Quinta, 25 de junho de 2026

(2Rs 24,8-17; Sl 78[79]; Mt 7,21-29) 12ª Semana do Tempo Comum.

“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus,

mas o que põe em prática a vontade do meu Pai que está nos céus” Mt 7,21.

“’Senhor, Senhor’, palavras que aparentam piedade, porém, citadas por Jesus, condenam os doutores da mentira. Eles seduzem o povo com falsas aparências de piedade, enquanto, no íntimo, buscam fins interesseiros. Os falsos mestres precisavam ser desmascarados. Não agiam conforme a vontade do Pai. Profetizavam suas próprias palavras. Teatralizavam cenas com demônios e à revelia faziam muitos milagres. Ouviam a Palavra de Deus, porém não a praticavam. Foram por Jesus comparados a homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína. Esta ruína impede o entrar no Reino dos Céus. Fazer a vontade de Deus é senha aberta e escancarada para alguém nele entrar. A parte mais difícil foi feita e cumprida por Jesus, quando na cruz morreu em favor de todos os pecadores. Quis o Pai que as pessoas cressem nele e praticassem a sua Palavra. Estes são também comparados a um homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. Deus é esta rocha: ‘Só Ele é a minha rocha e a minha salvação, e o meu alto refúgio: não serei jamais abalado’ (Sl 62,6). Este Deus foi aquele que enviou Jesus. Foi rejeitado pelos seus, mas ‘veio a ser a principal pedra, angular’ (Mt 21,42). Prefigurou salvação quando o povo de Israel no deserto bebeu ‘de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo’ (1Cor 10,4). – Quero agora te louvar, te entregar o meu viver, mostrar como é bom vir a te conhecer. Levar tua Palavra, de ti testemunhar. Cantar a liberdade que só Tu tens pra dar. Amém (Arnaldo Hoffmann Filho – Meditações para o dia a dia [2015] Vozes).

  Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 24 de junho de 2026

(Is 49,1-6; Sl 138[139]; At 13,22-26; Lc 1,57-66.80) Natividade de João Batista.

“Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho” Lc 1,57.

“Hoje, 24 de junho, a liturgia convida-nos a celebrar a solenidade do Nascimento de São João Batista, cuja vida está toda orientada para Cristo, como a da mãe d’Ele, Maria. João Batista foi o precursor, a ‘voz’ enviada para anunciar o Verbo encarnado. Por isso, comemorar o seu nascimento significa na realidade celebrar Cristo, cumprimento das promessas de todos os profetas, dos quais o Batista foi o maior, chamado para ‘preparar o caminho’ diante do Messias (cf. Mt 11,9-10). Todos os evangelhos iniciam a narração da vida pública de Jesus com a narração do seu batismo no rio Jordão por obra de João. São Lucas situa a entrada em cena do Batista com a moldura histórica solene. Também o meu livro Jesus de Nazaré se inspira no batismo de Jesus no Jordão, acontecimento que teve grande ressonância no seu tempo. De Jerusalém e de todas as partes da Judeia o povo acorria para ouvir João Batista e fazer-se batizar por ele no rio, confessando os próprios pecados (cf. Mc 1,5). A fama do profeta batizador cresceu a tal ponto que muitos perguntavam se era ele o Messias. Mas ele ressalta o evangelista negou-o decididamente: ‘Eu não sou o Messias’ (Jo 1,20). Contudo, ele permanece a primeira ‘testemunha’ de Jesus, tendo recebido a indicação do Céu: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é que batiza do Espírito Santo’ (Jo 1,33). Isto acontece precisamente quando Jesus, tendo recebido o batismo, saiu da água: João viu descer sobre Ele o Espírito como uma pomba. Foi então que ‘conheceu’ a plena realidade de Jesus de Nazaré, e começou a dá-lo a ‘conhecer a Israel’ (Jo 1,31), indicando-o como Filho de Deus e redentor do homem: ‘Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’ (Jo 1,20). De profeta autêntico, João deu testemunho da verdade sem condescendências. Denunciou as transgressões dos Mandamentos de Deus, também quando os protagonistas eram os poderosos. Assim, quando acusou de adultério Herodes e Herodíades, pagou com a vida, selando com o martírio o seu serviço a Cristo, que é a Verdade em Pessoa. Invoquemos a sua intercessão, juntamente com a de Maria Santíssima, para que também nos nossos dias a Igreja saiba manter-se sempre fiel a Cristo e testemunhar com coragem a sua verdade e seu amor a todos” (Bento XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo – Vol. IV – Mokai).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 23 de junho de 2026

(2Rs 19,9-11.14-21.31-36; Sl 47[48]; Mt 7,6.12-14) 12ª Semana do Tempo Comum.  

“Protegerei esta cidade e a salvarei em atenção a mim mesmo e ao meu servo Davi” 2Rs 19,34.

“Esta página da Bíblia, repleta de acontecimentos dolorosos, recorda que depois de haver destruído o poder e a identidade nacional do reino do Norte, os Assírios, em 701 a.C., ameaçaram também Jerusalém. O piedoso rei Ezequiel, ao contrário do ímpio Acaz, seu pai, não se deixa atemorizar pela arrogância humana, mas confia no Deus de Israel e na Palavra que lhe foi anunciada pelo profeta Isaías: Deus é fiel ao Seu amor e às Suas promessas. [Compreender a Palavra:] Para além dos episódios de guerra, ameaças, desafios, assédios, batalhas e derrotas, os fatos narrados não são simplesmente ‘história’, mas História da Salvação e, como tais, são narrados para comunicar um significado religioso: o olhar profético lê na História um enredo de salvação que permanece invisível para quem está privado de olhos de fé. A ótica puramente humana está representada por Senequerib, o soberano assírio que raciocina segundo parâmetros simplesmente militares e por isso acha o seu exército capaz de atacar e exterminar qualquer adversário, pelo que manda dizer Ezequias: ‘Não te deixes enganar pelo teu Deus, em quem confias...’ (2Rs 19,10). O poder bélico representa a arrogância humana, que desafia Deus com a pretensão de se substituir a Ele, e insinua a dúvida, apresentando a dimensão da fé, pelo contrário, lê nos acontecimentos humanos (neste caso, numa epidemia que debilita as forças inimigas), o fato providencial que leva a cumprimento o desígnio do Senhor” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite