Quarta, 10 de junho de 2026

(1Rs 18,20-39; Sl 15[16]; Mt 5,17-19) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus

e que és tu que convertes os seus corações!” 1Rs 18,37.

“Jezebel, a cruel princesa fenícia, esposa de Acab, propagandista do culto de Baal e de Asera, projeta exterminar os profetas do Senhor (cf. 1Rs 18,3-4). Elias, paradoxalmente acusado de ser ‘a ruína de Israel’, reenvia a acusação contra Acab e a sua família, porque pelo fato de ter ‘abandonado os preceitos do Senhor’ é que veio a verdadeira ruína moral e material da nação (cf. 1Rs 18,17-18). E lança um desafio: Elias, diante de todo o povo dará testemunho da verdade do seu Deus contra as vãs veleidades dos profetas de Baal. [Compreender a Palavra:] O célebre desafio no monte Carmelo (promontório montanhoso a norte do país) entre Elias e os profetas de Baal é causado por uma provação das consciências: ‘Até quando oscilareis para os dois lados?’ (à letra: ‘Até quando saltareis de um ramo para o outro?’; poderia também ser traduzido para ‘Até quando estareis presos a duas amarras?’). Não se seguirão ao mesmo tempo Deus e Baal, o Senhor e os ídolos, Deus e mamona. O povo não responde à provocação, não compreende. Por que é que teria de escolher? Por quê esta tragicidade? É muito mais cômodo procurar tirar vantagens de ambas as partes: o cuidado paterno de JHWH, libertador dos inimigos, e a prosperidade esperada de Baal, presumível ‘dono’ da fecundidade da terra, dos rebanhos e dos homens. Por um lado o mundo da fé, por outro o mundo da magia. A narração do desafio entre as divindades, certamente muito longe da sensibilidade religiosa, prolonga-se assumindo tons hilariantes ao descrever a auto excitação dos profetas pagãos, e a ironia com que Elias finge partilhar as justificações do falhanço deles. O texto culmina na oração angustiosa do profeta, na descida do fogo do Céu e na confissão coral do povo: ‘O Senhor é o verdadeiro Deus! O Senhor é o verdadeiro Deus!’ (v. 39)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).     

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Terça, 09 de junho de 2026

(1Rs 17,7-16; Sl 4; Mt 5,13-16) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre o monte” Mt 5,13-14.

“Jesus, como mestre, ensina sobre a natureza e inteireza da fé e sobre a integridade do amor. A fé, segundo Ele, postula um comportamento cuja natureza é a do sal e da luz. Como sal, deve ela conservar e dar sabor aos alimentos. Caso não faça isto, assevera, ‘não servirá para nada a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens’. Paralelamente, Ele se refere à fé comparando-a com uma cidade ‘situada no cimo de um monte’ ou uma candeia que ‘não é colocada debaixo de uma vasilha’. A luz tem por finalidade iluminar ‘a todos que estão em casa’ e uma cidade no cimo de um monte ‘não pode esconder-se’, mas poderá ser vista por todos os transeuntes. Assim é a fé dos crentes e a caridade de seus seguidores. Como sal, têm força para salgar; como luz, brilho para iluminar; como cidade, servem como acolhida ou como alvo para os inimigos. Em outras palavras, a fé e o amor cristãos são frágeis em sua natureza, podendo ser atingidos por todos, mas fortes com obrigação de testemunho por aqueles que os professam. Não é assim que nos sentimos ao professar nossa fé e nos esforços do nosso amor criativo? Quantas vezes é ridicularizada pelos transeuntes a alegria de nossa fé, e quantas vezes nos sentimos alvos de zombaria na integridade do nosso amor pelos outros! Embora a prática do dia-a-dia da fé e do amor nos ensina que assim é, não podemos, por fidelidade a Cristo e ao Evangelho, recolher a luz da fé para debaixo de uma vasilha ou deixar que o sal do amor perca sua força transformadora dentro da realidade do mundo. Amor e fé valem pelo que são, mesmo que seus frutos sejam ridicularizados e rejeitados pelos outros. – Senhor Deus, grande e bom, queremos, em primeiro lugar, agradecer-vos pelos dons da fé e da caridade; e, depois, pedir-vos coragem e constância no testemunho que somos chamados a dar. Amém (Neylor J. Tonin – Graças a Deus [1995] – Vozes).  

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 08 de junho de 2026

(1Rs 17,1-6; Sl 120[121]; Mt 5,1-12) 10ª Semana do Tempo Comum.

“... e Jesus começou a ensiná-los: ‘Bem aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus’”

Mt 5,2.

“As bem-aventuranças têm a ver com o Reino de Deus proclamado por Jesus. Para compreender a pregação de Jesus sobre o Reino, urge reportar-nos à triste experiência de monarquia em Israel. A experiência frustrada do passado deveria ser retomada no presente, de maneira compatível com o querer do Senhor do Reino. A ideologia real do Antigo Oriente atribuia aos reis, como tarefa primordial, a defesa dos mais fracos e pequeninos. Entre estes, em primeiro lugar, os pobres, os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. Toda a política do reino deveria ter em vista favorece-los, e impedir que se tornassem vítima da prepotência alheia. Entretanto, os reis de Israel foram os primeiros a oprimir e explorar os pobres. De maneira inescrupulosa, fechavam os olhos para a violência que sofriam, tornando-se cúmplices desta afronta a Deus. Esta experiência suscitou no coração dos pobres a esperança de que, um dia, Deus haveria de intervir na história humana, para estabelecer a ordem querida por ele, e fazer-lhes justiça. Para tanto, Deus encarregaria o seu Messias. As palavras de Jesus, nas bem-aventuranças, enquadram-se nesta esperança dos pobres. Ele veio não apenas relembrar à humanidade o projeto de Deus, mas empenhar-se, de corpo e alma, para que, afinal, ele se implantasse na história humana. – Pai, torna-me sensível aos sofrimentos dos pobres e dos marginalizados, movendo-me a lutar para que tenham sua dignidade respeitada, pois são teus preferidos (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite