Terça, 19 de maio de 2026

(At 20,17-27; Sl 67[68]; Jo 17,1-11) 7ª Semana da Páscoa.

“Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro,

e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo” Jo 17,3.

“A grande oração de oblação e a intercessão do Salvador na hora do seu sacrifício: é a oração-testamento de Jesus. É esta a oração do Jesus pós-Pascal que demonstra a atitude do Senhor para com os seus que aqui ficaram e que aceitaram a mensagem que ele veio trazer. Nesta oração, Jesus pede ao Pai que seus discípulos cheguem à vida eterna e esclarece que a vida eterna consiste em conhecer o Pai; mas entendendo o verbo ‘conhecer’ em sentido bíblico. Na Bíblia, o conhecimento não procede de uma atitude puramente intelectual, mas de uma experiência, uma vivência, uma presença de Deus no mais recôndito da alma, que acaba necessariamente no amor. Esse conhecimento, esse amor que constitui a felicidade da vida eterna, o amor ao Pai e a seu enviado Jesus Cristo, e isto é o que Jesus pede ao Pai para os seus. Amar a Deus Pai e amar a seu Filho único, Jesus Cristo, amá-los com a sinceridade de um coração, que se entrega plenamente, sem guardar nada para si; amar a Deus, como diz Jesus no evangelho: ‘de todo coração, de toda alma e de todo teu espírito’ (Mateus 22,37)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 18 de maio de 2026

(At 19,1-8; Sl 67[68]; Jo 16,29-33) 7ª Semana da Páscoa.

“Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações.

Mas tende coragem! Eu venci o mundo!” Jo 16,33.

“O mundo, entendido como força de oposição a Jesus e empecilho para a realização de sua obra, está em contínuo conflito com o Filho de Deus. Em todo o seu ministério houve uma luta ininterrupta com o mundo. Desde o início, este procurou desconhecer a Palavra revelada por Jesus. Também cultivou um terrível ódio contra ele, porque desmascarava a malícia de suas obras. O mundo maquinou a morte de Jesus, arregimentando todos os inimigos e tentando convencê-los de que o Mestre era blasfemo e inimigo da nação. Ademais, o mundo assumiu a postura ridícula de reconhecer o imperador romano como rei, porque isto lhe convinha para confirmar a sentença capital contra o enviado de Deus. O mundo encarna o poder das trevas, da morte, da mentira e do pecado. Por isso, não podia chegar a um acordo com quem era luz e tinha por missão gerar vida e verdade e, assim, fazer a graça divina jorrar sobre toda humanidade. Mas, a cegueira apossou-se do mundo, impedindo-o de chegar à verdade. Sua autossuficiência fê-lo desprezar a oferta divina de salvação, proclamada pelo Filho de Deus. Jesus tem consciência de ter vencido o mundo, embora tivesse de passar pela morte de cruz. Sua vitória resultou da ação conjunta com o Pai. Afinal, ao se levantar contra Jesus, o mundo se insurgia contra o próprio Deus. Seria ingenuidade ter a pretensão de vencê-los! – Pai, fica comigo, assim como estiveste com Jesus, e sê protetor quando se levantarem contra mim as forças hostis a teu Reino. E que eu seja capaz de vencê-las! (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Ascenção do Senhor – Ano A

(At 1,1-11; Sl 46[47]; Ef 1,17-23; Mt 28,16-20)*

1. Iniciamos a nossa reflexão nesta festa com essa fala do anjo na 1ª leitura, dirigida aos discípulos: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.

2. O que entendemos por céu? Quase todos os povos identificam o céu como a morada da divindade. Também a Bíblia usa essa linguagem espacial. Diferentemente de Deus que está “nos céus”, o ser humano está sobre a terra e depois da morte, sob a terra, no reino dos mortos.

3. Com Jesus que ressurge dos mortos e sobe ao céu, essa rígida separação é rompida. Com ele, o 1º ser humano sobe ao céu e com ele nos é dada uma esperança e uma garantia a toda a humidade de subir ao céu.

4. Com a era científica, todos estes significados religiosos atribuídos a palavra céu entraram em crise. O céu é o espaço onde se movem os planetas e o inteiro sistema solar, e nada mais. Há uma antiga piada atribuída a um astronauta soviético, que no retorno de sua viagem do cosmo diz: “Rodei ao longo do espaço e em nenhum lugar encontrei Deus!”.

5. Quando rezamos o “Pai-Nosso” ou mesmo quando a Bíblia usa a palavra céu, trata-se de um adaptara-se ao linguajar popular, mas ao mesmo tempo sabemos que Deus está no céu, na terra, em todos os lugares. Ele que tudo criou, não está “preso” a nenhum desses espaços.

6. Mesmo usando a expressão de que os Santos habitam com Deus no céu, não se trata de um lugar, mas muito mais de um estado. Deus está fora do espaço e do tempo. Quando falamos dele, não faz sentido dizer sobre ou sob, em cima ou em baixo. Isso não significa dizer que Deus não existe, que o paraíso não existe; o que se constata é que nos faltam categorias para poder representa-lo.

7. Assim como não podemos pedir a alguém que nasceu cego que nos descreva que coisa são as cores: o vermelho, o verde, o azul... ele não teria a capacidade explicar nem nós de fazê-lo compreender, porque as cores se percebem com os olhos. Assim somos nós querendo descrever a eternidade que é fora do tempo e do espaço.

8. O que significa, então afirmar que Jesus “subiu aos céus e está sentado à direta do Pai”? Significa afirmar e crer que, também como homem, ele entrou no mundo de Deus; que foi constituído, como diz Paulo na 2ª leitura, Senhor e cabeça de todas as coisas.

9. As palavras do anjo aos apóstolos escondem uma certa reprovação: não é necessário ficar olhando o céu, como tentando descobrir onde Cristo estará, mas viver na espera do seu retorno, prosseguir sua missão, levar o Evangelho aos confins da terra, melhorar a vida aqui em baixo.

10. Ele sobe aos céus, mas sem deixar a terra. Apenas desaparece do nosso campo de visão. Como Ele mesmo nos assegura: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

11. O céu, entendido como lugar de repouso, do prêmio eterno aos que fazem o bem, ganha forma no momento em que Cristo ressurge e sobe aos céus, não a um céu pré-existente que o esperava, mas vai formar e inaugurar o céu para nós, como nos disse dois domingos atrás (cf. Jo 14,2-3).

12. Que faremos no céu? Não será uma experiência monótona? Estar bem e com ótima saúde seria algo monótono? Estar ao lado de quem se ama seria algo monótono? Quando se experimenta um momento de intensa e pura alegria, não nasce em nós o desejo de que esse momento nunca se acabe?

13. Aqui, essas experiências não duram para sempre, porque não há nada que possa satisfazer indefinidamente. Com Deus é diferente. A nossa mente encontrará nele a Verdade e a Beleza que jamais deixaremos de contemplar e o nosso coração o Bem que não nos cansaremos de desfrutar. Eis o céu que desejo para mim e para vocês.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite