(Os 6,1-6; Sl 50[51]; Lc 18,9-14) 3ª Semana da Quaresma.
“Eu vos digo, este último voltou para
casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado
e quem se humilha será elevado” Lc 18,14.
“A
parábola exposta por Jesus apresenta-nos duas posições opostas que o homem pode
adotar perante Deus; simbolizada pelo fariseu, é a posição do homem
autossuficiente que pensa que não precisa de ninguém, nem mesmo de Deus. Com
essa posição, aquele que se sente autossuficiente fecha-se dentro de si mesmo e
chega a desprezar o resto dos homens, dos quais ele pensa que para nada
precisa. É o culto egolátrico da própria personalidade e das qualidades e
talentos pessoais. Tudo isso é visto em tom de superioridade e de desprezo que
emprega na oração, em relação aos outros. A outra posição é a adotada pelo
publicano que é profunda humildade. O publicano chega a esta atitude por um
trabalho de sincera introspecção, pelo qual olha para si mesmo verdadeira e
honestamente e se reconhece pecador e, portanto, necessitado do amor de Deus.
Esse sentimento de humildade faz com que se abra e se apoie na infinita
misericórdia de Deus, da qual confessa ter necessidade e a ela suplica
firmemente. A atitude adotada pelo publicano, por seu humilde, leva-o a não
fixar-se nos outros e a não julgar ninguém, mas tão somente a si mesmo. A
humildade é o fundamento de todas as outras virtudes. Diz São Gregório: ‘Quem
acumula virtudes sem humildade é como quem atira pó ao vento’. Jesus pronuncia
sua sentença sobre a atitude soberba do fariseu e a atitude humilde do
publicano: O primeiro, cheio de si mesmo, volta vazio de Deus; o segundo, vazio
de si mesmo, vê-se envolto pelo amor e a misericórdia de Deus. A oração humilde
justifica, isto é, torna o homem aceitável a Deus, enquanto a soberba fecha as
portas da misericórdia de Deus. Se a humildade sempre é necessária em todos os
atos de nossa vida, o é de maneira especial na oração, visto que a oração nada
mais é que o reconhecimento de nossa impotência. Consequentemente, a súplica
com que recorremos a Deus, para que remedeie nossas necessidades, é um pedido
para que venha em nosso auxílio, uma vez que reconhecemos que somos incapazes
de salvar-nos e socorrer-nos a nós mesmos” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para
cada dia do ano – Ave-Maria).
Pe.
João Bosco Vieira Leite