Sábado, 25 de abril de 2026

(1Pd 5,5-14; Sl 88[89]; Mc 16,15-20) São Marcos Evangelista.

“Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus” Mc 16,19.

“Não se pode descrever o céu, mas podemos antegozá-lo. Não podemos alcançá-lo com nossa mente, mas é difícil não desejá-lo. Se falamos do céu não é para satisfazer nossa curiosidade, mas para reavivar nosso desejo e nossa atração por Deus. Se o recordamos é para não esquecer o anseio último que trazemos no coração. Ir para o céu não é chegar a um lugar, mas entrar para sempre no mistério do amor de Deus. Por fim, Deus já não será alguém oculto e inacessível. Embora nos apareça inacreditável, podemos conhecer, tocar, provar e desfrutar seu ser mais íntimo, sua verdade mais profunda, sua bondade e beleza infinitas. Deus despertará em nós a paixão do amor para sempre. Esta comunhão com Deus não será uma experiência individual. Jesus ressuscitado nos acompanhará. Ninguém vai ao Pai se não for por meio de Cristo. ‘Nele habita toda a plenitude da divindade em forma corporal’ (Cl 2,9). Só conhecendo e desfrutando o mistério contido em Cristo penetraremos no mistério insondável de Deus. Cristo será o nosso ‘céu’. Vendo a ele, ‘veremos’ a Deus. Cristo não será único mediador de nossa felicidade eterna. Inflamados pelo amor de Deus, cada um de nós nos converteremos, à nossa maneira, em ‘céu’ para os outros. A partir de nossa limitação e finitude tocaremos o Mistério infinito de Deus, saboreando-o em suas criaturas. Gozaremos de seu amor insondável, saboreando-o no amor humano. O gozo de Deus nos será dado encarnado no prazer humano. O teólogo húngaro Ladislaus Boros procura sugerir esta experiência indescritível: ‘Sentiremos o calor, experimentaremos o esplendor, a vitalidade, a riqueza transbordante da pessoa que hoje amamos, com a qual desfrutamos e pela qual agradecemos a Deus. Todo o seu ser, a profundeza de sua alma, a grandeza de seu coração, a criatividade, a amplitude, a paixão de sua reação amorosa nos serão presenteados’. Que plenitude alcançará em Deus a ternura, a comunhão e o gozo do amor e da amizade que conhecemos aqui! Com que intensidade nos amaremos então, nós que já nos amamos tanto na terra! Poucas experiências nos permitem antegozar melhor o destino último ao qual somos atraídos por Deus” (José Antonio Pagola – “O Caminho Aberto por Jesus” – Marcos – Vozes)

Pe. João Bosco Vieira Leite