Segunda, 19 de outubro de 2026

(Ef 2,1-10; Sl 99[100]; Lc 12,13-21) 29ª Semana do Tempo Comum.

“Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” Lc 12,21.

“Entre os leitores gentios-cristãos do evangelho lucano havia certamente muitos comerciantes de púrpura chamada Lídia. No seu evangelho, Lucas pensa no bem-estar material adquirido graças a bens imóveis, às vendas e ao comércio. Latifundiários, atacadistas e cobradores de impostos pertenciam à camada mais abastada da população (Schnackenburg, p. 219). Lucas preocupa-se principalmente com o efeito da riqueza sobre o comportamento humano. O homem pode fazer da riqueza um ídolo. A sedução da riqueza leva à ganância e à ambição. O rico é absorvido por cuidados e prazeres terrenos. Ele se esquece de Deus. Para o evangelista, duas atitudes caracterizam o procedimento do cristão com relação aos bens; depois, a despreocupação e a liberdade interna com relação às posses (Lc 12,22-32). Quem se pergunta constantemente se tem o suficiente para comer e para se vestir dá poder demais às coisas externas. Em vez de se preocupar, o homem deve confiar em Deus. Deus cuida dele. Para o cristão, o que importa é o Reino de Deus e o fato de que Deus reina dentro dele, que Deus habita na sua alma. Deus é o verdadeiro tesouro. ‘Onde está teu tesouro, lá estará o teu coração’ (Lc 12,34). Somente quando descansa em Deus o nosso coração fica livre da preocupação terrena. Somente quando tem em Deus a sua firmeza o homem consegue soltar o que possui e dar os seus dons aos pobres” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite