(Is 49,1-6; Sl 70[71]; Jo 13,21-33.36-38) Semana Santa.
“Jesus respondeu: ‘É aquele a quem eu
der o pedaço de pão passado no molho’.
Então Jesus molhou um pedaço de pão e o
deu a Judas, filho de Simão Iscariotes” Jo 13,26.
“O
anúncio da traição foi desconcertante para o grupo de discípulos.
Independentemente de qualquer cultura, a traição é sempre um ato abominável. De
modo especial, entre pessoas cujas vidas foram postas em comum, e nas quais se
deposita toda confiança. Isto explica a surpresa dos discípulos quando Jesus
anunciou que um deles haverá de traí-lo. E essa surpresa foi maior, quando o
traidor foi identificado com Judas, filho de Simão Iscariotes. O evangelista
João dirá várias vezes que se tratava de um ladrão. Logo, alguém de caráter
duvidoso, de quem se pode esperar tudo. A traição seria apenas mais uma
manifestação da personalidade malsã deste discípulo. Os evangelistas, em geral,
referem-se a Judas como alguém que vendeu sua própria consciência ao aceitar entregar
o Mestre por um punhado de dinheiro. Entretanto, é possível suspeitar de outras
razões desta atitude tresloucada. Será que Judas entendeu, de fato, o projeto
de Jesus? Terá sido capaz de abrir mão de seus esquemas messiânicos para
aceitar Jesus tal qual se apresentava? Estava disposto a seguir um Messias
pobre, manso, amigo dos excluídos e marginalizados, anunciador de um Reino
incompatível com a violência e a injustiça? Judas esperava tirar partido do
Reino a ser instaurado por Jesus. Vendo frustrado o seu intento, não teria tido
escrúpulo de traí-lo? Uma coisa é certa: Judas estava longe de sintonizar com
Jesus. Algo parecido acontecia com Pedro, que haveria de negá-lo. Só que este
recuou e se converteu à misericórdia do Senhor. – Pai, faze-me viver em
sintonia com Jesus, de modo que meus preconceitos não venham a influenciar
minha adesão a ele” (Pe.
Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] -
Paulinas).
Pe.
João Bosco Vieira Leite