Quarta, 25 de março de 2026

(Is 7,10-14; 8,10; Sl 39[40]; Hb 10,4-10; Lc 1,26-38) Anunciação do Senhor.

“Por isso eu disse: Eis que eu venho. No livro está escrito a meu respeito: Eu vim, ó Deus, para fazer tua vontade” Hb 10,7.

“O autor da Carta aos Hebreus começa a parte central do seu escrito – Cristo ‘causa de salvação eterna’ (Hb 5,9) – afirmando que os sacrifícios cruentos de animais não purificam a consciência dos pecados. Depois passa ao sacrifício existencial de Jesus, feito de total e contínua adesão à vontade de Deus. Coloca nos lábios de Jesus, Verbo encarnado, as palavras do salmo 39, segundo a importante variante dos LXX que no versículo 7b tem ‘corpo’, em vez de ‘ouvidos’: ‘Preparaste-me um corpo’ (v.5b). [Compreender a Palavra:] Revivemos na fé e no amor este texto da Carta. O autor sagrado faz falar assim Jesus: ‘Tu, ó Deus, não aprecias os sacrifícios praticados segundo as quatro formas prescritas no Livro do Levítico (cf. Lv 1-7: o holocausto, a oferta de vegetais, o sacrifício pelo pecado e o sacrifício de reparação); Vós quereis a obediência a Vós, incondicional e total. Então, Eu, encarnando-me, proponho precisamente fazer a vossa vontade’). Assim, com as palavras do salmista, o autor da Carta aos Hebreus recorda a vida de obediência de Jesus ao Pai, particularmente sublinhada pelo Quarto Evangelho: ‘Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou, que Eu não perca nenhum daqueles que Ele Me deu’ (Jo 6,38-39). É por este novo sacrifício existencial – ‘cumprimento e abolição’ dos sacrifícios do Antigo Testamento (v. 9) – que ‘fomos santificados de uma vez para sempre’ (v. 10). Como veremos, Maria imita nisto o seu divino Filho” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite