Sábado, 29 de agosto de 2026

(Jr 1,17-19; Sl 70[71]; Mc 6,17-29) Martírio de São João Batista.   

“Herodes tinha mandado prender João e coloca-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado” Mc 6,17.

“’E falarei dos teus preceitos diante dos reis, sem me envergonhar. E deleitar-me-ei nos teus mandamentos, que amo’ (Sl 118,46-47). No dia 24 de junho, a Igreja celebrou o nascimento de São João Batista; hoje comemora o seu ‘dies natalis’, o dia da sua morte, ordenada por Herodes. Este rei, como o chama São Marcos, é um dos personagens mais tristes do Evangelho. Foi durante o seu governo que Cristo pregou e se manifestou como o Messias esperado. Também teve oportunidade de conhecer João, incumbido por Deus de mostrar o Messias, e chegou a ouvi-lo com gosto (Mc 6,17-20). Podia ter conhecido Jesus, a quem queria ver pessoalmente, mas cometeu a enorme injustiça de mandar decapitar aquele que poderia tê-lo levado até o Senhor. A imortalidade da sua vida, as suas más paixões, impediram-no de descobrir a Verdade e levaram-no a esse grande crime. Foi tal a cegueira da sua mente e do seu coração que, quando realmente se encontrou cara a cara com o Senhor do céu e da terra (Lc 23,6-9), pretendeu que o entretivesse, a ele e aos amigos, com algum dos seus prodígios. São João pregava a todos: à multidão do povo, aos publicanos, aos soldados (Lc 3,10-14); aos fariseus e saduceus (Mt 3,7-12), e ao próprio Herodes. Com seu exemplo humilde, íntegro e austero, avalizava o seu testemunho sobre o Messias, que já tinha chegado (Jo 1,29; 36-37). João dizia a Herodes: ‘Não te é lícito ter a mulher do teu irmão’ (Mc 6,18). Não temeu os grandes e poderosos, nem se importou com as consequências das suas palavras. Tinha presente na alma a advertência do Senhor ao profeta Jeremias, que a primeira leitura da Missa nos recorda hoje: “Tu, pois cinge os teus rins, levanta-te e diz-lhes tudo o que te mando. Não lhes tenha medo, porque eu farei que não temas a sua presença. Porque eu te converto hoje em cidade fortificada, em coluna de ferro e em muro de bronze sobre toda esta terra, diante dos reis de Judá, dos seus príncipes, dos seus sacerdotes e do seu povo. E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para te livrar” (1,17-19). O Senhor pede-nos também essa fortaleza e coerência, para que saibamos dar na vida diária um testemunho simples por meio do nosso exemplo e da nossa palavra, sem medo nem respeitos humanos” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 28 de agosto de 2026

(1Cor 1,17-25; Sl 32[33]; Mt 25,1-13) 21ª Semana do Tempo Comum.     

“O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo

e saíram ao encontro do noivo” Mt 25,1.

“Os exegetas sempre tentaram explicar o sentido do azeite. Muitos o interpretam como sendo as boas obras que devem juntar-se à fé (representada pelas tochas). Agostinho vê no azeite o símbolo da convicção que deve determinar a ação do cristão. Para ele, o azeite é imagem do amor. Não posso repartir a minha convicção com os outros. As moças prudentes não podem dividir o seu amor com as insensatas. Posso dividir com os outros o meu pão, o vinho, meus bens materiais e espirituais. Mas não posso impingir aos outros a minha convicção. Essa é uma tarefa individual. Por isso, Agostinho entende a parábola como uma advertência: devemos despertar em nós o amor que já está dentro de nós, mas do qual estamos muitas vezes isolados. Uma senhora que tinha refletido sobre o sentido do azeite em sua vida comentou depois num grupo: o azeite serve para requintar as comidas, e com azeite posso ungir o meu corpo. Ela viu nessa parábola a permissão de Jesus para permitir-se certos mimos, para tratar bem a si próprio, para não andar o tempo todo com a consciência pesada. Cada um quer interpretar o azeite à sua maneira, dependendo da própria experiência. E é legítimo que cada um medite sobre a parábola de Jesus, de acordo com o horizonte particular de sua experiência.” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 27 de agosto de 2026

(1Cor 1,1-9; Sl 144[145]; Mt 24,42-51) 21ª Semana do Tempo Comum.

“... neles fostes enriquecido em tudo, em toda palavra e em todo conhecimento, ...” 1Cor 1,5.

“O começo da Primeira Carta aos Coríntios segue o esquema típico da forma epistolar com a apresentação dos remetentes e dos destinatários, a saudação e depois a ação de graças a Deus, pelos dons que concedeu à comunidade dos fiéis. A solenidade da introdução familiariza o ouvinte com a riqueza dos temas e dos assuntos que serão tratados em seguida. No versículo 5, Paulo declara a riqueza espiritual dos Coríntios, aos quais não falta nenhum dos dons da fé, mas ao mesmo tempo exorta-os a permanecerem firmes em Deus, que ele define como ‘fiel’ (v. 9). [Compreender a Palavra:] Na saudação inicial à comunidade de Corinto, o Apóstolo chama a atenção para o contexto de uma Igreja maior, composta por todos aqueles que invocam o Nome do Senhor, porque são chamados a ser santos (v. 2). O relevo sobre a universalidade da fé constitui uma das argumentações mais fortes de Paulo perante as divisões internas na comunidade, devido aos diversos personalismos que provocaram rivalidades e divisões. Depois, quase com ironia, no versículo 5, o Apóstolo louva os Coríntios, porque não lhes falta nenhum dom, sendo já peritos na ‘palavra’ e no ‘conhecimento’. Mas há um crescimento a fazer na linha da ‘irresponsabilidade’ (v. 8) da ‘comunhão’(v. 9), dons que vem diretamente de Deus e que Ele está sempre disposto a conceder a quem permanece fiel na procura sincera da santidade. O adjetivo ‘fiel’, atribuído a Deus, é a nota dominante da teologia desta Carta, já que no centro da fidelidade estão a caridade e a misericórdia utilizada pelo Senhor para conosco (cf. ‘Cor 13)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite