(Jr 28,1-17; Sl 118[119]; Mt 14,22-36) 18ª Semana do Tempo Comum.
“E Jesus respondeu: ‘Vem!’ Pedro desce
da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus” Mt 14,29.
“De
repente, ao reconhecer Jesus, Pedro recobra a sua coragem. Confiando no apoio
da proximidade do mestre, ele ousa descer do barco. O barco pode ser a imagem
do ego, do qual precisamos sair. Quando o ego é sacudido pelo inconsciente, é
necessário sair da própria estreiteza, superando os próprios limites. Mas o
barco pode ser também a imagem da comunidade. Na crise mais profunda, não
podemos ter certeza de que a comunidade vá sustentar-nos. Nessa hora precisamos
descer, para pôr os pés no caminho da confiança. enquanto Pedro mantém os olhos
fixos em Jesus, consegue andar sobre a água. O olhar preso em Cristo nos
sustenta em meio às incertezas da vida. Mas, quando Pedro dirige o olhar para
as ondas, começa a afundar. Enquanto a nossa vida está fixada nos problemas,
enquanto enxergamos apenas as vagas, descemos ao fundo. Pedro grita: ‘Senhor,
salva-me!’. Com essa descrição do terror de Pedro e com a sua exclamação em
forma de prece, Mateus alude ao salmo 69. Nesse salmo, os judeus piedosos – e
com eles os cristãos – pedem que Deus os salve da água que chega ‘até a
garganta’ e que ameaça leva-los embora. Jesus estende a mão e segura Pedro. A
sua advertência não se dirige apenas a Pedro, ela vale para todos os cristãos
cuja fé ficou fraca: ‘Homem de pouca fé, porque duvidaste?’ (14,31). É típico
do evangelho de Mateus falar em ‘pouca fé’. Com essa expressão, Mateus
dirige-se aos seus leitores, cristãos que têm fé, mas uma fé fraca. Ela não
resiste às vagas e às tempestades que sacodem os cristãos. Mas, no meio da
noite de nossa vida, no meio das tempestades que nos ameaçam está Jesus. Ele
quer fortificar a nossa fé. Se confiarmos em Jesus e se permitirmos que ele
reconforte a nossa fé, então essa fé será capaz de deslocar montanhas, então
poderemos caminhar sobre as águas, então estaremos seguros, mesmo que o chão
nos falte debaixo dos pés, que as pessoas nos abandonem, que percamos os bens,
que tudo desmorone ao nosso redor” (Anselm Grün – Jesus, Mestre da Salvação –
Loyola).
Pe.
João Bosco Vieira Leite