Quinta, 23 de julho de 2026

(Jr 2,1-3.7-8.12-13; Sl 35[36]; Mt 13,10-17) 16ª Semana do Tempo Comum.

“Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vosso ouvidos ouvem” Mt 13,16.

“Nosso coração não está endurecido; sente as coisas de Deus e escuta sua palavra. Por isso somos felizes e por isso a graça do Senhor pode fazer em nós maravilhas, se nós correspondermos com generosidade a suas instâncias. Somos na verdade os filhos da predileção. Quantos teriam correspondido melhor que nós, se tivessem recebido as graças das quais nós fomos objeto e termo! Por isso, nós não devemos considerar-nos melhores que os outros, pois não sabemos, em nenhum caso, como teriam correspondido os outros e, no entanto, é para nós muito conhecida a pequena correspondência de nossa parte à graça” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 22 de julho de 2026

(Ct 3,1-4; Sl 62[63]; Jo 20,1-2.11-18) Maria Madalena

“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada,

quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo” Jo 20,1.

“Ao cabo de vinte séculos, continuam a comover-nos a delicadeza, a fidelidade e o amor de Maria Madalena por Jesus. São João narra-nos no Evangelho da Missa como esta mulher se dirigiu ao sepulcro logo que lho permitiu o descanso sabático, ‘quando ainda estava escuro’, em busca do Corpo morto do Senhor. Ele tinha-a libertado do Maligno, a graça frutificara no seu coração, e ela seguira fielmente o Mestre em alguma das suas viagens apostólicas e servira-o generosamente com os seus bens. Nos momentos terríveis da crucifixão, permaneceu no Calvário, bem perto d’Aquele que a tinha curado dos seus males. E quando depositaram Jesus no sepulcro, continuou por ali, fazendo-lhe companhia, como talvez já tenhamos feito com o corpo de uma pessoa amada. Testemunha-o São Mateus: ‘E Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, de fronte ao túmulo’ (Mt 27,61). Passado o sábado, ‘ao amanhecer do primeiro dia da semana’ (cf. Mt 28,1), dirigiu-se com outras santas mulheres ao lugar onde se encontrava o corpo de Jesus, afim de embalsama-lo. Mas o Senhor já não está ali: tinha ressuscitado! Viu a pedra retirada e o sepulcro vazio. ‘Correu, pois, e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhe: Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram’. Pedro e João foram correndo ao sepulcro. São João conta-nos que aquele momento foi definitivo na sua vida: ‘viu e creu’ (cf. Jo 20,8). Os dois ‘voltaram novamente para casa’, mas Maria ficou ali, chorando a ausência do Corpo do Mestre. Com uma tristeza indescritível, sem ainda acreditar na ressurreição, persevera, não quer afastar-se do lugar onde viu pela última vez o Corpo adorável do Senhor. Consideramos hoje ‘ a intensidade do amor que ardia no coração daquela mulher, que não se afastou do sepulcro do Senhor mesmo quando os discípulos se retiraram. Procurava Aquele a quem não tinha encontrado, procurava-o chorando e, inflamada no fogo do seu amor, ardia em desejos de encontrar Aquele que julgava terem tirado. E assim aconteceu que foi a única que o viu naquele momento; porque, na verdade, o que dá força às boas obras é a perseverança nelas’ (São Gregório Magno). Não deixemos nós de procurar sempre Jesus, mesmo nos momentos em que – se o Senhor o permite – o desalento e a escuridão penetrem na lama. Não esqueçamos nunca que Ele sempre está muito perto, porque, como diz o Apóstolo, ‘Dominus prope este! – o Senhor me acompanha de perto. Caminharei com Ele, portanto, bem seguro, já que o Senhor é meu Pai..., e com a sua ajuda cumprirei a sua amável Vontade, ainda que me custe’ (Josemaria Escrivá)” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 21 de julho de 2026

(Mq 7,14-15.18-20; Sl 84[85]; Mt 12,46-50) 16ª Semana do Tempo Comum.

“Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar

todos os nossos pecados” Mq 7,19.

“A liturgia de hoje propõe as últimas palavras do Livro de Miquéias caracterizadas por um tom de súplica confiante e de louvor dirigidos ao Senhor. A profecia assume assim a tonalidade de uma oração que o profeta eleva em nome de todo o povo, melhor identificando-se com ele (utiliza a primeira pessoa do plural). Deus é invocado primeiro como um pastor (vv. 14-15), e depois pela Sua extraordinária e única capacidade de perdoar (vv. 18-20). [Compreender a Palavra:] Para a compreensão deste curto trecho podemos partir da invocação do versículo 15: ‘Mostrai-nos prodígios’. Refere-se a saída do Egito e, como aconteceu então, Miqueias suplica ao Senhor que atue ainda em favor de Israel. São duas as formas com as quais deverá manifestar-se essa intervenção divina: o seu profeta pede que JHWH seja o pastor do povo e lhe conceda o Seu perdão. A figura do pastor, frequentemente atribuída a Deus no Antigo Testamento (cf. Sl 22; Ez 34), evoca os cuidados atentos e solícitos, a conservação da unidade do rebanho de outro modo disperso, a defesa da vida das ovelhas, mesmo à custa da própria vida (por sinal, uma imagem utilizada por Jesus em Jo 10 e por conseguinte retomada em seguida, por toda a tradição cristã). A benevolência do pastor toma a forma do perdão que revela, mais do que qualquer outra coisa, quem é o Deus de Israel, e que marca a diferença de qualquer outra divindade. O perdão é o prodígio maior por ser capaz de extirpar o mal do coração do homem” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite