(2Pd 1,2-7; Sl 90[91]; Mc 12,1-12) 9ª Semana do Tempo Comum.
“Jesus começou a falar aos sumos
sacerdotes, mestres da Lei e anciãos, usando parábolas: ‘Um homem plantou uma
vinha, cercou-a, fez um lagar e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou
a vinha a alguns agricultores e viajou para longe’” Mc 12,1.
“Depois
da expulsão dos vendedores do Templo, Marcos conta o confronto entre Jesus e os
sumos sacerdotes, os escribas e anciãos. E no meio desses debates Marcos insere
a parábola dos vinhateiros homicidas. Essa história não é tão complexa quanto
outras parábolas que podem receber interpretações em vários níveis. Aqui, Jesus
está contando seu próprio destino, e os ouvintes sabem muito bem de que está
falando: ‘Tinham compreendido que era para eles que ele dissera esta parábola’
(12,12). Jesus começa a parábola com uma descrição do cântico da vinha, do
profeta Isaías: ‘Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou um
lagar e construiu uma torre’ (12,1 = Isaías 5,1s). No Antigo Testamento, a
vinha é um símbolo recorrente do povo de Israel. Deus mesmo plantou essa vinha.
Arrendou-a a vinhateiros. Deve ser uma metáfora que designa os responsáveis
pelo povo, os sumos sacerdotes e escribas. Por três vezes Deus manda um servo,
para receber dos vinhateiros sua parte da produção da vinha. Os servos
representam os profetas que Deus enviou vez por outra a seu povo. Mas, muitas
vezes, o povo de Israel acabou matando os profetas. Chega a causar assombro a
paciência de Deus para com seu povo. Ele reage de uma maneira bem diferente à
infidelidade do que faríamos nós humanos. O próprio Jesus ilustra essa atitude:
‘Só lhe restava seu filho amado. Enviou-o por último, dizendo consigo mesmo:
‘Respeitarão meu filho’’ (12,6). Nessa passagem, Jesus quer mostrar claramente
aos adversários a quem estão tentando matar: o filho bem-amado de Deus. Com
esse versículo, Marcos interpreta o mistério da encarnação e da morte de Jesus.
Deus nos mandou, em Jesus, seu Filho amado. A vinda de Jesus é expressão do
amor paciente de Deus. Mas a consideração de Deus é anulada pelas maquinações
contrárias dos vinhateiros: ‘Disseram uns aos outros: ‘É o herdeiro. Vinde!
Matemo-lo e ficaremos com a herança’’ (12,7). Eles o agarram, o matam e lançam
seu corpo fora da vinha, para que os animais o devorem. Segundo a lei judaica,
isso é crime de injúria (Grundmann, 323). Com essa parábola, Jesus desvenda a
tramoia de seus adversários. É a última tentativa que Jesus faz, ‘para abrir os
olhos de seus inimigos: mostrando-lhes todo o alcance de seu intento de
mata-lo, Jesus lhes dá a oportunidade de voltarem a si enquanto é tempo e de
pararem de conspirar contra ele’ (Iersel, 193). Mas é em vão a tentativa de
Jesus. O leitor sabe que hão de mata-lo – desta vez a vítima não é apenas um
profeta, mas o filho amado de Deus” (Ansel
Grün – Jesus, caminho para a liberdade – Vozes).
Pe.
João Bosco Vieira Leite