(Mq 5,1-4; Sl 70[71; 12[13]; Mt 1,1-16.18-23) Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria.
“Jacó gerou José, o esposo de Maria, da
qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo” Mt 1,16.
“A
primeira vez em que aparece Maria no Evangelho de Mateus, é no fim da
genealogia de Jesus: ‘Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus,
chamado Cristo’ (1,16). Em Lucas, aparece pela primeira vez no relato da
Anunciação do Senhor. Em Marcos e João, só mais tarde, durante o ministério
público de Filho. Em todo caso, Maria só entra no Evangelho em vista de Jesus,
como Mãe do Salvador. Embora se note a presença de Maria em muitas páginas dos
Evangelhos, mormente de Lucas, é tão discreta e velada a ponto de desaparecer
na do Filho. Perde-se e desaparece a vida de Maria na de Jesus. Ela viveu
verdadeiramente oculta com Cristo em Deus. Viveu na sombra não só durante a
infância, mas também depois, quando Mãe de Deus, até nos momentos de triunfo do
Filho e até quando certa mulher, entusiasmada com a pregação de Jesus, ergueu a
voz em meio à multidão gritando: ‘Feliz o seio que te trouxe!’ (Lc 11,27). A
festa mariana celebrada hoje pela Liturgia é, pois, convite à vida oculta com
Maria em Cristo, e com Cristo em Deus. Feliz quem Deus conduz através das
circunstâncias, pelo caminho da humildade, da simplicidade, longe de tudo que
brilha aos olhos humanos! Só tem de aderir ao plano divino, para entrar nas
fileiras dos pobres de espírito a quem o reino dos céus foi prometido. Mas
também os que se empenham, por dever, em grandes responsabilidades e estão
colocados em evidência, por ofício, na sociedade ou na Igreja, são chamados a
imitar a atitude de Maria. Cumpre aprendermos dela a agir de modo a poder servir
aos irmãos sem alarde, sem nos fazer valer, sem nos arrogar direitos e
privilégios, antes buscando eclipsar-nos, sobretudo quando já não é necessária
nossa atividade. Quem aspira imitar Nossa Senhora há de ter ânsia de ocultar-se
à sombra de Deus, convicto de que, se lhe foi concedido fazer alguma boa obra,
foi dom divino e deve reverter em proveito do bem comum e da glória do
Altíssimo” (Gabriel
de Sta. Maria Madalena, OCD – Intimidade Divina – Loyola).
Pe.
João Bosco Vieira Leite