(Ef 2,1-10; Sl 99[100]; Lc 12,13-21) 29ª Semana do Tempo Comum.
“Assim acontece com quem ajunta tesouros
para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” Lc 12,21.
“Entre
os leitores gentios-cristãos do evangelho lucano havia certamente muitos
comerciantes de púrpura chamada Lídia. No seu evangelho, Lucas pensa no
bem-estar material adquirido graças a bens imóveis, às vendas e ao comércio.
Latifundiários, atacadistas e cobradores de impostos pertenciam à camada mais
abastada da população (Schnackenburg, p. 219). Lucas preocupa-se principalmente
com o efeito da riqueza sobre o comportamento humano. O homem pode fazer da
riqueza um ídolo. A sedução da riqueza leva à ganância e à ambição. O rico é
absorvido por cuidados e prazeres terrenos. Ele se esquece de Deus. Para o
evangelista, duas atitudes caracterizam o procedimento do cristão com relação
aos bens; depois, a despreocupação e a liberdade interna com relação às posses
(Lc 12,22-32). Quem se pergunta constantemente se tem o suficiente para comer e
para se vestir dá poder demais às coisas externas. Em vez de se preocupar, o
homem deve confiar em Deus. Deus cuida dele. Para o cristão, o que importa é o
Reino de Deus e o fato de que Deus reina dentro dele, que Deus habita na sua
alma. Deus é o verdadeiro tesouro. ‘Onde está teu tesouro, lá estará o teu
coração’ (Lc 12,34). Somente quando descansa em Deus o nosso coração fica livre
da preocupação terrena. Somente quando tem em Deus a sua firmeza o homem
consegue soltar o que possui e dar os seus dons aos pobres” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser
humano – Loyola).
Pe.
João Bosco Vieira Leite