Quarta, 5 de agosto de 2026

(Jr 31,1-7; Sl Jr 31; Mt 15,21-28) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Diante disso, Jesus lhe disse: ‘Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!’

E desde aquele momento sua filha ficou curada” Mt 15,28.

“É admirável a fé dessa mulher e é também admirável a forma com a qual pede que seja socorrida: humildade, confiança e perseverança. São Marcos acrescenta que a mulher se atirou aos pés do Mestre. Assim deve você orar, com as mesmas disposições de espírito. Com humildade: reconhecendo sua indigência. Todos somos pobres na presença de Deus e todos necessitamos de sua ajuda, uma vez que tudo nos vem dele. Com confiança: sabendo quão imensamente misericordioso é o coração de Deus e que não olha para nossa indignidade, mas se deixa levar pelos impulsos de seu coração de Pai. Com perseverança: Deus olha, antes de mais nada, para a fidelidade de conduta e para coerência de vida. O pedido é arma dos pobres, dos que sabem que nada têm e nada têm direito de exigir ou esperar; reconhecendo-se tão indigente na presença de Deus, o pobre torna-se merecedor dos favores celestes. Por isso devemos esforçar-nos por ser, todos, pobres autênticos na presença do Senhor. Vê-se claramente no evangelho o desejo de chamar a atenção, mais do que sobre o milagre realizado por Jesus, sobre a fé extraordinária daquela mulher pagã em contraposição ao farisaísmo judaico. Finalmente, a falta de fé dos seus próprios patrícios, os nazaretanos, tinha impedido que Jesus fizesse milagres entre os seus e, no entanto, a fé excepcional dessa mulher pagã consegue o milagre do bondoso Jesus. Você também tem em suas mãos a armas para arrancar inclusive milagres da divina Providência” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 04 de agosto de 2026

(Jr 30,1-2.12-15.18-22; Sl 101[102]; Mt 15,1-2.10-14) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste será arrancada’” Mt 15,13.

“São poucos versículos nos quais encontramos Jesus comprometido em três diálogos diferentes: com fariseus e escribas (vv. 1,2); com a multidão (vv. 1-11); com os discípulos (vv. 12-14). O fio condutor é a polêmica sobre as normas de pureza legal, que faz emergir alguns aspectos que distinguem a mensagem cristã da sua raiz judaica. A pureza ritual mostra-se uma preocupação de grande parte da classe dirigente judaica, mas aqui Jesus é muito radical que perante normas da tradição opostas ao mandamento de Deus (v. 3), quer ao propor uma perspectiva completamente diversa (v. 11) e, sobretudo, no juízo terrível sobre os fariseus (vv. 13-14). [Compreender a Palavra:] A diferença clara entre o formalismo religioso, aqui atribuído pelo texto de Mateus aos fariseus e escribas, e o valor substancial da responsabilidade individual é o que mais ressalta no texto. Nele exprime a tensão (já presente noutros lugares do Evangelho segundo Mateus; vejam-se, por exemplo, os caps. 19-22) entre todas as comunidades cristãs para as quais ele foi redigido e o judaísmo do século I d.C. na Palestina. Jesus preocupa-se em fazer compreender, não já a quem o interrogou, mas à multidão indiferenciada daqueles que o seguem, que a impureza legal não depende da transgressão de tradições humanas, impregnadas de formalismo, mas das opções de fundo da própria vontade a favor ou contra a vontade divina. A atenção de Jesus, pelo contrário, está centrada toda no interior da pessoa, naquilo que o homem cultiva em si mesmo e que depois, inevitavelmente, sai e, se for mau, pode contaminá-lo. Seguir fariseus e escribas nos caminhos de uma atenção formalista no campo religioso significa a ruina para o discípulo que os segue ou se deixa conduzir por eles” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 03 de agosto de 2026

(Jr 28,1-17; Sl 118[119]; Mt 14,22-36) 18ª Semana do Tempo Comum.

“E Jesus respondeu: ‘Vem!’ Pedro desce da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus” Mt 14,29.

“De repente, ao reconhecer Jesus, Pedro recobra a sua coragem. Confiando no apoio da proximidade do mestre, ele ousa descer do barco. O barco pode ser a imagem do ego, do qual precisamos sair. Quando o ego é sacudido pelo inconsciente, é necessário sair da própria estreiteza, superando os próprios limites. Mas o barco pode ser também a imagem da comunidade. Na crise mais profunda, não podemos ter certeza de que a comunidade vá sustentar-nos. Nessa hora precisamos descer, para pôr os pés no caminho da confiança. enquanto Pedro mantém os olhos fixos em Jesus, consegue andar sobre a água. O olhar preso em Cristo nos sustenta em meio às incertezas da vida. Mas, quando Pedro dirige o olhar para as ondas, começa a afundar. Enquanto a nossa vida está fixada nos problemas, enquanto enxergamos apenas as vagas, descemos ao fundo. Pedro grita: ‘Senhor, salva-me!’. Com essa descrição do terror de Pedro e com a sua exclamação em forma de prece, Mateus alude ao salmo 69. Nesse salmo, os judeus piedosos – e com eles os cristãos – pedem que Deus os salve da água que chega ‘até a garganta’ e que ameaça leva-los embora. Jesus estende a mão e segura Pedro. A sua advertência não se dirige apenas a Pedro, ela vale para todos os cristãos cuja fé ficou fraca: ‘Homem de pouca fé, porque duvidaste?’ (14,31). É típico do evangelho de Mateus falar em ‘pouca fé’. Com essa expressão, Mateus dirige-se aos seus leitores, cristãos que têm fé, mas uma fé fraca. Ela não resiste às vagas e às tempestades que sacodem os cristãos. Mas, no meio da noite de nossa vida, no meio das tempestades que nos ameaçam está Jesus. Ele quer fortificar a nossa fé. Se confiarmos em Jesus e se permitirmos que ele reconforte a nossa fé, então essa fé será capaz de deslocar montanhas, então poderemos caminhar sobre as águas, então estaremos seguros, mesmo que o chão nos falte debaixo dos pés, que as pessoas nos abandonem, que percamos os bens, que tudo desmorone ao nosso redor” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite