Quarta, 12 de agosto de 2026

(Ez 9,1-7; 10,18-22; Sl 112[113]; Mt 18,15-20) 19ª Semana do Tempo Comum.

“O Senhor disse-lhe: ‘Passa pelo meio da cidade, por Jerusalém, e marca com uma cruz na testa os homens que gemem e suspiram por causa de tantos horrores que nela se praticam’” Ez 9,4.

“Na leitura de hoje estão reunidos dois textos, nos quais se narram duas visões de Ezequiel: o envio de mensageiros que castigam a cidade pecadora, na qual porém um resto de fiéis é preservado (9,17); e a glória do Senhor, que sai do Templo profanado (10,18-22). A primeira cena, de grande violência, é mais difícil de compreender pela nossa sensibilidade. Ambas as visões têm a finalidade de convencer os exilados de que Deus podia permitir a profanação da Cidade Santa e do seu Templo, no qual tinha estabelecido a Sua glória. [Compreender a Palavra:] Ezequiel tinha visto com os seus olhos as destruições feitas pelo exército babilônico nas ruas de Jerusalém no ano de 597 a.C. Agora experimenta, juntamente com muitos outros, os sofrimentos do afastamento dos lugares amados, a solidão do exílio em terra pagã e, com os olhos de Deus, observa aquilo que, por causa da dureza de coração do rei Sedecias, está para se abater sobre a cidade. Por detrás destes fatos está o Senhor. O profeta vê-o em ação, enquanto manda os seus mensageiros – seis homens –, que castigam os culpados, e um sétimo, vestido de linho (sinal da sua proximidade com Deus), que reserva alguns da destruição, marcando-os com a última letra do alfabeto hebraico ‘tau’, que naquele tempo tinha forma de cruz e é a primeira letra da palavra Torá. Trata-se de um resto, como os filhos de Israel preservados pelo anjo do Senhor na noite de Páscoa no Egito (cf. x 12,23,29), como os sete mil que não se ajoelharam diante de Baal no tempo de Elias (cf. 1Rs 19,18), como os discípulos de Isaías (cf. Is 8,16-17). No final da visão, Ezequiel, sacerdote muito ligado ao Templo, assiste a um acontecimento que lhe despedaça o coração: a glória do Senhor afasta-se do santuário e da cidade (cf. Ez 11,22). Aquilo que de novo virá do Senhor, já não poderá vir do velho Templo. Com o chamamento de Ezequiel, o Senhor dá início a uma nova presença entre os deportados” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite