(Fl 1,1-11; Sl 110[111]; Lc 14, 1-6) 30ª Semana do Tempo Comum.
“Diante de Jesus, havia um hidrópico.
Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus:
‘A Lei permite curar em dia de sábado ou
não?’” Lc 14,2-3.
“Deus
criou o ser humano livre e aprumado. É assim que Jesus, no sábado, o
restabelece, mostrando-o como foi que Deus queria que fosse. Lucas combina a
teologia da Criação com a teologia da Salvação. ‘Salvação’ quer dizer: deixar a
Criação aparecer em todo o seu esplendor. Foi boa a obra divina da Criação do
homem. Mas o homem adoeceu, agrilhoado nas suas paixões, amarrado nas suas
necessidades. Jesus liberta o homem, erguendo-o novamente. Torna-o inteiro e
sadio, belo e bom. Quando Jesus cura o homem, ele o restabelece assim como Deus
o criou, na sua beleza original e na sua bondade. Por isso as curas mais
importantes, em Lucas, acontecem no sábado, no dia em que Deus descansou da sua
Criação. Mas existe ainda outro motivo pelo qual Lucas coloca as curas sabáticas
no centro da sua teologia da cura. No domingo os cristãos se reúnem para partir
o pão em comunidade e para celebrar, no culto, aquele que outrora, na história,
curou e reergueu os doentes. Na liturgia, a atuação sanadora de Jesus se torna
presente. Por isso Lucas nos diz que o povo reagiu à cura do paralítico com as
palavras: ‘Hoje vimos coisas maravilhosas’ (Lc 5,26). O que aconteceu então
acontece ‘hoje’, quando os cristãos se reúnem no culto dominical. A Eucaristia
é o momento da cura. E a leitura, a meditação sobre a narrativa evangélica
podem se tornar o momento em que nós, como leitores, nos tornamos partícipes da
cena da cura, que Lucas, com as suas palavras, nos coloca diante dos olhos” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser
humano – Loyola).
Pe.
João Bosco Vieira Leite