Quinta, 9 de abril de 2026

(At 3,11-26; Sl 8; Lc 24,35-48) Oitava de Páscoa.

“Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne nem ossos, como estai vendo que eu tenho” Lc 24,39.

“Jesus diz aos discípulos que devem apalpá-lo. A palavra grega ‘pselaphao’, ‘pegar’, ‘apalpar’, ‘segurar’, é usada outra vez por Lucas no discurso de Paulo no Areópago, onde Paulo responde conscientemente à Filosofia estoica: os homens deveriam ‘procurar Deus; talvez pudessem encontra-lo e segurá-lo, pois não está longe de cada um de nós’ (At 17,27). Com a palavra de Jesus: ‘Apalpai-me’, Lucas sugere aos sequazes da filosofia estoica que nós, os humanos, podemos tocar em Deus na pessoa de Jesus Cristo. Nas suas mãos, nos seus pés, os discípulos tocam no próprio Deus. Assim cumpre-se o ardente desejo humano de um Deus que os nossos sentidos possam perceber. Em cada Eucaristia podemos tocar em Jesus, no pão que nos é colocado na mão. Na Igreja primitiva os cristãos tocavam nos seus próprios olhos e ouvidos com o corpo de Cristo, não apenas para poderem tocar no Cristo, mas para se deixarem tocar e apalpar carinhosamente por ele. Jesus pede ainda que lhe deem algo para comer, e ele come juntamente com os discípulos, participa da refeição com eles. A Ressurreição cria uma nova comunidade. Nas refeições dos discípulos entre si, o próprio ressuscitado está no meio deles. Para Lucas, a Eucaristia é sempre um encontro com o ressuscitado. A intimidade e a alegria de que fala a sua descrição da refeição pascal devem caracterizar também a celebração da Eucaristia. Jesus explica a Escritura aos seus discípulos e discípulas, e se mostra a eles como Deus e homem, como aquele que se tornou realmente ‘ele mesmo’, a fim de que nós ressuscitemos da alienação para ser ‘nós mesmos’, da rigidez para a vivacidade, do isolamento para uma convivência nova” (Anselm Grüm – Jesus, modelo do ser humano – Loyola).  

 Pe. João Bosco Vieira Leite