(Hab 1,12—2,4; Sl 9A[9]; Mt 17,14-20) 18ª Semana do Tempo Comum.
“Quem não é correto vai morrer, mas o
justo viverá por sua fé” Hab
2,4.
“No
século VII a.C., o livro de Habacuc propôs uma penetrante reflexão acerca da
justiça divina atuante na História, ou seja, sobre o fato de que o Senhor é
Aquele que julga e condena toda forma de opressão. A exemplo de Naum, também
Habacuc vê na Babilônia o instrumento da justiça de Deus, mas, desta vez,
contra a injustiça de Judá e dos opressores dos pobres (cf. Hab 2,5-20). O
excerto de hoje é um diálogo com Deus, composto por interpelações, objeções e
expressões de esperança, até ao momento em que Senhor responde, prometendo
salvar quem é justo e quem, na fé, busca refúgio em Deus (cf. Hab 2,1-4).
[Compreender a Palavra:] Uma profissão de fé apaixonada abre o texto: o Senhor
é apresentado em toda a Sua forte confiabilidade. A primeira interrogação vai à
raiz da presença do mal culpável na vida humana e pelo escândalo que suscita:
um Deus que Se coloca em posição alternativa ao próprio mal, como pode aceitar
a prevaricação de quem O rejeita sobre quem tem uma relação positiva com Ele
sem reagir? O profeta chama Deus em termos cada vez mais resolutos, delineando
a impassibilidade divina diante da relação não natural do poder que se instaura
no interior da Humanidade, e à violência consequente, que parece destinada a
endoidecer tragicamente, como sucede a qualquer peixe que acabe na rede. Uma
resposta da parte do interlocutor divino é esperada pelo profeta, o qual
procura colocar-se nas melhores condições para poder registra-la. A reação
chega e fala de uma manifestação de Deus que abrirá um novo horizonte de
esperança e que terá um valor não transitório. O fio condutor desta afirmação
será – o texto hebraico é complexo e intenso ao mesmo tempo – o insucesso de
quem tem o espírito inchado de arrogância. Ao lado desta negatividade está a
salvação da vida da parte de quem confia no Senhor e na Sua justiça e,
consequentemente, é justo em razão da fé que se tem n’Ele. Habacuc não se opõe
certamente à tradição do Deuteronômio, segundo o qual a vida é assegurada pela
observância dos Mandamentos, mas coloca o discurso num nível diferente, o da fé
enquanto base da salvação, que no Novo Testamento Paulo aceitará e
reinterpretará muito frutuosamente (cf. Rm 1,17)” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite