(Jó 1,6-22; Sl 16[17]; Lc 9,46-50) 26ª Semana do Tempo Comum.
“Houve entre os discípulos uma discussão
para saber qual deles seria o maior”
Lc 9,46.
“Jesus
conhecia perfeitamente o interior dos corações de seus discípulos; conhecia o
que pensavam e o que sentiam; era-lhe patente o que eles planejavam e tramavam
em seu íntimo. São Lucas afirma explicitamente que Jesus intuiu seus
pensamentos. As ideias excessivamente terrena, que os apóstolos tinham do
Messias, fazia-lhes desejar os primeiros postos de maior honra e proveito em
seu Reino. Para dar-lhes a conhecer as verdadeiras características do Reino de
Deus, apresenta-lhes precisamente a pergunta inquietante que os torturava:
‘Quem é o maior do Reino de Deus?’ E como eles não se atrevessem a responder,
serve-se da presença de uma criança para dar-lhes a resposta. O exemplo da
criança é uma parábola em ação; o simbolismo parabólico ou o sentido da ação
parabólica de Jesus deve ser procurado não tanto na pessoa da criança, quanto
no gesto de Jesus que acolhe a criança, o desamparado, o necessitado de
proteção, que é exatamente o caso da criança; isto é, não se refere aqui à
humildade, mas ao fato de apequenar-se no âmbito social e ante os postos de
dignidade e de comando, visto que no ambiente judaico da antiguidade a criança
era considerada quase sem valor; o pensamento, ao invés, está na atitude que se
há de ter em relação aos postos de responsabilidade. O que Jesus faz com o
mínimo da humanidade é o que os seus discípulos devem fazer uns com os outros.
A medida da grandeza cristã é dada pela prática da caridade fraterna; Jesus põe
a humildade não tanto em um desprezo a si mesmo, e sim na caridade, no serviço
aos irmãos. Mostram-se duas ideias: é maior aquele que reconhece sua grande
indigência diante de Deus; é maior aquele que ama ao mais humilde” (Alfonso Milagro – O Evangelho
meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).
Pe.
João Bosco Vieira Leite