Sábado, 08 de agosto de 2026

(Hab 1,12—2,4; Sl 9A[9]; Mt 17,14-20) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Quem não é correto vai morrer, mas o justo viverá por sua fé” Hab 2,4.

“No século VII a.C., o livro de Habacuc propôs uma penetrante reflexão acerca da justiça divina atuante na História, ou seja, sobre o fato de que o Senhor é Aquele que julga e condena toda forma de opressão. A exemplo de Naum, também Habacuc vê na Babilônia o instrumento da justiça de Deus, mas, desta vez, contra a injustiça de Judá e dos opressores dos pobres (cf. Hab 2,5-20). O excerto de hoje é um diálogo com Deus, composto por interpelações, objeções e expressões de esperança, até ao momento em que Senhor responde, prometendo salvar quem é justo e quem, na fé, busca refúgio em Deus (cf. Hab 2,1-4). [Compreender a Palavra:] Uma profissão de fé apaixonada abre o texto: o Senhor é apresentado em toda a Sua forte confiabilidade. A primeira interrogação vai à raiz da presença do mal culpável na vida humana e pelo escândalo que suscita: um Deus que Se coloca em posição alternativa ao próprio mal, como pode aceitar a prevaricação de quem O rejeita sobre quem tem uma relação positiva com Ele sem reagir? O profeta chama Deus em termos cada vez mais resolutos, delineando a impassibilidade divina diante da relação não natural do poder que se instaura no interior da Humanidade, e à violência consequente, que parece destinada a endoidecer tragicamente, como sucede a qualquer peixe que acabe na rede. Uma resposta da parte do interlocutor divino é esperada pelo profeta, o qual procura colocar-se nas melhores condições para poder registra-la. A reação chega e fala de uma manifestação de Deus que abrirá um novo horizonte de esperança e que terá um valor não transitório. O fio condutor desta afirmação será – o texto hebraico é complexo e intenso ao mesmo tempo – o insucesso de quem tem o espírito inchado de arrogância. Ao lado desta negatividade está a salvação da vida da parte de quem confia no Senhor e na Sua justiça e, consequentemente, é justo em razão da fé que se tem n’Ele. Habacuc não se opõe certamente à tradição do Deuteronômio, segundo o qual a vida é assegurada pela observância dos Mandamentos, mas coloca o discurso num nível diferente, o da fé enquanto base da salvação, que no Novo Testamento Paulo aceitará e reinterpretará muito frutuosamente (cf. Rm 1,17)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 07 de agosto de 2026

(Na 2,1.3; 3,1-3.6-7; Sl Dt 32; Mt 16,24-28) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus disse aos discípulos: ‘Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga’” Mt 16, 24.

“Indubitavelmente, o programa que Jesus traça para seus seguidores é difícil e doloroso: renunciar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo. Renunciar a si mesmo: é vencer as inclinações desordenadas e enfrentar pacientemente as contrariedades de cada dia. A negação de si mesmo supõe deixar para trás os próprios interesses e a própria comodidade, estar preparado para renunciar a todas as coisas antes de perder a graça de Deus. E ainda implica algo mais radical, que chega às profundezas do eu: é sacrificar a própria vontade e tendência à afirmação de si mesmo, para aceitar somente a vontade de Deus. É, pois, pura ilusão querer seguir a Cristo, fazendo o próprio capricho ou a própria vontade em nossa vida. É impossível seguir Jesus sem renunciar ao próprio juízo, buscando-se a si mesmo em tudo, em lugar de buscar a vontade do Pai. Tomar a cruz: porém, toma-la como fez o Mestre, com amor, com entrega, sabendo que não se chega à luz da ressurreição a não ser atravessando a escuridão da morte. No evangelho do dia de ontem, Jesus tinha dito a Pedro que era necessário que o Filho do Homem sofresse e morresse na cruz; no Evangelho de hoje, Jesus dá mais um passo e diz a Pedro que também ele e todos quantos quiserem segui-lo deverão submeter-se à lei da cruz e do sofrimento. Assim Jesus promulgou a lei austera de crucificação da carne e do coração para alcançar a vida. E São Lucas acrescenta que se deve carregar a cruz diariamente, dando a entender que esse estado de aceitação da cruz não há de ser tomado isoladamente, mas de modo permanente e contínuo. Seguir Jesus Cristo: porque caminhar junto com Cristo, ao lado dele, sentindo sua mão sobre a nossa é muito menos penoso. Ir após Jesus Cristo significa segui-lo, imitá-lo, copiar em nossa vida as virtudes de Jesus. O discípulo há de seguir o Mestre em tudo; seguirá seus passos com imitação fiel e fervorosa da vida de Jesus, deixando-se embeber dos sentimentos de Jesus, valorizando as coisas com o critério de Jesus, buscando, sempre e em tudo, a vontade do Pai que está nos céus, o mesmo que Jesus fez, que não veio para fazer sua vontade, mas a vontade do Pai que o enviou” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 06 de agosto de 2026

(Dn 7,9-10.13-14; Sl 96[97]; Mt 17,1-9) Transfiguração do Senhor.

“E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz”

Mt 17,2.

“Pedro, Tiago e João, os mais destacados do grupo dos discípulos, tiveram o privilégio de ‘ver’ a glória do Messias, antecipada na cena da transfiguração. Este estava destinado a ser glorificado por Deus, e revestido de imortalidade divina. O episódio evangélico está todo envolvido pela presença divina. O monte, para o qual Jesus e seus discípulos se dirigiram, simboliza o lugar da presença e da comunicação divinas. Dirigiram-se para o alto monte, porque o ser humano deve elevar-se para contemplar a manifestação da glória divina. O rosto de Jesus, ‘brilhante como o sol’, apontava para a glória dos justos no reino do Pai. Igualmente, o esplendor luminoso de suas vestes. A presença de Moisés e Elias indicava que as Escrituras – Palavra de Deus – estão centradas na pessoa de Jesus. Tudo quanto Deus havia falado a seu povo eleito tinha sido em função do seu filho amado. Moisés e Elias evocavam o monte Sinai, o lugar da manifestação de Deus, onde ambos estiveram. O auge da presença divina revela-se quando uma nuvem luminosa envolveu Jesus, e a voz celeste se faz ouvir: ‘Este é o meu filho amado, que muita coisa me agrada. Escutem o que ele diz!’. Assim, os discípulos estavam em condições de compreender a verdadeira identidade de Jesus, na sua condição humana e divina. Este seria um dado importante para quem haveria de ver o Mestre tornar-se vítima da incompreensão das lideranças religiosas do povo. – Pai, que a transfiguração leve-me a confessar Jesus como teu Filho amado, e a reconhecer que sou chamado a expressar o esplendor divino que trago dentro de mim (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite