(2Rs 5,1-15; Sl 41[42]; Lc 4,24-30) 3ª Semana da Quaresma.
“Em verdade eu vos digo que nenhum
profeta é bem recebido em sua pátria” Lc
4,24.
“A
hostilidade do povo de Nazaré, cidade onde fora criado, levou Jesus a
redimensionar a sua missão, dando-lhe uma dimensão muito mais ampla do que
inicialmente ele imaginava. No bojo da mentalidade judaica, Jesus sentiu-se
responsável pelo anúncio da salvação, em primeiro lugar, aos judeus. Povo da
Aliança, eleito para ser o povo predileto de Deus, os judeus sabiam-se
privilegiados em termos messiânicos. O Messias seria enviado a eles, para
proclamar-lhes libertação e salvação. Entretanto, Jesus experimentou
hostilidade e rejeição ao exercer seu papel de Messias junto ao povo de sua
cidade. Suas palavras e seus gestos poderosos foram alvo de críticas
maledicentes, reveladoras de incredulidade. Os que o ouviam enceram-se de
tamanha cólera, a ponto de querer jogá-lo a princípio, para eliminá-lo.
Repensando a experiência de profeta do passado, como Elias e Eliseu, e a
rejeição que sofreram, Jesus detectou um fato importante: a hostilidade do povo
judeu levou povos estrangeiros a beneficiarem-se dos poderes taumatúrgicos dos
profetas. Elias socorreu a pobre viúva da Fenícia, e Eliseu curou a lepra de
Naaman, general da Síria. Se o povo de Nazaré recusava-se a acolher o Messias
Jesus, este sentia-se impelido a tornar os não-judeus destinatários de seu
ministério messiânico. – Pai, que eu saiba acolher Jesus e reconhece-lo
como Filho de Deus, de modo a tornar-me beneficiário de seu ministério
messiânico” (Pe.
Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] -
Paulinas).
Pe.
João Bosco Vieira Leite