Segunda, 07 de fevereiro de 2022

(1Rs 8,1-7.9-13; Sl 131[132]; Mc 6,53-56) 

5ª Semana do Tempo Comum.

“Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus” Mc 6,54.

“Como não reconhecer Jesus? Tanto por suas palavras e doutrina, como por suas obras milagrosas e cheias de santidade. O homem precisa chegar à fé, mas nunca chegará se antes não se realizar o encontro livre, consciente e pessoal com Jesus. Não se pode chegar à fé com argumentações, com estudos, com análises, com diálogos. A fé não é o resultado de um silogismo, nem de uma conversa dialética. A fé é uma vida, e essa vida somente nos vem e a adquirimos por intermédio de Jesus Cristo, com o contato pessoal com ele em uma experiência religiosa vivida em profundidade. E esse contato pessoal com Jesus, vivido em dimensão de profundidade, é o que nos pode levar à santidade. Por fim, a fé não é senão o primeiro passo no caminho da santidade. Prouvera que a você seja difícil reconhecer Jesus. Você não deve ter inveja do povo israelita, que viveu no tempo de Jesus, porque podia ouvi-lo, vê-lo. Tocá-lo. Se você ativar sua fé, poderá realizar tudo isso. Porventura não está ele verdadeiramente presente na santíssima Eucaristia? Você não o verá com os seus olhos físicos, mas sim com os do espírito; pode tocá-lo, pode comê-lo eucaristicamente, você pode transformar-se nele sacramentalmente. E não está Jesus presente também em seu próximo, nos pobres, nos necessitados, nos enfermos, nos idosos, nas crianças, em todos os que sofrem?” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave- Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

5º Domingo do Tempo Comum – Ano C

(Is 6,1-8; Sl 137[138]; 1Cor 15,1-11; Lc 5,1-11)

1. A página que Lucas nos oferece nesse domingo é composta por três quadros distintos, quase como uma sequência cinematográfica ambientada no lago da Galileia e caracterizada por alguns elementos fixos: barca, peixe, redes e pescadores.

2. A primeira cena nos apresenta Jesus como Mestre da multidão que está ao seu redor, subindo numa barca para melhor projetar a sua voz e ser visto. Depois da pregação vem o milagre da pesca ‘insólita’. Esta produz uma transformação na vida daqueles homens. Deixam tudo para seguir Jesus. 

3. Para além desses elementos exteriores mais aparentes, tem um elemento comum fundamental nos três episódios em rápida sucessão: a palavra, ou melhor, a força da palavra.

4. O protagonista é sempre Jesus com a força de sua palavra eficaz, transformadora. O milagre é precisamente o de uma Palavra que traz em sim potência, vida, energia. É a mesma palavra que ensina, que provoca o milagre e que chama os discípulos.

5. É sobretudo no episódio central, da pesca milagrosa, que aparece em plena evidência força da Palavra. Depois que Pedro deixa calar a voz da experiência e do insucesso é que o milagre vem, por assim dizer, antecipado. O verdadeiro milagre é essa confiança numa palavra sem igual; de uma rede lançada sob uma palavra.

6. O nosso tempo, inundado de rios de palavras, parece ter perdido a atenção a essa Palavra, e inevitavelmente diminui a fé nas palavras. Nossa mentalidade ocidental nos leva a considerar a palavra exclusivamente como veículo do pensamento do que queremos exprimir.

7. Para o espírito hebraico, a palavra é algo mais que um veículo de uma ideia. A palavra é veículo de uma força. A mentalidade semita concebe a palavra como uma realidade viva, que tem em si força, movimento, atividade. É uma palavra ação, que faz acontecer.

8. Podemos assim compreender, nesta perspectiva, a importância que tinham as bênçãos e as maldições para os orientais. Quando vinham pronunciadas, tornavam-se irrevogáveis, eficazes.

9. A palavra de Deus não é só ensinamento, é também ordem, imperativo, ato criador, como nos diz o Gênesis. Jesus fala e sua palavra faz curar o doente, cessar a tempestade, multiplicar os pães, perdoa os pecados, as redes se enchem de peixes, os mortos tornam a viver. Uma palavra que sempre produz algo, não volta vazia (cf. Is 55,10-11).

10. É quando nos damos conta como hoje esvaziamos as palavras da sua verdade essencial, da sua realidade mais íntima, da sua força desconcertante. Desconsagramos as palavras. Tratamo-las às pressas. E por isso nosso tempo se tornou cansado das ‘palavras’. Dizemos: queremos fatos, não palavras.

11. Precisamos recolocar as nossas palavras ‘desgastadas’ ao lado da Palavra sempre nova, que é vida. Permitir que a nossa vida seja colocada em discussão por esta Palavra única. Talvez assim nossas palavras voltem a dizer alguma coisa, e voltem, sobretudo, a serem ‘fatos’, não conversa fiada. O mundo precisa de palavras, porque precisa de fatos.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 05 de fevereiro de 2022

(1Rs 3,4-13; Sl 118[119]; Mc 6,30-34) 

4ª Semana do Tempo Comum.

“Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas” Mc 6,34.

“As multidões não davam sossego a Jesus e aos discípulos. Era-lhes difícil encontrar tempo e lugar para estarem a sós com o Mestre, e descansar das fadigas da missão. Às vezes, nem tinham tempo para comer, tal era o afluxo de gente. Quando sabiam que Jesus estava se dirigindo para algum lugar, corriam para lá, chegando antes dele. Era como se fossem ovelhas em busca de um pastor. A situação de abandono do povo sensibilizava profundamente Jesus. Daí o extremo interesse com que as pessoas ouviam Jesus falar, e a ânsia de serem beneficiadas por ele. E sempre encontravam acolhida por parte do Mestre. A atitude de Jesus estava em estreita relação com o serviço ao Reino, para o qual fora enviado. Esse Reino comportava a Boa Nova de libertação para os pobres, e deveria devolver aos seus corações a esperança há muito perdida pelo descaso com que eram tratados. A Jesus competia, por assim dizer, re-humanizá-los, tirando-os da marginalização a que foram relegados, e abrir-lhes uma perspectiva de vida para além de suas dores e sofrimentos. O Mestre apresentou-se como líder deste grande movimento de recuperação da dignidade humana, dando atenção ao povo sofrido e propondo-lhe o Reino como ideal. – Espírito de sensibilidade, dá-me um coração que se deixa tocar pelos anseios dos pobres e saiba colocar-se a serviço deles (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano C] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite