Quinta, 02 de abril de 2026

(Ex 12,1-8.11-14; Sl 115[116B]; 1Cor 11,23-26; Jo 13,1-15) Ceia do Senhor.

“Chegou a vez de Simão Pedro, Pedro disse: ‘Senhor, tu me lavas os pés?’” Jo 13,9.

“João tem duas interpretações para o lava-pés: numa ele o vê como símbolo e noutra como modelo. O conteúdo simbólico do lava-pés revela-se nas palavras: ‘Jesus (...) depõe o seu manto e toma um pano com o qual se cinge’ (13,4). Trata-se de uma metáfora da encarnação de Jesus. Ele depôs o manto de sua natureza divina e se apresenta com um pano, como escravo. O simbolismo do lava-pés aparece também no diálogo com Pedro. Este não quer permitir que Jesus lhe lave os pés. Pedro vê no gesto um serviço que cabe a um escravo.  Jesus respondeu-lhe: ‘O que eu faço, tu não és capaz de saber agora, mais tarde, porém, compreenderás’ (13,7). O lava-pés remete a um outro acontecimento, à morte de Jesus. É uma imagem do último serviço que Jesus prestará aos seus discípulos: sua morte por amizade na cruz. Quem recusa esse serviço não participa da salvação, da glória de Jesus: ‘Se eu não te lavar, não poderás ter parte comigo’ (13,8). Novamente, Pedro não entende o que Jesus gostaria de lhe dizer. Ele intui apenas que o lava-pés lhe dará parte com Cristo. Por isso pede que Jesus lhe dê logo um banho completo. Jesus lhe explica, então, o sentido de seu ato: ‘Aquele que tomou banho não tem nenhuma necessidade de ser lavado, pois está inteiramente puro’ (13,10). Os discípulos já se tornaram puros pelos atos e pelas palavras de Jesus. Bultman entende essa pureza como libertação do mundo. Quem crê em Jesus, livrou-se do poder do mundo e de seus padrões. Ele não se suja com os jogos de poder, com as intrigas e os vícios. Para Jesus, o lava-pés é um sinal daquele ato de amor que ainda falta: a sua morte de cruz. Nesse ato, o seu amor se completará. A fé não exige apenas que o discípulo creia nas palavras de Jesus, mas que creia sobretudo em sua morte. Assim se completa também a sua fé, pois ele vê na morte de cruz a maior prova do amor de Jesus” (Anselm Grun – Jesus, porta para a vida – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 01 de abril de 2026

(Is 50,4-9; Sl 68[69]; Mt 26,14-25) Semana Santa

“Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: ‘Senhor, será que sou eu?’” Mt 26,22.

“O fato da traição de Judas nos há de recordar as palavras da Sagrada Escritura: ‘Portanto, quem pensa estar em pé, veja que não caia’ (1Coríntios 10,12). Todos estamos em perigo de cair e todos cairemos, se não estivermos constantemente em oração, para merecermos a ajuda e a graça de Deus. Os apóstolos não se sentiram seguros e ainda que a consciência não os acusasse, todos eles foram apresentando sua preocupante pergunta: ‘Acaso sou eu, Senhor?’ A humildade é que nos pode manter na graça de Deus e afastar-nos do pecado; fugir sempre das ocasiões de pecar, pois aquele que foge do perigo de pecar dificilmente peca. A fuga não é de covardes, mas de prudentes e, se em alguma oportunidade se requer enfrentar o perigo para desafiá-lo, será preciso que o façamos com verdadeira humildade e não com arrogância. Confiando não em nossas forças e capacidades pessoais, mas na proteção amorosa do Senhor que teremos muito cuidado em pedir com insistência na oração” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 31 de março de 2026

(Is 49,1-6; Sl 70[71]; Jo 13,21-33.36-38) Semana Santa.

“Jesus respondeu: ‘É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho’.

Então Jesus molhou um pedaço de pão e o deu a Judas, filho de Simão Iscariotes” Jo 13,26.

“O anúncio da traição foi desconcertante para o grupo de discípulos. Independentemente de qualquer cultura, a traição é sempre um ato abominável. De modo especial, entre pessoas cujas vidas foram postas em comum, e nas quais se deposita toda confiança. Isto explica a surpresa dos discípulos quando Jesus anunciou que um deles haverá de traí-lo. E essa surpresa foi maior, quando o traidor foi identificado com Judas, filho de Simão Iscariotes. O evangelista João dirá várias vezes que se tratava de um ladrão. Logo, alguém de caráter duvidoso, de quem se pode esperar tudo. A traição seria apenas mais uma manifestação da personalidade malsã deste discípulo. Os evangelistas, em geral, referem-se a Judas como alguém que vendeu sua própria consciência ao aceitar entregar o Mestre por um punhado de dinheiro. Entretanto, é possível suspeitar de outras razões desta atitude tresloucada. Será que Judas entendeu, de fato, o projeto de Jesus? Terá sido capaz de abrir mão de seus esquemas messiânicos para aceitar Jesus tal qual se apresentava? Estava disposto a seguir um Messias pobre, manso, amigo dos excluídos e marginalizados, anunciador de um Reino incompatível com a violência e a injustiça? Judas esperava tirar partido do Reino a ser instaurado por Jesus. Vendo frustrado o seu intento, não teria tido escrúpulo de traí-lo? Uma coisa é certa: Judas estava longe de sintonizar com Jesus. Algo parecido acontecia com Pedro, que haveria de negá-lo. Só que este recuou e se converteu à misericórdia do Senhor. – Pai, faze-me viver em sintonia com Jesus, de modo que meus preconceitos não venham a influenciar minha adesão a ele (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite