Quinta, 02 de julho de 2026

(Am 7,10-17; Sl 18[19]; Mt 9,1-8) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham,

Jesus disse ao paralítico: ‘Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!’” Mt 9,2.

“A grandeza da fé do paralítico, estendido no leito, chamou a atenção de Jesus. O texto diz que o Mestre viu a fé daqueles homens. Só é possível ver a fé de alguém, quando manifestada nas suas ações. As providências tomadas pelo paralítico para estar na presença de Jesus devem ter sido formidáveis, pois chamou-lhes a atenção. Esta confiança ilimitada explica a iniciativa do Mestre: dedicar-lhe, imediatamente, perdoados os pecados e, assim, reconciliá-lo com Deus. Segundo se acreditava na época, as doenças eram consequência dos pecados. O perdão era, por conseguinte, o primeiro, o primeiro passo para a cura, por cortar o mal pela raiz. Só, então, teria sentido propiciar ao paralítico a cura física. A ação taumatúrgica de Jesus recriava o ser humano a partir do seu interior, atingindo os níveis mais profundos, ali onde se processa a comunhão entre a criatura e o Criador. A restauração dos laços rompidos entre ambos permitia ao ser humano refazer-se, até chegar aos níveis exteriores. A cura acontece de dentro para fora. Quando o exterior é curado, é porque o interior já deve ter sido totalmente refeito. A cura do paralítico foi possível por causa da sua confiança inabalável em Jesus. Esta é a fé que se exige de quem pretende ser curado por ele. Mas, a partir de dentro! – Pai, que minha fé ilimitada em teu Filho Jesus seja penhor de perdão e cura. Que o poder de Jesus me cure a partir do meu interior (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 01 de julho de 2026

(Am 5,14-15.21-24; Sl 49[50]; Mt 8,28-34) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Livra-me das balbúrdias dos teus cantos, não quero ouvir a toada de tuas liras. Que a justiça seja abundante como água e a vida honesta como torrente perene” Am 5,23-24.

“Prosseguem os oráculos de Amós com a condenação da injustiça de que Israel continua a manchar-se, e com a rejeição de um culto vão, pois é apenas exterior; como fato positivo, o profeta indica o caminho da conversão. O povo, ao invés, parece convencido de que o Senhor está presente (‘JHWH estará conosco’: cf. v. 14) por uma espécie de automatismo, devido a uma Aliança e uma observância da Lei só formais; esta convicção parece avalizada também pela prosperidade do país e vista como sinal da bênção divina. [Compreender a Palavra:] A esperança do profeta é expressa humildemente. Numa atitude penitente, com a consciência de pertencer a um povo pecador. Amós deseja a misericórdia do Senhor, ‘Deus do Universo’ (v.15): talvez tenha compaixão dos ‘sobreviventes’ (v. 15d: este termo pode também traduzir-se por ‘resto’: aparece aqui pela primeira vez, e terá muita importância nos profetas sucessivos). As acusações nos confrontos de Israel versam sobre as práticas idolátricas e sobre a opressão dos pobres: o culto não autêntico é condenado por Amós com palavras ásperas, recordando os diversos tipos de sacrifícios (holocausto, oblações de farinha, sacrifícios de comunhão, a oferta das melhores vítimas) e os ritos tornados solenes pelos Cânticos, qualificados, porém como alarido inaudível. Pelo contrário, afirma o profeta, é preciso ‘detestar o mal e amar o bem’ (v. 15a), isto é, conformar-se intimamente com a vontade de Deus. ‘Procurai’ (v. 14a) com todo o vosso ser o bem amado significa, essencialmente, respeitar e exercer o direito e a justiça, cuja prática é desejada e comparada à água vivificante de nascente” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 30 de junho de 2026

(Am 3,1-8; 4,11-12; Sl 5; Mt 8,23-27) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Porque tendes tanto medo, homens fracos na fé?’ Então, levantando-se,

ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria” Mt 8,26.

“Reprimenda que tantas vezes ter-nos-á dirigido o Senhor ali no fundo de minha consciência e da sua. Temos muito pouca fé, temos olhado muito pouco para ele, desencaminhados por aparências enganosas. Em nossa vida espiritual, repete-se com frequência esta circunstância angustiante, seja diante da dor, de uma dificuldade, de uma tentação... Não temos fé suficiente, somos homens de pouca fé e merecemos a reprimenda do Senhor. Deveríamos rezar com maior frequência o versículo do salmo que diz: ‘Dominais o orgulho do mar, amainais suas ondas revoltas’ (salmo 88,10). Essa nossa fé apoucada nós a projetamos também na vida da Igreja. A barca da Igreja parece que, em determinadas circunstâncias, está enchendo-se de água a ponto de naufragar. Mas isto vem acontecendo há vinte séculos e, apesar de encher-se de água continuamente, nunca chega a naufragar, jamais vai a pique. Mas nós tememos pela Igreja; parece-nos que a Igreja de hoje não é mais a Igreja de ontem, já não é a Igreja de Cristo. Vemos muitas misérias na Igreja; queixamo-nos que as coisas mudaram substancialmente, que já não existe espiritualidade, recolhimento, interioridade, observância, em uma palavra: não existe entrega ao Senhor. Diante de tantos escândalos e tantas deficiências, tememos e angustiamo-nos e clamamos: Senhor! Salva tua Igreja! E ainda que algumas vezes, ou durante algum tempo, Jesus pareça como que adormecido na barca de sua Igreja, não devemos perder a confiança na proteção de seu Espírito, que vela por sua Igreja. Quando Jesus se levantou e mandou aos ventos e às ondas que se acalmassem, sobreveio imediatamente a paz e a tranquilidade. A alma que se lança incondicionalmente nos braços de Deus não conhece o que sejam as angústias espirituais; a paz, a tranquilidade, a serenidade são o clima no qual vive e do qual usufrui” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite