(Ez 16,1-15.60.63; Sl Is 12; Mt 19,3-12) 19ª Semana do Tempo Comum.
“Mas puseste tua confiança na beleza
e te prostituíste graças à tua fama.
E sem pudor te oferecias a qualquer
passante” Ez
16,15.
“As
relações com Deus são expressas de muitos modos no Antigo Testamento: Deus é um
pai que educa seus filhos (cf. Os 11,1-4); é uma mãe que não pode esquecer o
fruto das suas entranhas (cf. Is 49,15); é o Bom Pastor que leva as Suas
ovelhas ao pasto (cf. Sl 22). Mas a partir do tempo do Oseias, Ele é sobretudo
o esposo de Israel. Ezequiel utiliza mesmo esta metáfora para esclarecer a
história das relações de JHWH com seu Povo. [Compreender a Palavra:] O
motivo principal nesta narração é o de uma enjeitada, da qual o rei se enamora,
salva e constitui rainha. A enjeitada (Jerusalém/Israel), tornada rainha,
prostitui-se, servindo-se dos presentes de núpcias do Senhor (v. 16). Ezequiel
recebe assim a missão de dizer, de forma simbólica, a verdade ao seu povo,
dando-lhe a conhecer as suas responsabilidades ao ter abandonado o Senhor para
seguir os deuses dos outros povos. O fato de se encontrar agora no exílio é uma
consequência da sua contínua rejeição do amor do Senhor. Toda a sua história
está marcada pelo amor e pela graça da parte de JHWH, pela indiferença e pela
traição da parte do povo. Ezequiel recorda as práticas idolátricas nos montes
altos, e o culto estático e orgiástico lá prestado (vv. 15-19). Em particular
ataca o sacrifício de crianças a Moloc. Israel foi sempre tentado na sua
história a procurar auxílio político no Egito ou nos países da Mesopotâmia.
Todavia, isso não evitou o exílio. O povo na sua história desprezou os
compromissos solenes assumidos com o Senhor e deve refletir sobre isso. Deus,
porém, não se esquece do juramento com o qual se comprometeu com a
enjeitada-Jerusalém (v. 8): Ele permanece fiel para sempre à sua Aliança (v.
60). Por conseguinte, o povo deve arrepender-se daquilo que fez e voltar para o
Senhor (v. 63)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo
Comum – Vol. II] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite