Segunda, 25 de maio de 2026

(Gn 3,9-15.20; Sl 86[87]; Jo 19,25-34) Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja.

“Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, este é o teu filho’.

Depois disse ao discípulo: ‘Esta é a tua mãe’. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo”

Jo 26-27.

“Com essas palavras, Jesus finaliza sua comunicação oficial com os homens antes da Morte – as quatro outras serão de sua intimidade com Deus. Quem as ouve são Maria Madalena, representando a via da penitência; Maria, mulher de Cléofas, a dos que vão progredindo na vida espiritual; Maria Santíssima e São João, a da perfeição. Consideremos um breve comentário de Santo Ambrósio sobre este trecho: ‘Outros descreveram o transtorno do mundo na Paixão do Senhor; o céu coberto de trevas, ocultando o Sol e o bom ladrão recebido no Paraíso, depois de sua confissão piedosa; São João escreveu o que os outros calaram: como, cravado na Cruz, considerado vencedor da morte, Jesus chamou sua Mãe e tributou a Ela a reverência de seu amor filial [...]. E, se perdoar o ladrão é um ato de piedade, muito mais é homenagear a Mãe com tanto afeto [...]. Cristo, do alto da Cruz, fazia seu testamento, distribuindo entre sua Mãe e seu discípulo os deveres do seu carinho’. É arrebatador constatar como Jesus, numa atitude de grandioso afeto e nobreza, encerrou oficialmente seu relacionamento com a humanidade, na qual Se encarnara para redimi-la. Do auge da dor, expressou o carinho de um Deus por sua Mãe Santíssima, e concedeu o prêmio para o discípulo que abandonara seus próprios pais para segui-Lo: o cêntuplo nesta terra (cf. Mt 19,29). É perfeita e exemplar a presteza com que São João assume a herança deixada pelo Divino Mestre: ‘E dessa hora em diante, o discípulo a levou para a sua casa’ (Jo 19,27). São João desce do Calvário protegendo, mas sobretudo, protegido pela Rainha do Céu e da Terra. É o prêmio de quem procura adorar Jesus no extremo do seu martírio” (Mons. João Scognamiglio Clá Dias – “O Inédito sobre os Evangelhos” – Libreria Editrice Vaticana).   

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Pentecostes – Dia – Ano A

(At 2,1-11; Sl 103[104]; 1Cor 12,3-7.12-13; Jo 20,19-23) *

1. Hoje celebramos a importante solenidade de Pentecostes. Se, num certo sentido, todas as solenidades litúrgicas da Igreja são grandes, maior é o Pentecostes, porque, chegando ao quinquagésimo dia, assinala o cumprimento do acontecimento da Páscoa, da Morte e Ressurreição do Senhor Jesus, através da dádiva do Espírito do Ressuscitado.

2. Na liturgia do Pentecostes, na narração dos Atos dos Apóstolos sobre o nascimento da Igreja, corresponde o salmo 103 que rezamos: um louvor de toda a Criação, que exalta o Espírito Criador que fez tudo com sabedoria. O que a Igreja nos quer dizer é isto:

3. O Espírito criador de todas as coisas, e o Espírito Santo que Cristo fez descer do Pai sobre a comunidade dos discípulos são um só e único: criação e redenção pertencem-se reciprocamente e constituem, em profundidade, um único Mistério de amor e de salvação.

4. A segunda leitura e o Evangelho mostram-nos esta ligação. O Espírito Santo é Aquele que nos faz reconhecer em Cristo o Senhor, levando-nos a pronunciar a profissão de fé da Igreja: “Jesus é o Senhor”. Senhor é o título atribuído a Deus no Antigo Testamento, título que na leitura da Bíblia tomava o lugar do seu Nome impronunciável.

5. A expressão “Jesus é o Senhor” pode ser lida nos dois sentidos. Significa: Jesus é Deus e, contemporaneamente: Deus é Jesus. O Espírito Santo ilumina esta reciprocidade: Jesus tem dignidade divina, e Deus tem o rosto humano de Jesus.

6. Deus mostra-se em Jesus e, assim, oferece-nos a verdade sobre nós mesmos. Deixar-se iluminar no profundo desta palavra é o acontecimento de Pentecostes.

7. O Evangelho nos oferece uma imagem maravilhosa para esclarecer a ligação entre Jesus, o Espírito Santo e o Pai: o Espírito Santo é representado como sopro de Jesus Cristo ressuscitado. João retoma aqui uma imagem da narração da criação, Deus que sopra nas narinas do homem o sopro da vida.

8. O sopro de Deus é vida. Ora, o Senhor inspira na nossa alma o novo Sopro de vida, o Espírito Santo, a sua Essência mais íntima, e deste modo recebe-nos na Família de Deus.

9. Uma outra imagem presente em nossa liturgia está relacionada também à 1ª leitura: o Espírito Santo anima a Igreja. Ela não deriva da vontade humana. Ela, ao contrário, é o Corpo de Cristo, animado pelo Espírito Santo. As imagens do vento e do fogo, utilizadas por Lucas para representar a vinda do Espírito Santo, são uma forte referência ao Sinai.

10. Ali, Deus havia estabelecido a sua Aliança com Israel, no quinquagésimo dia após a saída do Egito. Assim o acontecimento de Pentecostes é representado como um novo Sinai, como o dom de um novo pacto, não só para Israel, mas para todos os povos da terra. O Espírito comunica e difunde o amor que tudo abraça.

11. Com isto, nos é dito algo muito importante: que a Igreja é católica desde o primeiro momento, que a sua universalidade não é fruto da inclusão sucessiva de diversas comunidades. Desde o início a Igreja é una, católica e apostólica: esta é a sua verdadeira natureza e como tal, deve ser reconhecida. Ela é santa, não graças à capacidade dos seus membros, mas porque é o próprio Deus, com seu Espírito, que a cria, purifica e santifica sempre.

12. Por fim, o evangelho confia-nos essa alegria dos discípulos de verem o Senhor. O Amigo perdido está novamente presente. Ele não vem de um lugar qualquer, mas sim da noite da morte; Ele a atravessou! Essa alegria que Ele oferece não é uma alegria qualquer, mas sim o próprio júbilo, dom do Espírito Santo.

13. Sim, é bonito viver, porque sou amado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Hoje, no Pentecostes, esta expressão é destinada também a nós, porque na fé podemos vê-lo; na fé, Ele vem ao meio de nós e mostra também a nós as mãos e o lado, e nós alegramo-nos com isto. Por isso, queremos rezar: “Senhor, mostra-te! Concede-nos o dom da Tua presença e teremos a dádiva mais bonita: a Tua alegria! Amém!” 

* Com base em texto de Bento XVI.   

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 23 de maio de 2026

(At 28,16-20.30-31; Sl 10[11]; Jo 21,20-25) 7ª Semana da Páscoa.

“Jesus fez ainda muitas outras coisas, mas, se fossem escritas todas, penso que não caberiam no mundo

os livros que deveriam ser escritos” Jo 21,25.

“O capítulo 21 termina de uma maneira estranha: ‘É este discípulo que testemunha essas coisas e as escreveu, e nós sabemos que o seu testemunho é conforme a verdade. Jesus fez ainda muitas outras coisas; se as escrevessem uma a uma, o mundo inteiro não poderia, penso eu, conter os livros que se escreveriam’ (21,24-25). Não precisamos ler tudo o que se escreveu sobre Jesus. Basta meditar sempre de novo as palavras que o discípulo amado nos transmitiu no evangelho de João. Elas nos querem abrir os olhos para o que é essencial. Não se trata de saber muito, importa, isso sim, entender. Não se trata de contar a história de Jesus em sua ordem cronológica. Importa ver nele o revelador que afasta o véu que cobre tudo, para que entremos na realidade, concordando com o maravilhoso, como diz Peter Schellenbaum. Fundir-se com a realidade, estar de acordo com o que é real, continua Schellenbaum, leva a um novo sentir da vida, uma nova experiência direta, à vida verdadeira, pois muitas vezes estamos mortos, presos em obsessões recorrentes (SCHLLENBAUM, 2001, P. 306s)” (Anselm Grun – Jesus, porta para a vida – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite