Quarta, 09 de setembro de 2026

(1Cor 7,25-31; Sl 44[45]; Lc 6,20-26) 23ª Semana do Tempo Comum.    

“Jesus, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: ‘Bem-aventurados vós, os pobres,

porque vosso é o Reino de Deus!’” Lc 6,20.

“As palavras de Jesus dirigem-se os pobres que tem diante de si. Servindo-se da segunda pessoa do plural – vós –, seu discurso destina-se aos que são carentes de bens materiais, vindo até mesmo a passar fome; aos que choram, talvez porque tiveram seus direitos negados a sua dignidade aviltada; aos que são vítimas de calúnia, ódio e perseguição, devendo levar uma vida difícil de privação dos bens necessários para viver dignamente. Portanto, um grupo de pessoas carentes de palavras de esperança. As bem-aventuranças visam infundir ânimo e coragem a quem se encontra nessa situação de penúria. Sobretudo os pobres devem ter certeza de que Deus está do lado deles, e que o Reino lhes pertence. Deus mesmo haverá de saciá-los, consolá-los e ser para eles motivo de alegria. A outra face da moeda é representada pelos ricos, pelos fartos, pelos folgazões e pelos que estão preocupados com a fama, a qualquer preço. Estes também encontram-se diante de Jesus, e são o alvo das invectivas que lhe são lançadas com tanta veemência. É provável que fossem eles a causa da situação de carência dos demais, sem se darem conta. Por isso, são declarados malditos. Falta-lhes sensibilidade, pois em seus corações não há lugar para a misericórdia. Isto justifica a severidade com que serão tratados, se não se converterem urgentemente, fazendo-se atentos aos apelos dos necessitados. – Pai, faze-me solidário com os mais pobres deste mundo, e ensina-me a partilhar, de modo que chegue até eles a esperança e a alegria que Jesus veio nos trazer” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Terça, 08 de setembro de 2026

(Mq 5,1-4; Sl 70[71; 12[13]; Mt 1,1-16.18-23) Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria.

“Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo” Mt 1,16.

“A primeira vez em que aparece Maria no Evangelho de Mateus, é no fim da genealogia de Jesus: ‘Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo’ (1,16). Em Lucas, aparece pela primeira vez no relato da Anunciação do Senhor. Em Marcos e João, só mais tarde, durante o ministério público de Filho. Em todo caso, Maria só entra no Evangelho em vista de Jesus, como Mãe do Salvador. Embora se note a presença de Maria em muitas páginas dos Evangelhos, mormente de Lucas, é tão discreta e velada a ponto de desaparecer na do Filho. Perde-se e desaparece a vida de Maria na de Jesus. Ela viveu verdadeiramente oculta com Cristo em Deus. Viveu na sombra não só durante a infância, mas também depois, quando Mãe de Deus, até nos momentos de triunfo do Filho e até quando certa mulher, entusiasmada com a pregação de Jesus, ergueu a voz em meio à multidão gritando: ‘Feliz o seio que te trouxe!’ (Lc 11,27). A festa mariana celebrada hoje pela Liturgia é, pois, convite à vida oculta com Maria em Cristo, e com Cristo em Deus. Feliz quem Deus conduz através das circunstâncias, pelo caminho da humildade, da simplicidade, longe de tudo que brilha aos olhos humanos! Só tem de aderir ao plano divino, para entrar nas fileiras dos pobres de espírito a quem o reino dos céus foi prometido. Mas também os que se empenham, por dever, em grandes responsabilidades e estão colocados em evidência, por ofício, na sociedade ou na Igreja, são chamados a imitar a atitude de Maria. Cumpre aprendermos dela a agir de modo a poder servir aos irmãos sem alarde, sem nos fazer valer, sem nos arrogar direitos e privilégios, antes buscando eclipsar-nos, sobretudo quando já não é necessária nossa atividade. Quem aspira imitar Nossa Senhora há de ter ânsia de ocultar-se à sombra de Deus, convicto de que, se lhe foi concedido fazer alguma boa obra, foi dom divino e deve reverter em proveito do bem comum e da glória do Altíssimo” (Gabriel de Sta. Maria Madalena, OCD – Intimidade Divina – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 07 de setembro de 2026

(1Cor 5,1-8; Sl 5; Lc 6,6-11) 23ª Semana do Tempo Comum.

“Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para verem se Jesus iria curá-lo em dia de sábado

e assim encontrarem motivo para acusa-lo” Lc 6,7.

“A observância estrita do descanso sabático era para os israelitas de primeiríssima importância; a isso acrescentaram enorme quantidade de prescrições práticas e de proibições que afetavam a observância estrita, uma vez que com elas paralisava-se não só a vida social do povo de Deus, mas ainda dificultava-se seriamente a vida familiar e pessoal dos israelitas piedosos. Jesus quer aliviar aquele jugo que os escribas e fariseus tinham imposto implacavelmente sobre a consciência do povo. Em várias ocasiões escolhe o dia de sábado para realizar as curas dos enfermos, uma vez que a tão humanitária ação era malvista pelos chefes do povo de Deus. Nessa circunstância de que nos fala o evangelho de hoje, você pode refletir sobre dois aspectos: primeiro: os escribas e fariseus ‘observavam’ (v. 7) para ver se surpreendiam Jesus em algo que pudessem criticar nele; já vê nisso a má disposição de espírito e as intenções distorcidas que mantinham contra Jesus; segundo: Jesus cura no sábado; para Jesus é mais importante o exercício da caridade que o cumprimento simplesmente exterior de um aspecto legal. Isso lhe ensina que em sua vida você deve dar importância à caridade; é a primeira das virtudes, a mais importante de todas, a que tem de dar vida e sentido a todos e a cada um dos seus atos; até mesmo os atos aparentemente bons, que você cumpre, se não os faz caridade, isto é, com amor a Deus e ao próximo, perdem a bondade aparente” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite