Terça, 20 de outubro de 2026

(Ef 2,12-22; Sl 84[85]; Lc 12,35-38) 29ª Semana do Tempo Comum.

“Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento para lhe abrir imediatamente a porta, logo que ele chegar” Lc 12,36.

“Deus espera, mas não avisa; espera-nos porque é infinitamente bom e misericordioso; no entanto não avisa, a fim de que estejamos em constante preparação para apresentar-nos à sua divina presença, quando ele voltar. O tempo intermediário até a parusia, ou volta triunfante do Senhor, é o tempo que vivemos agora, é o tempo da Igreja; esse tempo exige uma atitude: a de estarmos vigilantes, atentos e preparados, para quando o Senhor vier a nós. A expressão ‘estejam cingidos os vossos rins’ (v. 35) refere-se a ação de erguer as vestes a cingi-las na cintura, a fim de que não atrapalhem no trabalho; as vestes longas e as túnicas amplas, que os orientais usavam, eram uma atrapalhação para a lida diária; por isso as erguiam até a cintura quando deviam dedicar-se ao trabalho. A expressão ‘estejam acesas as vossas lâmpadas’ (v. 35) refere-se com clareza mais que suficiente à atitude de espera e de vigilância com a qual devemos dispor-nos continuamente para a vinda do Senhor e ao espírito de autêntica e verdadeira fé com a qual devemos viver. ‘Os homens esperam seu Senhor’ (v.36) estão vigilantes e preparados para recebe-lo, assim que apareçam os primeiros sinais de que está chegando. Porque o Senhor, com certeza que o Senhor há de voltar e que voltará então já triunfante e glorioso, para julgar o mundo por sua incredulidade. De tudo isso se deduz a necessidade da vigilância e da fidelidade do bom cristão, bom discípulo e servidor de Jesus Cristo” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 19 de outubro de 2026

(Ef 2,1-10; Sl 99[100]; Lc 12,13-21) 29ª Semana do Tempo Comum.

“Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” Lc 12,21.

“Entre os leitores gentios-cristãos do evangelho lucano havia certamente muitos comerciantes de púrpura chamada Lídia. No seu evangelho, Lucas pensa no bem-estar material adquirido graças a bens imóveis, às vendas e ao comércio. Latifundiários, atacadistas e cobradores de impostos pertenciam à camada mais abastada da população (Schnackenburg, p. 219). Lucas preocupa-se principalmente com o efeito da riqueza sobre o comportamento humano. O homem pode fazer da riqueza um ídolo. A sedução da riqueza leva à ganância e à ambição. O rico é absorvido por cuidados e prazeres terrenos. Ele se esquece de Deus. Para o evangelista, duas atitudes caracterizam o procedimento do cristão com relação aos bens; depois, a despreocupação e a liberdade interna com relação às posses (Lc 12,22-32). Quem se pergunta constantemente se tem o suficiente para comer e para se vestir dá poder demais às coisas externas. Em vez de se preocupar, o homem deve confiar em Deus. Deus cuida dele. Para o cristão, o que importa é o Reino de Deus e o fato de que Deus reina dentro dele, que Deus habita na sua alma. Deus é o verdadeiro tesouro. ‘Onde está teu tesouro, lá estará o teu coração’ (Lc 12,34). Somente quando descansa em Deus o nosso coração fica livre da preocupação terrena. Somente quando tem em Deus a sua firmeza o homem consegue soltar o que possui e dar os seus dons aos pobres” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite

29º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 45,1.4-6; Sl 95[96]; 1Ts 1,1-5; Mt 22,15-21)*

1. Na sociedade pagamos impostos e taxas. Muitos. Muitas vezes. Mas abramos os olhos para a realidade. Os mais altos impostos não são aqueles que pagamos ao Estado para que se construa estradas melhores, cuide das escolas e da saúde pública, cuide da segurança, ajude aos mais necessitados e tantas outras coisas necessárias que apenas o Estado pode e deve realizar.

2. Há muitos outros impostos que não pagamos sob a forma de dinheiro e que são igualmente muito importantes. Quantas vezes, por respeito humano, não nos atrevemos a dizer o que verdadeiramente pensamos? E preferimos nos calar, guardar silêncio.

3. Aí pagamos um imposto muito alto, vendemos nossa própria autenticidade, nossa liberdade. Tudo isso para que os demais continuem nos aceitando, tudo isso para nos adaptarmos a eles.

4. Pagar imposto a César não era apenas dar-lhe a moeda. Era tornar-se servo dele, obediente às normas. Significava ser seu escravo. Por isso, Jesus pergunta ironicamente de quem era a esfinge que aparecia na moeda. Se fosse de César, então que se devolvesse a moeda a César.

5. Mas, a César devia-se dar apenas o dinheiro, não a vida, nem a honra e nem a liberdade. Tudo isso pertence a Deus e a ninguém mais. A vida, a honra e a liberdade são os dons que Deus colocou em nossas mãos.

6. É nossa responsabilidade devolvê-los a Deus acrescido, cuidados e elevados à sua plenitude. Esse é o imposto que foi preparado para nós por Deus: que levemos nossa vida e nossa liberdade à sua plenitude.

7. Hoje o Evangelho nos coloca uma questão básica: a quem servimos? A quem pagamos os impostos mais valiosos? E continuo sem referir-me aos que pagamos ao Estado. Esses são necessários. Nós os pagamos com dinheiro.

8. Os maus impostos são os que pagamos ao “que dirão de nós os outros” ou ao egoísmo. Esses, nós os pagamos com a nossa liberdade, renunciando a ela. No final, terminamos como escravos desses senhores. E renunciamos aos melhores bens que Deus nos deu: a liberdade e a vida.

9. Jesus nos pede que não nos esqueçamos de dar a Deus aquilo que é de Deus: a vida que vivemos; a vida de nossos irmãos e a liberdade a que somos chamados. Todos esses dons de Deus pertencem-lhe.

10. E, no final, quando chegar o momento derradeiro, deveremos devolvê-los a Ele, enriquecidos e levados à plenitude. Minha vida e a dos meus irmãos e irmãs. Minha liberdade e a de meus irmãos e irmãs.

11. Sinto-me livre para agir como acho que devo agir? Ou me deixo levar por aquilo que fazem os outros? Como cuido da vida e da liberdade de meus irmãos e irmãs? De minha família? Reconheço a Deus como meu Senhor? Sou escravo de outros senhores? De quais?     

* Fernando Torres, CMF

Pe. João Bosco Vieira Leite