(Gl 1,6-12; Sl 110[111]; Lc 10,25-37) 27ª Semana do Tempo Comum.
“Ele, porém, querendo justificar-se,
disse a Jesus: ‘E quem é o meu próximo?’” Lc 10,29.
“Jesus
dá-nos o preceito de amar nosso próximo e para que pudéssemos fazer melhor,
quer ensinar-nos quem é o nosso próximo; para isso propõe-nos a parábola do
samaritano. As relações entre judeus e samaritanos não eram cordiais, como
dissemos. Um ódio inveterado separava-os desde há séculos. Ao voltarem os
judeus do exílio da Babilônia, tinham começado a reconstrução do templo de
Jerusalém e recusado a colaboração dos samaritanos, considerando-os meio
idólatras. Desde então tinha-se aberto, entre ambos os povos, um abismo. Os
samaritanos tinham construído um templo por contra própria, no monte Garizim, e
os judeus evitavam o contato com os samaritanos, a ponto de até evitar a
passagem por Samaria, quando iam da Galileia para Jerusalém. Consideravam-nos
como pagãos e não os admitiam na categoria de próximo. Jesus, mostrando-nos o
samaritano, que se inclina sobre o pobre judeu ferido e abandonado à beira da
estrada e cuidando dele como de um irmão, quer ensinar-nos que nosso próximo é
não só os amigos e compatriotas, mas também os estrangeiros, ainda que
inimigos. E, portanto, também a eles há de estender-se nossa caridade. A
caridade cristã não deve excluir ninguém; todos somos igualmente filhos de Deus
e consequentemente ‘todo homem é meu irmão’ e se é meu irmão, devo tê-lo como
tal, devo ajuda-lo, devo tratá-lo, devo amá-lo como tal. ‘Vós sois todos
irmãos’ (Mateus 23,8). Só a caridade de Jesus Cristo pode irmanar os povos e
cicatrizar as feridas da pobre humanidade. Quantos sofrimentos já causou o ódio
dos povos! Quantas famílias desunidas e separadas porque nelas não vibra a
caridade evangélica! Quantos corações humanos nos quais aninha-se a maldade, a
vontade contraditória, os maus desejos! Quantos irmãos desunidos por vis interesses
materiais! Quantos esposos vivem corporalmente juntos, porém com almas e afetos
efetivamente separados. Tudo isso por falta de caridade, por não cumprir o
mandamento divino: ‘Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo’ (Jo 15,12)”. (Alfonso Milagro – O Evangelho
meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).
Pe.
João Bosco Vieira Leite