos de Deus” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).  

Pe. João Bosco Vieira Leite 

 

 


Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano A

(Eclo 3,3-7.14-17; Sl 127[128]; Cl 3,12-22; Mt 2,13-15.19-23) *  

1. Aproveitando essa festa da Sagrada Família quero refletir um pouco sobre essas relações fundamentais que, em seu conjunto, constituem a família: a relação marido e mulher, e a relação pais e filhos a partir da 2ª leitura. No casal temos o amor de uma parte e a solicitude da outra. Entre pais e filhos a paciência e obediência.

2. Das duas relações a mais importante é a primeira porque desta depende em grande parte a segunda, aquela com os filhos. Dois genitores podem amar muito seus filhos, mas se eles não se amam, nada poderá impedir a criança de crescer insegura na vida.

3. Comumente, quando os esposos não se amam mais, cada um busca direcionar seu afeto para o filho, buscando inconscientemente ligá-lo a si. Mas não é isso que a criança intimamente deseja. Ele não deseja ser amado com um amor diferente e à parte; deseja, ao contrário, que os pais se amem. Pois sabem que é desse amor que são nascidos e se esse se interrompe é como se lhes viesse a faltar o chão.

4. Ao falar do amor do marido e da solicitude da esposa, o texto parece soar estranho aos nossos tempos não só pela igualdade entre os sexos, mas também por essa onda de “empoderamento” feminino. Em parte, como sabemos, Paulo está condicionado à mentalidade do seu tempo.

5. Na realidade tanto o amor como a solicitude devem ser recíprocos. Pois a solicitude é um aspecto e uma exigência do amor. Isso significa ter em conta a vontade do cônjuge, sua opinião e sua sensibilidade; dialogar, não decidir sozinho, saber renunciar ao próprio ponto de vista. Enfim, recordar que se tornou “cônjuge”, isto é, literalmente, pessoas que estão sob “o mesmo jugo” livremente escolhido.

6. A imagem pode parecer um pouco inadequada, mas imaginem dois bois sob o mesmo jugo que não coordenam seus movimentos, mas cada um quer seguir por sua conta, acelerando ou parando, indo para direita ou para esquerda, sem levar em conta o outro. Seria algo cansativo, desgastante, para ambos.

7. A Bíblia nos diz que homem e mulher foram criados a imagem e semelhança de Deus, que não é nem macho nem fêmea. Em que consiste essa semelhança? O Deus do cristianismo é uno e trino. Nele temos unidade e distinção: unidade de natureza, de vontade, de intenção, e distinção de características e de pessoas.

8. Da mesma forma, num casal, se conciliam entre eles unidade e diversidade entre um “tu’ e um “eu” que se transforma num “nós”, quase como se fosse uma só pessoas, não singular, mas plural.

9. Sabemos que este seria o “ideal” e que, como em todas as coisas, a “realidade” é muito diversa, mais humilde e complexa, e por vezes, trágica. Somos bombardeados de muitos casos negativos, mas nem por isso deixamos de repropor o ideal do casal, não só sob o plano natural e humano, mas também cristão. O ideal tem sua força de atração.

10. Ao processo natural de união de um homem e uma mulher, a fé cristã acrescenta a “graça” sacramental. Algo esquecido e reduzido a um significado profano. A graça vem da cruz de Cristo, que não destrói nem suplanta a natureza, mas a realça, a eleva, restaura e fortifica, dá razões novas para superar as dificuldades. Resgata de um possível falimento.

11. Isso significa abrir-se a ação do Espírito Santo, que renova nesses a capacidade e a alegria de doar-se um ao outro. Assim o matrimônio vem santificado não por algo externo, pelo rito celebrado, ou sobre a água benta sobre as alianças, mas em si mesmo, no seu gesto mais íntimo.

12. Ao dar-se um ao outro, o casal reflete o amor fecundo que existe na Trindade. Assim, a palavra de Deus não quer só dá uma ética, indicações morais sobre numerosos problemas ligados à vida de um casal e sobre a criação dos filhos, mas propor também uma espiritualidade, como diz Paulo ao início do seu texto.

13. De todos esses maravilhosos conselhos gostaria de sublinhar um em particular: o perdão recíproco. Conheço alguns casais que tomaram para si como programa de vida matrimonial as palavras de Paulo: “Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento” (Ef 4,26). Ou seja, não dormir sem antes resolver alguma discussão ou contraste surgido durante o dia. 

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite  


Sábado, 27 de dezembro de 2025

(1Jo 1,1-4; Sl 96[97]; Jo 20,2-8) São João, apóstolo e evangelista.   

“Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou” Jo 20,8.

“A experiência do discípulo amado, na manhã da ressurreição, é modelar para quem quer seguir Jesus. Logo que tomou o conhecimento do sepulcro vazio, ele correu para lá, seguido pelo apóstolo Pedro. Quando entrou no lugar onde o corpo do Mestre tinha sido colocado e não o encontrando, ‘viu e creu’ que tinha ressuscitado. A visão que levou à fé não podia ser puramente sensorial. Neste caso, ela supera a visão humana e atinge uma profundidade só acessível ao coração. Assim, toca-se o mais profundo da realidade. Trata-se de um ver teológico, dinamizado pelo Espírito, que permite penetrar no mistério de Deus, na medida que a limitação humana for capaz. Partindo deste requisito, compreende-se por que os adversários nunca superaram a simples visão física de Jesus e de seus feitos e palavras, incapazes de ir além, jamais puderam reconhecer nele o Filho de Deus e chegar ao ato de fé. O discípulo amado estabelecera com Jesus uma relação de tamanha intensidade que, ao ver o sepulcro vazio fosse uma prova da ressurreição, e assim porque o contemplá-lo pode compreender todo mistério que envolvia o evento Jesus, chegando a atingir-lhe o âmago: o Filho era objeto do amor do Pai, o qual não permitiria que ele experimentasse a corrupção. A visão física, portanto, serviu de pretexto para algo mais profundo. – Pai, reforça minha fé na ressurreição de teu Filho Jesus, pois com ela deste prova de amá-lo e destiná-lo para a comunhão eterna contigo (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite


Sexta, 26 de dezembro de 2025

(At 6,8-10; 7,54-59; Sl 30[31]; Mt 10,17-22) Santo Estevão, diácono e mártir.

“Vós sereis levados diante de governadores e reis por minha causa, para dar testemunho diante deles

e das nações” Lc 10,18.

“Jesus Cristo deseja prevenir seus apóstolos: no exercício do apostolado, nem tudo serão alegrias, nem tudo será agradável, nem todos estarão de acordo com as palavras e os testemunhos dos apóstolos. Ver-se-ão rodeados de inimigos que, por sua vez, são inimigos da palavra e do evangelho que eles pregam. Pois bem; mesmo nestas circunstâncias adversas, o apóstolo deve permanecer fiel à sua missão e ao evangelho que tem de pregar. Essa fidelidade deverá ser mantida a qualquer custo. Não podemos fazer concessões sacrificando a fidelidade à doutrina. O apóstolo é, além disso, um emissário da paz, e o será, mesmo que no exercício de seu apostolado profético deve suportar as contradições e perseguições. O martírio de Santo Estevão, que hoje a liturgia recorda, deve ser estímulo para todo apóstolo que deseje ser verdadeiramente testemunha que atesta a fé que prega, e prega o que vive, e vive o que sente. Jesus Cristo profetiza aos apóstolos as perseguições que hão de ter pela frente. A história da Igreja confirmou plenamente a veracidade das palavras de Jesus Cristo. O patrimônio do apóstolo é a perseguição, o sacrifício” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite


Quinta, 25 de dezembro de 2025

(Is 52,7-10; Sl 97[98]; Hb 1,1-6; Jo 1,1-18) Natal do Senhor.

“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus” Jo 1,1.

“O prólogo é, provavelmente, o mais belo hino cristão da encarnação que conhecemos. Ele se compõe de quatro estrofes que descrevem o mistério da humanização. O Verbo se fez carne – é esse o ponto alto da declaração. Os exegetas procuram saber se a palavra grega Logos foi adotada de Fílon. Pode até ser que existam semelhanças, mas muito maior é a afinidade com a especulação sapiencial judaica. No Livro da Sabedoria descreve-se a sabedoria como se fosse uma pessoa que mora entre nós. Da mesma maneira, o Verbo quer habitar entre nós, quer montar a sua tenda entre nós. A sabedoria e o Verbo querem mostrar a maneira pela qual Deus se manifesta a nós. Ambos são vistos, por assim dizer, como pessoas próprias pelas quais o Deus longínquo se comunica, uma espécie de mediadores entre Deus e os homens. Pode ser que o pano de fundo desse hino maravilhoso seja também a gnose para qual o Logos era o mediador importante entre Deus e o homem. ‘No início era o Verbo’ (Jo 1,1). Com esse versículo, João persegue a origem de Jesus até as profundezas da divindade. Ressoa nessa afirmação o ‘no início’ do relato da criação (cf. BEUTLER, 1998, p. 34). Se no início era o Verbo, então, pode-se dizer também que toda a criação é verbal, perpassada que está pelo Verbo de Deus, e assim é inteligível também para nós. A própria criação já é revelação da glória de Deus. Nela, Deus se exprime para mostrar-nos a sua glória. A criação é a primeira palavra de Deus. Nela se exprime o Logos que se tornou homem em Jesus. Não podemos olhar para Jesus sem ver também a criação” (Anselm Grüm – Jesus: Porta para a Vida – Loyola).

 Pe. João Bosco Vieira Leite


Quarta, 24 de dezembro de 2025

(2Sm 7,1-5.8-12.14.16; Sl 88[89]; Lc 1,67-79) 4ª Semana do Advento.

“Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou” Lc 1,68.

“No seu evangelho, Lucas deixou para a Igreja três salmos de oração, que são cantados diariamente na liturgia: o Benedictus como hino matinal, o Magnificat como hino vespertino e o Nunc Dimittis como hino noturno. Nestes três salmos de louvor exprime-se, ao meu ver, a arte lucana de ligar o passado ao presente e ao futuro. Nesses hinos louvamos a Deus por tudo o que já fez por nós no passado e por tudo o que hoje ainda faz. Usamos essas palavras todos os dias e nas mais diversas festas. Não descrevem apenas que aconteceu no nascimento de João Batista ou no Natal. São palavras abertas, podendo descrever o mistério de qualquer festa, seja Páscoa ou Pentecostes, Ascensão de Cristo ou uma festa de Maria ou de qualquer santo. O hino de Zacarias, propriamente uma poesia de felicitações pelo nascimento de João Batista, Lucas o colocou conscientemente antes do nascimento de Jesus. Assim, Lucas vê nestas palavras uma expressão do mistério da Encarnação, que comemoramos diariamente de manhã cedo. Em Jesus, Deus visitou a nós, seres humanos. Deus torna-se o nosso hóspede. E como presente de hóspede ele traz a redenção. Essa redenção é descrita como salvação das mãos dos inimigos, como misericórdia para conosco, possibilitando-nos uma vida sem medo, ‘em santidade e justiça, ao longo dos nossos dias’ (Lc 1,75). E o nascimento de Jesus é cantado como a visita do sol nascente, vindo do alto. Em Cristo aparece-nos o sol da salvação. ‘Ilumina-nos, a nós que nos encontrávamos na escuridão, na sombra da morte, a fim de guiar os nossos passos no caminho da paz’ (Lc 1,79). A imagem do astro que aparece no céu, nos iluminando, era conhecida tanto entre os judeus como entre os gregos. Cristo é essa figura luminosa celestial. Ele é a verdadeira estrela da manhã, que surge nos nossos corações. A Igreja canta esse hino toda manhã, para confessar que o sol nascente nos lembra o Cristo. O que observamos na natureza é imagem do Cristo, o sol verdadeiro. Cristo nos traz hoje a luz que expulsa as nossas trevas e nos possibilita prosseguir no caminho da paz” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).  

Pe. João Bosco Vieira Leite


Terça, 23 de dezembro de 2025

(Ml 3,1-4.23-24; Sl 24[25]; Lc 1,57-66) 4ª Semana do Advento.

“Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel

e alegraram-se com ela” Lc 1,58.

“O nascimento de João Batista foi motivo de regozijo para os vizinhos e parentes de Zacarias e Isabel. Todos reconheciam neste acontecimento a manifestação da grande misericórdia de Deus, interpretando-o à luz de fatos do passado. Estes revelaram que aos filhos das estéreis estavam reservadas importantes missões em favor do povo. É de notar que as grandes matriarcas do povo tenham sido estéreis. Assim, a esposa de Abraão – Sara – deu à luz já na velhice, a ponto de temer que caçoassem dela. A esposa de Isaac – Rebeca – também concebeu, apesar de ser estéril. Sua gravidez foi resultado da súplica dirigida a Deus por seu marido. Igualmente a esposa de Jacó – Raquel – só foi capaz de gerar por especial intervenção divina. Outros personagens importantes da história de Israel também nasceram de mães consideradas estéreis. Tal é o caso de Samuel, nascido de Ana. O nascimento do Batista colocava-se no sulco de uma plêiade de personagens ilustres. Daí o temor que se apoderou do povo, o interesse com que narravam o fato, e as interrogações que se faziam a respeito do destino do menino. Sendo evidente que a ‘mão do Senhor estava com ele’, tinham certeza de que se tratava de alguém ao qual Deus confiaria tarefas importantes. Desde o seu nascimento, o Batista foi considerado homem de Deus, na mais perfeita consonância com o caminho que haveria de trilhar. – Pai, conta comigo para realizar o teu projeto, como contaste com João cujo nascimento foi revestido de gestos amorosos de tua providência” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite


Segunda, 22 de dezembro de 2025

(1Sm 1,24-28; Sl 1Sm 2; Lc 1,46-56) 4ª Semana do Advento.

“Maria disse: ‘A minha alma engrandece o Senhor’” Lc 1,46.

“O evangelho de hoje traz o cântico de Maria, inspirado em outros cânticos do Antigo Testamento; é um mosaico de alusões e frases do Antigo Testamento, nos quais se canta a misericórdia e a bondade de Javé com os pobres e humildes, que são socorridos por sua providência. ‘E disse Maria: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria, em Deus, meu Salvador’ (vv. 46-47); este canto é a expressão mais elevada da alma de Maria; as lágrimas, alegria e esperanças de Israel encerram-se no coração de Maria, a Virgem. ‘Porque olhou para sua pobre serva’ (v. 48); a humildade de Maria é a causa da sua grandeza; como ela se humilhou até o mais íntimo, Deus a elevou à mais alta dignidade. ‘Olhar’ ou ‘pôr os olhos’, nos salmos, expressa frequentemente o amor eficiente de Deus. ‘Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada por todas as gerações’ (v. 48); por essa dignidade tão grande à qual Maria foi elevada, ela será bendita por todas as gerações’ (v. 48); por essa dignidade tão grande à qual Maria foi elevada, ela será bendita por todas as gerações cristãs de todos os tempos cantaram as glórias da Virgem humilde, que veio a ser a Mãe de Deus. ‘Porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso’ (v. 49). A Virgem de Nazaré diz seu ‘sim’ ao plano de Deus e após esse ‘sim’ o Verbo de Deus se fez homem. Seu ‘nome é Santo, Sua misericórdia se estende de geração em geração, sobre os que o temem’ (v. 50). Santificar o nome de Deus é reconhecer sua suprema e absoluta transcendência. Já ao desvelar seu nome a Moisés, revela-se como o Misericordioso (Êxodo 35,6) e nenhuma obra era de maior misericórdia que a obra da redenção. ‘Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos’ (v. 51). A metáfora do braço expressa o poder de Deus, que se manifesta em humilhar os soberbos e exaltar os humildes. ‘Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes’ (v. 52). Se nós quisermos ser grandes aos olhos de Deus e ser amado por ele, devemos humilhar-nos perante os homens, reconhecendo nossa pequenez e miséria. ‘Saciou de bens os indigentes despediu de mãos vazias os ricos’ (v. 53). Maria coloca-se na linha de todos os pequenos, os humildes, os famintos de Israel; aquele que, por estarem vazios de si mesmos, estão cheios de Deus. ‘Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia’ (v. 54). Deus é misericordioso e acolhedor para com todos, pois sua misericórdia é infinita” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite


4º Domingo do Advento – Ano A

(Is 7,10-14; Sl 23[24]; Rm 1,1-7; Mt 1,18-24)*

1. Há algo em comum entre as três leituras deste domingo. Em cada uma delas se fala de um nascimento/origem. Está na profecia de Isaías: “... uma virgem conceberá”; Paulo anuncia Jesus como “descendente de Davi segundo a carne”; por fim, Mateus nos fala como foi a origem de Jesus Cristo.

2. O nascimento de uma criança se reveste de grande importância na Bíblia. Em todas as suas grandes histórias há uma criança nascendo, trazendo consigo uma missão: Isaque, Moisés, João Batista, o próprio Jesus. Feita essa breve introdução coloquemo-nos diante do Evangelho com os problemas e instâncias do nosso tempo.

3. Comecemos com a pergunta: por que nascem cada vez menos crianças nos países ocidentais? O Natal era uma festa por excelência, das crianças. Hoje, cada vez mais dos adultos. É só observar as vitrines. Elas estão voltadas para os adultos. Antes o objetivo era fazer feliz uma criança, hoje queremos fazer felizes a nós mesmos.

4. O número de asilos ou casa de repouso vem aumentando. Sei que estou tocando num assunto delicado e para muitos representa um drama particular. O faço “pisando em ovos”, e com todo respeito de que sou capaz, consciente de que nesse campo entram muitos fatores e não se pode dar um juízo único que seja válido para todos os casos.

5. Podemos honestamente dizer que a dificuldade econômica e socias são maiores que em outros tempos? Se vivemos um momento de “crise”, em qual momento do passado, antigo e recente, não houve alguma crise? O motivo é mais profundo.

6. O problema verdadeiro é a aridez espiritual, a perda do impulso vital, da alegria, da capacidade de projetar-se no futuro. É a perda de uma certa inocência e ingenuidade, e, portanto, da capacidade de admiração, do maravilhar-se diante da vida e das coisas. A perda da poesia.  

7. Somos como uma árvore que vai perdendo suas raízes mais profundas e se alimenta agora só de raízes superficiais. Talvez o motivo de tudo isso esteja relacionado a falta de esperança. Se casar-se é sempre um ato de fé, colocar um filho no mundo é sempre um ato de esperança. Nada se faz no mundo sem esperança. Precisamos de esperança como de oxigênio para respirar.

8. Quando uma pessoa se levanta pela manhã e não tem nada que esperar, nada de nada, é bom estar atento: há um grande perigo há vista... é assim que amadurecem os propósitos de suicídio. Os jovens precisam de esperança. Os filhos voltam espontaneamente, ou ficam, em casa, se nessa se respira ares de esperança. Se não, eles fogem, evadem. E esse evadir-se aqui tem muitos significados que passam pelas drogas e outros subterfúgios para simplesmente não “pensar” ...

9. Quando em uma situação humana renasce a esperança, tudo parece diverso, ainda que nada de fato tenha mudado. A esperança é uma força primordial. Faz literalmente milagre. Assim os cristãos são chamados de peregrinos de esperança, por causa da força do Evangelho. Ele nos oferece a esperança com letra maiúscula, a Esperança como virtude teologal.

10. Sabemos que as esperanças terrenas, as tantas conquistas que nós realizamos, muitas vezes geram desilusão, se não há algo mais profundo que nos sustenta e nos levanta. A esperança teologal é uma capacidade nova, doada a quem crê. Ela vem inserir-se naquela capacidade natural de projetar-se ao futuro, que é a simples esperança humana, dando a essa um novo motivo e um novo conteúdo.

11. O Natal pode trazer consigo o renascimento da esperança. Ele traz consigo uma promessa, aponta um caminho para sairmos do escuro e do pântano espiritual em que nos encontramos. E o caminho é redescobrir quem é aquela Criança mencionada pelo profeta e que coisa nos veio trazer.

12. Um natal sem Jesus Menino é como uma moldura sem um quadro dentro, como uma Missa sem consagração, como uma festa sem o festejado. É Ele que nos disse: “quem acolhe uma criança em meu nome é a mim que acolhe”.  Que os casais se abram à vida; que sejamos atentos às crianças que vivem em situação de pobreza, pelas quais é sempre possível fazer alguma coisa. Devolver ao Natal a alegria das crianças e daquela Criança.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.     


Pe. João Bosco Vieira Leite


Sábado, 20 de dezembro de 2025

(Is 7,10-14; Sl 23[24]; Lc 1,26-38) 3ª Semana do Advento.

“Maria, então, disse: ‘Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!’ E o anjo retirou-se”

Lc 1,38.

“O evangelho nos diz que a Virgem ‘perturbou-se’ pelas palavras tão honoráveis que o anjo lhe dirigia; era a profundíssima humildade de Maria que se julgava indigna de semelhante elogios; mas foi precisamente essa humildade de Maria que atraiu os olhares de Deus. Se quisermos atrair os olhares de Deus, pratiquemos a humildade. A humildade de Maria levou-a aceitar incondicionalmente a vontade de Deus, mesmo considerando-se indigna de ser a Mãe de Deus: ‘Faça-se em mim segundo a tua palavra’ (v. 38), cumpra-se em mim tua vontade, realize-se em mim o plano que tens para a salvação do mundo. É este o verdadeiro modelo de nossa oração, na qual mais que pedir a Deus que faça nossa vontade, temos de oferecer-nos para que o Senhor realize em nós seu plano de salvação e santificação” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite


Sexta, 19 de dezembro de 2025

(Jz 13,2-7.24-25; Sl 70[71]; Lc 1,1,5-25) 3ª Semana do Advento.

“Mas o anjo disse: ‘Não tenhas medo, Zacarias, porque Deus ouviu tua súplica. Tua esposa, Isabel, vai ter um filho, e tu lhe darás o nome de João’” Lc 1,13.

“Zacarias serviu-se da ocasião oferecida pelo serviço sacerdotal desempenhado no templo de Jerusalém para abrir seu coração a Deus, confessando-lhe a angústia de morrer sem deixar descendência. Sendo ele e sua mulher de idade avançada, com o agravante da esterilidade de Isabel, seria ingênuo imaginar que alguma novidade pudesse acontecer. Restava-lhes somente conformar-se com o opróbrio que lhes competia suportar. O sofrimento do casal Zacarias e Isabel tinha tudo a ver com o sofrimento do justo. Ambos eram irrepreensíveis na sua conduta religiosa. Nem um só mandamento ou preceito escapava de seu empenho de fidelidade a Deus. Por que, então, se abatera sobre eles a maldição de estarem fadados a morrer sem deixar descendência? A oração do justo, feita do mais profundo de sua dor, foi devidamente ouvida por Deus. O anjo do Senhor anuncia a Zacarias o nascimento de um filho, ao qual será dado o nome de João. Repleto do Espírito Santo, ser-lhe-ia confiada uma missão grandiosa: reconduzir os filhos de Israel para Deus, de modo a prepara-los para acolher a salvação que Deus reservara à humanidade, por meio do seu Messias. A superação da ignomínia dos justos – Zacarias e Isabel – foi além de suas expectativas. A misericórdia que lhe fora manifestada era um aspecto da benevolência mais ampla que o Pai reservara a toda a humanidade. – Pai, atendendo à oração de Zacarias, manifeste tua misericórdia para o justo sofredor. Sê também benévolo diante das nossas angústias” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite


Quinta, 18 de dezembro de 2025

(Jr 23,5-8; Sl 71[72]; Mt 1,18-24) 3ª Semana do Advento.

“Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados” Mt 1,21.

“São José não conhecia o mistério realizado em Maria, mas a Virgem conhecia-o bem, com toda clareza, e percebia também o martírio que José estava enfrentando. Maria poderia ter-lhe dirigido ao menos uma palavra, ainda que fosse apenas de ânimo e de esperança. Maria não o fez. Deixou que o próprio Deus viesse em defesa de sua virtude, como de fato aconteceu. A defesa de Maria foi Jesus; o consolo de São José foi Jesus. Jesus será também para você sua defesa e seu consolo. Jesus significa: ‘Javé salvou’, e nunca esteve mais bem aplicado esse sentido do que em Jesus Salvador de todos os homens, Salvador do pecado e da morte, Salvador seu e de quantos nele creem. Poucas ideias são repetidas na Bíblia como a esperança que devemos colocar no Senhor: ‘Provai e vede como o Senhor é bom. Feliz o homem que se refugia junto dele’ (Salmo 33,9). ‘Ó Senhor dos exércitos, feliz o homem que em vós confia’ (Salmo 83,13), ‘... ditoso quem confia no Senhor’ (Provérbios 16,20)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite


Quarta, 17 de dezembro de 2025

(Gn 49,2.8-10; Sl 71[72]; Mt 1,1-17) 3ª Semana do Advento.

“Judá gerou Farés e Zara, cuja mãe era Tamar...” Mt 1,3.

“Os exegetas sempre se perguntaram o que quer dizer a menção expressa de quatro mulheres na árvore genealógica de Jesus. São elas: Tamar, Raab, Rute e Batsheba, mulher de Uriá. Tamar era nora de Judá; como se sentisse injustiçada por Judá, ofereceu-se a ele como meretriz, para engravidar dele. Raab foi a meretriz que possibilitou aos israelitas a conquista de Jericó. Na exegese antiga, as quatro mulheres eram vistas como pecadoras, mas esses preconceitos dos exegetas não correspondem à visão do evangelista. Sendo as quatro mulheres estrangeiras, Mateus mostra, logo no início do seu evangelho, na genealogia de Jesus, que este assumiu a humanidade inteira, oferecendo a salvação também aos pagãos. As quatro mulheres remetem a Maria, a quinta mulher. Como as outras quatro mulheres, também ela não se encaixa na genealogia, porque esta visa José, e não Maria. Mas é de Maria que se afirma que dela nasceu Jesus, ‘a quem chamam de Cristo’ (1,16). Maria é a quinta mulher. Nela se cumpre o que nas outras quatro fora prenunciado. É nas mulheres que Deus atravessa a sequência genealógica com elementos irregulares. A intervenção de Deus surpreende, porque não se ajusta aos paradigmas humanos; fica claro que Cristo assumiu e redimiu a história de graças e desgraças, Deus planta um recomeço. Podemos tentar uma interpretação simbólica: Maria é a quinta mulher. Aos cinco livros de Moisés correspondem as cinco mulheres. Cinco é o número de Vênus, deusa do amor. O amor completa a lei. Quatro são os passos que, na evolução, levam do mundo mineral, passando pelo reino vegetal e animal, ao ser humano. O quinto passo é o salto para o mundo divino. Em Maria, a humanidade ultrapassa a si mesma e desemboca em Deus quando o próprio Deus torna-se homem” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite


Terça, 16 de dezembro de 2025

(Sf 3,1-2.9-13; Sl 33[34]; Mt 21,28-32) 3ª Semana do Advento.

“Darei aos povos, nesse tempo, lábios purificados, para que todos invoquem o nome do Senhor

e lhe prestem culto em união de esforços” Sf 3,9

“O profeta Sofonias viveu algumas dezenas de anos antes da destruição de Jerusalém, num período de caos social e político. Embora de condição burguesa, não hesitou em lançar-se contra os altos dignatários da corte, contra os comerciantes, contra os ímpios (Sf 1,8-13) e contra todos os que cometiam injustiças. Ameaçou com iminente castigo de Deus e, como última possibilidade de salvação, indicou a imediata ‘conversão ao Senhor’ [Compreender a Palavra:] Houve um tempo em que Deus parecia aliado dos ricos: o bem-estar, a sorte, a abundância dos bens, a descendência numerosa eram considerados sinais da Sua bênção (Dt 28,1-14). Lendo o Antigo Testamento verifica-se que a ideia dos israelitas era a riqueza e não a pobreza. Aos poucos, porém, em Israel a mentalidade mudou. Sobretudo após a pregação dos profetas, começou-se a compreender que a riqueza derivava amiúde não da bênção de Deus, mas de injustiças, enganos, exploração dos operários, burlas. Os pobres deixaram de ser considerados amaldiçoados devido à sua impiedade, mas sim vítimas em poder dos poderosos (Mq 3,2). Converter-se, aceitar a correção do Senhor significou, para Sofonias, colaborar na realização do projeto de Deus, ou seja, eliminar as injustiças dos ricos, a tirania dos poderosos, pôr um fim ao orgulho dos mais fortes e tornar-se humildes como os pobres. Pela primeira vez, a palavra ‘pobre’ foi empregada na Bíblia com um significado novo: não indicava apenas uma condição social e econômica, mas exprimia uma atitude religiosa interior. Para Sofonias, pobre era quem, não possuindo nenhuma segurança, se confiava inteiramente a Deus e se submetia à Sua vontade. Enriquecido deste significado, o termo ‘pobre’ tornou-se em seguida sinônimo de homem piedoso, justo, temente a Deus” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Advento - Natal] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite