Sábado, 15 de agosto de 2026

(Ez 18,1-10.13.30-32; Sl 50[51]; Mt 19,13-15) 19ª Semana do Tempo Comum.

“Então Jesus disse: ‘Deixai as crianças e não as proibais de virem a mim, porque delas é o Reino dos Céus’”

Mt 19,14.

“Era costume judaico apresentar os filhos aos rabinos, pra que eles os abençoassem, impondo-lhes as mãos; o gesto acompanhado de uma oração bíblica aparece como uma forma de bênção; tudo isso prova o conceito de grandeza moral e taumatúrgica em que as pessoas tinham Jesus. É fácil imaginar a cena das mães aglomerando-se e com gestos e gritos, tão característicos dos orientais, querendo ter a preferência para suas crianças. Os apóstolos não viram com bons olhos o procedimento das crianças, nem das mães, seja porque fossem muitos e poderiam molestar o Mestre, seja pela inoportunidade da presença delas exatamente no momento em que Jesus estava ensinando sua doutrina maravilhosa; o caso é que, com gestos e palavras, começaram a impedir que as crianças se aproximassem do Mestre. O Senhor censurou a atitude dos apóstolos e ordenou que deixassem as crianças aproximaram-se dele; o Senhor descansava no olhar simples das crianças. O apostolado entre as crianças gozou sempre de um profundo interesse, por mais que proceda hoje à revisão da Pastoral da criança. Ilustrar suas inteligências que se abrem para a luz da verdade, colocar a semente do bem naqueles corações que se apresentam como terreno fértil para todos os sentimentos puros e elevados, dar-lhes a conhecer o amor de Deus e sua divina Providência, fazê-los entusiasmar coma figura de Jesus Cristo como seu Salvador e seu melhor amigo... A criança é como a árvore recém-plantada, que exige cuidado e atenção esmerados. Hoje como ontem, Jesus repete-nos: ‘Deixai vir a mim as criancinhas’ (v. 14). Acostumemos nossas crianças a irem ao Sacrário, a frequentarem a recepção dos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia, que ofereçam suas orações ao Senhor sacramentado; recomendemos que, em suas orações, se lembram das necessidades da família, da Igreja, da pátria e do mundo inteiro; será muito difícil que o coração sacratíssimo de Jesus não atenda ao que lhe pedem as almas inocentes” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 14 de agosto de 2026

(Ez 16,1-15.60.63; Sl Is 12; Mt 19,3-12) 19ª Semana do Tempo Comum.

Mas puseste tua confiança na beleza e te prostituíste graças à tua fama.

E sem pudor te oferecias a qualquer passante” Ez 16,15.

“As relações com Deus são expressas de muitos modos no Antigo Testamento: Deus é um pai que educa seus filhos (cf. Os 11,1-4); é uma mãe que não pode esquecer o fruto das suas entranhas (cf. Is 49,15); é o Bom Pastor que leva as Suas ovelhas ao pasto (cf. Sl 22). Mas a partir do tempo do Oseias, Ele é sobretudo o esposo de Israel. Ezequiel utiliza mesmo esta metáfora para esclarecer a história das relações de JHWH com seu Povo. [Compreender a Palavra:] O motivo principal nesta narração é o de uma enjeitada, da qual o rei se enamora, salva e constitui rainha. A enjeitada (Jerusalém/Israel), tornada rainha, prostitui-se, servindo-se dos presentes de núpcias do Senhor (v. 16). Ezequiel recebe assim a missão de dizer, de forma simbólica, a verdade ao seu povo, dando-lhe a conhecer as suas responsabilidades ao ter abandonado o Senhor para seguir os deuses dos outros povos. O fato de se encontrar agora no exílio é uma consequência da sua contínua rejeição do amor do Senhor. Toda a sua história está marcada pelo amor e pela graça da parte de JHWH, pela indiferença e pela traição da parte do povo. Ezequiel recorda as práticas idolátricas nos montes altos, e o culto estático e orgiástico lá prestado (vv. 15-19). Em particular ataca o sacrifício de crianças a Moloc. Israel foi sempre tentado na sua história a procurar auxílio político no Egito ou nos países da Mesopotâmia. Todavia, isso não evitou o exílio. O povo na sua história desprezou os compromissos solenes assumidos com o Senhor e deve refletir sobre isso. Deus, porém, não se esquece do juramento com o qual se comprometeu com a enjeitada-Jerusalém (v. 8): Ele permanece fiel para sempre à sua Aliança (v. 60). Por conseguinte, o povo deve arrepender-se daquilo que fez e voltar para o Senhor (v. 63)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 13 de agosto de 2026

(Ez 12,1-12; Sl 77[78]; Mt 18,21—19,1) 19ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” Mt 18,22.

“No tempo de Jesus, os rabinos discutiam a respeito de quantas vezes a pessoa ofendida era obrigada a perdoar. Chegava-se ao número máximo de até quatro vezes. Pedro, para mostrar-se generoso, propôs uma quantidade maior: sete vezes. A ‘generosidade’ do apóstolo fazia uma espécie de contraponto com um episódio do Antigo Testamento, no qual, Lamec, descendente de Caim, prometeu vingar-se sete vezes de quem levantasse a mão contra ele. À máxima vingança, Pedro pensava contrapor o máximo perdão. Enganou-se! O discípulo do Reino deve estar disposto a perdoar, não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes, ou seja, sempre. A parábola do servo cruel oferece o fundamento teológico da postura do discípulo: este deve agir de forma idêntica ao agir de Deus. Deus está sempre pronto a perdoar as ofensas dos seres humanos, por maiores que elas sejam. Foi o que fez o senhor do Evangelho. Bastou que o devedor lhe suplicasse clemência, para se ver logo perdoado. A contrapartida do gesto divino deve acontecer em forma de perdão das ofensas recebidas. Quem foi perdoado por Deus deve dispor-se a perdoar. Mas quem age de maneira diferente não pode contar com o perdão divino. Esta foi a sorte do servo cruel que se recusou a perdoar uma pequena dívida de seu companheiro. O discípulo deve espelhar-se no comportamento misericordioso de Deus. – Pai, predispõe meu coração para o perdão, e que eu esteja sempre disposto a perdoar e a querer viver reconciliado com meu semelhante” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite