Segunda, 24 de agosto de 2026

(Ap 21,9-14; Sl 144[145]; Jo 1,45-51) São Bartolomeu Apóstolo.

“Jesus viu Natanael, que vinha para ele, e comentou: ‘Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade’” Jo 1,47.

“No elogio de Jesus a Natanael, descobre-se a atração que uma pessoa sincera exerce sobre o coração de Cristo. O Mestre diz do novo discípulo que nele não há ‘dolo nem engano’: é um homem sem falsidade. Não tem como que ‘dois corações e duas pregas no coração, uma para a verdade e outra para a mentira’ (Santo Agostinho). Isso é o que deve poder dizer-se de a cada um de nós, por sermos homens e mulheres íntegros, que procuramos viver com coerência a fé que professamos. O mentiroso, aquele que tem um espírito duplo, aquele que atua com pouca clareza, soa sempre a sino rachado: ‘Lias naquele dicionário os sinônimos de insincero: ‘ambíguo, ladino, dissimulado, matreiro, astuto’... – Fechaste o livro, enquanto pedias ao Senhor que nunca pudessem aplicar-se a ti esses qualificativos, e te propuseste aprimorar ainda mais esta virtude sobrenatural e humana da sinceridade’ (Josemaria Escrivá). Trata-se de uma virtude fundamental para seguir o Senhor, pois Ele é a verdade divina e aborrece toda mentira. Até os inimigos de Cristo terão de reconhecer o seu amor pela verdade: ‘Mestre – dir-lhe-ão numa ocasião –, sabemos que és sincero e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem te prenderes a ninguém, porque não fazes acepção de pessoas’ (Mt 16,22). E ensina-nos que as manifestações das nossas ideias ou pensamentos devem ser feitas conforme a verdade: ‘Seja o vosso falar: Sim, sim; não, não; porque tudo o que passa disto procede do mal’ (Mt 5,37). O demônio, pelo contrário, é o pai da mentira (cf. Jo 8,44), pois tenta constantemente levar os homens ao maior de todos os enganos, que é o pecado. O próprio Jesus, que sempre se mostra compreensivo e misericordioso com todas as fraquezas humanas, lança duríssimas condenações contra a hipocrisia dos fariseus. Por isso podemos imaginar a alegria que lhe causou o encontro com Natanael” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante)

 Pe. João Bosco Vieira Leite

21º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 22,19-23; Sl 137[138]; Rm 11,33-36; Mt 16,13-20)*

1. Dentro de ciclo litúrgico do ano A, já celebramos o nascimento, o batismo, a paixão, a ressurreição, a ascensão de Jesus e testemunhamos algumas de suas obras. E aí nos chega nesta altura do ano que nos perguntemos: quem é, na realidade, esse Jesus que cada assembleia nos fala e do qual sempre falamos?

2. Também durante a sua vida Jesus não formulou a pergunta no início, mas mais tarde, quando os discípulos estavam preparados para dar uma resposta. Mas a primeira pergunta de Jesus é com relação ao que diz o povo, aqueles de fora, aqueles que ouviram falar de Jesus ou o viram, mas não aderiram a ele.

3. Certamente Jesus não tinha necessidade de saber o que pensam as pessoas a respeito dele. A pergunta serve antes para nós, que cremos. Para algo que devemos descobrir em seguida. Para essa pergunta de Jesus podemos pinçar algumas respostas do nosso tempo, nem sempre fáceis de decifrar.

4. As vozes jovens que tanto movimentou os decênios passados, aparece num filme realizado por eles e para eles: “Jesus Cristo Superstar”. Numa humanização total de Cristo! Um Jesus que está entre os homens – isto é correto – mas há algo nele que vai além daquele horizonte, mesmo se não se tem nem os meios nem a vontade de conduzir até lá a pesquisa.

5. Quem é Jesus de Nazaré? Há hoje também quem a esta pergunta, responda como então: um profeta! São os ‘políticos’, alguns marxistas que abandonaram os preconceitos anticristãos, ou simplesmente, pessoas comprometidas com um mundo mais justo. Profeta, entende-se, da história, não de Deus. Um Jesus com o qual se identificou toda uma geração de ideólogos da revolução e da mudança social.

6. Também filósofos e teólogos tentaram responder a essa pergunta. Para alguns filósofos, Jesus foi uma pessoa que realizou completamente todas as possibilidades do ser humano e que pode, por isso, colocar-se como sentido e modelo da existência humana; alguém em quem Deus se tornou presente. Nele “há” Deus, mas não “é” Deus.

7. Se a Cristo realmente importasse o dizer do povo, ele deveria ter parado por ali, dar-se por satisfeito. Mas sua verdadeira intenção vem com a pergunta seguinte: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Dos discípulos que o conheceram de perto, que escutaram suas palavras, Jesus espera uma resposta diferente daquela do povo.

8. Também hoje Jesus não se contenta que nós saibamos o que diz dele a cultura; quer a nossa resposta, de nós que cremos nele e que nele colocamos nossa esperança. A resposta não se deve certamente inventar. Temos aquela que um dia deu Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

9. Nesta está em “germe”, toda a cristologia. Aquela resposta, revivida e aprofundada por todas as gerações cristãs que nos precederam, proclamadas pelos concílios e pelo magistério da Igreja, que chegou até nós, e nós, recitando o credo, não fazemos outra coisa senão repeti-la.

10. Nas suas orações e nos seus ensinamentos a Igreja sempre repete a si mesma esta fé: Jesus não é somente um homem, ou um profeta; é mais do que profeta: é Deus conosco. Esta é, portanto, a resposta da fé à pergunta: Quem é Jesus?

11. As respostas do povo, de ontem e de hoje não representam a fé, representam a “pesquisa”; não vem de cima, mas da Terra, ainda que com interrogações honestas sobre a figura de Jesus. As duas respostas se assemelham ao caminhar dos Magos para Belém e os Magos regressando de Belém: primeiro foram se informando sobre o Menino, depois, o encontrando, o adoraram, considerando-o Deus.

12. Mas a resposta da fé, de tão antiga, pode se tornar insignificante se não a torno minha, se não a interiorizo. É a mim que a pergunta também se dirige. E aqui poderíamos partilhar muitas respostas pessoais que nascem das experiências, como o fizeram os cristãos da primeira geração.

13. Não podemos ignorar que a pesquisa renova a fé e, sobretudo, a encarna. É normal e desejável que nos coloquemos questões a respeito d’Ele, de repensar sua pessoa à luz dos problemas e das exigências sempre novas que afloram na história. Muitos já a fazem para nós. Ainda que as repostas sejam parciais e insuficientes. Muitos não avançam, só tocam na orla do manto. Que Jesus se volte também para eles e os ajudem a descobri-lo totalmente.

14. O silêncio pedido por Jesus ao fim do Evangelho já não vale mais. A nós, seus discípulos, Jesus manda que digamos a todos que ele é o Cristo: e dizê-lo, sobretudo, ao povo que continua a perguntar quem é Jesus de Nazaré.

* com base em texto de Raniero Cantalamessa

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 22 de agosto 2026

(Is 9,1-6; Sl 112[113]; Lc 1,26-38) Bem-aventurada Virgem Maria Rainha.

“O anjo entrou onde ela estava e disse: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’” Lc 1,28.

“Ante vossa glória, ó Maria, não consegue a devoção calar, nem a mente árida formular algo de digno... Até os habitantes do céu, estupefatos, perguntam uns aos outros: ‘Quem é esta que sobe do deserto plena de delícias?... Quem é esta que lá do mundo, onde tudo é cansaço, dor e aflição de espírito, sobe até aqui a superabundar de delícias espirituais?... Subindo do deserto, ó Rainha do mundo, até para os santos Anjos, apareceis encantadora de beleza e a suave em vossas delícias’... A vós, pois, ó fonte de vida, chega-se nossa sedenta! A vós, tesouro de misericórdia, recorre nossa miséria com toda a solicitude! Virgem bendita... revele ao mundo, vossa piedade, aquela graça que achastes junto de Deus! Obtende, com vossas santas preces, perdão para os culpados, cura para os doentes, fortaleza para os débeis, conforto para os aflitos, auxílio e libertação para quem está em perigo. Neste dia de tranquilidade e alegria, nós, vossos pobres servos, vos invocamos, e vosso dulcíssimo nome louvamos! Por vossa intercessão, ó Virgem clementíssima, alcançai-nos a abundância das graças daquele que é vosso Filho, Jesus Cristo Nosso Senhor, Deus bendito sobre todas as coisas, pelos séculos eternos’ (São Bernardo)” (Gabriel de Sta. Maria Madalena, OCD – Intimidade Divina – Loyola)

 Pe. João Bosco Vieira Leite