Terça, 06 de outubro de 2026

(Gl 1,13-24; Sl 138[139]; Lc 10,38-42) 27ª Semana do Tempo Comum.

“O Senhor, porém, lhe respondeu: ‘Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas’” Lc 10,41.

“Lucas sabe do perigo de nos desgastarmos ajudando os outros para tranquilizar algum escrúpulo falso. Pensamos, então, que temos de salvar o mundo inteiro. Estamos diante do dilema: a nossa consciência falsa nos impele a ajudar, mas não temos condições para ajudar a todos. Por isso Lucas coloca a história de Maria e Marta como polo oposto a um ideal exagerado de ajuda (Lc 10,38-42). Marta é a mulher hospitaleira, que arregaça as mangas, que cuida mesmo dos hóspedes. A hospitalidade era muito apreciada na Antiguidade. Marta, portanto, faz o que está certo, o que alegra os outros. Mas ela não enxerga o que o hóspede deseja. A sua dura crítica à sua irmã Marta, que simplesmente está sentada aos pés de Jesus, escutando o que ele tem a dizer, mostra que a sua ajuda não é totalmente desinteressada. O seu melindre sugere que ela, com o seu esforço, gostaria de merecer a atenção e ser elogiada pelo visitante. O que ela quer é fazer boa figura, em comparação com outras anfitriãs. Não se preocupa com o encontro do momento, mas com o que vem depois, com a boa fama que ela, por seu modo de agir, quer fundamentar. E talvez esteja preocupada com sua má consciência, que ela gostaria de tranquilizar ajudando os outros. Muitos escondem-se por trás de seus muitos trabalhos – que sem dúvida têm sentido e servem aos outros – para assim se protegerem contra qualquer crítica. Já não querem se deixar questionar, não querem mais escutar o que, afinal, Deus deseja deles” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).

Pe. João Bosco Vieira Leite