(1Jo 2,22-28; Sl 97[98]; Jo 1,19-28) Tempo do Natal.
“Permaneça dentro de vós aquilo que ouvistes desde o princípio. Se o que ouvistes desde o princípio permanecer em vós, permanecereis com o Filho e com o Pai” 1Jo 2,24.
“Este breve trecho da Primeira Carta de São João trata do dever de quem foi iluminado, de evitar os anticristos (1Jo 2,18-19). Os motivos podem ser resumidos deste modo: o anticristo é aquele que nega a seriedade da Encarnação (vv. 22-23); a vida verdadeira só é possível na fidelidade à tradição (vv. 24-26); esta foi concedida no momento da unção inicial e coincide com os dons do Espírito (vv. 27-28). Permanecer no Espírito, permite ficar com Cristo e possuir o Pai [Compreender a Palavra:] Depois de ter apresentado a separação da comunidade de quantos não aceitam o verdadeiro conhecimento de Cristo como sinal da última hora (vv. 2,18-19), o autor passa a descrever a verdadeira natureza do anticristo: é alguém que não consegue abrir-se à jubilosa verificação de que em Jesus de Nazaré reside a realidade do Messias, enviado pelo Pai, e portanto se obstina numa atitude de negação; por conseguinte, não consegue professar a autodoação do Pai no Filho (vv. 22-23). A fé, pelo contrário, é uma abertura acolhedora da plenitude da autocomunicação de Deus. No seu ingresso na comunidade, os crentes receberam uma ‘unção de consagração’ que os tornou receptivos ao dom de Deus; a fidelidade a esta habilitação inicial leva-los-á a aprofundar coerentemente as consequências da graça recebida (vv. 24-27). ‘O Espírito vos encaminhará para toda a verdade’, afirma Jo 16,13, dum modo seguro e convincente. O último fruto da ‘unção’, mantida e aprofundada, será o encontro confiante com o Senhor no dia da Sua vinda: não teremos receio de sermos confundidos por Ele na Sua vinda na carne (v. 28)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Advento - Natal] – Paulus).
Pe. João Bosco Vieira Leite