(Dn 7,9-10.13-14; Sl 137[138]; Jo 1,47-51) Santos Miguel, Gabriel e Rafael.
“E Jesus continuou: ‘Em verdade, em
verdade, eu vos digo, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo
sobre o Filho do Homem”
Jo 1,51.
[Bento
XVI por ocasião da ordenação episcopal a seis novos bispos:] “O Bispo deve
ser um orante, alguém que intercede pelos homens junto de Deus. Quanto mais o
fizer, tanto mais compreende também as pessoas que lhe estão confiadas e pode
tornar-se para elas um anjo um mensageiro de Deus, que as ajuda a encontrar a
sua verdadeira natureza, a si mesmas, e a viver a ideia que Deus tem delas.
Tudo isso se torna ainda mais claro se olharmos agora para as figuras dos três
Arcanjos cuja festa a Igreja celebra hoje. Antes de tudo está Miguel.
Encontramo-lo na Sagrada Escritura sobretudo no Livro de Daniel, na Carta do
Apóstolo São Judas e no Apocalipse. Deste Arcanjo tornam-se evidentes nestes
textos duas funções. Ele defende a causa da unicidade de Deus contra a soberba
do dragão, da ‘serpente antiga’, como diz João. É a perene tentativa da
serpente de fazer crer aos homens que Deus deve desaparecer, para que eles se
possam tornar grandes; que Deus é um obstáculo para a nossa liberdade e que por
isso devemos desfazer-nos dele. Mas o dragão não acusa só Deus. O Apocalipse
chama-o também ‘o acusador dos nossos irmãos, que os acusava de dia e de noite
diante de Deus’ (12,10). Quem põe Deus de lado, não enobrece o homem, mas
priva-o da sua dignidade. Então o homem torna-se um produto defeituoso da
evolução. Quem acusa Deus, acusa também o homem. A fé em Deus defende o homem
em todas as suas debilidades e insuficiências: o esplendor de Deus resplandece
sobre cada indivíduo. É tarefa do Bispo, como homem de Deus, fazer espaço para
Deus no mundo contra as negações e defender assim a grandeza do homem. E o que
se poderia dizer e pensar de maior sobre o homem a ser o próprio Deus que se
fez homem? A outra função de Miguel, segundo a Escritura, é a de protetor do
Povo de Deus (cf. Dn 10,21; 12,1). Queridos amigos, sede verdadeiramente ‘anjos
da guarda’ das Igrejas que vos serão confiadas! Ajudai o povo de Deus, que
deveis preceder o discernimento dos espíritos: a acolher o bem e a recusar o
mal, a permanecer e tornar-se sempre mais, em virtude da esperança da fé,
pessoas que amam em comunhão com Deus-Amor” (Bento XVI – Um Caminho de
Fé Antigo e sempre Novo – Vol. IV – Mokai)
Pe.
João Bosco Vieira Leite