Segunda, 20 de julho de 2026

(Mq 6,1-4.6-8; Sl 49[50]; Mt 12,38-42) 16ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu-lhes: ‘Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado,

a não ser o sinal de Jonas” Mt 12,39.

“As palavras de Jesus são duras e têm um alvo certo: a liderança religiosa de sua época. A maneira genérica como fala pode dar a impressão de que ele esteja englobando todas as pessoas, indistintamente, na sua acusação. A verdade é que a denúncia tinha um alvo certo. A acusação – ‘geração má e adúltera’ – tinha conotação teológica mais que morais. No Antigo Testamento, as relações entre Javé e Israel eram entendidas a partir de imagens esponsais. Isto por que, a palavra ‘aliança’, empregada no contexto do pacto entre Javé e Israel, era também usada para designar o matrimônio do homem com a mulher. Por isso, quando Israel caía na idolatria, correndo atrás de divindades estrangeiras, os profetas classificavam esta atitude como prostituição e adultério. Era a forma mais acintosa de romper a aliança com seu Deus. Quando Jesus denunciou as lideranças religiosas como ‘geração má e adúltera’, queria dizer que tinham se afastado do Deus verdadeiro para entregar-se às falsas imagens de Deus. No caso dos mestres da Lei e dos fariseus, seu pecado consista em se fecharem para Jesus – o enviado de Deus –, resistindo a acolher sua palavra, até chegar à perseguição aberta. Recusando a atender o pedido das lideranças religiosas, Jesus nega-se a entrar no jogo delas. Já lhes tinham sido dados sinais suficientes. Quando estiverem dispostos a abrir-se para a verdade, serão capazes de compreendê-los. – Pai, dá-me simplicidade de coração para reconhecer que Jesus é teu Filho, enviado ao mundo para nos salvar. E que jamais eu exija sinais além dos que já realizou” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

16º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Sb 12,13.16-19; Sl 85[86]; Rm 8,26-27; Mt 13,24-43) *

1. Se fala muito, em nossa sociedade insatisfeita de todas as conquistas técnicas e de seu consumismo, de um retorno ao sagrado, de um novo desejo de contato com o absoluto, particularmente entre os jovens. A oração é o sinal revelador desta busca.

2. Gostaria de conduzir a nossa reflexão a partir da 2ª leitura de nossa celebração que nos permite abordar melhor esse tema. Se pudéssemos descobrir que coisas diz o Espírito em seus “gemidos inexprimíveis”, descobríamos o segredo da oração. Talvez dessa expressão paulina possamos recolher alguma luz.

3. O Espírito que reza em nós, secretamente e sem barulho de palavras, é o mesmo Espírito que nos traz luz ao debruçarmo-nos sobre as Escrituras, pois foi Ele mesmo que a inspirou, tanto quanto as orações que nela encontramos. Elas são para nós expressões desses gemidos “inexprimíveis” do Espírito.

4. Partindo desse princípio, um cristão, para aprender a rezar, deve buscar a escola da oração bíblica. Certamente não poderíamos aqui voltarmo-nos sobre todas as orações que encontramos nela, como a oração de Abraão, de Moisés, dos profetas, os salmos...

5. Vamos direto a oração mais importante de todas que é a oração de Jesus. Se descobrirmos como o Espírito rezava em Jesus, descobriremos como reza em nós, ou menos, como quer que nós rezemos. O Espírito Santo continua em nós a oração de Jesus, que atravessa séculos, através dos cristãos.

6. Sabemos que toda a oração de Jesus iniciava com um grito filial: Pai! Essa é a fonte da Sua oração, um grito de brotava dos seus lábios num ato de alegria, agradecimento ou em meio ao sofrimento. Quando o Espírito vem a nós, não faz outra coisa senão continuar esse grito filial: “Deus enviou ao nosso coração o Espírito do seu Filho que grita: Abbà, Pai!” (Rm 8,17).

7. A oração cristã é um grito ou diálogo do filho com o próprio pai: livre, confiante, sem complexos. Nada de ‘humilhante’, como dizia Nietzsche. O Espírito infunde no fiel um sentimento de ser um filho amado por Deus. Algo que às vezes, se revela de modo imprevisto. Deus é grande, onipotente e ao mesmo tempo um pai, meu pai.

8. Esse sentimento, ainda que forte, não dura muito. Logo chega o tempo de dizermos “Pai nosso”, sem sentirmos nada de particular, e até mesmo nos vem uma impressão de gritarmos ao nada. Quando isso nos ocorre, precisamos lembrar que não rezamos sozinhos, o Espírito reza em nós e por nós.

9. “Aquele que penetra o íntimo dos corações, sabe qual é a intenção do Espírito”. Pode ser que não nos sintamos satisfeitos ou preenchidos, mas Deus, que nos escuta, sabe da nossa busca, fidelidade e abandono. Beethoven chegou a compor a IX Sinfonia sem nada escutar ou sentir. Sua obra prima. Por vezes a aridez faz isso com a nossa oração.

10. Paulo nos lembra que a oração é graça, ela está dentro de nós. Não recebemos somente o mandamento da oração, mas o próprio dom do Espírito, um filão secreto que devemos constantemente redescobrir. A fonte está em nós. Precisamos limpar no coração o barulho, a dispersão, o ativismo frenético. Isso requer tempo, trabalho, busca, persistência.

11. Ainda que muitas vezes soframos com as tentações constantes e não possamos viver toda a exigência moral que nos pede o Evangelho, de evitar o pecado, mas isso não nos impede de rezar, de pedir aquilo que por nós mesmos não podemos.

12. A oração é o respiro da alma. Como alguém que está preste a desmaiar se pede o esforço de respirar de modo profundo, pausado. Assim rezamos, em meio as tentações ou mesmo prestes a deixar-se vencer pela dificuldade e pelo cansaço, rezamos, fazemos respiros profundos de oração.

13. Muitos já experimentaram o quanto um momento dedicado a oração no seu dia faz a diferença e aprenderam a defender tal momento de tantas outras obrigações diárias que sempre parecem mais urgentes. E se por acaso não soubermos o que dizer ou rezar, pede ao Espírito que venha em nosso socorro. Ou melhor, que Ele reze em nós com seus “gemidos inexprimíveis”.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 18 de julho de 2026

(Mq 2,1-5; Sl 9B[10]; Mt 12,14-21) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Cobiçam campos e tomam-nos com violência, cobiçam casas e roubam-nas.

Oprimem o dono e a sua casa, o proprietário e seus bens” Mq 2,2.

“As palavras do profeta constituem a primeira parte de um díptico dirigido aos poderosos, que exercem com arbítrio e violência o seu poder (cf. Mq 2,6-11). O discurso, cujo texto hebraico nem sempre é claro, compõe-se de três unidades: a denúncia verdadeira e própria do pecado, introduzida num modo já conhecido ‘Ai!’ (v. 1-2); o anúncio do castigo anunciado pelo Senhor 9v. 3); e as suas consequências, apresentadas sob a forma de provérbio e de lamentação (vv. 4,5). [Compreender a Palavra:] O quadro inicial, que descreve a atuação dos poderosos, é extraordinariamente eficaz na sua brevidade. Miquéias não apresenta somente uma acusação de arbítrio e de prepotência, mas revela, com perspicácia, a perversão que se apodera daqueles que se tornam escravos do poder que exercem. A ânsia de possuir e de manifestar o poder não lhes dá tréguas, mas também de noite eles meditam o mal, todo o seu tempo é dominado por um sentimento que transtorna todas as relações e conduz à injustiça. A denúncia é, no entanto, introduzida pelo ‘Ai!’, uma expressão que denuncia quer a ameaça, quer a lamentação sobre quem faz o mal, para que o possa reconhecer antes que seja tarde. O próprio mal, de fato, voltar-se-á contra os violentos: todos os que meditam sobre a iniquidade dia e noite, iludem-se pensando que ficarão sem castigo. Também o Senhor medita, e o Seu projeto de castigo comportará para os violentos a perda de tudo aquilo que têm e a experiência amarga e dramática de ver que lhe tiram aquilo que desde sempre possuíram” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite