(Ez 37,21-28; Sl Jr 31; Jo 11,45-56) 5ª Semana da Quaresma.
“E não só pela narração, mas também para
reunir os filhos de Deus dispersos” Jo
11,52.
“A
reação dos judeus perante a ressurreição de Lázaro é dupla e contrastante:
‘’muitos’ professam a fé em Jesus; ‘outros’, pelo contrário, decretam a sua
morte. A sessão do Sinédrio retoma a típica conjura contra o justo perseguido
descrito nos profetas e nos salmos (cf. Is 53; Sl 31,17). Caifás coloca uma
proposta oportunista; o evangelista descobre uma profecia acerca do valor
salvífico da morte de Jesus. Entretanto o Filho de Deus, dominando os
acontecimentos, retira-se para o deserto esperando a ‘hora’ da sua oferta total
conforme o plano do Pai. [Compreender a Palavra:] O grupo influente dos
fariseus juntamente com os sacerdotes convoca uma reunião do Sinédrio (a
assembleia máxima oficial, político religiosa da época) para tomar finalmente
uma decisão sobre ‘este homem’. Os ‘muitos milagres’ que Ele realiza são vistos
como sinais de ameaça contra o poder instituído e contra a frágil tranquilidade
política sob a ocupação romana. Jesus deve ser por isso eliminado. A acusação
já não é blasfêmia, nem as suas ações ilegais como a violação da lei do sábado,
mas atinge já o campo político. Caifás interpreta o desejo geral e o seu
argumento é claro: se Jesus é possuído pelo demônio ou se foi mandado por Deus,
isso pouco importa. Uma coisa só é certa: ‘É melhor para nós morrer um só homem
pelo povo do que perecer a nação inteira’ (v. 30). Por outras palavras:
inocenta ou culpado, Jesus deve ser sacrificado à razão de Estado. O ‘bem
comum’ está acima da justiça para com o indivíduo. Mas são João lê a história
numa luz superior e vê nas palavras de Caifás, pronunciadas enquanto Sumo
Sacerdote, uma verdadeira profecia: Jesus morrerá, mas a sua morte dá vida a um
novo povo que acolherá juntamente homens de todas as raças, culturas e nações;
pela sua morte, a salvação será acessível a todos. Assim, na decisão do
Sinédrio emerge misteriosamente o desígnio do Pai que deseja reunir os seus
filhos dispersos no seu Filho crucificado” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma
Páscoa] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite