(Eclo 48,1-15; Sl 96[97]; Mt 6,7-15) 11ª Semana do Tempo Comum.
“Apenas Elias foi envolvido no
turbilhão, Eliseu ficou repleto do seu espírito” Eclo 13a.
“Como
conclusão do ciclo de Elias, a liturgia propõe um texto poético extraído do
‘Elogio dos Antepassados’, última parte do Livro do Bem Sirá (caps. 44-55). O
texto evoca, enquanto pertencentes à época dos reis de Israel, as duas figuras
proféticas de Elias e do seu discípulo Eliseu, recordando as suas vidas, mortes
e ações. A História da Salvação não conhece interrupções. [Compreender a
Palavra:] A figura de Elias, ‘como um fogo’, e cuja palavra era ardente (v. 1),
emerge nítida da seleção de elementos que, da sua vida, Bem Sirá relembra: o
papel de anunciador da seca e da carestia; a ressurreição do filho da viúva de
Sarepta; o castigo de reis e de povo; a revelação no Horebe/Sinai; a unção de
reis e profetas; a assunção ao céu num carro puxado por cavalos de fogo. Bem
Sirá, que escreveu cerca de 180 a.C., empresta a voz à já tradicional
expectativa do regresso de Elias no final dos tempos, para restaurar e trazer a
paz (cf. Ml 5,23-24), e talvez também para a crença popular hebraica, que faz
de Elias uma espécie de ‘santo patrono’ dos moribundos (cf. Mt 27,46-49, a
presumível invocação de Elias enquanto auxiliador de Jesus na Cruz). Sem
solução de continuidade é elogiado no texto o ministério de Eliseu. Deus não
deixa sozinho o seu povo. Bem Sirá recorda o espírito profético indómito desta
figura, e sinteticamente alude aos muitos prodígios realizados durante a vida e
depois de morto, inclusive à ressurreição de um morto lançado bruscamente sobre
o sepulcro do profeta por aqueles que o levavam a sepultar para fugir a um
bando de ladrões (cf. 2Rs 13,20-21); de fato, o ciclo de Eliseu (2Rs 2—13) é o
mais recheado de milagres de todo o Antigo Testamento” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite