Sábado, 22 de agosto 2026

(Is 9,1-6; Sl 112[113]; Lc 1,26-38) Bem-aventurada Virgem Maria Rainha.

“O anjo entrou onde ela estava e disse: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’” Lc 1,28.

“Ante vossa glória, ó Maria, não consegue a devoção calar, nem a mente árida formular algo de digno... Até os habitantes do céu, estupefatos, perguntam uns aos outros: ‘Quem é esta que sobe do deserto plena de delícias?... Quem é esta que lá do mundo, onde tudo é cansaço, dor e aflição de espírito, sobe até aqui a superabundar de delícias espirituais?... Subindo do deserto, ó Rainha do mundo, até para os santos Anjos, apareceis encantadora de beleza e a suave em vossas delícias’... A vós, pois, ó fonte de vida, chega-se nossa sedenta! A vós, tesouro de misericórdia, recorre nossa miséria com toda a solicitude! Virgem bendita... revele ao mundo, vossa piedade, aquela graça que achastes junto de Deus! Obtende, com vossas santas preces, perdão para os culpados, cura para os doentes, fortaleza para os débeis, conforto para os aflitos, auxílio e libertação para quem está em perigo. Neste dia de tranquilidade e alegria, nós, vossos pobres servos, vos invocamos, e vosso dulcíssimo nome louvamos! Por vossa intercessão, ó Virgem clementíssima, alcançai-nos a abundância das graças daquele que é vosso Filho, Jesus Cristo Nosso Senhor, Deus bendito sobre todas as coisas, pelos séculos eternos’ (São Bernardo)” (Gabriel de Sta. Maria Madalena, OCD – Intimidade Divina – Loyola)

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 21 de agosto de 2026

(Ez 37,1-14; Sl 106[107]; Mt 22,34-40) 20ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma

e de todo o teu entendimento!’” Mt 22,37.

“O rabino quer pôr à prova o modo de pensar de Jesus e apresenta-lhe uma artimanha para comprometer o Mestre, isto é, a pergunta é hostil e faz-se para tentar o Mestre. O amor a Deus e o amor ao próximo são o resumo de toda a Lei e desses dois preceitos adquirem valor e significado os preceitos restantes. ‘Foi-te mandado amar com todo o coração, com toda alma, com toda a mente. O coração é o centro da vida animal e palpita. A alma é o primeiro princípio da vida e move todos os membros. A mente é a faculdade que avalia, pensando, por assim dizer, a essência e a propriedade das coisas. Tudo isso te foi dado para que possas correr para Deus e estar com ele’ (Santo Agostinho). Jesus Cristo nos exige amor total; não se contenta com parcialidade, exige a totalidade da entrega tanto a Deus, como ao próximo; quer que o amemos não de qualquer maneira, mas ‘com todo teu coração, com toda tua alma e com toda tua mente’” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 20 de agosto 2026

(Ez 36,23-28; Sl 50[51]; Mt 22,1-14) 20ª Semana do Tempo Comum.

“O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho” Mt 22,2.

“A parábola pode ser interpretada também como o caminho da encarnação de cada um individualmente. Essa interpretação individual, que poderíamos chamar também de interpretação à luz da psicologia profunda, que interpreta tudo no nível do sujeito como caminho do indivíduo para Deus, remonta a Orígenes. Ele coloca essa interpretação individual ao lado da eclesial. Ambas têm a sua razão de ser. Orígenes interpreta a parábola como a ‘união do Logos, o noivo, com a alma, a noiva, que se realiza pelo casamento espiritual’ (Luz III, 247). Pelo encontro com o Logos, a alma recebe a imortalidade. O verdadeiro encontro e a união com o Logos acontece na contemplação, ou seja, na visão de Deus pelo Espírito. Interpretando a parábola dessa maneira, ela adquire um significado atual aplicável a cada um de nós, descrevendo o caminho interior da autorrealização e da unificação com Deus. Todos nós somos convidados para a festa nupcial. A nossa vocação cristã não quer dizer apenas que devemos cumprir os mandamentos de Deus, mas que somos convidados a ser um com Deus em Jesus Cristo. O objetivo de nossa vida é a autorrealização pela qual fundimos com o nosso núcleo divino. Quantas vezes passamos pelo convite sem lhe dar a devida atenção! Primeiro, desprezamos o convite que se manifesta em impulsos sutis de nosso coração. Intuímos que a nossa verdadeira vocação consiste em deixarmo-nos cair em Deus para nos tornar um com ele. Mas a voz convidativa de Deus é tão baixinha que não chega a alcançar a nossa consciência. Ou, como lembra a segunda chamada, temos coisas mais importantes a fazer: aumentar o nosso patrimônio, correr atrás do sucesso, cuidar dos negócios do dia-a-dia. Às vezes, sufocamos simplesmente os nossos impulsos internos porque nos desagradam. Eles não nos deixam em paz. Então preferimos anestesia-los pelo acúmulo de atividades ou os calamos, matando-os. É o ego que assassina os servos do rei. O ego não gosta de ser incomodado em suas aspirações egoístas. Mas o rei envia os seus servos outra vez. Tudo o que há em nós é convidado. Os que andam pelas estradas são os pobres. O nosso lado pobre se abre mais facilmente para Deus do que o nosso lado bem-sucedido. Os servos têm ordens de percorrer todo o reino até onde terminam as estradas. Todos os setores de nossa alma, toda a nossa história, até mesmo as zonas periféricas de nosso inconsciente, tudo é convidado a se unir a Deus. Nada fica excluído, nem mesmo o mal. É uma mensagem consoladora. A única condição da parte de Deus é que demos a devida atenção ao convite, que ponhamos tudo o que há em nós em relação com ele. Para mim, a veste nupcial significa que respeito o rei que me convida, que trato com cuidado tudo o que está em mim, por mais pobre e roto que seja, a fim de pô-lo em relação com o casamento. Isso requer atenção e cuidado. Não preciso percebê-lo e revesti-lo com a roupa do amor. Preciso olhar com carinho para tudo o que há em mim e apresenta-lo a Deus. Aí então posso participar do banquete nupcial. Todo o meu ser pode unir-se a Deus. Mas, se eu tratar com desleixo o que sou e tenho, serei expulso da mesa; então, perderei o meu centro de gravidade e meu interior se cobrirá de trevas. Aquilo que não recebeu a devida atenção transforma-se em escuridão que me devora e me dilacera por dentro. É esse o sentido das palavras ‘choro e ranger de dentes’. Se eu não estiver disposto a encarar a minha própria verdade e a oferece-la a Deus, esta me destruirá. A minha vida se transformará em choro e lamentações. O mal em mim se tornará uma fonte de tristeza e de pranto, de desespero e de absurdeza” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).

  Pe. João Bosco Vieira Leite