Segunda, 03 de abril de 2017

(Dn 13,1-9.15-17.19-30.33-62; Sl 22[23]; Jo 8,1-11) 
5ª Semana da Quaresma.

A liturgia da palavra põe duas mulheres no centro da narrativa fazendo vir à tona a condição das mesmas numa sociedade profundamente marcada pelo machismo e pela falta de amparo delas. Também faz vir à tona, na 1ª leitura, o quanto nossas paixões podem nos cegar, a ponto de levantar falso testemunho contra quem dissemos um dia estar apaixonados: “Ficaram desnorteados, a ponto de desviarem os olhos para não olharem para o céu, e se esqueceram dos seus justos julgamentos” (Dn 13,9). Também aqueles que cercaram a pecadora surpreendida em adultério se esqueceram que um dia se deitaram com uma dessas mulheres buscando algum prazer ou afeto: “E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos” (Jo 8,9). O salmista canta a providência divina que faz a verdade vir à tona e que salva os que N’ele confiam; confiemo-nos também em meio as tribulações que atravessamos e que a verdade que é Jesus ilumine a nossa vida: “Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!” (cf. Sl 22[23]).


 Pe. João Bosco Vieira Leite

5º Domingo da Quaresma – Ano A

(Ez 37,12-14; Sl 129[130]; Rm 8,8-11; Jo 11,1-45).

1. O profeta Ezequiel que nos aparece na 1ª leitura acompanhou um dos momentos mais difíceis da história de Israel: o Exílio. Que ele mesmo já havia advertido. Sua linguagem muda de acusador para consolador. A experiência de Israel foi sentida como uma morte, daí a promessa que ele dirige ao povo de renascimento.

2. Aproximando-nos da Páscoa, a imagem soa forte, não só pela ressurreição de Cristo, mas pelo renascimento dos que vão receber o batismo e dos que farão a experiência da misericórdia de Deus pelo sacramento da penitência. A vida é sempre possível, permanece como última palavra de Deus para as situações de morte que vivenciamos.

3. Paulo recorda que a vida recebida no Batismo é segundo o Espírito de Deus. Este exige de nós não só um novo modo de viver, mas de crer. O mesmo Espírito que ressuscitou Jesus também nos ressuscitará, pois compartilhando de nossa vida mortal, Ele resgata nossa frágil humanidade para uma vida mais plena.

4. Dentro desse espírito podemos ler o episódio da reanimação de Lázaro. O autor nos faz caminhar numa espécie de catequese sobre o mistério do próprio Jesus e nosso destino último. Portanto, não nos deixemos levar por certos detalhes que exigiriam uma lógica maior. Somos levados a perceber que Jesus não veio para interromper a normalidade da existência humana, tanto que Ele próprio experimentará a morte.

5. A vida que Jesus veio nos oferecer trata da dignidade do ser humano em sua existência comum, mas se eleva a algo maior se reconhecemos nossa dignidade de filhos de Deus. Assim, no diálogo travado com Marta, que crê numa ressurreição no fim do mundo, Jesus fala da morte como passagem para o mundo de Deus, desde já, pela fé, não somente no fim da história.

6. Jesus não entra em detalhes, mas nos convida a reafirmar, com Marta, que Ele é o caminho, a verdade e a vida. A pedra que separava o mundo dos vivos e dos mortos é retirada. Há lágrimas que são caracterizadas pelo desespero de que tudo se tenha acabado; há outras que só lamentam a ausência, pois creem que a vida segue sob uma outra forma.

7. Aos que vão receber o Batismo se fala da vida nova e plena que receberão; aos cristãos de todos os tempos a Igreja quer recordar sobre essa vida plena que nos espera, não permitindo que as lágrimas da vida ofusquem o sentido último do nosso caminhar, que cada renascimento na vida é um ensaio para a plenitude de nossa existência.


 Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 01 de abril de 2017

(Jr 11,18-20; Sl 07; Jo 7,40-53) 
4ª Semana da Quaresma.

Jeremias, em seu drama existencial, sabia que tramavam contra ele e na sua confiança em Deus desejava ver a vingança contra seus inimigos. Se este quadro serve de referência ao conhecimento que Jesus tinha de toda trama empreendida pelas autoridades religiosas contra Ele, certamente não desejou e nem viu a vingança de Deus sobre o que lhe fariam depois. É nesse ponto que os dois textos se separam tomando a devida distância. A paixão de Cristo só pode ser lida sob a perspectiva do Reino anunciado por Jesus. Este não se impõe. Ele é algo que se descobre, que se encontra no meio do caminho, ainda que tenhamos resistido e até lutado contra ele. Jesus não podia desejar a vingança contra os que lhe perseguiam, somente desejar que apesar de todos os caminhos errados eles também se encontrassem. Por isso nos havia indicado a oração pelos inimigos.



Pe. João Bosco Vieira Leite