Sexta, 24 de abril de 2026

(At 9,9,1-20; Sl 116[117]; Jo 6,52-59) 3ª Semana da Páscoa.

“Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida” Jo 6,54.

“A última parte do discurso de Jesus sobre o ‘pão da vida’ constitui o seu momento mais intenso. Os judeus (que para João representam os guias espirituais de Israel), habituados a investigar sobre a interpretação da Lei e sobre os discursos de sabedoria, procuram compreender o sentido das palavras do Nazareno: palavras que se tornam cada vez mais nítidas e desconcertantes. Comer o pão que é Jesus, isto é, comer a carne do Filho do homem, une a nossa vida à Sua vida, que é a vida eterna. [Compreender a Palavra:] A identificação do pão como ‘carne’ de Jesus (v. 52), repugnante para os judeus enquanto violação de um dos mais sagrados preceitos da Lei, coloca os interlocutores perante a realidade física de uma morte sacrificial que ultrapassa as prescrições legais, e dá a vida. Os hebreus estavam proibidos de consumir sangue (mesmo o dos animais oferecidos em sacrifício) porque ele representava a vida, e ninguém podia apropriar-se dela a não ser Deus, único dono da vida. O homem tem o usufruto, não a propriedade, da Criação: isto significava abster-se do sangue. Mas em Jesus, Deus vai mais além: a própria vida do Filho, ou seja, o Seu sangue, é colocada nas mãos dos homens, consumada totalmente no dom do amor, que se fez ‘verdadeira comida e verdadeira bebida’ (v. 55). Pela primeira vez, através da linguagem eucarística, é expressa a presença de Jesus no crente, o qual é assim introduzido na dimensão trinitária (v. 56-58)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite