4º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Sf 2,3; 3,12-13; Sl 145[146]; 1Cor 1,26-31; Mt 5,1-12) *

1. Neste domingo iniciamos o famoso Sermão da Montanha, com as chamadas bem-aventuranças. Elas começam com a célebre frase: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus”. Tal expressão de Jesus deve ser entendida em toda a sua extensão.

2. Pobreza é uma palavra ambivalente. Pode significar duas coisas diametralmente opostas: a pobreza como condição social imposta, que desumaniza, a qual devemos sempre combater; e a pobreza como escolha livre, como estilo de vida. Aqui vamos refletir sobre esse segundo aspecto, da pobreza positiva.

3. Na Bíblia, não se fala da pobreza material como uma escolha de vida antes da vinda de Cristo. Ao máximo se fala do dever de socorrer os pobres, nunca de fazer-se voluntariamente pobre. Por quê? Simples, poque ainda não tinha vindo o Reino do Céu!

4. Não existia ainda aquele motivo superior, aquele bem infinitamente maior, pelo qual seria racional renunciar, se necessário, a todos os outros bens, ou mesmo a um olho, uma mão e à vida mesmo. Jesus provoca essa inversão de todos os valores.

5. É a riqueza que não passa, que a traça não corrói, que não pode ser roubada; que não se deixa a outros, mas que se leva consigo; é o ‘tesouro escondido’, a ‘pérola preciosa’ pela qual vale a pena vender tudo para possuí-la. O Reino dos Céus, em outras palavras, é Deus mesmo.

6. Esse Reino do Céu provocou uma mudança radical e abriu novos horizontes, gerando um impacto parecido com a descoberta de um novo continente ao final do século XV. Os velhos valores do mundo – dinheiro, poder, prestígio – sofrem mudanças, relativizam-se, e são até renegados, por causa da chegada do Reino.

7. Nessa inversão de valores, os pobres saem em vantagem, pois não têm nada a perder e estão prontos a acolher a novidade sem temer as mudanças. Estão mais dispostos a acreditar naquilo que canta Maria em seu Magnificat: “Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes, sacia de bens os famintos, despede os ricos sem nada...”.

8. Maria canta como se tudo já tivesse acontecido. No entanto, ao longo da história não testemunhamos nenhuma mudança do tipo. Ao contrário, os poderosos seguem em seus tronos. Mas olhando as coisas com certa distância, sabemos que muito dessa prepotência de alguns, simplesmente foi esvaziada com o tempo. Algumas revoluções não são tão visíveis.

9. Há aspectos da realidade que não colhemos a olho nu, mas com a ajuda de uma luz especial. Ela nos é oferecida pelo Evangelho, particularmente pelas bem-aventuranças. Ela nos dá uma imagem diferente do mundo, convidando-nos a olhar o que está em baixo ou um pouco além da fachada. Distinguir o que fica do que passa.

10. Mas não se trata só de observar, mas de praticar. Para além dessa escolha livre que alguns ainda fazem de uma pobreza e simplicidade de vida, é possível sempre praticar a sobriedade, a moderação, dizer não ao desperdício, ao consumismo, ao luxo ostensivo que é um insulto a tanta gente pobre.

11. Não é a abundância de bens materiais que por si só exclui do Reino, mas o mau uso: quando não se pensa nos outros. Jesus fala da experiência da alegria do coração não só no outro mundo, mas neste em que vivemos. Francisco de Assis conjugou em sua vida essa perfeita alegria e fraternidade universal. Ter tudo sem nada possuir.

12. Coisas demais, necessidades inúteis e artificiais causam dependência e nos tornam incapazes de qualquer renúncia, e adaptação a mudanças. Sufocam os valores mais profundos e nos tornam escravos das necessidades. A felicidade não consiste em poder satisfazer todas as necessidades, mas de ter menos necessidades possíveis a satisfazer.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 31 de janeiro de 2026

(2Sm 12,1-7.10-17; Sl 50[51]; Mc 4,35-41) 3ª Semana do Tempo Comum.

“Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: ‘Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?’” Mc 4,41.

“Depois do ensino em parábolas (cf. Mc 4,1-34), abre-se no Evangelho de Marcos uma sequência de textos sobre a atividade e sobre os milagres de Jesus (4-35—6,6a). O tema da ‘barca’ – introduzido no versículo 4,1 e particularmente relevante no texto da liturgia hodierna (a palavra aparece quatro vezes no texto grego, nos vv. 36 e 37) – unifica toda a seção, até ao capítulo 8,26. Jesus domina as forças do mar, tal como o Senhor Deus, no Antigo Testamento, imperava sobre as águas do mar Vermelho (cf. Ex 14) e do rio Jordão (cf. Js 3; Sl 73,13-14; etc.). [Compreender a Palavra:] A narração da tempestade acalmada apresenta-se, não só como o relato de um episódio da vida pública de Jesus, mas presta-se também a uma rica interpretação simbólica. É evidente, antes do mais, todo o significado eclesiológico da imagem da ‘barca’, sobre a qual os discípulos passam para a outra margem juntamente com Jesus, e são evidentes os valores simbólicos do ‘sono’ do Mestre (figura da ausência pascal d’Aquele que ressuscitará e fará ressuscitar dos mortos). Além disso, o ‘mar’, no conceito bíblico, é a morada dos poderes do mal, sobre o qual só Deus exerce o Seu poder. Na autoridade de Jesus sobre as forças da Natureza manifesta-se o domínio de Deus sobre os elementos da Criação, e também a Sua vitória sobre tudo o que é demoníaco. Basta que Jesus repreenda o vento e imponha silêncio às águas para que volte a bonança. Jesus torna consciente os Seus discípulos de que o medo demonstra a sua falta de fé n’Ele. Jesus é não só o seu Mestre, mas também Aquele ‘ao qual até o vento e mar lhe obedecem’. Trata-se de uma teofania que enche os discípulos de temor reverencial” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 30 de janeiro de 2026

(2Sm 11,1-10.13-17; Sl 50[51]; Mc 4,26-34) 3ª Semana do Tempo Comum.

“Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo,

mas ele não sabe como isso acontece” Mc 4,24.

“Quando Jesus proclamava o Reino de Deus, seus ouvintes eram tentados a ligar esse Reino a feitos grandiosos. A opressão a que estavam submetidos, havia séculos, fizeram-nos alimentar um anseio de libertação urgente. A pregação de Jesus veio de encontro a este anseio. O povo queria ver a libertação acontecer por meio de fatos concretos. O primeiro deles seria o fim da dominação romana e do sistema de privilégios acobertado por ela. Aguardavam, pois, a implantação de uma sociedade sem excluídos. Jesus, porém, dava mostras de não estar interessado em se envolver numa briga com os romanos. Contentava-se em conclamar o povo para a fraternidade, promovendo uma batalha sem tréguas contra toda a forma de egoísmo. Além disso, ao curar as doenças do povo e exorcizar os possessos buscava tirar as pessoas da marginalização, religiosa e social, a que estavam relegadas, recuperando-as para a plena participação. A parábola do grão que cresce fora do controle do agricultor chama a atenção para a eficácia do Reino que age de maneira escondida nos meandros da história humana. Desta forma, Jesus questionava seus ouvintes, desafiando-os a terem uma sensibilidade mais apurada para o que estava acontecendo. Estando bem atentos, haveriam de se dar conta de que a opressão estava sendo minada em seus alicerces, e que o tão sonhado mundo novo da fraternidade já havia despontado. – Pai, dá-me sensibilidade para perceber teu Reino acontecendo no meio de nós, aí onde lutamos para a construção de uma sociedade mais humana e fraterna (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 29 de janeiro de 2026

(2Sm 7,18-19.24-29; Sl 131[132]; Mc 4,21-25) 3ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus dizia ainda: ‘Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes,

também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais” Mc 4,24.

“Essa norma, que Jesus aqui nos assinala, além de ser sumamente justa e equitativa, tem uma aplicação muito prática para a nossa vida cristã. Somos muito exigentes para com os outros, muito severos com seus atos e sua maneira de agir, exigimos deles o que nós não somos capazes de dar; supomos neles intenções e mobilidades, que nunca imaginaram, causando com isso frequentes e graves desgostos ao nosso próximo. Pelo contrário, assim como somos exigentes com os outros, somos tolerantes conosco mesmos; nós sabemos dissimular facilmente; encontramos justificativas para inocentar nossa maneira de proceder. Jesus indica-lhes a norma com a qual você será julgado: se quiser indulgência para você, seja compassivo com os outros; se quiser compreensão, cuide de entender os outros; se quiser que o/a perdoem, comece você mesmo a perdoar; se quiser ser amado(a), ame você primeiro” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 28 de janeiro de 2026

(2Sm 7,4-17; Sl 88[89]; Mc 4,1-20) 3ª Semana do Tempo Comum.

“Escutai! O semeador saiu para semear” Mc 4,3.

“O texto compõe-se de duas partes, cada uma das quais inclui duas unidades paralelas: os versículos 1-2 (A) descrevem as circunstâncias do ensinamento de Jesus; ao passo que nos versículos 3-9 (B) é exposta a parábola, com o estilo repetitivo da retórica semítica. Na segunda parte (vv. 10-13: A’), as circunstâncias exteriores mudam: Jesus, sozinho com os Doze, expõe os motivos do ensinamento em parábolas e sucessivamente (vv. 14-20: B’) explica-lhes o significado da parábola do semeador. [Compreender a Palavra:] Para compreender o ensinamento de Jesus é necessário não só escutar com atenção, como dispor-se acolhê-lo com atitudes adequadas. Isto ilustra a parábola: o fruto depende das condições da terra que recebe a semente. Jesus interpela e desafia os Seus ouvintes dizendo: ‘Que tem ouvidos para ouvir, ouça’, porque Ele explica ‘aos de fora’, isto é, aos que não estão ‘convosco’ (os que O seguiam e aos Doze); tudo é exposto em enigmas: por outras palavras, não comprometer-se não permite compreender e, portanto, torna impossível a conversão e o perdão” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 27 de janeiro de 2026

(2Sm 6,12-15.17-19; Sl 23[24]; Mc 3,31-35) 3ª semana do Tempo Comum.

“Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram:

‘Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura’” Mc 3,32.

“A procura de Jesus, por parte de sua mãe e irmãos, à primeira vista prece ter sido inconveniente e inútil. Inconveniente, por ter acontecido numa hora em que o Mestre estava rodeado por muita gente. Afastar-se, naquele momento, significava interromper o ensinamento dirigido ao povo. Inútil, por que, para ele, os laços de sangue tinham pouca importância. Logo, não havia motivo para dar-lhes um tratamento especial. Entretanto, as coisas não foram bem assim. A chegada da mãe e dos irmãos de Jesus serviu-lhe de motivo para dar um ensinamento de extrema importância: o relacionamento entre os discípulos do Reino teria como ponto de referência a prática da vontade do Pai. Esta seria a maneira pela qual deveria articular-se o novo povo de Deus, para além de parentescos sanguíneos ou da pertença a este ou aquele povo. Doravante, a submissão à vontade do Pai, explicitada nas palavras do Filho, seria a forma de vincular-se ao Reino. É incorreto interpretar as palavras de Jesus como uma forma de desprezo aos seus familiares. Se assim fosse, estaria indo na contramão da mais elementar piedade bíblica, a qual incluía o respeito aos genitores como algo quase sagrado, e da cultura judaica, fortemente alicerçada nas relações familiares. Portanto, a procura de sua mãe e de seus irmãos foi de grande utilidade para Jesus, pois motivou-o a ensinar que os laços sanguíneos devem ser submetidos a algo muito mais radical e abrangente: a fidelidade a Deus. – Pai, ensina-me a pautar minha vida pela fidelidade à tua vontade, para que eu faça parte de tua família, fundada pela ação de Jesus” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 26 de janeiro de 2026

(2Tm 1,1-8; Sl 95[96]; Lc 10,1-9) Santo Timóteo e Tito, bispos.

“... curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’” Lc 10,9.

“O discípulo é um caminhante que prepara o caminho por onde o Senhor há de passar: o anúncio dos caminhantes é a paz: Jesus Cristo é a paz. O Reino de Deus chegou com a missão dos discípulos que expandem sua atividade; a todos hão de anunciar a boa notícia de que ‘o Reino de Deus está próximo’ (v. 09). Você não deve considerar o Reino de Deus como algo distante, ou como algo que não pertença a você, como algo com que você não tenha nada a ver. O Reino de Deus está próximo, muito perto de você, está dentro de você mesmo; o Reino de Deus não é uma atitude externa, ou uma série de obras, ou de costumes aos quais devemos conformar-nos; o Reino de Deus no qual reina verdadeiramente o amor: o amor a Deus e o amor ao próximo. Este amor conscientemente vivido e eficientemente manifesto será razão de ser e o motivo de todas as nossas ações externas, que nele alcançarão valor e mérito. O Reino de Deus é também algo seu, não é alheio a você; não pode você adotar em relação ao Reino de Deus uma atitude de quem dele pode prescindir; não é algo que nada tenha a ver com você ou que não deva interessa-lo. O Reino de Deus é estabelecer em seu coração uma união vital com Deus; união vital que abranja toda a vida, que se projete em toda a vida, em todas as circunstâncias da vida” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

3º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 8,23—9,3; 1 Cor 1,10-13.17; Mt 4,12-23) *

1. Mateus nos introduz brevemente no início do ministério de Jesus e conclui com essas palavras: “Jesus andava por toda Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo”

2. Cerca de 1/3 do Evangelho se ocupa das curas que Jesus realizou em sua breve vida pública. É impossível eliminar esses milagres ou dar-lhes uma explicação natural, sem desestabilizar o Evangelho e torna-lo incompreensível.

3. Os milagres do Evangelho têm características inconfundíveis. Não são realizados para impressionar ou exaltar a aquele que os realiza. Comumente Jesus ordena guardar segredo, para evitar entusiasmos excessivos e, muitas vezes após realizar um milagre ele se esconde, fazendo desparecer assim seus vestígios.

4. Não são poucos os que buscam e se deixam encantar de certos personagens capazes de realizar levitações, de fazer aparecer e desparecer objetos, e outras coisas do gênero. A que serve esse tipo de milagre, se é que podemos chamar como tal? A ninguém, ou só a quem o pratica, para fazer discípulos ou para fazer dinheiro.

5. Jesus opera milagres por um motivo muito simples: por compaixão, porque ama as pessoas e se comove até às lágrimas, ao ver seu sofrimento. Realiza milagres para ajudar as pessoas a reconhecerem a presença do Reino de Deus e para crerem.

6. Realiza curas, enfim, para anunciar que Deus é o Deus da vida e que ao fim, juntamente com a morte, também a doença será vencida, e não haverá mais “luto nem pranto”. Não só Jesus cura, mas ordena aos seus apóstolos que façam o mesmo. Em seu envio, duas coisas vão associadas: pregar o Evangelho e curar os enfermos.

7. E assim foi ao longo da história da Igreja. Os cristãos não se contentaram em apenas pregar o Evangelho, mas buscaram aliviar os sofrimentos humanos fundando obras assistenciais de todo tipo: leprosários, hospitais, particularmente nos países de missão.

8. Mas poderíamos questionar: era isso que entendia Jesus aos enviá-los? Não falava de impor as mãos para curar? É verdade, e isso ocorreu por um tempo. Pouco a pouco, o dom de poder realizar curas cessou para ser reconhecido só em certos santos taumatúrgicos, isto é, realizadores de prodígios, como S. Antônio de Pádua, ou mesmo em certos santuários.

9. Hoje, assistimos um certo “despertar do Espírito” em alguns grupos de linha carismáticas, onde o dom da cura se faz presente, ainda que quem o exercita não seja necessariamente um santo, ou o mais santo entre os demais. Em Mt 7,21-23, o próprio Jesus reprova aqueles que profetizaram, realizaram milagres, mas cujo viver não corresponde ao poder recebido.

10. O ser humano tem dois meios para procurar superar suas enfermidades: a natureza e a graça. Natureza indica inteligência, a ciência, a medicina, a técnica; a graça indica o recorrer diretamente a Deus, através da fé, da oração e dos sacramentos. Entre ambos, natureza e fé, está Deus, porque também a engenhosidade humana vem d’Ele.

11. Há quem busque a magia, em supostos poderes de alguém, que não se baseia nem na ciência nem na fé. Por vezes nos encontramos diante do charlatanismo ou pior, na ação do inimigo de Deus. Muitos acabam economicamente e psicologicamente destruídos. Em tudo isso se exige bastante discernimento e prudência. Muitas ilusões e sentimentos não muito claros se infiltram nesse terreno.

12. O fato de não se alcançar uma cura não nos deve levar a conclusões precipitadas do tipo: ausência de fé ou mesmo de ser menos amado por Deus. Os médicos calculam hoje que S. Francisco, ao morrer, tinha doenças diversas e todas graves.

13. A força de Deus não se manifesta só de um modo – eliminando o mal ou a doença – mas também na capacidade de suportar ou conviver, e por vezes na própria alegria de levar em si a própria cruz de Cristo. Ele redimiu também pelo sofrimento e pela morte. O sofrimento não é sinal de pecado, mas instrumento de redenção. Mesmo aqui Deus faz seus santos.

14. Há muitos que para além desses personagens carismáticos da nossa Igreja, buscam a cura na Eucaristia, e como aquela mulher do Evangelho, buscam não apenas tocar em seu manto, mas receber todo o seu corpo e sangue. Buscam o sacramento dos enfermos. Seja qual for a sua enfermidade, aqui rezamos uns pelos outros para que o Senhor nos levante.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.   

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 24 de janeiro do 2026

(2Sm 1,1-4.11-12.19.23-27; Sl 79[80]; Mc 3,20-21) 2ª Semana do Tempo Comum

“Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si”

Mc 3,20.

“A seção de Marcos que começamos a ler é toda dominada pelo confronto entre os discípulos, a multidão, os adversários, os parentes. Marcos gosta muito de construir as suas narrações com um procedimento em camadas: começa uma narração, interrompe-a para contar outra; depois retoma a narração interrompida e conclui-a. Com este procedimento a narração que serve de moldura ilumina o que está no centro e vice-versa (cf. Mc 3,20-21.22-30.31-35). [Compreender a Palavra:] A cena é situada numa casa, porventura a de Pedro. Em casa, lugar de familiaridade, Jesus instrui os discípulos (cf. Mc 7,17; 9,28.33). Também as multidões se reúnem (cf. Mc 2,1.15). A multidão já foi definida ‘o pano de fundo da atividade de Jesus’. A insistência e a obsessão das pessoas ao redor de Jesus são tão fortes que o Mestre e os discípulos ‘nem sequer podiam comer’ (Mc 6,51). Neste ponto entram em cena os parentes de Jesus, com toda probabilidade vindos de Nazaré, decididos a acabar com a atividade de Jesus, levando-O para casa. Com efeito tinha-se espalhado de que estava fora de Si. Também esta expressão é de difícil compreensão: indica um equilíbrio instável que suscita surpresa (cf. Gn 27,33); espanto (cf. Gn 45,26); medo (cf. Ex 23,27); preocupação (cf. 1Sm 4,13); inquietação (cf. Dn 2,1-3); terror (1Rs 9,8). Tudo o que Jesus faz (uma ação cheia de autoridade: cf. Mc 1,27) suscita admiração e ao mesmo tempo um juízo condenatório” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 23 de janeiro de 2026

(1Sm 24,3-21; Sl 56[57]; Mc 3,13-19) 2ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele” Mc 3,13.

“A frase evangélica – ‘Chamou para junto de si os que ele mesmo quis’ – pode ser objeto de mal-entendidos. À primeira vista, podemos ser levados a tomá-la como expressão de um voluntarismo do Mestre, cujo querer se impunha. Pode-se suspeitar, igualmente, dos critérios usados na escolha de seus ‘queridos’. Ou julgar como esquisitice o seu gesto, quando se pensa que, segundo o costume da época, os discípulos é que escolhiam os próprios mestres, e não vice-versa. No entanto, considerando o conjunto da cena, descobrimos que o sentido da afirmação é bem outro. Diferentemente dos demais mestres, a intenção de Jesus era formar um grupo de companheiros de missão, e não ter discípulos no estilo dos rabinos. Daí, a necessidade de ser dele a iniciativa da escolha, considerando o relacionamento interpessoal estabelecido entre eles. Em todo caso, fica difícil determinar os critérios que Jesus usou na escolha. Analisando com atenção o elenco dos apóstolos, deparamo-nos com nomes de pessoas do povo, gente simples, sem projeção social. Com o passar do tempo, cada qual iria revelar sua personalidade, e mostrar-se como pessoas que estavam longe da perfeição. Escolhendo gente pouco expressiva, Jesus se espelhava no modo de agir de Deus, ao longo da história da salvação. Para realizar seus grandes feitos, o Pai havia contado com mediações humanas precárias. O mesmo acontecia com Jesus! – Pai, apesar da minha fraqueza, sei que contas comigo para o serviço do teu Reino. Vem em meu auxílio, para que eu seja um instrumento útil em tuas mãos. (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 22 de janeiro de 2026

(1Sm 18,6-9; 19,1-7; Sl 55[56]; Mc 3,7-12) 2ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus se retirou para a beira do mar junto com os seus discípulos. Muita gente da Galileia o seguia” Mc 3,7.

“O Senhor queria formar seus discípulos mais profunda e amplamente que o povo em geral; seus apóstolos deviam ser não somente os confidentes, mas também os depositários de sua doutrina e de sua palavra. Por isso, formou-os com cuidado especial e com maior esmero, tanto que logo disse a eles que já tinha revelado todos os segredos, nada mais tinha a dizer-lhes, pois tudo que o Pai recomendara, já lhes tinha dito. [...] Jesus quer retirar-se com você para conversar, para manifestar-lhe suas intimidades e participar-lhe seus planos e projetos apostólicos; isso exigirá que você também se retire com Jesus para a oração e a contemplação, a fim de colocar numa mesma sintonia com ele e assim poder converter você verdadeiramente em seu apóstolo” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 21 de janeiro de 2026

(1Sm 17,32-33.37.40-51; Sl 143[144]; Mc 3,1-6) 2ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus, então, olhou a seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; [...]” Mc 3,5.

“Pode parecer que essa expressão de indignação não seja própria de Jesus, que é todo bondade e misericórdia. No entanto, nós a lemos no evangelho. É que existem certas atitudes que o coração de Deus não suporta; uma delas é a dureza de coração, que provém da soberba. Já em outra parte da Bíblia, lemos que ‘Deus resiste aos soberbos e dá sua graça aos humildes’ (‘Pedro 5,5; Tiago 4,6). E que homem poderia resistir a um olhar cheio de ira de Deus? Não haverá hoje em dia em nossa vida, em nossos costumes, coisas que irritem os olhos de Deus?” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 20 de janeiro de 2026

(1Sm 16,1-13; Sl 88[89]; Mc 2,23-28) 2ª Semana do Tempo Comum.  

“Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu Davi na presença dos seus irmãos. E, partir daquele dia,

o espírito do Senhor se apoderou de Davi...” 1Sm 16,13.

“Segundo uma pedagogia muito conhecida na Escritura, a opção de Deus recai sobre o mais pequeno. Deus não olha para o aspecto físico nem para a força, mas para o coração. Assim Samuel é guiado por Deus a deixar de lado sete filhos de Jessé e a escolher o oitavo, Davi, o mais pequeno, ignorado nos campos a guardar o rebanho enquanto o profeta visita a sua família. [Compreender a Palavra:] A cena da unção de Davi recorda Saul (cf. 1Sm 9,10). Em ambos os casos existe uma ordem divina e o contexto da eleição é uma refeição sacrificial; também o gesto de unção é comum. O pormenor dos animais é curioso: Saul procurava as jumentas (sinal de realeza), Davi apascenta o rebanho (outro sinal clássico da realeza, enquanto o rei é o pastor do povo). Entre os dois episódios existem notáveis diferenças. A mais importante diz respeito à identidade do escolhido, cujas características não correspondem de modo algum às de um rei, o qual, antes de mais, era o chefe do exército. Não há nenhum sinal em Davi que faça pensar num sucessor de Saul. Pelo contrário, ele tem um aspecto de um adolescente, mas sobre ele repousa o Espírito e a escolha do Senhor. Nota-se a dificuldade de Samuel que primeiro julga só com olhos humanos e, depois, se deixa guiar docilmente pelo Senhor na escolha do Seu eleito” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 19 de janeiro de 2026

(1Sm 15,16-23; Sl 49[50]; Mc 2,18-22) 2ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus respondeu: ‘Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar” Mc 2,19.

“A intransigência dos fariseus, quanto à prática do jejum, foi firmemente rejeitada por Jesus. Para darem prova de piedade, certos fariseus e certos discípulos de João Batista exageravam na prática de jejuns obrigatórios. E se admiravam por que os discípulos de Jesus não faziam o mesmo. O jejum tem uma forte conotação de penitência, de recolhimento e de interiorização. Em torno desta prática, cria-se um clima especial que ajuda o jejum a atingir seu objetivo: levar a pessoa a se tornar senhora de si mesma, dominar seus instintos e suas paixões. Embora desejando que os discípulos tivessem autocontrole, Jesus preferia que, em torno dele, houvesse um clima festivo de alegria. Daí ter falado de sua presença no meio deles servindo-se da metáfora da festa de casamento. Era assim que a piedade popular entendia os tempos messiânicos. Os ditados a respeito de vestidos e vinhos novos e velhos também situam-se neste ambiente de festa.  A presença do Messias Jesus deveria levar o discípulo a superar toda tristeza. Com o Mestre, renascia esperança, pois a Boa Nova do Reino descortinava um horizonte novo. Por conseguinte, seria insensato ficar multiplicando jejuns e penitências, quando era tempo de empenhar-se, festivamente, na vivência do amor e da fraternidade. – Pai, a presença de Jesus na nossa história é motivo de grande alegria. Que a minha alegria consista em construir um mundo do amor e de fraternidade, como ele nos ensinou (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 17 de janeiro de 2026

(1Sm 9,1-4.17-19; 10,1; Sl 20[21]; Mc 2,13-17) 1ª Semana do Tempo Comum.                      

“Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: ‘Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes.

Eu não vim para chamar os justos, mas sim os pecadores” Mc 2,17.

“Reaparecem neste texto evangélico alguns temas já encontrados nos primeiros capítulos da narração de Marcos: o mar (lugar onde Jesus chamou os seus primeiros discípulos); a multidão (que de novo rodeia Jesus); o ensinamento (característica que distingue o Mestre dos escribas). O evangelista narra agora um novo chamamento, o de Levi, um homem chamado publicano e, portanto, pecador público. Em seguida, Jesus partilha o banquete com os pecadores, explicitando o sentido da Sua missão. [Compreender a Palavra:] A vocação de Levi está escondida nos verbos que Marcos utiliza. Jesus ‘vê’, isto é, conhece, olha em profundidade. Depois é dito o nome do homem: Levi; diz-se qual é o seu trabalho, um cobrador de impostos, um trabalho pouco nobre. Nesta altura a Palavra de Jesus dispara como uma frecha, ordenando a Levi que O ‘siga’. Sem solução de continuidade, o homem obedece (‘Ele levantou-se e seguiu Jesus’) e a Palavra de Jesus realiza-se. Aquele que estava sentado atrás de um posto de cobrança é convidado a levantar-se e a começar uma vida nova. O segundo quadro coloca em cena, na casa de Levi, um grupo de amigos, publicanos e pecadores, desprezados pelos escribas e pelos fariseus. A comunhão que o banquete simboliza mostra uma característica da missão de Jesus: a atenção e a misericórdia para com os pecadores. São mesmo eles, como os doentes necessitados de médico, que precisam, mais do que outros, da intervenção salvífica do Filho de Deus” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Semanas I-XVII] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite


Sexta, 16 de janeiro de 2026

(1Sm 8,4-7.10-22; Sl 88[89]; Mc 2,1-12) 1ª Semana do Tempo Comum.

“E reuniram-se ali tantas pessoas, que já não havia lugar nem mesmo diante da porta.

E Jesus anunciava-lhes a Palavra” Mc 2,2.

“Jesus não guardou para si a palavra do Pai; a boa nova foi difundida por toda a região. Você também recebeu a boa nova da arte de Jesus para comunicá-la aos outros. Toda decepção é amarga; mas a decepção que seu próximo pode sofrer, se você não lhe dá Jesus Cristo, além de ser amarga, será de funestas consequências e de tremenda responsabilidade para você. O profeta no Antigo Testamento proferiu esta queixa: ‘As crianças reclamam pão, e ninguém lho dá’ (Lamentações 4,4). O mundo de hoje pede o pão da fé, o pão da verdade, o pão do amor a Jesus Cristo; todos aqueles que você conhece, absolutamente todos, estão ansiosos, famintos de Jesus Cristo, e a todos você pode levar o conhecimento e ao amor de Jesus Cristo” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 


Quinta, 15 de janeiro de 2026

(1Sm 4,1-11; 43[44]; Mc 1,40-45) 1ª Semana do Tempo Comum.

“Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo” Mc 1,45.

“O assédio das multidões fazia Jesus evitar as cidades e preferir os lugares desertos, para onde acorria quem precisava de sua ajuda. Esta opção explica-se pelo desejo de realizar sua missão com plena liberdade, sem ser pressionado pelos ideais messiânicos, largamente difundidos nos meios populares. O deserto era apropriado para ele se proteger. Mas é possível fazer uma interpretação simbólica desta opção de Jesus. O imaginário da época reportava-se às agruras do êxodo do Egito, quando pensava no deserto. Sendo desabitado, sem vegetação, este se torna perigoso e mortífero. O deserto é lugar de provação. Nele é preciso escolher entre confiar em Deus ou confiar em si mesmo e nas capacidades pessoais de vencer os desafios. A configuração terrível do deserto gerou a crença de que, nele, habita o Diabo, como se fosse o lugar escolhido, por neutro, para o confronto com Deus. As cenas evangélicas da tentação são, por isso, situadas no deserto, para onde Jesus é conduzido pelo Espírito. Escolhendo o deserto como lugar de ação do Mestre, pois a implantação do Reino supunha a derrota das forças diabólicas. Ele as enfrentou e venceu, com destemor. Sinal disto foram as curas e os milagres realizados nas regiões desertas. Com a chegada de Jesus, o Diabo perdeu o poder de oprimir o ser humano. – Pai, dá-me forças para combater e vencer as forças do mal que impedem o Reino de acontecer na minha vida e na história humana (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite


Quarta, 14 de janeiro de 2026

(1Sm 3,1-10.19-20; Sl 39[40]; Mc 1,29-39) 1ª Semana do Tempo Comum.

“E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios” Mc 1,39.

“Todos procuram Jesus; seremos nós caminho para o encontro? A boa nova que Jesus anuncia em sua pregação é nossa salvação. Se alguém é privado da liberdade, e de imediato aparece seu defensor para notificá-lo de que dentro de alguns minutos será libertado, não existe notícia que soe mais agradavelmente a seus ouvidos. Nós, pessoas humanas, achamo-nos privados da nossa liberdade de filhos de Deus, escravos do pecado, sujeitos à condenação; de imediato fomos os receptores do júbilo imenso que a notícia de nossa salvação produzirá em toda humanidade. Jesus é o Salvador e para isso vem: para salvar-nos; ele pagará por nós a dívida de nosso pecado; ele nos devolverá o direto de entrar na casa paterna, que é o céu. Jesus é o Ungido do Senhor. O Senhor escolheu-o, destinou-o a ser o Salvador de seu povo. Algumas gotas desse azeite balsâmico, alguma parte dessa unção caiu sobre sua cabeça, sobre sua vida, que também é destinada a salvar seus irmãos como Jesus Cristo salvou você: preocupando-se por eles, sofrendo por eles, amando-os de todo o coração” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite


Terça, 13 de janeiro de 2026

(1Sm 1,9-20; Sl 1Sm 2; Mc 1,21-28) 1ª Semana do Tempo Comum.

“E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: ‘O que é isso? Um ensinamento novo,

dado com autoridade: ele manda até nos espíritos maus, eles lhe obedecem!’” Mc 1,27.

“A autoridade de Jesus em sua pregação está aliada à autenticidade de seus gestos e palavras. É impossível perceber incoerência entre as palavras e os gestos de Jesus. Jesus procura curar o sofrimento existencial das pessoas que se manifesta na divisão entre puros e impuros, ricos e pobres, letrados e ignorantes. Quando Jesus prega, suas palavras geram liberdade, saúde mental e desejo de segui-lo. Ele liberta as multidões de uma religião do medo, do susto, do infantilismo. Realmente, as palavras e gestos de Jesus não são institucionalizados. Não estão ligados ao templo e nem a nenhum rabino conhecido. O poder manifesto em Jesus procede dele mesmo. Não procede da doutrina que ensina. Jesus não se apresenta como vendedor de crenças, ideologias, nem mesmo um ‘papagaio’ a repetir lições aprendidas nas escolas rabínicas. Não é o momento de retornar a Jesus e aprender a ensinar como Ele falava e agia? (José Antonio Pagola). O caminho de retorno a Jesus é longo, pois exige que nos desvencilhemos de nossas pesadas armaduras, de nossos carunchos, de nossos limos, de nossas crostas que fomos adquirindo e colocando sobre as palavras e os gestos de Jesus. Viramos instituição. Isto nos fez pensar muitas vezes que nossos gestos e palavras se pareciam com os gestos e as palavras de Jesus. Diante desse contexto, a nossa tarefa nos diferentes âmbitos de nossas comunidades e da sociedade é seguir os passos de Jesus. Ele dá autoridade libertadora aos nossos gestos e palavras. – Ó Pai querido, que nossos cultos não ofusquem a beleza do ser humano e procuremos libertar as pessoas de todo mal, pela autoridade e gestos e palavras de Jesus. Amém! (Gilberto Orácio de Aguiar – Meditações para o dia a dia [2017] – Vozes).  

 Pe. João Bosco Vieira Leite


Segunda, 12 de janeiro de 2026

(1Sm 1,-8; Sl 115[116]; Mc 1,14-20) 1ª Semana do Tempo Comum.            

“E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus” Mc 1,18.

“Jesus propõe outra vocação aos discípulos e dá uma nova orientação para a vida deles. ‘Deixaram (...) o pai Zebedeu’ (V. 20), Marcos dá a impressão de que Pedro e André responderam ao chamado de Jesus, deixando para trás os meios de vida, enquanto Tiago e João responderam rompendo os vínculos familiares. Isto não poderia ser exigido de todos, mas o que primeiramente interessa é que a condição de discípulo inclui a exigência de renunciar a tudo aquilo que possa opor-se ao seguimento de Jesus. Jesus não segue critério do mundo. Escolhe os pobres, simples, rudes, ignorantes pescadores, carentes de toda formação humana e influência, uma vez que os homens não se converterão com argumentos e palavras humanas, mas somente pela graça de Deus. Você também foi objeto dessa predileção do Senhor. Você deve responder a esse chamado com a mesma rapidez e generosidade com que responderam os apóstolos; talvez de você não seja exigida a renúncia a todas as coisas; porém, sem dúvida, sua escolha para o apostolado supõe que renuncie a coisas legítimas, a fim de poder exercer seu apostolado eficazmente” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite


Batismo do Senhor – Ano A

(Is 42,1-4.6-7; Sl 28[29]; At 10,34-38; Mt 3,13-17)

1. Passado o Advento e as festas natalícias, estamos agora no umbral do chamado Tempo Comum do ano litúrgico que, ao contrário do que se possa pensar, não é um ‘tempo secundário’, mas fundamental na vida celebrativa da Igreja.

2. Ao longo desse chamado ‘Tempo Comum’, domingo após domingo, contemplamos de perto, episódio após episódio, toda a vida histórica de Jesus, desde o Batismo no Jordão até à Cruz e à Glória da Ressurreição. Isso só é possível porque em cada um dos anos litúrgicos, acompanhamos de maneira semicontínua, um Evangelho inteiro.

3. Neste ano nos é dado a graça de ouvir o Evangelho segundo Mateus, conhecido como ‘Evangelho da Igreja’, dada a grande importância que este Evangelho granjeou na Igreja primitiva, sobretudo devido a clareza e riqueza temáticas dos longos, solenes e pausados discursos de Jesus que nele encontramos, e que constituem um imenso tesouro para a vida da Igreja.

4. Em nosso Evangelho, Jesus aparece em meio da multidão, como verdadeiro Servo do Senhor, solidário com Seu povo e assumindo as suas faltas. João Batista fica confuso, pois ele realiza um batismo de penitência; na verdade esperava um juiz acima do povo, para julgar o povo e não alguém solidário com o povo no pecado.

5. E mais assustador ainda é que Jesus não vem para batizar, mas para ser batizado; é exclusivo de Mateus esse diálogo entre Jesus e João. São as primeiras palavras de Jesus nesse Evangelho. Aqui, o termo justiça indica o plano divino da salvação e a adequação da nossa vontade [obediência] a esse plano.

6. A abertura dos céus e a descida do Espírito evoca e cumpre Is 63,19; a voz que vem do alto, diferentemente de Marcos e Lucas, não se dirige diretamente a Jesus, mas a nós, apresentando o Filho.

7. Diante dos olhos atônitos de João, e também dos nossos, fica, portanto, Jesus que, conosco e no meio de nós, como um de nós, desce ao rio Jordão para ser conosco batizado. Conforme os Atos dos Apóstolos, Jesus ‘fazendo o bem e curando a todos’. Para nos curar, é preciso passar pelo meio de nós. O Jordão é o rio de Cristo e dos cristãos.

8. Para bem ilustrar o Batismo do Senhor, temos o chamado ‘Primeiro Canto do Servo do Senhor’ (Is 42,1-7), que põe em cena Deus e o seu Servo. Ele levará vida em plenitude e Deus mesmo o ampara, leva pela mão e modela. Uma linguagem de criação, confidência e providência.

9. Temos também essa bela expressão: ‘Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pela rua’. A ação do servo não é algo exterior, mas algo que vem dentro, silencioso, aproximando-se das pessoas, descendo ao nível das pessoas, amando as pessoas.

10. Para não esquecer: esta bela missão de Jesus, Batizado com o Espírito no Jordão e declarado Filho Amado, deve ser a nossa bela missão de batizados com o Espírito Santo e filhos amados de Deus.

Pe. João Bosco Vieira Leite


Sábado, 10 de janeiro de 2026

(1Jo 5,14-21; Sl 149; Jo 3,22-30) Semana da Epifania.

“João respondeu: ‘Ninguém pode receber alguma coisa se não lhe for dado do céu’” Jo 3,27.

“Estas palavras pronunciadas por São João Batista, para seus discípulos, são proferidas à maneira de provérbio espiritual: ninguém deve atribuir-se a si mesmo uma honra ou missão superior à que Deus lhe dá. Os discípulos de João sentem certo ciúme, porque Jesus continua atraindo a si maior número de discípulos do que o próprio mestre João. Essa inveja pode ser encontrada também nos discípulos de Jesus, que atualmente procuram evangelizar os diferentes ambientes, ao constatar que outros têm mais sucesso que eles. Não caia nesse erro. Recorde-se que todos nós trabalhamos para o mesmo Senhor, a todos igualmente nos foi conferida uma missão: a de evangelizar uma mesma mensagem, a salvação que Jesus nos trouxe. Essa missão nos veio a todos do céu, veio-nos de cima, foi o mesmo Pai celestial que no-la atribuiu. O que interessa não é que você se esforce por fazer brilhar suas qualidades ou talentos, mas sim que os homens se convertam verdadeiramente, mesmo que não seja graças ao seu trabalho ou à sua ação apostólica. Se se procede com reta intenção, a mesma glória se dá a Deus tanto com o triunfo, quanto com o insucesso, uma vez que a vitória é Deus quem estabelece e não a nossa ação” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).


Pe. João Bosco Vieira Leite


Sexta, 9 de janeiro de 2026

(1Jo 5,5-13; Sl 147[147B]; Lc 5,12-16) Semana da Epifania.

“Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: ‘Eu quero, fica purificado’. E, imediatamente, a lepra o deixou’” Lc 5,13.

“As curas realizadas por Jesus atraíram sobre ele a atenção das pessoas. Sua fama difundia-se cada vez mais, fazendo com que grandes multidões se reunissem a seu redor para ouvi-lo e serem curados por ele. A cura do homem vítima de uma terrível e contagiosa doença de pele deu margem para que sua fama se espalhasse ainda mais. Na sua humildade, e cumprindo uma lei religiosa que proibia aos leprosos aproximarem-se das pessoas sadias, o homem simplesmente prostrou-se com face em terra, assim que viu Jesus. A seguir, dirigiu-lhe uma súplica. No seu pedido, ao mesmo tempo em que reconhecia o poder taumatúrgico do Mestre, o enfermo submetia-se totalmente à vontade dele, colocando sua sorte nas mãos de quem podia restituir-lhe a saúde. Então, movido de compaixão, Jesus desconsiderou as leis religiosas que segregavam os leprosos. Estendendo a mão, tocou o homem doente, declarando seu desejo de vê-lo curado. E o milagre aconteceu! O entusiasmo do povo levava o Mestre a se voltar, com intensidade, para Deus. Também desta vez, retirou-se para um lugar deserto a fim de orar. Pela oração buscava desprender-se de toda atenção concentrada sobre si, recordando que só o Pai era merecedor de glória e louvor. Assim, procurava manter-se distante do orgulho e da soberba, que poderia desvirtuar toda a sua ação. – Pai, que a oração me ajude a descobrir o verdadeiro sentido do serviço que presto ao Reino, de modo a coibir a tentação de ser contaminado pelo orgulho e pela soberba (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite


Quinta, 8 de janeiro de 2026

 (1Jo 4,19—5,4; Sl 71[72]; Lc 4,14-22) Semana da Epifania.

“Então começou a dizer-lhes: ‘Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabaste de ouvir’” Lc 4,21.

“Jesus resume a sua missão na proclamação do ano de acolhimento, do ‘ano da graça’. O ‘ano da graça’ é o ‘jubileu’ judaico. Nesse ano sempre ocorria após quarenta e nove anos, os israelitas tinham de libertar escravos, perdoar todas as dívidas e deixar as terras sem cultivo. São maravilhosas imagens para a atuação de Jesus. Onde Jesus aparece, escravos são libertados, isto é, pessoas internamente escravizadas conseguem romper as cadeias de suas angústias e dependências, reencontrando a sua dignidade humana” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).  

Pe. João Bosco Vieira Leite


Quarta, 07 de janeiro de 2026

(1Jo 4,11-18; Sl 71[72]; Mc 6,45-52) Semana da Epifania.

“Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: ‘Coragem, sou eu!

Não tenhais medo!’” Mc 6,50.

“Uma tentação que costuma afligir-nos em determinadas ocasiões é a do desânimo: quando as coisas não saem bem, quando nossos desejos que julgamos legítimos não são satisfeitos, quando acontecem dificuldades e obstáculos de toda a espécie, quando nos parece que não somos aceitos pelos outros, pelo menos na amplitude que nos parece merecermos, ou então, quando simplesmente nada nos acontece, apodera-se de nós o pessimismo, o tédio, o descontentamento, que nem nós mesmos sabemos explicar. Nestes casos tudo perde o encanto, os horizontes escurecem, o ânimo abate-se, as forças nos abandonam: é nesses momentos, mais do que nunca, que devemos recorrer à oração” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite


Terça, 6 de janeiro de 2026

(1Jo 4,7-10; Sl 71[72]; Mc 6,34-44) Semana da Epifania.

“Depois Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes” Mc 6,41.

“A Galileia tinha, desde há muito tempo, uma péssima tradição de desequilíbrios sociais. O episódio da vinha de Nabot, sucedido num passado longínquo, estava ainda bem vivo na mente do povo. Mudaram-se os tempos, porém, a ganância de concentrar os bens nas mãos de poucos permaneceu inalterada. O milagre da partilha dos pães foi na contramão desta mentalidade, visando incentivar a criação de uma sociedade diferente, na qual os bens deste mundo fossem partilhados entre todos. Fato notável é que a lição da partilha teve como ponto de partida a pobreza e não a abundância de bens. Poderia ter acontecido assim: uma pessoa rica, possuidora de muitos recursos, ter-se se servido deles para alimentar a multidão faminta. Ou mesmo Jesus, recorrendo ao poder recebido do Pai, ter milagrosamente feito aparecer uma montanha de pães com os quais todos se pudessem saciar. Nada disto! Tratava-se, sim, de cada um repartir com o próximo o pouco que lhe cabia, a começar com aquele jovem que possuía ‘cinco pães e dois peixes’. Quem não acreditava na força do Reino, perguntou-se o que seria isto para ‘cinco mil pessoas?’ Mas aqueles cujos corações o Reino lançou raízes, tudo se passou de maneira diferente. A partilha começa no pouco, pois quem tem muito (fruto da cobiça e da ganância) dificilmente se disporá a repartir e a mostrar-se misericordioso com o próximo. – Pai, preserva-me da cobiça e da ganância que me impedem de ser generosos com meu semelhante. E abre meu coração para a partilha e a misericórdia (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite