Quarta, 08 de julho de 2026

(Os 10,1-3.7-8.12; Sl 104[105]; Mt 10,1-7) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’” Mt 10,7.

“Jesus escolheu os doze apóstolos ou enviados; o nome do apóstolo era usual entre os rabinos; assim, o sumo sacerdote comunicava-se com as diferentes comunidades judaicas por meio dos enviados ou apóstolos que, ocasionalmente, eram simples portadores das cartas e de vez em quando iam munidos de poderes especiais, delgados do sumo sacerdote. Nós cumprimos ambas as funções: somos portadores da carta de Jesus Cristo para a humanidade, que é o evangelho, e somos participantes dos poderes de Jesus que nos confere nossa inserção na sua tríplice missão sacerdotal, profética e régia. Antes de mais nada, o apóstolo é um homem cheio e transbordante daquele do qual é enviado. Mas posso considerar-me apóstolo de Cristo, se não o levo no mais profundo da alma e não me anime constantemente o desejo vívido de fazê-lo conhecido e amado por todos os que comigo convivem. O que não arde não incendeia. O apostolado é o transbordamento da vida interior. Diz o Senhor que o Reino dos céus está próximo, não tanto no tempo, quanto na vivência de cada um de nossos atos, vividos sob sua influência e em sua perspectiva. Somos nós que devemos fazê-lo próximo e presente, dando à nossa vida sentido escatológico. Não vivemos para este mundo, por mais que estejamos neste mundo: ‘Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi’ (João 15,19): ‘eles não são do mundo, como também não sou do mundo’ (João 17,16). Se, pois, não somos do mundo, não podemos viver para o mundo, mas para o futuro do Reino de Deus” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 07 de julho de 2026

(Os 8,4-7.11-13; Sl 113B[115]; Mt 9,32-38) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas

como ovelhas que não têm pastor” Mt 9,36

“Em suas andanças, Jesus esteve sempre muito atento às pessoas e às suas necessidades. O sofrimento da humanidade mantinha-o em contínuo alerta. Sua reação natural era a de ir ao encontro dos sofredores, revelando a solidariedade de Deus para com eles. Quando as multidões exclamavam estupefatas – ‘Nunca se viu coisa semelhante em Israel’ –, estavam reagindo diante do testemunho de misericórdia de Jesus. E esse testemunho era algo, até então, desconhecido. Mas também quando os fariseus acusavam-no de ‘expulsar os demônios pelo poder do príncipe dos demônios’, mostravam-se incapazes de compreender como alguém podia ser tão misericordioso e cheio de compaixão. Por não conseguirem discernir o dedo de Deus na ação de Jesus, optavam por acusa-lo de conluio com Satanás. A preocupação com as multidões casadas e abatidas levava o Mestre a desejar que o Pai enviasse muitas outras pessoas para cuidar delas. Como ele, os operários da messe deveriam caracterizar-se pela capacidade de compadecer-se do sofrimento alheio, sendo, efetivamente, solidários com os sofredores. Era necessário que muitas outras pessoas se interessassem pelo rebanho. Portanto, muitos deveriam compartilhar a missão de Jesus.  – Pai, faze-me compassivo diante do sofrimento de tantos irmãos e irmãs, movendo-me a ser, efetivamente, solidário com eles (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 06 de julho de 2026

(Os 2,16-18.21-22; Sl 144[145; Mt 9,18-26) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Eu te desposarei para sempre; eu te desposarei conforme as sanções da justiça

conforme as práticas da misericórdia”. Os 2,21.

“A primeira parte do Livro de Oseias (caps. 1-3) baseia-se na experiência familiar do profeta. Um dos textos mais comovedores da Escritura é este oráculo em que a voz de Deus ressoa no coração da esposa infiel para a seduzir de novo, fazer-lhe reencontrar a frescura do primeiro amor e enchê-la de bens. No texto está condensada toda a força do amor esponsal de Deus que, ferido pela traição do seu Povo, todavia não desiste, até que não tenha reconquistado a Amada. [Compreender a Palavra:] Oseias recebe de Deus ordem para amar tenazmente a esposa infiel. Neste episódio, JHWH revela o Seu coração de enamorado, tão inflamado de paixão a ponto de ir contra a Lei que prescrevia a morte de adúltera. Este Deus enamorado do homem utiliza os tons da sedução para reconduzir Israel aos tempos do primeiro amor, da libertação do Egito, e sobretudo, da caminhada no deserto, onde o povo estava sozinho com seu Deus e nada se intrometia para o distrair do colóquio do amor. Os frutos prometidos da sedução divina são novos esponsais (cf. v. 18), em que o esposo será visto como amante (‘Chamar-me-ás ‘meu marido’, isto é ‘meu homem’) e não já Dono (‘meu Baal’). O nome ‘Baal’ era também o título do deus cananeu que, rivalizando com o Senhor em amor, subjugava com ele os seus devotos. O enxoval da noiva serão ‘justiça, direito, amor e misericórdia’ (vv. 21-22), tanto que a realidade do amor reencontrado será uma nova criação expressão pelo verbo hebraico ‘eras (cf. v. 21: o verbo, segundo São Jerônimo, indica as primeiras núpcias, as núpcias de uma virgem), e será um encontro apaixonado com Deus (é o que significa o verbo ‘yada’, ‘conhecer’)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite