Sexta, 10 de abril de 2026

(At 4,1-12; Sl 117[118]; Jo 21,1-14) Oitava de Páscoa.

“Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades” Jo 21,1.

“Mais outra aparição de Jesus às margens do lago Tiberíades.  Não estavam todos os discípulos, mas sim um bom número deles e, sobretudo, encontrava-se presente Pedro, a quem todos acompanharam, ao manifestar ele a decisão de pôr-se ao mar para pescar. ‘Também nós vamos contigo’. É muito importante seguir sempre os passos de Pedro, chefe da Igreja de Jesus Cristo. Pedro segue à frente dessa Igreja, atravessando os séculos na pessoa de diversos homens e também com nomes diferentes, tais como Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I ou João Paulo II, o Pedro que está à frente da Igreja, governando-a e conduzindo-a conforme o Espírito de Jesus lhes dá a entender. A fidelidade à hierarquia da Igreja e a seu magistério é o sinal inequívoco de que estamos na verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Jesus Cristo aparece também hoje, muitas vezes, à sua Igreja, sempre presidida pelo Pedro que está de plantão cumprindo seu múnus, mas sempre indefectivelmente guiada por esse Pedro, que é o Cristo visível, que vela continuamente por sua Igreja” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 9 de abril de 2026

(At 3,11-26; Sl 8; Lc 24,35-48) Oitava de Páscoa.

“Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne nem ossos, como estai vendo que eu tenho” Lc 24,39.

“Jesus diz aos discípulos que devem apalpá-lo. A palavra grega ‘pselaphao’, ‘pegar’, ‘apalpar’, ‘segurar’, é usada outra vez por Lucas no discurso de Paulo no Areópago, onde Paulo responde conscientemente à Filosofia estoica: os homens deveriam ‘procurar Deus; talvez pudessem encontra-lo e segurá-lo, pois não está longe de cada um de nós’ (At 17,27). Com a palavra de Jesus: ‘Apalpai-me’, Lucas sugere aos sequazes da filosofia estoica que nós, os humanos, podemos tocar em Deus na pessoa de Jesus Cristo. Nas suas mãos, nos seus pés, os discípulos tocam no próprio Deus. Assim cumpre-se o ardente desejo humano de um Deus que os nossos sentidos possam perceber. Em cada Eucaristia podemos tocar em Jesus, no pão que nos é colocado na mão. Na Igreja primitiva os cristãos tocavam nos seus próprios olhos e ouvidos com o corpo de Cristo, não apenas para poderem tocar no Cristo, mas para se deixarem tocar e apalpar carinhosamente por ele. Jesus pede ainda que lhe deem algo para comer, e ele come juntamente com os discípulos, participa da refeição com eles. A Ressurreição cria uma nova comunidade. Nas refeições dos discípulos entre si, o próprio ressuscitado está no meio deles. Para Lucas, a Eucaristia é sempre um encontro com o ressuscitado. A intimidade e a alegria de que fala a sua descrição da refeição pascal devem caracterizar também a celebração da Eucaristia. Jesus explica a Escritura aos seus discípulos e discípulas, e se mostra a eles como Deus e homem, como aquele que se tornou realmente ‘ele mesmo’, a fim de que nós ressuscitemos da alienação para ser ‘nós mesmos’, da rigidez para a vivacidade, do isolamento para uma convivência nova” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).  

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 8 de abril de 2026

(At 3,1-10; Sl 104[105]; Lc 24,13-35) Oitava de Páscoa.

“Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía” Lc 24,30.

“Hoje, quarta-feira entre a Oitava de Páscoa, a liturgia faz-nos meditar sobre outro encontro singular do Ressuscitado, o que teve com os dois discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35). Quando, desconfortados pela morte do seu Mestre, regressavam para casa, o Senhor fez-se seu companheiro de caminho sem que eles o reconhecessem. As suas palavras, a comentar as Escrituras que lhe dizem respeito, tornaram fervorosos os corações dos dois discípulos que, tendo chegado ao destino, lhe pediram para permanecer com eles. Quando, no final, Ele ‘tomou o pão, pronunciou a bênção, o partiu e lho deu’ (v. 30), os seus olhos abriram-se. Mas naquele mesmo momento Jesus subtraiu-se ao seu olhar. Portanto, reconheceram-no quando Ele despareceu. Ao comentar este episódio evangélico, Santo Agostinho observa: ‘Jesus parte o pão, reconhecem-no. Então nós já não dizemos que não conhecemos o Cristo! Se cremos, conhecemo-lo! Aliás, se cremos, temo-lo! Tinham Cristo à sua mesa, nós temo-lo na nossa alma!!’. E conclui: ‘Ter Cristo no próprio coração é muito mais que tê-lo na própria casa: de fato, o nosso coração é-nos mais íntimo do que a nossa casa’ (Discurso 232, VII,7). Procuremos realmente levar Jesus no coração” (Bento XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo – Vol. III – Mokai)

 Pe. João Bosco Vieira Leite