(1Pd 5,5-14; Sl 88[89]; Mc 16,15-20) São Marcos Evangelista.
“Depois de falar com os discípulos, o
Senhor Jesus foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus” Mc 16,19.
“Não
se pode descrever o céu, mas podemos antegozá-lo. Não podemos alcançá-lo com
nossa mente, mas é difícil não desejá-lo. Se falamos do céu não é para
satisfazer nossa curiosidade, mas para reavivar nosso desejo e nossa atração
por Deus. Se o recordamos é para não esquecer o anseio último que trazemos no
coração. Ir para o céu não é chegar a um lugar, mas entrar para sempre no
mistério do amor de Deus. Por fim, Deus já não será alguém oculto e
inacessível. Embora nos apareça inacreditável, podemos conhecer, tocar, provar
e desfrutar seu ser mais íntimo, sua verdade mais profunda, sua bondade e
beleza infinitas. Deus despertará em nós a paixão do amor para sempre. Esta
comunhão com Deus não será uma experiência individual. Jesus ressuscitado nos
acompanhará. Ninguém vai ao Pai se não for por meio de Cristo. ‘Nele habita
toda a plenitude da divindade em forma corporal’ (Cl 2,9). Só conhecendo e
desfrutando o mistério contido em Cristo penetraremos no mistério insondável de
Deus. Cristo será o nosso ‘céu’. Vendo a ele, ‘veremos’ a Deus. Cristo não será
único mediador de nossa felicidade eterna. Inflamados pelo amor de Deus, cada
um de nós nos converteremos, à nossa maneira, em ‘céu’ para os outros. A partir
de nossa limitação e finitude tocaremos o Mistério infinito de Deus,
saboreando-o em suas criaturas. Gozaremos de seu amor insondável, saboreando-o
no amor humano. O gozo de Deus nos será dado encarnado no prazer humano. O
teólogo húngaro Ladislaus Boros procura sugerir esta experiência indescritível:
‘Sentiremos o calor, experimentaremos o esplendor, a vitalidade, a riqueza
transbordante da pessoa que hoje amamos, com a qual desfrutamos e pela qual
agradecemos a Deus. Todo o seu ser, a profundeza de sua alma, a grandeza de seu
coração, a criatividade, a amplitude, a paixão de sua reação amorosa nos serão
presenteados’. Que plenitude alcançará em Deus a ternura, a comunhão e o gozo
do amor e da amizade que conhecemos aqui! Com que intensidade nos amaremos
então, nós que já nos amamos tanto na terra! Poucas experiências nos permitem
antegozar melhor o destino último ao qual somos atraídos por Deus” (José Antonio Pagola – “O
Caminho Aberto por Jesus” – Marcos – Vozes)
Pe.
João Bosco Vieira Leite