Quinta, 17 de setembro de 2026

(1Cor 15,1-11; Sl 117[118]; Lc 7,36-50) 24ª Semana do Tempo Comum.

“Então, os convidados começaram a pensar: ‘Quem é este que até perdoa pecados?

Mas Jesus disse à mulher: ‘Tua fé te salvou. Vai em paz!’” Lc 7,50.

“Lucas escreveu muita coisa sobre pecadores (cf. Lc 15), e mencionou muitas vezes o perdão dos pecados como o aspecto central da salvação (At 2,38). Isso, porém, não exprime uma imagem pessimista do ser humano. Em si, o ser humano não é ruim. Ele tem um núcleo bom. Frequentemente, porém, ele vive se desconectando consigo mesmo e com sua própria verdade. Pecador é aquele que não realiza a sua vida, que não acerta o alvo e, por isso, condena e rejeita a si mesmo. Quando muda de rumo e se deixa batizar em nome de Jesus, ele há de experimentar o perdão dos seus pecados, e de receber o Espírito Santo. Ele há de experimentar uma incondicional confirmação da sua existência, e dentro de si uma força que o preservará de sempre de novo cair nos mesmos padrões de uma vida errada. Essa é uma mensagem que os gregos sabiam apreciar muito bem. Para eles tratava-se, sempre de novo, da questão do caminho certo. Como encontrarei o meu caminho? Qual é o caminho que leva à vida? O pecado leva-nos por caminhos errados, não alcançamos a meta. O encontro com Jesus abre-nos um caminho em que nossa vida vai dar certo. No encontro com Jesus libertamo-nos dos fracassos da história da nossa vida, e ficamos repletos do Espírito Santo. O Espírito Santo nos torna capazes de viver de outra maneira, de viver segundo o modelo de vida de Jesus. Segundo o evangelho de Lucas, Jesus não expiou pela sua morte os nossos pecados, nem os limpou por ablução. Ele prometeu de uma maneira nova o perdão de Deus, confirmando-o e selando-o com a sua vida. Nisso consiste a Boa Nova de Lucas: o próprio Jesus nos abre os olhos, de sorte que podemos ver nós mesmos e o mundo de outra maneira. Nesse auto entendimento consiste a conversão, o novo pensar, a nova visão que Jesus nos intermediou. Não precisamos operar a nossa conversão pela nossa própria força para andarmos por outros caminhos, para agirmos de outra maneira, iluminados por essa nova visão. Não precisamos de um programa penoso de ajuda para a vida, como hoje é oferecida em numerosos livros. O próprio Espírito Santo nos impele para andarmos pelo ‘novo caminho’, o caminho para a verdadeira vida. Dará certo a vida daquele que consente em enveredar pelo caminho novo que Jesus abriu” (Anselm Grün – Jesus, Modelo do ser humano – Loyola).  

Pe. João Bosco Vieira Leite