(Ef 1,1-10; Sl 97[98]; Lc 11,47-54) 28ª Semana do Tempo Comum.
“Em Cristo, ele nos escolheu, antes da
fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis
sob seu olhar, no amor” Ef 1,4.
“Começamos
hoje a leitura da importante Carta aos Efésios, escutando a primeira parte do
seu grandioso hino de abertura, que contempla o projeto salvífico divino em
atuação desde a ‘criação do mundo’ (v. 4). É preciso notar que Deus Pai é o
único sujeito da atuação divina, de modo que a salvação deve-se verdadeiramente
‘ao desígnio da sua benevolência’ (v. 6), e que Cristo é o mediador exclusivo
dela, como é lembrado em cada versículo. Não existe atuação salvífica do Pai
que não seja ‘em Cristo’. [Compreender a Palavra:] A nossa existência não é
fruto do acaso, mas de um projeto salvífico, originado da incondicional
gratuidade de Deus e chamado em toda Carta (tal como na tradição apocalíptica)
de ‘mistério’ (v. 9). Em Dn 2, de fato, Deus revela ‘os mistérios’ futuros da
Sua vontade ao vidente Daniel. No contexto de hoje, porém, o termo ‘mistério’ é
utilizado no singular, e não diz respeito a algo a realizar e conhecido só do
vidente, mas algo já realizado, contemplado pela inteira comunidade crente. De
fato, o mistério cumpriu-se ‘em Cristo’ e consiste em estarmos associados ao
Seu estatuto de Filho (v. 5). Este projeto guiou a própria Criação do mundo, a
qual encontra em Cristo o seu cumprimento de sentido (v. 10). Mediante a doação
da Sua vida, Cristo realiza também a redenção dos pecados (v. 7), mas tal
acontecimento importantíssimo, repetimo-lo, não é a única razão da sua
mediação: ao invés, ele está implicado no projeto divino original de nos tornar
Seus filhos no Filho”
(Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] –
Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite