(At 3,1-10; Sl 104[105]; Lc 24,13-35) Oitava de Páscoa.
“Quando se sentou à mesa com eles, tomou
o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía” Lc 24,30.
“Hoje,
quarta-feira entre a Oitava de Páscoa, a liturgia faz-nos meditar sobre outro
encontro singular do Ressuscitado, o que teve com os dois discípulos de Emaús
(cf. Lc 24,13-35). Quando, desconfortados pela morte do seu Mestre, regressavam
para casa, o Senhor fez-se seu companheiro de caminho sem que eles o
reconhecessem. As suas palavras, a comentar as Escrituras que lhe dizem
respeito, tornaram fervorosos os corações dos dois discípulos que, tendo
chegado ao destino, lhe pediram para permanecer com eles. Quando, no final, Ele
‘tomou o pão, pronunciou a bênção, o partiu e lho deu’ (v. 30), os seus olhos
abriram-se. Mas naquele mesmo momento Jesus subtraiu-se ao seu olhar. Portanto,
reconheceram-no quando Ele despareceu. Ao comentar este episódio evangélico,
Santo Agostinho observa: ‘Jesus parte o pão, reconhecem-no. Então nós já não
dizemos que não conhecemos o Cristo! Se cremos, conhecemo-lo! Aliás, se cremos,
temo-lo! Tinham Cristo à sua mesa, nós temo-lo na nossa alma!!’. E conclui:
‘Ter Cristo no próprio coração é muito mais que tê-lo na própria casa: de fato,
o nosso coração é-nos mais íntimo do que a nossa casa’ (Discurso 232, VII,7).
Procuremos realmente levar Jesus no coração” (Bento XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre
Novo – Vol. III – Mokai)
Pe. João Bosco Vieira Leite