(Ex 12,1-8.11-14; Sl 115[116B]; 1Cor 11,23-26; Jo 13,1-15) Ceia do Senhor.
“Chegou a vez de Simão Pedro, Pedro
disse: ‘Senhor, tu me lavas os pés?’” Jo
13,9.
“João
tem duas interpretações para o lava-pés: numa ele o vê como símbolo e noutra
como modelo. O conteúdo simbólico do lava-pés revela-se nas palavras: ‘Jesus
(...) depõe o seu manto e toma um pano com o qual se cinge’ (13,4). Trata-se de
uma metáfora da encarnação de Jesus. Ele depôs o manto de sua natureza divina e
se apresenta com um pano, como escravo. O simbolismo do lava-pés aparece também
no diálogo com Pedro. Este não quer permitir que Jesus lhe lave os pés. Pedro
vê no gesto um serviço que cabe a um escravo. Jesus respondeu-lhe: ‘O que
eu faço, tu não és capaz de saber agora, mais tarde, porém, compreenderás’
(13,7). O lava-pés remete a um outro acontecimento, à morte de Jesus. É uma
imagem do último serviço que Jesus prestará aos seus discípulos: sua morte por
amizade na cruz. Quem recusa esse serviço não participa da salvação, da glória
de Jesus: ‘Se eu não te lavar, não poderás ter parte comigo’ (13,8). Novamente,
Pedro não entende o que Jesus gostaria de lhe dizer. Ele intui apenas que o
lava-pés lhe dará parte com Cristo. Por isso pede que Jesus lhe dê logo um banho
completo. Jesus lhe explica, então, o sentido de seu ato: ‘Aquele que tomou
banho não tem nenhuma necessidade de ser lavado, pois está inteiramente puro’
(13,10). Os discípulos já se tornaram puros pelos atos e pelas palavras de
Jesus. Bultman entende essa pureza como libertação do mundo. Quem crê em Jesus,
livrou-se do poder do mundo e de seus padrões. Ele não se suja com os jogos de
poder, com as intrigas e os vícios. Para Jesus, o lava-pés é um sinal daquele
ato de amor que ainda falta: a sua morte de cruz. Nesse ato, o seu amor se
completará. A fé não exige apenas que o discípulo creia nas palavras de Jesus,
mas que creia sobretudo em sua morte. Assim se completa também a sua fé, pois
ele vê na morte de cruz a maior prova do amor de Jesus” (Anselm Grun – Jesus,
porta para a vida – Vozes).
Pe.
João Bosco Vieira Leite