Quinta, 18 de junho de 2026

(Eclo 48,1-15; Sl 96[97]; Mt 6,7-15) 11ª Semana do Tempo Comum.

“Apenas Elias foi envolvido no turbilhão, Eliseu ficou repleto do seu espírito” Eclo 13a.

“Como conclusão do ciclo de Elias, a liturgia propõe um texto poético extraído do ‘Elogio dos Antepassados’, última parte do Livro do Bem Sirá (caps. 44-55). O texto evoca, enquanto pertencentes à época dos reis de Israel, as duas figuras proféticas de Elias e do seu discípulo Eliseu, recordando as suas vidas, mortes e ações. A História da Salvação não conhece interrupções. [Compreender a Palavra:] A figura de Elias, ‘como um fogo’, e cuja palavra era ardente (v. 1), emerge nítida da seleção de elementos que, da sua vida, Bem Sirá relembra: o papel de anunciador da seca e da carestia; a ressurreição do filho da viúva de Sarepta; o castigo de reis e de povo; a revelação no Horebe/Sinai; a unção de reis e profetas; a assunção ao céu num carro puxado por cavalos de fogo. Bem Sirá, que escreveu cerca de 180 a.C., empresta a voz à já tradicional expectativa do regresso de Elias no final dos tempos, para restaurar e trazer a paz (cf. Ml 5,23-24), e talvez também para a crença popular hebraica, que faz de Elias uma espécie de ‘santo patrono’ dos moribundos (cf. Mt 27,46-49, a presumível invocação de Elias enquanto auxiliador de Jesus na Cruz). Sem solução de continuidade é elogiado no texto o ministério de Eliseu. Deus não deixa sozinho o seu povo. Bem Sirá recorda o espírito profético indómito desta figura, e sinteticamente alude aos muitos prodígios realizados durante a vida e depois de morto, inclusive à ressurreição de um morto lançado bruscamente sobre o sepulcro do profeta por aqueles que o levavam a sepultar para fugir a um bando de ladrões (cf. 2Rs 13,20-21); de fato, o ciclo de Eliseu (2Rs 2—13) é o mais recheado de milagres de todo o Antigo Testamento” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Quarta, 17 de junho de 2026

(2Rs 2,1.6-14; Sl 30[31]; Mt 6,1-6.16-18) 11ª Semana do Tempo Comum.

“... de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa” Mt 6,4.

“Os discípulos de Jesus foram alertados a respeito das formas indevidas de praticar a religião, de modo especial, o exibicionismo nas práticas religiosas, com o intento de granjear louvores e admiração. Esta preocupação minimiza o que se faz com a intenção de agradar a Deus. A recompensa divina. Tomando três práticas típicas de piedade – a esmola, a oração e o jejum –, Jesus pôs em confronto a maneira incorreta e a correta de praticá-las. A forma incorreta é a atitude dos hipócritas. Estes mandam tocar trombetas quando vão dar esmolas, para chamar a atenção dos passantes; rezam nas sinagogas e nas praças, de maneira ostentatória para serem contemplados em atitude de oração; quando estão jejuando, fazem questão de apresentar um semblante ascético e abatido, dando-se ares de penitentes. A forma correta de viver a piedade é bem outra. Nela o fiel busca ser visto unicamente por Deus. O reconhecimento humano é dispensado, pois não tem valor algum. Basta que o Pai veja a esmola dada de maneira discreta. A oração deve ser feita no recolhimento do quarto, pois só o Pai será testemunha da sinceridade com que é feita. Por ocasião do jejum, aconselhava-se a lavar o rosto e a perfumar a cabeça. Assim, somente o Pai verá o que se passa no coração de quem jejua. Engana-se quem procura agradar a Deus por um caminho diferente daquele indicado por Jesus. – Pai, só te agradam as ações feitas na simplicidade e no escondimento. Que eu procure sempre agradar-te, enveredando por este caminho (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 16 de junho de 2026

(1Rs 21,17-29; Sl 50[51]; Mt 5,43-48) 11ª Semana do Tempo Comum.

“Farei com a tua família como fiz com as famílias de Jeroboão, filho de Nabat, e de Baasa, filho de Aías,

porque provocaste a minha ira e fizeste Israel pecar” 1Rs 21,22.

“O mal cometido não passa despercebido, embora muitas vezes aqueles que o conhecem se tornem cúmplices e até Deus parece calar-se. Aquilo que a Escritura diz no caso do duplo pecado de Davi, com e por causa de Betsabeia vale também para Acab: ‘Deus reprovou o que Davi tinha feito’ (2Sm 11,27). O profeta, verdadeira consciência moral de povo e do rei, tem a missão de enfrentar Acab para o chamar às suas responsabilidades. [Compreender a Palavra:] Tal como Davi, também Acab tinha cometido um duplo pecado para se apoderar do objeto dos seus desejos: causara a morte do homem que representava um obstáculo e apropriara-se dos haveres por ele possuídos: a mulher, no caso de Davi; a vinha no caso de Acab. Em ambos os episódios estamos, pois, perante a mais vil das usurpações no que diz respeito aos mais pobres (cf. a parábola de Natã em 2Sm 12,1-14). Foi algo que aconteceu ao longo dos séculos e continua a acontecer hoje, longe ou perto de nós: um homem poderoso, colocado à frente do povo para o governar e guiar, serve-se disso e abusa da sua autoridade e poder para seu benefício pessoal. Mas a história de Acab é uma espécie de imitação da história de Davi, no entanto, falta-lhe a magnanimidade deste, a determinação no pecado, a grandeza no arrependimento. Acab leva por maus caminhos também o seu povo, peca através de outra pessoa: é a esposa que atua em seu lugar. Perante a censura de Elias, não abre o seu coração, mas sente-se apenas ‘apanhado’ na má ação (v. 20), vendo em Elias um ‘inimigo’ enviado por Deus para o corrigir. O arrependimento está ainda muito longe dele e só o alcança perante a ameaça do castigo (cf. vv. 22-24.27). Todavia, a misericórdia de Deus envolve também este arrependimento tardio, e adia o castigo” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).     

Pe. João Bosco Vieira Leite