(Jr 1,17-19; Sl 70[71]; Mc 6,17-29) Martírio de São João Batista.
“Herodes tinha mandado prender João e
coloca-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do
seu irmão Filipe, com quem se tinha casado” Mc 6,17.
“’E
falarei dos teus preceitos diante dos reis, sem me envergonhar. E
deleitar-me-ei nos teus mandamentos, que amo’ (Sl 118,46-47). No dia 24 de
junho, a Igreja celebrou o nascimento de São João Batista; hoje comemora o seu
‘dies natalis’, o dia da sua morte, ordenada por Herodes. Este rei, como o
chama São Marcos, é um dos personagens mais tristes do Evangelho. Foi durante o
seu governo que Cristo pregou e se manifestou como o Messias esperado. Também
teve oportunidade de conhecer João, incumbido por Deus de mostrar o Messias, e
chegou a ouvi-lo com gosto (Mc 6,17-20). Podia ter conhecido Jesus, a quem
queria ver pessoalmente, mas cometeu a enorme injustiça de mandar decapitar
aquele que poderia tê-lo levado até o Senhor. A imortalidade da sua vida, as suas
más paixões, impediram-no de descobrir a Verdade e levaram-no a esse grande
crime. Foi tal a cegueira da sua mente e do seu coração que, quando realmente
se encontrou cara a cara com o Senhor do céu e da terra (Lc 23,6-9), pretendeu
que o entretivesse, a ele e aos amigos, com algum dos seus prodígios. São João
pregava a todos: à multidão do povo, aos publicanos, aos soldados (Lc 3,10-14);
aos fariseus e saduceus (Mt 3,7-12), e ao próprio Herodes. Com seu exemplo
humilde, íntegro e austero, avalizava o seu testemunho sobre o Messias, que já
tinha chegado (Jo 1,29; 36-37). João dizia a Herodes: ‘Não te é lícito ter a
mulher do teu irmão’ (Mc 6,18). Não temeu os grandes e poderosos, nem se
importou com as consequências das suas palavras. Tinha presente na alma a
advertência do Senhor ao profeta Jeremias, que a primeira leitura da Missa nos
recorda hoje: “Tu, pois cinge os teus rins, levanta-te e diz-lhes tudo o que te
mando. Não lhes tenha medo, porque eu farei que não temas a sua presença.
Porque eu te converto hoje em cidade fortificada, em coluna de ferro e em muro
de bronze sobre toda esta terra, diante dos reis de Judá, dos seus príncipes,
dos seus sacerdotes e do seu povo. E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão,
porque eu estou contigo para te livrar” (1,17-19). O Senhor pede-nos também
essa fortaleza e coerência, para que saibamos dar na vida diária um testemunho
simples por meio do nosso exemplo e da nossa palavra, sem medo nem respeitos
humanos” (Francisco
Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante).
Pe.
João Bosco Vieira Leite