Quinta, 06 de agosto de 2026

(Dn 7,9-10.13-14; Sl 96[97]; Mt 17,1-9) Transfiguração do Senhor.

“E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz”

Mt 17,2.

“Pedro, Tiago e João, os mais destacados do grupo dos discípulos, tiveram o privilégio de ‘ver’ a glória do Messias, antecipada na cena da transfiguração. Este estava destinado a ser glorificado por Deus, e revestido de imortalidade divina. O episódio evangélico está todo envolvido pela presença divina. O monte, para o qual Jesus e seus discípulos se dirigiram, simboliza o lugar da presença e da comunicação divinas. Dirigiram-se para o alto monte, porque o ser humano deve elevar-se para contemplar a manifestação da glória divina. O rosto de Jesus, ‘brilhante como o sol’, apontava para a glória dos justos no reino do Pai. Igualmente, o esplendor luminoso de suas vestes. A presença de Moisés e Elias indicava que as Escrituras – Palavra de Deus – estão centradas na pessoa de Jesus. Tudo quanto Deus havia falado a seu povo eleito tinha sido em função do seu filho amado. Moisés e Elias evocavam o monte Sinai, o lugar da manifestação de Deus, onde ambos estiveram. O auge da presença divina revela-se quando uma nuvem luminosa envolveu Jesus, e a voz celeste se faz ouvir: ‘Este é o meu filho amado, que muita coisa me agrada. Escutem o que ele diz!’. Assim, os discípulos estavam em condições de compreender a verdadeira identidade de Jesus, na sua condição humana e divina. Este seria um dado importante para quem haveria de ver o Mestre tornar-se vítima da incompreensão das lideranças religiosas do povo. – Pai, que a transfiguração leve-me a confessar Jesus como teu Filho amado, e a reconhecer que sou chamado a expressar o esplendor divino que trago dentro de mim (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 5 de agosto de 2026

(Jr 31,1-7; Sl Jr 31; Mt 15,21-28) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Diante disso, Jesus lhe disse: ‘Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!’

E desde aquele momento sua filha ficou curada” Mt 15,28.

“É admirável a fé dessa mulher e é também admirável a forma com a qual pede que seja socorrida: humildade, confiança e perseverança. São Marcos acrescenta que a mulher se atirou aos pés do Mestre. Assim deve você orar, com as mesmas disposições de espírito. Com humildade: reconhecendo sua indigência. Todos somos pobres na presença de Deus e todos necessitamos de sua ajuda, uma vez que tudo nos vem dele. Com confiança: sabendo quão imensamente misericordioso é o coração de Deus e que não olha para nossa indignidade, mas se deixa levar pelos impulsos de seu coração de Pai. Com perseverança: Deus olha, antes de mais nada, para a fidelidade de conduta e para coerência de vida. O pedido é arma dos pobres, dos que sabem que nada têm e nada têm direito de exigir ou esperar; reconhecendo-se tão indigente na presença de Deus, o pobre torna-se merecedor dos favores celestes. Por isso devemos esforçar-nos por ser, todos, pobres autênticos na presença do Senhor. Vê-se claramente no evangelho o desejo de chamar a atenção, mais do que sobre o milagre realizado por Jesus, sobre a fé extraordinária daquela mulher pagã em contraposição ao farisaísmo judaico. Finalmente, a falta de fé dos seus próprios patrícios, os nazaretanos, tinha impedido que Jesus fizesse milagres entre os seus e, no entanto, a fé excepcional dessa mulher pagã consegue o milagre do bondoso Jesus. Você também tem em suas mãos a armas para arrancar inclusive milagres da divina Providência” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 04 de agosto de 2026

(Jr 30,1-2.12-15.18-22; Sl 101[102]; Mt 15,1-2.10-14) 18ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste será arrancada’” Mt 15,13.

“São poucos versículos nos quais encontramos Jesus comprometido em três diálogos diferentes: com fariseus e escribas (vv. 1,2); com a multidão (vv. 1-11); com os discípulos (vv. 12-14). O fio condutor é a polêmica sobre as normas de pureza legal, que faz emergir alguns aspectos que distinguem a mensagem cristã da sua raiz judaica. A pureza ritual mostra-se uma preocupação de grande parte da classe dirigente judaica, mas aqui Jesus é muito radical que perante normas da tradição opostas ao mandamento de Deus (v. 3), quer ao propor uma perspectiva completamente diversa (v. 11) e, sobretudo, no juízo terrível sobre os fariseus (vv. 13-14). [Compreender a Palavra:] A diferença clara entre o formalismo religioso, aqui atribuído pelo texto de Mateus aos fariseus e escribas, e o valor substancial da responsabilidade individual é o que mais ressalta no texto. Nele exprime a tensão (já presente noutros lugares do Evangelho segundo Mateus; vejam-se, por exemplo, os caps. 19-22) entre todas as comunidades cristãs para as quais ele foi redigido e o judaísmo do século I d.C. na Palestina. Jesus preocupa-se em fazer compreender, não já a quem o interrogou, mas à multidão indiferenciada daqueles que o seguem, que a impureza legal não depende da transgressão de tradições humanas, impregnadas de formalismo, mas das opções de fundo da própria vontade a favor ou contra a vontade divina. A atenção de Jesus, pelo contrário, está centrada toda no interior da pessoa, naquilo que o homem cultiva em si mesmo e que depois, inevitavelmente, sai e, se for mau, pode contaminá-lo. Seguir fariseus e escribas nos caminhos de uma atenção formalista no campo religioso significa a ruina para o discípulo que os segue ou se deixa conduzir por eles” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 03 de agosto de 2026

(Jr 28,1-17; Sl 118[119]; Mt 14,22-36) 18ª Semana do Tempo Comum.

