(Mq 2,1-5; Sl 9B[10]; Mt 12,14-21) 15ª Semana do Tempo Comum.
“Cobiçam campos e tomam-nos com
violência, cobiçam casas e roubam-nas.
Oprimem o dono e a sua casa, o
proprietário e seus bens” Mq
2,2.
“As
palavras do profeta constituem a primeira parte de um díptico dirigido aos
poderosos, que exercem com arbítrio e violência o seu poder (cf. Mq 2,6-11). O
discurso, cujo texto hebraico nem sempre é claro, compõe-se de três unidades: a
denúncia verdadeira e própria do pecado, introduzida num modo já conhecido
‘Ai!’ (v. 1-2); o anúncio do castigo anunciado pelo Senhor 9v. 3); e as suas
consequências, apresentadas sob a forma de provérbio e de lamentação (vv. 4,5).
[Compreender a Palavra:] O quadro inicial, que descreve a atuação dos
poderosos, é extraordinariamente eficaz na sua brevidade. Miquéias não
apresenta somente uma acusação de arbítrio e de prepotência, mas revela, com
perspicácia, a perversão que se apodera daqueles que se tornam escravos do poder
que exercem. A ânsia de possuir e de manifestar o poder não lhes dá tréguas,
mas também de noite eles meditam o mal, todo o seu tempo é dominado por um
sentimento que transtorna todas as relações e conduz à injustiça. A denúncia é,
no entanto, introduzida pelo ‘Ai!’, uma expressão que denuncia quer a ameaça,
quer a lamentação sobre quem faz o mal, para que o possa reconhecer antes que
seja tarde. O próprio mal, de fato, voltar-se-á contra os violentos: todos os
que meditam sobre a iniquidade dia e noite, iludem-se pensando que ficarão sem
castigo. Também o Senhor medita, e o Seu projeto de castigo comportará para os
violentos a perda de tudo aquilo que têm e a experiência amarga e dramática de
ver que lhe tiram aquilo que desde sempre possuíram” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite