Terça, 09 de junho de 2026

(1Rs 17,7-16; Sl 4; Mt 5,13-16) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre o monte” Mt 5,13-14.

“Jesus, como mestre, ensina sobre a natureza e inteireza da fé e sobre a integridade do amor. A fé, segundo Ele, postula um comportamento cuja natureza é a do sal e da luz. Como sal, deve ela conservar e dar sabor aos alimentos. Caso não faça isto, assevera, ‘não servirá para nada a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens’. Paralelamente, Ele se refere à fé comparando-a com uma cidade ‘situada no cimo de um monte’ ou uma candeia que ‘não é colocada debaixo de uma vasilha’. A luz tem por finalidade iluminar ‘a todos que estão em casa’ e uma cidade no cimo de um monte ‘não pode esconder-se’, mas poderá ser vista por todos os transeuntes. Assim é a fé dos crentes e a caridade de seus seguidores. Como sal, têm força para salgar; como luz, brilho para iluminar; como cidade, servem como acolhida ou como alvo para os inimigos. Em outras palavras, a fé e o amor cristãos são frágeis em sua natureza, podendo ser atingidos por todos, mas fortes com obrigação de testemunho por aqueles que os professam. Não é assim que nos sentimos ao professar nossa fé e nos esforços do nosso amor criativo? Quantas vezes é ridicularizada pelos transeuntes a alegria de nossa fé, e quantas vezes nos sentimos alvos de zombaria na integridade do nosso amor pelos outros! Embora a prática do dia-a-dia da fé e do amor nos ensina que assim é, não podemos, por fidelidade a Cristo e ao Evangelho, recolher a luz da fé para debaixo de uma vasilha ou deixar que o sal do amor perca sua força transformadora dentro da realidade do mundo. Amor e fé valem pelo que são, mesmo que seus frutos sejam ridicularizados e rejeitados pelos outros. – Senhor Deus, grande e bom, queremos, em primeiro lugar, agradecer-vos pelos dons da fé e da caridade; e, depois, pedir-vos coragem e constância no testemunho que somos chamados a dar. Amém (Neylor J. Tonin – Graças a Deus [1995] – Vozes).  

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 08 de junho de 2026

(1Rs 17,1-6; Sl 120[121]; Mt 5,1-12) 10ª Semana do Tempo Comum.

“... e Jesus começou a ensiná-los: ‘Bem aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus’”

Mt 5,2.

“As bem-aventuranças têm a ver com o Reino de Deus proclamado por Jesus. Para compreender a pregação de Jesus sobre o Reino, urge reportar-nos à triste experiência de monarquia em Israel. A experiência frustrada do passado deveria ser retomada no presente, de maneira compatível com o querer do Senhor do Reino. A ideologia real do Antigo Oriente atribuia aos reis, como tarefa primordial, a defesa dos mais fracos e pequeninos. Entre estes, em primeiro lugar, os pobres, os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. Toda a política do reino deveria ter em vista favorece-los, e impedir que se tornassem vítima da prepotência alheia. Entretanto, os reis de Israel foram os primeiros a oprimir e explorar os pobres. De maneira inescrupulosa, fechavam os olhos para a violência que sofriam, tornando-se cúmplices desta afronta a Deus. Esta experiência suscitou no coração dos pobres a esperança de que, um dia, Deus haveria de intervir na história humana, para estabelecer a ordem querida por ele, e fazer-lhes justiça. Para tanto, Deus encarregaria o seu Messias. As palavras de Jesus, nas bem-aventuranças, enquadram-se nesta esperança dos pobres. Ele veio não apenas relembrar à humanidade o projeto de Deus, mas empenhar-se, de corpo e alma, para que, afinal, ele se implantasse na história humana. – Pai, torna-me sensível aos sofrimentos dos pobres e dos marginalizados, movendo-me a lutar para que tenham sua dignidade respeitada, pois são teus preferidos (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

10º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Os 6,3-6; Sl 49[50]; Rm 4,18-25; Mt 9,9-13) *

1. Nosso evangelho traz dois episódios distintos: a vocação de Mateus e a refeição de Jesus com os pecadores, com a consequente discussão com os fariseus.

2. Não devemos tomar o chamado de Mateus como uma informação exata do ocorrido, mas de uma busca de revelar-nos a quem Deus escolhe, como é feito o chamado e como se deve responder ao mesmo.

3. Sabemos que os cobradores de impostos eram odiados em Israel, considerados ladrões e aproveitadores. A salvação deles era praticamente impossível. A lei estabelecia que o ladrão deveria restituir o que tirou indevidamente, e mais 20%. Recordemos o caso de Zaqueu em sua busca por salvação.

4. Assim o gesto de Jesus torna-se revolucionário. Talvez o autor do nosso Evangelho pensava em combater certo “puritanismo” que se infiltrava na comunidade, lembrando o seu próprio chamado.

5. Quando Jesus o chama a segui-lo, não significava tanto deixar-se instruir por ele ou servi-lo, mas comprometer-se a seguir seu exemplo de vida. Jesus subverte as relações discípulo/mestre do seu tempo. Não os chama de “servos”, mas de amigos, se coloca a serviço deles e lhe lava os pés.

6. O “seguimento” de Jesus não tem promessa de nenhuma glória, nenhuma riqueza, mas somente serviço, dom de si. Uma resposta que deve ser firme e decidida. Mudança de vida. A vocação de Mateus representa o chamado a todos os cristãos. Ele não quer ser admirado, mas seguido.

7. A 2ª parte do evangelho nos situa na festa organizada na casa do próprio Mateus. E ali, entre Jesus e os discípulos, estão outros publicanos. Jesus come com eles, os acolhe.

8. E temos a reação dos fariseus, que se acham “justos”. Jesus responde a tal reação com um provérbio um tanto irônico e em seguida cita o profeta Oséias da 1ª leitura. Por fim acrescenta uma sentença que resume todo o seu comportamento: “Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

9. Os fariseus imaginavam que o Deus ‘santo’ não iria se misturar com os pecadores e para imitá-lo se mantinham isolados e distantes de pessoas impuras. Jesus vem dizer que Deus não é como elas pensam, não despreza, não julga, não condena, salvo aqueles que prefiram se manter em suas posições.

10. Aqui se lança uma reflexão para todos os seus seguidores. É óbvio que a comunidade cristã tem que ter claro o que diz o Evangelho e quem não se sente disposto a seguir a Cristo, se exclui da vida comunitária. Mas talvez devamos refletir, em casos específicos, se a total exclusão seria a escolha certa.

11. Não será, talvez, mais conveniente manter sempre algum laço para ‘não apagar o pavio que ainda fumega?’. Quantos de nós não temos contatos com pessoas que não creem, ou que são de outras denominações religiosas ou mesmo que não tenham uma vida assim tão “santa”? Talvez nós sejamos, para alguns, o único contato que eles têm com o Evangelho.

* com base em texto de Fernando Armellini

Pe. João Bosco Vieira Leite