“E Jesus respondeu: ‘Vem!’ Pedro desce da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus” Mt 14,29.

“De repente, ao reconhecer Jesus, Pedro recobra a sua coragem. Confiando no apoio da proximidade do mestre, ele ousa descer do barco. O barco pode ser a imagem do ego, do qual precisamos sair. Quando o ego é sacudido pelo inconsciente, é necessário sair da própria estreiteza, superando os próprios limites. Mas o barco pode ser também a imagem da comunidade. Na crise mais profunda, não podemos ter certeza de que a comunidade vá sustentar-nos. Nessa hora precisamos descer, para pôr os pés no caminho da confiança. enquanto Pedro mantém os olhos fixos em Jesus, consegue andar sobre a água. O olhar preso em Cristo nos sustenta em meio às incertezas da vida. Mas, quando Pedro dirige o olhar para as ondas, começa a afundar. Enquanto a nossa vida está fixada nos problemas, enquanto enxergamos apenas as vagas, descemos ao fundo. Pedro grita: ‘Senhor, salva-me!’. Com essa descrição do terror de Pedro e com a sua exclamação em forma de prece, Mateus alude ao salmo 69. Nesse salmo, os judeus piedosos – e com eles os cristãos – pedem que Deus os salve da água que chega ‘até a garganta’ e que ameaça leva-los embora. Jesus estende a mão e segura Pedro. A sua advertência não se dirige apenas a Pedro, ela vale para todos os cristãos cuja fé ficou fraca: ‘Homem de pouca fé, porque duvidaste?’ (14,31). É típico do evangelho de Mateus falar em ‘pouca fé’. Com essa expressão, Mateus dirige-se aos seus leitores, cristãos que têm fé, mas uma fé fraca. Ela não resiste às vagas e às tempestades que sacodem os cristãos. Mas, no meio da noite de nossa vida, no meio das tempestades que nos ameaçam está Jesus. Ele quer fortificar a nossa fé. Se confiarmos em Jesus e se permitirmos que ele reconforte a nossa fé, então essa fé será capaz de deslocar montanhas, então poderemos caminhar sobre as águas, então estaremos seguros, mesmo que o chão nos falte debaixo dos pés, que as pessoas nos abandonem, que percamos os bens, que tudo desmorone ao nosso redor” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite

18º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 55,1-3; Sl 144[145]; Rm 8,35.37-39; Mt 14,13-21) *

1. Aqueles que buscam aprofundar-se na leitura da Palavra de Deus, vez por outra encontram algum termo ou palavra que lhes soa estranho, como, por exemplo, evangelhos sinóticos. Que significa? Identificamos como evangelhos sinóticos os três primeiros evangelhos: Mateus, Marcos e Lucas.

2. Se os pudéssemos colocar lado a lado, os perceberíamos como muito semelhantes em seu conteúdo, ainda que não sejam iguais. E que é possível lê-los, olhá-los, paralelamente, ainda que tenham suas exclusividades e os fatos não sigam a mesma cronologia. O quarto Evangelho escapa dessa categoria.

3. Mas a narrativa da multiplicação dos pães pode ser encontrada nos quatro Evangelhos. O texto pontua para nós algumas atitudes de Jesus. Primeiro, que Ele se preocupa, enche-se “de compaixão” de todos eles, de corpo e alma. Para a alma a Palavra, para o corpo a cura e o alimento.

4. Quem dera, podem pensar alguns, pudesse Ele ainda fazer tal milagre em nosso tempo... O milagre segue acontecendo ao longo das estações nos processos internos da natureza, associados ao trabalho humano, que ao nosso olhar se tornou comum, que a ciência explica. Mas quem “ordena” a natureza para que tudo tenha essa regularidade incrível?

5. Certamente o que Jesus faz é uma outra coisa, mas um gesto confirma o outro. Para quem olha as coisas sobre o olhar da fé, Deus continua multiplicando os pães e os peixes como fez Jesus. Por quê, então, o pão continua a faltar na mesa de tantos? O Evangelho nos traz um pouco de luz.

6. Jesus não tem varinha de condão. Não se trata de mágica. Mas pergunta os que eles têm e os convida a repartir o pouco que têm. Sabemos que a produção, em escala mundial, é suficiente para alimentar os milhares de seres humanos existentes.

7. Como podemos acusar a Deus de não fornecer alimento suficiente para todos, quando a cada ano se destroem milhões de reservas alimentares, chamadas de excedentes, para que o preço não abaixe? Sei que as coisas não são tão simples assim. Tem outras questões a serem levadas em conta e além disso muitos governantes irresponsáveis contribuem para manter muitas populações famintas...

8. Parte da responsabilidade recai também sobre os países ricos, aqui representado pelo garoto anônimo, que em outro evangelista, tem os cinco pães e dois peixes. Longe de partilhá-los, são mantidos em seus alforges. É preciso que alguma desgraça aconteça para movê-los em algum gesto de solidariedade.

9. Mas tenhamos presente um outro gesto de Jesus, muito importante: o modo como se descreve a multiplicação dos pães e dos peixes: “ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães e os deu aos seus discípulos...”.

10. As palavras e gestos de Jesus nos remetem sempre a pensar numa outra multiplicação, que é o seu Corpo eucarístico. Nós vamos encontrar em algumas antigas representações da Eucaristia, em pinturas ou afrescos, uma vasilha contendo cinco pães e ao lado dois peixes.

11. Estamos aqui fazendo também essa multiplicação dos pães: o pão da Palavra de Deus. Um milagre que antigamente se dava só pelos livros, e hoje, com toda tecnologia, podemos partilhar, multiplicar. Recolhemos os “pedaços” para aqueles que não vieram participar desse banquete. Que eles possam ter algo para refletir, pensar. Amém.

* com base em texto de Raniero Cantalamessa.  

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 01 de agosto de 2026

(Jr 26,11-16.24; Sl 68[69]; Mt 14,1-12) 17ª Semana do Tempo Comum.

“E mandou cortar a cabeça de João no cárcere” Mt 14,10.

“A voz austera do Batista ressoou no palácio de Herodes como se fosse uma chicotada que queria açoitar a imoralidade da conduta do rei e, ao condenar o procedimento do rei, dava a conhecer, bem às claras, que também deveriam sentir-se tocados por aquela voz que repreendia todas as situações injustas e imorais, que se alimentavam naquela corte. A fidelidade do profeta não considerou as categorias sociais, mais ainda, começou pelo chefe ou cabeça, pela autoridade, em uma corajosa demonstração de liberdade evangélica; nada pode calar aquela voz denunciante da imortalidade e da injustiça. João era profeta e falava como profeta e vivia como profeta e teve de morrer como profeta. Você não poderá afastar-se de sua missão profética por dificuldades de nenhuma espécie, nem por sofrimentos, humilhações e amarguras de qualquer espécie. Se você é profeta de Cristo, como Cristo é Profeta do Pai, à semelhança dele que chegou até a morte e morte de cruz, deverá estar disposto a chegar aos braços da cruz redentora, sabendo que nem tudo termina na cruz, mas sim na luz da ressurreição. Assim, você deverá denunciar profeticamente, com sua palavra e sobretudo com seu modo concreto de vida, qualquer injustiça e imoralidade. João Batista denunciou o adultério e o escândalo; muitas vezes você deverá denunciar a injustiça e a imoralidade. Sua presença no mundo, por ser a presença de um autêntico profeta, deve desacomodar o mundo não por agressividade, mas por seu exemplo, fazendo com que sua atitude seja uma contínua reprovação para o mundo e seus princípios. Herodes sentiu remorsos pelo crime que cometeu ao mandar decapitar o Batista; por isso, quando lhe chegou a notícia e a fama de Jesus, seu próprio remorso fê-lo crer que Deus tinha vigado seu crime, ressuscitando João Batista. O pecado carrega consigo o castigo do remorso, que força e dilacera a consciência pecadora; com o remorso desaparecem a tranquilidade e a paz. Procurar-se-á muitas vezes silenciar a voz da consciência, mas o aguilhão do remorso causará sempre indisposição e amargura” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite  

Sexta, 31 de julho de 2026

(Jr 26,1-9; Sl 68[69]; Mt 13,54-58) 17ª Semana do Tempo Comum.

“Dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados.

E diziam: ‘De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres?’” Mt 13,54.

“As interrogações levantadas pelo povo de Nazaré, a respeito de Jesus, já tinham, de antemão, uma resposta. Tendo Jesus saído do meio deles, era impossível que tivesse poderes divinos, como sua sabedoria e seus milagres deixavam transparecer. Não dava para combinar o fato de Jesus ser um nazareno e, ao mesmo tempo, ter sido autorizado a realizar as obras de Deus. Com isto os nazarenos não negavam que Deus pudesse intervir na história humana. Afinal, ele interviera continuamente na história de Israel, a partir da libertação do Egito por intermédio de Moisés. Os conterrâneos de Jesus estavam recusando-se a aceitar que Deus estivesse agindo a partir da família deste jovem de Nazaré. Isto não se enquadrava nos esquemas de esperança messiânica da época, segundo os quais, embora sendo homem, o Messias não assumira as condições que Jesus apresentava. Faltavam-lhe grandeza e dignidade! Sua condição de filho de carpinteiro e de homem do povo depunham contra ele. Em suma, não tinham gabarito nem credenciais para a missão que estavam realizando.  O pecado dos nazarenos consistiu em querer enquadrar Deus em seus curtos esquemas mentais. Como em Jesus Cristo Deus agiu à revelia das esperanças em voga, eles perderam a chance de acolher o Messias. Procuram longe, aquele que estava bem preso! – Pai, livra-me da tentação de querer enquadra-te em meus mesquinhos esquemas. Que eu saiba reconhecer e respeitar o teu modo de agir (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite  

 

Quinta, 30 de julho de 2026

(Jr 18,1-6; Sl 145[146]; Mt 13,47-53) 17ª Semana do Tempo Comum.

“Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos

e jogam fora os que não prestam” Mt 13,48.

“A parábola da rede parece repetir, mesmo no vocabulário, a do trigo e do joio. Mas enquanto esta última coloca o acento sobre o tempo presente do crescimento, o Evangelho de hoje olha para o futuro, está interessado mais no vaso dos peixes do que na sua captura (os verbos antes estão no particípio passado e depois no indicativo). [Compreender a Palavra:] Através da parábola da rede, mais uma vez o Senhor mostra a dinâmica do Reino, distinguindo-se entre o tempo da História, em que todos os homens, bons e maus, convivem como os diversos peixes no mesmo mar, e o tempo do juízo final, quando se der a separação uns dos outros, com o fim trágico dos maus. A particular acentuação do juízo negativo pretendia eliminar qualquer equívoco na insistente e surpreendente pregação de Jesus sobre a misericórdia de Deus, que podia levar a duvidar da existência de um juízo final. Jesus Cristo projeta uma imagem nova de Deus e do seu Reino, a qual embora criando uma distanciação do ensino religioso da época, permanece no rasto da continuidade e da felicidade divinas: a misericórdia de Deus não anula a distinção entre o bem e o mal. Eis então que a mensagem de Jesus acerca do Reino pede uma renovação, antes de tudo da parte dos anunciadores (escribas/discípulos). O grande tesouro é Cristo e é Ele que ilumina todo o antigo e o novo, Ele que deve ser anunciado e transmitido, permanecendo fiéis à sua Pessoa que encerra em Si todas as novidades capazes de explicar e realizar as antigas promessas” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite  

Quarta, 29 de julho de 2026

(1Jo 4,7-16; Sl 33[34]; Jo 11,19-27) Santos Marta, Maria e Lázaro.

“Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa” Jo 11,20.

“Em Jo 11,2 Maria é caracterizada como aquela ‘que ungira o Senhor com óleo perfumado e lhe enxugara os pés com os cabelos’. Trata-se, portanto, de uma antecipação daquilo que será contado só depois, no capítulo 12. Marta chama a irmã Maria pra vir junto de Jesus. Esta logo se levanta e lança chorando aos pés do mestre. Maria é aquela que acredita sem palavras. Ela sente o amor de Jesus pelo amigo dele e irmão dela. Chorando ela se sabe unida a Jesus e ao seu destino fatal” (Anselm Grüm – Jesus: Porta para a Vida – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite  

 

Terça, 28 de julho de 2026

(Jr 14,17-22; Sl 78[79]; Mt 13,36-43) 17ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram:

‘Explica-nos a parábola do joio!’” Mt 13,36.

“A parábola do joio e do trigo soou misteriosa aos ouvidos dos discípulos. Foi preciso que, a sós, Jesus os ajudasse a compreender o significado do ensinamento nela contido. A explicação que lhes foi oferecida corresponde a uma espécie de vocabulário onde cada elemento é interpretado. Um aspecto importante da explanação de Jesus consiste em estabelecer a nítida distinção entre os filhos do Reino e os filhos do Maligno. Os filhos do Reino são os que acolhem a Palavra de Deus e, embora pressionados pelos inimigos, mantêm-se fiéis, pautando sua vida pela vontade de Deus. A perseverança é conseguida, a duras penas, com a força do Espírito. Eles conhecem bem o preço da fidelidade! Já ‘os filhos do maligno’ são os que, fechando os ouvidos de Jesus, seguem os impulsos das próprias paixões ou se deixam levar por quem está na contramão de Deus. Sua malignidade manifesta-se de muitas formas, entre elas, no combate sem descanso aos que optaram pelo Reino de Deus. O drama é que nem sempre podemos identificar, à primeira vista, quem é ‘o filho do Reino’ e quem é ‘o filho do Maligno’. As aparências enganam! Existem lobos travestidos de cordeiros. Nem sempre é fácil desmascará-los. A parábola aconselha-nos a esperar o final dos tempos, quando ficará patente quem está a serviço do bem e quem está a serviço do mal. – Pai, que as pressões dos filhos do Maligno jamais sejam suficientemente fortes para me levar a renunciar à minha condição de filho do Reino. Quero estar sempre a teu serviço (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite  

Segunda, 27 de julho de 2026

(Jr 13,1-11; Sl Dt 32; Mt 13,31-35) 17ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: ‘O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega

e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado’” Mt 13,33.

“Esta parábola tomada da vida familiar da Palestina também se refere ao Reino de Deus em você e nos outros. Você também pode chegar a ser fermento que acabe com seus maus exemplos, com sua vida egoísta e acomodada, às vezes até injusta e sensual. Esta parábola nos fala claramente de eficácia da doutrina do evangelho. Como o levedo fermenta toda a mesa, a doutrina de Jesus Cristo fermentou as almas, os costumes, os critérios, os sentimentos, a vida do homem. Para que a doutrina de Jesus Cristo possa fermentar sua própria alma, é preciso que primeiro você afaste de si mesmo o velho fermento do pecado, como o chama São Paulo: ‘o fermento da malícia e da iniquidade’ que como o levado penetra na massa, as palavras e os exemplos de Jesus penetrem em você pela serena meditação. Indubitavelmente, a pregação evangélica da palavra de Deus é também levedo capaz de transformar todo homem. O Reino de Deus tem em si mesmo força e vigor para fermentar cristãmente o mundo onde nos encontramos; isto é, se na parábola anterior do grão de semente de mostarda o Reino é-nos mostrado com vigor suficiente para estender-se pelo mundo todo, nesta fala-se de vigor interno do Reino, capaz em si mesmo força e vigor para fermentar cristãmente o mundo onde nos encontramos. Porém o Reino será fermento em você por você; você é chamado(a) a ser fermento em seu ambiente, ali onde a Providência o/a houver colocado; não levedura que corrompa, mas que faça crescer a massa e fermente com o evangelho” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite  

17º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(1Rs 3,5.7-12; Sl 118[119]; Rm 8,28-30; Mt 13,44-52) *   

1. As duas parábolas correm o risco de serem tomadas como duas pequenas narrativas de fatos da vida, mas quem compreende seu significado, se sentirá inquieto pelo resto da vida. O que queria de fato dizer Jesus?

2. Mais ou menos isto: essa é a hora decisiva da história. Eis que o Reino de Deus se faz presente entre nós. Aquilo que os patriarcas esperaram, que os profetas desejaram ver, mas não viram: Deus que vem salvar o seu povo, resgatá-lo do pecado e da morte, e introduzi-lo em sua intimidade.

3. Tudo isso, na realidade, Jesus vai traduzir por “evangelho”, “Boa Nova”, aquela tanto esperada. Concretamente se trata da sua vinda à terra. O tesouro escondido, a pérola preciosa, não é outra coisa senão o próprio Jesus.

4. É como se Jesus com essas parábolas quisesse dizer: a salvação veio a vocês gratuitamente, por iniciativa de Deus, tomem uma decisão, não deixem escapar. Como acontece com certos artigos de luxo, que por tempo limitado entram em especial oferta.

5. É como se Jesus quisesse provocar uma espécie de “não perca a oportunidade. Há um tesouro que lhe espera, uma pérola preciosa. Não deixe passar…”. O Reino é a única coisa que nos pode salvar do risco supremo da vida que é perder o motivo pelo qual estamos nesse mundo.

6. Vivemos em uma sociedade que vive de seguros. Há seguros contra tudo que possa nos acontecer. Em algumas nações tornou-se uma espécie de mania. Entre eles está o mais importante e frequente que é o seguro de vida. Não estou aqui colocando em questão o seu valor.

7. Mas se refletimos um momento, de que coisa estamos nos assegurando? Da morte? Certamente que não. Asseguramos que, em caso de morte, alguém receberá uma indenização.

8. O reino dos céus é também um seguro de vida e contra a morte, mas uma asseguração real, que beneficia não só a quem fica, mas também a quem parte. “Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”, disse Jesus. E sabemos que não são palavras vazias.

9. Assim logo entendemos as exigências que esse Reino traz consigo: para adquiri-lo é preciso estar disposto, se necessário, a algum sacrifício. Não para pagar o preço do tesouro ou da pérola, que por definição, não têm preço, mas para ser digno dele.

10. Esse reino não pode ser colocado em pé de igualdade com qualquer outra realidade. “Não se pode servir a dois senhores”, dirá Jesus. Isso seria despreza-lo ou trai-lo. Eu sei que essa compreensão cria em nós uma tremenda responsabilidade.

11. Antes de concluirmos, há um aspecto que esquecemos nessas duas parábolas. Em cada uma delas há, na realidade, não um ator, mas dois. Tem aquele que vai, vende, compra, e o outro está escondido, subtendido. O proprietário do terreno, que não se deu conta que em seu terreno havia um tesouro e o vende; tem um homem ou uma mulher que possuía a pérola preciosa, e não se tinha dado conta do seu valor e a vende ao comprador.

12. A pergunta que devemos nos colocar é simples: a qual dos dois atores nós assemelhamos? Será que não vendemos a nossa fé por uma ideologia, por preguiça, por acharmos interessantes, quem sabe, mostrar-nos gnóstico, superiores aos outros.

13. Para muitos batizados, a última preocupação de sua vida é o Reino de Deus, possa ele significar o próprio Deus, a Igreja, a fé. Quão perigosa é essa atitude, nos diz o evangelho.

14. Mas não quero concluir com essa nota triste. Vejam que não nos é dito na parábola que alguém vendeu tudo que possuía e saiu em busca de um tesouro escondido. Sabemos bem como terminam as histórias que começam assim. Um que perde tudo que tinha e não encontra nenhum tesouro. Histórias de ilusões…

15. Primeiro é preciso encontrar o tesouro, nos diz a parábola, para depois ter a força e a alegria de vender tudo para conquista-lo. Ou seja, quando encontramos a Jesus de maneira nova, pessoal, convicta, nos veremos plenos de alegria como esses “buscadores” de que nos fala o evangelho. Amém.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

  Pe. João Bosco Vieira Leite  

Sábado, 25 de julho de 2026

(2Cor 4,7-15; Sl 125[126]; Mt 20,20-28) São Tiago Apóstolo.

“Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos” Mt 20,24.

“No espaço de tempo que transcorreu entre o momento em que Tiago manifestou as suas ambições – não inteiramente nobres – e o seu martírio, tem lugar um longo processo interior. O próprio zelo do Apóstolo, dirigido contra aqueles samaritanos que não tinham querido receber Jesus ‘por dar a impressão de ir para Jerusalém’ (Lc 9,53), transformar-se-á mais tarde em ânsia de almas. Pouco a pouco, sem perder a própria personalidade, Tiago irá aprendendo que o zelo pelas coisas de Deus não pode ser áspero nem violento, e que a única ambição que vale a pena é a glória de Deus. Conta São clemente de Alexandria que, quando o Apóstolo era levado ao tribunal onde iria ser julgado, foi tal a inteireza que o seu acusador se aproximou dele para pedir perdão. São Tiago refletiu... Depois, abraçou-o dizendo: ‘A paz esteja contigo’; e os dois receberam a palma do martírio. Ao meditarmos hoje sobre a vida do Apóstolo, serve-nos de grande ajuda considerarmos os seus defeitos, bem como os dos outros Onze que o Senhor tinha escolhido. Não eram poderosos, nem sábios, nem simples. Vemo-los às vezes ambiciosos, discutidores, com pouca fé. Mas, a par dessas deficiências e falhas, tinham uma alma e um coração grandes. São Tiago será o primeiro Apóstolo mártir. Tanto pôde a graça divina naquele coração generoso, que o levou a enveredar por caminhos bem diversos dos que ele tinha sonhado e pedido. O Mestre sempre foi paciente com Tiago e com todos, e contou com o tempo para ensiná-los e formá-los com uma sábia pedagogia divina. ‘Observemos – escreve João Crisóstomo – com a maneira de o Senhor os interrogar equivale a uma exortação e a um aliciante. Não diz: ‘Podeis suportar a morte? Sois capazes de derramar o vosso sangue?’. As suas palavras são: ‘Podeis beber o cálice?’ E, para animá-los a dar o passo, acrescenta: ‘... que eu irei beber?’. Deste modo, a consideração de que se tratava do mesmo cálice que o Senhor iria beber havia de estimulá-los a uma resposta mais generosa. E chama à sua Paixão ‘batismo’, mostrando assim que os seus sofrimentos haviam de ser causa de uma grande purificação para o mundo inteiro’. O Senhor também nos chamou a cada um de nós. Não nos deixemos invadir pelo desalento se alguma vez as nossas fraquezas e defeitos se tornam patentes. Se recorrermos a Jesus, Ele nos dará ânimos para seguirmos adiante com humildade, mais fielmente. O Senhor tem paciência também conosco, e conta com o tempo” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 24 de julho de 2026

(Jr 3,14-17; Sl Jr 31; Mt 13,18-23) 16ª Semana do Tempo Comum.

“A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto.

Um dá cem, outro sessenta e outro trinta” Mt 13,23.

“O sucesso do reino depende de muitos fatores entre os quais a disposição interna da pessoa que escuta a mensagem. As diferentes disposições dos ouvintes foram comparadas, parabolicamente, com a diversidade de solos nos quais cai a semente ao ser semeada. Some-se a isto as múltiplas forças externas que põem em risco a semente. O Evangelho as identifica com o Maligno, as tribulações, as perseguições, as preocupações mundanas e a fascinação das riquezas. Embora não seja dito, mesmo a semente plantada em terra boa viu-se às voltas com fatores contrários. Para sobrepuja-los e tornar-se frutuosa, foi preciso enfrenta-los. Isto por que, onde quer que irrompa o Reino, este tende a atrair toda sorte de oposição. Uma situação inacreditável! A disposição interna de cada pessoa torna-se patente na medida em que deve enfrentar as tentações que se abatem sobre ela. Quando a Palavra de Deus é acolhida num coração generoso, não há tribulação suficientemente forte para dele arrebatá-la. A pessoa revestida da fortaleza que vem do Espírito será capaz de superá-la e de produzir frutos para o Reino. Pelo contrário, quando a Palavra cai no coração de uma pessoa acomodada ou pouco disposta a passar pela provação da fé, um pequeno contratempo levará tudo a perder.; - Pai, que o teu Espírito Santo me revista de fortaleza, e me predisponha a enfrentar todos os contratempos da vida para produzir os frutos que esperas de mim” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 23 de julho de 2026

(Jr 2,1-3.7-8.12-13; Sl 35[36]; Mt 13,10-17) 16ª Semana do Tempo Comum.

“Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vosso ouvidos ouvem” Mt 13,16.

“Nosso coração não está endurecido; sente as coisas de Deus e escuta sua palavra. Por isso somos felizes e por isso a graça do Senhor pode fazer em nós maravilhas, se nós correspondermos com generosidade a suas instâncias. Somos na verdade os filhos da predileção. Quantos teriam correspondido melhor que nós, se tivessem recebido as graças das quais nós fomos objeto e termo! Por isso, nós não devemos considerar-nos melhores que os outros, pois não sabemos, em nenhum caso, como teriam correspondido os outros e, no entanto, é para nós muito conhecida a pequena correspondência de nossa parte à graça” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 22 de julho de 2026

(Ct 3,1-4; Sl 62[63]; Jo 20,1-2.11-18) Maria Madalena

“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada,

quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo” Jo 20,1.

“Ao cabo de vinte séculos, continuam a comover-nos a delicadeza, a fidelidade e o amor de Maria Madalena por Jesus. São João narra-nos no Evangelho da Missa como esta mulher se dirigiu ao sepulcro logo que lho permitiu o descanso sabático, ‘quando ainda estava escuro’, em busca do Corpo morto do Senhor. Ele tinha-a libertado do Maligno, a graça frutificara no seu coração, e ela seguira fielmente o Mestre em alguma das suas viagens apostólicas e servira-o generosamente com os seus bens. Nos momentos terríveis da crucifixão, permaneceu no Calvário, bem perto d’Aquele que a tinha curado dos seus males. E quando depositaram Jesus no sepulcro, continuou por ali, fazendo-lhe companhia, como talvez já tenhamos feito com o corpo de uma pessoa amada. Testemunha-o São Mateus: ‘E Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, de fronte ao túmulo’ (Mt 27,61). Passado o sábado, ‘ao amanhecer do primeiro dia da semana’ (cf. Mt 28,1), dirigiu-se com outras santas mulheres ao lugar onde se encontrava o corpo de Jesus, afim de embalsama-lo. Mas o Senhor já não está ali: tinha ressuscitado! Viu a pedra retirada e o sepulcro vazio. ‘Correu, pois, e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhe: Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram’. Pedro e João foram correndo ao sepulcro. São João conta-nos que aquele momento foi definitivo na sua vida: ‘viu e creu’ (cf. Jo 20,8). Os dois ‘voltaram novamente para casa’, mas Maria ficou ali, chorando a ausência do Corpo do Mestre. Com uma tristeza indescritível, sem ainda acreditar na ressurreição, persevera, não quer afastar-se do lugar onde viu pela última vez o Corpo adorável do Senhor. Consideramos hoje ‘ a intensidade do amor que ardia no coração daquela mulher, que não se afastou do sepulcro do Senhor mesmo quando os discípulos se retiraram. Procurava Aquele a quem não tinha encontrado, procurava-o chorando e, inflamada no fogo do seu amor, ardia em desejos de encontrar Aquele que julgava terem tirado. E assim aconteceu que foi a única que o viu naquele momento; porque, na verdade, o que dá força às boas obras é a perseverança nelas’ (São Gregório Magno). Não deixemos nós de procurar sempre Jesus, mesmo nos momentos em que – se o Senhor o permite – o desalento e a escuridão penetrem na lama. Não esqueçamos nunca que Ele sempre está muito perto, porque, como diz o Apóstolo, ‘Dominus prope este! – o Senhor me acompanha de perto. Caminharei com Ele, portanto, bem seguro, já que o Senhor é meu Pai..., e com a sua ajuda cumprirei a sua amável Vontade, ainda que me custe’ (Josemaria Escrivá)” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 21 de julho de 2026

(Mq 7,14-15.18-20; Sl 84[85]; Mt 12,46-50) 16ª Semana do Tempo Comum.

“Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar

todos os nossos pecados” Mq 7,19.

“A liturgia de hoje propõe as últimas palavras do Livro de Miquéias caracterizadas por um tom de súplica confiante e de louvor dirigidos ao Senhor. A profecia assume assim a tonalidade de uma oração que o profeta eleva em nome de todo o povo, melhor identificando-se com ele (utiliza a primeira pessoa do plural). Deus é invocado primeiro como um pastor (vv. 14-15), e depois pela Sua extraordinária e única capacidade de perdoar (vv. 18-20). [Compreender a Palavra:] Para a compreensão deste curto trecho podemos partir da invocação do versículo 15: ‘Mostrai-nos prodígios’. Refere-se a saída do Egito e, como aconteceu então, Miqueias suplica ao Senhor que atue ainda em favor de Israel. São duas as formas com as quais deverá manifestar-se essa intervenção divina: o seu profeta pede que JHWH seja o pastor do povo e lhe conceda o Seu perdão. A figura do pastor, frequentemente atribuída a Deus no Antigo Testamento (cf. Sl 22; Ez 34), evoca os cuidados atentos e solícitos, a conservação da unidade do rebanho de outro modo disperso, a defesa da vida das ovelhas, mesmo à custa da própria vida (por sinal, uma imagem utilizada por Jesus em Jo 10 e por conseguinte retomada em seguida, por toda a tradição cristã). A benevolência do pastor toma a forma do perdão que revela, mais do que qualquer outra coisa, quem é o Deus de Israel, e que marca a diferença de qualquer outra divindade. O perdão é o prodígio maior por ser capaz de extirpar o mal do coração do homem” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 20 de julho de 2026

(Mq 6,1-4.6-8; Sl 49[50]; Mt 12,38-42) 16ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu-lhes: ‘Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado,

a não ser o sinal de Jonas” Mt 12,39.

“As palavras de Jesus são duras e têm um alvo certo: a liderança religiosa de sua época. A maneira genérica como fala pode dar a impressão de que ele esteja englobando todas as pessoas, indistintamente, na sua acusação. A verdade é que a denúncia tinha um alvo certo. A acusação – ‘geração má e adúltera’ – tinha conotação teológica mais que morais. No Antigo Testamento, as relações entre Javé e Israel eram entendidas a partir de imagens esponsais. Isto por que, a palavra ‘aliança’, empregada no contexto do pacto entre Javé e Israel, era também usada para designar o matrimônio do homem com a mulher. Por isso, quando Israel caía na idolatria, correndo atrás de divindades estrangeiras, os profetas classificavam esta atitude como prostituição e adultério. Era a forma mais acintosa de romper a aliança com seu Deus. Quando Jesus denunciou as lideranças religiosas como ‘geração má e adúltera’, queria dizer que tinham se afastado do Deus verdadeiro para entregar-se às falsas imagens de Deus. No caso dos mestres da Lei e dos fariseus, seu pecado consista em se fecharem para Jesus – o enviado de Deus –, resistindo a acolher sua palavra, até chegar à perseguição aberta. Recusando a atender o pedido das lideranças religiosas, Jesus nega-se a entrar no jogo delas. Já lhes tinham sido dados sinais suficientes. Quando estiverem dispostos a abrir-se para a verdade, serão capazes de compreendê-los. – Pai, dá-me simplicidade de coração para reconhecer que Jesus é teu Filho, enviado ao mundo para nos salvar. E que jamais eu exija sinais além dos que já realizou” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

16º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Sb 12,13.16-19; Sl 85[86]; Rm 8,26-27; Mt 13,24-43) *

1. Se fala muito, em nossa sociedade insatisfeita de todas as conquistas técnicas e de seu consumismo, de um retorno ao sagrado, de um novo desejo de contato com o absoluto, particularmente entre os jovens. A oração é o sinal revelador desta busca.

2. Gostaria de conduzir a nossa reflexão a partir da 2ª leitura de nossa celebração que nos permite abordar melhor esse tema. Se pudéssemos descobrir que coisas diz o Espírito em seus “gemidos inexprimíveis”, descobríamos o segredo da oração. Talvez dessa expressão paulina possamos recolher alguma luz.

3. O Espírito que reza em nós, secretamente e sem barulho de palavras, é o mesmo Espírito que nos traz luz ao debruçarmo-nos sobre as Escrituras, pois foi Ele mesmo que a inspirou, tanto quanto as orações que nela encontramos. Elas são para nós expressões desses gemidos “inexprimíveis” do Espírito.

4. Partindo desse princípio, um cristão, para aprender a rezar, deve buscar a escola da oração bíblica. Certamente não poderíamos aqui voltarmo-nos sobre todas as orações que encontramos nela, como a oração de Abraão, de Moisés, dos profetas, os salmos...

5. Vamos direto a oração mais importante de todas que é a oração de Jesus. Se descobrirmos como o Espírito rezava em Jesus, descobriremos como reza em nós, ou menos, como quer que nós rezemos. O Espírito Santo continua em nós a oração de Jesus, que atravessa séculos, através dos cristãos.

6. Sabemos que toda a oração de Jesus iniciava com um grito filial: Pai! Essa é a fonte da Sua oração, um grito de brotava dos seus lábios num ato de alegria, agradecimento ou em meio ao sofrimento. Quando o Espírito vem a nós, não faz outra coisa senão continuar esse grito filial: “Deus enviou ao nosso coração o Espírito do seu Filho que grita: Abbà, Pai!” (Rm 8,17).

7. A oração cristã é um grito ou diálogo do filho com o próprio pai: livre, confiante, sem complexos. Nada de ‘humilhante’, como dizia Nietzsche. O Espírito infunde no fiel um sentimento de ser um filho amado por Deus. Algo que às vezes, se revela de modo imprevisto. Deus é grande, onipotente e ao mesmo tempo um pai, meu pai.

8. Esse sentimento, ainda que forte, não dura muito. Logo chega o tempo de dizermos “Pai nosso”, sem sentirmos nada de particular, e até mesmo nos vem uma impressão de gritarmos ao nada. Quando isso nos ocorre, precisamos lembrar que não rezamos sozinhos, o Espírito reza em nós e por nós.

9. “Aquele que penetra o íntimo dos corações, sabe qual é a intenção do Espírito”. Pode ser que não nos sintamos satisfeitos ou preenchidos, mas Deus, que nos escuta, sabe da nossa busca, fidelidade e abandono. Beethoven chegou a compor a IX Sinfonia sem nada escutar ou sentir. Sua obra prima. Por vezes a aridez faz isso com a nossa oração.

10. Paulo nos lembra que a oração é graça, ela está dentro de nós. Não recebemos somente o mandamento da oração, mas o próprio dom do Espírito, um filão secreto que devemos constantemente redescobrir. A fonte está em nós. Precisamos limpar no coração o barulho, a dispersão, o ativismo frenético. Isso requer tempo, trabalho, busca, persistência.

11. Ainda que muitas vezes soframos com as tentações constantes e não possamos viver toda a exigência moral que nos pede o Evangelho, de evitar o pecado, mas isso não nos impede de rezar, de pedir aquilo que por nós mesmos não podemos.

12. A oração é o respiro da alma. Como alguém que está preste a desmaiar se pede o esforço de respirar de modo profundo, pausado. Assim rezamos, em meio as tentações ou mesmo prestes a deixar-se vencer pela dificuldade e pelo cansaço, rezamos, fazemos respiros profundos de oração.

13. Muitos já experimentaram o quanto um momento dedicado a oração no seu dia faz a diferença e aprenderam a defender tal momento de tantas outras obrigações diárias que sempre parecem mais urgentes. E se por acaso não soubermos o que dizer ou rezar, pede ao Espírito que venha em nosso socorro. Ou melhor, que Ele reze em nós com seus “gemidos inexprimíveis”.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 18 de julho de 2026

(Mq 2,1-5; Sl 9B[10]; Mt 12,14-21) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Cobiçam campos e tomam-nos com violência, cobiçam casas e roubam-nas.

Oprimem o dono e a sua casa, o proprietário e seus bens” Mq 2,2.

“As palavras do profeta constituem a primeira parte de um díptico dirigido aos poderosos, que exercem com arbítrio e violência o seu poder (cf. Mq 2,6-11). O discurso, cujo texto hebraico nem sempre é claro, compõe-se de três unidades: a denúncia verdadeira e própria do pecado, introduzida num modo já conhecido ‘Ai!’ (v. 1-2); o anúncio do castigo anunciado pelo Senhor 9v. 3); e as suas consequências, apresentadas sob a forma de provérbio e de lamentação (vv. 4,5). [Compreender a Palavra:] O quadro inicial, que descreve a atuação dos poderosos, é extraordinariamente eficaz na sua brevidade. Miquéias não apresenta somente uma acusação de arbítrio e de prepotência, mas revela, com perspicácia, a perversão que se apodera daqueles que se tornam escravos do poder que exercem. A ânsia de possuir e de manifestar o poder não lhes dá tréguas, mas também de noite eles meditam o mal, todo o seu tempo é dominado por um sentimento que transtorna todas as relações e conduz à injustiça. A denúncia é, no entanto, introduzida pelo ‘Ai!’, uma expressão que denuncia quer a ameaça, quer a lamentação sobre quem faz o mal, para que o possa reconhecer antes que seja tarde. O próprio mal, de fato, voltar-se-á contra os violentos: todos os que meditam sobre a iniquidade dia e noite, iludem-se pensando que ficarão sem castigo. Também o Senhor medita, e o Seu projeto de castigo comportará para os violentos a perda de tudo aquilo que têm e a experiência amarga e dramática de ver que lhe tiram aquilo que desde sempre possuíram” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite