Segunda, 05 de outubro de 2026

(Gl 1,6-12; Sl 110[111]; Lc 10,25-37) 27ª Semana do Tempo Comum.

“Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: ‘E quem é o meu próximo?’” Lc 10,29.

“Jesus dá-nos o preceito de amar nosso próximo e para que pudéssemos fazer melhor, quer ensinar-nos quem é o nosso próximo; para isso propõe-nos a parábola do samaritano. As relações entre judeus e samaritanos não eram cordiais, como dissemos. Um ódio inveterado separava-os desde há séculos. Ao voltarem os judeus do exílio da Babilônia, tinham começado a reconstrução do templo de Jerusalém e recusado a colaboração dos samaritanos, considerando-os meio idólatras. Desde então tinha-se aberto, entre ambos os povos, um abismo. Os samaritanos tinham construído um templo por contra própria, no monte Garizim, e os judeus evitavam o contato com os samaritanos, a ponto de até evitar a passagem por Samaria, quando iam da Galileia para Jerusalém. Consideravam-nos como pagãos e não os admitiam na categoria de próximo. Jesus, mostrando-nos o samaritano, que se inclina sobre o pobre judeu ferido e abandonado à beira da estrada e cuidando dele como de um irmão, quer ensinar-nos que nosso próximo é não só os amigos e compatriotas, mas também os estrangeiros, ainda que inimigos. E, portanto, também a eles há de estender-se nossa caridade. A caridade cristã não deve excluir ninguém; todos somos igualmente filhos de Deus e consequentemente ‘todo homem é meu irmão’ e se é meu irmão, devo tê-lo como tal, devo ajuda-lo, devo tratá-lo, devo amá-lo como tal. ‘Vós sois todos irmãos’ (Mateus 23,8). Só a caridade de Jesus Cristo pode irmanar os povos e cicatrizar as feridas da pobre humanidade. Quantos sofrimentos já causou o ódio dos povos! Quantas famílias desunidas e separadas porque nelas não vibra a caridade evangélica! Quantos corações humanos nos quais aninha-se a maldade, a vontade contraditória, os maus desejos! Quantos irmãos desunidos por vis interesses materiais! Quantos esposos vivem corporalmente juntos, porém com almas e afetos efetivamente separados. Tudo isso por falta de caridade, por não cumprir o mandamento divino: ‘Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo’ (Jo 15,12)”. (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite