(Jr 26,11-16.24; Sl 68[69]; Mt 14,1-12) 17ª Semana do Tempo Comum.
“E mandou cortar a cabeça de João no
cárcere” Mt 14,10.
“A
voz austera do Batista ressoou no palácio de Herodes como se fosse uma
chicotada que queria açoitar a imoralidade da conduta do rei e, ao condenar o
procedimento do rei, dava a conhecer, bem às claras, que também deveriam
sentir-se tocados por aquela voz que repreendia todas as situações injustas e
imorais, que se alimentavam naquela corte. A fidelidade do profeta não
considerou as categorias sociais, mais ainda, começou pelo chefe ou cabeça,
pela autoridade, em uma corajosa demonstração de liberdade evangélica; nada
pode calar aquela voz denunciante da imortalidade e da injustiça. João era
profeta e falava como profeta e vivia como profeta e teve de morrer como profeta.
Você não poderá afastar-se de sua missão profética por dificuldades de nenhuma
espécie, nem por sofrimentos, humilhações e amarguras de qualquer espécie. Se
você é profeta de Cristo, como Cristo é Profeta do Pai, à semelhança dele que
chegou até a morte e morte de cruz, deverá estar disposto a chegar aos braços
da cruz redentora, sabendo que nem tudo termina na cruz, mas sim na luz da
ressurreição. Assim, você deverá denunciar profeticamente, com sua palavra e
sobretudo com seu modo concreto de vida, qualquer injustiça e imoralidade. João
Batista denunciou o adultério e o escândalo; muitas vezes você deverá denunciar
a injustiça e a imoralidade. Sua presença no mundo, por ser a presença de um
autêntico profeta, deve desacomodar o mundo não por agressividade, mas por seu
exemplo, fazendo com que sua atitude seja uma contínua reprovação para o mundo
e seus princípios. Herodes sentiu remorsos pelo crime que cometeu ao mandar
decapitar o Batista; por isso, quando lhe chegou a notícia e a fama de Jesus,
seu próprio remorso fê-lo crer que Deus tinha vigado seu crime, ressuscitando
João Batista. O pecado carrega consigo o castigo do remorso, que força e
dilacera a consciência pecadora; com o remorso desaparecem a tranquilidade e a
paz. Procurar-se-á muitas vezes silenciar a voz da consciência, mas o aguilhão
do remorso causará sempre indisposição e amargura” (Alfonso Milagro – O
Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).
Pe.
João Bosco Vieira Leite