Sexta, 12 de junho de 2026

(Dt 7,6-11; Sl 102[103]; 1Jo 4,7-16; Mt 11,25-30) Sagrado Coração de Jesus.

“Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração,

e vós encontrareis descanso” Mt 11,29.

“Queridos irmãos e irmãs! Celebramos na sexta-feira passada a solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, uma devoção profundamente radicada no povo cristão. Na linguagem bíblica o ‘coração’ indica o centro da pessoa, a sede dos seus sentimentos e das suas intenções. No Coração do Redentor nós adoramos o Amor de Deus pela humanidade, a sua vontade de salvação universal, a sua misericórdia infinita. Portanto, prestar culto ao Sagrado Coração de Cristo significa adorar aquele Coração que, depois de nos ter amado até o fim, foi trespassado por uma lança e do alto da Cruz derramou Sangue e Água, Fonte inexaurível de vida nova. A festa do Sagrado Coração foi também o Dia Mundial pela santificação dos sacerdotes, ocasião propícia para rezar a fim de que os presbíteros nada anteponham ao amor de Cristo. [...] O coração que mais se assemelha ao Coração de Cristo é, sem dúvida, o de Maria, a Mãe Imaculada, e precisamente por isso a liturgia os indica juntos à nossa veneração. Respondendo ao convite feito pela Virgem de Fátima, confiamos ao seu Coração Imaculado, que ontem contemplamos de modo particular, o mundo inteiro, para que experimente o amor misericordioso de Deus e conheça a paz verdadeira” (Bento XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo – Vol. I – Mokai) 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 11 de junho de 2026

(At 11,21-26; 13,1-3; Sl 97[98]; Mt 10,7-13) São Barnabé, apóstolo.

“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’” Mt 10,7-13.

“Barnabé significa ‘filho da exortação’ (At 4,36) e ‘filho da consolação’, e é o sobrenome de um judeu levita originário de Chipre. Depois de estabelecer-se em Jerusalém, foi um dos primeiros a abraçar o cristianismo após a ressurreição do Senhor. Com grande generosidade vendeu um campo de sua propriedade e entregou dinheiro obtido aos apóstolos, para as necessidades da Igreja (c. At 4,37). Foi o fiador da conversão de Saulo diante da comunidade cristã de Jerusalém, que, todavia, desconfiava do antigo perseguidor (cf. At 9,27). Enviado para Antioquia da Síria, foi buscar Paulo em Tarso, onde se retirara, e passou um ano inteiro com ele, dedicando-se à evangelização desta importante cidade, em cuja igreja Barnabé era conhecido como profeta e doutor (cf. At 13,1). No momento das primeiras conversões de pagãos, Barnabé entendeu que havia chegado a hora de Saulo, que se retirara para Tarso, sua cidade. E ali foi busca-lo. Neste momento importante é como se tivesse devolvido Paulo à Igreja: presenteou-a, neste sentido, mais uma vez, com o Apóstolo do Povo. Da Igreja de Antioquia, Barnabé foi enviado como missionário junto a Paulo, para realizar o que se considera a primeira viagem missionária do apóstolo. Na verdade, tratou-se de uma viagem missionária de Barnabé, já que era ele o verdadeiro responsável, a quem Paulo se uniu como colaborador, chegando às regiões de Chipre e da Anatólia centro-meridional, na atual Turquia, nas cidades de Atalia, Perge, Antioquia de Pisídia, Icônio, Listra e Derbe (cf. At 13,14). Com Paulo participou em seguida do Concílio de Jerusalém, onde, depois de um exame profundo da questão, os apóstolos, juntamente com os anciãos, decidiram eliminar da identidade cristã a prática da circuncisão (cf. At 15,1-35). Só assim, ao final, tornaram possível, oficialmente, a Igreja dos pagãos, uma Igreja sem circuncisão: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo”. (Bento XVI – Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Jesus – Planeta).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 10 de junho de 2026

(1Rs 18,20-39; Sl 15[16]; Mt 5,17-19) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus

e que és tu que convertes os seus corações!” 1Rs 18,37.

“Jezebel, a cruel princesa fenícia, esposa de Acab, propagandista do culto de Baal e de Asera, projeta exterminar os profetas do Senhor (cf. 1Rs 18,3-4). Elias, paradoxalmente acusado de ser ‘a ruína de Israel’, reenvia a acusação contra Acab e a sua família, porque pelo fato de ter ‘abandonado os preceitos do Senhor’ é que veio a verdadeira ruína moral e material da nação (cf. 1Rs 18,17-18). E lança um desafio: Elias, diante de todo o povo dará testemunho da verdade do seu Deus contra as vãs veleidades dos profetas de Baal. [Compreender a Palavra:] O célebre desafio no monte Carmelo (promontório montanhoso a norte do país) entre Elias e os profetas de Baal é causado por uma provação das consciências: ‘Até quando oscilareis para os dois lados?’ (à letra: ‘Até quando saltareis de um ramo para o outro?’; poderia também ser traduzido para ‘Até quando estareis presos a duas amarras?’). Não se seguirão ao mesmo tempo Deus e Baal, o Senhor e os ídolos, Deus e mamona. O povo não responde à provocação, não compreende. Por que é que teria de escolher? Por quê esta tragicidade? É muito mais cômodo procurar tirar vantagens de ambas as partes: o cuidado paterno de JHWH, libertador dos inimigos, e a prosperidade esperada de Baal, presumível ‘dono’ da fecundidade da terra, dos rebanhos e dos homens. Por um lado o mundo da fé, por outro o mundo da magia. A narração do desafio entre as divindades, certamente muito longe da sensibilidade religiosa, prolonga-se assumindo tons hilariantes ao descrever a auto excitação dos profetas pagãos, e a ironia com que Elias finge partilhar as justificações do falhanço deles. O texto culmina na oração angustiosa do profeta, na descida do fogo do Céu e na confissão coral do povo: ‘O Senhor é o verdadeiro Deus! O Senhor é o verdadeiro Deus!’ (v. 39)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).     

Pe. João Bosco Vieira Leite