(Is 52,13—53,12; Sl 30[31]; Hb 4,14-16; 5,7-9; Jo 18,1—19,42) Paixão do Senhor.
“Então Pilatos entrou de novo no
palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: ‘Tu és o rei dos judeus?’” Jo 18,33.
“A
paixão revelou a dignidade real de Jesus, embora, tenha havido uma radical
contradição entre a interpretação de Jesus e a dos inimigos e algozes. Ao ser
interrogado por Pilatos, Jesus respondeu: ‘Eu sou rei’, depois de fazer a
autoridade romana concluir, por si mesma: ‘Tu o dizes!’. A soldadesca
insana ultrajou Jesus, servindo-se de mímicas burlescas próprias de uma
investidura real: colocaram-lhe uma coroa de púrpura. A seguir, prostraram-se,
ironicamente, diante dele, saudando-o como rei dos judeus. Por ordem de
Pilatos, foi preparada uma inscrição, em três línguas, para ser afixada sobre a
cabeça de Jesus, indicando a causa da condenação: ‘Jesus nazareno, rei dos
judeus’. Alertado a mudar o teor da inscrição, Pilatos apelou para a sua
autoridade: ‘O que escrevi, está escrito’. O evangelista observa que muitos
judeus leram a inscrição, por ter sido crucificado perto da cidade. O Mestre,
porém, tinha consciência de que seu Reino não era deste mundo, e estava
estruturado de maneira diferente. Fundava-se na fraternidade, na justiça, na
partilha, no perdão reconciliador. Os reinos deste mundo não serviam de modelo
para Jesus fazer os discípulos entenderem o que se passava com o seu Reino. Por
conseguinte, nem Pilatos nem os judeus tinham condições de compreender em que
sentido Jesus era rei. – Pai, confirma minha condição de discípulo do
Reino instaurado por Jesus na história humana, fazendo-me acreditar sempre mais
na força da justiça e do amor” (Pe.
Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] -
Paulinas).
Pe.
João Bosco Vieira Leite