(Fl 3,3-8; Sl 104[105]; Lc 15,1-10) 31ª Semana do Tempo Comum.
“E se uma mulher tem dez moedas de prata
e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente, até
encontrá-la?” Lc 15,8.
“Uma
parábola sempre tem vários planos, deixa ao leitor a liberdade de projetar nela
as suas próprias experiências, os seus próprios anseios. A mulher com as suas
dracmas pode ser uma imagem da alma humana que perdeu o seu centro, e agora
vive em busca do seu verdadeiro ‘eu’. Mas pode ser também uma imagem de Deus
que procura o homem perdido, e para isso revira a casa inteira. Se
interpretamos assim a parábola, então Deus é descrito na figura de uma mulher.
No Antigo Testamento não há texto nenhum em que Deus seja comparado a uma
mulher que revira a casa. O exegeta suíço Hermann-Josef Venetz comenta: ‘Quem
faz coisa semelhante mostra-se altamente competente e livre, e também muito
próximo de Deus e do mundo’ (Venetz, p. 124). Tauler interpreta essa parábola
no sentido de que Deus, logo quando estamos bem instalados na casa da nossa
vida, começa a agir como uma mulher que remexe tudo para procurar a dracma.
Tauler acha que é exatamente no centro da vida que estamos ‘bem instalados’. E
de tanto agir externamente perdemos a dracma. Então Deus nos joga numa crise,
em ‘apuros’, a fim de achar dentro de nós a dracma, o nosso verdadeiro ‘eu
mesmo’” (Anselm Grüm – Jesus,
modelo do ser humano – Loyola).
Pe.
João Bosco Vieira Leite