Terça, 08 de setembro de 2026

(Mq 5,1-4; Sl 70[71; 12[13]; Mt 1,1-16.18-23) Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria.

“Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo” Mt 1,16.

“A primeira vez em que aparece Maria no Evangelho de Mateus, é no fim da genealogia de Jesus: ‘Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo’ (1,16). Em Lucas, aparece pela primeira vez no relato da Anunciação do Senhor. Em Marcos e João, só mais tarde, durante o ministério público de Filho. Em todo caso, Maria só entra no Evangelho em vista de Jesus, como Mãe do Salvador. Embora se note a presença de Maria em muitas páginas dos Evangelhos, mormente de Lucas, é tão discreta e velada a ponto de desaparecer na do Filho. Perde-se e desaparece a vida de Maria na de Jesus. Ela viveu verdadeiramente oculta com Cristo em Deus. Viveu na sombra não só durante a infância, mas também depois, quando Mãe de Deus, até nos momentos de triunfo do Filho e até quando certa mulher, entusiasmada com a pregação de Jesus, ergueu a voz em meio à multidão gritando: ‘Feliz o seio que te trouxe!’ (Lc 11,27). A festa mariana celebrada hoje pela Liturgia é, pois, convite à vida oculta com Maria em Cristo, e com Cristo em Deus. Feliz quem Deus conduz através das circunstâncias, pelo caminho da humildade, da simplicidade, longe de tudo que brilha aos olhos humanos! Só tem de aderir ao plano divino, para entrar nas fileiras dos pobres de espírito a quem o reino dos céus foi prometido. Mas também os que se empenham, por dever, em grandes responsabilidades e estão colocados em evidência, por ofício, na sociedade ou na Igreja, são chamados a imitar a atitude de Maria. Cumpre aprendermos dela a agir de modo a poder servir aos irmãos sem alarde, sem nos fazer valer, sem nos arrogar direitos e privilégios, antes buscando eclipsar-nos, sobretudo quando já não é necessária nossa atividade. Quem aspira imitar Nossa Senhora há de ter ânsia de ocultar-se à sombra de Deus, convicto de que, se lhe foi concedido fazer alguma boa obra, foi dom divino e deve reverter em proveito do bem comum e da glória do Altíssimo” (Gabriel de Sta. Maria Madalena, OCD – Intimidade Divina – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite