(Fl 2,12-18; Sl 26[27]; Lc 14,25-33) 31ª Semana do Tempo Comum.
“Quem não carrega sua cruz e não caminha
atrás de mim não pode ser meu discípulo” Lc 14,27
“Fazendo
da vida uma peregrinação, o cristão se desprende completa e imediatamente, para
seguir adiante com Jesus Cristo. Ser discípulo de Jesus Cristo não é algo
difícil de ser desejado; a figura de Jesus se apresenta tão santa e pura, tão
amável e bondosa, tão humana e tão divina, que não pode deixar de arrastar o
coração humano no desejo de seu seguimento. Vemos hoje como mesmo as multidões
juvenis não cristãs se apaixonam pela figura de Jesus e propuseram-na como guia
e líder na novela e no cinema. Porém, ser verdadeiro discípulo de Jesus, tal
como ele no-lo exige no evangelho, é mais que a simples admiração e
reconhecimento das suas qualidades e virtudes. Seguir Jesus verdadeiramente e
de perto exige muito: acima dos afetos mais dignos e santos, mais corretos e
naturais, deve estar o amor a Deus, e inclusive acima da própria vida e do
próprio eu. A palavra ‘odiar’ é um hebraísmo com o qual Jesus não pede ódio ou
rancor, mas desprendimento completo e imediato de tudo que pode ser mais caro
ao coração do homem. É preciso colocar o amor a Deus acima de tudo e de todos.
O evangelho não nos pode mandar que odiemos os nossos pais, quando, no próprio
evangelho, se nos ordena que amemos os nossos inimigos. A cruz é símbolo de
negação; o cristão deve seguir Jesus Cristo ao calvário, para que possa
segui-lo na ressurreição e na ascensão aos céus. O Senhor Jesus fala-nos de
carregar a cruz e assim expressa a entrega da própria vida; o discípulo de
Jesus deve estar disposto ao martírio. ‘Carregar a cruz’ é frase antiga, muito
usada, para simbolizar o sacrifício da própria vida; Jesus carregou sua cruz:
entregou sua vida por nós; devemos carregar nossa cruz: entregar nossa vida por
ele” (Alfonso Milagro –
O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).
Pe.
João Bosco Vieira Leite