(Jó 19,21-27; Sl 26[27]; Lc 10,1-10) 26ª Semana do Tempo Comum.
“O Senhor escolheu outros setenta e dois
discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente,
a toda cidade e lugar aonde ele próprio
devia ir” Lc 10,1.
“Só
Lucas relata a missão dos setenta e dois discípulos separada da missão dos Doze
(cf. Lc 9,1-6), que Jesus enviara a anunciar o Reino de Deus a Israel. A Igreja
primitiva achava muito importante o envio dos setenta e dois, porque este
número recordava aos hebreus os povos do mundo (cf. Gn 10). A Lei, segundo os
escribas, tinha sido proposta a todos os povos, mas só Israel a tinha aceitado.
Agora, com o envio dos setenta e dois, o anúncio da Boa Notícia é de novo
oferecido a todos os povos. [Compreender a Palavra:] Jesus chama e envia a
anunciar o Reino de Deus com autoridade. Os discípulos foram mandados pelo
Mestre, dois a dois, para que sejam Suas testemunhas (cf. Dt 19,15). Vão
adiante d’Ele como Seus arautos para preparar Sua chegada, percorrendo não só
as cidades da Galileia, mas também as de toda a Palestina, a fim de recolherem
as primícias de uma colheita maior, a do mundo inteiro: a messe é grande. É a
messe do Senhor. O acolhimento do Reino é obra apenas da graça de Deus, é Ele
que chama à evangelização dos povos. Devemos, por isso, também nós, continuar e
‘pedir ao dono da messe que mande operários para sua messe’ (v.2). Jesus envia
os Seus missionários como ‘cordeiros para o meio de lobos’ (v. 3), para o meio
de setenta e dois lobos, dizem os hebreus, mas o seu pastor defendê-los-á. Não
deverão perder tempo em longas saudações à maneira oriental: eles levam o dom
definitivo da paz e as palavras de saudação de paz bastarão para realizar o
desejo que exprimem (cf. vv. 5-6). Os métodos da missão são simples: das casas
para as cidades. O começo será uma comunidade familiar. Os discípulos não
deverão procurar as suas comodidades, mudando de casa se esta for, porventura,
pouco apta. Pelo contrário, comerão e beberão do que lhes derem, sem se
preocuparem em pesar sobre quem os acolher (vv. 7-8). O que receberem será, de
fato, uma justa recompensa pela dádiva que eles levarão a essa casa (cf. 1Tm
5,18). Na sua atividade nas casas e nas cidades, não deverão preocupar se
culturalmente o alimento é puro ou impura. Fazendo curas abrirão os ouvidos dos
doentes à escuta do anúncio: o Reino de Deus está próximo, porque Jesus está a
chegar (v. 9). A conversão ainda é possível, mas é a última possibilidade. Quem
não acolher o anúncio dos discípulos enviados por Jesus será julgado: comete um
pecado mais grave do que o da cidade de Sodoma (vv. 10-12)” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite