(Ez 2,8—3,4; 118[119]; Mt 18,1-5.10.12-14) 19ª Semana do Tempo Comum.
“Em verdade vos digo, se não vos
converterdes e não vos tornardes como crianças,
não entrareis no Reino dos Céus” Mt 18,3.
“Os
discípulos devem ser como as criancinhas, isto é, devem tirar do coração a
ambição e a inveja, que levam a desejar os postos de honra. E Jesus não fala
precisamente da inocência da criança neste texto, mas do conhecimento que ela
tem de sua pequenez e de sua debilidade e falta de poder; o mais humilde será o
maior perante o Pai, pouco importa a posição que ocupe e o papel que desempenhe
na comunidade. O sentido desse ‘tornar-se como as criancinhas’ inclui a
humildade e singeleza de coração; porém, neste texto, entende-se principalmente
o apequenar-se em relação à sociedade e perante os postos que impliquem
dignidade e poder; isto se deduz da motivação que os apóstolos deram a este
ensinamento do Salvador, porque nesse momento cada um deles queria ser o
‘maior’ no Reino. Daí que tornar-se como uma criança seja condição não só para
ser grande no Reino, mas para ser admitido nele. Fazer-se criança, tornar-se
humilde: no direito antigo, a criança não era pessoa no sentido legal pleno;
não só estava sujeita à autoridade dos pais, mas era propriedade deles. O termo
‘criança’, empregado aqui por Jesus, refere-se aos simples que se tornaram seus
discípulos, visto que possuíam aquela simplicidade afirmada por Jesus como
condição para segui-lo: aquele que não se nega a si mesmo não pode ser
discípulo do Mestre. Os apóstolos, ainda homens imperfeitos e ambiciosos,
pretendiam ser ‘o maior’ no Reino dos céus, não por ser o Reino dos céus, mas
simplesmente por ser ‘o maior’. A resposta de Jesus foi taxativa: ‘Chamou uma
criancinha, colocou-a no meio deles e disse: ‘Em verdade vos declaro, se não
vos tornardes como criancinhas, não entreis no Reino dos céus’ (v. 3)” (Alfonso Milagro – O
Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).
Pe.
João Bosco Vieira Leite