Sexta, 30 de outubro de 2026

(Fl 1,1-11; Sl 110[111]; Lc 14, 1-6) 30ª Semana do Tempo Comum.

“Diante de Jesus, havia um hidrópico. Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus:

‘A Lei permite curar em dia de sábado ou não?’” Lc 14,2-3.

“Deus criou o ser humano livre e aprumado. É assim que Jesus, no sábado, o restabelece, mostrando-o como foi que Deus queria que fosse. Lucas combina a teologia da Criação com a teologia da Salvação. ‘Salvação’ quer dizer: deixar a Criação aparecer em todo o seu esplendor. Foi boa a obra divina da Criação do homem. Mas o homem adoeceu, agrilhoado nas suas paixões, amarrado nas suas necessidades. Jesus liberta o homem, erguendo-o novamente. Torna-o inteiro e sadio, belo e bom. Quando Jesus cura o homem, ele o restabelece assim como Deus o criou, na sua beleza original e na sua bondade. Por isso as curas mais importantes, em Lucas, acontecem no sábado, no dia em que Deus descansou da sua Criação. Mas existe ainda outro motivo pelo qual Lucas coloca as curas sabáticas no centro da sua teologia da cura. No domingo os cristãos se reúnem para partir o pão em comunidade e para celebrar, no culto, aquele que outrora, na história, curou e reergueu os doentes. Na liturgia, a atuação sanadora de Jesus se torna presente. Por isso Lucas nos diz que o povo reagiu à cura do paralítico com as palavras: ‘Hoje vimos coisas maravilhosas’ (Lc 5,26). O que aconteceu então acontece ‘hoje’, quando os cristãos se reúnem no culto dominical. A Eucaristia é o momento da cura. E a leitura, a meditação sobre a narrativa evangélica podem se tornar o momento em que nós, como leitores, nos tornamos partícipes da cena da cura, que Lucas, com as suas palavras, nos coloca diante dos olhos” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 29 de outubro de 2026

(Ef 6,10-20; Sl 143[144]; Lc 13,31-35) 30ª Semana do Tempo Comum.

“Naquela hora, alguns fariseus aproximaram-se e disseram a Jesus: ‘Tu deves ir embora daqui,

porque Herodes quer te matar’” Lc 13,31.

“Qual terá sido a intenção dos fariseus ao alertar Jesus quanto a intenção de Herodes de matá-lo? Seria uma manobra para que se afastasse dali? É possível que efetivamente estivessem preocupados com a vida dele e quisessem poupá-lo. Em todo o caso, a advertência mostrou-se inútil, pois Jesus não se deixou intimidar com a perspectiva da morte. Estava disposto a levar adiante sua missão, mesmo sob a ameaça de um inimigo violento. Sua missão seria rápida. ‘Três dias’ significa um pequeno espaço de tempo, de duração é imprecisa. Em breve o Mestre teria levado a termo sua vida terrena e, com ela, a sua missão. Por ora, cabe-lhe seguir adiante, rumo a Jerusalém que, apesar de ser Cidade Santa, tem a má fama de ser assassina de profetas. Jesus é um profeta e deve morrer na qualidade de profeta, selando com sangue o seu testemunho. Sua missão de salvador vindo para reconciliar o povo eleito com o Pai foi recusada. Ele quis congregar o povo, como a galinha recolhe os pintinhos debaixo das asas. Entretanto, foi incompreendido. Pior que a maldade do ímpio Herodes foi a perversidade das autoridades e dos habitantes de Jerusalém. Estando em condições de acolher a salvação oferecida pelo Filho de Deus, rejeitaram-na, fazendo-se indignos dela. Estes eram os verdadeiros inimigos de Jesus. – Pai, predispõe-me, pela força do teu Espírito, a acolher a salvação que teu Filho Jesus me oferece, fazendo-me digno deste dom supremo de tua bondade” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 28 de outubro de 2026

(Ef 2,19-22; Sl 18[19ª]; Lc 6,12-19) Santos Simão e Judas.

“Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais chamou de apóstolos” Lc 6,13.

“Simão recebe um apelido que varia nas quatro listas: enquanto Mateus e Marcos o qualificam de ‘cananeu’, Lucas o define como ‘zelota’. Na verdade, os dois qualificativos são equivalentes, já que significam o mesmo: na língua hebraica, o verbo ‘qanà’’ significa ser ‘zeloso, apaixonado’ e pode muito bem referir-se a Deus, uma vez que é zeloso do povo por Ele (cf. Ex 20,5), ou então dos homens que ardem de ciúmes ao servir ao Deus único com dedicação plena, como Elias (cf. 1Rs 19,10). É bastante provável, portanto, que este Simão, se não pertence especificamente ao movimento nacionalista dos zelotas, se caracterizava ao menos por um ardente ciúme pela identidade judia, quer dizer, por Deus, seu povo e pela Lei Divina. Se isto é assim, Simão coloca-se na antípoda de Mateus, que, na qualidade de publicano, provinha de uma atividade considerada completamente impura. Sinal evidente de que Jesus chama os seus discípulos e colaboradores de religiões e estratos sociais variados, sem exclusão alguma. A Ele interessavam as pessoas, não as categorias sociais ou as etiquetas! E a beleza está em que, no grupo de seus seguidores, todos, embora diferentes, conviviam, superando as dificuldades que podemos imaginar: o próprio Jesus era o motivo de coesão, em que todos se encontravam unidos. Isto constitui uma lição para nós, pois frequentemente tendemos a evidenciar as diferenças e até as oposições, esquecendo-nos de que em Jesus Cristo nos é dada a força para superar os nossos conflitos. Tampouco devemos esquecer que o grupo dos Doze constitui uma prefiguração da Igreja, em que devem encontrar espaço todos os carismas, povos, raças, todas as qualidades humanas que encontram sua composição e a sua unidade na comunhão com Jesus” (Bento XVI – Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Jesus – Planeta).

Pe. João Bosco Vieira Leite