(At 9,9,1-20; Sl 116[117]; Jo 6,52-59) 3ª Semana da Páscoa.
“Porque a minha carne é verdadeira
comida e o meu sangue, verdadeira bebida” Jo 6,54.
“A
última parte do discurso de Jesus sobre o ‘pão da vida’ constitui o seu momento
mais intenso. Os judeus (que para João representam os guias espirituais de
Israel), habituados a investigar sobre a interpretação da Lei e sobre os
discursos de sabedoria, procuram compreender o sentido das palavras do
Nazareno: palavras que se tornam cada vez mais nítidas e desconcertantes. Comer
o pão que é Jesus, isto é, comer a carne do Filho do homem, une a nossa vida à
Sua vida, que é a vida eterna. [Compreender a Palavra:] A identificação do pão
como ‘carne’ de Jesus (v. 52), repugnante para os judeus enquanto violação de
um dos mais sagrados preceitos da Lei, coloca os interlocutores perante a
realidade física de uma morte sacrificial que ultrapassa as prescrições legais,
e dá a vida. Os hebreus estavam proibidos de consumir sangue (mesmo o dos
animais oferecidos em sacrifício) porque ele representava a vida, e ninguém
podia apropriar-se dela a não ser Deus, único dono da vida. O homem tem o
usufruto, não a propriedade, da Criação: isto significava abster-se do sangue.
Mas em Jesus, Deus vai mais além: a própria vida do Filho, ou seja, o Seu
sangue, é colocada nas mãos dos homens, consumada totalmente no dom do amor,
que se fez ‘verdadeira comida e verdadeira bebida’ (v. 55). Pela primeira vez,
através da linguagem eucarística, é expressa a presença de Jesus no crente, o
qual é assim introduzido na dimensão trinitária (v. 56-58)” (Giuseppe Casarin – Lecionário
Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).
Pe.
João Bosco Vieira Leite