Sexta, 27 de março de 2026

(Jr 20,10-13; Sl 17[18]; Jo 10,31-42) 5ª Semana da Quaresma. 

“Os judeus responderam: ‘Não queremos te apedrejar por causa das obras boas, mas por causa de blasfêmia, porque, sendo apenas um homem tu te fazes Deus!’” Jo 10,33.

“Embora, Jesus jamais tivesse afirmado ‘Eu sou Deus!’, seus adversários acusavam-no de, sendo apenas um homem, pretender passar por Deus. E chegavam a esta conclusão, não por causa de uma declaração peremptória de Jesus, e sim pelo modo como ele falava e agia. Suas palavras tinham uma autoridade desconhecida, e pareciam ir de encontro a tudo quanto, até então, era ensinado como Palavra de Deus. Esta liberdade diante de uma tradição religiosa revelava, no pensar dos inimigos, que Jesus estava pretendendo ocupar o lugar de Deus. Quanto aos sinais que realizava, eram de tal modo portentosos que só das mãos de Deus poderia provir. Quem, a não ser Deus, pode curar os doentes, ressuscitar os mortos, transformar a água em vinho? Este poder criador é prerrogativa divina. Essas falsas acusações foram rebatidas com dois argumentos. O primeiro foi tirado das Escrituras, precisamente do Salmo que, referindo-se aos juízes deste mundo, declara: ‘Vocês são deuses!’. Eles, ao julgar, exercem um poder divino. Se as Escrituras fazem tal declaração, é possível aplica-la também a Jesus. O segundo é tirado da própria pregação do Mestre. Suas palavras extas foram ‘Eu sou o Filho de Deus’. Esta consciência de ser Filho era o pano de fundo de tudo quanto fazia e ensinava. Sem isto, suas palavras cairiam no vazio e seriam sem sentido. Ele é, sim, o Filho santificado e enviado ao mundo para fazer as obras do Pai. E elas são as primeiras a testemunhar em seu favor. – Pai, reforça minha fé em Jesus, em cujas palavras e ensinamentos ti fazes presente na história humana (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 26 de março de 2026

(Gn 17,3-9; Sl 104[105]; Jo 8,51-59) 5ª Semana da Quaresma.

“Jesus respondeu: ‘Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou’” Jo 8,59.

“A origem e o destino de Jesus foram motivo de controvérsia com os judeus. Por um lado, o Mestre proclamava: ‘Se alguém guarda a minha palavra, jamais verá a morte’. Por outro, afirmava: “Antes que Abraão existisse, Eu sou’. Seus adversários raciocinavam de maneira aparentemente lógica. Os personagens mais veneráveis do povo, como Abraão e os profetas, morreram. Acreditava-se na volta do profeta Elias, que fora arrebatado ao céu numa carruagem de fogo. Não se tinha, porém, notícia de alguém que não iria experimentar a morte.  Com Jesus, não haveria de ser diferente. Quanto à sua origem, era suficiente considerar sua idade bastante jovem – ‘Ainda não tens cinquenta anos...’ – para se dar conta da falsidade de sua afirmação. Este modo de pensar estava em total descompasso com a real intenção de Jesus. Referindo-se à morte, pensava em algo muito mais radical que a pura morte física. Suas palavras abririam caminho para a vida eterna, na comunhão plena com o Pai, para além das vicissitudes desta vida terrena. Ao referir-se à sua origem, não estava pensando no seu nascimento carnal, historicamente determinável, e sim na sua vida prévia, no seio do Pai. Neste sentido, pode-se dizer anterior ao patriarca Abraão, por possuir uma existência eterna. Os inimigos de Jesus eram demasiado terrenos para compreender esta linguagem. – Pai, coloca-me em sintonia com as palavras e o modo de pensar de teu Filho Jesus, para que eu possa compreender seus ensinamentos, sem deturpá-los (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 25 de março de 2026

(Is 7,10-14; 8,10; Sl 39[40]; Hb 10,4-10; Lc 1,26-38) Anunciação do Senhor.

“Por isso eu disse: Eis que eu venho. No livro está escrito a meu respeito: Eu vim, ó Deus, para fazer tua vontade” Hb 10,7.

“O autor da Carta aos Hebreus começa a parte central do seu escrito – Cristo ‘causa de salvação eterna’ (Hb 5,9) – afirmando que os sacrifícios cruentos de animais não purificam a consciência dos pecados. Depois passa ao sacrifício existencial de Jesus, feito de total e contínua adesão à vontade de Deus. Coloca nos lábios de Jesus, Verbo encarnado, as palavras do salmo 39, segundo a importante variante dos LXX que no versículo 7b tem ‘corpo’, em vez de ‘ouvidos’: ‘Preparaste-me um corpo’ (v.5b). [Compreender a Palavra:] Revivemos na fé e no amor este texto da Carta. O autor sagrado faz falar assim Jesus: ‘Tu, ó Deus, não aprecias os sacrifícios praticados segundo as quatro formas prescritas no Livro do Levítico (cf. Lv 1-7: o holocausto, a oferta de vegetais, o sacrifício pelo pecado e o sacrifício de reparação); Vós quereis a obediência a Vós, incondicional e total. Então, Eu, encarnando-me, proponho precisamente fazer a vossa vontade’). Assim, com as palavras do salmista, o autor da Carta aos Hebreus recorda a vida de obediência de Jesus ao Pai, particularmente sublinhada pelo Quarto Evangelho: ‘Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou, que Eu não perca nenhum daqueles que Ele Me deu’ (Jo 6,38-39). É por este novo sacrifício existencial – ‘cumprimento e abolição’ dos sacrifícios do Antigo Testamento (v. 9) – que ‘fomos santificados de uma vez para sempre’ (v. 10). Como veremos, Maria imita nisto o seu divino Filho” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite