(2Rs 25,1-12; Sl 136[137]; Mt 8,1-4) 12ª Semana do Tempo Comum.
“Eis que um leproso se aproximou e se
ajoelhou diante dele, dizendo:
‘Senhor, se queres, tu tens o poder de
me purificar”. Mt
8,2.
“O
leproso encontrava-se em circunstâncias nada aprazíveis. Os leprosos eram
considerados, no povo judeu, como estigmatizados por Deus, como castigo de seus
pecados. A lepra era denominada, na Bíblia, como ‘açoite de Deus’. Socialmente,
os leprosos não podiam aproximar-se de ninguém, nem lhes era permitido residir
nas cidades. Porém aqui temos um ensinamento que pode ser de utilidade para a
nossa vida espiritual. Primeiramente, salienta-se o atrevimento do leproso,
movido pelo desejo ardente de ser curado. Sabe que não lhe é lícito
aproximar-se de Jesus; no entanto, não leva em consideração essa proibição; ele
está intuindo que aquele profeta de Israel pode curá-lo, e tudo cai e tudo cede
do seu veemente desejo de saúde. Assim, aproxima-se de Jesus, e adota uma
posição de acordo com o pedido que quer apresentar. São Mateus diz que
‘prostou-se’ (v. 2); São Marcos afirma que ‘suplicando-lhe de joelhos’ (Marcos
1,40), enquanto São Lucas é ainda mais expressivo e diz que colocou ‘lançou-se
com o rosto por terra’ (Lucas 5,12), conforme a atitude comum dos orientais. O
leproso não podia aproximar-se de ninguém, mas ninguém que se sentisse sadio
poderia tampouco aproximar-se dele e menos ainda tocá-lo. No entanto, Jesus
aproxima-se, toca-o e cura. Segundo a lei, socialmente, Jesus ficava
contaminado. Mas como poderia contaminar-se por lepra ele que era capaz de
curá-la, como poderia contaminar-se ele que a limpava? A oração do leproso: o
leproso começa reconhecendo sua necessidade: está doente, seriamente doente. O
primeiro passo para aproximar-se de Deus é o reconhecimento da própria miséria,
da própria fraqueza, da impotência do eu; desse eu tão mergulhado na miséria do
egoísmo, de todo tipo de pecado; desse eu, tão imperiosamente necessitado de
limpeza, de purificação, de santificação. Reconhecer-se a si mesmo naquilo que
alguém é e naquilo de que necessita, sentir-se pobre de si mesmo, destruído em
si próprio, é o pré-requisito para o Espírito de Deus inicie sua obra em nós.
Reconhecendo sua necessidade, o leproso aproxima-se do Senhor e adota perante
ele uma posição, uma atitude de humildade, de fé e de confiança ilimitada. O
leproso terá reconhecido em Jesus o Filho de Deus, o Messias prometido a
Israel, ou pelo menos terá visto nele um dos profetas do povo de Deus, dotado
de poderes sobrenaturais. Nós temos a fé na sua divindade, já o reconhecemos,
pois o Pai dignou-se dá-lo a conhecer a nós. Sabemos também que Jesus se comove
diante de qualquer apresentação de fé e de dor, tanto em nossos dias quanto no
passado; agora como naquele tempo, tanto conosco quanto com o leproso” (Alfonso Milagro – O
Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).
Pe.
João Bosco Vieira Leite