(Gl 3,22-29; Sl 104[105]; Lc 11,27-28) 27ª Semana do Tempo Comum.
“Jesus respondeu: ‘Muito mais felizes
são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática’” Lc 11,28.
“Muitas
vezes a palavra humana causou-lhe dano grave: a palavra humana entusiasmou o
seu espírito, ou excitou seu egoísmo, ou acendeu sua sensualidade, ou desviou
do caminho reto... Tudo isso você deve aos efeitos da palavra humana, que, por
ser humana, é falível, egoísta, carregada de paixões, do veneno do ódio, das
discórdias entre irmãos. No entanto, quão diferente é a palavra de Deus, que
não somente diz, mas também realiza. Diz o que faz e faz o que diz; é por si
mesma eficiente e dinâmica, tende sempre à realização, e se promete, dá; se
expõe, ilumina; se corrige, santifica; se perdoa, devolve a graça. A palavra de
Deus é uma palavra sem som, porém com eficiência; palavra que não se percebe
pelo ouvido, mas capta-se com o coração; palavra que não grita, mas se sente na
intimidade mais recôndita de nosso ser. A palavra de Deus não só promete, mas
também cumpre o que prometeu, e dá e outorga ainda muito mais do que mostrou;
palavra que responde mesmo antes de ser interrogada, ou sem necessidade de o
ser; palavra que se dirige, mais que a seu exterior, ao interior de seu
coração. A palavra de Deus há de confortar e animar você no desânimo; moderará
seu excessivo entusiasmo; tornará você fervoroso(a) e fiel em seus momentos de
apatia ou frieza; aclamará seus arrebatamentos; serenará suas excitações;
infundir-lhe-á a luz que necessita para os momentos de dúvida; ela o/a
confirmará e tranquilizará em suas horas de bem e de retidão; ela o/a perdoará
quando cair; ela o/a impulsionará quando permanece no bem. Se você escuta,
cumpre e vive a Palavra, ela lhe dará paz e salvação; porque Deus salva os que
nele esperam. Palavra de Deus que surge acima de todos os enganos e falsidades
que o/a rodeiam; palavra que nunca engana, nem falseia; palavra de Deus que
leva no íntimo a fecundidade da vida. A felicidade e a glória da mulher
israelita, segundo os livros dos sábios, fundamentam-se no filho (Provérbios
23,24ss e Gênesis 30,13); porém Jesus valoriza de outro modo a glória da mulher
e do homem: o conhecimento e a prática da palavra de Deus. Esta afirmação
‘ouvir a palavra’ tem sentido enfático, que ultrapassa a simples audição;
trata-se de recebe-la, aceita-la e praticá-la. É a recepção carinhosa da
semente no seio da terra, guardando-a para que frutifique” (Alfonso Milagro – O Evangelho
meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).
Pe.
João Bosco Vieira Leite