(Nm 21,4-9; Sl 77[78]; Jo 3,13-17) Exaltação da Santa Cruz.
“Do mesmo modo como Moisés levantou a
serpente no deserto,
assim é necessário que o Filho do Homem
seja levantado” Jo
3,14.
“No
Ano dedicado à Eucaristia, esta comemoração adquire um significado particular:
ela convida-nos a meditar sobre o vínculo profundo e indissolúvel que une a
Celebração Eucarística e o Mistério da Cruz. Com efeito, cada Santa Missa
atualiza o Sacrifício redentor de Cristo. Até o Gólgota e à ‘hora’ da Morte na
Cruz – escreve o amado Papa João Paulo II, na Encíclica ‘Ecclesia de
Eucharistia’ – ‘se deixa transportar em espírito cada presbítero ao celebrar a
Santa Missa, juntamente com a comunidade cristã que nela participa’ (n. 4).
Portanto, a Eucaristia é o memorial de todo o Mistério Pascal: Paixão, Morte,
descida à mansão dos mortos, Ressurreição e Ascensão ao Céu; e a Cruz é a
manifestação enternecedora do ato de amor infinito, com o Filho de Deus salvou
o homem e o mundo do pecado e da morte. Por isso, o Sinal da Cruz é o gesto
fundamental da nossa oração, da prece do cristão. Fazer o Sinal da Cruz, como
agora faremos com a Bênção, significa pronunciar um sinal visível e público
Àquele que morreu por nós e que ressuscitou, ao Deus que na humildade e da
debilidade do seu amor é o Onipotente, mais vigoroso que todo o poder e
inteligência do mundo. Após a consagração na Santa Missa, a assembleia dos
fiéis, consciente de se encontrar na Presença Real de Cristo crucificado e
ressuscitado, assim aclama: ‘Anunciamos, Senhor, a vossa Morte e proclamamos a
vossa Ressurreição. Vinde Senhor Jesus’. Com os olhos da fé, a Comunidade
reconhece Jesus vivo, com os sinais da sua Paixão e, juntamente com Tomé,
repleta de surpresa, pode repetir: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ (Jo 20,28). A
Eucaristia é o Mistério de Morte e de Glória, como a Cruz, que não constitui um
acidente de percurso, mas a passagem através da qual Cristo entrou na sua
Glória (cf. Lc 24) e reconciliou a humanidade inteira, derrotando toda a
inimizade. Por isso, a liturgia convida-nos a rezar com esperança confiante.
‘Mane nobiscum Domine!’ Permanecei conosco, Senhor, que com a vossa santa Cruz
remistes o mundo! Maria, presente no Calvário junto da Cruz, está igualmente
presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das nossas Celebrações
eucarísticas (cf. Carta Encíclica ‘Ecclesia de Eucharistia’, 57). Por isso,
ninguém melhor que Ele pode ensinar-nos a compreender e viver com fé e amor a
Santa Missa, unindo-nos ao Sacrifício redentor de Cristo. Quando recebemos a
sagrada Comunhão, também nós, como Maria e a Ela unidos, nos estreitamos ao
madeiro que Jesus, mediante o seu amor, transformou em instrumento de salvação,
e pronunciamos o nosso ‘Amém’, o nosso ‘sim’ ao Amor crucificado e
ressuscitado” (Bento
XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo – Vol. IV –
Mokai)
Pe.
João Bosco Vieira Leite