Sexta, 26 de junho de 2026

(2Rs 25,1-12; Sl 136[137]; Mt 8,1-4) 12ª Semana do Tempo Comum.

“Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo:

‘Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. Mt 8,2.

“O leproso encontrava-se em circunstâncias nada aprazíveis. Os leprosos eram considerados, no povo judeu, como estigmatizados por Deus, como castigo de seus pecados. A lepra era denominada, na Bíblia, como ‘açoite de Deus’. Socialmente, os leprosos não podiam aproximar-se de ninguém, nem lhes era permitido residir nas cidades. Porém aqui temos um ensinamento que pode ser de utilidade para a nossa vida espiritual. Primeiramente, salienta-se o atrevimento do leproso, movido pelo desejo ardente de ser curado. Sabe que não lhe é lícito aproximar-se de Jesus; no entanto, não leva em consideração essa proibição; ele está intuindo que aquele profeta de Israel pode curá-lo, e tudo cai e tudo cede do seu veemente desejo de saúde. Assim, aproxima-se de Jesus, e adota uma posição de acordo com o pedido que quer apresentar. São Mateus diz que ‘prostou-se’ (v. 2); São Marcos afirma que ‘suplicando-lhe de joelhos’ (Marcos 1,40), enquanto São Lucas é ainda mais expressivo e diz que colocou ‘lançou-se com o rosto por terra’ (Lucas 5,12), conforme a atitude comum dos orientais. O leproso não podia aproximar-se de ninguém, mas ninguém que se sentisse sadio poderia tampouco aproximar-se dele e menos ainda tocá-lo. No entanto, Jesus aproxima-se, toca-o e cura. Segundo a lei, socialmente, Jesus ficava contaminado. Mas como poderia contaminar-se por lepra ele que era capaz de curá-la, como poderia contaminar-se ele que a limpava? A oração do leproso: o leproso começa reconhecendo sua necessidade: está doente, seriamente doente. O primeiro passo para aproximar-se de Deus é o reconhecimento da própria miséria, da própria fraqueza, da impotência do eu; desse eu tão mergulhado na miséria do egoísmo, de todo tipo de pecado; desse eu, tão imperiosamente necessitado de limpeza, de purificação, de santificação. Reconhecer-se a si mesmo naquilo que alguém é e naquilo de que necessita, sentir-se pobre de si mesmo, destruído em si próprio, é o pré-requisito para o Espírito de Deus inicie sua obra em nós. Reconhecendo sua necessidade, o leproso aproxima-se do Senhor e adota perante ele uma posição, uma atitude de humildade, de fé e de confiança ilimitada. O leproso terá reconhecido em Jesus o Filho de Deus, o Messias prometido a Israel, ou pelo menos terá visto nele um dos profetas do povo de Deus, dotado de poderes sobrenaturais. Nós temos a fé na sua divindade, já o reconhecemos, pois o Pai dignou-se dá-lo a conhecer a nós. Sabemos também que Jesus se comove diante de qualquer apresentação de fé e de dor, tanto em nossos dias quanto no passado; agora como naquele tempo, tanto conosco quanto com o leproso” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 25 de junho de 2026

(2Rs 24,8-17; Sl 78[79]; Mt 7,21-29) 12ª Semana do Tempo Comum.

“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus,

mas o que põe em prática a vontade do meu Pai que está nos céus” Mt 7,21.

“’Senhor, Senhor’, palavras que aparentam piedade, porém, citadas por Jesus, condenam os doutores da mentira. Eles seduzem o povo com falsas aparências de piedade, enquanto, no íntimo, buscam fins interesseiros. Os falsos mestres precisavam ser desmascarados. Não agiam conforme a vontade do Pai. Profetizavam suas próprias palavras. Teatralizavam cenas com demônios e à revelia faziam muitos milagres. Ouviam a Palavra de Deus, porém não a praticavam. Foram por Jesus comparados a homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína. Esta ruína impede o entrar no Reino dos Céus. Fazer a vontade de Deus é senha aberta e escancarada para alguém nele entrar. A parte mais difícil foi feita e cumprida por Jesus, quando na cruz morreu em favor de todos os pecadores. Quis o Pai que as pessoas cressem nele e praticassem a sua Palavra. Estes são também comparados a um homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. Deus é esta rocha: ‘Só Ele é a minha rocha e a minha salvação, e o meu alto refúgio: não serei jamais abalado’ (Sl 62,6). Este Deus foi aquele que enviou Jesus. Foi rejeitado pelos seus, mas ‘veio a ser a principal pedra, angular’ (Mt 21,42). Prefigurou salvação quando o povo de Israel no deserto bebeu ‘de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo’ (1Cor 10,4). – Quero agora te louvar, te entregar o meu viver, mostrar como é bom vir a te conhecer. Levar tua Palavra, de ti testemunhar. Cantar a liberdade que só Tu tens pra dar. Amém (Arnaldo Hoffmann Filho – Meditações para o dia a dia [2015] Vozes).

  Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 24 de junho de 2026

(Is 49,1-6; Sl 138[139]; At 13,22-26; Lc 1,57-66.80) Natividade de João Batista.

“Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho” Lc 1,57.

“Hoje, 24 de junho, a liturgia convida-nos a celebrar a solenidade do Nascimento de São João Batista, cuja vida está toda orientada para Cristo, como a da mãe d’Ele, Maria. João Batista foi o precursor, a ‘voz’ enviada para anunciar o Verbo encarnado. Por isso, comemorar o seu nascimento significa na realidade celebrar Cristo, cumprimento das promessas de todos os profetas, dos quais o Batista foi o maior, chamado para ‘preparar o caminho’ diante do Messias (cf. Mt 11,9-10). Todos os evangelhos iniciam a narração da vida pública de Jesus com a narração do seu batismo no rio Jordão por obra de João. São Lucas situa a entrada em cena do Batista com a moldura histórica solene. Também o meu livro Jesus de Nazaré se inspira no batismo de Jesus no Jordão, acontecimento que teve grande ressonância no seu tempo. De Jerusalém e de todas as partes da Judeia o povo acorria para ouvir João Batista e fazer-se batizar por ele no rio, confessando os próprios pecados (cf. Mc 1,5). A fama do profeta batizador cresceu a tal ponto que muitos perguntavam se era ele o Messias. Mas ele ressalta o evangelista negou-o decididamente: ‘Eu não sou o Messias’ (Jo 1,20). Contudo, ele permanece a primeira ‘testemunha’ de Jesus, tendo recebido a indicação do Céu: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é que batiza do Espírito Santo’ (Jo 1,33). Isto acontece precisamente quando Jesus, tendo recebido o batismo, saiu da água: João viu descer sobre Ele o Espírito como uma pomba. Foi então que ‘conheceu’ a plena realidade de Jesus de Nazaré, e começou a dá-lo a ‘conhecer a Israel’ (Jo 1,31), indicando-o como Filho de Deus e redentor do homem: ‘Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’ (Jo 1,20). De profeta autêntico, João deu testemunho da verdade sem condescendências. Denunciou as transgressões dos Mandamentos de Deus, também quando os protagonistas eram os poderosos. Assim, quando acusou de adultério Herodes e Herodíades, pagou com a vida, selando com o martírio o seu serviço a Cristo, que é a Verdade em Pessoa. Invoquemos a sua intercessão, juntamente com a de Maria Santíssima, para que também nos nossos dias a Igreja saiba manter-se sempre fiel a Cristo e testemunhar com coragem a sua verdade e seu amor a todos” (Bento XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo – Vol. IV – Mokai).

 Pe. João Bosco Vieira Leite