Quinta, 01 de outubro de 2026

(Jó 19,21-27; Sl 26[27]; Lc 10,1-10) 26ª Semana do Tempo Comum.                        

“O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente,

a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir” Lc 10,1.

“Só Lucas relata a missão dos setenta e dois discípulos separada da missão dos Doze (cf. Lc 9,1-6), que Jesus enviara a anunciar o Reino de Deus a Israel. A Igreja primitiva achava muito importante o envio dos setenta e dois, porque este número recordava aos hebreus os povos do mundo (cf. Gn 10). A Lei, segundo os escribas, tinha sido proposta a todos os povos, mas só Israel a tinha aceitado. Agora, com o envio dos setenta e dois, o anúncio da Boa Notícia é de novo oferecido a todos os povos. [Compreender a Palavra:] Jesus chama e envia a anunciar o Reino de Deus com autoridade. Os discípulos foram mandados pelo Mestre, dois a dois, para que sejam Suas testemunhas (cf. Dt 19,15). Vão adiante d’Ele como Seus arautos para preparar Sua chegada, percorrendo não só as cidades da Galileia, mas também as de toda a Palestina, a fim de recolherem as primícias de uma colheita maior, a do mundo inteiro: a messe é grande. É a messe do Senhor. O acolhimento do Reino é obra apenas da graça de Deus, é Ele que chama à evangelização dos povos. Devemos, por isso, também nós, continuar e ‘pedir ao dono da messe que mande operários para sua messe’ (v.2). Jesus envia os Seus missionários como ‘cordeiros para o meio de lobos’ (v. 3), para o meio de setenta e dois lobos, dizem os hebreus, mas o seu pastor defendê-los-á. Não deverão perder tempo em longas saudações à maneira oriental: eles levam o dom definitivo da paz e as palavras de saudação de paz bastarão para realizar o desejo que exprimem (cf. vv. 5-6). Os métodos da missão são simples: das casas para as cidades. O começo será uma comunidade familiar. Os discípulos não deverão procurar as suas comodidades, mudando de casa se esta for, porventura, pouco apta. Pelo contrário, comerão e beberão do que lhes derem, sem se preocuparem em pesar sobre quem os acolher (vv. 7-8). O que receberem será, de fato, uma justa recompensa pela dádiva que eles levarão a essa casa (cf. 1Tm 5,18). Na sua atividade nas casas e nas cidades, não deverão preocupar se culturalmente o alimento é puro ou impura. Fazendo curas abrirão os ouvidos dos doentes à escuta do anúncio: o Reino de Deus está próximo, porque Jesus está a chegar (v. 9). A conversão ainda é possível, mas é a última possibilidade. Quem não acolher o anúncio dos discípulos enviados por Jesus será julgado: comete um pecado mais grave do que o da cidade de Sodoma (vv. 10-12)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite