5º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 58,7-10; Sl 111[112]; 1Cor 2,1-5; Mt 5,13-16) *

1. No domingo anterior, na abertura do Sermão da Montanha com as Bem-aventuranças, Mateus propunha uma pobreza de espírito, que chamávamos de pobreza material positiva, em nossa reflexão.

2. Mas há uma outra face da pobreza: a pobreza material negativa, condição social imposta, ou sofrida. Em outras palavras, a pobreza a ser combatida ou aliviada. Estamos falando de solidariedade e o Evangelho nos ajuda a perceber nosso papel a partir da imagem da Luz.

3. Mas que significa essa luz e seu resplendor? Brilhar pela inteligência, cultura, riqueza, popularidade? Não, Jesus fala de uma outra luz. Não tanto daquela que emana das ideias e que estão fechadas nos livros, mas bem mais daquela que emana das ações e fala com a vida. “Brilhe a vossa luz”, isto é, “vejam as vossas boas obras.

4. O autor da 1ª leitura pensa de modo prático e conclui: “Então, brilhará a tua luz como aurora...”. Enfim, toda boa ação é luz, mas de modo especial é aquilo que fazemos para socorrer o próximo, os pobres. A primeira forma de solidariedade é perceber, dar-se conta dos pobres. Deixar penetrar em nós uma sã inquietação diante da miséria no mundo.

5. O maior pecado contra os pobres talvez seja a indiferença, fazer de conta que não vê. É o que Jesus reprova no chamado ‘rico epulão’ da parábola de Lázaro. De certa forma buscamos nos proteger da pobreza de tantos e alguma coisa nos chega através dos meios de comunicação.

6. Vemos os pobres moverem-se, agitarem-se, gritarem através das várias telas, dos jornais, das revistas missionárias, mas esse grito chega a nós como de muito longe. Não nos penetra o coração. Estamos protegidos deles. Aparentemente.

7. Comumente nos habituamos a tudo, até mesmo da miséria do outro. Não nos impressiona tanto, a damos como inevitável e como algo adquirido. Mas se nos colocamos por um instante da parte de Deus, e buscarmos ver as coisas como Ele vê, a coisa muda de figura.

8. Ele é como um pai de família que tem sete filhos e, a cada refeição, assiste a mesma cena: dois dos filhos, sozinhos, monopolizam quase tudo aquilo que está à mesa, deixando os outros cinco de estômago vazio. Pode um pai permanecer insensível a uma coisa parecida?

9. Jesus se identificou com os pobres e por isso os cristãos conferem ao problema dos pobres uma dimensão nova, não só sociológica, mas teológica. “Aquilo que fizestes por um desses pequeninos, foi a mim que fizeste!”

10. Mas o ponto mais importante, principalmente para os pobres, é como traduzir na prática o nosso interesse por eles. Eles não precisam de nossos bons sentimentos, mas de fatos. Esses só tranquilizam a nossa má consciência. Tudo o que nós crentes e não crentes devemos fazer de concreto é amá-los e socorre-los. E também evangeliza-los, levando-lhes a “boa nova” de que Deus está com eles. Desde a entrada de Jesus no mundo, eles são os primeiros destinatários...

11. Amar o pobre significa antes de tudo respeitar-lhe e reconhecer a sua dignidade. Na ausência de outros títulos e distinções, resta-lhes a dignidade de ser humano. E daqui vem a nossa obrigação de socorrê-los em suas necessidades como bem nos lembra São Tiago em sua carta: de nada adianta compadecer-nos se nada fazemos. A compaixão, como a fé, sem obras é morta.

12. Mas não basta a simples esmola, pois sabemos da fome no mundo e assim temos uma mobilização planetária para essas realidades. E nessas relações internacionais o Santo Padre se move juntos às lideranças mundiais para eliminar ou reduzir o injusto e escandaloso abismo que existe entre pobres e ricos no mundo.

13. Jesus sempre mostrou sua preocupação pelo pão, alimentando as multidões que o seguiam para escutar sua Palavra. Ele mesmo se fez pão. Pois não só de pão vive o pobre, mas também de esperança e de toda Palavra que sai da boca de Deus. Não uma palavra reduzida em formato sociológico ou de luta de classe. Mas daquela Palavra que lhes afirma que, apesar de tudo, para eles haverá sempre a possibilidade daquilo que ao rico ou insensível, pode ser difícil: o Reino de Deus.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 07 de fevereiro de 2026

(1Rs 3,4-13; Sl 118[119]; Mc 6,30-34) 4ª Semana do Tempo Comum.

“Os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado” Mc 6,30.

“A volta dos apóstolos para junto de Jesus, após terem cumprido a missão recebida, corresponde ao término de uma etapa importante da formação dos discípulos. A ação missionaria deles foi uma espécie de ensaio prático do que haveria de ser sua futura missão. O reencontro com o Mestre serviria para avaliar o trabalho realizado. Por isso, relataram-lhe tudo quanto tinham feito e ensinado. Era importante receber as observações do Mestre, para terem a certeza de estar trilhando o caminho correto. A missão dos apóstolos era, em tudo, semelhante à de Jesus. Como ao Mestre, cabia-lhes anunciar a chegada do Reino de Deus e conclamar o povo à conversão. Os milagres realizados indicavam que o Reino estava acontecendo na vida do povo, em forma de libertação. Sobretudo, era significativo o poder de libertar as pessoas da pressão dos espíritos impuros. Com a chegada do Reino, elas já estavam fadadas a serem escravas de quem quer que fosse. Os apóstolos foram instruídos a imitar o Mestre também em outros aspectos. Quanto à pobreza, deveriam dar prova de total confiança na providência divina. Quanto à coragem diante das dificuldades, não deveriam desistir da missão, caso fossem rejeitados. Quanto ao estar sempre a caminho, deveriam evitar fixar-se num só lugar. Após terem realizado, a contento, a missão recebida, puderam repousar um pouco com o Mestre. – Pai, dá-me as disposições necessárias para eu realizar bem a missão recebida de Jesus, tendo-o sempre como modelo (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 06 de fevereiro de 2026

(Eclo 47,2-13; Sl 17[18]; Mc 6,14-29) 4ª Semana do Tempo Comum.

“... de todo o coração louvava o Senhor, mostrando que amava a Deus, seu Criador” Eclo 47,10.

“O ‘Elogio dos antepassados’ do livro de Bem Sirá (caps. 44-50) reserva à lembrança de Davi e de Salomão uma atenção particular. As outras menções dos soberanos de Judá (Ezequias e Josias) são muito sintéticas. No texto de hoje, para além da escolha (v. 2), não invalidada, mas confirmada no perdão de seus pecados (v. 11), o autor celebra essencialmente a fé e a oração de Davi, segredo da sua força (vv. 3-5), dos seus sucessos militares (vv. 6-7) e sobretudo da sua atividade litúrgica (vv. 8-10). [Compreender a Palavra:] síntese de tipo poético, o elogio de Bem Sirá propõe essencialmente uma reflexão ética sapiencial: Davi é o eleito que Deus escolheu para Si, precisamente como reservava para Si a melhor parte do sacrifício (cf. Lv 3,9-17). Não é somente o jovem que pela fé derrotou o gigante Golias, o herói celebrado pela aclamação popular, mas é sobretudo a citarista, o suave cantor dos salmos; segundo a imagem que dele dá o Livro das Crônicas: o organizador do culto (1Cr 16,4-5). Na leitura de hoje não encontramos nenhuma menção dos episódios dramáticos da vida de Davi, nem da hostilidade de Saul, nem da rebelião de Absalão: só um aceno às suas misérias morais (v. 11a) precede a anotação da dignidade real (v. 11b). Dele derivará, para sempre, não tanto a dinastia de que é fundador e protótipo, mas sim a obra litúrgica e a exemplaridade religiosa” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite