Sexta, 20 de fevereiro de 2026

(Is 58,1-9; Sl 50[51]; Mt 9,14-15) Sexta-feira depois das Cinzas.

“Disse-lhes Jesus: ‘Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles?

Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão’” Mt 9,15.

“Os discípulos de Jesus não são dispensados da prática do jejum, mas este não constitui para eles uma componente decisiva para a sua sequela. O jejum é colocado em relação com a sorte que espera o seu Mestre: quando Cristo esposo for tirado à sua Igreja, então jejuarão. Mais do que preocupar-se com o jejum ritual, é importante viver a dimensão festiva da presença do Senhor. [Compreender a Palavra:] O Evangelho já nos habituou muitas vezes à imagem de Jesus enquanto esposo, já a partir das tradições ligadas a João Batista (cf. Jo 3,29-30). Virá um momento em que Jesus será tirado à Sua comunidade (cf. Mt 26,11), mas ainda é o tempo do esposo, no qual Cristo está presente no meio dos Seus discípulos. O pano de fundo da Paixão não é eliminado, mas há um tempo em que o jejum ritual está excluído, Jesus é a novidade e esta não pode ser lida com os instrumentos velhos da tradição antiga: Ele é o ‘vinho novo’, do novo banquete nupcial que deve guardado em ‘odres novos’. A novidade do Evangelho deve ser acolhida com um coração aberto e disponível” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

  Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 19 de fevereiro de 2026

(Dt 30,15-20; Sl 01 Lc 9,22-25) Quinta-feira depois das Cinzas.

“Pois quem quiser salvar a sua vida vai perde-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará”

Lc 9,24.

“A conclusão da caminhada terrena de Jesus escondia um sentido dificilmente compreensível para os discípulos. O horizonte messiânico no qual se moviam e com o qual interpretavam a pessoa do Mestre impedia-os de compreender, em profundidade, o que o fato requeria. Para ser entendida, em sintonia com o pensar de Jesus, era preciso fazer uma violenta inversão de valores. O esquema tradicional era insuficiente para explica-la. Na lógica de Jesus, ou seja, na lógica do Reino, a perda é penhor de salvação, ao passo que a salvação, entendida à maneira do mundo, é fator de perda. Dai ser possível esperar que, da humilhação de Jesus resulte exaltação, do abandono por parte dos amigos e conhecidos provenha a solidariedade do Pai, do sofrimento redunde a mais plena alegria, e a morte seja superada pela ressurreição. O contraste entre o projeto de Jesus e a mentalidade de seus discípulos era flagrante. Não lhes passava pela cabeça a possibilidade de existir um Messias cuja glória fosse alcançada em meio a sofrimentos e, muito menos, num contexto de morte violenta. Só a fé na ressurreição pode nos levar a dar crédito às palavras de Jesus. Com ela, o Pai deu seu aval às palavras do Filho, assegurando-lhes sua veracidade. Jesus provou ser impossível experimentar a misericórdia do pai sem abrir mão das ambições mundanas. Só quem é capaz de renunciar-se a si mesmo como ele, experimentará a salvação. – Pai, dá-me a firme disposição de renunciar a todos os meus projetos pessoais, para abraçar unicamente o projeto de Jesus, mesmo devendo passar por sofrimentos (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 18 de fevereiro de 2026

(Jl 2,12-18; Sl 50[51]; 2Cor 5,20—6,2; 6,1-6.16-18) Quarta-feira de Cinzas.

“Ficai atento para não praticar a vossa justiça na frente dos homens só para serdes vistos por eles.

Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus” Mt 6,1.

“A prática quaresmal da esmola, da oração e do jejum tem a finalidade de sintonizar-nos com a vontade do Pai, de forma a preparar-nos, da melhor maneira possível, para a celebração da Páscoa. As três práticas de piedade visam refazer nossa amizade com o Pai, enquanto discípulos de Jesus. Têm como objetivo tornar-nos agradáveis a ele. De onde a importância de serem vividas segundo as orientações dadas pelo Mestre Jesus. Existem maneiras incorretas de dar esmolas, rezar e jejuar. Portanto, vazias e inúteis. Isto acontece com quem se serve destes atos para fazer exibição de piedade, pretendendo passar por santos aos olhos dos outros. Mas, também, com quem dá esmola de maneira mecânica, sem comprometer-se com o gesto de dar, com quem transforma a oração num amontoado de palavras, sem interioridade nem unção; com quem jejua para cumprir um preceito, embora desconheça o valor de seu gesto. O reverso de medalha corresponde à forma efetiva de agradar a Deus. Neste caso, a esmola será expressão da misericórdia que existe no coração de quem se faz solidário com a carência alheia; a oração consistirá mais em escutar do que em falar; o jejum corresponderá a um esforço sincero de controlar os próprios instintos e paixões, de forma a não desviarem o ser humano do caminho de Deus. A melhor forma de agradar a Deus será pôr em prática tudo isto no humilde escondimento. – Pai, durante o tempo da Quaresma, buscarei ser agradável a ti, manifestando esta minha disposição por meio da esmola, da oração e do jejum feitos de maneira correta (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite