Quarta, 28 de outubro de 2026

(Ef 2,19-22; Sl 18[19ª]; Lc 6,12-19) Santos Simão e Judas.

“Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais chamou de apóstolos” Lc 6,13.

“Simão recebe um apelido que varia nas quatro listas: enquanto Mateus e Marcos o qualificam de ‘cananeu’, Lucas o define como ‘zelota’. Na verdade, os dois qualificativos são equivalentes, já que significam o mesmo: na língua hebraica, o verbo ‘qanà’’ significa ser ‘zeloso, apaixonado’ e pode muito bem referir-se a Deus, uma vez que é zeloso do povo por Ele (cf. Ex 20,5), ou então dos homens que ardem de ciúmes ao servir ao Deus único com dedicação plena, como Elias (cf. 1Rs 19,10). É bastante provável, portanto, que este Simão, se não pertence especificamente ao movimento nacionalista dos zelotas, se caracterizava ao menos por um ardente ciúme pela identidade judia, quer dizer, por Deus, seu povo e pela Lei Divina. Se isto é assim, Simão coloca-se na antípoda de Mateus, que, na qualidade de publicano, provinha de uma atividade considerada completamente impura. Sinal evidente de que Jesus chama os seus discípulos e colaboradores de religiões e estratos sociais variados, sem exclusão alguma. A Ele interessavam as pessoas, não as categorias sociais ou as etiquetas! E a beleza está em que, no grupo de seus seguidores, todos, embora diferentes, conviviam, superando as dificuldades que podemos imaginar: o próprio Jesus era o motivo de coesão, em que todos se encontravam unidos. Isto constitui uma lição para nós, pois frequentemente tendemos a evidenciar as diferenças e até as oposições, esquecendo-nos de que em Jesus Cristo nos é dada a força para superar os nossos conflitos. Tampouco devemos esquecer que o grupo dos Doze constitui uma prefiguração da Igreja, em que devem encontrar espaço todos os carismas, povos, raças, todas as qualidades humanas que encontram sua composição e a sua unidade na comunhão com Jesus” (Bento XVI – Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Jesus – Planeta).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 27 de outubro de 2026

(Ef 5,21-33; Dl 127[128]; Lc 13,18-21) 30ª Semana do Tempo Comum.

“Ele é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim” Lc 13,19.

“Embora seja São Marcos quem nos ofereça as principais parábolas referentes ‘ao Reino dos céus’, Lucas também nos fala do ‘Reino de Deus’. Dessa maneira proporciona-nos a parábola da mostarda, dizendo-nos que assim como a mostarda é uma semente sumamente pequena, mas logo ao germinar se transforma em um dos maiores e densos arbustos, alcançando até cerca de quatro metros de altura, assim também o Reino de Deus tem começos sumamente simples e ocultos, humildes e aparentemente insignificantes e sem importância; mas depois estende-se pouco a pouco, tanto no coração de cada homem, quanto na própria sociedade, e torna-se universal e glorioso, acolhendo em si homens de todas as regiões e culturas. O Reino de Deus é chamado a ser em você um Reino consolidado e forte, amplo e extenso; as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo foram-lhe dados no batismo, embora somente em germe; com o sacramento da Confirmação começam a desenvolver-se e a adquiri consistência com sua primeira Comunhão. À medida que você foi desenvolvendo sua vida sacramental, era de esperar que o Reino de Deus fosse se consolidando e expandindo-se em você, pela prática das diversas virtudes. E você chegou até o presente momento de sua vida e é agora que precisa questionar-se sobre o desenvolvimento que o Reino alcançou em você e sobre seus projetos e propósitos, bem como as metas traçadas para seu futuro” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 26 de outubro de 2026

(Ef 4,32—5,8; Sl 1; Lc 13,10-17) 30ª Semana do Tempo Comum

“O chefe da sinagoga ficou furioso, porque Jesus tinha feito uma cura em dia de sábado”

Lc 13, 14a.

“O chefe da sinagoga reage com irritação à cura da mulher curvada. No sábado não se podia trabalhar. Ele interpreta a cura da mulher como um trabalho humano. Jesus vê nela uma obra divina. O chefe da sinagoga exagera na sua interpretação da Lei. Para ele, a Lei é mais importante do que o ser humano. Jesus refuta a sua atitude rigorosa com uma referência aos animais, que todo mundo desata da manjedoura, levando-os a beber. Se todos soltam o boi e o jumento, é permitido também libertar o ser humano de seus limites. Para Lucas, Deus é sobretudo o libertador, que salva para que seja novamente como foi criado por Deus. O sábado lembra a Criação. No sétimo dia Deus descansa da obra da Criação. Contempla-a no seu esplendor. Para Lucas, a melhor maneira para se celebrar o sábado é reerguer o ser humano na sua figura original, é alegrar-se de sua dignidade divina e louvar a Deus, o Criador da beleza humana. A reação do povo é a alegria ‘por todas as maravilhas que Jesus fazia’ (Lc 13,17). À libertação oferecida por Jesus, todos sempre reagem com alegria. Jesus não fala sobre a alegria: seus atos é que provocam a alegria do povo. Lucas narra a cura da mulher curvada de tal maneira que todo aquele que se abre inteiramente para esse texto há de prosseguir mais aprumado o seu caminho. A libertação pintada no texto há de apoderar-se também do leitor e do ouvinte, e eles hão de se alegrar de sua dignidade divina, e poderão voltar para casa de cabeça erguida” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite