Quarta, 01 de julho de 2026

(Am 5,14-15.21-24; Sl 49[50]; Mt 8,28-34) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Livra-me das balbúrdias dos teus cantos, não quero ouvir a toada de tuas liras. Que a justiça seja abundante como água e a vida honesta como torrente perene” Am 5,23-24.

“Prosseguem os oráculos de Amós com a condenação da injustiça de que Israel continua a manchar-se, e com a rejeição de um culto vão, pois é apenas exterior; como fato positivo, o profeta indica o caminho da conversão. O povo, ao invés, parece convencido de que o Senhor está presente (‘JHWH estará conosco’: cf. v. 14) por uma espécie de automatismo, devido a uma Aliança e uma observância da Lei só formais; esta convicção parece avalizada também pela prosperidade do país e vista como sinal da bênção divina. [Compreender a Palavra:] A esperança do profeta é expressa humildemente. Numa atitude penitente, com a consciência de pertencer a um povo pecador. Amós deseja a misericórdia do Senhor, ‘Deus do Universo’ (v.15): talvez tenha compaixão dos ‘sobreviventes’ (v. 15d: este termo pode também traduzir-se por ‘resto’: aparece aqui pela primeira vez, e terá muita importância nos profetas sucessivos). As acusações nos confrontos de Israel versam sobre as práticas idolátricas e sobre a opressão dos pobres: o culto não autêntico é condenado por Amós com palavras ásperas, recordando os diversos tipos de sacrifícios (holocausto, oblações de farinha, sacrifícios de comunhão, a oferta das melhores vítimas) e os ritos tornados solenes pelos Cânticos, qualificados, porém como alarido inaudível. Pelo contrário, afirma o profeta, é preciso ‘detestar o mal e amar o bem’ (v. 15a), isto é, conformar-se intimamente com a vontade de Deus. ‘Procurai’ (v. 14a) com todo o vosso ser o bem amado significa, essencialmente, respeitar e exercer o direito e a justiça, cuja prática é desejada e comparada à água vivificante de nascente” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite