(Jr 11,18-20; Sl 07; Jo 7,40-53) 4ª Semana da Quaresma.
“Será que a nossa lei julga alguém antes
de o ouvir e saber o que ele fez?” Jo
7,51.
“A
presença de Jesus, em Jerusalém, era motivo de controvérsia. Ninguém sabia ao
certo, quem era aquele homem, cujo ensinamento destoava das doutrinas
tradicionais dos escribas, e cuja autoridade não se fundamentava na pertença a
algum dos grupos conhecidos. Muitos acreditavam tratar-se do Messias; não
faltava, porém, quem duvidasse, pelo fato de Jesus não se enquadrar nas pistas
que o povo tinha à disposição para identificar o Messias. Até mesmo os
soldados, enviados para prendê-lo, não tiveram coragem de fazê-lo. E isto, não
tanto por medo do povo, e sim, por estarem convencidos da sinceridade da
pregação do Mestre. Esta situação colocava em pânico a cúpula religiosa. Era um
caso difícil de ser tratado. Na verdade, Jesus não havia cometido nenhum
delito, passível de punição. Tampouco se mostrava como um indivíduo socialmente
perigoso. Tudo se passava no âmbito teológico: seus ensinamentos desconcertavam
os inimigos. Nicodemos dá um tom de sensatez à situação. Por respeito, à Lei, o
acusado devia ser ouvido, antes de ser condenado. Caso contrário, corria-se o
risco de cometer uma injustiça. No caso de Jesus, seus inquisidores teriam
dificuldade de ouvi-lo com imparcialidade, abrindo mão da sentença de morte já
decidida. – Espírito de ponderação, que eu acolha Jesus com a devida
prudência, descobrindo sua identidade, mediante a escuta benevolente de sua
palavra” (Pe.
Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano C] -
Paulinas).