Sábado, 10 de outubro de 2026

(Gl 3,22-29; Sl 104[105]; Lc 11,27-28) 27ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática’” Lc 11,28.

“Muitas vezes a palavra humana causou-lhe dano grave: a palavra humana entusiasmou o seu espírito, ou excitou seu egoísmo, ou acendeu sua sensualidade, ou desviou do caminho reto... Tudo isso você deve aos efeitos da palavra humana, que, por ser humana, é falível, egoísta, carregada de paixões, do veneno do ódio, das discórdias entre irmãos. No entanto, quão diferente é a palavra de Deus, que não somente diz, mas também realiza. Diz o que faz e faz o que diz; é por si mesma eficiente e dinâmica, tende sempre à realização, e se promete, dá; se expõe, ilumina; se corrige, santifica; se perdoa, devolve a graça. A palavra de Deus é uma palavra sem som, porém com eficiência; palavra que não se percebe pelo ouvido, mas capta-se com o coração; palavra que não grita, mas se sente na intimidade mais recôndita de nosso ser. A palavra de Deus não só promete, mas também cumpre o que prometeu, e dá e outorga ainda muito mais do que mostrou; palavra que responde mesmo antes de ser interrogada, ou sem necessidade de o ser; palavra que se dirige, mais que a seu exterior, ao interior de seu coração. A palavra de Deus há de confortar e animar você no desânimo; moderará seu excessivo entusiasmo; tornará você fervoroso(a) e fiel em seus momentos de apatia ou frieza; aclamará seus arrebatamentos; serenará suas excitações; infundir-lhe-á a luz que necessita para os momentos de dúvida; ela o/a confirmará e tranquilizará em suas horas de bem e de retidão; ela o/a perdoará quando cair; ela o/a impulsionará quando permanece no bem. Se você escuta, cumpre e vive a Palavra, ela lhe dará paz e salvação; porque Deus salva os que nele esperam. Palavra de Deus que surge acima de todos os enganos e falsidades que o/a rodeiam; palavra que nunca engana, nem falseia; palavra de Deus que leva no íntimo a fecundidade da vida. A felicidade e a glória da mulher israelita, segundo os livros dos sábios, fundamentam-se no filho (Provérbios 23,24ss e Gênesis 30,13); porém Jesus valoriza de outro modo a glória da mulher e do homem: o conhecimento e a prática da palavra de Deus. Esta afirmação ‘ouvir a palavra’ tem sentido enfático, que ultrapassa a simples audição; trata-se de recebe-la, aceita-la e praticá-la. É a recepção carinhosa da semente no seio da terra, guardando-a para que frutifique” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

    

Sexta, 09 de outubro de 2026

(Gl 3,7-14; Sl 110[111]; Lc 11,15-26) 27ª Semana do Tempo Comum.

“E a Escritura, prevendo que Deus justificaria as nações pagãs pela fé, anunciou, muito antes, a Abraão:

‘Em ti serão abençoadas todas as nações’” Gl 3,8.

“Paulo encontra nas Escrituras do Antigo Testamento uma confirmação do Evangelho que anuncia. Abraão, o pai do povo de Israel, não podia esperar da mulher Sara um filho, mas ele acreditou na promessa que o Senhor lhe tinha feito, acreditou no poder criativo de Deus que não tem limites. Filhos de Abraão e participantes da sua bênção são aqueles que creem (cf. vv. 6-9). Quem pelo contrário vive esforçando-se por merecer justiça diante de Deus, fazendo as obras que a Lei prescreve, permanece debaixo da maldição (cf. vv. 13-14). Mas em Cristo a bênção de Abraão chega aos crentes (cf. vv. 13-14). [Compreender a Palavra:] Na Bíblia ‘ser justificado’ significa ter sido colocado numa relação justa com Deus. É reconhecer que os nossos esforços não bastam para nos tirar das areias movediças em que nos precipitámos; pelo contrário, pioram a situação. Só é justo quem diz ‘sim’ a Deus, reconhecendo-O e acolhendo-O como seu Senhor. Abraão foi reconhecido justo pela sua fé, não pelas obras da Lei. Paulo cita o Livro do Gênesis (cf. 15,6) e o profeta Habacuc (cf. 2,4), onde se diz que o justo terá a vida pela sua fé. A própria fé, todavia, não é um mérito por qualquer obra, nem é obra humana. Quem quiser ser justo pelas obras da Lei deve cumprir toda Lei, com todas as suas prescrições, mas isso é impossível. Por isso, todos os que se referem a Lei segundo Dt 27,26, estão debaixo da maldição. O único modo de libertar-se dessa maldição consiste em libertar-se do peso da Lei mosaica, seguindo por outro caminho: o caminho percorrido pelo próprio Cristo. É esta a boa notícia anunciada por Paulo” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 08 de outubro de 2026

(Gl 3,1-5; Sl Lc 1; Lc 11,5-13) 27ª Semana do Tempo Comum.

“Portanto, eu vos digo, pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto” Lc 11,9.

“O discípulo do Reino reza com absoluta certeza será atendido. Entretanto, deverá submeter-se às exigências da oração cristã, que o despoja de si mesmo e de seu egoísmo para abri-lo à comunhão com o Pai e com o próximo. Deus não dá ouvido à oração do egoísta, o qual só busca suas necessidades pessoais e seus interesses. A parábola evangélica mostra ser inconcebível que um amigo não atenda ao companheiro necessitado, mesmo à custa de incômodos. Um tal comportamento estaria em aberto contraste com o espírito de hospitalidade oriental. O amigo recorreu ao outro por ter plena confiança de não ser decepcionado. A parábola refere-se aos obstáculos encontrados: a porta da casa já estava fechada e, para abri-la, seria preciso acordar as crianças que estavam dormindo na sala, conforme o costume da época. O mesmo acontece com a oração cristã: não é atendida de maneira mágica como se ao pedido se seguisse um imediato atendimento. O orante reza e confia, esperando a hora de ser atendido. Se um homem, mesmo devendo acordar no meio da noite, atende o pedido de seu amigo necessitado, quanto mais Deus atenderá a oração de quem reza como convém. Disto nenhum discípulo pode duvidar. Caso contrário, estaria considerando o Pai celeste pior que o mais malvado dos pais da Terra. Conclusão: o Pai do Céu reserva o que há de melhor para os filhos e filhas que se dirigem a ele com toda confiança. – Pai, que a minha oração seja plena de confiança em ti, pois sei que queres dar-me o que tens de melhor, o Espírito Santo” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite