Sábado, 17 de outubro de 2026

(Ef 1,15-23; Sl 08; Lc 12,8-12) 28ª Semana do Tempo Comum.

“Mas aquele que me renegar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus” Lc 12,9.

“A opção do homem, a favor ou contra Jesus, é o que decide sua existência temporal e sua sorte definitiva, escatológica. Sua existência terrena muda substancialmente, se aceita Jesus, porque aceitar Jesus é aceitar uma vida de justiça, de honestidade e moral, em que o egoísmo ou qualquer outra paixão já não tem cabimento; é aceitar uma mudança radical nas relações com o próximo, que não serão regidas ou marcadas pela conveniência, ou gosto ou a utilidade, mas pelo amor fraterno; não se buscará o dinheiro ou o prazer, ou a comodidade, mas cumprir o preceito do Mestre: ‘Eis o seu mandamento: que (...) nos amemos uns aos outros, como ele nos mandou’ (1Jo 3,23). ‘Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deves amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros’ (João 13,34-35). E a sorte definitiva, escatológica, depende também da escolha que se fez de Jesus na vida; aquele que dá testemunho de Jesus em sua vida diante dos homens, ver-se-á apoiado pelo testemunho de Jesus diante do Pai, como diz o próprio Jesus: ‘Digo-vos, todo o que me reconhecer diante dos homens, também o Filho do Homem o reconhecerá diante dos anjos de Deus; mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus’ (v. 8-9). A expressão ‘o Filho do Homem’ designa Jesus em sua condição histórica. Você deve confessar Jesus Cristo diante dos homens e deve fazê-lo não apenas com a própria palavra, mas também com o testemunho da vida diária: com o testemunho de vida, que seja o que dá força e convicção às suas palavras; com sua palavra que explique, esclareça e dê a conhecer o sentido de seu testemunho, de sua maneira de viver” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 16 de outubro de 2026

(Ef 1,11-14; Sl 32[33]; Lc 12,1-7) 28ª Semana do Tempo Comum.

“Milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar,

primeiro aos seus discípulos: ‘Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia’” Lc 12,1.

“A hipocrisia era considerada um defeito incompatível com a condição de discípulo do Reino. Daí ter Jesus falado fortemente contra este desvio da personalidade, tão encontrado em certos membros do grupo dos fariseus e dos mestres da Lei. A metáfora do ‘fermento’, aplicada à hipocrisia, é significativa. Como o fermento, ela se infiltra no coração das pessoas, transformando-as por dentro. Da mesma forma que se pode distinguir a massa fermentada da não fermentada, assim também a presença da hipocrisia seria claramente perceptível no modo de proceder dos discípulos. Escondê-la seria impossível. Portanto, os discípulos devem ficar muito atentos à mentalidade hipócrita dos fariseus para não se deixarem ‘fermentar’ por ela, e serem tentados a imitá-los, agindo de forma incompatível com a sua condição. Era grande o perigo de confundir as coisas e transformar as práticas religiosas exteriores em elementos centrais da piedade, esquecendo-se de serem puros de coração e, de fato, totalmente consagrados a Deus. Agindo assim, cairiam na tentação de, como os fariseus e os mestres da Lei, considerar-se homens justos, com o direito de menosprezar os demais, taxando-os de pecadores. Os discípulos corriam o risco de serem contaminados por esta forma de piedade tão perigosa. Seu modelo de vida deveria ser Jesus, o qual vivia em total coerência com o querer do Pai. – Pai, que eu não me deixe encantar por falsos exemplos de piedade. Estejam meus olhos sempre fitos em Jesus, cujo exemplo devo seguir para ser agradável a ti” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 15 de outubro de 2026

(Ef 1,1-10; Sl 97[98]; Lc 11,47-54) 28ª Semana do Tempo Comum.

“Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis

sob seu olhar, no amor” Ef 1,4.

“Começamos hoje a leitura da importante Carta aos Efésios, escutando a primeira parte do seu grandioso hino de abertura, que contempla o projeto salvífico divino em atuação desde a ‘criação do mundo’ (v. 4). É preciso notar que Deus Pai é o único sujeito da atuação divina, de modo que a salvação deve-se verdadeiramente ‘ao desígnio da sua benevolência’ (v. 6), e que Cristo é o mediador exclusivo dela, como é lembrado em cada versículo. Não existe atuação salvífica do Pai que não seja ‘em Cristo’. [Compreender a Palavra:] A nossa existência não é fruto do acaso, mas de um projeto salvífico, originado da incondicional gratuidade de Deus e chamado em toda Carta (tal como na tradição apocalíptica) de ‘mistério’ (v. 9). Em Dn 2, de fato, Deus revela ‘os mistérios’ futuros da Sua vontade ao vidente Daniel. No contexto de hoje, porém, o termo ‘mistério’ é utilizado no singular, e não diz respeito a algo a realizar e conhecido só do vidente, mas algo já realizado, contemplado pela inteira comunidade crente. De fato, o mistério cumpriu-se ‘em Cristo’ e consiste em estarmos associados ao Seu estatuto de Filho (v. 5). Este projeto guiou a própria Criação do mundo, a qual encontra em Cristo o seu cumprimento de sentido (v. 10). Mediante a doação da Sua vida, Cristo realiza também a redenção dos pecados (v. 7), mas tal acontecimento importantíssimo, repetimo-lo, não é a única razão da sua mediação: ao invés, ele está implicado no projeto divino original de nos tornar Seus filhos no Filho” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite