Terça, 15 de setembro de 2026

(Hb 5,7-9; Sl 30[31; Jo 19,25-27) Bem-aventurada Virgem Maria das Dores.

“Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena”

Jo 19,25.

“Ontem celebramos a Cruz de Cristo, instrumento da nossa salvação, que nos revela em plenitude a misericórdia do nosso Deus. A Cruz é realmente o lugar onde se manifesta perfeitamente a compaixão de Deus pelo nosso mundo. Hoje, ao celebrarmos a memória de Nossa Senhora das Dores, contemplamos Maria que partilha a compaixão do Filho pelos pecadores. Como afirmava São Bernardo, a Mãe de Cristo entrou na Paixão do Filho através da sua compaixão (cf. Homilia do Domingo na Oitava da Assunção). Ao pé da Cruz cumpre-se a profecia de Simeão: o seu coração de Mãe é transpassado (cf. Lc 2,15) pelo suplício infligido ao Inocente, nascido da sua carne. Tal como Jesus chorou (cf. Jo 11,35), também Maria terá certamente chorado diante do corpo torturado do Filho. Todavia, a sua discrição impede-nos de medir o abismo da sua dor; a profundidade desta aflição é apenas sugerida pelo tradicional símbolo das sete espadas. Como sucedeu com seu Filho Jesus, é possível afirmar que este sofrimento levou-A também a Ela à perfeição (cf. Hb 2,10), de modo a torna-La capaz de acolher a nova missão espiritual que o Filho lhe confia imediatamente antes de ‘entregar o espírito’ (cf. Jo 19,30): tornar-se a Mãe de Cristo nos seus ombros. Naquela hora, através da figura do discípulo amado, Jesus apresenta cada um dos seus discípulos à Mãe dizendo-lhe: ‘Eis o teu filho’ (cf. Jo 19,26-27). Maria vive hoje na alegria e Glória da Ressurreição. As lágrimas derramadas ao pé da Cruz transformaram-se num serviço num sorriso que nada apagará, embora permaneça intacta a sua compaixão materna por nós. Atesta-o a intervenção da Virgem Maria em nosso socorro ao longo da História e não cessa de suscitar por Ela, no povo de Deus, uma confidência inabalável: a oração ‘Memorare’ (‘Lembrai-Vos’) exprime muito bem este sentimento. Maria ama cada um dos seus filhos, concentrando a sua atenção de modo particular naquele que, como o Filho d’Ela na hora da Paixão, se acham mergulhados no sofrimento; ama-os simplesmente porque são seus filhos, por Vontade de Cristo na Cruz” (Bento XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo – Vol. IV – Mokai).

Pe. João Bosco Vieira Leite