(2Cor 4,7-15; Sl 125[126]; Mt 20,20-28) São Tiago Apóstolo.
“Quando os outros dez discípulos ouviram
isso, ficaram irritados contra os dois irmãos” Mt 20,24.
“No
espaço de tempo que transcorreu entre o momento em que Tiago manifestou as suas
ambições – não inteiramente nobres – e o seu martírio, tem lugar um longo
processo interior. O próprio zelo do Apóstolo, dirigido contra aqueles
samaritanos que não tinham querido receber Jesus ‘por dar a impressão de ir
para Jerusalém’ (Lc 9,53), transformar-se-á mais tarde em ânsia de almas. Pouco
a pouco, sem perder a própria personalidade, Tiago irá aprendendo que o zelo
pelas coisas de Deus não pode ser áspero nem violento, e que a única ambição
que vale a pena é a glória de Deus. Conta São clemente de Alexandria que,
quando o Apóstolo era levado ao tribunal onde iria ser julgado, foi tal a
inteireza que o seu acusador se aproximou dele para pedir perdão. São Tiago
refletiu... Depois, abraçou-o dizendo: ‘A paz esteja contigo’; e os dois
receberam a palma do martírio. Ao meditarmos hoje sobre a vida do Apóstolo,
serve-nos de grande ajuda considerarmos os seus defeitos, bem como os dos
outros Onze que o Senhor tinha escolhido. Não eram poderosos, nem sábios, nem
simples. Vemo-los às vezes ambiciosos, discutidores, com pouca fé. Mas, a par
dessas deficiências e falhas, tinham uma alma e um coração grandes. São Tiago
será o primeiro Apóstolo mártir. Tanto pôde a graça divina naquele coração
generoso, que o levou a enveredar por caminhos bem diversos dos que ele tinha
sonhado e pedido. O Mestre sempre foi paciente com Tiago e com todos, e contou
com o tempo para ensiná-los e formá-los com uma sábia pedagogia divina.
‘Observemos – escreve João Crisóstomo – com a maneira de o Senhor os interrogar
equivale a uma exortação e a um aliciante. Não diz: ‘Podeis suportar a morte?
Sois capazes de derramar o vosso sangue?’. As suas palavras são: ‘Podeis beber
o cálice?’ E, para animá-los a dar o passo, acrescenta: ‘... que eu irei
beber?’. Deste modo, a consideração de que se tratava do mesmo cálice que o
Senhor iria beber havia de estimulá-los a uma resposta mais generosa. E chama à
sua Paixão ‘batismo’, mostrando assim que os seus sofrimentos haviam de ser causa
de uma grande purificação para o mundo inteiro’. O Senhor também nos chamou a
cada um de nós. Não nos deixemos invadir pelo desalento se alguma vez as nossas
fraquezas e defeitos se tornam patentes. Se recorrermos a Jesus, Ele nos dará
ânimos para seguirmos adiante com humildade, mais fielmente. O Senhor tem
paciência também conosco, e conta com o tempo” (Francisco Fernandez-Carvajal
– Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante).
Pe.
João Bosco Vieira Leite