29º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 45,1.4-6; Sl 95[96]; 1Ts 1,1-5; Mt 22,15-21)*

1. Na sociedade pagamos impostos e taxas. Muitos. Muitas vezes. Mas abramos os olhos para a realidade. Os mais altos impostos não são aqueles que pagamos ao Estado para que se construa estradas melhores, cuide das escolas e da saúde pública, cuide da segurança, ajude aos mais necessitados e tantas outras coisas necessárias que apenas o Estado pode e deve realizar.

2. Há muitos outros impostos que não pagamos sob a forma de dinheiro e que são igualmente muito importantes. Quantas vezes, por respeito humano, não nos atrevemos a dizer o que verdadeiramente pensamos? E preferimos nos calar, guardar silêncio.

3. Aí pagamos um imposto muito alto, vendemos nossa própria autenticidade, nossa liberdade. Tudo isso para que os demais continuem nos aceitando, tudo isso para nos adaptarmos a eles.

4. Pagar imposto a César não era apenas dar-lhe a moeda. Era tornar-se servo dele, obediente às normas. Significava ser seu escravo. Por isso, Jesus pergunta ironicamente de quem era a esfinge que aparecia na moeda. Se fosse de César, então que se devolvesse a moeda a César.

5. Mas, a César devia-se dar apenas o dinheiro, não a vida, nem a honra e nem a liberdade. Tudo isso pertence a Deus e a ninguém mais. A vida, a honra e a liberdade são os dons que Deus colocou em nossas mãos.

6. É nossa responsabilidade devolvê-los a Deus acrescido, cuidados e elevados à sua plenitude. Esse é o imposto que foi preparado para nós por Deus: que levemos nossa vida e nossa liberdade à sua plenitude.

7. Hoje o Evangelho nos coloca uma questão básica: a quem servimos? A quem pagamos os impostos mais valiosos? E continuo sem referir-me aos que pagamos ao Estado. Esses são necessários. Nós os pagamos com dinheiro.

8. Os maus impostos são os que pagamos ao “que dirão de nós os outros” ou ao egoísmo. Esses, nós os pagamos com a nossa liberdade, renunciando a ela. No final, terminamos como escravos desses senhores. E renunciamos aos melhores bens que Deus nos deu: a liberdade e a vida.

9. Jesus nos pede que não nos esqueçamos de dar a Deus aquilo que é de Deus: a vida que vivemos; a vida de nossos irmãos e a liberdade a que somos chamados. Todos esses dons de Deus pertencem-lhe.

10. E, no final, quando chegar o momento derradeiro, deveremos devolvê-los a Ele, enriquecidos e levados à plenitude. Minha vida e a dos meus irmãos e irmãs. Minha liberdade e a de meus irmãos e irmãs.

11. Sinto-me livre para agir como acho que devo agir? Ou me deixo levar por aquilo que fazem os outros? Como cuido da vida e da liberdade de meus irmãos e irmãs? De minha família? Reconheço a Deus como meu Senhor? Sou escravo de outros senhores? De quais?     

* Fernando Torres, CMF

Pe. João Bosco Vieira Leite