Sexta, 04 de setembro de 2026

(1Cor 4,1-5; Sl 36[37]; Lc 5,33-39) 22ª Semana do Tempo Comum.

“Os fariseus e o mestres da Lei disseram a Jesus: ‘Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com frequência e fazem orações. Mas os teus discípulos comem e bebem’”

Lc 5,33.

“Desde tempos antigos, a riqueza do mistério pascal foi sendo explicada ao longo de todo o itinerário anual da liturgia da Igreja, a fim de permitir ao crente contemplar a Pessoa de Jesus em todas as fases da sua vida. Enquanto O celebramos, crucificado e ressuscitado, o caminho eclesial ajuda-nos a encontrar as disposições interiores mais aptas para acolhermos o dom da presença de Cristo. Os tempos fortes do Advento e da Quaresma pedem-nos vigilância e conversão dos pecados; o Natal e a Páscoa pedem-nos que nos alegremos pela vida nascida e redimida; o Tempo Comum ampara-nos na fadiga cotidiana, colocando-nos em contato com o ensino e a vida do Mestre. Estes tempos da graça estão já presentes no Evangelho e a discussão surge entre os discípulos de João Batista e os de Jesus justificam os tempos novos inaugurados pelo Nazareno. Se a procura humana é caracterizada por jejuns e penitências escolhidos pelo homem, com a presença de Deus no meio dos homens irrompe a alegria da festa. O relevo é colocado precisamente na festa de núpcias, e não nas fadigas que a vida matrimonial comporta. A sequela de Cristo é uma festa de núpcias e por isso os jejuns e as orações servem de preparação, de aprendizagem para gozar a festa eterna, quando o noivo voltar definitivamente. Falta por vezes, na vivência da vida cristã, a capacidade de gozar, a partir de agora, do bem, da presença de Cristo, da alegria da novidade trazida pelo Evangelho. Se a acusação de tristeza dirigida aos cristãos é verdadeira, então pecamos contra a alegria pelo noivo que celebra a festa conosco. Até a última página da Bíblia, o Apocalipse, contempla o fim dos tempos como o encontro entre os dois noivos. Devemos renovar na nossa vida espiritual o sentido da festa, o gosto pelo lazer, a alegria do encontro, não em prejuízo do trabalho, mas para conceder espaço àquelas dimensões que muitas vezes são sufocadas por múltiplas ocupações” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite