Quinta, 15 de outubro de 2026

(Ef 1,1-10; Sl 97[98]; Lc 11,47-54) 28ª Semana do Tempo Comum.

“Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis

sob seu olhar, no amor” Ef 1,4.

“Começamos hoje a leitura da importante Carta aos Efésios, escutando a primeira parte do seu grandioso hino de abertura, que contempla o projeto salvífico divino em atuação desde a ‘criação do mundo’ (v. 4). É preciso notar que Deus Pai é o único sujeito da atuação divina, de modo que a salvação deve-se verdadeiramente ‘ao desígnio da sua benevolência’ (v. 6), e que Cristo é o mediador exclusivo dela, como é lembrado em cada versículo. Não existe atuação salvífica do Pai que não seja ‘em Cristo’. [Compreender a Palavra:] A nossa existência não é fruto do acaso, mas de um projeto salvífico, originado da incondicional gratuidade de Deus e chamado em toda Carta (tal como na tradição apocalíptica) de ‘mistério’ (v. 9). Em Dn 2, de fato, Deus revela ‘os mistérios’ futuros da Sua vontade ao vidente Daniel. No contexto de hoje, porém, o termo ‘mistério’ é utilizado no singular, e não diz respeito a algo a realizar e conhecido só do vidente, mas algo já realizado, contemplado pela inteira comunidade crente. De fato, o mistério cumpriu-se ‘em Cristo’ e consiste em estarmos associados ao Seu estatuto de Filho (v. 5). Este projeto guiou a própria Criação do mundo, a qual encontra em Cristo o seu cumprimento de sentido (v. 10). Mediante a doação da Sua vida, Cristo realiza também a redenção dos pecados (v. 7), mas tal acontecimento importantíssimo, repetimo-lo, não é a única razão da sua mediação: ao invés, ele está implicado no projeto divino original de nos tornar Seus filhos no Filho” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite